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segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

HÁ 7 ANOS ERA DIA DE SÃO CÁSSIO

Faz exatos sete anos que o Corinthians conquistou o Mundial de Clubes da Fifa, sendo até agora o último campeão brasileiro dessa competição. 

A perspectiva de que o Flamengo finalmente interrompa a série de triunfos europeus dá um sabor todo especial à efeméride.

Mas, a minha esperança vai além: vejo nesse Flamengo mágico de 2019 (que infelizmente perderá muitas de suas estrelas para a próxima temporada...) potencial para não só levantar a taça, mas fazê-lo de forma categórica.

Pois, nas 15 vezes em que foi disputado o Mundial de clubes que a Fifa reconhece, não só ficamos em grande inferioridade face às equipes europeias (7 títulos espanhóis, 2 italianos, 1 alemão e 1 inglês), como vencemos mas não convencemos nas quatro finais em que prevalecemos: 
— o Corinthians em 2000 só derrotou o Vasco da Gama nos pênaltis, depois de um tedioso 0x0 no jogo normal e na prorrogação; 
— o São Paulo em 2005, o Internacional em 2006 e o Corinthians em 2012 ganharam sempre pelo placar mínimo, segurando-se na defesa e aproveitando uma das raras chances que criaram;
— os goleiros Rogério Ceni e Cássio salvaram suas equipes e foram, disparados, os melhores em campo nos anos de 2005 e 2012.
O que há para destacarmos na apoteose do bando de loucos em Yokohama?

Os milagres do Cássio foram mesmo impressionantes. O Chelsea, normalmente, teria feito uns três gols, apesar do nó tático que Tite aplicou no técnico Rafa Benitez. A diferença qualitativa entre os dois elencos era chocante.

Raras boas chances corinthianas andaram sendo desperdiçadas por Emerson Sheik que, após ser o herói da Libertadores, estava obcecado em obter glória pessoal, fominha como nunca.

O tento da vitória se deveu a um lance genial de Paulinho que, recebendo um lançamento longo de costas para o gol, deu um passe de primeira, de calcanhar e sem olhar para trás, na direção de Jorge Henrique. 

A bem estruturada defesa inglesa se desarrumou com o lance imprevisto. Jorge Henrique devolveu para Paulinho de cabeça (belíssima tabelinha!) e este invadiu a área, atraindo marcação, para deixar a bola nos pés de Danilo.

Frio e cerebral, Danilo deu um corte e finalizou. O defensor Cahill ainda conseguiu interceptar o disparo, mas a bola subiu e, na queda, ofereceu-se limpa para a cabeçada de Guerrero.

Poucos cronistas esportivos reconheceram em Paulinho o jogador que quebrou a defesa do Chelsea com um toque de mestre. Só conseguiam enxergar o óbvio. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 23 de novembro de 2015

OS IMPROVÁVEIS 'CHOCOLATES' DE BARCELONA E CORINTHIANS SOBRE SEUS GRANDES RIVAIS

Sou corinthiano desde criancinha e culé desde que o Barcelona atualizou o carrossel holandês, tornando-se o carro-chefe de um novo apogeu do futebol-arte. Então, o último fim de semana foi o melhor de toda a minha vida de torcedor: meus dois times simplesmente massacraram os maiores rivais.

Goleadas tão acachapantes em clássicos são muito raras, quase sempre resultando da conjugação da excelência de uma equipe com erros terríveis da outra.

O 4x0 do Barcelona sobre o Real Madrid, em pleno estádio Santiago Bernabeu, se deveu: 
  • à qualidade do jogo coletivo dos catalães, muito superiores aos merengues neste quesito;
  • a atuações brilhantes de Iniesta, Neymar, Suarez e Bravo, enquanto os craques adversários, principalmente Cristiano Ronaldo, estiveram muito mal; 
  • à imprevidência do técnico Rafael Benitez, que sacou do time o volante defensivo Casimiro pensando em aumentar o volume de jogo do ataque madrilenho, mas acabou apenas desguarnecendo sua retaguarda, exatamente como Felipão fez no malfadado 7x1 do último Mundial. 
Com os espaços de que necessitava para desfilar sua imensa categoria, Iniesta ditou o ritmo do ataque, ministrou uma aula de futebol inteligente, marcou um golaço e deu outro de bandeja para o Neymar fazer.


Se, tendo um Messi meia-boca (vinha de contusão e só entrou no 2º tempo, com evidente falta de ritmo), era improvável que o Barça, fora de casa, triturasse o Real, mais surpreendente ainda foi a impiedosa sova que o misto do Corinthians, em casa, aplicou no pobre São Paulo: 6x1!

Para a partida em que festejaria a conquista do título, Tite escalou oito jogadores que não vinham atuando, embora três (Fagner, Uendel e Bruno Henrique) fossem titulares antes de se contundirem. Temia-se que o São Paulo, precisando da vitória para melhorar suas chances de chegar à Libertadores, botasse água no chopp, carimbando a faixa dos campeões. 

Mas, a defesa tricolor mostrou vulnerabilidade extrema ao jogo aéreo, permitindo que o Corinthians praticamente liquidasse a fatura no 1º tempo. Três cabeçadas de dentro da área terminaram em gols, outra obrigou o goleiro Denis a esticar-se todo para salvar. E foi simplesmente ultrajante a vantagem que Romero levou sobre o confuso Lucão, um Zé Grandão Bobo que nem sequer saltou para atrapalhar o atacante baixinho.

No segundo tempo, uma linha de passe alvinegra terminou em golaço de Lucca, depois de Bruno Henrique girar sobre um zagueiro ingênuo e o veterano Danilo dar um milimétrico passe de calcanhar. Finalmente, o esforçado paraguaio Romero teve sua jornada de Cinderela, abrindo caminho para mais dois gols.

No apagar das luzes, o árbitro arrumou um pênalti de consolação para o São Paulo, mas o gigante Cássio confirmou sua escrita de algoz dos cobradores, repetindo com Alan Kardec o que já fizera duas vezes com o Rogério Ceni.

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