segunda-feira, 16 de outubro de 2023

ENTRE O CALCULISMO DESUMANO DO HAMAS E A LOUCURA SINISTRA DE ISRAEL NÃO EXISTE ESCOLHA POSSÍVEL: SÃO AMBOS EXECRÁVEIS!

O Hamas parece ter percebido que. praticamente imbatível no plano militar, Israel é facilmente levado a vulnerabilizar-se, expondo seu absoluto desprezo por todos que não façam parte do que os judeus acreditam ser: o povo escolhido pelo único Deus.

Onde foram buscar tamanha sandice? Em Deuteronômio 7:7-9:
"...o Senhor amou vocês por causa do juramento que fez aos seus antepassados. 
Por isso ele os tirou com mão poderosa e os redimiu da terra da escravidão, do poder do faraó, rei do Egito. 
Saibam, portanto, que o Senhor, o seu Deus, é Deus; ele é o Deus fiel, que mantém a aliança e a bondade por mil gerações daqueles que o amam e obedecem aos seus mandamentos"
Foi, certamente, a chamada ilusão compensatória: eram fracos, sacos de pancada dos poderosos, por eles dominados  e amiúde escravizados, mas desprezavam seus opressores e não buscavam alianças com outros fracos. A lorota religiosa era seu ópio, que lhes dava força para seguirem adiante.

Não por acaso, se destacariam numa das mais ignóbeis formas de assegurar a sobrevivência material: a usura. Sem remorsos, porque não viam as vítimas de sua atividade predatória e desumana como iguais, mas sim como seres inferiores, já que não desfrutavam das graças do verdadeiro Deus.

Este é o principal motivo de suas desgraças através dos tempos. Sua soberba, sua insistência em jamais se misturarem à população dos países que os acolhiam, fazendo questão de deles se diferenciarem nos costumes e mesmo no  visual, conduzia inevitavelmente à sua estigmatização. 
E, por conta dessa existência conflituosa, foram capazes de produzir grandes pensadores, artistas e cientistas, pois as contradições impeliam à busca do conhecimento e à lapidação dos talentos.

Quando se tornaram o povo escolhido  (não por Deus, mas sim pelas sete irmãs do petróleo!) para servirem como cães de guarda dos interesses capitalistas no Oriente Médio, seu lado pior foi aflorando cada vez mais: pela primeira vez sentiram-se suficientemente poderosos para imporem aos povos desprezados por Deus o mais impiedoso olho por olho, dente por dente

E quantas bestialidades vêm cometendo desde 1948, incapazes de refrearem seus delírios de onipotência! Tornaram-se simplesmente os campeões absolutos de transgressões aos direitos humanos e aos direitos dos povos, piratas da modernidade, vivendo de acordo com os próprios desígnios e desmoralizando completamente a ONU e os próprios fundamentos da vida civilizada.

O Hamas conseguiu identificar o calcanhar de Aquiles de Israel: fazer questão de sempre responder às agressões que sofre com uma contundência extremamente maior. Então, desencadeou uma ofensiva de ações abomináveis, apostando em que Israel a elas reagiria com monstruosidades como o cerco da Faixa de Gaza e a expulsão de mais de 1 milhão de palestinos da terra que habitam. 
Não há a mais remota dúvida sobre quem seja o vilão maior nesta questão: é e sempre será o Estado terrorista, que pratica os piores crimes contra a humanidade todas as vezes em que sente-se desafiado.

Israel, paradoxalmente, faz lembrar os nazistas, que, quando um dos seus era atacado nas nações por eles ocupadas, se vingava executando uma ou mais dezenas de civis escolhidos a esmo.

Assim como a Faixa de Gaza mais parece uma aberrante repetição do Gueto de Varsóvia: as devastadoras represálias israelenses  entregam o quanto Israel absorveu de seus inimigos de outrora!  

E o Hamas? Poderá até atingir seu objetivo, mas o fará chafurdando na mais repugnante crueldade fundamentalista. Nada, absolutamente nada, justifica o massacre indiscriminado de civis, incluindo crianças, idosos e todo tipo de indefesos!

E não é só a Israel que atinge com sua armadilha hedionda: também a esquerda se vê obrigada à difícil escolha entre o calculismo desumano dos fundamentalistas de Alá e a loucura sinistra dos carniceiros de Jeová.

Embora a grande imprensa brasileira seja tendenciosa ao extremo neste conflito, nós, da esquerda revolucionária, não podemos ceder à tentação de endossar a barbárie do Hamas, caso contrário perderemos o direito de nos apresentarmos como defensores da civilização, da igualdade entre todos os seres humanos e da liberdade plena. 

Isto tudo, aliás, eu já escrevia num artigo de 2009, A tragédia do Oriente Médio. Releiam e perceberão que cai como uma luva para o episódio atual.  

Se há alguém nesse imbróglio com quem podemos nos identificar, são apenas os civis de ambos os lados que estão sendo covardemente feitos de alvos da insanidade de combatentes indignos. Eles sofrem desmesuradamente em função de fantasmas do passado e da idiotia religiosa que continuam determinando as decisões dos dirigentes fundamentalistas e sionistas. 

Já os litigantes só merecem nossa mais profunda repulsa.  (por Celso Lungaretti) 
Filmaço de 1977 do Richard Attenborouhgh, o diretor de Gandhi.
É uma superprodução com elenco estelar, sobre os planos infalíveis
dos senhores da guerra e os morticínios inúteis que deles decorrem.  

5 comentários:

celsolungaretti disse...

Por mais que a grande imprensa manipule o noticiário, qualquer leitor imparcial percebe que o Hamas e Israel se igualam em termos de práticas hediondas. E é óbvio que ignorar os valores da civilização é muito mais grave quando quem o faz é um país, não um mero movimento.

De que adianta, afinal? O certo é que, à medida que o combustível fóssil for perdendo importância, os judeus encontrarão dificuldades cada vez maiores para sobreviver artificialmente numa região onde não deveriam estar. Quando a debacle capitalista avançar, nem mesmo os EUA os salvarão. Tratarão de socorrer a si próprios, como sempre.

Então, os "escolhidos de Deus" deveriam é estar tentando limpar sua barra com os muçulmanos, ao invés de fornecer-lhes cada vez mais motivos para a vingança final.

Napoleão bem que avisou: baionetas servem para muitas coisas, menos para sentarmos nelas.

E está em Provérbios 22.8: "O que semear a perversidade, ceifará males".

Quem viver, verá.

SF disse...

***
Boa tarde, Celso.

Você passou muito dever de casa... só fiz um: reler o texto A Tragédia do Oriente Médio. E, de fato, ela é quase como uma descrição do momento atual.
Temam os israelitas, pois o prognósticos contidos na sua resposta acima são sombrios para eles.
Por isso continuo lendo este blog e seus textos quando a coisa parece confusa.
Valeu!
***

Anônimo disse...

Guerra Israel-Hamas desencadeia aumento da islamofobia e sentimentos anti-árabes na América Latina

https://www-arabnews-com.translate.goog/node/2392551/world?_x_tr_sl=en&_x_tr_tl=pt&_x_tr_hl=pt

Anônimo disse...

Boa noite Celso, aqui é Hebert. Tudo bem por aí?
Vendo com preocupação, o comportamento impulsivo do atual mandatário,
querendo se tornar gigante diplomático, incentivado pelo fanatismo
de seus seguidores-eleitores, cumplicidade de aliados, parcialidade da mídia,
vigilantísmo de certos influenciadores nas Mídias sociais ("cancelando" quem questiona),
fica a dúvida: Você diria que o País, sempre neutro, corre algum risco de sanção
ou coisa pior? Um Abraço.

celsolungaretti disse...

Não, hebert. Os realmente poderosos devem achar graça de toda essa pretensão do Lula. Lembra o Peter Sellers em "O rato que rouge". Serve-lhes como alívio cômico.

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