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sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

SUPLENTE DE WILLYS NÃO TEM MEDO DE CARA FEIA E APLICA UM DESMORALIZANTE CALA BOCA EM JAIR BOLSONARO

Com a decisão tomada por Jean Willy, de desistir do seu mandato de deputado federal (RJ) e deixar o país, quem herdará sua vaga é o hoje vereador David Miranda, outro psolista que foi amigo de Marielle Franco. 

Ele se diz "numa batalha diária por justiça, para que o crime seja desvendado e os culpados sejam punidos, mas também pela sua memória, atacada a todo momento pela extrema-direita". 

Tem 33 anos, apresenta-se no Facebook como "negro, gay e favelado" e foi quem coordenou a campanha para que Dilma Rousseff concedesse asilo a Edward Snowden no Brasil (sua negativa presidencial manchará a biografia da ex-guerrilheira até o fim dos seus dias!).

A participação de Miranda nos esforços para tornar conhecido o esquema de espionagem a que os EUA submetiam altas autoridades brasileiras foi também consequência de ser casado com o jornalista Gleen Greenwald, cuja aclamada reportagem no jornal britânico The Guardian, em 2013, estarreceu o mundo com as revelações em primeira mão de Snowden.

Eis uma frase recente de David no Facebook, definindo bem seu posicionamento: 
"Quando as pessoas entenderem que política não é time de futebol, que o Estado é laico, que ninguém manda no corpo de ninguém, que o racismo tem um histórico de escravidão, que orientação sexual e gênero não se escolhem e que demarcação de terras é reparação com a humanidade, aí, sim, vamos dar uma melhorada".
E, para mostrar a que vem, ele assim respondeu a um tuíte de Bolsonaro qualificando esta 4ª feira (24) como "Grande dia!", presumivelmente numa referência sarcástica à decisão de Willys:
"Respeite o Jean, Jair, e segura sua empolgação. Sai um LGBT mas entra outro, e que vem do Jacarezinho. Outro que em 2 anos aprovou mais projetos que você em 28. Nos vemos em Brasília".
"E mesmo quem não tem / Coragem pra suportar /
Tem que arranjar também / Coragem pra suportar"

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

UNS CAÇADORES DE BRUXAS PERSEGUEM O WAACK, OUTROS O ZÉ DIRCEU. NAS REDES SOCIAIS E NA MÍDIA, O ÓDIO TRANSBORDA!

Toque do editor
Intolerância do lado de cá, intolerância do lado de lá.

Enquanto um gracejo de mau gosto do William Waack, trombeteado aos quatro ventos por um patético aprendiz de araponga, deu pretexto para um dos piores linchamentos morais já perpetrados nas redes sociais, o Zé Dirceu teve sua privacidade invadida por repórteres do Estadão, que tiveram acesso a uma filmagem de celular e a divulgaram sem pudor na forma de vídeo e de fotos, juntamente com um texto que é um primor de furor persecutório e má fé jornalística:
"O aniversário da mulher do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil – Governo Lula), em Brasília, teve animação e muito samba no pé. Durante a festa, o petista, condenado na Operação Lava Jato, dançou ao lado da mulher, rodeado de amigos e encontrou o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT), condenado no Mensalão e anistiado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Desde maio, quando foi colocado em liberdade pela Corte máxima, Dirceu cumpre medidas cautelares impostas pelo juiz federal Sérgio Moro. Uma delas, o uso de tornozeleira eletrônica.
José Dirceu foi sentenciado pelo magistrado em duas ações penais da Lava Jato. Em uma delas a 20 anos e 10 meses de prisão por corrupção, lavagem e de pertinência a organização criminosa. Esta condenação já foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) – corte de apelação dos casos da Lava Jato, no Paraná , que elevou a pena para 30 anos e nove meses de prisão.
Em outro processo, o petista pegou 11 anos e 3 meses de prisão. Neste, Dirceu foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro por R$ 2,1 milhões em propinas para favorecer a contratação da empresa Apolo Tubulars pela Petrobrás por meio da diretoria de Serviços, cota do PT no esquema de corrupção da estatal, entre 2009 e 2012.
O advogado Roberto Podval informou que o ex-ministro José Dirceu estava no aniversário da mulher. “Ele está em liberdade e tem o direito de comemorar".
A pergunta que não quer calar: o que tem a ver a situação processual do Zé Dirceu, tão exaustivamente repisada, com o fato de, estando em liberdade neste instante por decisão da própria Justiça e podendo brevemente voltar à prisão, comemorar uma data familiar festiva sem nenhum alarde, salvo o que a própria notícia acabou provocando?

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O LINCHAMENTO MORAL DE WILLIAM WAACK É REPULSIVO E VERGONHOSO!!!

É muito cômodo enxergarmos retrocesso e barbárie apenas nas práticas de nossos inimigos.

Mas, em que nos diferenciaremos deles se nos pusermos a apedrejar, com tamanha leviandade, homens íntegros como William Waack?!

Desde quando uma frase solta, proferida no ambiente de trabalho, justifica um julgamento de caráter tão extremado?

Como sabermos que não se tratava de um mero gracejo, referente a alguma situação anterior que desconhecemos, sem a intenção pejorativa que lhe atribuíram na orelhada

Boto a minha mão no fogo quanto a Waack não ser e jamais ter sido racista. Caso contrário, não o estaria defendendo.

Como suportarmos a convivência com indivíduos tão vis a ponto de ESPIONAREM seus colegas mais bem sucedidos (porque infinitamente superiores em termos profissionais), sempre à cata de uma oportunidade para conquistarem com facadas nas costas os holofotes que jamais fizeram por merecer de outra forma?
Sujeitos que agora dão entrevistas deslumbradas, eufóricos com sua nova condição de APRENDIZES DE ARAPONGAS! Que pobres coitados!

Se todos nos pusermos a gravar, filmar e expor, sorrateiramente, todos ao redor, transformaremos nossa vida num inferno ainda pior do que aquele que o capitalismo engendrou.

Se não pararmos de agir como manada, desaprenderemos de pensar com a própria cabeça e nos desacostumaremos de ser corajosos, solidários e dignos.

Aonde nos levará tanto ódio contra pessoas? A lugar nenhum. Pois o que desgraça nossa vida não são pessoas, é uma organização econômica e política de nossa sociedade que hoje se tornou totalmente desumana e destrutiva, a ponto de colocar em risco a própria sobrevivência da espécie humana.

Há lutas de verdade a serem travadas, e são de urgência extrema. Enquanto perdermos tempo hostilizando uns aos outros numa catarse diabólica, estaremos nos aproximando de um final que ninguém deseja, mas ninguém está mostrando discernimento e valor para tentar impedir.

Meu mais indignado repúdio a quem condena sem dar oportunidade de defesa e promove linchamentos sem a mínima noção da grandeza do personagem que está linchando.

Minha total e irrestrita solidariedade a William Waack, meu ex-colega do Estadão e um dos jornalistas mais brilhantes que já conheci, autor do melhor livro-reportagem já escrito nestes tristes trópicos, Camaradas

Lembro-me, como se fosse hoje (e já lá se vão 24 anos!), de que me coube fazer o chamado copy desk de um resumo que o Waack preparou de sua obra para publicação em primeira mão, ocupando várias páginas do jornal. 

Fiquei impressionado com a dificuldade da colossal empreitada a que ele se propôs, a partir da quebra do sigilo dos arquivos de Moscou referentes à URSS: levantar todas as informações neles contidas sobre as relações da Internacional Comunista com o PCB, Luiz Carlos Prestes, Olga Benario e dirigentes revolucionários brasileiros. 

Passar anos e anos nessa faina isolada é coisa de monge, pensei. Eu jamais o faria, gosto demais de estar junto com as pessoas. 

E que magnífico livro ele nos entregou!  

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

APOLLO NATALI PERGUNTA: VOCÊ SABIA QUE HÁ UM BANDO DE ARAPONGAS BICANDO SUA PRIVACIDADE?


Lembra-se daquele telefonema que você deu há dez anos da praia, na madrugada enluarada, para sua vovozinha que fazia aniversário? Não? Pois a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos não esqueceu. Ela conhece até o nome da parceira casual com quem logo depois você rolaria na areia...

Com o trabalho dessa agência, NSA em inglês, os EUA interceptam, analisam e armazenam cada comunicação de um cidadão para outro, em todo o mundo, cada telefonema, cada e-mail, cada patacoada espalhada pelos facebook e demais redes sociais da vida. E mais ainda.

A 40 quilômetros ao norte de Washington, em Fort Meade, Maryland, 30 mil arapongas da NSA interceptam e processam um tsunami de informações captadas das redes mundiais de comunicações digitais, via satélite e de difusão em larga escala. Chama-se o palácio do quebra-cabeça.

Para essa coleta de dados funcionar, a NSA conta também com centenas de milhares de contratados terceirizados para funções de segurança. Adivinhem o que acontece com a vida de um delator.

As informações constantes desse dossiê de cada ser vivente no planeta azul, cidadãos comuns, inocentes, pecadores, políticos, governantes, religiosos, são usadas contra qualquer pessoa que esteja na mira do governo por qualquer motivo, a qualquer hora. A NSA está decidida a tomar conhecimento de todas as conversas e de todas as formas de comportamento no mundo. Há no esquema um serviço central de segurança especializado na vigilância da China.

Sabe-se que é enorme o número de mortos cujos perfis continuam ativos nas redes sociais. Há uma projeção de que em 2030 haverá mais mortos do que vivos com contas no Facebook. Sosseguem, os mortos continuarão armazenados.

Para quem não leu 1984, de George Orwell, não custa lembrar. Pouco depois do fim da 2ª guerra mundial Orwell profetizou que, num futuro não muito distante, um Estado paranoico, dominado pela obsessão com os opositores, poderia recorrer a novas tecnologias para vigiar casa passo de seus súditos.

Ninguém teria privacidade. Não haveria onde se esconder. Nenhum santuário para onde fugir. Nenhum lugar para portar-se com naturalidade, nem mesmo uma praia em que se pudesse falar inocentemente com a vovozinha.

Orwell deu ao líder desse Estado paranoico o nome de Big Brother, ou seja, Grande Irmão (sua inspiração, claro, era Stalin, assim como o líder clandestino da resistência, Emmanuel Goldstein, simbolizava Trotsky).

Quando li 1984 eu era um rapazola e balancei a cabeça incrédulo quando Orwell previu que um aparelho de TV do Grande Irmão estaria de olho em todas as residências. Pois a NSA faz isso com os novos aparelhos de TV que têm internet. Colocou um olho na nossa TV nos espionando o tempo todo em nossas salas de visitas, na área de serviço, no banheiro, na cama conjugal.

Não adianta desligar a TV. Como em 1984, o olho do Grande Irmão, atual NSA, acompanha também cada cidadão caminhando por uma cidade.

O revelador dessa espionagem global dos EUA, o jovem gênio da informática Edward Snowden, disse a que veio durante entrevista quando morava no aeroporto de Moscou, à espera de que algum país o acolhesse. Acabou ficando na Rússia com sua namorada, sempre precisando pedir prorrogação de permanência.

Entre aspas, disse: Fiz o que acreditava ser certo e comecei uma campanha para corrigir esses males. Não agi para enriquecer.  Não fiz parceria com nenhum governo estrangeiro para garantir minha segurança. Em vez disso, levei o que sabia ao conhecimento público para que o que afeta a todos nós possa ser debatido por todos às claras e pedi justiça ao mundo. Essa decisão moral de falar ao público sobre a espionagem que afeta a todos nós teve um preço alto, mas foi a atitude certa a tomar.
 
Snowden levou da SNA, em pen drives, milhares de documentos ultrassecretos que revelam varreduras ativas de vigilância doméstica, mesmo em todo os EUA. São ações, as primeiras divulgadas no mundo, as mais invasivas e preocupantes que os metadados de telefonia, considerados somente uma parte ínfima da guerra da NSA contra a privacidade. Metadados: a agência sabe quem faz cada ligação, de onde, para onde, para quem, quando.

A aprovação da NSA pelo público americano despencou desde as revelações de Snowden. O governo e os cidadãos de outros países em sua maioria estão se afastando de empresas estadunidenses de tecnologia. Empresas e nações europeias preocupadas com a possibilidade de a normalidade corrente da nuvem ter sido comprometida pela NSA, estão trabalhando uma euronuvem.

O objetivo da NSA vai muito, muito além dos metadados. Ela quer saber tudo de todo mundo, colher todos os fatos, todas as comunicações sobre todas as pessoas . Esse caso de amor é antigo. O programa de coleta de informações dos envelopes do serviço postal dos EUA já existe há 100 anos. Com novas tecnologias, sua operação de rastreamento e controle isolado de correspondência (MICT em inglês) hoje escaneia e armazena os 160 bilhões de itens de correspondência enviados pelos americanos a cada ano.

É bem provável que os EUA tenham tirado de circulação o livro Snowden, um herói do nosso tempo, que conta toda a história do surgimento, aventuras e o trabalho chamado de libertário por uns, de espionagem por outros, de Edward Snowden. Eu consegui um exemplar de divulgação da editora Martins Fontes.

É uma história em quadrinhos! Simples, de agradável leitura, recheada de revelações sobre espionagens e ações de força nos entreveros políticos americanos. O autor, Ted Rall, esteve sob a vigilância da polícia de Nova Iork.

Jornalista, autor de novelas gráficas, cartunista de editoriais do jornal The Los Angeles Times e do AnewDomain-net, colunista do Creators Syndicate, é autor de livros  de comentários e de jornalismo em quadrinhos e em prosa. Um deles sobre o Afeganistão e outro de crítica a Obama, que à esperança e promessa de mudanças dos seus discursos eleitorais acrescentou a espionagem da NSA.

Eis alguns sistemas de coleta de dados de cidadãos em todo o mundo relacionados por Ted Rall, uma fração do supra citado tsunami de informações captadas das redes mundiais de comunicações digitais, via satélite e de difusão em larga escala, a partir do palácio do quebra-cabeça de Fort Meade:
  • Mystic – grava o conteúdo de áudio de chamadas telefônicas em alguns países e em 80% das ligações nos EUA;
  • Prism – recolhe indiscriminadamente todos os dados de usuários em poder das empresas de Internet;
  • Echelon – já nos anos 1980 coletava quase todas as comunicações na Terra;
  • Smartphones – juntamente com outros dispositivos eletrônicos, rastreiam todo mundo numa cidade;
  • Trailblazer – posterior ao 11 de setembro, amealha comunicações pessoais entre estadunidenses;
  • Thinthread –  programa da NSA semelhante ao Trailblazer, com melhores resultados e menor custo;
  • Stellar Wind - coleta metadados telefônicos de todos os estadunidenses;
  • Retro – permite que a NSA reproduza ligações feitas até cinco anos atrás;
  • Blarney, Fairnew, Oakstar, Lithium, Stormbrew – interceptam e armazenam 75% de todo o tráfego na internet nos EUA, como e-mails, mensagens de texto, navegação pela Web, atividade em aplicativos, ligações pelo sistema Voip, movimentação bancária on-line, vídeos.
Um artigo de 
Apollo Natali
colaborador 
deste blogue.

terça-feira, 8 de setembro de 2015

DILMA ESTÁ DISPOSTA A ACOLHER DEUS E TODO MUNDO... MENOS O SNOWDEN!!!

"Aproveito o dia de hoje para reiterar a disposição do governo de receber aqueles que, expulsos de suas pátrias, queiram vir, viver, trabalhar e contribuir para a prosperidade e a paz do Brasil." 
(presidenta Dilma Rousseff, em pronunciamento distribuído 
às redes sociais no 7 de setembro)
.
"...se o Brasil me oferecer asilo, eu ficarei feliz em aceitar. (...) Eu adoraria morar no Brasil. De fato, eu já pedi asilo ao governo brasileiro." 
(Edward Snowden, ao ser entrevistado pelo Fantástico em 01/06/2014 --ele
certamente nos daria uma contribuição muito mais significativa, 
revelando como os EUA nos espionam, mas Dilma não
ousou contrariar o grande irmão do Norte)

quinta-feira, 2 de abril de 2015

DILMA CONTINUA SENDO ESPIONADA PELOS EUA - UM DESABAFO!

Acompanhando atentamente o noticiário político desde os meus 18 anos de idade, ainda me surpreendo com a forma desavergonhada como os poderosos manipulam a opinião pública nestes tristes trópicos.

Quando o Fantástico revelou que a presidenta Dilma Rousseff estava sendo espionada pelos EUA em 2013, houve todo aquele alvoroço e ela, para simular uma independência da qual o PT abdicara desde o infame pacto com o capital firmado em 2002 ("deixe-me fingir que exerço o poder político e eu nada farei que desagrade ao poder econômico"), foi chorar as pitangas na ONU, o muro de lamentações ao qual recorrem os impotentes famosos da política.

A delegação dos EUA, em evidente atitude de deboche, não deixou ninguém de alto escalão para escutar a arenga da Dilma. Mas, tal ridicularia foi vendida ao povo brasileiro como um digno desagravo. Me engana que eu gosto. 

Há dois meses, The New York Times confirmou que, como era de se esperar, a Dilma continuava na lista dos dirigentes espionáveis. Desta vez a TV deixou barato e tanto as hostes governistas quanto as oposicionistas evitaram destacar uma notícia que causaria mal-estar nas relações entre Brasil e EUA. Umas porque colocam as conveniências políticas acima de quaisquer princípios; outras porque colocam os negócios acima de quaisquer princípios.

A dignidade nacional ultrajada não conta, nem nunca contará para essa gente sórdida. Mas, se dos vassalos do capital nunca esperamos nada além da amoralidade costumeira, do partido que ajudamos a forjar esperávamos reação bem diferente.

É melancólico constatar que, para o PT, hoje tanto dá engolir o sapo gigantesco que os EUA lhe estão enfiando goela adentro quanto delegar a gestão econômica a um Chicago Boy depois de passar décadas discursando contra o neoliberalismo.

O grande Plínio de Arruda Sampaio tinha razão: se era para chegar a isso, melhor seria o PT jamais ter conquistado o governo. 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

DILMA VOLTOU AS COSTAS A SNOWDEN E CONTINUA SENDO ESPIONADA PELOS EUA

Ver concretizarem-se os meus maus augúrios nunca me serviu como compensação de coisa nenhuma. Quero mais é que meus alertas ajudem a evitar os desfechos decepcionantes para os quais os episódios se encaminham. Mas, como dizia o grande poeta Cacaso, "moda de viola não dá luz a cego".

Assim é que no final de 2013, quando Dilma reagiu pifiamente ao ultraje de estar sendo alvo da arapongagem do Grande Irmão do Norte, fui dos poucos a destoar do ufanismo chapa branca:
"...os EUA foram flagrados espionando a Petrobrás e até mesmo a nossa presidenta -a qual, para salvar sua imagem junto ao público interno, teve de ir à ONU posar de vítima indignada. 
Foi, falou, falou, falou e ninguém importante da parte criticada estava lá para ouvir e contestar, numa demonstração inequívoca de desprezo por Dilma e pelo Brasil.
O sapo não só foi engolido, como metamorfoseado em príncipe pela propaganda oficial. Ser olimpicamente ignorada pelo Império tinha de parecer um triunfo moral, para que a ninguém ocorresse cobrar-lhe uma resposta efetiva aos EUA, à altura dos insultos recebidos.
Mesmo assim, nova chance surgiu [quando Edward Snowden, em sua Carta aberta ao povo do Brasil, pela segunda vez pediu a nosso país que o acolhesse]. Em vão: a decisão está tomada e é a de não indispormo-nos com os donos do mundo por causa de um Snowden qualquer.
...Chocante é vermos a (...) postura de constrangedora vassalagem sendo adotada por quem um dia ousou pegar em armas contra a ditadura e o imperialismo!"
Assim, não me causou surpresa nenhuma a reportagem do The New York Times de dois meses atrás, segundo a qual os dirigentes do México e do Brasil continuam sob vigilância. Quem não se faz respeitar é mesmo tratado a pontapés.

Segundo fontes palacianas, Dilma ficou "fora de si" com a informação e voltou a exigir do Obama garantias de que será retirada da lista dos espionáveis. Valerão tanto quanto as anteriores...

Deveria é descarregar sua fúria sobre quem a aconselhou a voltar as costas a Snowden, que, ele sim, saberia protegê-la da bisbilhotagem de seus conterrâneos. Afora ter perdido uma ótima oportunidade para mostrar um mínimo de independência em relação aos EUA.

Se preferiu ir à ONU chover no molhado, azar dela.

terça-feira, 25 de março de 2014

O GAY INGLÊS QUE ESPIONAVA PARA STALIN

Memórias de um espião (1984), mais um filme para se ver neste blogue, não chega a ser propriamente uma obra-prima, embora tenha obtido algum destaque no Festival de Cannes: seu diretor, Marek Kanievska, chegou a ser indicado para a Palma de Ouro. Mas não levou.

Merece, contudo, ser conhecido, principalmente por sua componente biográfica: mostra o momento de decisão na vida de um dos cinco integrantes do alto escalão dos serviços secretos do Reino Unido que atuaram como agentes duplos entre as décadas de 1930 e 1950, fornecendo informações valiosíssimas para Stalin (o qual nem sempre fez bom uso delas, devido às suas paranoias).

Foi um episódio marcante da guerra fria, e extremamente traumático para os britânicos. 

Inspirou, inclusive, a visão amarga e pessimista do mundo da espionagem que impregna as novelas de Graham Greene e John le Carré (enquanto isto, Ian Fleming, com suas fantasias de James Bond, tentava levantar o moral da tropa...).  
O Guy Burgess das telas... 
O mais famoso dos agentes duplos foi Kim Philby, um dos três realmente egressos da Universidade de Cambridge (o grupo ficou conhecido como os cinco de Cambridge, mas dois deles tinham origem diversa).

Memórias de um espião, no entanto, centra-se no menos lembrado Guy Burgess (Rupert Everett), cujo motivo para tomar a decisão que o faria passar o resto da vida no exílio teria sido, digamos, pouco convencional: no colégio aristocrático em que estudava, sofreu uma amarga derrota na disputa canibalesca que os aspirantes à elite travavam entre si, por uma posição hierárquica muito prestigiosa e até decisiva para suas futuras carreiras. 

Poderia, como o personagem diz, fazer a diferença entre a designação para uma embaixada na Europa ou no fim do mundo.

O motivo de sua desgraça foi a condição de gay tê-lo exposto a uma sórdida chantagem. Então, em função do ruir dos sonhos, de sua hostilidade em relação aos patrioteiros da escola e da admiração nutrida por um colega que era comunista fervoroso (Colin Firth), acaba tornando-se um improvável espião soviético.
...e o da vida real.

O filme, afora as breves introdução e epilogo, transcorre inteiro no ambiente estudantil. E mostra, realmente, outro país, como promete o título original. 

Um país que incutia os piores valores em seus filhos pródigos, estimulando-os a uma competição precoce, desleal e exacerbada pelo poder. 

E também um país que, por confinar meninos com outros meninos em plena puberdade, acabava às voltas com uma farta colheita de homossexuais.

O MI5, por sinal, passou a discriminá-los depois desse episódio, por entender que a orientação sexual de Burgess e de Anthony Blunt os vulnerabilizara, facilitando seu recrutamento pelos inimigos. 

Tais restrições perduraram até o início da década de 1990, depois caíram em desuso. Afinal, também os heterossexuais podem ser chantageados, se tiverem cometido falcatruas, se forem alcoólatras, adúlteros, pedófilos, etc. A defecção de Burgess e Blunt apenas forneceu pretexto para os preconceituosos praticarem seu esporte favorito: a estigmatização alheia.

domingo, 26 de janeiro de 2014

PETIÇÃO PRÓ ASILO A SNOWDEN NO BRASIL ATINGE 1 MILHÃO DE ADESÕES


Na manhã deste domingo, 26, a petição on line em favor da concessão de asilo no Brasil a Edward Snowden ultrapassou a impressionante marca de 1 milhão de assinaturas, conforme pode ser constatado aqui.

É um patamar dificílimo de ser alcançado, atestando, de forma cabal, que os melhores brasileiros não engoliram as desculpas esfarrapadas do nosso governo, que tem todos os motivos para receber Snowden de braços abertos (principalmente depois que a presidenta da República e a Petrobrás se descobriram espionados pelos estadunidenses com a mais chocante sem-cerimônia ) e apenas um para não fazê-lo: seu abjeto servilismo em relação aos EUA, seu medo de represálias com que os italianos também nos ameaçaram no Caso Battisti e depois deixaram pra lá. 

Daquela vez, pagamos para ver e desmascaramos o blefe. Desta, estamos fugindo como coelhos assustados. Por quê? 

Desde a primeira ocasião em que nossas autoridades saíram vexaminosamente pela tangente, há mais de meio ano (vide aqui), tenho sido um dos mais ferrenhos defensores de um posicionamento soberano por parte do Itamaraty e de Dilma Rousseff, bem como um dos mais veementes críticos destas demonstrações de vassalagem que eu jamais, JAMAIS, esperaria de um governo do PT -mesmo levando em conta a descaracterização que o partido já sofreu relativamente à sua identidade inicial, aos ideais em nome dos quais foi fundado, em fevereiro de 1980.

Está lá no manifesto de fundação, com todas as letras:
"Os trabalhadores querem a independência nacional. Entendem que a Nação é o povo e, por isso, sabem que o país só será efetivamente independente quando o Estado for dirigido pelas massas trabalhadoras". [Se, enquanto tal dia não chega, abdicarmos das mais ínfimas afirmações de independência, que exemplo estaremos dando às massas trabalhadoras?!] 
Também está lá, preto no branco:
"O PT pretende ser uma real expressão política de todos os explorados pelo sistema capitalista. Somos um Partido dos Trabalhadores, não um partido para iludir os trabalhadores". [O que são os subterfúgios para bater a porta na cara do Snowden, se não formas de iludir os trabalhadores e todos os brasileiros ciosos da soberania nacional?]
Já somos um milhão de cidadães exigindo que, pelo menos neste caso, o PT no governo não traia os princípios trombeteados pelo PT no palanque.

Seremos muito mais, se o governo continuar se comportando como avestruz.

DILMA, AJA COMO A COMPANHEIRA WANDA AGIRIA: DÊ ASILO AO HEROICO EDWARD SNOWDEN!!!

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

PETIÇÃO PRÓ SNOWDEN NO BRASIL LOGO CHEGARÁ A 1 MILHÃO DE SIGNATÁRIOS

"Edward Snowden desistiu de tudo para trazer à luz a operação de megaespionagem feita pelos EUA contra o Brasil e o restante do mundo inteiro. Seu passaporte foi revogado por seu próprio país e agora ele está preso em um limbo jurídico em Moscou, com um visto de um ano de duração. O Brasil, um dos principais alvos da espionagem, deveria oferecer abrigo a alguém que nos abriu os olhos para a vigilância norte-americana indiscriminada e em escala global. É hora de oferecer a Edward Snowden asilo imediato no Brasil!"

Esta é a justificativa do abaixo-assinado lançado por David Miranda, em favor do asilo de Edward Snowden no Brasil. Na manhã desta 3ª feira (21), o número de aderentes já está em 915 mil. Quem quiser colaborar para que seja atingido o objetivo de 1 milhão de signatários, clique aqui.  

Como bem disse o estimado companheiro Arthur José Poerner (um dos gigantes da resistência jornalística à ditadura militar), em mensagem que enviou ao governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, pedindo sua participação nesta cruzada:

"O ex-agente de informação Edward Snowden já é um benfeitor da Humanidade, muito mais merecedor do Prêmio Nobel da Paz do que o já agraciado presidente Obama, como o mundo inteiro começa, aos poucos, a reconhecer. E os excessos totalitários da espionagem norte-americana, que ousam violar até mesmo a privacidade da nossa presidenta da República, constituem gravíssima afronta à soberania nacional brasileira.

Não há, portanto, qualquer razão para negar ao Snowden generosa acolhida, inclusive de acordo com a histórica tradição de asilo político do Itamaraty. Seria, além disso, mais uma prova cabal de que está em pleno curso o processo de consolidação da nossa democracia. Tucídides já dizia, mais de quatro séculos antes de Cristo, que o segredo da felicidade é a liberdade; e o da liberdade, a coragem, Precisamos ter, na política externa, a mesma coragem que tivemos na resistência à ditadura".

Quanto a mim, repito a indagação que lancei há meio ano, quando o Itamaraty ignorou o primeiro apelo de Snowden ao governo brasileiro. Curta e grossa:

"Teremos voltado, em pleno governo do PT, a ser quintal dos EUA?!"

P.S.: O TOTAL DE 1 MILHÃO DE ADESÕES FOI ALCANÇADO 
POR VOLTA DAS 9h30 
DO DOMINGO, 26!!! 

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

...E A MONTANHA PARIU UM RATO. MAIS UMA VEZ!!!

Tão logo tomei conhecimento da Carta aberta ao povo do Brasil, corri a defender um posicionamento digno do nosso governo: que abrigasse Edward Snowden e lhe permitisse continuar escancarando os podres da espionagem estadunidense.

Sabia que dificilmente seria esta a decisão das autoridades brasileiras, pois já haviam rechaçado pedido semelhante no passado, esquivando-se com burocratices.

O dado novo era que, depois disto, os EUA foram flagrados espionando a Petrobrás e até mesmo a nossa presidenta -a qual, para salvar sua imagem junto ao público interno, teve de ir à ONU posar de vítima indignada. 

Foi, falou, falou, falou e ninguém importante da parte criticada estava lá para ouvir e contestar, numa demonstração inequívoca de desprezo por Dilma e pelo Brasil.

O sapo não só foi engolido, como metamorfoseado em príncipe pela propaganda oficial. Ser olimpicamente ignorada pelo Império tinha de parecer um triunfo moral, para que a ninguém ocorresse cobrar-lhe uma resposta efetiva aos EUA, à altura dos insultos recebidos.

Mesmo assim, nova chance surgiu e fiz tudo que estava ao meu alcance para que o desfecho não fosse novamente pífio. Em vão: a decisão está tomada e é a de não indispormo-nos com os donos do mundo por causa de um Snowden qualquer.

Se fossem mais sinceras, as fontes do Itamaraty que comunicaram a segunda negação de Cristo (ôps, quer dizer, de Snowden), poderiam ter argumentado: "O que o Brasil ganharia dando abrigo a Snowden? Apenas relações mais tensas com os EUA. A troco de quê?".

Palavras de Reinaldo Azevedo, o reaça mais exibido do Brasil, que tem todos os defeitos, menos um: não finge ser o que não é.

Ele qualifica Snowden de "traidor de sua própria pátria" (um conceito tão embolorado só poderia mesmo vir expresso com as redundâncias características da linguagem telenovelesca...) e aconselha: "Ele que vá para Caracas".

Não duvido de que os hierarcas do Itamaraty, lá com seus botões, pensem exatamente assim. Só não assumem.

Chocante é vermos a mesma postura de constrangedora vassalagem sendo adotada por quem um dia ousou pegar em armas contra a ditadura e o imperialismo!

Por último, o esclarecimento da questão que levantei ("Chegou a hora da verdade, Dilma! Agora saberemos quem você é e quanto vale.") veio mais depressa do que eu supunha.

Quem é Dilma? Uma política profissional que tem passado mais ilustre que a maioria dos seus pares, pois um dia foi revolucionária.

Quanto vale? O mesmo que os demais políticos profissionais, pois tal passado é imperceptível nas suas atitudes presentes. 

HORA DA VERDADE PARA DILMA

Nossa presidenta discursou na ONU e os EUA não deram a mínima.

Se ela aceitar o oferecimento de Edward Snowden, abrigando-o no Brasil e retirando-lhe a mordaça que os EUA lhe impuseram, aí sim estará dando uma resposta à altura do insulto recebido. 

Chegou a hora da verdade, Dilma! Agora saberemos quem você é e quanto vale.

SNOWDEN NOS PEDE ASILO: LEIA SUA "CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL"

"Revogaram nosso direito à privacidade e invadiram nossas vidas"
"Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.

Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.

Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.

Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.

A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria 'segurança' --em nome da 'segurança' de Dilma, em nome da 'segurança' da Petrobras--, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.

"Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta"
Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.

Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.

A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisar sujar a reputação de seus alvos.

Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é 'vigilância', é 'coleta de dados'. Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.

Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima -em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas- e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.

Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.

"A NSA chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal"
Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.

Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!

Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir na minha capacidade de falar.

Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando. E a NSA não gosta do que está ouvindo.

A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.

Há somente três semanas, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.

A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.

"Em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público"
Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.

Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordam que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.

Meu ato de consciência começou com uma declaração: 'Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade seja registrado. Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver'.

Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar. O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.

Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas."

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

CHEGA DE TERGIVERSAR, PRESIDENTE LULA! É HORA DE CORTAR O MAL PELA RAIZ

Esta 2ª feira começou com a crise dos grampos fervendo em Brasília.

O presidente Lula, em reunião matinal de emergência, deveria determinar que a Polícia Federal investigasse o caso, talvez até permitindo que o STF acompanhasse as investigações.

Mas ontem, pelo menos, descartou a primeira providência que qualquer presidente cioso de suas obrigações tomaria: o afastamento do principal suspeito, o diretor da Abin, pelo menos até que se comprove sua inocência.

É o chamado óbvio ululante que, permanecendo em seu posto, o Lacerda (um corvo a conspirar contra a democracia, como o homônimo famoso?) estará em posição estratégica para atrapalhar a elucidação do episódio.

Tomara que, na reunião matutina, a ficha caia para Lula: não se deixa raposa tomando conta de galinheiro.

O presidente e o vice do STF, o presidente do TSE e os ministros da Justiça e da Defesa foram convidados/convocados para tal reunião.

Uma declaração de Nelson Jobim (Defesa) veio ao encontro do que eu escrevi ontem: "Tem de haver necessariamente uma investigação. A gravação houve, e isso é muito grave" (referindo-se à transcrição de uma conversa telefônica entre o presidente do STF e um senador, que um agente da Abin repassou à revista Veja, como exemplo dos grampos efetuados por sua agência).

À tarde, os ministros do STF se reunirão em conselho, a portas fechadas, para discutir a espionagem sofrida.

O presidente do Senado, outro grampeado, também antecipou que solicitará uma audiência com Lula, para cobrar providências. E marcou uma reunião emergencial da Comissão Mista de Controle de Órgãos de Inteligência do Congresso Nacional.

O presidente da Câmara classificou o episódio de "extremamente grave". E por aí vai...

O importante é que haja uma solução exemplar, sinalizando a disposição governamental de, a partir de agora, coibir os excessos e arbitrariedades que, saltam aos olhos, vêm sendo cometidos por quadros da Abin e da PF.

Caso contrário, aumentará a suspeita de que ambas estejam seguindo uma orientação secreta do próprio Governo Federal. E aí, sim, teremos uma crise entre os Poderes de consequências imprevisíveis.
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