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quarta-feira, 15 de novembro de 2017

UNS CAÇADORES DE BRUXAS PERSEGUEM O WAACK, OUTROS O ZÉ DIRCEU. NAS REDES SOCIAIS E NA MÍDIA, O ÓDIO TRANSBORDA!

Toque do editor
Intolerância do lado de cá, intolerância do lado de lá.

Enquanto um gracejo de mau gosto do William Waack, trombeteado aos quatro ventos por um patético aprendiz de araponga, deu pretexto para um dos piores linchamentos morais já perpetrados nas redes sociais, o Zé Dirceu teve sua privacidade invadida por repórteres do Estadão, que tiveram acesso a uma filmagem de celular e a divulgaram sem pudor na forma de vídeo e de fotos, juntamente com um texto que é um primor de furor persecutório e má fé jornalística:
"O aniversário da mulher do ex-ministro José Dirceu (Casa Civil – Governo Lula), em Brasília, teve animação e muito samba no pé. Durante a festa, o petista, condenado na Operação Lava Jato, dançou ao lado da mulher, rodeado de amigos e encontrou o ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT), condenado no Mensalão e anistiado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
Desde maio, quando foi colocado em liberdade pela Corte máxima, Dirceu cumpre medidas cautelares impostas pelo juiz federal Sérgio Moro. Uma delas, o uso de tornozeleira eletrônica.
José Dirceu foi sentenciado pelo magistrado em duas ações penais da Lava Jato. Em uma delas a 20 anos e 10 meses de prisão por corrupção, lavagem e de pertinência a organização criminosa. Esta condenação já foi confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) – corte de apelação dos casos da Lava Jato, no Paraná , que elevou a pena para 30 anos e nove meses de prisão.
Em outro processo, o petista pegou 11 anos e 3 meses de prisão. Neste, Dirceu foi condenado por corrupção e lavagem de dinheiro por R$ 2,1 milhões em propinas para favorecer a contratação da empresa Apolo Tubulars pela Petrobrás por meio da diretoria de Serviços, cota do PT no esquema de corrupção da estatal, entre 2009 e 2012.
O advogado Roberto Podval informou que o ex-ministro José Dirceu estava no aniversário da mulher. “Ele está em liberdade e tem o direito de comemorar".
A pergunta que não quer calar: o que tem a ver a situação processual do Zé Dirceu, tão exaustivamente repisada, com o fato de, estando em liberdade neste instante por decisão da própria Justiça e podendo brevemente voltar à prisão, comemorar uma data familiar festiva sem nenhum alarde, salvo o que a própria notícia acabou provocando?

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O LINCHAMENTO MORAL DE WILLIAM WAACK É REPULSIVO E VERGONHOSO!!!

É muito cômodo enxergarmos retrocesso e barbárie apenas nas práticas de nossos inimigos.

Mas, em que nos diferenciaremos deles se nos pusermos a apedrejar, com tamanha leviandade, homens íntegros como William Waack?!

Desde quando uma frase solta, proferida no ambiente de trabalho, justifica um julgamento de caráter tão extremado?

Como sabermos que não se tratava de um mero gracejo, referente a alguma situação anterior que desconhecemos, sem a intenção pejorativa que lhe atribuíram na orelhada

Boto a minha mão no fogo quanto a Waack não ser e jamais ter sido racista. Caso contrário, não o estaria defendendo.

Como suportarmos a convivência com indivíduos tão vis a ponto de ESPIONAREM seus colegas mais bem sucedidos (porque infinitamente superiores em termos profissionais), sempre à cata de uma oportunidade para conquistarem com facadas nas costas os holofotes que jamais fizeram por merecer de outra forma?
Sujeitos que agora dão entrevistas deslumbradas, eufóricos com sua nova condição de APRENDIZES DE ARAPONGAS! Que pobres coitados!

Se todos nos pusermos a gravar, filmar e expor, sorrateiramente, todos ao redor, transformaremos nossa vida num inferno ainda pior do que aquele que o capitalismo engendrou.

Se não pararmos de agir como manada, desaprenderemos de pensar com a própria cabeça e nos desacostumaremos de ser corajosos, solidários e dignos.

Aonde nos levará tanto ódio contra pessoas? A lugar nenhum. Pois o que desgraça nossa vida não são pessoas, é uma organização econômica e política de nossa sociedade que hoje se tornou totalmente desumana e destrutiva, a ponto de colocar em risco a própria sobrevivência da espécie humana.

Há lutas de verdade a serem travadas, e são de urgência extrema. Enquanto perdermos tempo hostilizando uns aos outros numa catarse diabólica, estaremos nos aproximando de um final que ninguém deseja, mas ninguém está mostrando discernimento e valor para tentar impedir.

Meu mais indignado repúdio a quem condena sem dar oportunidade de defesa e promove linchamentos sem a mínima noção da grandeza do personagem que está linchando.

Minha total e irrestrita solidariedade a William Waack, meu ex-colega do Estadão e um dos jornalistas mais brilhantes que já conheci, autor do melhor livro-reportagem já escrito nestes tristes trópicos, Camaradas

Lembro-me, como se fosse hoje (e já lá se vão 24 anos!), de que me coube fazer o chamado copy desk de um resumo que o Waack preparou de sua obra para publicação em primeira mão, ocupando várias páginas do jornal. 

Fiquei impressionado com a dificuldade da colossal empreitada a que ele se propôs, a partir da quebra do sigilo dos arquivos de Moscou referentes à URSS: levantar todas as informações neles contidas sobre as relações da Internacional Comunista com o PCB, Luiz Carlos Prestes, Olga Benario e dirigentes revolucionários brasileiros. 

Passar anos e anos nessa faina isolada é coisa de monge, pensei. Eu jamais o faria, gosto demais de estar junto com as pessoas. 

E que magnífico livro ele nos entregou!  

domingo, 26 de janeiro de 2014

PETIÇÃO PRÓ ASILO A SNOWDEN NO BRASIL ATINGE 1 MILHÃO DE ADESÕES


Na manhã deste domingo, 26, a petição on line em favor da concessão de asilo no Brasil a Edward Snowden ultrapassou a impressionante marca de 1 milhão de assinaturas, conforme pode ser constatado aqui.

É um patamar dificílimo de ser alcançado, atestando, de forma cabal, que os melhores brasileiros não engoliram as desculpas esfarrapadas do nosso governo, que tem todos os motivos para receber Snowden de braços abertos (principalmente depois que a presidenta da República e a Petrobrás se descobriram espionados pelos estadunidenses com a mais chocante sem-cerimônia ) e apenas um para não fazê-lo: seu abjeto servilismo em relação aos EUA, seu medo de represálias com que os italianos também nos ameaçaram no Caso Battisti e depois deixaram pra lá. 

Daquela vez, pagamos para ver e desmascaramos o blefe. Desta, estamos fugindo como coelhos assustados. Por quê? 

Desde a primeira ocasião em que nossas autoridades saíram vexaminosamente pela tangente, há mais de meio ano (vide aqui), tenho sido um dos mais ferrenhos defensores de um posicionamento soberano por parte do Itamaraty e de Dilma Rousseff, bem como um dos mais veementes críticos destas demonstrações de vassalagem que eu jamais, JAMAIS, esperaria de um governo do PT -mesmo levando em conta a descaracterização que o partido já sofreu relativamente à sua identidade inicial, aos ideais em nome dos quais foi fundado, em fevereiro de 1980.

Está lá no manifesto de fundação, com todas as letras:
"Os trabalhadores querem a independência nacional. Entendem que a Nação é o povo e, por isso, sabem que o país só será efetivamente independente quando o Estado for dirigido pelas massas trabalhadoras". [Se, enquanto tal dia não chega, abdicarmos das mais ínfimas afirmações de independência, que exemplo estaremos dando às massas trabalhadoras?!] 
Também está lá, preto no branco:
"O PT pretende ser uma real expressão política de todos os explorados pelo sistema capitalista. Somos um Partido dos Trabalhadores, não um partido para iludir os trabalhadores". [O que são os subterfúgios para bater a porta na cara do Snowden, se não formas de iludir os trabalhadores e todos os brasileiros ciosos da soberania nacional?]
Já somos um milhão de cidadães exigindo que, pelo menos neste caso, o PT no governo não traia os princípios trombeteados pelo PT no palanque.

Seremos muito mais, se o governo continuar se comportando como avestruz.

DILMA, AJA COMO A COMPANHEIRA WANDA AGIRIA: DÊ ASILO AO HEROICO EDWARD SNOWDEN!!!

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

PETIÇÃO PRÓ SNOWDEN NO BRASIL LOGO CHEGARÁ A 1 MILHÃO DE SIGNATÁRIOS

"Edward Snowden desistiu de tudo para trazer à luz a operação de megaespionagem feita pelos EUA contra o Brasil e o restante do mundo inteiro. Seu passaporte foi revogado por seu próprio país e agora ele está preso em um limbo jurídico em Moscou, com um visto de um ano de duração. O Brasil, um dos principais alvos da espionagem, deveria oferecer abrigo a alguém que nos abriu os olhos para a vigilância norte-americana indiscriminada e em escala global. É hora de oferecer a Edward Snowden asilo imediato no Brasil!"

Esta é a justificativa do abaixo-assinado lançado por David Miranda, em favor do asilo de Edward Snowden no Brasil. Na manhã desta 3ª feira (21), o número de aderentes já está em 915 mil. Quem quiser colaborar para que seja atingido o objetivo de 1 milhão de signatários, clique aqui.  

Como bem disse o estimado companheiro Arthur José Poerner (um dos gigantes da resistência jornalística à ditadura militar), em mensagem que enviou ao governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, pedindo sua participação nesta cruzada:

"O ex-agente de informação Edward Snowden já é um benfeitor da Humanidade, muito mais merecedor do Prêmio Nobel da Paz do que o já agraciado presidente Obama, como o mundo inteiro começa, aos poucos, a reconhecer. E os excessos totalitários da espionagem norte-americana, que ousam violar até mesmo a privacidade da nossa presidenta da República, constituem gravíssima afronta à soberania nacional brasileira.

Não há, portanto, qualquer razão para negar ao Snowden generosa acolhida, inclusive de acordo com a histórica tradição de asilo político do Itamaraty. Seria, além disso, mais uma prova cabal de que está em pleno curso o processo de consolidação da nossa democracia. Tucídides já dizia, mais de quatro séculos antes de Cristo, que o segredo da felicidade é a liberdade; e o da liberdade, a coragem, Precisamos ter, na política externa, a mesma coragem que tivemos na resistência à ditadura".

Quanto a mim, repito a indagação que lancei há meio ano, quando o Itamaraty ignorou o primeiro apelo de Snowden ao governo brasileiro. Curta e grossa:

"Teremos voltado, em pleno governo do PT, a ser quintal dos EUA?!"

P.S.: O TOTAL DE 1 MILHÃO DE ADESÕES FOI ALCANÇADO 
POR VOLTA DAS 9h30 
DO DOMINGO, 26!!! 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

ARROGÂNCIA IMPERIAL, TIRO PELA CULATRA E OCASO MELANCÓLICO

Os Estados Unidos, com extrema arrogância, recusam-se a encarar a arapongagem  que praticam sob a ótica das leis internacionais. Mesmo agora, ao serem flagrados espionando ninguém menos do que a presidenta do Brasil, deixam claro que continuarão agindo de acordo com as próprias leis e o resto do mundo que se dane. 

Da mesma forma, o presidente Barack Obama considera que só precisa do aval do seu Congresso para ordenar bombardeios à Síria. Com isto, a ONU perde a razão de existir. 

Se tivessem um pingo de dignidade, as demais nações dela se retirariam, já que seu papel é apenas de figurantes, enquanto o protagonista aplica a seu bel prazer a lei do mais forte.

* * *

Se dúvida havia sobre a perda de mandato de João Paulo Cunha, Valdemar Costa Neto, Pedro Henry e José Genoíno, condenados à prisão como  mensaleiros, não há mais nenhuma. A péssima repercussão da lambança perpetrada pela Câmara Federal, ao permitir que o presidiário Natan Donadon continuasse deputado, selou-lhes o destino e fechou o caixão. 

Então, se houve quem tenha livrado a cara de Donadon para abrir um precedente favorável ao quarteto, deu um formidável tiro pela culatra.

Certos aprendizes de feiticeiro de Brasília continuam ignorando os humores do cidadão comum e a capacidade da indústria cultural, de amplificar rejeições ao máximo. 

Quem é burro, pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue...

* * *

A imprensa dá destaque excessivo ao julgamento do  mensalão, como se ainda existisse algum coelho para ser tirado da cartola. 

Não há. As condenações serão confirmadas e as penas, cumpridas. A esta altura do campeonato, qualquer outra decisão deixaria a imagem do STF em frangalhos. E os ministros estão bem cientes disto.

Os advogados deram o seu showzinho, mas de antemão sabiam que nada mudaria. Os acusados jogaram fora o dinheiro que melhor fariam se tivessem guardado para pagar as multas.

É comum os revolucionários, tendo meios para escapar, não cumprirem decisões judiciais que consideram injustas. A questão é: o Zé Dirceu e o Genoíno ainda se veem como tais? 

E há outro aspecto, o da própria injustiça. Pois a opção pela fuga só se justificaria na hipótese de inocência, não na de terem sido condenados por práticas nas quais quase todos os políticos incidem sem ser punidos. 

Incomoda-me muito, admito, a perspectiva de ver o Dirceu e o Genoíno presos. O simbolismo será deprimente ao extremo. Por mais que eles tenham se distanciado dos ideais de 1968, a direita vai celebrar como uma vitória sobre os revolucionários da nossa geração.  Posso imaginar o triunfalismo estampado na capa da Veja, que tanto fez para colocar o Dirceu no pelourinho, chegando até a espioná-lo da forma mais abjeta.

Sem afirmá-lo taxativamente, o Cesare Battisti várias vezes deu a entender que, caso se tornasse inexorável sua extradição, preferiria a morte do que oferecer a cabeça para ser exibida na sala de troféus do Berlusconi. 

Mas, claro, tudo depende da convicção íntima de cada um. 

Melhor teria sido se os ex companheiros jamais houvessem superestimado seu poder e exposto o flanco de forma tão temerária. Deram sopa pro azar e estão pagando caro por isso.

* * *

Roger Federer, o maior tenista de todos os tempos, teima em continuar nas quadras quando seu momento passou. A marcha do tempo é impiedosa. 

Ter recuperado a posição de nº 1 em 2012 já foi uma moeda que caiu em pé, permitindo-lhe quebrar mais um recorde importante (o de semanas liderando o ranking da ATP), além de ampliar para 17 o número de conquistas de torneios grand slam. 

Quando foi novamente desalojado do topo, faltou-lhe humildade para reconhecer que se tratara do seu (magnífico) canto do cisne e, dali em diante, só desceria a ladeira. 

A temporada de 2013 está sendo humilhante ao extremo para ele. Quem o admira, torce para que não haja temporada de 2014. 

sábado, 20 de setembro de 2008

FEBEAPA 2008: GOVERNO QUER TIRAR O SOFÁ DA SALA

Que falta faz o jornalista, teatrólogo e humorista Sérgio Porto! A cada dia nossas otoridades propõem medidas tão obtusas quanto (ou mais ainda que) aquelas detonadas no Festival de Besteiras que Assola o País.

Para as novas gerações terem uma idéia de quão asnático era o besteirol oficial na década de 1960, eis uma das pérolas expostas por Stanislaw Ponte Preta:
-- O Diário Oficial publica "Disposições de Seguros Privados" e mete lá: "O Superintendente de Seguros Privados, no uso de suas atribuições, resolve (...), "Cláusula 2 — Outros riscos cobertos — O suicídio e tentativa de suicídio — voluntário ou involuntário (sic)".

É de um ridículo similar o projeto que o Governo Federal encaminhou ao Congresso, no sentido de criminalizar a publicação/difusão, por parte da imprensa, do lixo resultante de escutas telefônicas. Lembra a velha piada do pai que, impotente para impedir que a filha transe com o namorado no sofá da casa, livra-se do sofá...

A missão da imprensa é levar ao conhecimento dos cidadãos tudo que lhe cair nas mãos e for, a seu critério, considerado relevante para os leitores. O papel do Estado é evitar essa proliferação descontrolada da bisbilhotagem eletrônica, principalmente:

1) impondo normas bem mais rigorosas para a autorização dessas escutas por parte do Judiciário, pois, por violar o direito à privacidade dos cidadãos, deveria ser sempre o último e excepcional recurso de uma investigação policial, e nunca o primeiro, como está sendo;

2) impondo máximo rigor penal contra os arapongas que efetuam escutas clandestinas e seus contratantes, bem como contra os cidadãos (inclusive autoridades) que vazam para a imprensa o material obtido em escutas legais ou ilegais.

Quanto ao primeiro item, os saudosos e/ou carentes de um estado policial objetarão que conseguir provas contra um Daniel Dantas da vida justifica quaisquer excessos. Discordo totalmente.

Ninguém passa o tempo todo telefonando para tramar maracutaias. Também trata de assuntos pessoais, que não podem nem devem ficar disponíveis para a curiosidade doentia de policiais e arapongas.

Falemos com sinceridade: na hipótese de que Dantas tivesse conversado no telefone sobre as posições em que transaria com a/o amante (sei lá qual a orientação sexual dele) e isso houvesse sido captado numa escuta, algum de vocês botaria a mão no fogo, no sentido de que o registro seria imediatamente apagado, como deveria? Fala sério. Com certeza, no mesmo dia a transcrição teria passado por um sem-número de mãos e inspirado um sem-número de gracejos maliciosos.

Nem mesmo sendo quem é, um Daniel Dantas mereceria ser ridicularizado dessa forma; muito menos a outra pessoa, não necessariamente envolvida com as atividades ilícitas de Dantas.

Então, está mais do que na hora de as escutas telefônicas passarem a ser encaradas como exceção aplicável a pouquíssimas investigações, e não como regra de praticamente todas as investigações.

Quanto a proibir-se a imprensa de tornar público o obtido nessas escutas, tem o inconveniente adicional de retirar dos cidadãos a possibilidade de darem sua versão sobre aquilo que lhes é imputado.

Os citados na imprensa têm sempre como exigir espaço para desmentidos ou justificativas. Impedidos de recorrer à mídia, os vazadores de informações utilizarão a Internet, na qual é praticamente impossível evitar o repasse da mensagem e dificílimo descobrir quem a colocou em circulação.

Ou seja, será quase nula a possibilidade de punir-se o responsável e bem mais problemático apresentar-se "o outro lado" àqueles que foram atingidos pelo e-mail acusador.

Em vez de fazer propostas descabidas como esta, cuja rejeição pelo Congresso é praticamente certa, o Governo Federal deveria, para começo de conversa, cumprir sua obrigação de reprimir as escutas ilegais e entregar à Justiça os responsáveis por tais crimes.

Um governo cujo ministro da Justiça candidamente aconselha os brasileiros a nada falarem de comprometedor ao telefone não tem moral nenhuma para ditar normas a terceiros.

domingo, 7 de setembro de 2008

AS PENAS DOS ARAPONGAS FORAM PARA O VENTILADOR

As arbitrariedades cometidas nos últimos meses por agentes da Polícia Federal e da Agência Brasileira de Inteligência são expostas e dissecadas em mais uma reportagem jornalística competente e esclarecedora: a matéria-de-capa da revista IstoÉ de 05/09/2008,
Os olhos por trás do grampo ( http://www.terra.com.br/istoe/edicoes/2027/artigo101236-1.htm ).

Eis os trechos mais significativos:

"Segundo arapongas revelaram à ISTOÉ, a operação [Santiagraha] gravou conversas e monitorou os passos de 18 senadores, 26 deputados, do secretário-geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, da ministra Dilma Rousseff, de ministros do STF e do STJ, advogados, lobistas e inúmeros jornalistas. "O Protógenes tem em mãos um arsenal que destrói o governo passado, o atual e o próximo", revelou [o coordenador da equipe de espiões] Ambrósio a um amigo.

"Agentes ouvidos por ISTOÉ confirmam o que as autoridades suspeitam: a liberdade com que os espiões trabalharam, sem prestar contas à Justiça ou a superiores, levou a Satiagraha a descambar para uma grande teia de escutas e filmagens que nada tinham a ver com o objetivo inicial.

"O descontrole sobre as ações do grupo de Protógenes e do espião Ambrósio ajudam a embasar as desconfianças daqueles que acusam a PF de trabalhar com fins políticos. A PF e os agentes da Abin conseguiram gravar ilegalmente senadores, deputados, ministros e autoridades do Judiciário. No entanto, se mostraram incapazes de cumprir uma determinação do STF que mandou monitorar as conversas telefônicas do ex-secretário nacional do PT Romênio Pereira, suspeito de participar de um esquema que desviou do Orçamento da União R$ 700 milhões dos cofres públicos."

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

POR BAIXO DOS PANOS, ABIN FAZIA O QUE ESTAVA PROIBIDA DE FAZER

Como sempre ocorre, só dias depois é que ficamos sabendo como transcorreu uma reunião importante em Brasília. Leva certo tempo para alguns dos partipantes dar com a língua nos dentes.

Então, a Folha de S. Paulo de hoje esclarece que o motivo do afastamento da diretoria da Abin foi ter secretamente adquirido uma aparelhagem sofisticadíssima para efetuar o que a agência está proibida de fazer e que, além disto, não ser feito sem ordem judicial: interceptações telefônicas.

Desde o primeiro momento eu afirmei que Paulo Lacerda deveria ser exonerado. Agora, até um néscio percebe que não resta outro caminho além da conversão do afastamento provisório em definitivo.

Isto é o mínimo para quem ousou espionar expoentes dos três Poderes. Na verdade, o crime cometido foi tão grave que o responsável jamais escaparia de uma pena de prisão, num país sério.

De resto, espero que agora caia a ficha para os companheiros de esquerda: é uma temeridade confiarmos em serviços de espionagem, que existem para manter o status quo e invariavelmente cedem à compulsão de abusar dos seus poderes. Só tolos armam aqueles que, no frigir dos ovos, acabarão alinhados com seus inimigos.

Eis os principais trechos da notícia da Folha:

"A Abin adquiriu ilegalmente maletas de interceptação telefônica, revelou o ministro Nelson Jobim (Defesa) durante reunião de coordenação política do governo, anteontem à noite, no Palácio do Planalto.

"A informação foi decisiva para o afastamento do diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda.

"A revelação surpreendeu o presidente Lula, o vice José Alencar e outros seis ministros presentes, segundo relatos obtidos pela Folha. Por lei, a Abin é proibida de fazer escutas. As maletas podem fazer grampos em celulares sem depender de operadoras telefônicas e, por isso, em tese, sem a necessidade de autorização judicial.

"A informação deixou Lacerda em situação insustentável.

"Além de lançar novas suspeitas sobre a Abin no episódio envolvendo o grampo ilegal do presidente do STF (...), contradiz seu depoimento na CPI dos Grampos, no dia 20 de agosto. Na ocasião, Lacerda negou que a Abin faça escutas.

"A Defesa descobriu que a Abin adquiriu o equipamento por meio do sistema de compras do governo. Jobim recebeu documentos mostrando que a agência aproveitou uma licitação já feita pelas Forças Armadas para não ter de iniciar um novo processo.

"Esses equipamentos de interceptação estão hoje entre os mais modernos do mundo, usados por unidades de elite da Europa e dos EUA.

"As maletas custam em torno de US$ 500 mil e são capazes de varrer as comunicações mantidas por meio de uma determinada ERB (Estação Rádio Base) - antena instalada pelas operadoras em postes e em cima de edifícios -, interceptar um sinal telefônico específico no ar e o decodificar."

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

CHEGA DE TERGIVERSAR, PRESIDENTE LULA! É HORA DE CORTAR O MAL PELA RAIZ

Esta 2ª feira começou com a crise dos grampos fervendo em Brasília.

O presidente Lula, em reunião matinal de emergência, deveria determinar que a Polícia Federal investigasse o caso, talvez até permitindo que o STF acompanhasse as investigações.

Mas ontem, pelo menos, descartou a primeira providência que qualquer presidente cioso de suas obrigações tomaria: o afastamento do principal suspeito, o diretor da Abin, pelo menos até que se comprove sua inocência.

É o chamado óbvio ululante que, permanecendo em seu posto, o Lacerda (um corvo a conspirar contra a democracia, como o homônimo famoso?) estará em posição estratégica para atrapalhar a elucidação do episódio.

Tomara que, na reunião matutina, a ficha caia para Lula: não se deixa raposa tomando conta de galinheiro.

O presidente e o vice do STF, o presidente do TSE e os ministros da Justiça e da Defesa foram convidados/convocados para tal reunião.

Uma declaração de Nelson Jobim (Defesa) veio ao encontro do que eu escrevi ontem: "Tem de haver necessariamente uma investigação. A gravação houve, e isso é muito grave" (referindo-se à transcrição de uma conversa telefônica entre o presidente do STF e um senador, que um agente da Abin repassou à revista Veja, como exemplo dos grampos efetuados por sua agência).

À tarde, os ministros do STF se reunirão em conselho, a portas fechadas, para discutir a espionagem sofrida.

O presidente do Senado, outro grampeado, também antecipou que solicitará uma audiência com Lula, para cobrar providências. E marcou uma reunião emergencial da Comissão Mista de Controle de Órgãos de Inteligência do Congresso Nacional.

O presidente da Câmara classificou o episódio de "extremamente grave". E por aí vai...

O importante é que haja uma solução exemplar, sinalizando a disposição governamental de, a partir de agora, coibir os excessos e arbitrariedades que, saltam aos olhos, vêm sendo cometidos por quadros da Abin e da PF.

Caso contrário, aumentará a suspeita de que ambas estejam seguindo uma orientação secreta do próprio Governo Federal. E aí, sim, teremos uma crise entre os Poderes de consequências imprevisíveis.
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