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terça-feira, 12 de julho de 2022

ATÉ ONDE OS MILITARES IRÃO PARA ENCOBRIR A FLOPADA ELEITORAL DO BOZO?

chico alves
MINISTRO DA DEFESA BOLSONARISTA QUER
ACHAR CHIFRE EM CABEÇA DE BURRO
O
s antigos cunharam uma expressão adequada para aqueles que gastam tempo procurando problemas onde eles não existem: são os que querem achar chifre em cabeça de burro.

Os burros, como se sabe, não têm chifres. Mas há quem os procure com afinco e crie caso por isso.

O Brasil acompanha nos últimos tempos os movimentos de uma personalidade da República que turva o cenário político nacional ao conceber dificuldades imaginárias. 

Paulo Sérgio Nogueira, o ministro da Defesa, está empenhado em tentar provar a vulnerabilidade das urnas eletrônicas a fraudes. Esse tipo de acessório é usado há 26 anos no processo eleitoral brasileiro e nunca houve nenhuma comprovação de maracutaia. Nada. Zero. 

Apesar disso, Nogueira optou por seguir a linha ditada pelo presidente Jair Bolsonaro e seu antecessor, o general Braga Netto, de questionar ao infinito os procedimentos do Tribunal Superior Eleitoral. Usa como pretexto o convite que recebeu do tribunal juntamente com outras entidades e instituições para participar de reuniões que tinham o objetivo de sugerir melhorias nas urnas. 

Das 15 sugestões enviadas pelo ministério ao TSE, 10 acabaram aproveitadas. Apesar disso, Nogueira acha que as Forças Armadas foram desprestigiadas, insiste em mais questionamentos e prepara um sistema de auditoria paralelo para as eleições.  

O ministro da Defesa finge ignorar o fato de que a Constituição não atribui às Forças Armadas o status de coordenadoras do processo eleitoral. Nesse front, o TSE é que manda.

O tribunal gentilmente convidou os militares a darem seus pitacos. Feito isso, deveriam voltar à sua rotina. 

Mas Nogueira e outros fardados (nem todos) acham que só eles têm isenção para cuidar do processo eleitoral. 

Logo o ministro da Defesa que, no fim de semana, distribuiu num aplicativo de mensagens o artigo em que o general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva defende que uma possível vitória de Luiz Inácio Lula da Silva na eleição para presidente será o desastre e a ruína moral da nação e de suas instituições

Nogueira não parece achar imorais:
 maracutaias como rachadinha com o salário de funcionários de gabinete;
— gasto bilionário do orçamento secreto, em que verbas são trocadas por apoio político;
 indicação presidencial de pastores de fora do serviço público para intermediar verbas do Ministério da Educação;
— ministro do Meio Ambiente acusado de parceria com contrabandistas de madeira;
— troca de delegados federais que investigavam crimes dos filhos do presidente;
— incentivo à sublevação armada por parte do chefe do Executivo (feito explicitamente na reunião ministerial de abril de 2020), e outros malfeitos de Jair Bolsonaro.
Para ele, que se acha imparcial, Lula é imoral. Não faz qualquer menção às imoralidades de Bolsonaro 
 é o comportamento típico de um bolsonarista. 

Sendo assim, o ministro da Defesa continuará procurando chifre em cabeça de burro, para satisfazer o presidente. 

Do jeito que vai, baseado em narrativas fictícias, poderá encontrar qualquer coisa, até um unicórnio. 

A grande dúvida é saber quantos generais da ativa concordarão em acompanhá-lo na empreitada de criar para o país problemas que não existem. (por Chico Alves, no UOL) 

segunda-feira, 5 de março de 2012

RESPOSTAS A UM GENERAL INSUBMISSO

Como os leopardos não perdem as pintas, o jornal O Globo deu enorme destaque às sandices (vide íntegra aqui) de um dos militares insubmissos empenhados em intimidar a Comissão da Verdade, ministros, a presidente, os Poderes Executivo e Legislativo: o general Luiz Eduardo Rocha Paiva (foto), que chefiou a Escola de Comando do Estado-Maior e foi secretário-geral do Exército.

Lá pelas tantas, ele indaga, sobre a presidente Dilma Rousseff:
"Ela era da VAR-Palmares. E a VAR-Palmares foi a que lançou o carro-bomba que matou o soldado Mario Kozel Filho. Ela era da parte de apoio. Será que ela participou do apoio a essa operação? A comissão da Verdade não vai chamá-la, por quê?"
Respondo eu: porque a VAR-Palmares nada teve a ver com tal ação, uma vez que... nem sequer existia em julho de 1968.

Quem soltou um carro-bomba ladeira abaixo na direção do QG do Exército, sem nem de longe imaginar que um sentinela pudesse abandonar o posto e aproximar-se do suspeitíssimo veículo sem motorista, foi a VPR --a qual considerou depois um grave erro ter respondido desta forma à bazófia do comandante do II Exército que, pela imprensa, desafiou os "terroristas" a virem enfrentá-lo "como homens" no seu quartel.

Naquele ano Dilma militava no Colina, que não atuava em São Paulo nem mantinha qualquer esquema de cooperação com a VPR.

Foi só no Congresso de Mongaguá, em abril de 1969, que a VPR decidiu manter entendimentos com o Colina e com a ALN, visando a uma possível somatória de forças.

Como sei? Simples: estava lá. Participei como convidado, representando meu grupo de secundaristas que, no final do congresso, foi oficialmente admitido na VPR.

As negociações com a ALN não frutificaram, mas a fusão com o Colina acabou acontecendo, em junho de 1969. Foi quando nasceu a VAR-Palmares.

Ou seja, o generalão insubordinado pretende que uma presidente da República seja convocada para depor sobre algo do qual só tomou conhecimento por ter lido e ouvido falar. Brilhante!

De quebra, o general perguntou à entrevistadora se ela ela estava certa de que Dilma havia sido torturada:
"Ela diz que foi submetida a torturas. A senhora tem certeza?"
Respondo eu, de novo: como a tortura era generalizada, atingindo dirigentes, militantes, aliados e até simpatizantes (o número de torturados ultrapassou 20 mil) , a única hipótese de uma comandante deixar de sofrer os piores suplícios seria ela ter colaborado com o inimigo.

Mas, disto os verdugos jamais ousaram acusar Dilma. Até a ignomínia tem limite. Então, não faz sentido nenhum Rocha Paiva colocar em dúvida suas afirmações. 

Os mentirosos são os de sempre, aqueles que esperneiam contra a Comissão da Verdade por saberem que sairão muito mal na foto.

QUEM DISSE QUE VLADIMIR HERZOG FOI MORTO PELOS 
AGENTES DO ESTADO? TODOS, INCLUSIVE A JUSTIÇA...

Rocha Paiva questionou também a convicção nacional de que o jornalista Vladimir Herzog morreu sob torturas ("E quem disse que ele foi morto pelos agentes do Estado? Nisso há controvérsias. Ninguém pode afirmar").

A esta infamia quem responde é o Instituto Vladimir Herzog (vide íntegra aqui):
"Como se alguém que se apresentara para depor não estivesse sob a guarda e a responsabilidade do Estado e de seus agentes. Como se assegurar a integridade física e a própria vida de um depoente, qualquer depoente, não fosse obrigação oficial fundamental do Estado e de seus agentes, a quem ele se apresentara. Como se a Justiça do Brasil já não houvesse reconhecido oficialmente, há 33 anos, em decorrência de processo movido pela viúva Clarice Herzog e seus filhos, que Vladimir Herzog foi preso, torturado e assassinado nos porões da ditadura, por agentes do Estado.

Além de tudo isso, posteriormente, em julgamento proferido no âmbito da Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos, criada pela Lei nº 9.140/96, o próprio Estado brasileiro ratificou o reconhecimento dessa prisão ilegal, tortura e morte".
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