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domingo, 27 de fevereiro de 2022

CADÊ MINHA VACINA, DORIA? SEU PLANO INFALÍVEL FLOPOU?

Doria colheu um resultado frustrante demais...
E
terno cansadinho, o governador paulista João Doria Jr. parece ter cansado também do plano infalível de fazer do coronavírus seu grande cabo eleitoral na disputa presidencial de 2022.

Em 2020, quando o presidente genocida tudo fazia para sabotar a imunização dos brasileiros, Doria esmerou-se em descolar vacinas por conta própria, ganhando por goleada a competição com o Ministério da (negação da) Saúde para ver quem vacinava antes, mais e melhor. Humilhou o adversário.

Vieram as pesquisas de intenção de voto com que os feios, sujos e malvados profissionais de política (petistas inclusos) acenaram com o oásis de uma eleição distante para evitar que caísse para os cidadãos comuns a ficha de que deveriam é estar ocupando-se em tempo integral da imediata remoção de um presidente desprovido até de sanidade mental para continuar exercendo o cargo.

Dória não bombou como esperava e ainda hoje permanece patinando abaixo de 5%. O resultado desse banho d'água fria em suas ambições, eu o constatei neste sábado, 26.  

Estou com 71 anos, mas não sou nem de longe um idoso que perca o sono por medo de morrer; apavora-me, contudo, a possibilidade de contaminar minhas filhas quando vêm passar os fins-de-semana comigo e consideraria humilhante transmitir a peste para meus vizinhos de hospedaria. Então, por desencargo de consciência, tenho cumprido o calendário vacinal à risca.

Fui, portanto, ao posto de saúde para tomar a quarta dose da vacina, exatos quatro meses depois da terceira. E a  resposta que eu recebi foi na linha do devo, não nego, pagarei quando puder.
...para quem sonhava tão alto?

Ou seja, a funcionária incumbida da triagem confirmou que o correto seria mesmo eu ser novamente vacinado ontem, mas, acrescentou ela, até agora a prefeitura paulistana não tem repassado em 2022 vacinas suficientes para o cumprimento do cronograma. Então, só estão sendo vacinados os imunodeficientes e as crianças.  

Orientou-me a aguardar a divulgação de um novo escalonamento da vacinação, isto, claro, quando houver novamente vacinas suficientes. Até lá, conclui eu, só me restará torcer para que o atraso não comprometa a eficácia das doses anteriores.

Por incrível que pareça, o Ministério (da negação) da Saúde continua atuando em ritmo de tartaruga, apesar de estar mais do que comprovado o imperativo da vacinação.

O desempenho recente do Doria, hoje desinteressado pelo que não demonstrou ser um trunfo eleitoral de primeira grandeza,  pode ser verificado no site do governo estadual dedicado ao combate à pandemia: nele se percebe claramente a desaceleração da vacinação a partir não exatamente de 2022, mas sim de novembro de 2021! 

Ressalve-se, em favor de Dória, que ele se mostrou competente na defesa do seu interesse, algo de que o Bozo, recordista absoluto de tiro no pé, jamais será capaz. Mas a mudança recente de  postura diz muito sobre o seu caráter.

O fato é que ele não sabe nem qual o país que pretende presidir, como ficou muito claro, p. ex, quatro meses atrás no município paraibano de Guarabira, quando pediu que levantassem os braços os cidadãos locais que já tinham visitado Dubai (!)...
De tão malsucedido, o plano infalível de 2007 lhe acarretou uma década de ostracismo
Ele é um privilegiado, tem acesso às informações que importam e sabe analisá-las. Mas, esquece sempre de que a maioria dos brasileiros é bem diferente: viaja frequentemente na maionese e é capaz de engolir as mais estapafúrdias
fake news. 

Caso contrário, as intenções de voto no Bozo, só por ter ele tratado o povo a pontapés na pandemia e se tornado o maior assassino de nossa gente em todos os tempos, já teriam caído a zero (isto no caso de suas vítimas e respectivas famílias não o haverem submetido ao mesmo tratamento dado pelos italianos a um de seus ancestrais ideológicos, o Mussolini).

De resto, assim como superestimou a colheita de votos que lhe adviria de ter personificado interesseiramente o governador-modelo em 2020 e 2021, ele também errou por completo nos seus cálculos de 2007, quando acreditou que Lula seria apeado da presidência pelo escândalo do mensalão e tentou pavonear-se com penas que, na verdade, não lhe pertenciam.

Assim, articulou o Movimento Cansei, com a pretensão de reeditar a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade de 1964; mas, apesar da maciça propaganda na TV, foi um fracasso total, conforme avaliei no meu balanço de então.
Existindo oportunidades, sempre haverá
oportunistas dispostos a tudo para aproveitá-las

O vexame foi tamanho que o manteve durante cerca de uma década no ostracismo, desaparecido da política enquanto tocava suas atividades empresariais.

O impeachment de Dilma Rousseff lhe deu novo fôlego. Aproveitou  a maré reacionária para eleger-se prefeito da capital em 2016 e governador do Estado (com apoio do Bolsonaro) em 2018.

Mas, sempre o mesmo afobado comendo cru, quis dar um passo maior do que as pernas, sem perceber que seu cacife só seria suficiente para, no máximo, tentar a reeleição. (por Celso Lungaretti)

domingo, 27 de dezembro de 2020

LAMBANÇAS DO JOÃO DORIA FAZEM SUA VACINA FICAR PARECENDO ESCÓRIA

vinícius torres freire
NA GUERRA DA VACINA,
 DORIA INJETOU VENENO DE
 DESCRÉDITO NA TESTA 
Ao fim da guerra da vacina, João Doria poderia parecer um líder mais nacional e um contraponto da razão a Jair Bolsonaro. O governador paulista decerto fez o bom serviço de cutucar a inoperância federal. 

Mas, depois dos vexames recentes, Doria pode parecer apenas um destrambelhado provinciano. Pior, lançou desconfiança sobre a própria vacina que comprou, grave em termos sanitários e econômicos.

Por duas vezes, o governo de São Paulo adiou a publicação da eficácia da Coronavac. Na 4ª feira (23), o país foi induzido a esperar boas notícias. Em vez disso, ouviu uma conversa palerma de que os dados precisariam ser antes mastigados pela Sinovac, por uma obrigação contratual, e de que a eficácia da vacina era diferente daquela verificada em outros países, no limite de apenas 50%.

Descobriu-se que Doria estava em Miami, o que pareceu fuga do fiasco. Para piorar, soube-se na sexta (25) que a Turquia não teria obrigação contratual, pois divulgou, de modo mambembe, que a Coronavac seria eficaz em 91,25% dos casos.

O governo Doria suscitou desconfiança sobre os números que virão sobre a vacina, já objeto de propaganda negativa criminosa de Bolsonaro.

Quanto menos confiança, menos gente tende a aderir ao programa de vacinação. Quanto menos vacinados, menor a possibilidade de a vacina evitar mortes, aliviar hospitais e atenuar as restrições obrigatórias ou autoimpostas de contato social, o que tem óbvio impacto econômico também.

Mesmo com uma vacina eficaz em 85% dos casos, a campanha contra a Covid teria de atingir adesão do nível de vacinações contra a gripe (uns 95%) para propiciar um alívio notável apenas a partir lá de maio. A vida, porém, ainda teria restrições sérias, em especial para negócios e empregos que dependem de aglomerações e circulação livre pelas cidades.

Na reunião dos governadores com o capacho do ministério da Saúde, dia 8, Doria já trocara as mãos pelos pés. Em vez de vencedor generoso e agregador, pareceu um mauricinho metido e exibido, como disse a este jornalista um governador ainda simpático ao colega paulista. Depois, houve duas negaças dos resultados da vacina. Doria blefava, com confiança temerária?

No mundo político, ficou a impressão de que Doria não sabia bem o que estava fazendo, o que sublinhou sua imagem de pouco confiável, um tipo obstinado que faz qualquer negócio, de atropelar aliados a apoiar Bolsonaro num dia para sair de fininho pouco depois.

O governo paulista poderia simplesmente apresentar a situação tal como ela é, dando publicidade e explicações racionais para a atos e processos, o que seria um contraponto confiável ao desvario bolsonarista. Tem gente para fazê-lo. Doria nomeia muitos bons quadros para seus governos.

Não se trata de ser transparente. Apenas na fantasia juvenil ou anarquista um governo pode ser um BBB ao vivo. É política, administrativa e tecnicamente inviável. Mas, claro, em qualquer tempo e lugar, gente com poder sonega informação do público, o que é autoritário.

A fim de recuperar terreno, Doria terá de abafar seu caráter espetaculoso, parar com segredinhos, com vazamentos de notinhas publicitárias e mostrar que pode ser alternativa de racionalidade mínima à pura monstruosidade bolsonarista. Já tem um passivo grande, até pelo
Bolsodoria de 2018, relembrado nestes dias de vexame.

Terá de contar com sorte também, que a vacina seja eficaz em nível relevante, uns 75% ao menos, e fazer a mais bem-sucedida campanha de vacinação da história.​ (por Vinicius Torres Freire) 
TOQUE DO EDITOR – A imagem do meio se refere ao Movimento Cansei, articulado pelo João Doria em 2007, na vã esperança de que reeditasse a Marcha da Família, com Deus, pela Liberdade de 1964, deslanchando a acumulação de forças para a derrubada do então presidente Lula. Apesar da propaganda maciça, foi um fracasso total, conforme se pode constatar no balanço que publiquei então. (por Celso Lungaretti)
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