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sábado, 24 de abril de 2021

QUAL LEÃO DESDENTADO, O BOZO TENTA RUGIR E SOLTA MIADOS. SEUS BLEFES NÃO COLAM MAIS. SUAS BAZÓFIAS SÃO RISÍVEIS

leonardo sakamoto
BRAVATA GOLPISTA DE BOLSONARO É MIMIMI
VAZIO DE QUEM NÃO QUER SALVAR VIDAS
Pela enésima vez, Jair Bolsonaro deu uma declaração vazia de teor golpista, prometendo botar o Exército na rua para acabar com as medidas de isolamento social impostas por governadores e prefeitos. 

Medidas que, aliás, reduziram o ritmo de mortes por covid-19 uma vez que o presidente não quis fazer isso. 

A ameaça não vai se concretizar, mas o mimimi presidencial reforça a facilidade com a qual a cúpula militar permite que ele trate as Forças Armadas como seus brinquedos pessoais. 

E como ele encara a Constituição Federal e o respeito à democracia com a mesma deferência com qual enxerga o papel higiênico. 

Criticando quarentenas, lockdowns e toques de recolher, Jair afirmou, em entrevista à TV A Crítica, nesta sexta (23), durante visita a Manaus (sim, a capital em que muitos sufocaram e morreram porque, quando pediram oxigênio hospitalar, ele mandou cloroquina): 
"Se tivermos problemas, nós temos um plano de como entrar em campo. Eu tenho falado, eu falo o meu [Exército], o pessoal fala não... (1)
Eu sou o chefe supremo das Forças Armadas. O nosso Exército, as nossas Forças Armadas, se precisar iremos para a rua não para manter o povo dentro de casa, mas para reestabelecer todo o artigo 5º da Constituição (2). E se eu decretar isso vai ser cumprido"
O trecho mostra uma necessidade de autoafirmação que mostra uma fragilidade emocional terrível para uma pessoa que é presidente da República. Mas não termina aí, porque, no fundo do poço, há sempre um alçapão: 
"As nossas Forças Armadas podem ir para a rua um dia sim, dentro das quatro linhas da Constituição, para fazer cumprir o artigo 5º. O direito de ir e vir, acabar com essa covardia de toque de recolher, [garantir o] direito ao trabalho, liberdade religiosa e de culto; para cumprir tudo aquilo que está sendo descumprido por parte de alguns governadores e alguns poucos prefeitos, mas que atrapalha toda a sociedade. 
Um poder excessivo que, lamentavelmente, o Supremo Tribunal Federal delegou, então qualquer delegou, então qualquer decreto, de qualquer governador, qualquer prefeito, leva transtorno à sociedade".
É um pouco confuso porque está em bolsonarês, dialeto com apenas um falante. Ao pé da letra, sem o acréscimo de palavras para ajudar no entendimento, ele disse que as Forças Armadas iriam às ruas para acabar com essa covardia de limitação do direito ao trabalho. É tão factível com o pensamento bolsonarista, que nem parece uma fala confusa, mas sim um ato falho. 

Bolsonaro não vai fazer nada disso. Bravata. Para botar esse bloco na rua, teria de passar por cima do Congresso Nacional e do Supremo Tribunal Federal e conseguir cooptar os membros das cúpulas das três forças – o que, com a popularidade e a moral enfraquecidas, não rola nem que a vaca tussa ou a rachadinha seja legalizada. 

Quando começou o zunzunzum golpista na troca do comando das Forças Armadas e do Ministério da Defesa, escrevi que ele adoraria dar um golpe, mas o máximo que conseguiria, naquela conjuntura, era colocar alguém que produziria tuítes a seu favor para ajudar na sua narrativa. 

De fato, o general Braga Netto, novo titular da Defesa, já deu declarações políticas fora do prumo, como na posse do novo comandante do Exército no dia 20. É bizarro, mas não vai além disso.

Se na entrevista em Manaus, ele ainda tivesse ameaçado interferir nos Estados através da promoção de um motim entre as forças policiais, poderia soar mais factível, considerando a adesão de praças da PM ao bolsonarismo. 

Pesquisa divulgada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em agosto passado, apontou que 41% dos praças das polícias militares participavam de grupos bolsonaristas nas redes e aplicativos de mensagens, 25% defendiam ideias radicais e 12% defendiam o fechamento do STF e do Congresso. Mas com o Exército? Improvável. 

Tirando municípios, como Araraquara (SP), em que o lockdown foi implementado durante um período de tempo e levado a sério, reduzindo a taxa de ocupação hospitalar e o número de mortes, o país não tem adotado nada que realmente possa se chamar de bloqueio total. 

O nível de isolamento social, medido pelo deslocamento de celulares, é baixo. Qualquer marmota que tire a cabeça para fora de seu buraco é capaz de ver que a obediência às restrições é parcial – muito por culpa da promoção de aglomerações e do ataque às restrições por parte do presidente. O que ajuda a explicar, aliás, a situação trágica em que estamos. 

Nesse contexto, o que o Exército de Bolsonaro faria? Destituiria governadores e prefeitos? Prenderia fiscais das prefeituras, que são os responsáveis por monitorar o cumprimento dos decretos por parte do poder público? Bateria nas portas das pessoas e empresas dizendo:
"Ei, vem brincar do lado de fora, o vírus mata, mas o Jair precisa de você aqui para a economia acordar e ele ser reeleito?" 
Se ele tivesse comprado vacinas em quantidade suficiente no ano passado e abraçado um isolamento duro, já estaríamos voltando à vida normal como outros países. Mas, daí, ele teria de abandonar o radicalismo que alimenta seus seguidore, e dialogar com outros governantes. O que vai contra sua natureza. 

Disse Bolsonaro também na entrevista: 
"Agora, eu não posso extrapolar. Isso que alguns querem, que extrapole. Estou junto com os 23 ministros, da Damares ao Braga Netto, praticamente conversado sobre isso daí: o que fazer se um caos generalizado se implantar no Brasil. Pela fome, pela maneira covarde que alguns querem impor essas medidas restritivas para o povo ficar dentro de casa. O caldo não entornou ano passado em função do auxílio emergencial"
Ele mesmo dá a deixa: a fome que está sendo sentida em muitos lugares do país é sua culpa, uma vez que suspendeu o auxílio emergencial em 31 de dezembro, recomeçando a pagar o benefício apenas em 6 de abril. Foram, pelo menos, 96 dias de vazio na panela e no estômago. 

Esse atraso foi uma forma que ele encontrou para empurrar os trabalhadores pobres de volta às ruas. Afinal, pais e mães não ficarão em casa vendo seis filhos passarem fome. 

A outra forma é o valor do benefício. Se na primeira onda, ele começou com R$ 600/R$ 1.200 por domicílio agora Bolsonaro reduziu a ridículos R$ 150, R$ 250 e R$ 375 por residência. Com o piso do auxílio, compra-se apenas 23% da cesta básica em São Paulo. Isso significa o quê? Mais fome. 

Com a CPI da Pandemia, que deve investigar esse tipo de perversão que ajudou a erguer uma montanha de quase 400 mil mortos, prestes a começar, ele precisa fazer pressão para impor medo e terceirizar as responsabilidades mais uma vez. 

Imagine como deve ser constrangedor para ele aparecer na capa do jornal mais relevante do mundo, The New York Times, como responsável por uma epidemia de fome que atingiu dezenas de milhões. 

Declarações como essas já eram previstas. Quando Bolsonaro ataca, é sintoma de fragilidade, não de força. 

O estranho será se os outros Poderes ficarem com medinho por conta desse nível de bravata. (por Leonardo Sakamoto)
1
 – E não é que o Bozo passa recibo de que os fardados estão se recusando a cumprir suas ordens inconstitucionais?!
2 – Ele se refere ao parágrafo 5, inciso XV, da Constituição Federal, segundo o qual "é livre a locomoção no território nacional em tempo de paz", etc., mas omite que, no entendimento dos juristas, o direito social à saúde pública prevalece sobre o direito de ir e vir. (CL) 

domingo, 11 de abril de 2021

PAÍS SE ESPATIFA E BOLSONARO APATIFA A PRESIDÊNCIA

 Bozo xinga Doria de "vagabundo" e "patife", recebendo,
como troco, a recomendação de tomar vácina antirrábica

 
É
como se os 212 milhões de brasileiros estivessem num avião em queda livre, prestes a se espatifar no chão. Levando-se em consideração o esforço que o piloto da aeronave realiza para apatifar a cabine de comando, espatifar é o termo apropriado. 

Para mais de 350 mil mortos por covid o avião já se espatifou. A tragédia alcançará milhares de outras almas. Simultaneamente, Bolsonaro converte sua inépcia num processo de apatifamento da Presidência. Deu para chamar rival de patife.

Quando o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, arrastou o bolsonarismo para dentro de um inquérito sobre notícias falsas, Bolsonaro abespinhou-se: "Acabou, porra!" 

Era engano. Estava apenas começando. Ou, por outra, tratava-se de uma continuidade. Bolsonaro continuava sendo Bolsonaro. 

Quem tem muitos calos não deveria meter-se em apertos. Mas o capitão não sabe desfazer as crises que faz. Tornou-se um estorvo para a aquisição de vacinas, retardando as compras. Há mais braços por imunizar do que doses disponíveis. 

Em consequência, o vírus se desdobra em novas estirpes. E os infectados puxam para o alto a curva dos mortos. 
Tropeçando em cadáveres, governadores e prefeitos arrostam o desgaste de decretar medidas restritivas que estão sempre muitos passos atrás da taxa de contágio. Retardam o
lockdown

Bolsonaro não inventou a crise sanitária. Mas mostrou aos brasileiros que pior do que uma crise, só duas crises. Em vez de administrar a gripezinha que estava no finalzinho, preferiu tratar a segunda onda como conversinha. Deu no que está dando. 

Com a popularidade em queda, o capitão dedica-se em tempo integral a colocar a culpa nos outros. "Dá para admitir no Brasil essa política de lockdwon feche tudo? Toque de recolher?", indagou neste sábado (10). 

Para Bolsonaro, "tudo tem um limite", exceto o cinismo. "Eu e todo o meu governo estamos ao lado do povo. Todos os 23 ministérios estão ao lado do povo. Não abusem da paciência do povo brasileiro." 

Bolsonaro elevou o tom da crítica ao governador de São Paulo. A exemplo do presidente, João Doria politiza a pandemia. 

A diferença é que o governador frequenta a conjuntura como provedor das vacinas do Instituto Butantan. Oito em cada dez brasileiros vacinados receberam doses de CoronaVac —"a vacina chinesa do Doria", que a União não compraria. 

"Parece que esses caras querem —como esse patife de São Paulo quer— quebrar o estado, quebrar o Brasil para depois apontar um responsável. É coisa de patife, que é esse cara que está em São Paulo e que usou o meu nome para se eleger." 

Alguma coisa voltou a subir à cabeça do capitão. Nada que se pareça com sensatez. Na antevéspera, Bolsonaro havia acusado o ministro Luís Roberto Barroso de fazer politicalha ao determinar ao Senado que instale a CPI da Covid. 

Aos poucos, a usina de crises do Planalto vai alcançando a autossuficiência. Bolsonaro fornece matéria-prima para a CPI, ele mesmo desarticula o governismo no Senado, ele mesmo força o Supremo a apressar a conversão da liminar de Barroso em veredicto formal da Corte. 

Apatifar é um verbo pouco usado. Significa tornar-se um patife, virar um canalha, aviltar-se. Somando-se à incúria presidencial o linguajar chulo de Bolsonaro, o resultado é a conversão da Presidência numa patifaria. 

Quem não consegue presidir a própria língua não pode presidir o país. (por Josias de Souza)

quinta-feira, 8 de abril de 2021

O BRASIL PRECISA DO LOCKDOWN, MAS NÃO DISPÕE DE RECURSOS PARA O VIABILIZAR: SAIBA QUE ESTA É UMA FALSA DICOTOMIA – 2

(continuação deste post)
A
té os que fazem caridade distribuindo sopas para os mendigos nas madrugadas ou pratos de comidas para famélicos sociais, tomados por um resquício de humanidade que felizmente ainda subsiste nos sujeitos burgueses automatizados e insensibilizados, não se apercebem que aquilo por eles distribuído são, também, mercadorias. 

Muito menos se dão conta de que tal condição impõe limites econômicos de abrangência de sociabilidade humana (a grande mercadoria alimentar, p. ex., destina-se à exportação, como forma de gerar superávit na famigerada balança comercial).

O lockdown e as vacinas são os instrumentos capazes de nos livrar imediatamente da morte por contaminação social infecciosa generalizada e extirpar, no longo prazo, a vida desses vírus microscópicos que precisam exatamente da proximidade de corpos humanos para continuar existindo. 

O isolamento social é medida inarredável a ser tomada. Somente os negacionistas dominados pelo fetichismo da mercadoria não compreendem tal necessidade, como fazem questão de também ignorarem (talvez por vergonha de reconhecerem sua condição de intelectualmente obtusos) o imperativo da vacinação em massa como a única solução definitiva, após acreditarem tanto tempo nas sandices daquele a quem chamam de mito, mas que demonstrou não passar de um grande mico.
Aliás, o mito, na nomenclatura fantasiosa dos clássicos gregos, é um ser que somente existe na ideia metafórica das crendices em superpoderes de deuses criados pelo surrealismo fantástico que anseia por um mundo idealizado, mas cada vez mais distante da realidade. 

Nada mais ridículo do que erigir-se em mito alguém de conhecimento primário, curriculum e práticas recheadas de negatividades e nenhuma proposição, a não ser a desconstrução dos poucos ganhos civilizatórios adquiridos com muito sacrifício pela humanidade no seu itinerário de luta contra a ignorância, marcado por sangue, lágrimas e dor.  

Mas o lockdown é impossível de ser sustentado pelo tempo necessário para a extirpação do vírus sem as medidas de apoio social que jamais podem se realizar sem a eliminação dos conceitos e ordens que o universo do mundo da mercadoria estabelece como regras inquestionáveis.

É claro que alguém tomado pelo sentimento nacionalista de superioridade a partir de conceitos de riqueza abstrata e das armas (o militarismo de ofício, estatal, que substituiu os mercenários na antiguidade, foi aquilo que mais propiciou a remuneração abstrata do salário, inicialmente representado pela mercadoria sal, de onde se origina a palavra salário), tem dificuldade de aceitar a quebra desse código rígido comportamental.

Da mesma forma o doutrinamento liberal de seu ministro da Economia é incompatível com o confisco de bens (mercadorias que representam horas de trabalho abstrato, ou seja, de valor indevidamente apropriado pelo capital nelas coagulado) e de dinheiro como forma de subsídio ao
lockdown
.

[Afinal, para os poderosos do capitalismo, é mais importante a manutenção do teto de gastos do Orçamento Federal do que a perda de 150 mil vidas que poderiam ser salvas.] 

Você, caro leitor, que neste momento lê este artigo, certamente conhece alguém próximo, ou até mesmo de sua família, que faleceu por empreender a chamada fuga pra a frente desconsiderando o necessário isolamento social, comportamento exemplificado desde o início pelo nosso governante insano ao desfilar pelas ruas de Brasília promovendo um populismo de quinta categoria, sem máscaras, comendo pastel e tomando caldo de cana numa birosca qualquer

Para piorar, quem teria de propor medidas urgentes de apropriação das nossas riquezas naturais, visando à proteção dos brasileiros pobres que necessitam ficar em casa, omite-se vergonhosamente. 

Refiro-me, evidentemente, à esquerda adestrada, institucional, dita socialista.

Aquela que está mais preocupada com o pleito distante do que com o extermínio de nossa gente hoje e agora, e que prefere ver o governo atual sangrando na sua própria inconsistência e afundando no desgaste, desde que este proporcione às 
chamadas oposições uma vitória de Pirro nas próximas eleições, à custa de mais algumas centenas de milhares de mortes. 

Recuso-me a fazer parte de tal oposição, pois sou, acima de tudo, a favor da vida. Agora, mais do que nunca, fico satisfeito de ter sido expulso do PT sob a alegação de que era um candidato saído do bolso da então prefeita de Fortaleza, Maria Luíza Fontenele, também expulsa do PT na mesma oportunidade. 

Partido esse que há quatro décadas ajudei a criar, com a ingenuidade característica dos tempos de juventude, no Ceará dos coronéis de então. Quem me mandou acreditar em Papai Noel?! 

Isto me possibilita repetir o que já disse noutros artigos escritos para esta tribuna libertária que é o blog criado por Celso Lungaretti 
— que, tendo sido secretário de Finanças de Fortaleza, saí pobre dessa administração popular que jamais conciliou com a burguesia (Sarney nunca recebeu a Maria Luíza em audiência oficial, mas foi sempre simpático ao Lula); e
— que ajudei a estabilizar as finanças públicas municipais, requisito importante para que Ciro Gomes se tornasse, em apenas um ano, o melhor prefeito do Brasil, galgando posições dentro da politicagem estatal (que hoje considero sumamente nociva à sociedade).

Faço tais afirmações como autocrítica, por entender que inadvertidamente contribui para reequilibrar as finanças públicas de um aparelho estatal capitalista de base municipal, que encontrei falido após os muitos anos de ditadura militar.

[Hoje, quando alguém cita minha passagem como secretário municipal de Finanças à guisa de elogio curricular, costumo responder que tenho esta mancha no meu currículo; é uma reflexão que faço sob o critério estratégico de luta contra o capital.]
  
Perdoem-me aqueles para quem tais afirmações soarem como autoelogio narcisista, que não deve ser a tônica do revolucionário; este, contudo, usa a palavra como instrumento de luta e não hesitará em passar do estágio literário para o do brado retumbante das ruas quando se fizer necessário!

Mas o faço em nome dos muitos que foram injustiçados por não se submeterem à tirania partidária stalinista dos meios justificando os fins, inclusive no PT; até porque o uso do cachimbo entorta a boca. 

A discussão atual sobre o lockdown é fora de foco e representa uma falsa dicotomia. (por Dalton Rosado)

quarta-feira, 7 de abril de 2021

O BRASIL PRECISA DO LOCKDOWN, MAS NÃO DISPÕE DE RECURSOS PARA O VIABILIZAR: SAIBA QUE ESTA É UMA FALSA DICOTOMIA – 1

 dalton rosado
COMENTÁRIO ÀS DISCUSSÕES SOBRE O LOCKDOWN
"
Falsa dicotomia – falsa divisão de
um conceito em dois elementos
pretensamente contrários"
(Dicionário Informal)
pandemia do coronavírus já se constitui na maior tragédia humanitária do pós-guerra, aproximando-se dos 3 milhões de mortos, com a contribuição macabra do governo brasileiro para tanto, de vez que já temos o segundo maior número de mortes, com 337 mil óbitos (001,7% da população de 211,7 milhões de habitantes).

Tenho dito, reiteradamente, que tal crise expôs a insubsistência do capitalismo como modo de mediação social minimante eficaz. 

Os Estados Unidos, meca do capitalismo mundial, têm total ainda mais expressivo de mortes, 556 mil óbitos, os quais, contudo, representam os mesmos 001,7% da população (aproximadamente 328 milhões de habitantes). 

Juntos, os dois países são responsáveis por 31% (893 mil) das mortes mundiais (2,87 milhões), embora tenham apenas 6,9% da população mundial (539,7 milhões para 7,8 bilhões de habitantes). 

Somos os campeões da mortandade mundial e isto, indiscutivelmente, tem muito a ver com a orientação negacionista adotada tanto por Donald Trump (que descartou o isolamento social, embora haja estimulado a fabricação de vacinas, até porque isto poderia gerar lucros para a desenvolvida farmacologia estadunidense) quanto por Jair Bolsonaro, que negou a importância das duas coisas. As estatísticas não mentem. 

Mas, nesta corrida da morte, os EUA, com sua vacinação em massa, já conseguiram reduzir o número atual diário de mortes, enquanto no Brasil estabelecemos recordes em cima de recordes, aproximando-nos velozmente do topo deste ranking sinistro. 

É que, para sorte dos estadunidenses, as vacinas e a eleição vieram mais cedo e puderam defenestrar o negacionista de lá, enquanto aqui teremos de aturar o nosso por mais algum tempo (a menos que consigamos abreviar o nosso calvário...). 

Diante dessa tragédia humanitária estabeleceu-se por aqui uma discussão fora de foco, qual seja:
 há uma ala de governantes e setores da sociedade que entende, corretamente, que devamos fazer o lockdown, variando a opinião quanto a sua intensidade para cada um dos componentes desse grupo, sob o correto argumento de que se trata de uma das duas formas de se evitar a propagação do vírus e consequentes mortes, sendo a outra maneira a vacina, ainda em pequeno número para a imunização de uma parcela suficiente da população brasileira;
b) há uma outra ala de governantes, empresários e trabalhadores, para a qual não devemos fazer o lockdown sob nenhuma forma, argumentando que é menos pior morrer de covid-19 do que de fome e miséria. 

Os auxílios emergenciais, diminutos e somente destinados aos que estão em situação desesperadora, são insuficientes para barrar a depressão econômica e o alastramento da miséria sob os critérios capitalistas de sociabilidade. 

Mas, não podemos fazer emissões volumosas de moeda sem lastro, a exemplo de Joe Biden,  porque o dólar é aceito internacionalmente, apesar de sua falta de consistência; o real não. Portanto, se o imitássemos, isto faria explodir nossa inflação e nosso endividamento com juros altos. O capital tem critérios seletivos; o coronavírus não. 

Ambos os grupos têm argumentos que comportam alguma verdade, mas que encobrem um contra-argumento pouco levado em conta: a possibilidade de apropriação social de recursos materiais que respaldariam o
lockdown, desde que adicionado a critérios racionais de distribuição de alimentos e outras medidas jurídicas de proteção social (como suspensão de despejos por falta de pagamento, execuções de dívidas, etc.).

Tais medidas, entretanto, são impossíveis de serem acatadas pelo capital, ou até mesmo serem propostas por quem deveria fazê-lo por opção de classe, pelo simples fato de que estão todos dominados pelo fetichismo da mercadoria, somente concebendo a vida social a partir dos critérios mesquinhos e financeiramente calculistas da forma-valor (dinheiro e mercadorias), que o segundo grupo quer humanizar por hipocrisia ou ignorância.

É o que chamo de aprisionamento do pensar

Como alguém que acredita somente em produzir para vender e comprar chegaria a admitir  que se possa produzir para dar? 

Como alguém que passa a vida procurando acumular riqueza abstrata como forma de se proteger da insanidade destrutiva e autodestrutiva de uma mediação social reificada (na qual coisas inanimadas ganham vida, enquanto mercadoria, e comandam, com seu fetichismo abstrato que se materializa na vida real, as vidas das pessoas), poderá sequer cogitar a disponibilização de patrimônio (bens, mercadorias, etc.) para salvar vidas? 

Como alguém que aguarda ansiosamente as próximas eleições, obcecado em assegurar para si uma minúscula (mas confortável) fatia de poder político concedida pelo capital como forma de legitimação democrática, ousará adotar medidas que afrontem este mesmo capital? (por Dalton Rosado)
(continua neste post)

sábado, 3 de abril de 2021

BISANDO HERODES, O GRANDE, MINISTRO DO SUPREMO INDICADO POR BOLSONARO PROPICIA NOVO MASSACRE DOS INOCENTES

leonardo sakamoto
AO LIBERAR IGREJAS, NUNES MARQUES AJUDA
OS FIÉIS A ENCONTRAREM SEU CRIADOR
O ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal, resolveu, neste sábado de Aleluia, ajudar fiéis a se encontrarem com o Criador. Pessoalmente e antes da hora. 

Atendendo a um pedido da Associação Nacional de Juristas Evangélicos, ele liberou a realização presencial de missas e cultos em todo o país. Estados e municípios não podem mais proibir a abertura de igrejas e templos sob a justificativa de reduzir o risco de contágio de covid-19, mesmo que estejamos numa escalada de mortes e que reuniões em locais fechados sejam um dos vetores de transmissão.

O Brasil ultrapassou, neste sábado (3), 330 mil óbitos pela doença. 
Tá rindo do quê?!

A decisão foi celebrada nas redes sociais por Jair Bolsonaro, que indicou Nunes Marques a uma vaga no STF. O presidente da República prefere ver o diabo do que encarar uma quarentena ou um lockdown e vem movendo o céu e o inferno contra medidas de isolamento social. 

Parte das igrejas quer permanecer com atividades presenciais, mesmo em meio aos recordes de mortes por covid-19, para mostrar que a teologia que venderam antes da pandemia não é uma ilusão e, portanto, quem vier a seus cultos estará seguro e não tem com o que se preocupar. Com isso, coloca pessoas em risco. 
.
"Há igrejas que prometeram, por muito tempo, que os seus membros iam ser protegidos, que há uma benção especial de Deus para os crentes, que aquele que serve a Deus tem uma certa imunidade na vida, que Deus é salvamento, libertação e grandes milagres. Diante de uma pandemia como essa, admitir que as pessoas estão vulneráveis e podem morrer seria negar todo o discurso de vários anos." 
.
A análise havia me sido feita pelo pastor Ricardo Gondim, presidente da Igreja Betesda, considerado referência entre os teólogos evangélicos. Segundo ele, para manter a lógica que pregavam antes da pandemia, essas igrejas precisam continuar prometendo um grande milagre e uma grande benção. Mesmo que as pessoas estejam em risco. 

O dilema é semelhante ao da peste na Europa na Idade Média. Acreditava-se que os mosteiros eram santuários de proteção, mas eles se tornaram vetores de disseminação. 

Ao mesmo tempo, muitas igrejas estão sob grande estresse financeiro após mais de um ano de pandemia, principalmente as pequenas denominações religiosas. 
"pequenos, fechados, covidários em potencial"

O problema é que, enquanto os grandes templos contam com pé direito alto, grandes janelas e espaço suficiente para distanciamento social e as medidas sanitárias estipuladas por Nunes Marques, a maioria dos locais de culto no Brasil são pequenos, fechados e com potencial de se tornarem covidários. 

"Reconheço que o momento é de cautela, ante o contexto pandêmico que vivenciamos. Ainda assim, e justamente por vivermos em momentos tão difíceis, mais se faz necessário reconhecer a essencialidade da atividade religiosa, responsável, entre outras funções, por conferir acolhimento e conforto espiritual", escreveu o ministro. 

Concordo que a participação em encontros religiosos presenciais seria uma maneira de pessoas encontrarem algum conforto e reduzirem o sofrimento em meio à prolongada pandemia. 

Contudo, na semana em que o país chegou a quase 4 mil óbitos num único dia por covid, a decisão do STF não é a celebração da vida presente na Páscoa, mas um convite à morte. É o sacrifício por nada. (por Leonardo Sakamoto)

sexta-feira, 19 de março de 2021

É GENOCÍDIO OU NÃO É? (veja 10 razões que explicam por que o Brasil de Bolsonaro lidera o mundo em mortes diárias)

1
. Hospitais estão em colapso. Vai morrer muito mais gente porque não há vagas suficiente nas UTIs, nem remédios para intubação e sedação, fornecimento de oxigênio ou profissionais de saúde. Nem adianta ter dinheiro para pagar: não há vagas. 
2. Especialistas apontam que é hora de fechar tudo. Governadores e prefeitos retardam o lockdown, pois temem pedrada de empresários, mas também temem mandar o povo para casa sem auxílio emergencial. O que pode flopar o bloqueio ou provocar convulsão social por fome. 
3Bolsonaro não renovou o auxílio na virada do ano. Depois, Paulo Guedes gastou tempo tentando trocar a aprovação do benefício pela possibilidade de reduzir a grana de saúde e educação, o que atinge os pobres. O auxílio será uma merreca entre R$ 150 e R$ 375, que não dá para a cesta básica. 
4O governo demorou também para renovar o programa que permite empresas cortarem jornada ou suspenderem contratos, garantindo aos trabalhadores com carteira assinada um benefício emergencial. Sem isso, muitos continuam indo ao trabalho com medo de perder o emprego. 
5O Ministério da Saúde não renovou os repasses para garantir leitos de UTI extras. Com isso, Estados não conseguiram reativar hospitais de campanha ou se preparar para a avalanche de doentes. Repasses só começaram a ser autorizados quando mortes batiam recordes. 
6
Trens e ônibus lotados continuam funcionando como um caldeirão de sopa de variantes de covid. É urgente aumentar a frota para reduzir a ocupação e obrigar o poder público e empresários a darem máscaras N95/PFF2 para reduzir o contágio. 
7. Abundam em unidades de saúde quem confiou na balela do tratamento precoce. Muitos ignoraram o isolamento social, acreditando em charlatães que dizem que tomar vermífugo resolve. Agora, ocupam leitos de quem não fez a mesma bobagem. 
8O SUS consegue vacinar 2 milhões por dia, mas não faz isso porque o governo não comprou vacina o suficiente em 2020. Em maio, os EUA estarão vacinados. A gente, em 2022. Até lá mais mortes e mais perdas econômicas. 
9. O presidente estimula pessoas a voltarem à normalidade, defendendo que a melhor vacina é pegar o vírus e diz que quarentenas não funcionam. Mas elas foram imperfeitas porque o governo depôs contra. Mesmo assim, são preferíveis quarentenas e lockdowns ruins do que isolamento nenhum, pois estes salvam vidas. 
10
Parte da população, obrigada a trabalhar, cansada da longa pandemia ou acreditando que é invencível, afrouxou as medidas de isolamento nesta segunda onda. O problema é que, circulando por mais tempo, o vírus evolui para variantes mais infecciosas. E a tendência é que evolua ainda mais.
(por Leonardo Sakamoto)
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