| Aqui foi travada a batalha da Maria Antônia |
sexta-feira, 8 de maio de 2026
O MOVIMENTO ESTUDANTIL ERGUE-SE CONTRA O SUCATEAMENTO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS
quarta-feira, 9 de abril de 2025
"FROUXOS", "COVARDES" E "OMISSOS": ASSIM UM PASTOR DA LAIA DO MALAFAIA ATACOU GENERAIS NO ATO DA AV. PAULISTA
Assim, p. ex., quando os outros articulistas de esquerda davam como inevitável que o Exército o acompanharia na futura tentativa golpista, eu já contrapunha que tais fardados não derrubavam presidentes para colocar no poder tenentes despirocados por eles chutados da caserna. Só o faziam para empossar generais.
E, como hoje todos sabem, na hora H o Exército se recusou a marchar sob as ordens do Bozo.
“Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto-Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem!".
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| Obrigado a dar baixa do Exército em 1988, Bolsonaro tudo fez para desmoralizar a farda quando presidente |
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| Batalha entre estudantes de esquerda e membros do CCC na rua Maria Antônia. Um secundarista foi assassinado. |
Só que 1968 me revelou quem eu realmente era. Participar da luta concreta me empolgou como nada o fizera na minha vida inteira, a cada dia me descobria agindo como antes não ousava, respondendo de bate-pronto aos desafios ao invés de refletir longamente sobre eles, seguindo a emoção do momento sem me questionar se a decisão que tomava era a politicamente correta. Na hora da ação, eu não refletia. Agia.
Minha alma não era a de um scholar, embora dominasse algumas ferramentas da intelectualidade. Entre a academia e a trincheira, percebi que sempre preferiria a trincheira.
E, ao longo destes 55 anos de militância, eu desenvolveria, principalmente, o talento de um comandante de Inteligência. Ou seja, a função que nunca pensara em desempenhar antes de a VPR me incumbir dela virou minha segunda natureza. Meus maiores acertos foram juntando fragmentos de informação para projetar cenários futuros que acabavam mesmo se tornando reais..
Eu percebia, evidentemente, que a grande maioria dos companheiros queria receber algo na linha das teses acadêmicas, com um lento e minucioso aprofundamento das questões, de forma que o momento propício para aquelas soluções acabava passando e elas caducavam sem uso.
Confesso que até poderia jogar esse jogo, mas me repugnava profundamente agir como Marx já fulminara na sua 11@ tese sobre Feuerbach: "Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo". (por Celso Lungaretti)
quarta-feira, 29 de novembro de 2023
DA DITADURA AO TRÁFICO DE DROGAS: O PAPEL DO FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO
A imprensa brasileira sentiu os avanços, o namoro seguido de casamento entre a extrema-direita, uma parcela dos militares e setores fascistas adormecidos com o evangelismo populista a partir do Golpe de 1964? Não! O fenômeno era muito interno e se desenvolveu primeiro dentro dos seminários, reforçando-se pouco a pouco entre os chamados fiéis, provavelmente para não provocar reações e nem alertar setores importantes dos meios de informações criadores de opinião.
Naquela época, há 70 anos, o evangelismo levado dos EUA para o Brasil não tinha nenhuma expressão, era mesmo insignificante com seus 5% da população, a maior parte nas camadas populares dos pentecostais, congregações cristãs e Assembleias de Deus. Ainda existia a expressão protestante ligada ao movimento da Reforma, às igrejas luteranas, calvinistas, presbiterianas, que chegavam ao Brasil com seguidores tendo feições de classe média que enviavam seus filhos às universidades.
As primeiras igrejas pentecostais foram criadas
por missionários estadunidenses há mais de cem anos.
Se alguém perguntar aos colegas da mídia de hoje se ouviram falar no reverendo Boanerges Ribeiro, de Santos, certamente responderão pela negativa e poderão citar o pastor Milton Ribeiro, também ligado a Santos, ex-ministro da Educação, obrigado a se demitir por corrupção no ministério. Nada a ver!, pois Boanerges Ribeiro foi escritor, teólogo, presidente do Supremo Concílio e um dos últimos intelectuais importantes do protestantismo brasileiro, na mesma linha do gramático Eduardo Carlos Pereira.
Mas enquanto no norte do Brasil a denominação evangélica dos pentecostais se expandia, só com o Golpe de 1964 os presbiterianos deixaram a neutralidade em matéria de política para se aliarem aos militares e passarem a reforçar a campanha contra o comunismo, inclusive com perseguições, repetindo o que já ocorrera nos EUA na chamada guerra fria.
É dessa época a Batalha da Maria Antônia, o choque dos estudantes antiditatura da rua Maria Antonia, sediados na FFLCH, com os da Universidade Mackenzie, pró-ditadura. Entretanto, embora Boanerges fosse presidente do Mackenzie - a reitora era Esther de Figueiredo Ferraz -, isso nada tinha de religioso, era apenas político, entre estudantes de esquerda e de direita, entre constetadores do regime e apoiadores do golpe militar. Porém, nos meios evangélicos, como contou o reverendo Caio Fábio d Araújo Filho, numa entrevista à Veja, em agosto de 2022, havia nos presbiterianos uma "boagernização", que consistia na perseguição aos seminaristas e pastores de esquerda e inclusive com sua entrega aos militares.
A batalha campal da Maria Antônia
terminou com o antigo prédio da FFLCH
destruído com o uso de coquetéis molotov.
Esse quadro foi tomando forma e crescendo nos meios evangélicos, não só presbiterianos, e se revelou com força e muita influência nos anos que precederam à eleição de Bolsonaro, a ponto de terem sido os evangélicos seus principais eleitores e de atualmente terem posição marcante no Congresso, inclusive com uma bancada fundamentalista, a chamada banca da bíblia.
Nesta altura, é o momento de afirmar ter havido reportagens e mesmo livros denunciando a cumplicidade do governo bolsonarista com os evangélicos, porém não um acompanhamento constante dessa união espúria pela grande imprensa. Entretanto, não se pode ignorar ter sido a BBC Brasil a mídia com mais enfoques no papel dos evangélicos durante o governo Bolsonaro.
Diante da importância desse grupo religioso em crescimento, continua dando destaque com o repórter João Fellet e agora com a jornalista Letícia Mori, como na recente reportagem sobre o ramo evangélico existente entre os traficantes, que dominam as favelas de Parada de Lucas e Vigário Geral. A estrela de Davi foi espalhada nas entradas das favelas, criando o chamado Complexo de Israel. É o narcopentecostalismo, como denominam alguns pesquisadores, surgindo com força. (por Rui Martins)



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