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quinta-feira, 5 de outubro de 2023

EXECUÇÕES NO RIO: PRESTAMOS SOLIDARIEDADE A SÂMIA E GLAUBER E EXIGIMOS RÁPIDA APURAÇÃO DO CRIME!

 


A
té agora a única certeza que podemos tirar da morte dos três médicos na madrugada desta quinta-feira, 05/10, em um quiosque da Barra da Tijuca no Rio é que se trata de uma execução. Não houve anúncio de assalto e o ataque foi direcionado aos alvos com grande precisão. Fora isso, fica em suspenso saber os motivos e fins da bárbara ação, chocante mesmo para os padrões desumanos do Rio de Janeiro. 

Mas seria muita coincidência a presença do irmão da deputada federal Sâmia Bomfim, casada com o também deputado federal Gluber Braga, que é deputado pelo próprio estado do Rio de Janeiro. Chama a atenção de fato de os mortos serem simples médicos participantes de um congresso internacional e, portanto, aparentemente sem qualquer justificativa para esse tipo de execução sumária. 

Fato é que o Rio de Janeiro, sobretudo, é conhecido por crimes políticos, sendo o mais lembrado a morte de Marielle Franco, mas não se restringindo a ele. Apenas esse ano, já foram cerca de três execuções de políticos cariocas, e familiares não raro também são alvos. Para o crime ter por detrás disputas políticas envolvendo a família não de Sâmia, mas de Glauber - a mãe dele já foi prefeita de Nova Friburgo, cidade próxima ao Rio e ele próprio possui forte atuação no Estado - não seria  algo despropositado. 

A ação de milícias e a falta de apuração dos crimes políticos já cometidos ampliam e aprofundam ações desse tipo. Há pouco tempo foi descoberto plano de milicianos para se infiltrarem no Judiciário e no Ministério Público do Rio de Janeiro. Legislativo e Executivo já são largamente dominados. E não podemos esquecer que a grande briga de Bolsonaro com Moro foi porque o ex-juiz não queria permitir a troca do comando da Polícia Federal do Rio por um apaniguado do ex-presidente fujão

O apodrecido capitalismo brasileiro gera cada vez mais espaço para ação de toda sorte de criminosos que ocupam o espaço vago pelo poder regular. Ao mesmo tempo, tais agrupamentos criminais se articulam à burguesia tradicional para explorar setores econômicos vitais, a exemplo dos garimpeiros e madeireiros na Amazônia. Tudo indica que a barbárie se intensificará ao longo do tempo enquanto não for retomado o caminho da revolução. 

Por enquanto, devemos aguardar o andamento das investigações. Contudo, deixamos aqui nossa solidariedade e apoio à deputada Sâmia, ao deputado Glauber e aos familiares e amigos de todas as vítimas desse horrendo atentado. Que dessa vez a justiça possa ser feita de forma célere! (por David Emanuel Coelho) 

A EXECUÇÃO DOS MÉDICOS PODE SER MUITAS COISAS. INCLUSIVE O INÍCIO DE ESCALADA TERRORISTA CONTRA A ESQUERDA EM GERAL

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Nessa manhã de louco
Todo mistério é pouco
Espuma de sangue a brilhar"
(Jards Macalé, Só Morto)
Uma regra de ouro para jornalistas é jamais abraçarem de imediato uma das possibilidades de interpretação de alguma ocorrência que comporta outras. Há chance não desprezível de passarem vexame adiante. 

À primeira vista, o bestial assassinato de três médicos num quiosque da Barra da Tijuca (RJ) parece ser uma retaliação contra o Psol como um todo, contra a deputada federal Sâmia Bonfim em particular, ou contra ambos.

Mas, há uma diferença marcante com relação à execução da vereadora Marielle Franco e seu motorista Anderson Franco: ela não se tornou alvo por ser de esquerda, por militar no Psol, por preconceito racial ou sexual, mas sim porque concretamente combatia as milícias do RJ e denunciava as suas práticas criminosas.

Caso não se comprove que a deputada Sâmia Bonfim ou seu companheiro Glauber Braga estava colocando em risco os negócios dos milícianos de estimação da família Bolsonaro ou a impunidade desse bando ignaro,  a coisa pode ser ainda mais ameaçadora.

Pois, se o motivo da matança tiver sido apenas o fato de uma das vítimas, o ortopedista Diego Ralf de Souza Bomfim, ser irmão de Sâmia, então este poderá ser o começo de uma escalada terrorista contra a esquerda em geral, atingindo, inclusive, parentes, amigos e conhecidos. 

Pior, impossível! Quase um século depois, estaríamos prestes a ver repetidas por aqui as chacinas dos gangsters de Chicago, que não poupavam nem mulheres e crianças em suas retaliações e intimidações. Seria o eclodir do ovo de serpente que o palhaço psicopata chocou durante quatro anos.  

Mas, muita calma nesta hora! 

Antes de  reagirmos ao cenário mais terrível, temos de considerar a possibilidade de que a tríplice execução haja tido outro motivo, desde mero engano na escolha dos alvos até uma queima de arquivo, sabe-se lá por qual motivo. 

O certo é que, parafraseando o saudoso Jards Macalé, a espuma de sangue brilha cada vez mais na manhã deste Brasil de louco. (por Celso Lungaretti) 

quarta-feira, 16 de março de 2022

VEJA O QUE ACONTECE AOS OPORTUNISTAS QUE APOIAM PORCARIAS DE GOVERNOS

matheus pichonelli
DANILO GENTILI VIROU ALVO DOS MESMOS
MONSTROS QUE AJUDOU A ALIMENTAR
Cría cuervos y te sacarán los ojos
A
Secretaria Nacional do Consumidor, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, determinou que os serviços de streaming suspendessem, sob pena de multa diária de R$ 50 mil, a exibição do filme Como se tornar o pior aluno da escola, baseado no livro de Danilo Gentili. 

Com a decisão, o ator e humorista foi colocado no centro de uma trincheira que ajudou a cavar durante anos: a trincheira da guerra cultural. 

Em ano de eleições, essa guerra promoverá ruídos intensos toda que vez que o governo federal se enroscar para explicar o preço da gasolina, a inflação da cesta básica, o orçamento secreto, as rachadinhas, os vexames diplomáticos, os mortos pela covid e a tragédia ambiental.

A exemplo do que aconteceu em 2018, as armas serão apontadas contra inimigos tão perigosos como imaginários, como o tal kit gay e as mamadeiras com formatos estranhos que jamais foram distribuídos pelos proclamados inimigos da família brasileira. É um jogo sórdido, mas conhecido. Quem entrar em campo sabe que precisa levar caneleiras. 

Se teve uma estratégia que de fato funcionou no atual governo foi a asfixia das políticas de incentivo à cultura. Não se vê, como antigamente, senhores e senhoras de Santana munidos de lupas para identificar supostas perversões em filmes, peças e instalações produzidos com verbas públicas ou decorrentes de renúncia fiscal. 

Sobraram para as plataformas de streaming, para as quais, de quando em quando, os cruzados miram suas lanças. Recentemente, Damares Alves, ministra da Família, conseguiu criar caso apontando um suposto incentivo à sexualização precoce num filme da Netflix que criticava a sexualização precoce. 

Há quem desconfie que a ministra não viu o filme até o fim. Ou que não tenha entendido a mensagem. Ou que, vendo e entendendo, achou que seria uma boa oportunidade para recortar e tirar do contexto uma passagem do longa e conseguir nas redes o oxigênio que move a turma: mobilização e engajamento. 
Tudo com base no estímulo ao medo, quase sempre transformado em ódio, das multidões. 

Não teve artista que desde o começo se posicionou contra o governo que não tenha apanhado da turma em algum momento. 

A novidade deste ano é que as lanças já não reconhecem quem é inimigo e quem é antigo aliado. 

Foi o que descobriu Danilo Gentili ao ser acusado de pedofilia desde que seu filme de 2017 entrou no catálogo da Netflix, há algumas semanas. 

A acusação veio à tona após alguém gravar e jogar nas redes um trecho em que um adulto sexualmente perturbado interpretado por Fábio Porchat, que também entrou no radar da patrulha, assedia dois garotos. Na cena, os rapazes reagem ao personagem, didatica e toscamente pintado como vilão  inclusive na hora de se dar mal. 

Mas o recorte da cena, notadamente sem graça (e lá tem graça piada assim?), fez com que o filme passasse a ser interpretado como uma apologia à pedofilia. O suficiente para que o Ministério da Justiça, agora reforçado por um advogado do senador Flávio Bolsonaro na Secretaria do Consumidor, pedisse a remoção do longa da plataforma. 

Gentili chamou o pedido de cortina de fumaça, um espantalho para desviar as atenções em torno de outros problemas, como o aumento dos combustíveis. Ele disse ainda ser alvo de oportunismo e censura. 

O humorista talvez tenha percebido tarde demais que o grande problema de, em algum momento da vida, apoiar fãs da ditadura é a impossibilidade de mudar de ideia sem riscos de se tornar uma vítima dela: antes de ser alvo dos desafetos, ele cansou de promover linchamentos virtuais (como fez com um repórter da Folha de S. Paulo por ter escrito algo sobre seu filme que não lhe agradou) e ataques de todo tipo.

Certa vez, ao receber a notificação de uma ação judicial movida pela então deputada Maria do Rosário, xingada pelo comediante nas redes sociais, ele rasgou o documento e guardou na cueca. 

Ele também arrancou suspiros dos fãs ao distribuir ofensas gordofóbicas contra a deputada Sâmia Bonfim e contra a atriz Thais Carla. 

Os episódios em que se comportou como moleque brigão de colégio são inúmeros. O pior deles talvez tenha sido contra uma mulher que ousou desconfiar de sua inteligência no Twitter. Gentili a chamou de chupadora de rola de genocida corrupto, para aplausos dos amiguinhos da nova direita, uma manada na época disposta a obedecer suas ordens: "Fanzocas a xingue (sic) de puta". 

Seus atuais detratores não criaram nenhuma hashtag em defesa da vítima. Nem quando ele de fato fez apologia ao estupro ao chamar de gênio "o cara que esperou uma gostosa ficar bêbada para transar com ela". 

Na época, Gentili era ídolo da turminha do barulho que acredita (ou finge acreditar) que o grande problema do mundo hoje é a ditadura do politicamente correto

Entre os fãs estava o deputado e pastor Marco Feliciano, que rasgou elogios publicamente ao filme durante seu lançamento e, agora, diz que estava ao telefone bem na cena na qual que ele e seus amigos do gabinete do ódio identificaram o elogio à pedofilia. 

Em tempo: a turma que agora carrega as chamas e os tridentes é a mesma que persegue e tenta invadir o hospital onde uma criança vítima de estupro decide interromper a gravidez, resultado de anos de abusos promovidos por um familiar. 

A cena de Gentili talvez passasse batida pelos olhos do bolsonarismo e seu ministro da Justiça se o humorista tivesse em seu avatar o slogan Deus acima de tudo
Danilo Gentili ouvindo o Bozo contar como se tornou
o pior aluno de todas e quaisquer escolas do Brasil

Ex-apoiador do presidente, a quem deu palanque em seu programa de TV quando ele era ainda um deputado que só falava, não produzia (ainda), absurdos, Gentili mudou de ideia. Já afirmou que o governo é uma porcaria e que Bolsonaro não cumpre o que prometeu. 

As pedras que distribuía em consonância com o capitão agora acertaram sua vidraça –e fez até o cantor e guitarrista Roger Moreira entrar em parafuso ao tentar decidir se apoiava o colega de trabalho ou o ídolo que agora reina em Brasília. 

"O pedófilo é um vilão no filme. Estão fazendo tempestade em cima de uma visão distorcida. Não se sabe nem se é contra Danilo, contra a Netflix ou contra o Porchat. Contra a pedofilia o filme também é. Talvez devesse ser proibido para menores de 18, mas não sou eu o censor", escreveu Roger em seu Twitter. 

O roqueiro e o amigo, assim como os rapazes do MBL e outros influencers que já cantaram em coro com o gabinete do ódio, acabam de descobrir na pele um ponto de não-retorno quando se naturaliza projetos de autocracias.

Tu te tornas eternamente responsável pela besta que alimentas. Inclusive quando os dentes se voltam contra ti. (por Matheus Pichonelli)
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