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sábado, 17 de setembro de 2022

UM MESMO CRISTO, MAS DOIS EVANGELHOS

U
ma estimada amiga de João Pessoa (PB) me presenteou com um livro do conhecido frei Betto, que tem como título Jesus militante

Foi um presente bem oportuno neste momento político do Brasil, onde uma facção de intitulados seguidores de Cristo tomou parte da cena e tem peso suficiente para decidir a eleição presidencial, influir na composição da próxima Câmara Federal, na substituição de um terço do Senado, sem omitir sua influência nas votações estaduais e municipais.

O livro do frei Betto é todo ele baseado no Evangelho de São Marcos, contemporâneo assim como Mateus, Lucas e João de Jesus na época do domínio e controle da Palestina pelos romanos. Ele contou seu convívio com Cristo e transmitiu, nos seus escritos, as mensagens deixadas pelo verdadeiro messias.

É sempre impressionante, quando se trata da figura de Jesus, imaginar-se como uma figura desvinculada do clero dominante da época (dominado e comprometido com os ocupantes romanos), sem poder econômico ou político, ainda subsiste dois milênios depois, exercendo influência tão marcante na sociedade.

Por isto mesmo, muitos historiadores, principalmente nestes últimos dois séculos, deixando de lado sua significação religiosa construída por seus seguidores (dos quais surgiu a Igreja, dividida pela Reforma e subdividida pelos movimentos decorrentes) quiseram ir além dos relatos santificados.

Sem entrar nesta busca, da qual surgiram numerosas escolas, livros e interpretações, me lembro de uma delas, talvez mais conhecida embora menos comentada que A vida de Jesus, do francês Ernest Renan, do Collège de France: trata-se da pesquisa feita pelo humanista franco-alemão Albert Schweitzer, mais conhecido como missionário na África, publicada com o título de A busca do Cristo histórico.
Quem foi Jesus? Existiu mesmo? Teve uma certa importância com seus milagres, suas parábolas, suas declarações, criou algum problema para o Império Romano, foi mesmo punido com a pena de morte? 

Morreu numa cruz ou suas mãos foram pregadas acima da cabeça num madeiro ou estaca? Que tipo de pregação ele fazia?

As perguntas, os debates são muitos e não diminuíram à medida que a religião de Jesus, transformada em cristianismo dado o caráter messiânico assumido, chegou às Américas. 

Do lado hispânico-português, exceto a aceitação de uma parte da cultura, lendas, crendices vindas dos índios e dos escravos africanos, o cristianismo católico pouco mudou até meados do século 20.

Entretanto, os ingleses levaram para a América do Norte um protestantismo puritano e anglicano em transformação e ruptura, que se transformou diante das mudanças sociais estadunidenses, crescimento econômico, guerra da secessão (que não solucionou a questão racial imanente). Do dito cujo surgiram as vertentes neopentecostais, que as distinguem das luteranas e calvinistas europeias por serem uma espécie de refundação do cristianismo original pregado por Jesus. 

Tal cristianismo é substituído por uma mistura com o judaísmo dos profetas e a substituição da linguagem pacífica do cristianismo nascente pela recuperação da linguagem guerreira dos reis, dos nacionalistas monoteístas e do próprio deus Jeová contra os vizinhos idólatras. 

No fundo, é o cristianismo do western, da sobrevivência dos imigrantes brancos contra a população autóctone indígena.

É esse cristianismo neopentecostal branco evangélico que se transformou no principal suporte do capitalismo estadunidense e que hoje apoia Donald Trump e novamente ameaça os Estados Unidos de secessão.

E aqui chegamos aos dois Evangelhos vindos do mesmo Jesus, do mesmo Cristo.

O evangelismo neopentecostal brasileiro, cuja doutrina conservadora, machista, agressiva e guerreira já foi adotada por uma questão de sobrevivência pelas denominações protestantes tradicionais, é o filho dileto do neopentecostalismo dos EUA. 

Ele não se preocupa com a situação de pobreza de seus seguidores, citando duas frases do próprio Jesus: Os pobres, sempre os tereis convosco e O meu reino não é deste mundo. Sua pregação básica é o reino dos céus, para depois da morte.

O capitalismo, com suas desigualdades sociais, não é nenhum problema para os novos guerreiros cristãos –Silas Malafaia, Edir Macedo, Cláudio Duarte, Marco Feliciano, etc.– que oferecem aos seus seguidores o Evangelho da Prosperidade, sem uma discussão social sobre de onde poderia advir essa enganadora e quimérica abastança econômica.

O Jesus Militante do frei Betto é pelo evangelho da Teologia da Libertação, também defendido por Leonardo Boff, segundo o qual a preferência teológica do cristianismo é pelos pobres e pelo fim da desigualdade social. 

Sem gabinete do ódio e sem a linguagem guerreira do bem contra o mal, que poderá justificar todos os excessos e crimes depois das eleições. (por Rui Martins)

sábado, 21 de novembro de 2020

NEM EVANGÉLICOS ESTAVAM A SALVO DAS CAÇAS ÀS BRUXAS NOS ANOS DE CHUMBO

Foto de Anivaldo Padilha ilustrando chamada da revista IstoÉ (junho/2011)
rui martins
TEREMOS UMA ESQUERDA EVANGÉLICA NO BRASIL?
Diante do crescimento dos evangélicos no Brasil e de sua atual interferência na vida pública e política do país, não se limitando portanto aos sermões e hinos nas igrejas, seria oportuno saber em que direção agem os chamados homens e mulheres de Deus.

Para isto, seria importante separar as igrejas evangélicas tradicionais, implantadas no Brasil há mais de um século (como as presbiterianas, metodistas, batistas, chamadas de protestantes tradicionais), dos movimentos evangélicos mais recentes, derivados do pentecostalismo estadunidense, introduzido no Brasil no começo do século passado e representado pelas igrejas Congregação Cristã, Assembleia de Deus e, mais recentemente, a Igreja Universal.

De maneira geral, os evangélicos tradicionais pertencem à classe média ou com uma renda mensal de três salários mínimos, enquanto os evangélicos recentes se compõem de igrejas populares, congregando, na quase totalidade, fiéis de baixa renda ou pobres. 

Talvez por isto sintam-se atraídos pela doutrina básica evangélica, o Evangelho da Prosperidade (ou seja, numa melhora econômica de vida propiciada por Deus aos seus seguidores).

A Igreja Presbiteriana chegou ao Brasil pelo missionário estadunidense Ashbel Green Simonton, na metade do século 19; em meados do século passado, já possuía dois conhecido deputados estaduais por São Paulo, Osny Silveira e Camilo Ashcar. Advogado, eleito em grande parte pelos presbiterianos, o segundo era da UDN, partido da elite paulistana visceralmente oposto aos trabalhistas.

Pouco antes do golpe militar de 1964, o Brasil fervia com o movimento pelas reformas de base, durante a presidência de João Goulart. Era a discussão de medidas sociais necessárias para acabar com a miséria e a desigualdade social na sociedade brasileira. 

Tal efervescência chegou até à juventude das igrejas protestantes, geralmente nas capitais como São Paulo, Rio, Recife e Belo Horizonte.

Talvez pela primeira vez, os jovens líderes presbiterianos que dirigiam a União da Mocidade Presbiteriana ousaram propor no seu congresso nacional e na sua revista nacional, Mocidade, uma variante aos costumeiros textos religiosos de salvação eterna pela crença em Cristo –um outro tipo paralelo de salvação da miséria e da inegabilidade social pelas reformas de base.

Isto acabou provocando um golpe dentro da Igreja, determinado pelo Supremo Concílio Presbiteriano: foi extinta a Confederação da Mocidade, anulados os congressos nacionais da Mocidade, fechada a revista Mocidade e demitidos os seus funcionários. Alegou-se suspeição de desvios políticos de esquerda, termo não muito utilizado na época, preferia-se chamar de comunista.

Logo a seguir, houve praticamente uma intervenção nos seminários presbiterianos com demissão dos seminaristas suspeitos de apoiarem o movimento pelas reformas de base, acusados de criptocomunistas. Uma figura se destacou nessa caça aos esquerdistas, o reverendo Boanerges Ribeiro, que chegou a ser diretor do Instituto Mackenzie.

Entre os metodistas, o jovem jornalista Anivaldo Padilha (foto no topo) foi preso no Rio de Janeiro, denunciado pelo bispo e pastor metodista de sua igreja como comunista, José e Isaias Sucasas. Preso e torturado, conseguiu se exilar.

Seu filho, Alexandre Padilha, foi mais tarde ministro no governo de Dilma Roussef. O depoimento que prestou à Comissão da Verdade e sua história, juntamente com a de outros denunciados e perseguidos pelas igrejas protestantes na época da ditadura militar, foram enfocados em longa reportagem da revista IstoÉ  na primeira quinzena de junho/2011. 

Poderíamos terminar afirmando não existirem evangélicos de esquerda no Brasil. Mas seria esquecer de João Dias de Araújo, pastor da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo, já falecido, um dos expulsos do seminário de Recife, autor do livro Inquisição sem Fogueiras.

Além de pregar a participação de cristãos na luta por conquistas sociais, ele se destacou também por haver composto a letra do hino religioso de fundo social cantado na sua igreja, Que estou fazendo, no qual uma estrofe diz:
"Há muita fome no meu país/ Há tanta gente que é infeliz/ Há criancinhas que vão morrer/ Há tantos velhos a padecer/ Milhões não sabem como escrever/ Milhões de olhos não sabem ler/ Nas trevas vivem sem perceber/ que são escravos de um outro ser/ Que estou fazendo se sou cristão/ se Cristo deu-me o seu perdão?"
São minoritários, mas há dentro do protestantismo tradicional religiosos de esquerda.

E agora, no seio do evangelismo popular recente, um dos sustentáculos e apoios do presidente Bolsonaro, de ideologia nazifascista? Tirando-se a Marina Silva, declaradamente de esquerda, não deve haver.
A própria ideologia, o Evangelho da Prosperidade, de concepção capitalista, uma espécie de negócio ou acordo lucrativo com Deus, elimina o conceito de esquerda, em favor de uma teologia popular individualista. Ao contrário de esquerda, é um incentivo aos movimentos de extrema-direita.

Na Alemanha dos anos 30, Adolf Hitler organizou uma Igreja Cristã Alemã, que o apoiou na guerra. A maioria aceitou, mas, felizmente, nem todos. E havia o teólogo Karl Barth. 

Desgraçadamente, aqui no Brasil não temos Karl Barth, mas sim Edir Macedo e Silas Malafaia apoiando um governo nazifascista.

Não, não há um evangelismo popular de esquerda no Brasil! (por Rui Martins)

segunda-feira, 6 de abril de 2020

CARTA DO RUI MARTINS AO PRIMO QUE O QUER CONVERTER EM EVANGÉLICO

Meu querido primo, 

temos trocado ideias  por WhatsApp sobre a quarentena ou confinamento: se o presidente Bolsonaro tem razão ou não em querer soltar o pessoal nas ruas com o risco de pegarem o coronavírus. Certo?

Nisso você me surpreendeu. E me citou e enviou um versículo da Bíblia, Salmo 91, no qual se lê que não devemos temer nada quando estamos com Deus.

Temer o que? No caso, imagino que seria o coronavírus. E como eu havia citado o presidente Bolsonaro no meio de pessoas em Brasília, a conclusão seria (me corrija se não for): mais forte do que as recomendações da OMS contra o vírus é a proteção de Deus. 

Bolsonaro está com Deus, então nada lhe acontecerá porque tem a proteção divina. E, por tabela, as pessoas tementes a Deus que se aglomeraram com ele naquele domingo não precisam temer o vírus, porque são também protegidas por Deus.

É isso mesmo que você quis me dizer? Tem certeza?
"diabo é o Bolsonaro, disfarçado em anjo de luz!!!"
Tudo bem. A seguir, você me pede para me arrepender dos meus pecados porque ainda há tempo. Que Deus me ama, que devo me converter. Que ele me protegerá do mal e da peste. Imagino, do coronavírus.

Fico imensamente grato por me falar isso, imagino que muitas pessoas estarão recebendo também tal mensagem nas igrejas e nos cultos em presença ou online. 

Se estiverem dentro de uma igreja com 50, 100, 200 fiéis, falando aleluia e cantando hinos, podem ficar tranquilos que não serão contaminados mesmo se o vírus estiver circulando no ar ou quando se derem as mãos. Admiro a sua fé, a ponto de colocar a vida em perigo!

Por volta do ano 1340, não havia ainda os evangélicos, eram os católicos que pregavam o cristianismo na Europa. E, de repente, vinda da Ásia e transmitida por ratos e pulgas, apareceu uma doença estranha, que provocava altas febres, criava gânglios ou inchaços na virilha e provocava a morte. Naquela época, não havia os cuidados de higiene de hoje, nem água encanada, nem se tomava banho de chuveiro e nem as roupas ficavam limpas nas máquinas de lavar.

Diante de tanta gente doente e das mortes que começavam, as igrejas ficavam cheias e, sem ninguém suspeitar do porquê, aumentavam as contaminações. Havia rezas, missas, cânticos, os pecadores se arrependiam, faziam penitências; os padres exorcizavam Satanás. 

Naquela época, não havia vacina, nem remédios, ninguém pensou em isolar a população num confinamento. A situação lembrava muito a agora existente com o coronavírus, mas a doença tinha outro nome: era a peste negra.

"a situação lembrava a agora existente com o coronavírus"
E, como sempre acontece, apareceram os charlatões, os vendedores de indulgências ou perdões para os doentes e para os que temiam ficar doentes. Muitos davam tudo quanto possuíam à Igreja, para se livrar da peste. E a Igreja Católica ficou muito rica, muito poderosa, porque era a única que tinha a chave para levar os homens a Deus.

A peste negra durou uns 40 anos, mas teve recorrências por quatro séculos. Morreram muitas e muitas pessoas, metade da população da época na Europa. A Igreja Católica era tão forte que vendia o céu, o perdão, o paraíso para os pecadores. E havia crédulos, tantos crédulos que aceitavam, acreditavam, rezavam, faziam penitências, pagavam e sentiam-se protegidos.

Foi nesse quadro que surgiu um monge, na Alemanha, revoltado com tanta exploração. Era Martinho Lutero, e com ele veio a Reforma. O mundo começou a mudar. Logo surgiram outros reformadores, como Calvino, e a mensagem principal era a salvação pela fé, sem a exploração dos fiéis pelo clero, pelo Vaticano, pelos padres.

Foi a Reforma que abriu as portas para os fiéis lerem a Bíblia, mas não só a Bíblia, e se libertarem da interpretação tendenciosa da Igreja Católica da época, a pensarem por si próprios. 

Dessa liberdade, que acabou com a chamada Idade Média, surgiu um novo conceito de ser humano e o Estado laico, sem ligação com as diferentes religiões e crenças. E se desenvolveram a literatura, a filosofia e o livre pensamento. 

Dessa separação da igreja surgiu o mundo moderno.
"surgiu um monge [Lutero] revoltado com tanta exploração"
Isso foi forte na Europa, mas nos países distantes essa mudança nem sempre chegou com a mesma força. 

Na América Latina, a educação e a cultura nunca foram para todos. O povo sempre teve apenas um mínimo; no Brasil, a Igreja Católica sempre dominou e fora das capitais a religião sempre se misturou com crendices. A religião convivia com pobreza, ignorância e miséria. E se misturava com as religiões africanas. 

Foi quando surgiu uma novidade: dizendo-se evangélicos, mas sem ter nada a ver com os protestantes já existentes no Brasil, surgiu o Evangelho da Prosperidade, uma maneira diferente de ser cristão. A nova moda exportada e apoiada pelos Estados Unidos pegou e cresceu, e hoje seus fiéis seguidores equivalem a 30% da população – em 2050, serão mais que os católicos.

Diversas variantes existem e algumas garantem a cura divina e também o sucesso econômico. Os pastores não fazem seminário nem curso de teologia, alguns pregam o Evangelho como faziam os vendedores ambulantes de barbatanas para colarinhos na Praça da Sé. E as pessoas acreditam.

É claro que fiquei surpreso com sua mensagem, primo. Simples, direta. Nunca imaginei assim o Evangelho. Essa interpretação literal de alguns versículos da Bíblia me é estranha. Sei que você foi universitário, teve acesso à literatura, deve ter estudado um pouco de filosofia.

Se você pede para eu fazer, deve ter feito. Você se arrependeu e se converteu. Mas, primo, se arrependeu do quê? Tinha tantos pecados assim? Não acredito, sempre foi um jovem de bons princípios. Bom, mas se lhe faz bem, tudo certo. Entretanto, isso me parece pouco diferente das crendices e superstições.

A reunião contaminadora no Haut Rhin: como uma bomba  
E vou lhe contar uma coisa que vi e ouvi agora há pouco na TV francesa. Deus não protege ninguém desse coronavírus. Não seja tolo, nem inocente – a contaminação, na França, veio de uma reunião de 1.500 pessoas numa comunidade evangélica, a Igreja da Porta Cristã Aberta, na região do Haut Rhin. 

Os médicos dizem que foi como uma bomba – os casos de vírus vieram das pessoas que saíram desse culto, igreja lotada, com muita gente já contaminada e contaminando.

Se você quer acreditar em Deus, tudo bem, ninguém é proibido de ter fé. Mas não acredite no Bolsonaro como se fosse um enviado de Deus. Esse sujeito que gosta de armas não merece sua fé,  nem a de ninguém. E também não acredite em tudo quanto dizem os pastores. Você me parece crédulo!

Você precisa acreditar em alguma coisa? Tudo bem. Eu não preciso. Vivo bem sem a figura de um pai celestial ou Deus. Se eu tivesse de me arrepender, como você disse, nem sei do que seria. Não acredito nem em céu, nem em inferno. Nem em Deus, nem no diabo. Diabo é o Bolsonaro, disfarçado em anjo de luz!!!

Não tenho medo da morte, acho coisa normal. Mas acho um crime Bolsonaro menosprezar a vida do povo brasileiro em favor da economia, sem querer proteger as pessoas como se está fazendo na Europa. Se houvesse Deus, juro que Bolsonaro seria punido.

A Bíblia é um belo livro, com belas histórias, mas existem também outros livros para ler. Não se fixe só na Bíblia. E, importante – não pense que seu pastor detém a verdade. Ele é como qualquer um de nós, só que é metido a dizer que está perto de Deus. Como não existe Deus, é um mentiroso que vive da credulidade dos outros.

"esse sujeito que gosta de armas não merece sua fé"
Me desculpe ser franco, mas você é um jovem inteligente, não se deixe enganar. 

Nós, os ateus (toda minha família é ateia), nós vivemos bem, somos felizes, não somos pecadores, somos pessoas leais, corretas e defensoras dos direitos humanos. 

Melhor do que o cristão Bolsonaro, não temos armas e nem queremos tê-las; achamos que são dignos de nosso amor e respeito tanto os negros como os amarelos, os homossexuais e os pobres. 

Para nós, esta vida humana é suficiente, não precisamos ter céu, nem nos ajoelhar diante do que não existe.

Grande abraço, não quero lhe converter, não tenho igreja; só esclarecer.

Seu primo Rui.
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