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quarta-feira, 30 de março de 2022

PRAGMATISMO POLÍTICO COSTUMA SER DESCULPA PARA ATOS ESPÚRIOS – 2

(continuação deste post)
Eis a obra do Geraldo Alckmin (agora vice do Lula) que o povo de São Paulo nunca
 esquecerá: 
o massacre do Pinheirinho, que fez o lar de 6 mil pobres coitados...
 
N
este contexto, é fichinha regional a aliança da desbotada estrela socialista do PT com quem era, até outro dia, o representante político mais destacado da Opus Dei: o picolé de chuchu, agora convertido num socialista do PSB.... 

Tal metamorfose é uma daquelas que costumam ocorrer em ano eleitoral, meras consequências do apego inescrupuloso ao poder político burguês em fase de decadência. 

Aliás, alianças espúrias do PT, umas por outras, vale lembrar:
— a antiga parceria com José Alencar, que era do PL do Valdemar Costa Neto, condenado no processo do mensalão;
— o PL que hoje recebe, como candidato filiado, Boçalnaro, o ignaro, que antes era o paladino do combate à corrupção, de mãos dadas com Sérgio Moro;
— Moro que brigou com quem beneficiara e agora é outro dos presidenciáveis, etc. Ufa! 
...virar escombros. Para quê? Para nada. 10 anos após 
a reintegração de posse, não passa de área abandonada!
 

A aliança com o José Alencar era até menos perniciosa do que a atual, porque ele não passava de um idoso capitalista simpático e bonachão, que queria apenas acrescentar ao seu currículo empresarial a glória de ser presidente da República; serviu, contudo, para demonstrar quão incoerente é a busca de migalhas de poder por parte dos representantes políticos do capital e dos que dizem falsamente combatê-lo.     

Mas, isto nem sequer é novidade. 

O que dizer de Luiz Carlos Prestes, dirigente máximo do Partido Comunista Brasileiro, ter subido em 1950 no palanque do ditador Getúlio Vargas, que em 1936 consentira na deportação para a Alemanha Nazista de sua mulher, a comunista alemã Olga Benário, grávida dele e que acabaria sendo executada em 1942 na câmara de gás do campo de extermínio de Bernburg (Anita Leocádia Prestes, a filha, seria salva pelas pressões da opinião pública e de instituições internacionais)? 

O que dizer de quem, curvando-se à lógica capitalista, retira do trabalhador direitos previdenciários em nome da governabilidade, alegando que é preciso salvar o Estado e a meta fiscal; ou pior, defende a redução direitos para reduzir custos de produção e, assim gerar riqueza supostamente para o bem do próprio trabalhador (tentando convencer a vítima de que ela é culpada por seu próprio infortúnio)?  

Pragmatismo político costuma ser desculpa para atos e comportamentos espúrios, nos quais a injustiça é praticada em nome da busca de uma pretensa justiça maior e mais abrangente que nunca se realiza. 
O cavaleiro da esperança olha, deslumbrado, para o pai dos pobres. Teria
 esquecido quem deixou 
Olga Benário ser deportada para os braços de Hitler e com
 ordens de quem o carrasco Filinto Müller torturava os camaradas do PCB?
Na guerra se justifica a explosão de bombas atômicas como as de Hiroshima e Nagasaki, que mataram algo entre 150 mil e 250 mil pessoas só nos quatro primeiros meses, afora a morte lenta das vítimas da radioatividade cancerígena. Justificadas como necessárias para evitar mais mortes de estadunidenses diante da resistência nipônica (em frangalhos), as bombas foram, soube-se depois, principalmente demonstrações de força para intimidar o premiê soviético Joseph Stalin  

É que, sob a lógica belicista do capital, quando se tem potencial político-militar de dominação, nunca se deixa de utilizá-lo.

Ao analisarmos o comportamento do Japão, ávido por uma expansão vital de suas fronteiras estreitas numa próspera ilha, verificamos quão mesquinho é o sentimento nacional-capitalista de relação entre os povos. 
Militarmente desnecessários, os bombardeios atômicos
do Truman foram apenas uma forma de intimidar Stalin

Ao analisarmos  comportamento nacional-capitalista dos EUA, verificamos que há uma mesma base comportamental negativa que tudo justifica e que comanda a ação dos homens: a lógica inumana do capital.       

Isto é o pragmatismo político-sistêmico. que justifica a prática de injustiças em nome de uma pretensa busca da realização da justiça, e que termina por tudo deformar, tal qual o uso contínuo do cachimbo sempre acaba por entortar a boca.

Há que termos um pensar fora da caixa, de modo a que os pressupostos limitadores de questões colocadas por premissas equivocadas não nos brutalizem nem nos idiotizem, tornando-nos marionetes de uma lógica a que seguimos como zumbis.

Quando leio ou ouço o noticiário sobre as atuais pesquisas eleitorais, avidamente acompanhadas por muitos como se fossem um Fla-Flu, fico tão constrangido (e enfastiado) como alguém que é obrigado a cumprir uma ordem que sabe ser injusta sob pena de receber uma severa punição. 

Felizmente, já que manda quem pode mas só obedece quem não tem juízo, eu não voto! 

Como dizia Drummond, as coisas são muitos fortes, mas eu não sou as coisas e me revolto. (por Dalton Rosado)
O Dalton não deixa por menos: também em música ele
expressou sua indignação com a invasão da Ucrânia.

sábado, 30 de outubro de 2021

ARTIGO POLÊMICO DO DEMÉTRIO MAGNOLI LEVANTA QUESTÕES IMPORTANTES, MAS SUAS RESPOSTAS DEIXAM A DESEJAR

demétrio magnoli
ESQUERDA UNIVERSITÁRIA
Mágica besta: agora o mundo todo passou a ver os pais
fundadores
dos EUA como senhores de escravos...
 
A
Câmara de Nova York removeu de suas instalações a estátua de Thomas Jefferson (foto), sob a acusação de que o autor principal da Declaração de Independência era proprietário de escravos –como, aliás, 5 dos 7 pais fundadores

O banimento derivou da pressão do grupo de legisladores negros e latinos, que pertencem ao Partido Democrata. O degredo de Jefferson explica a força política de Trump.

A revista The Economist acaba de publicar um gráfico construído por Gethin et al. que sintetiza a mudança nos padrões de voto segundo o nível educacional dos eleitores entre 1950 e 2010.

Em 5 das 6 democracias analisadas (EUA, Reino Unido, Alemanha, França e Nova Zelândia), verifica-se uma tendência histórica implacável: o deslocamento para a esquerda dos mais escolarizados e um deslocamento simétrico dos menos escolarizados. O Canadá figura como exceção parcial à regra, mas apenas porque sua esquerda sempre teve sólidas bases na classe média urbana.

No passado, entre as décadas de 1950 e 1970, os partidos de esquerda e centro-esquerda controlavam majoritariamente o voto da população de menor nível educacional –ou seja, da classe trabalhadora.

Por outro lado, os partidos de centro-direita e direita venciam largamente entre as camadas de maior escolaridade –ou seja, na classe média e na elite. O padrão inverteu-se na década de 1990 e continua a infletir em curva acentuada: o diploma universitário tornou-se o maior indicador estatístico do voto à esquerda.
Já existia "cancelamento" na URSS de Stalin: personagens
eram apagados das fotos históricas, como Trotsky desta aqui
 
Marx revira-se, inquieto, no seu túmulo. Atualmente, os partidos à esquerda representam as classes médias urbanas, educadas e cosmopolitas, enquanto os partidos à direita assentam-se nos trabalhadores, na baixa classe média e nas pequenas cidades. O fenômeno ocorre, um pouco atenuado, até no Reino Unido, onde o Partido Trabalhista espelha as organizações sindicais.

Suspeito que a raiz da reversão encontre-se na resposta formulada pela esquerda à queda do Muro de Berlim. Confrontados com o avanço das políticas econômicas liberais, os partidos à esquerda fugiram do campo de batalha central, entrincheirando-se às suas margens, nas agendas identitárias e de valores.

Nos EUA, os democratas redefiniram-se como partido das minorias e adotaram as pautas identitárias oriundas do meio universitário. Na Europa, os social-democratas e seus concorrentes mais à esquerda concentraram-se em temas como os direitos das mulheres, da comunidade LGBT e dos imigrantes. As correntes populistas de direita aproveitaram a oportunidade histórica, apostando nos ressentimentos dos órfãos da globalização.

A esquerda enxerga a política através das lentes de seus novos dogmas –e, nesse passo, revela-se incapaz de decifrar suas derrotas.

Trump não venceu por entoar o hino God, guns, gays, mas por iludir os brancos sem diploma universitário com a canção de ninar do nacionalismo econômico.

A direita nacionalista europeia não se nutre de um suposto ódio atávico aos estrangeiros, mas da falsa conexão entre imigração e desemprego. 

"É a economia, estúpido!": o populismo de direita ocupou cidadelas desertas, abandonadas por uma esquerda que decidiu fechar-se num gueto, dialogando exclusivamente no interior de bolhas culturais.
Lula sempre gostou de ser comparado a Vargas, cuja
ditadura foi quase tão bestial quanto a dos generais
 

O Brasil não se encaixa no gráfico dos deslocamentos eleitorais. O PT resistiu às intempéries porque –ao contrário do PSOL– só adotou as pautas identitárias como adereços secundários, usados em dias festivos.

Sob o timão de Lula, persistiu no discurso do Estado-Protetor, agarrando-se aos estandartes do populismo econômico. O lulopetismo nunca confessará, mas sabe que a derrota de 2018 derivou da recessão provocada pelo governo Dilma, não da guerra cultural primitiva deflagrada pelo olavo-bolsonarismo.

Os democratas exilaram a estátua de Jefferson. O PT ajoelha-se diante da estátua de Vargas. (por Demétrio Magnoli)
TOQUE DO EDITOR – Ao contrário da maioria dos blogueiros de esquerda, prefiro mil vezes publicar um artigo com vários pontos questionáveis, que convide à reflexão, do que meros textos ecumênicos que se limitam a reiterar os clichês esquerdistas em voga naquele momento.

O Magnoli é um bom exemplo: os que preferem simplesmente cancelá-lo perdem uma ótima oportunidade para exercitar o raciocínio crítico. 

Reduzindo-se a um clubinho de maria-vai-com-as-outras, a esquerda perde a própria razão de ser. Definha e morre.

Morre como morreu o PT, enquanto força transformadora da sociedade, no exato instante em que, direcionado pelo timão do Lula, passou a renegar 1968 e o pós-1968.  Ou seja, quando tomou definitivamente o rumo do passado, acabando por ajoelhar-se diante da estátua de Vargas ao tentar exumar o nacional-desenvolvimentismo no catastrófico primeiro mandato da Dilma...

Continua, claro, sendo uma postura melhor do que a da extrema-direita bolsonarista, que se ajoelha diante de Plínio Salgado, Filinto Müller, Brilhante Ustra e, às vezes, recua tanto no tempo que cai no colo do Torquemada. 
Não será exagero atirar sobre os identitários tanta culpa
pela entrada em cena de uma ultradireita populista?

 
Mas, com relação a esses dois presidenciáveis de 2022 que miram a História com a nuca, a única opção consequente é os deixarmos para trás sonhando com seus respectivos
velhos bons tempos e seguirmos para a frente, botando de novo o pé nessa estrada, pois nada será como antes amanhã...

De resto, exatamente para que o artigo do Magnoli cumpra o papel de estímulo à reflexão, não publicarei agora minhas considerações a respeito dele. E espero que na próxima semana, quando puser mãos à obra, não seja o único a fazê-lo... (por Celso Lungaretti

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

O BOZO PENSA QUE SALVARÁ SEU MANDATO GENOCIDA COM AS AQUISIÇÕES DE HOJE. SÓ QUE ESTÁ COMPRANDO PASTEL DE VENTO...

Sua Exª Torturador: Filinto Müller presidiu o Senado 
Hoje  é dia de leilão legislativo: quem pagar mais levará as presidências do Senado e da Câmara Federal, para nelas instalar seus paus mandados, aos quais caberá honrar as tradições de: 
— Filinto Müller (o torturador-mor da ditadura getulista, cujas atrocidades foram relatadas pelo jornalista David Nasser no livro Falta alguém em Nuremberg, o que não impediu de o considerarem digno de presidir o Senado em 1973, para servir a outra ditadura assassina); e
— Eduardo Cunha (2015/2016), corrupto com carteirinha assinada, que tentou salvar-se da Justiça pautando o impeachment da Dilma, mas acabou perdendo o mandato, a aposentadoria e a liberdade.

Pelo andar da carruagem, o mais provável é que os novos presidentes, arrematados pelo palhaço sinistro, sejam da estirpe dos acima citados, e não da de João Goulart e Ulysses Guimarães, que pelo menos tiveram alguns bons momentos. 

De resto, o Bozo parece aqueles piores alunos da classe,  que assistem às aulas mas não aprendem absolutamente nada.
Eduardo Cunha, um presidente da Câmara inesquecível...
Ele está enterrando o Brasil ainda mais na depressão econômica para comprar, com um
toma lá dá cá descarado de verbas e cargos em troca de cumplicidade legislativa (fala-se que o custo da operação para a viúva foi de 5 bilhões de reais!), dois sujeitos que, se hoje estão se vendendo repulsivamente a ele, amanhã se venderão repulsivamente a quem quiser derrubá-lo, desde que seja alguém com maiore$ mérito$.

Ou seja, o Bozo adquire, a peso de ouro de verdade, um pastel de vento, um ouro de tolo que de nada lhe servirá quando os donos do PIB resolverem afastá-lo por ser nocivo aos negócios.

Só idiotas não percebem que o melhor negócio do mundo, para uma republiqueta das bananas com elefantíase (nosso caso) é pegar algumas sobras do pacote de investimentos ambientais que EUA e Europa vão desencadear para reativar as atividades econômicas, na linha do Plano Marshall nos anos subsequentes à 2ª Guerra Mundial.

Os poderosos da economia não são idiotas e logo vão tirar do caminho os estorvos que se antepõem entre eles e o pote de ouro que já vislumbram no fim do arco-íris.

Mas, como perfeito idiota que é, o Bozo acredita que salvará seu mandato genocida com as
aquisições atuais... 

Não só vai ser expelido quando o poder econômico bem entender, como decepciona as últimas reses da sua boiada, ao passar recibo de que suas promessas de uma nova política não passavam de um grotesco estelionato eleitoral... 
(por Celso Lungaretti 
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