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sábado, 30 de outubro de 2021

ARTIGO POLÊMICO DO DEMÉTRIO MAGNOLI LEVANTA QUESTÕES IMPORTANTES, MAS SUAS RESPOSTAS DEIXAM A DESEJAR

demétrio magnoli
ESQUERDA UNIVERSITÁRIA
Mágica besta: agora o mundo todo passou a ver os pais
fundadores
dos EUA como senhores de escravos...
 
A
Câmara de Nova York removeu de suas instalações a estátua de Thomas Jefferson (foto), sob a acusação de que o autor principal da Declaração de Independência era proprietário de escravos –como, aliás, 5 dos 7 pais fundadores. 

O banimento derivou da pressão do grupo de legisladores negros e latinos, que pertencem ao Partido Democrata. O degredo de Jefferson explica a força política de Trump.

A revista The Economist acaba de publicar um gráfico construído por Gethin et al. que sintetiza a mudança nos padrões de voto segundo o nível educacional dos eleitores entre 1950 e 2010.

Em 5 das 6 democracias analisadas (EUA, Reino Unido, Alemanha, França e Nova Zelândia), verifica-se uma tendência histórica implacável: o deslocamento para a esquerda dos mais escolarizados e um deslocamento simétrico dos menos escolarizados. O Canadá figura como exceção parcial à regra, mas apenas porque sua esquerda sempre teve sólidas bases na classe média urbana.

No passado, entre as décadas de 1950 e 1970, os partidos de esquerda e centro-esquerda controlavam majoritariamente o voto da população de menor nível educacional –ou seja, da classe trabalhadora.

Por outro lado, os partidos de centro-direita e direita venciam largamente entre as camadas de maior escolaridade –ou seja, na classe média e na elite. O padrão inverteu-se na década de 1990 e continua a infletir em curva acentuada: o diploma universitário tornou-se o maior indicador estatístico do voto à esquerda.
Já existia "cancelamento" na URSS de Stalin: personagens
eram apagados das fotos históricas, como Trotsky desta aqui
 
Marx revira-se, inquieto, no seu túmulo. Atualmente, os partidos à esquerda representam as classes médias urbanas, educadas e cosmopolitas, enquanto os partidos à direita assentam-se nos trabalhadores, na baixa classe média e nas pequenas cidades. O fenômeno ocorre, um pouco atenuado, até no Reino Unido, onde o Partido Trabalhista espelha as organizações sindicais.

Suspeito que a raiz da reversão encontre-se na resposta formulada pela esquerda à queda do Muro de Berlim. Confrontados com o avanço das políticas econômicas liberais, os partidos à esquerda fugiram do campo de batalha central, entrincheirando-se às suas margens, nas agendas identitárias e de valores.

Nos EUA, os democratas redefiniram-se como partido das minorias e adotaram as pautas identitárias oriundas do meio universitário. Na Europa, os social-democratas e seus concorrentes mais à esquerda concentraram-se em temas como os direitos das mulheres, da comunidade LGBT e dos imigrantes. As correntes populistas de direita aproveitaram a oportunidade histórica, apostando nos ressentimentos dos órfãos da globalização.

A esquerda enxerga a política através das lentes de seus novos dogmas –e, nesse passo, revela-se incapaz de decifrar suas derrotas.

Trump não venceu por entoar o hino God, guns, gays, mas por iludir os brancos sem diploma universitário com a canção de ninar do nacionalismo econômico.

A direita nacionalista europeia não se nutre de um suposto ódio atávico aos estrangeiros, mas da falsa conexão entre imigração e desemprego. 

"É a economia, estúpido!": o populismo de direita ocupou cidadelas desertas, abandonadas por uma esquerda que decidiu fechar-se num gueto, dialogando exclusivamente no interior de bolhas culturais.
Lula sempre gostou de ser comparado a Vargas, cuja
ditadura foi quase tão bestial quanto a dos generais
 

O Brasil não se encaixa no gráfico dos deslocamentos eleitorais. O PT resistiu às intempéries porque –ao contrário do PSOL– só adotou as pautas identitárias como adereços secundários, usados em dias festivos.

Sob o timão de Lula, persistiu no discurso do Estado-Protetor, agarrando-se aos estandartes do populismo econômico. O lulopetismo nunca confessará, mas sabe que a derrota de 2018 derivou da recessão provocada pelo governo Dilma, não da guerra cultural primitiva deflagrada pelo olavo-bolsonarismo.

Os democratas exilaram a estátua de Jefferson. O PT ajoelha-se diante da estátua de Vargas. (por Demétrio Magnoli)
TOQUE DO EDITOR – Ao contrário da maioria dos blogueiros de esquerda, prefiro mil vezes publicar um artigo com vários pontos questionáveis, que convide à reflexão, do que meros textos ecumênicos que se limitam a reiterar os clichês esquerdistas em voga naquele momento.

O Magnoli é um bom exemplo: os que preferem simplesmente cancelá-lo perdem uma ótima oportunidade para exercitar o raciocínio crítico. 

Reduzindo-se a um clubinho de maria-vai-com-as-outras, a esquerda perde a própria razão de ser. Definha e morre.

Morre como morreu o PT, enquanto força transformadora da sociedade, no exato instante em que, direcionado pelo timão do Lula, passou a renegar 1968 e o pós-1968.  Ou seja, quando tomou definitivamente o rumo do passado, acabando por ajoelhar-se diante da estátua de Vargas ao tentar exumar o nacional-desenvolvimentismo no catastrófico primeiro mandato da Dilma...

Continua, claro, sendo uma postura melhor do que a da extrema-direita bolsonarista, que se ajoelha diante de Plínio Salgado, Filinto Müller, Brilhante Ustra e, às vezes, recua tanto no tempo que cai no colo do Torquemada. 
Não será exagero atirar sobre os identitários tanta culpa
pela entrada em cena de uma ultradireita populista?

 
Mas, com relação a esses dois presidenciáveis de 2022 que miram a História com a nuca, a única opção consequente é os deixarmos para trás sonhando com seus respectivos
velhos bons tempos e seguirmos para a frente, botando de novo o pé nessa estrada, pois nada será como antes amanhã...

De resto, exatamente para que o artigo do Magnoli cumpra o papel de estímulo à reflexão, não publicarei agora minhas considerações a respeito dele. E espero que na próxima semana, quando puser mãos à obra, não seja o único a fazê-lo... (por Celso Lungaretti) 

sábado, 18 de novembro de 2017

IVES GANDRA MARTINS TROMBETEIA QUE NÃO É NEGRO, GAY OU ÍNDIO. PERTENCERÁ ELE AO OPUS DEI OU À KU KLUX KLAN?

Quando não está ajudando os podres de ricos a pagarem menos impostos, o advogado tributarista Ives Gandra Martins preenche seu tempo negando ser isto ou aquilo. 

Esquisito, não? Eu, que nunca tive o menor interesse no que ele é, fico tentando imaginar quem se daria ao trabalho de ler suas mal tecladas linhas só para ficar sabendo... o que ele não é! Parece criança tentando chamar atenção.

O certo é que, no artigo que ele escreveu e foi publicado num blog da comunidade luso-brasileira (vide aqui), suas negações vieram trombeteadas até no quilométrico título: Não sou nem negro, nem homossexual, nem índio, nem assaltante, nem guerrilheiro, nem invasor de terras... etc.

O que ele prefere destacar a seu respeito está no primeiro parágrafo: "branco, honesto, professor, advogado, contribuinte, eleitor, hétero". Só que o Gandra alinhavou características comuns a uma imensidão de brasileiros, o que pouco nos serve para formarmos uma imagem mais definida a seu respeito.

Como sou um homem caridoso, perguntei-me como o poderia ajudar. Aí uma busca virtual me revelou que ele pertence a um universo bem menor e muito mais revelador: Gandra é o principal porta-voz do Opus Dei, como se constata, p. ex., no documentário da Rede Viva que coloquei no pé deste texto.

Fazer parte de uma fechadíssima sociedade secreta (dizem até que ele seria o principal dirigente do Opus Dei no Brasil): eis um dado mais substancioso para ficarmos sabendo quem realmente é Ives Gandra Martins.

Temo, contudo, que não sejam muitos os leitores conhecedores do próprio Opus Dei. Vale a pena, para elucidá-los, reproduzir alguns trechos de um longo artigo (vide aqui) do competente jornalista Altamiro Borges:
"O Opus Dei (do latim, Obra de Deus) foi fundado em outubro de 1928, na Espanha, pelo padre Josemaría Escrivá. (...) Preocupado com o avanço das esquerdas no país, este excêntrico religioso, visto pelos amigos de batina como um 'fanático e doente mental', decidiu montar uma organização ultrassecreta para interferir nos rumos da Espanha... 
...Reconhecida oficialmente pelo Vaticano em 1947, esta seita logo se tornou um contraponto ao avanço das ideias progressistas na Igreja. Em 1962, o papa João 23 convocou o Concílio Vaticano II, que marca uma viragem na postura da Igreja, aproximando-a dos anseios populares. No seu fanatismo, Escrivá não acatou a mudança. Criticou o fim da missa rezada em latim, com os padres de costas para os fiéis, e a abolição do Index Librorum Prohibitorum, dogma obscurantista do século 16 que listava livros perigosos e proibia sua leitura pelos fiéis...  
...Josemaría Escrivá faleceu em 1975. Mas o Opus Dei se manteve e adquiriu maior projeção com a guinada direitista do Vaticano a partir da nomeação do papa polonês João Paulo II...
...Além do rigoroso fundamentalismo religioso, o Opus Dei sempre se alinhou aos setores mais direitistas e fascistas. 
Durante a Guerra Civil Espanhola, deflagrada em 1936, Escrivá deu ostensivo apoio ao general golpista Francisco Franco contra o governo republicano legitimamente eleito. Temendo represálias, ele se asilou na embaixada de Honduras (...), antes de fugir para a França. Só retornou à Espanha após a vitória dos golpistas, firmando então sólidos laços com o ditador sanguinário Francisco Franco... 
...Há também fortes indícios de que Josemaría Escrivá nutria simpatias por Adolf Hitler e pelo nazismo. De forma simulada, advogava as ideias racistas e defendia a violência. Na máxima 367 do livro Caminho, ele afirma que seus fiéis 'são belos e inteligentes' e devem olhar os demais como 'inferiores e animais'. Na máxima 643, ensina que a meta 'é ocupar cargos e ser um movimento de domínio mundial'...  
...Pouco antes de morrer, Josemaría Escrivá realizou uma 'peregrinação' pela América Latina. (...) Na região, o Opus Dei apoiou abertamente várias ditaduras.  No Chile, participou do regime terrorista de Augusto Pinochet. O principal ideólogo do ditador, Jaime Guzmá, era membro ativo da seita (...). 
Na Argentina, numerários foram nomeados ministros da ditadura. No Peru, a seita deu sustentação ao corrupto e autoritário Alberto Fujimori. 
Igreja Católica foi cúmplice ou omissa face ao nazismo 
No México, ajudou a eleger como presidente seu antigo aliado, Miguel de La Madri, que extinguiu a secular separação entre o Estado e a Igreja Católica". 
Resumindo: não passam de herdeiros de Torquemada pregando um retrocesso ao catolicismo medieval e tudo fazendo para tanger governos ao fascismo, que priorizam a infiltração na grande imprensa e seu controle político-ideológico como meios para atingirem seus objetivos. Os quais, para aqueles (meu caso) a quem Deus foi apresentado como um Deus de amor e não do ódio, parecem muito mais ser obras do diabo! 

Que tipo de homem é capaz de bater no peito, orgulhando-se de não ser "negro, nem homossexual, nem índio"?! Quem é contemporâneo espiritual do século 21 e não um nostálgico empedernido da intolerância medieval, fica chocado ao constatar a forma rancorosa como Gandra alude ao fato de alguém ter nascido negro, índio ou preferir praticar o amor com pessoas do mesmo sexo (os héteros que não têm fixação por tais ninharias simplesmente concordam com o belo verso de Caetano Veloso, "qualquer maneira de amor vale a pena").

E o que têm a ver tais posturas repulsivamente preconceituosas com os ensinamentos do próprio catolicismo, afinal? Se negros e índios fossem mesmo o cocô do cavalo do bandido, por que Deus os teria criado? 
Opus Dei teve forte influência nos regimes de Franco e Pinochet
Os pretensos executantes da obra de Deus parecem, isto sim, estar querendo corrigi-la. Vale lembrar que São Tomás de Aquino considerava a soberba como o pior dos sete pecados capitais...

[É curioso que o racismo explícito, assinado e com firma reconhecida do chefão do Opus Dei tenha, nas redes sociais, provocado grita infinitamente inferior à desqualificação furibunda de William Waack sob o pretexto de haver feito um gracejo de mau gosto para os colegas no ambiente de trabalho, sem nenhuma intenção de torná-lo público. A que se deverá uma disparidade tão paradoxal nas reações aos dois episódios?]

Quanto às outras negações do Gandra, eu fui guerrilheiro e tenho muito orgulho de haver confrontado uma tirania odiosa e sanguinária; não hesitaria um segundo em ajudar a invadir latifúndios e terras improdutivas para que famílias pobres tivessem onde morar e trabalhar; e, mesmo não me agradando a ideia de ser um assaltante, ainda preferiria tal opção a ser um dirigente do Opus Dei.

Este documentário sobre o Opus Dei é meramente apologético, então nem me 
preocupei em postar suas outras 5 partes, que podem ser encontradas
com facilidade no Youtube. Meu  objetivo foi apenas o de mostrar 
o Gandra cumprindo seu papel de porta-voz do Opus Dei.

domingo, 12 de fevereiro de 2017

O POLITICAMENTE CORRETO É UM AUTÊNTICO PÉ NO SACO!

Picaretagem? Não. Pior ainda!
Caiu-me na mão uma nova edição brasileira da conhecidíssima novela policial Ten little niggers, escrita em 1939 por Agatha Christie e aqui lançada como O caso dos dez negrinhos. Só que o título foi alterado para E não sobrou nenhum.

Pensei tratar-se daquela picaretagem muito frequente no mercado de VHS e DVD, de rebatizar-se um filme para vender o mesmo peixe uma segunda e até terceira vez aos incautos.

Folheando-o, contudo, logo no terceiro parágrafo encontrei o local dos crimes sendo chamado de Ilha do Soldado, ao invés de Ilha do Negro.

Também reparei que os versinhos infantis nos quais o assassino se inspira para matar suas dez vítimas não mais se referiam a dez indiozinhos, conforme a velha cantiga folclórica inglesa, mas sim a dez soldadinhos!

Uma rápida pesquisa na internet esclareceu tudo. A explicação está num press-release da Livraria Saraiva, de quando lançou a edição de bolso com o título e o texto emasculados:
"O culpado não é o mordomo, mas um personagem ainda mais cheio de normas, conhecido pelo codinome de 'o politicamente-correto'. Pois foi ele que levou os agentes literários da grande dama inglesa a proporem a mudança de título de 'O caso dos dez negrinhos' (Ten little niggers), o livro mais vendido de Agatha Christie em todo o mundo, e adaptado para o cinema por René Clair. A solução salomônica foi, então, destacar o novo título, retirado [do verso final] de uma canção folclórica inglesa, e avisar na capa que o livro é uma nova versão daquele que foi consagrado pelo público brasileiro..."
Nem este cuidado a Editora Globo teve ao reeditá-lo em formato normal. Tornou-se E não sobrou nenhum, e fim de papo! Quanto às pessoas atraídas para serem assassinadas, não eram mais nem negrinhos nem indiozinhos, mas sim soldadinhos...

Fiquei pasmo, pois nada havia de pejorativo para os negros no fato de a ilha chamar-se do Negro; nem eram prejudiciais à imagem dos índios os versos folclóricos, como todos podem constatar:

Dez indiozinhos vão jantar enquanto não chove;
um deles se engasgou e então ficaram nove.

Nove indiozinhos sem dormir: não é biscoito! 
Um deles cai no sono, e então ficaram oito. 
Antes havia, ao menos, esta ressalva.

Oito indiozinhos vão a Devon de charrete;
um não quis mais voltar, e então ficaram sete.

Sete indiozinhos vão rachar lenha, mas eis 
que um deles se corta, e então ficaram seis. 

Seis indiozinhos de uma colmeia fazem brinco; 
a um pica uma abelha, e então ficaram cinco. 

Cinco indiozinhos no foro, a tomar os ares; 
um ali foi julgado, e então ficaram dois pares. 

Quatro indiozinhos no mar; a um tragou de vez 
o arenque defumado, e então ficaram três. 

Três indiozinhos passeando no Zoo. 
E depois? O urso abraçou um, e então ficaram dois. 

Dois indiozinhos brincando ao sol, sem medo algum;
um deles se queimou, e então ficou só um. 

Um indiozinhos aqui está a sós, apenas um; 
ele então se enforcou, e não sobrou nenhum.

Foi de um ridículo atroz alguns tolos pernósticos dos EUA terem feito tempestade em copo d'água por causa desses versos bobinhos, feitos para rimarem e não para significarem o que quer que seja. 

E foi uma traição à literatura a conivência dos agentes mercenários com o estupro do texto original da obra (e até do folclore britânico...)!

Repito o que já escrevi quando os patrulheiros cricris foram procurar pelo em ovo num clássico da literatura infanto-juvenil de Monteiro Lobato,  o maior autor brasileiro do gênero: nosso problema é e sempre será o de transformarmos o mundo, não o de maquilarmos as palavras com que nos referimos às mazelas do mundo. 

A lepra tem de ser combatida com medicamentos, de nada adianta utilizarmos o eufemismo hanseníano para designar quem o povo conhece, sem conotação negativa, como leproso (o termo que se tornou pejorativo é lazarento). 
O racismo existirá enquanto vivermos numa sociedade que coloca os homens uns contra os outros, numa canibalesca competição que só serve para perpetuar a desigualdade e a exploração; temos é de acabar com o capitalismo, não ficar deletando negro e preto, para substituir por afro-americano. 

Mas, claro, fazer o necessário é muito mais difícil do que fazer marola com irrelevâncias.

Repito, também, que quem tenta proibir/estigmatizar obras de arte, ou batalha para que sejam censorialmente modificadas em função de tais ninharias, tem índole inquisitorial. Embora não o admita nem para si mesmo, é herdeiro de Torquemada.
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OS PATRULHEIROS CRICRIS ATACAM DE NOVO! POR IGNORÂNCIA CRASSA OU INTOLERÂNCIA FASCISTOIDE?

Por Hélio Schwartsman
MARCHANDO PARA O PRECIPÍCIO
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O carnaval se aproxima, para infelicidade dos pobres mortais que moramos na Vila Madalena. A pergunta que se coloca no momento é se vale banir as marchinhas com letras politicamente incorretas, como O teu cabelo não nega, Maria Sapatão e Cabeleira do Zezé, entre tantas outras.

A palavra banir aqui é complicada, pois engloba dois processos muitos distintos, um deles totalmente legítimo e o outro intolerável no contexto de uma sociedade aberta.

Com efeito, se por banimento entende-se apenas o resultado da evolução natural dos gostos das pessoas, não há muito o que discutir. As sensibilidades mudam mesmo e isso tem reflexos no mercado, tanto o de ideias como o fonográfico. Em tempos de promoção dos direitos de minorias, é esperado que letras que causem desconforto sejam paulatinamente menos consumidas.

Vale observar que nem a Bíblia escapa a esse processo. As inúmeras passagens que mostram um Jeová violento até as raias do sadismo são cada vez menos citadas em textos de religiosos e, suspeito, também nos púlpitos das igrejas mainstream. Ganham visibilidade os trechos mais benignos, que sugerem um Deus menos intolerante e mais amoroso.
A proscrição das marchinhas será absolutamente indefensável, contudo, se ela de algum modo se apoiar no poder do Estado, que, em regimes democráticos, não pode proibir nem limitar nenhum tipo de manifestação artística.

Já a ideia de alguns grupos de militar ativamente para que as tais marchinhas deixem de ser tocadas me parece uma combinação de desconhecimento histórico (ignora-se o contexto em que a obra foi produzida) com desatino mesmo (ninguém fica mais racista por ouvir O teu cabelo...). 

A extensão dessa lógica tortuosa à filosofia e à literatura nos privaria, entre outros, de Aristóteles (escravagista), Eurípedes (misógino) e Shakespeare (antissemita).
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Pitaco do editor
Concordo com tudo que o Hélio escreveu e assino embaixo. 

Acrescento que, além do desconhecimento histórico e do desatino mesmo, há também no patrulhamento cricri uma componente de desonestidade intelectual pura e simples, como se evidenciou, p. ex., na tentativa de imputarem racismo a Monteiro Lobato apenas e tão-somente porque uma de suas personagens, a boneca Emília, dizia frases desaforadas à Tia Nastácia. 

A reação dos que conhecem e amam a literatura foi fulminante, impondo aos aspirantes a censores a derrota mais acachapante que até hoje sofreram em suas inquisitoriais tentativas de policiarem as artes e o pensamento. (Celso Lungaretti)
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Os caçadores de bruxas querem tacar fogo nesta marchinha de... 1929!!!

domingo, 26 de julho de 2015

OS TORQUEMADAS QUEREM MEUS ARTIGOS FORA DO FACEBOOK

Mensagem do Facebook lembra a tesoura da ditadura 
Não sou de ficar anunciando de 10 em 10 minutos os meus artigos no Facebook e no Twitter, como vejo muitos fazerem. Posto-os apenas uma vez, pois detesto esses artifícios típicos da propaganda, "quanto mais aparecerem, maior a chance de serem notados", etc.

Mesmo assim, há internautas com índole totalitária tentando fazer com que não apareçam sequer uma vez. Ao anunciar meu artigo deste domingo (26), fui impedido: 
"essa mensagem possui conteúdo bloqueado: Sua mensagem não pode ser enviada pois ela tem conteúdo que outras pessoas no Facebook denunciaram como abusivo".
Os mesmos que vira-e-mexe tiram o meu blogue do ar, fazendo-me perder uns 15 minutos para reativá-lo, agora empenham-se em excluí-lo do Facebook. Direitistas ou governistas dá no mesmo, têm alma de censores.

E do tipo fanáticos, como os do Santo Ofício, não meros tarefeiros na linha da dª Solange da ditadura militar.

Quanto ao Facebook, é moderninho por fora e medieval por dentro. Quer dizer que qualquer ação concertada de inimigos políticos é suficiente para tirar-se um articulista do ar, sem comunicação prévia nem chance nenhuma para apresentar defesa?!

Torquemada vive.

Obs. Por curiosidade, tentei divulgar esta denúncia há poucos minutos e o Facebook a aceitou. Tentei novamente anunciar o artigo político e constatei que continuava embargado. Ou seja, trata-se de um bloqueio automático, que é ativado quando existe tal ou qual palavra no texto. Qualquer semelhança com a burrice e prepotência da censura dos milicos nos anos de chumbo não é mera coincidência.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

FANÁTICOS RELIGIOSOS INVESTEM CONTRA "JESUS CHRIST SUPERSTAR"

Está na Folha de S. Paulo desta 4ª feira, 26:
"Quarenta e três anos após 'Jesus Cristo Superstar' estrear nos EUA, o musical com letras de Tim Rice e música de Andrew Lloyd Webber ainda é capaz de cutucar instituições religiosas no Brasil.
O calo apertou no pé de grupos católicos de São Paulo, onde nova montagem estreia no dia 14...
A Associação Devotos de Fátima colocou na internet petição defendendo o cancelamento do financiamento da peça com recursos públicos.
Com apoio da Associação Sagrado Coração de Jesus, o grupo espalhou sua mensagem de repúdio ao espetáculo e obteve adesão de blogs e páginas no Facebook".
A internet potencializa o que há de melhor e o que há de pior na sociedade. Serve para nossos indignados marcarem seus legítimos protestos contra as maracutaias da Copa, mas também pode ser colocada a serviço da intolerância mais tacanha e patética dos fanáticos religiosos.

No besteirol que os mentalmente ancorados na Idade Média botaram pra circular em pleno século 21 lê-se que "não é lícito ao Estado laico violentar barbaramente a fé de milhões de pessoas, promovendo, com o dinheiro dos contribuintes, o evento blasfemo".


Acontece que se trata apenas de uma peça teatral que atendeu às especificações da Lei Rouanet, sendo, portanto, autorizada a captar R$ 5,7 milhões. O Estado laico não emitiu nenhum juízo de valor sobre o espetáculo, limitando-se a verificar se ele se enquadrava numa legislação existente de incentivo à cultura. 


Os obscurantistas extemporâneos querem, simplesmente, introduzir uma nova forma de censura, voltada contra uma peça que passou incólume até mesmo pela censura ditatorial, em plena era Médici!

Como de hábito, o conservadorismo anda de mãos dadas com o reacionarismo, pois a petição zurra:
"Não creio que esse Ministério teria coragem de promover 1% de algo que criticasse Maomé (ou mesmo Fidel Castro!...)."  
Simplesmente não existe produtor teatral que ouse se tornar alvo do terrorismo islâmico e o mais provável é que uma peça criticando Fidel Castro naufragasse na bilheteria, por ser um tema fora de moda. Mas, se alguém assumisse tais riscos, decerto seria igualmente autorizado a captar recursos no mercado, o que não tem nada a ver com "promover" coisa nenhuma.

Para que os leitores conheçam melhor o pomo da discórdia, reproduzo abaixo a apresentação que fiz do filme Jesus Christ Superstar, quando o disponibilizei no blogue. A abertura, aliás, cai como uma luva, no contexto desta nova investida dos patrulheiros da fé.
UM FILME INDIGESTO PARA OS 
FELICIANOS DA VIDA

Os religiosos conservadores consideram que a Bíblia, o Alcorão e outros textos antigos sejam a expressão fiel, eterna e imutável da palavra divina, não comportando questionamentos nem reflexões, apenas a aceitação incondicional.

Quem não abdica do nosso grande diferencial em relação aos animais, a capacidade de pensar, encara tais textos como produtos históricos. Neles existem ensinamentos válidos até hoje, mas também preceitos superados, característicos de sociedades extremamente menos complexas do que a nossa. 

Há, contudo, os que fazem da fidelidade à ortodoxia uma bandeira, mesmo estando muito longe de por ela pautarem sua vida privada. Geralmente, assim procedem por ser esta a atitude mais conveniente para obterem sucesso em determinado nicho de mercado. São os Felicianos do templo. 

A reverência obtusa marcava os intragáveis filmes religiosos da minha meninice, como O mártir do calvário, Vida, paixão e morte do Nosso Senhor Jesus Cristo e que tais. Eram projetados ano após ano na 6ª Feira Santa, sempre com as mesmíssimas cópias gastas, roídas até o osso. A lembrança que me ficou é a de feriados estragados pela falta da minha diversão favorita, a matinê dos saudosos cines Aliança e Patriarca 

Até 1973, eu só travara contato com uma visão alternativa, a de Pier Paolo Pasolini em O evangelho segundo São Mateus (1964). Enfatiza os aspectos  subversivos  da pregação de Cristo, mas era um filme árido demais para me cativar, deliberadamente pobre e sombrio, com pouca ação e uma overdose de diálogos, parecendo teatro filmado.

Veio então o musical Jesus Christ Superstar, e foi uma grata surpresa. Adorei. Tinha ótimas músicas, coreografias belíssimas, fotografia impecável, força dramática e, acima de tudo... vida inteligente. Tratava-se da adaptação cinematográfica da melhor de todas as óperas-rock.

Andrew Lloyd Weber mandou bem nas músicas, mas o maior mérito foi do letrista Tim Rice, que deu uma abordagem crítica aos últimos dias de Cristo. Mostrou os grandes personagens do drama bíblico como prisioneiros da História, relutantes em cumprir sua sina mas impotentes para dela escapar.

Assim, Jesus não quer o cálice do martírio mas se submete à vontade divina, pedindo, contudo, a Deus que faça tudo acontecer rapidamente, antes que ele mude de ideia.

Judas não quer trair, mas teme que Cristo tenha perdido o controle da multidão e dê aos romanos motivo para promoverem um banho de sangue.

Pilatos não vê crime a ser punido, mas recua quando o povaréu lhe urra que acima dele está César e a tibieza poderá acarretar sua desgraça.

O sumo-sacerdote Caifás teme o caos que, na sua opinião, advirá se a autoridade religiosa for abalada.

Só Herodes, mostrado como um frívolo hedonista, não age a contragosto e optando pelo que seria um mal menor. 

Foi um achado a solução encontrada pelo brilhante cineasta Norman Jewison (o diretor de A mesa do diabo, No calor da noite e Hurricane): encenar seu drama nas ruínas e desertos de Israel. Estava bem no espírito da era hippie, tendo tudo a ver.

E, num elenco de desconhecidos que não destoaram, o destaque absoluto é o enérgico e carismático Carl Anderson como Judas. Aliás, Jewison foi indagado sobre o motivo da escolha de um negro para papel tão melindroso. Respondeu que se tratava do personagem com maiores exigências dramáticas, daí ter optado pelo melhor ator de que dispunha, sem dar a mínima para sua cor.

segunda-feira, 4 de março de 2013

DESEMBARGADOR SOLANGE

Agora coube a um togado revirar as imundícies da lixeira da História em busca de tesoura de Torquemada --a mesma que, durante a ditadura militar, foi empunhada por um bando de indivíduos inescrupulosos, dispostos a tudo por dinheiro.

Naquele período infame,    o paradigma dos castradores de intelectos foi Solange Teixeira Hernandes, diretora do Departamento de Censura Federal.

Mas, ao que se saiba, dona Solange & cia. não se voluntariaram para a vil, repulsiva e degradante função de censores. Foram escolhidos e não tiveram a dignidade de recusar, exatamente como os oficiais nazistas que atentaram contra a humanidade e depois alegaram ter cumprido ordens superiores -o que não os eximiu de receberem punições exemplares, merecidíssimas, do tribunal de Nuremberg.

Já o desembargador Marcelo Fortes Barbosa Filho, da 6ª Câmara de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo, só obedeceu à própria (in)consciência ao proibir a dramatização de um acontecimento trombeteado  ad nauseam  no noticiário jornalístico, a ponto de ficar conhecido por dezenas de milhões de brasileiros.

À  imprensa abutre  é permitido derivar folhetins oportunistas do Caso Nardoni e que tais, martelando-os dia e noite, de forma a extrair o máximo de ganhos de episódios trágicos que jamais deveriam ser expostos com tanta crueza e tamanha leviandade. O teatro, contudo, é impedido até de evocar tais acontecimentos para deles extrair conclusões mais gerais sobre a nossa sociedade e o nosso tempo, estimulando a reflexão.

Trata-se de um atentado contra a democracia brasileira. É um acinte à nossa Constituição, cujo artigo 5º fulmina as pretensões das  otoridades   atrabiliárias e obscurantistas, ao estabelecer que "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença".

O diretor da peça Edifício London, Lucas Arantes, enfocou a morte da menina Isabella com a pretensão de dela derivar "uma mitologia universal".

O desembargador Solange, sem evidenciar a mais remota afinidade com a manifestação artística, sentenciou que a peça da companhia Os Satyros configuraria "violação à imagem" de Isabella e "efetiva agressão à sua pessoa".

Consultou, pelo menos, algum crítico teatral, que lhe explicasse didaticamente as ferramentas dessa arte? Não. Como o mais desinformado aldeão do mais distante grotão, o meretíssimo ficou escandalizado com o fato de a morte de Isabella ter sido representada pelo lançamento de "uma boneca decapitada por uma janela".

O que ele queria, que arremessassem uma atriz com marcas de agressão e ela se esborrachasse no palco?!

Fico imaginando qual seria a reação do melindroso desembargador à interpretação de "Dead Babies", música/performance de 40 anos atrás (veja vídeo abaixo), tolerada pela sociedade em nome da liberdade de expressão artística, que deve proteger inclusive os espetáculos de mau gosto. Provavelmente condenaria Alice Cooper ao esquartejamento ou ao garrote vil...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

É PROIBIDO PROIBIR AS CAÇADAS DO PEDRINHO!

Para nunca esquecermos: a dignidade dos atletas que
fizeram a saudação do Poder Negro no pódio olímpico.
Ridículo atroz: os patrulheiros cricris que tentaram e não conseguiram fazer com que o Ministério da Educação vetasse a adoção nas escolas do livro Caçadas de Pedrinho, de Monteiro Lobato, agora atraíram o movimento negro para sua cruzada obscurantista e retrógrada. Estão submetendo esta questiúncula ao Supremo Tribunal Federal.

Levamos tanto tempo para nos livrar da censura ditatorial e agora esses aprendizes de Dona Solange querem trazê-la de volta! Repulsivo.

Repito o que pessoas familiarizadas com a literatura estão carecas de saber:
  • quem expressava uma visão caricata da personagem Tia Nastácia era a personagem Emília, não o autor;
  • a visão da personagem Emília era a visão que muitas pessoas preconceituosas tinham mesmo dos negros, então nada há de errado em que ela esteja expressa num livro, pois a função de obras literárias nunca foi a de esconder o que existe, fingindo que não existe (maquilagem não é cultura, tanto quanto consultório sexológico de TV não é cultura);
  • o errado seria o autor  endossar  os preconceitos raciais, o que ele nunca fez;
  • o autor não falava pela boca da personagem Emília, imatura e pirracenta, mas sim pela boca dos personagens amadurecidos e compassivos, principalmente a Dona Benta e o Visconde de Sabugosa;
Para nunca esquecermos: a abjeta censura, que levava 
o "Jornal da Tarde" a substituir notícias por receitas.
  • se formos colocar livros no index por causa de usos e pequenos detalhes de época, os chatos de galocha vão dedicar-se em tempo integral à busca de pêlos em ovo e acabará sobrando, para fins pedagógicos, apenas a tralha recente, medíocre e descartável, infinitamente inferior à literatura infanto-juvenil do GRANDE REVOLUCIONÁRIO que foi Lobato.
É o sonho das editoras: que, a cada ano, troquem-se todos os livros, maximizando-lhes as receitas. Houve tempo em que eu recebia desses tentáculos da indústria cultural, para escrever pequenas críticas, o pacote anual de lançamentos paradidáticos. Folheava-os e quase vomitava; sentia enorme dó das novas gerações. 

Aquilo servia para torná-las consumistas bem adaptadas a uma sociedade desumana, não para estimular-lhes o espírito crítico e contestatório, como Lobato fazia admiravelmente. Mil vezes melhor para nós seria se a meninada estivesse hoje curtindo O Sítio do Picapau Amarelo ao invés da saga Harry Potter!

Quanto ao movimento negro, que sempre apoiei em suas causas justas --defendi com unhas e dentes as cotas universitárias e sou sempre o primeiro a denunciar a vandalização de templos umbandistas por hordas nazistóides--, lamento muito que se tenha colocado a reboque desses intriguentos de boutique.

Pregar a censura, explícita ou velada, dá péssima imagem a quem o faz. Os antigos companheiros de jornada deveriam lembrar-se de que, quando nós (os brancos revolucionários, seus aliados) chocávamos os racistas fazendo coro com a afirmação de que  Black is beautiful!, havia outro slogan lapidar, surgido nas barricadas parisienses: É proibido proibir!

Nenhum dos dois defasou. Devemos repeti-los sempre, para exorcizar tanto o fantasma da Ku Klux Klan, quanto o de Torquemada.

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

MASMORRAS E FOGUEIRAS PARA OS HEREGES DO MEGAUPLOAD!

O FBI tirou o Megaupload do ar, prendeu e indiciou funcionários, pretende queimar todos os arquivos.

Faz tempo que eu vi esse filme: é de 1966 e se chama Fahreinheit 451.

E houve outros mais antigos, com uns tais Adolf Hitler e Tomás  de Torquemada como protagonistas.

Têm motivos de sobra para inquietarem-se os paladinos da propriedade: quem compartilha arte e cultura, acaba percebendo que todas as criações dos seres humanos poderiam ser igualmente compartilhadas.

Que o mundo ficaria muito melhor assim. 

Queima de livros durante o nazismo.
A História se repetirá?
Que, somando esforços pelo bem comum, os homens hoje têm plenas condições de implantarem o paraíso na Terra.

Que a propriedade é o roubo, enfim: ela rouba o nosso direito à felicidade.

Então, como a compreensão destas obviedades é fatal para os poderosos, há que acionar-se a repressão e cortar o mal pela raiz.

Nem que seja recorrendo às soluções medievais: masmorras e fogueiras.

Assim caminha a desumanidade.

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