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quarta-feira, 5 de março de 2025

O PSOL NASCEU PARA SER ALTERNATIVA AO PT E A ELE VOLTOU COM O RABO ENTRE AS PERNAS. AGORA, QUER OBEDIÊNCIA CEGA

A
Folha de S. Paulo informa que o Psol está rachado quanto a se deve ou não apoiar de forma incondicional o governo Lula. 

Oito deputados defendem a submissão apriorística em toda e qualquer circunstância, enquanto cinco não esqueceram que seu partido nasceu em 2004 exatamente como uma alternativa à direitização e autoritarismo dentro do PT. 

Se era para balirem  sempre amém ao Lula --cuja taxa de erros e lambanças, vale dizer, tem aumentado assustadoramente desde então--, por que os primeiros psolistas se deram ao trabalho de criar uma nova identidade partidária? 

E o pior é que, além de não entregar o sol prometido, o Psol voltou incompreensivelmente ao ponto de partida.
Criança, não verás mais imagem nenhuma como esta: dirigentes 
do Psol alegremente papeando à frente de um pôster do Chê.

Até porque o PT é uma legenda que envelheceu muito mal e nada de novo e relevante tem sido capaz de apresentar desde o impeachment da Dilma Rousseff, que o deixou perdido no espaço. 
 

É óbvio que os cinco coerentes, dentre os quais se destaca a brava guerreira Luíza Erundina, mantêm-se fieis às melhores tradições da esquerda, que não existe para obedecer caninamente a ninguém. 

Sem pensamento crítico nem direito de colocar em discussão quaisquer posicionamentos dos quais se discorde, ainda que estando em minoria, o que restam? Apenas partidos castrados, domesticados, que da esquerda autêntica não têm mais nada.


Monolitismo é característica do inimigo. Para os que travamos o bom combate, não passa de veneno. Mortal. (por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 20 de novembro de 2020

A ESQUERDA QUE NÃO SE UNIU NEM PARA BARRAR O BOZO EM 2018 AGORA ESTÁ INTEIRA AO LADO DE BOULOS

A união da esquerda em torno de um objetivo maior me despertou...
Na tarde desta 6ª feira (20) foi lançada a Frente Democrática por São Paulo, com outros cinco partidos formalizando o apoio a Guilherme Boulos no 2º turno da eleição para prefeito paulistano: PCdoB, PDT, PSB, PT e Rede. Assim, a chapa do PSOL (partido de Boulos), PCB e UP agora representa nada menos do que oito forças políticas de esquerda e centro-esquerda.

É um fato político de primeira grandeza, já que nem mesmo na eleição presidencial de 2018 Ciro Gomes, Lula e Marina Silva se posicionaram na mesma trincheira. 

Candidatos derrotados no 1º turno, Jilmar Tatto (PT) e Orlando Silva (PCdoB) já haviam se colocado ao lado de Boulos. Márcio França (PSB) só não o fez ainda porque espera o aval do diretório municipal do partido.

Do outro lado estarão o candidato Bruno Covas (PSDB) e os derrotados Celso Russomanno (Republicanos) e Joice Hasselmann (PSL), além do MDB e do DEM. Ou seja, será o primeiro grande confronto entre a esquerda e a direita institucionais depois que a política voltou à configuração rotineira nas últimas décadas, passada a demencial onda ultradireitista.
...lembranças de outro desses momentos mágicos: as diretas-já.

Na 6ª feira passada (13), véspera do 1º turno, eu já pressenti que a eleição paulistana teria significado nacional, daí ter decidido contrariar minha tradição de anular o voto, por considerar que os pleitos da democracia burguesa apenas indicam quem cumprirá as determinações do poder econômico, na órbita do qual giram, subservientes ou impotentes para contrariá-lo, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário (mesmo para presidente da República só tenho ido votar quando existe o perigo de vitória de um candidato totalmente inaceitável, como o Bozo).  

Justifiquei assim a exceção que estava abrindo e recomendando (vide aqui o post em questão):
"...exatamente por não dar importância ao que o vitorioso vá fazer enquanto prefeito, votarei levando em conta uma consequência política da eleição: no meu entender, a prioridade suprema do Brasil neste momento é a remoção do Bozo e uma vitória de Guilherme Boulos e Luiza Erundina na principal cidade do país será uma peça importante na montagem desse quebra-cabeças"
.O rumo dos acontecimentos está indo além das minhas expectativas. Parece que o sucesso de Joe Biden mexeu com os brios dos esquerdistas brasileiros, que finalmente se deram conta do imperativo de afastar o genocida o quanto antes e da necessidade de união para darmos fim ao pesadelo do retrocesso civilizatório. (por Celso Lungaretti)

terça-feira, 17 de novembro de 2020

O PT DEMOROU TANTO PARA PRODUZIR SUA AUTOCRÍTICA QUE ELA INCORPOROU NO PSOL DE BOULOS, COM JEITÃO DE AUTÓPSIA!

josias de souza
EM 2 ANOS, O ELEITOR DESISTIU DE CHUTAR
O BALDE
Depois de uma eleição, é comum tentar extrair explicações das urnas. Esse exercício é mais útil quando quem analisa toma cuidado elementar de não cair na tentação de utilizar eleições já apuradas para prever o resultado da eleição seguinte. 

Observada tal precaução, o esforço para decodificar os sinais emitidos pelo eleitorado é um saudável e pedagógico exercício. 

As urnas municipais de 2020 trouxeram à tona um eleitor bem diferente daquele que votou na disputa presidencial de 2018, eis a primeira constatação. Há dois anos, o brasileiro estava indignado com o petismo no varejo e irritado com a política no atacado. Queria chutar o balde. Buscava um antipetista capaz de virar o sistema do avesso. Deu em Jair Bolsonaro. 

A eleição da pandemia trouxe à tona um brasileiro inseguro. Em vez de mudar tudo isso que está aí, esse eleitor revelou-se propenso a manter o que imagina estar funcionando.   

O grosso do eleitorado evoluiu da vontade de mudar para o desejo de conservar. Valorizou resultados em detrimento do discurso ideológico.

No geral, prefeitos que aproveitaram a visibilidade proporcionada pela crise sanitária para valorizar o ser humano foram premiados.

Houve uma espécie de despolarização compulsória do ambiente político. As urnas sinalizaram à extrema-direita de timbre bolsonarista que é preciso retirar o ódio do pudim, adicionando resultados à receita. 

O recado enviado à esquerda de viés petista foi o de que pode estar em curso uma renovação. O PT demorou tanto para produzir uma autocrítica que surgiu na face de Guilherme Boulos um PSOL com aparência de autópsia. 

O pano de fundo dessa conjuntura é um avanço das legendas do centrão e suas adjacências. Por ora, quem mais elegeu prefeitos foram MDB, PP, PSD, PSDB e DEM. 

Quer dizer: após a ilusão do novo, a política brasileira continua girando como parafuso espanado ao redor das mesmas oligarquias. (por Josias de Souza)

segunda-feira, 16 de novembro de 2020

ENQUANTO O GENOCIDA E A ONDA ULTRADIREITISTA VÃO PARA O RALO, UMA NOVA ESQUERDA ROUBA A CENA – 2

celso lungaretti
O ELEITORADO DE ESQUERDA NÃO
 AGUENTAVA MAIS TANTA TIBIEZA 
Os dois que tanto queriam enfrentar-se no 2º turno da eleição presidencial de 2022, a ponto de tentarem desajeitada e inescrupulosamente mover os pauzinhos em tal direção, deram tamanha demonstração de fraqueza neste domingo (15) que agora o mais provável é tal duelo jamais vir a ocorrer. 

O desatinado, descontrolado e talvez demente Jair Bolsonaro viu sua rejeição chegar aos píncaros, enquanto arrastava consigo para o fundo do poço os candidatos ultradireitistas que fizeram a besteira de aceitar o seu apoio.

Lula apostou todas as suas fichas, num pleito decisivo para suas ambições, no timorato Jilmar Tatto, cuja imagem emblemática de petista domesticado perdeu de goleada para o carisma guerreiro de Guilherme Boulos, num momento em que o eleitorado de esquerda não aguenta mais tanta tibieza diante do inconcebível e do inaceitável. 

A autocrítica do PT (que a ela tem se furtado desde 2016, fugindo às suas responsabilidades tanto pelo impeachment da Dilma em si quanto por não ter conseguido evitar que a direita o executasse com a facilidade de quem tira doce da boca de uma criança) acabou, infelizmente, não acontecendo da forma revolucionária:
— os erros crassos cometidos não foram identificados;
— providências para dificultar a sua repetição não foram tomadas;
— a estratégia e as táticas responsáveis pelo desastre não foram mudadas; e
— as responsabilidades pessoais não foram apuradas.

Mas, se Lula e os dirigentes ineptos que o cercam de ridícula veneração deram uma banana para os militantes petistas e os brasileiros em geral, do veredito da História não conseguiram escapar: o PT sai em frangalhos das atuais eleições municipais, talvez ainda pior que da de 2016, quando despencou para o 10º lugar no ranking dos partidos que mais elegeram candidatos. 

Desimpede, assim, o caminho para que uma nova esquerda, combativa e antenada com os ventos de mudança, se afirme; e, em substituição aos ídolos caídos, Boulos e Manuela D'Ávila poderão tornar-se as figuras exponenciais do nosso campo.

Há quem tema uma repetição do processo de ascensão, descaracterização, cooptação e queda do PT, mas é uma análise mecanicista, pois:
—  
estamos no olho do furacão de uma terrível pandemia; e
— perdem-se de vista os anos de vacas magras pelos quais passaremos doravante. 

Infelizmente, tudo conspira para que a década prestes a iniciar-se transcorra sob a pior depressão capitalista desde a subsequente ao crash da bolsa de valores de Nova York, em 1929.

Então, de duas pragas do agora findo período de hegemonia petista provavelmente estaremos salvos: nem é plausível que o Brasil atravesse um período de bonança como o que beneficiou Lula na década passada, ensejando ilusões de que a classe operária chegaria ao paraíso sob o capitalismo, sem uma transformação em profundidade da nossa sociedade injusta e desigual; nem existe um partido de esquerda suficientemente forte para prescindir de alianças com os demais, como, arrogantemente, fazia o PT.

Se todos os dissabores pelos quais passamos desde 2013 (quando a força de esquerda então dominante voltou as costas aos jovens que poderiam tê-la revitalizado), houverem servido para desencanarmos das ilusões capitalistas e de arroubos majestáticos que solapam a imprescindível solidariedade entre os explorados, sairemos desta fase funesta com um mínimo consolo.

Mas, o que não me passa pela garganta é o fato de que não precisaríamos ter sofrido tanto, nem assistido impotentes à morte de tantos brasileiros. 

O destino nos dá mais uma chance para nos penitenciarmos de nossos fracassos anunciados. Devemos isto aos brasileiros de hoje e aos que virão depois. Não podemos falhar! 
(por Celso Lungaretti)  

sexta-feira, 13 de novembro de 2020

A OPÇÃO MAIS COERENTE É ANULARMOS O VOTO. MAS, A REMOÇÃO DO BOZO É HOJE A NOSSA PRIORIDADE MÁXIMA. O QUE FAZER?

Existirá algum companheiro paulistano que esteja ansiosamente esperando eu revelar meu voto para o copiar? Não sendo megalomaníaco nem doido varrido como o Bolsonaro, acredito que... não!.

Mas, velho guerreiro, considero que em cima do muro é a pior posição para um esquerdista ficar. Então, vou abrir o jogo, a quem interessar possa (ou não).

Dou toda a razão ao nosso bom Dalton Rosado quanto a que, em termos estritamente teóricos, a opção mais coerente para qualquer um de nós é sempre a de não votarmos nas eleições farsescas da democracia burguesa, um jogo de cartas marcadas no qual, ganhe quem ganhar, o verdadeiro poder será exercido pelo poder econômico e não pelos vitoriosos nas urnas.

A estes sobram, então, duas únicas opções:
  1. a de serem coniventes com o inaceitável, pautando sua atuação pelas vantagens que dela possam extrair pessoalmente; ou 
  2. a de permanecerem impotentes, mesmo sabendo que as condições para erradicarmos as causas de nossos males estão dadas e que a humanidade pagará um preço terrível se isto não for feito em tempo hábil.
Mas, exatamente por não dar importância ao que o vitorioso vá fazer enquanto prefeito, votarei levando em conta uma consequência política da eleição: no meu entender, a prioridade suprema do Brasil neste momento é a remoção do Bozo e uma vitória de Guilherme Boulos e Luiza Erundina na maior cidade do país será uma peça importante na montagem desse quebra-cabeças.

Votar na Erundina, a quem sempre respeitei, me dará prazer.

Votar no Boulos nem tanto, pois sua trajetória é marcada por altos e baixos (e o pior momento foi quando puxou desmedidamente o saco do Lula em 2018, na esperança de ser por ele apoiado na eleição presidencial passada). Não aguentava mais ver as fotos do Lula tendo o Boulos invariavelmente como papagaio de pirata.

Mas Boulos mostra, pelo menos, a combatividade e o arrojo que eram as melhores características do PT e jamais serão resgatadas por um timorato como o Tatto.

E, se o PSOL se tornar o partido com desempenho eleitoral mais marcante em 2020, isto sem dúvida acelerará o processo de esvaziamento do PT como força dominante da esquerda, desobstruindo o caminho para opções mais consequentes. 

Tal processo deveria ter começado desde o impeachment da Dilma, portanto já está mais de quatro anos atrasado... (Celso Lungaretti)

domingo, 27 de setembro de 2020

GRANDE DERROTADO NAS ELEIÇÕES DE 2016, O PT MARCHA PARA MAIS UM DESASTRE

 josias de souza
PT TEME SAIR DA DISPUTA DE SP COMO SUB-BOULOS
E
m política, a morte é anterior a si mesma. Começa muito antes. É todo um lento, um suave processo. 

Ao lançar a candidatura de Jilmar Tatto à prefeitura de São Paulo, o PT aprofundou o buraco em que se meteu. 

O eleitorado paulistano começou a jogar terra em cima ao posicionar no Datafolha o candidato do Psol, Guilherme Boulos (9%), disputando a terceira colocação com o ex-governador Márcio França, do PSB (8%), ambos bem à frente de Tatto (2%). 

O petismo inicia a campanha na capital paulista como se vivesse uma espécie de pesadelo do qual terá dificuldades de acordar. Receava ficar fora do 2º turno. Passou a temer a hipótese de sair das urnas paulistanas como um sub-Boulos. O aroma de desastre que exala da candidatura de Tatto desestimula a participação de Lula, o ex-carregador de postes

O PT lançou mais de 1.600 candidatos a prefeito em todo o país. Não importa quantos conseguirão se eleger. Dissemina-se entre os petistas a convicção segundo a qual o partido não terá o que celebrar no final do ano se amargar em São Paulo um fiasco com potencial para se projetar sobre os planos para 2022. 

O petismo começa a se dar conta de que o seu futuro era muito melhor antigamente.
(por Josias de Souza)
TOQUE DO EDITOR – Lula não aprendeu nada com a incrível sucessão de derrotas a que conduziu o PT na segunda metade da década prestes a terminar. 

Foi catastrófica para as forças populares e a esquerda brasileira sua teimosia em não apoiar o candidato com mais chances de derrotar a abominação que acabou se elegendo; e ele está prontinho para repetir o mesmíssimo erro agora em novembro.

Daquela vez, torpedeou a união da esquerda em torno de Ciro Gomes, preferindo um candidato petista cujo carisma era e é zero. 

Desta vez, insiste com outro carisma zero, Jilmar Tatto (o dorminhoco da foto acima), criatura da máquina partidária, embora sua imagem seja diametralmente oposta àquela necessária para o PT resgatar sua aura combativa aos olhos do povo, daí tantos petistas históricos estarem trocando tal canoa furada pelo espírito guerreiro que emana da chapa Boulos/Erundina (foto no topo do post). 

Em 2016 o PT caiu do 3º para o 10º lugar em número de prefeitos que cada partido conseguiu eleger. Pelo cheiro da brilhantina, é mais provável agora uma nova piora do que alguma melhora.  (CL)
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