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sexta-feira, 20 de novembro de 2020

A ESQUERDA QUE NÃO SE UNIU NEM PARA BARRAR O BOZO EM 2018 AGORA ESTÁ INTEIRA AO LADO DE BOULOS

A união da esquerda em torno de um objetivo maior me despertou...
Na tarde desta 6ª feira (20) foi lançada a Frente Democrática por São Paulo, com outros cinco partidos formalizando o apoio a Guilherme Boulos no 2º turno da eleição para prefeito paulistano: PCdoB, PDT, PSB, PT e Rede. Assim, a chapa do PSOL (partido de Boulos), PCB e UP agora representa nada menos do que oito forças políticas de esquerda e centro-esquerda.

É um fato político de primeira grandeza, já que nem mesmo na eleição presidencial de 2018 Ciro Gomes, Lula e Marina Silva se posicionaram na mesma trincheira. 

Candidatos derrotados no 1º turno, Jilmar Tatto (PT) e Orlando Silva (PCdoB) já haviam se colocado ao lado de Boulos. Márcio França (PSB) só não o fez ainda porque espera o aval do diretório municipal do partido.

Do outro lado estarão o candidato Bruno Covas (PSDB) e os derrotados Celso Russomanno (Republicanos) e Joice Hasselmann (PSL), além do MDB e do DEM. Ou seja, será o primeiro grande confronto entre a esquerda e a direita institucionais depois que a política voltou à configuração rotineira nas últimas décadas, passada a demencial onda ultradireitista.
...lembranças de outro desses momentos mágicos: as diretas-já.

Na 6ª feira passada (13), véspera do 1º turno, eu já pressenti que a eleição paulistana teria significado nacional, daí ter decidido contrariar minha tradição de anular o voto, por considerar que os pleitos da democracia burguesa apenas indicam quem cumprirá as determinações do poder econômico, na órbita do qual giram, subservientes ou impotentes para contrariá-lo, o Executivo, o Legislativo e o Judiciário (mesmo para presidente da República só tenho ido votar quando existe o perigo de vitória de um candidato totalmente inaceitável, como o Bozo).  

Justifiquei assim a exceção que estava abrindo e recomendando (vide aqui o post em questão):
"...exatamente por não dar importância ao que o vitorioso vá fazer enquanto prefeito, votarei levando em conta uma consequência política da eleição: no meu entender, a prioridade suprema do Brasil neste momento é a remoção do Bozo e uma vitória de Guilherme Boulos e Luiza Erundina na principal cidade do país será uma peça importante na montagem desse quebra-cabeças"
.O rumo dos acontecimentos está indo além das minhas expectativas. Parece que o sucesso de Joe Biden mexeu com os brios dos esquerdistas brasileiros, que finalmente se deram conta do imperativo de afastar o genocida o quanto antes e da necessidade de união para darmos fim ao pesadelo do retrocesso civilizatório. (por Celso Lungaretti)

sábado, 19 de maio de 2018

BRASIL, DOS EXTERMÍNIOS MIL!

Por Luís Francisco Carvalho Filho
LICENÇAS PARA MATAR
Os “meios empregados” não são dos mais “confessáveis”, mas “surtiram excelente efeito”. Nem sempre é “possível proceder de modo irrepreensível perante a lei”. 

As frases recolhidas pelo historiador Flavio dos Santos Gomes, de despacho de ministro da Justiça (1877), sintetizam a tradição brasileira de abuso de poder.

Era fundamental “suprimir esse valhacouto de ladrões” –os quilombos. “Há casos policiais em que os fins justificam os meios.” É assim desde a colônia.

O general Ernesto Geisel (1974-79) não é o único presidente com uma perturbadora história de licença para matar.

Geisel deu seguimento à política de extermínio de banidos, terroristas e guerrilheiros instituída no governo de seu antecessor, general Emílio Garrastazu Médici (1969-74). Geisel foi sucedido pelo general João Batista Figueiredo (1979-85), participante da roda de assassinatos noticiada pelo memorando da CIA.
Terá Geisel autorizado...

Além de reprimir a vadiagem nas cidades, a República enfrentaria rebeliões e batalhas. Rui Barbosa menciona o paradoxo em 1913: “Abolida a pena de morte, mata-se agora sem pena”.

O segundo presidente do Brasil, marechal Floriano Peixoto (1891-94), tem na biografia texto de telegrama supostamente assinado por Antônio Moreira César, lido no Senado em 1896: “Romualdo, Caldeira, Freitas e outros foram fuzilados segundo vossas ordens”.

Para defensores do Marechal de Ferro, é estúpido imaginar o envio de mensagem de tal teor. Mas Moreira César fez o ajuste de contas com Desterro (depois Florianópolis), capital de Santa Catarina, para onde convergiam movimentos da Revolução Federalista e da Revolta da Armada, implantando regime de terror e fuzilamentos sumários.

Além de investir na polícia política, Getúlio Vargas (1930-45 e 1950-54) reinstituiria a pena de morte para subversivos e homicidas fúteis ou perversos (1938), a rigor nunca aplicada.

O mais longevo governante do período republicano, Vargas havia decretado a expulsão da mulher judia e grávida do líder comunista Luís Carlos Prestes, Olga Benário, entregando-a para a Alemanha de Hitler. 
...a chacina da Lapa, em 1976?

A morte da militante (1942) na câmara de gás, em campo de concentração nazista, já situa o Estado Novo e seu chefe no incômodo território dos crimes contra a humanidade.

Diminui a autoestima saber que documentos capazes de explicar lacunas históricas do Brasil permanecem secretos por normas de sigilo dos EUA e que, aqui, a documentação militar desapareceu.

O que dizem os dois parágrafos com tarja preta do memorando recebido pelo secretário de Estado Henry Kissinger? Outras fontes de informação esclarecem o contexto do relato produzido pela CIA?
São desconcertantes as estatísticas da letalidade policial no Brasil, assim como são assombrosos os números de homicídio, estupro e assalto.

A licença para matar está entranhada na cultura policial, particularmente da Polícia Militar, e também na cultura de delinquentes. O círculo vicioso parece infinito.

A decisão do governador tampão de São Paulo, Márcio França, de homenagear a cabo da PM que matou ladrão armado com três disparos diante de uma escola foi imprópria, leviana e oportunista.

Se a soldado agiu em legítima defesa, se a reação ao assalto não expôs outras mães e crianças a riscos adicionais, isso deve ser declarado por autoridade judicial. Violência gera traumas. O policial que mata –o inocente, – deve permanecer nas ruas como se nada tivesse acontecido?

O governador é candidato, mas o eleitor não o conhece. A oportunidade surge. O discurso da linha dura não tem dono. As enquetes encorajam.

Mais impulso político, mais licença para matar.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

DIZIAM QUE LULA SERIA CANDIDATO DE QUALQUER JEITO E QUE O PT NÃO TINHA NENHUM 'PLANO B' PARA 2018. AGORA TEM?

Toque do editor
Mantendo a tradição deste blogue, reproduzo uma análise sobre movimentação de bastidores que considero ser relevante para refletirmos sobre o que está para vir.

Pois, para mim, a função de um blogueiro jornalista é ajudar os leitores a descobrirem as verdades ocultas sobre o passado, entenderem o presente e perscrutarem o futuro, não a de martelar o tempo todo as visões, versões, distorções e clichês partidários, como fazem tantos blogueiros leigos e alguns blogueiros jornalistas que deixaram de portar-se como tais e hoje não passam de propagandistas.

Gostaria de possuir eu mesmo os contatos que me permitissem montar um quadro de bastidores como o do Igor Gielow em seu artigo desta 3ª feira (29), mas isto ficou para trás. Tinha lá meus informantes quando trabalhava na grande imprensa, mas agora não sou mais interessante para eles. O jeito é garimpar o que jornalistas na ativa revelam e me pareça consistente.

P. ex., Gielow diz que já caiu para Lula a ficha de que não será candidato a presidente em 2018. Ora, venho cantando esta bola há tempos. Por que os poderosos, depois de tê-lo conduzido à beira do precipício jurídico, deixariam de dar o empurrão final?

O mais comezinho exercício de lógica nos sugere que, caso insista na candidatura, ele será bloqueado pela via legal. E, se bobear, corre o risco até de ser preso. 
Terá Lula finalmente caído na real?

Daí eu inclusive já tê-lo aconselhado, em posts do semestre passado, a tentar negociar sua aposentadoria política em troca de uma garantia de permanecer em liberdade; afinal, todos sabemos que processos no Brasil tanto podem tramitar a jato quanto se arrastar nas costas de uma tartaruga...

Ou, como Gielow coloca, o Lula poderia ser condenado a uma pena que o inabilitasse eleitoralmente mas não implicasse prisão. 

Isto, claro, na hipótese de desistir de confrontos desaconselháveis na atual correlação de forças. Preservando-se agora, talvez ele possa até ressurgir das cinzas em 2022, repetindo o feito de Getúlio Vargas, que no final de 1945 se isolou em São Borja e ficou quietinho até a onda adversa passar, voltando com tudo em 1950. Se Temer assumiu aos 75 anos, o que impede Lula de o fazer com os 77 que então terá acabado de completar? 

De resto, caso se confirmem os prognósticos de uma melhora da situação econômica, o jogo, em 2018, será mesmo mais favorável para a centro-direita.

Só não vejo Fernando Haddad como competitivo o suficiente para que o PT ao menos não desapareça nacionalmente. Tende a perder mais votos petistas do povão do que os conquistará dos politicamente corretos, não mantendo sequer a fatia de 30% que o PT detinha antes de 2002. Quem viver, verá. (CL)

CANDIDATO EM PÚBLICO, LULA MIRA
O PSB EM COSTURA PARA HADDAD

Por Igor Gielow
Em público, Luiz Inácio Lula da Silva continua candidatíssimo à Presidência em 2018, como evidencia seu giro por Estados do Nordeste.

Em privado, o ex-presidente acredita em sua inabilitação pela Justiça e busca tornar o nome do ex-prefeito paulistano Fernando Haddad competitivo o suficiente para que o PT ao menos não desapareça nacionalmente.

Segundo a Folha apurou, em reuniões recentes durante a caravana nordestina, Lula deixou claro a interlocutores que considera que terá sua condenação por corrupção e lavagem de dinheiro no caso do tríplex do Guarujá confirmada em segunda instância antes do começo da campanha eleitoral.

Em reuniões reservadas, incentiva os até aqui discretos movimentos do ex-prefeito para se viabilizar.

Haddad tem se articulado em viagens pelo país. Ele dá entrevistas quase semanais para avaliar conjuntura política e sempre diz que Lula é o candidato, mas nunca nega a possibilidade de ser lançado em seu lugar.

E invariavelmente ignora as raízes da crise econômica na política dos governo do PT, poupando o padrinho.

O que é natural: além de lhe dever a carreira, Haddad precisa de Lula caso queira alçar tal voo após ter sido trucidado no primeiro turno em 2016 pelo tucano João Doria.
Quando prefeito, Haddad implantou faixas para ciclistas...

Mesmo que Lula seja absolvido e possa concorrer, há em setores do PT a avaliação de que o jogo é mais favorável para a centro-direita, apesar do desgaste da agenda associada à gestão Michel Temer.

Nessa avaliação, os 30% que Lula pontua em pesquisas seriam um teto, e um candidato como Haddad poderia tentar partir daí para buscar votos num espectro centrista. No partido, fala-se mais em "construir 2022" do que "sonhar com 2018".

Neste momento, o plano de Lula está focado na montagem do arcabouço para o PT manter-se acima da linha d'água em 2018, trazendo o que sobrar da implosão do PSB para seu lado.

É uma operação complexa, que foi discutida durante jantar que reuniu Lula, o governador Paulo Câmara (PSB-PE), um antigo desafeto do petista, e a viúva de Eduardo Campos, Renata, na quinta (24), no Recife.

A fatia governista do PSB, que inclui a órbita do ministro Fernando Coelho Filho (Minas e Energia), está negociando com o DEM.

Para atrair o grupo mais à esquerda do partido, descontente com a adesão a Temer, Lula tem um trunfo duplo.
...e reduziu a velocidade nas marginais. Agradou a poucos.
Primeiro e mais fácil, a vaga de vice. Segundo, o apoio à candidatura de Márcio França (PSB) ao governo de São Paulo em 2018.

França é vice de Geraldo Alckmin (PSDB) e quer se candidatar ao Bandeirantes, mas foi rifado pelo governador paulista em nome de uma aliança nacional dos tucanos com o DEM e talvez o PMDB.

A questão é que ele é visto como muito próximo de Alckmin, o que dificultaria uma aliança nacional com o PT contra o padrinho, caso seja mesmo o presidenciável.

Além do PSB e de aliados naturais como o PC do B, os petistas trabalham com a hipótese de a pré-candidatura de Ciro Gomes desidratar, levando o PDT para a esfera lulista por gravidade.

Ciro sonha em ter Haddad como vice, mas no PT poucos confiam no ex-governador, visto como mercurial, para ficar em termos elegantes.

Por fim, a manutenção da candidatura de Lula serve para sua defesa, já que adensa a figura a ser julgada. A esperança no PT é a de que a pena seja reduzida, evitando a prisão ainda que o inabilite.
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