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terça-feira, 14 de novembro de 2023

AS MATANÇAS PERIÓDICAS VÃO SE REPETIR ATÉ QUE OS ISRAELENSES ELIMINEM TODOS MUÇULMANOS OU ESTES OS ATIREM NO MAR

E
stá se tornando consensual entre nós a posição de que são dois os terrorismos responsáveis pela carnificina da vez no Oriente Médio, semelhante a tantas outras já ocorridas desde que potências capitalistas  apostaram em Israel como cão de guarda dos seus interesses petrolíferos na região.

Até o Lula voltou a afirmar isto, depois de adotar tal posição no início e recuar assustado quando a grande imprensa caiu de pau em cima de suas declarações. Após algumas semanas, recuperou a coragem. Aguardem o próximo e emocionante zigue-zague...

Como eu não me posiciono de acordo com a lavagem cerebral da grande mídia e sua capacidade de fazer a cabeça dos videotas, já em março de 2011 repudiei veementemente os massacres com que Israel impõe sua vontade a ferro e fogo, já então ressalvando, contudo, que o terrorismo fundamentalista é igualmente intolerável. 

Ambos são regressivos. Os israelenses querem fazer o relógio da História recuar até o período nazista, só que agora são eles que desempenham o papel dos carrascos e submetem os palestinos a um mini-Holocausto. 
Enquanto isto, o Hamas e seus congêneres tentam nos arrastar de volta à
idade das trevas, quando seres humanos eram abatidos como moscas em nome da idiotia religiosa.

Meu artigo de 2011 foi uma unanimidade às avessas: os dois lados o detestaram e até retaliações sofri por sua causa. Isto, no Brasil, queria dizer que eu tinha acertado na mosca.

Daí ter republicado o Israel é o IV Reich no último dia 10 de outubro, ao constatar que tudo continuava como dantes no quartel de Abrantes:
— os terroristas continuavam provocando os israelenses como forma de fazer aflorar a verdadeira face desses grileiros truculentos;
— os israelenses emitem o sinal de que tudo farão para eternizar a ocupação de terras que não lhes pertencem, inclusive recorrendo às mais bestiais demonstrações de força; e
— como vitrola antiga quebrada, a extrema-direita alinha-se com Israel, a esquerda Fla-Flu com os fundamentalistas impiedosos e ninguém parece realmente preocupado com a contagem de cadáveres  crescendo e os sofrimentos impostos aos civis aumentando.

Já se passou mais de um mês e nada de substancial mudou. A única alteração do quadro é que Israel começa a provocar tamanha repulsa nos seres humanos dotados de espírito crítico que até seu maior aliado já se empenha em refrear-lhe as blitzkriegs. Isto também já aconteceu nas outras vezes.

Acabará se chegando a qualquer acordo para cessar a matança, provavelmente antes do Natal. Mas, como nada realmente vai se resolver, daqui a algumas décadas assistiremos de novo a este filme deprimente.

No fundo, ou Israel elimina todos os muçulmanos ou estes, em número muito maior, mais dia, menos dia vão acabar atirando os israelenses no mar. 

O segundo desfecho se tornará cada vez mais provável à medida que a matriz energética seja substituída por alguma alternativa limpa e o petróleo perca o valor que tem hoje.

Aí a serventia de Israel como leão-de-chácara deixará de existir. Mas, falta sensatez aos seus dirigentes para mudarem de atitude antes que lhes aconteça o pior. 

Deveriam lembrar o sábio conselho do Napoleão Bonaparte: Dá para fazer qualquer coisa com baionetas, exceto sentar-se nelas. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 7 de dezembro de 2022

CESSE TUDO O QUE A ANTIGA MUSA CANTA...

 ...QUE OUTRO VALOR MAIS ALTO SE ALEVANTA!
C
om o futebol atual exigindo cada vez maior vigor e intensidade física, é difícil imaginarmos que ainda veremos atuar numa Copa do Mundo quarentões como o goleiro italiano Dino Zoff (40 anos no Mundial de 1982), o atacante camaronês Roger Milla (42 no de 1994) e outros cinco menos conhecidos.  

Mas, como cantou Sérgio Ricardo num tributo implícito ao inesquecível Mané Garrincha, "homem não chora por fim de glória, dá seu recado enquanto durar sua história". 

A decadência de Cristiano Ronaldo, que dentro de dois meses completará 38 anos, é uma das mais emblemáticas dentre os futebolistas famosos que não souberam manter a dignidade quando o fim de carreira se aproximava.

Teve seu apogeu em 2009-2018 no Real Madrid, mas tornou público o seu desejo de mudar de clube e foi atendido pela Juventus, que adquiriu seu passe na transação mais cara do futebol mundial até então. 

Não correspondeu à expectativa, pois a Juve passou as Champions em branco e, nas três temporadas em que contou com o CR7, só conquistou dois campeonatos italianos, duas Supertaças da Itália e uma Copa da Itália. Não foi, nem de longe, um retorno à altura do investimento. 
No banco, vendo a consagração do seu substituto
Em agosto de 2021 ele voltou ao Manchester United no qual outrora (2003-2009) brilhara e... foi uma total decepção!

Para piorar, na janela de transferências de meados de 2022 quis mudar para algum time que fosse disputar a Champions 2022/2023 e nenhum se interessou. 

Ficou sem ambiente no Manchester United ao abandonar o banco de reservas antes do término de uma partida e ao dar entrevista que teve péssima repercussão interna. 

Foram os próprios companheiros de equipe que exortaram a direção do clube a livrar-se dele antes de sua volta da Copa, o que acabou se consumando por acordo entre as partes.

Como acreditava que bombaria no Mundial, recolocando sua carreira nos eixos, Cristiano ficou indignado por ser substituído no 2º tempo das três partidas de Portugal nas oitavas-de-final. Supôs que, como principal responsável pelas maiores títulos do selecionado português em todos os tempos (a Eurocopa de 2016 e a Liga das Nações da Uefa de 2018-2019), ainda fosse intocável.  

Tornou público seu inconformismo e o técnico Fernando Santos, explicitamente desafiado, pagou pra ver, colocando-o no banco e apostando todas as suas fichas em Gonçalo Ramos, que aos 21 anos já se tornara um astro do Benfica.

O atacante excedeu todas as expectativas, marcando uma incrível tripleta nos 6x1 contra a Suíça e destravando o ataque lusitano, cujo jogo fluiu como nos longínquos tempos de Eusébio (década de 1960). Com isto, claro, o técnico quebrou a banca, adquirindo o direito de frustrar o CR7 sempre que considerar necessário para sua seleção. 

Parece que ele finalmente começou a cair na real, pois aceitou receber uma quantia mirabolante para ir exibir-se por 30 meses no All-Nassr da Arábia Saudita, implicitamente admitindo que sua trajetória no futebol competitivo terminou.  
O CR7 mostrando sua bola de ouro de
2017. 
E o corvo disse: nunca mais!

E até comemorou os gols de Gonçalo Ramos, passando recibo de sua derrota no conflito de gerações.

É outro exemplo gritante da destruição do caráter de um ser humano que a sociedade do espetáculo leva a alturas injustificadas e não percebe estar sendo apenas um joguete dos mercadores e suas tenebrosas transações (como diria o Caetano Veloso).

Notável finalizador e mediano no restante, ele nunca foi um verdadeiro contraponto ao Messi, um craque completo, com um repertório de jogadas muito maior, enorme superioridade técnica, mais rapidez de raciocínio e capacidade de liderar e ditar o ritmo da peça ofensiva. 

No entanto, era conveniente para os negócios simular uma competição entre ambos e, durante a década passada, tal fantasia se sustentou e rendeu muita grana para os manipuladores que a martelavam na mente dos videotas, como diria o Jerzy Kosinski.

Enfim, torço para que o belíssimo futebol apresentado por Portugal contra a Suíça não tenha sido fogo de palha; e para que, com seu atacante-revelação, os lusos cheguem à final. Seria o desfecho mais romântico possível para nós, brasileiros. Só que a França e Argentina têm planos diferentes.

De qualquer forma, pelo menos as semifinais ambos deveremos inevitavelmente alcançar, pois Croácia e Marrocos não passam de moedas que caíram em pé. (por Celso Lungaretti)  

terça-feira, 21 de maio de 2019

A ATUAL CRISE BRASILEIRA É "A MAIS ESDRÚXULA DE TODAS JÁ VISTAS", NA AVALIAÇÃO DE CLÓVIS ROSSI.

O besteirol, que já rolava solto em 64...
clóvis rossi
CENAS EXPLÍCITAS DE ABSURDOS NUM PAÍS
 PERTO DE VOCÊ
Iniciei minha vida profissional, em 1963, cobrindo momentos da conspiração que desaguaria no golpe de 1964. Tenho, portanto, 56 anos de estrada no acompanhamento de crises neste país tropical que parece viciado nelas.

Com tanta experiência, confesso que jamais vi uma crise como a que se desenrola nestes meses. Não sei dizer se é mais ou menos grave que alguma outra ou que todas as outras. Não há um metro exato para medir cada crise.

Mas posso assegurar tranquilamente que é a crise mais esdrúxula que me tocou viver. É um teatro do absurdo levado às últimas consequências, um non sense total e absoluto.

Começa pelo fato de que Jair Bolsonaro confessou publicamente que não nasceu para ser presidente, mas para ser militar. É natural, portanto, que o leitor Lucas Monteiro escreva para a Folha de S. Paulo que Bolsonaro “ainda não entendeu o que é ser presidente".

Claro que ele não entendeu, Lucas, pois não nasceu para o ofício.

Caberia perguntar por que, diabos, então se candidatou a presidente se não é a praia dele? E, uma vez eleito, o que está fazendo no cargo, se não nasceu para ele?
...agora ultrapassa todos os limites.

Talvez o problema esteja no fato de que a carreira para a qual se julga feito tampouco o aceita. Foi expelido do Exército, para a reserva, porque seus companheiros de arma devem tem achado que ele não nascera para ser militar.

Aliás, é um baita non sense um cidadão que se diz talhado para ser militar ter como guru um pilantra que dia sim, outro também, esculhamba os militares em geral. 

Esculhamba, em particular, os militares que Bolsonaro escolheu para acompanhá-lo no governo. E este, em seguida às esculhambações, condecora o escatológico astrólogo. É ou não é um teatro do absurdo?

Mas não fica por aí: o presidente que não nasceu para ser presidente diz que não lhe apetece fazer uma reforma da Previdência. Não obstante, seu guru na Economia (tema ele confessa também não ter nascido para entender) toca como samba de uma nota só reforma da Previdência/reforma da Previdência.

Aí, em dado dia, o cidadão que nasceu para ser militar mas foi expelido da carreira divulga texto de um ex-candidato a vereador obscuro de um partido nanico que diz que o país é ingovernável sem que se façam conchavos que Bolsonaro afirma não estar disposto a fazer.
Ministro da Educação tostando kafka na fogueira

Por isso, segundo o texto, Bolsonaro até agora não fez nada, absolutamente nada. O presidente que não nasceu para ser presidente concorda que não fez nada, posto que divulgou o texto (ninguém em seu juízo perfeito espalha um texto com o qual discorda, a não ser para apresentar a crítica do papel em referência, coisa que Bolsonaro não fez).

A tese de que o Brasil é ingovernável sem conchavos com as corporações (não especificadas no texto, como se fossem alienígenas) é outro non sense. Governar é gerir pressões, demandas e necessidades. A vida, aliás, é também assim. Quem não sabe administrar tais situações não vive bem e, se presidente, não governa bem.

Tudo somado, vem inexoravelmente à memória o filme de 1979 Muito além do jardim, de Hal Ashby. É a história de um jardineiro, magistralmente interpretado por Peter Sellers, de poucas letras (para dizer o mínimo), que perde o emprego da vida toda e, pelo acaso, vai se aproximando de círculos cada vez mais poderosos até chegar à Presidência dos Estados Unidos.

No cinema, me diverti muito. Na vida real, é assustador.

TOQUE DO EDITOR — É o que sempre tento explicar para os interlocutores que me criticam por zoar o governo e a pessoa de Jair Bolsonaro: quem tem um mínimo de sensibilidade artística simplesmente não consegue levar a sério isso que está aí, comparado pelo Clóvis Rossi ao teatro do absurdo e por mim a um espetáculo de aberrações. 

Há também os ranzinzas que confundem a esculhambação à moda do Barão de Itararé ou d'O Pasquim com panfletarismo. Quanta falta de humor! Sou mais jovem aos 68 anos do que essa gente aos 28...

Quanto ao sarcástico artigo do Clóvis Rossi (um jovem de 76 anos!), eu só acrescentaria que, ao invés da analogia com Muito além do jardim, cairia melhor se ele a fizesse com o romance no qual o filme se baseou: O videota (1970), de Jerzy Kosinski. 

Muito mais contundente que Ashby, o polonês Kosinski bateu pesado na TV, pois é por absorver incessantemente a lavagem cerebral da máquina de fazer doidos que o jardineiro se torna, como diz o título, um idiota do vídeo.

Seria o paralelo ideal a se traçar com um idiota da selvageria das redes sociais. 
(por Celso Lungaretti)

sexta-feira, 3 de junho de 2016

PERDEMOS 36 ANOS E CONTINUAMOS DESPERDIÇANDO NOSSO TEMPO

D. Sebastião não voltou, nem Dilma voltará.
Uma constante no meu trabalho é jamais ceder a consensos equivocados, pouco me importando que do outro lado estejam 1 mil ou 1 milhão. O nazismo era praticamente unanimidade na Alemanha até começar a dar com os burros n'água nos campos de batalha da 2ª Guerra Mundial, então certos mesmo estavam os poucos lúcidos que tentavam abrir os olhos dos porrilhões de bovinizados.

E, no caso específico dos esquerdistas, jamais devemos esquecer a vergonhosa pusilanimidade face ao stalinismo, a ponto de terem sido bem poucos os comunistas que ousaram reprovar o inqualificável pacto firmado por Stalin com Hitler, deixando os nazistas desembaraçados para engolirem boa parte da Europa Ocidental, com a certeza de que não seriam atacados pelas costas.

Hoje há um consenso entre a  esquerda plunct-plact-zum (aquela que não vai a lugar nenhum) de que o Governo Temer começou mal a ponto de a Dilma ter chance de voltar para concluir a devastação. Cruz, credo!

Existem mesmo erros, injustiças e a habitual desumanidade direitista. Mas, está sendo ignorado algo importante: aparentemente, as equipes técnicas que realmente tocam o trabalho dos ministérios (o ministro está mais para uma figura de proa que faz pose e diz besteiras) são boas, e isto deve redundar em algumas melhoras concretas, em especial naquela que mais conta para o povão, a recuperação econômica.

Vale lembrar, também, que num país pobre como o Brasil a classe dominante tem suficiente poder de fogo para deixar as pessoas com um tiquinho a mais de grana no bolso quando estiver sendo lacrado o caixão da Dilma no Senado.
Ressurreições?  Faz um tempinho que não ocorrem...  

Nunca me esqueço de que, em 1969, o cidadão comum estava decepcionado com as vacas magras na economia e, embora tivesse medo de se manifestar em público contra o governo, dava muitas mostras de ver com simpatia a nossa luta (dos resistentes que havíamos pegado em armas).

Em 1970 os EUA fizeram investimentos diretos no Brasil equivalentes à soma dos dez anos anteriores. Foi o bastante para deslanchar o milagre e o humor do povo mudar diametralmente. Todo mundo feliz, consumindo e recriminando-nos por estarmos atrapalhando o progresso da Nação...

Enfim, como dizia o velho e bom Marx, por enquanto os explorados são um contingente em si e não para si. Grana no bolso é o que mais conta para eles. E, não se iludam: a burguesia pode afrouxar os parafusos da penúria a seu bel prazer, pelo menos por períodos curtos.

Os novos sebastianistas ignoram também a capacidade que a indústria cultural tem de fazer a cabeça dos videotas (como os chamou Jerzy Kosinski). Só os mais ingênuos dos ingênuos podem supor que o bombardeio a Temer continuará sem resposta quando estiver se aproximando o Dia D no Senado. 

A direita é criteriosa no uso dos seus meios: prefere utilizá-los no instante propício. Muitas revelações acachapantes surgirão, muitos depoimentos vazarão, sabe-se lá quantas prisões ocorrerão e a mídia vai fazer o maior estardalhaço. O clima político será radicalmente outro no momento decisivo.

Sai a conciliação de classes, entra a luta de classes.
Estou elucubrando demais? Vejam o que diz o perspicaz Vinícius Torres Freire sobre os primeiros sinais de guinada na situação da economia:
"[Houve uma] melhora tímida da confiança econômica em maio, do resultado do PIB menos depressivo do que o esperado e de piscadelas de vida da indústria, ainda em coma. 
Uma surpresa positiva foi o investimento (em novas instalações produtivas, equipamentos e construções). Caiu menos do que o esperado nas contas do PIB. Além do mais, nas contas da Pesquisa Industrial Mensal do IBGE, a produção de bens de capital (máquinas e equipamentos) cresce desde janeiro. 
Parecem brotos verdes. Não é isso. Melhor que nada, de qualquer modo".
Resumo da opereta: que continue desperdiçando esforços quem não tem coisa melhor para fazer. A hipótese de uma nova eleição presidencial era mesmo a melhor opção possível para o Brasil, mas a chance foi perdida quando Dilma empacou em não renunciar. 

Era para termos trocado o foco muito antes, esquecendo a defesa de um governo indefensável e adotando a bandeira muito mais simpática de darmos aos brasileiros a chance de escolherem o governante de sua confiança para tirá-los do fundo do poço. 
Estávamos esquecendo o principal

Preferivelmente, a renúncia deveria ter ocorrido no dia seguinte ao da aprovação da abertura do processo de impeachment na Câmara Federal; o mais tardar, no dia seguinte à decisão idem do Senado.

Agora é tarde, Inês é morta. Dilma vai mesmo para casa e nós seremos obrigados a engolir Temer até o último dia de 2018.

Então, ao invés de chorarmos sobre o leite derramado, temos mais é de lançarmos pontes para o futuro desejável, começando pela construção de uma esquerda de verdade, que não se proponha a gerenciar o capitalismo para os capitalistas, mas, pelo contrário, a transformar em profundidade a sociedade brasileira, dando fim à exploração do homem pelo homem.

Perdemos os 36 anos em que tanto nos esforçamos para afirmar o PT e levá-lo à Presidência da República. Estamos de volta ao ponto de partida e temos agora de analisar rigorosamente onde foi que erramos e como evitarmos a repetição desses erros adiante (além do imperativo de separarmos o joio do trigo, depurando nossas fileiras de quantos se tornaram dóceis marionetes do inimigo e/ou comprometeram a imagem da causa utilizando-a ilicitamente em benefício pessoal).

Não há mais tempo a perder. Os responsáveis pela pior derrota por nós sofrida desde 1964 são os mesmos que agora impingem a ilusão de que ainda seja possível revertê-la no Senado. Sabem muito bem que não, mas a obnubilação dos esquerdistas lhes convém: permite que continuem escapando das graves cobranças a que deveriam estar respondendo neste exato instante.

Repito o alerta: a refundação da esquerda é o único caminho para salvá-la da irrelevância.

E, se quisermos detonar a nova hegemonia direitista, o momento decisivo será a eleição presidencial de 2018, desde que já estejamos sob nova direção. Em 2016 a batalha está de antemão perdida.

sábado, 6 de setembro de 2008

VIDEOTAS UNIDOS DA AMÉRICA

A campanha eleitoral estadunidense merece mais espaço na imprensa brasileira do que, talvez, até nos Estados Unidos. Uma vez colonizado, sempre colonizado...

Afora a ingenuidade em supor-se que algo vá mudar substancialmente para nós se eleito Obama ou McCain, nota-se aquele fascínio embasbacado dos bugres pelo país por eles adotado como modelo do que querem ser quando crescerem.

Mas, é um péssimo exemplo, começando por esse ridículo sobe-e-desce dos candidatos presidenciais na pesquisa de opinião, atestando o que os (poucos) bem pensantes estão carecas de saber: tirando Nova York, San Francisco e alguns outros oásis de vida inteligente, os EUA são uma jequeira só.

É o país dos videotas, capazes de acreditar em qualquer bobagem que apareça na maldita telinha (que agora está virando telona, para melhor mesmerizar os bobos). Mudam de opinião umas 50 vezes por mês, a partir do impacto dos eventos de campanha e das espertezas dos Dudas Mendonças de lá.

Então, neste sábado resolvi dar uma dica de literatura: o sarcástico O Videota, do escritor polonês Jerzy Kosinski, que mostra como é patético um cidadão com a cabeça feita pela TV; e como é patética uma sociedade que já não distingue idiotas de sábios.

Em tempo: não pensem que o livro foi fielmente transposto por Hal Ashby para o cinema. Nem remotamente. Muito Além do Jardim segue a norma de Hollywood de, ao adaptá-las para o cinema, atenuar as críticas mais corrosivas que certas obras literárias fazem ao american way of life.

É o retrato sem retoques de uma sociedade em que a máquina de fazer doidos transforma a todos em cérebros de galinha, para que nada mude nunca. Exatamente o que boa parte de nossa grande imprensa almeja para o Brasil.
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