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quinta-feira, 7 de maio de 2026

MAIO É UM BOM MÊS PARA LEMBRARMOS O LIBERTÁRIO 1968 FRANCÊS

Não existe unanimidade quanto ao dia em que começou a chamada Primavera de Parismas um certo consenso quanto às manifestações unicamente estudantis terem se iniciado em 2 de maio de 1968; se avolumado com a entrada de outros segmentos na semana seguinte; e erguido barricadas no dia 10.

São acontecimentos de 58 anos atrás, mas nossa história começa ainda mais longe, em 1871, ano da Comuna de Paris.

O avanço crescente das lutas do proletariado parecia indicar que a profecia de Karl Marx se concretizaria, com uma onda revolucionária varrendo o mundo de forma quase espontânea, como resultado do esgotamento do capitalismo e da necessidade de sua substituição por uma forma mais avançada de organização da sociedade.

ancién régime, no entanto, contou com o braço forte da Alemanha para retomar o controle da situação e massacrar os communards, com as baixas refletindo bem a desigualdade que marcou o enfrentamento entre as tropas da reação (100 mil soldados) e os defensores da primeira república proletária da História (menos de 15 mil milicianos): foram mil os mortos do lado vencedor e 80 mil dentre os perdedores. Ai dos vencidos!
A liberdade guiando o povo (versão 68)
Marx concluiu que os inexperientes revolucionários haviam sido tímidos demais, deixando, p. ex., de 
quebrar a máquina burocrática e militar do Estado enquanto podiam. 

E ficou evidenciado que os governos de países capitalistas acudiam prontamente seus congêneres ameaçados por revoluções, enquanto a solidariedade do proletariado internacional demorava a se organizar.

Lênin foi além, priorizando a estruturação de um partido revolucionário duro, que funcionasse com uma disciplina quase militar, apto a assumir a liderança dos trabalhadores nos momentos agudos para direcionar corretamente sua ação. 

Sua concepção vanguardista levava em conta, também, o surgimento de opositores relevantes no campo da esquerda: os adepto do reformismo, para o qual tendia naturalmente a chamada aristocracia proletária (os operários com cargos superiores e salários mais elevados).  

Constatando que a perspectiva de melhorarem progressivamente de vida sob o capitalismo, sem revolução nenhuma, seduzia muitos trabalhadores, Lênin chegou à conclusão de que o proletariado não se compenetraria espontaneamente de que seu papel histórico era o de dar um fim à exploração capitalista.

Necessitava de uma vanguarda que, participando com ele das lutas por ganhos materiais, lhe fosse incutindo a compreensão de que as eventuais vitórias eram ilusórias e logo se dissipariam, daí a necessidade de uma profunda e definitiva transformação da sociedade para que as conquistas se eternizassem.

Lênin estava certo em termos de eficácia: só um partido como o Bolchevique conseguiria tomar o poder em novembro de 1917, apesar de contar com efetivos bem menores do que os de seus competidores do campo da esquerda. 

Em momentos críticos, poucos são os militantes que sabem o que querem, estão dispostos a irem até o fim e obedecem sem pestanejar a comandantes capazes. 
Esses poucos, contudo, pesam bem mais do que muita gente confusa, sem grande determinação nem líderes à altura dos acontecimentos.

Mas, a profecia de Trotsky sobre a maldição do vanguardismo, lançada no tempo em que ele ainda se opunha aos bolcheviques, também se revelou correta: Primeiramente, o partido substitui o proletariado. Depois, o Comitê Central substitui o partido. Finalmente, um tirano substitui o Comitê Central.

O certo é que a União Soviética foi se tornando um mero capitalismo de Estado totalitário: 
— seja porque a vanguarda bolchevique incubava mesmo uma nomenklatura ou seja, uma burocracia partidária quase equivalente a uma nova classe privilegiada;
— seja porque a Rússia não estava mesmo pronta para o socialismo e os vitoriosos de 1917 foram obrigados a cumprir, em seguida, muitas tarefas características de uma revolução burguesa, com a duplicidade de objetivos necessariamente causando desvirtuamentos;
— seja porque o proletariado russo, embora aguerrido e heroico, era numericamente muito reduzido, tendo boa parte dos seus melhores filhos tombado na defesa da revolução;
 Invasão da Tchecoslováquia desiludiu socialistas do mundo inteiro
— seja porque a consolidação do novo regime se deu em condições dramáticas, num terrível isolamento, com a URSS  tendo de, em 1918/1921, resistir sozinha à invasão de tropas de umas 20 nações capitalistas e aos contingentes dos reacionários internos, para depois desenvolver esforços hercúleos no sentido de saltar rapidamente de um país com desenvolvimento tardio para uma nação moderna).

De certa forma, a União Soviética, sob a tosca tirania de Stalin, serviu como espantalho para a propaganda capitalista dissuadir os operários das nações economicamente mais avançadas de seguirem na mesma direção. 

Contrariando a constatação de Marx, segundo quem eram os países mais pujantes que determinavam o destino da humanidade, com as demais sendo arrastados por sua dinâmica, as revoluções seguintes se deram em países pobres, desorganizados por guerras ou ainda emancipando-se da dominação colonial.

E o capitalismo foi aprendendo a lidar de forma cada vez mais eficiente com as várias tentativas vanguardistas que foram surgindo: seja vencer militarmente as guerrilhas urbanas e rurais, seja asfixiar economicamente ou derrubar governantes adversos por meio das Forças Armadas, do Judiciário ou do Legislativo de seus países.

Mas, a revolta jovem de 1968 na França foi o primeiro indício de que a História não tem fim e, quando algumas portas se fecham, outras se abrem. O capitalismo não tem tudo dominado, nem jamais terá; pelo contrário, marcha em passos rápidos para a extinção, que só vai significar o fim da História profetizada por Francis Fukuyama se a própria espécie humana extinguir-se junto com ele.

A sociedade que desenvolveu ao máximo os meios de comunicação é também a sociedade em que uma simples centelha evolui rapidamente para incêndio, surpreendendo governos e suas polícias.

Já em 1968, uma onda de paralisações em escolas de Paris evoluiu rapidamente para uma formidável greve geral, fazendo o presidente De Gaulle balançar no cargo, que só conservou graças à boia que o Partido Comunista Francês lhe atirou, mais interessado em manter sua liderança nas entidades sindicais do que em fazer a revolução. 

Merecidamente, ao agir como fura-greves da nova Comuna de Paris (são muito significativas as semelhanças da pauta dos communards de 1871 com a dos congêneres de 1968, ambas inspiradíssimas!), o PCF se condenou à insignificância. Os franceses não são tão condescendentes com relação às atuações desastrosas de seus partidos quanto os esquerdistas brasileiros...

E, nas manifestações contra o capitalismo e suas mazelas que vêm marcando o século atual, incluindo as jornadas de junho de 2013 no Brasil, a pulverização da vanguarda é uma característica comum. 

Não há força majoritária da esquerda as convocando e conduzindo, mas uma imensidão de células independentes imantadas pelas redes sociais.Fazem lembrar as ondas revolucionárias que, segundo Marx, varreriam o mundo. 

Dá para imaginarmos que, com a agonia capitalista chegando ao ponto decisivo, uma crise do tipo da imobiliária de 2007/2008 possa não só evoluir para um clash como em 1929, mas também gerar uma reação da sociedade equivalente à Primavera de Paris.

Concordo com o Zuenir Ventura: 1968 não terminou. Os fios da História poderão até ser reatados mais de meio século depois, por que não? (por Celso Lungaretti)  

quarta-feira, 21 de setembro de 2022

ADEUS, PASSADO VELHO! FELIZ PASSADO NOVO! – 2

(continuação deste post)
Não pode vender a ideia de ser um outsider da política...
O
s candidatos, na sua pregação eleitoral em busca do voto, não podem ser francos sob pena de cometerem sincericídios. 

Têm de vender soluções simples para problemas estruturais complexos que estão fora do alcance das receitas fiscais, cada vez menores em relação ao custo das demandas sociais por serem atendidas.

O governante, tal qual um surfista numa onda, não altera a estrutura da onda, mas apenas nela se equilibra para chegar na praia de pé. 

Com a passar dos anos vem o inevitável desgaste, como agora está a ocorrer com Boçalnaro, o ignaro, que, após quatro anos de desgoverno:
— já não pode vender a ideia de ser um outsider da política (que, aliás, desde o século passado não o é; 
— nem dizer que é um combatente da corrupção (como fez, imitando Jânio Quadros e Fernando Color), após ser descoberto seu milionário patrimônio imobiliário comprado com dinheiro vivo;
— muito menos pretender que é um liberal na economia, pois age como mais um nacionalista estatizante militarista em busca de poder;
— ou delirar que a prosperidade de todos vai ocorrer na terra prometida, quando se constata que temos inflação alta, desemprego terrível, queda do PIB e outras mazelas típicas de um capitalismo em fim de feira.

O PT de Lula não foi o PT de Dilma, simplesmente porque a crise cíclica capitalista é cada vez mais frequente e intensa, como essa de 2008/2009 que se prolonga até os dias de hoje. Nunca se tratou de uma inofensiva marolinha.

A crise do capital consiste na incompatibilidade de um modo de produção de mercadorias que ora substitui substancialmente o trabalho abstrato humano (capital variável) pelas máquinas e computadores (capital fixo) e mata a galinha dos ovos de ouro (esse mesmo trabalho abstrato) numa proporção bem maior do que os novos nichos de mercado que vão surgindo. 
...nem dizer que é um combatente da corrupção...

Para piorar, existem os agravantes climáticos, pandêmicos e bélicos dela decorrentes.

Urge que nós reflitamos sobre o colapso de uma mediação social ou relação social baseada em pressupostos os mais caducos, consubstanciados nas categorias capitalistas valor e trabalho abstrato representadas pelas mercadorias (corporificadas em objetos e serviços) e o dinheiro (mercadoria especial, a única que não tem valor de uso em si). 

Mais não são do que coisas que ganham dupla personalidade (valor de uso e valor de troca), simultaneamente reais e abstratas.

A fase desenvolvida do capital, ora no seu ocaso, serviu historicamente para promover a escravização indireta em substituição à escravização direta feudal que se configurava como explicitação evidente da nossa irracional desumanidade em processo de decantação.

Acontece, contudo, que a dialética do movimento social nunca esteve prestes a cessar, impulsionada que é pelas contradições do capital. Não houve nenhum fim da história, mas apenas um estágio temporal curto desta (a fase adulta do capitalismo não tem mais de que 200 anos). E agora está a nos cobrar uma nova revolução social nos costumes, no nosso sistema de produção social e na nossa organização estrutural de base.

Endeusar a constituição burguesa não é antídoto eficaz contra qualquer constituição ditatorial também burguesa, mas apenas uma promessa de descrédito no curso prazo que pode levar muitos à crença nos arbítrios propagandeados por ideias totalitárias (tão em voga, mundo afora e sem pejo) por falsos profetas e salvadores da pátria como aconteceu em 2018, numa repetição histórica que pode ocorrer novamente após um ciclo breve de decepções burguesas prenunciadas (Jânio, Collor e Boçalnaro são exemplos de retrocessos cíclicos).
...ainda mais depois de terem sido descobertas
suas compras de imóveis com dinheiro vivo!

Defender os ganhos civilizatórios conquistados a duras penas pela humanidade requer consciência e tenacidade de ação; seria insensato deitarmos nos louros de algumas vitórias que podem escorrer pelos dedos como se tentássemos prender a água numa só mão fechada.

Vivemos a fase da contradição inconciliável entre forma e conteúdo sociais em processo de mutação acelerado e isto requer posturas avançadas e destemidas.

Não devemos quebrar o espelho por não concordarmos com aquilo que ele nos mostra, mas refletirmos sobre a forma espelhada e, conscientemente, pegar o touro (como aquele de Wall Street) pelo chifre.

Na falta de um projeto social da humanidade por um mundo uno, o que se observa é a guerra por uma nova configuração geopolítica de poder, com a clara formação de blocos em disputa pela hegemonia capitalista, como o euroasiático (Rússia e China) e o ocidental (Estados Unidos e União Europeia) disputando poderio militar genocida.

O pior é que se formam lados políticos de defesa de um ou de outro bloco, os quais, como diria o brilhante dramaturgo Plínio Marcos, mais parecem dois perdidos numa noite suja.

Faltam, portanto, debates sociais científico sobres causas e consequências, só que, infelizmente, eles:
— não podem ser feitos no âmbito da corrida eleitoral, quando o foco é sempre muito mais rasteiro;
— também não são feitos amplamente no âmbito das academias (sejam elas privadas ou públicas); 
— nem no universo da mídia empresarial, que tem objetivos inversos a tal propósito libertador, além de serem instituições presas ao imediatismo da sobrevivência corporativa de cada segmento.
"a pobreza dos bairros pobres onde residem 
os catadores de restos dos lixões suburbanos..."

Assim, adia-se o enfrentamento social até o limite perigoso da realidade catastrófica que pode nos extinguir como espécie.

Minha análise é deveras trágica, contudo mais trágica ainda é a realidade de um Brasil que, sendo grande exportador de alimentos para o mundo tem parte da sua população faminta, seja no campo ou nas cidades cindidas entre o luxo dos bairros ricos e a pobreza dos bairros pobres onde residem os catadores de restos dos lixões suburbanos, ou abrindo sacos de lixo para comer alimentos apodrecidos!

Os anos vindouros certamente serão bem difíceis, mas podem também ser libertários, dependendo das nossas ações conscientes, nunca das nossas omissões inconscientes.

Viva Jean-Luc Godard e Guy Debord, heróis do premonitório maio de 1968 francês! Os dois optaram pelo suicídio suicidas por não suportarem mais levar uma vida social desumana e caótica. (por Dalton Rosado) 

sábado, 27 de agosto de 2022

BIBLIOTECAS PÚBLICAS SÃO INÚTEIS PARA PRIVILEGIADOS E HOMENS UNIDIMENSIONAIS

R
eportagem de Thaís Carrança na BBC News Brasil alerta que nosso país perdeu ao menos 764 bibliotecas públicas entre 2015 e 2020. 

Eram 6.057, passaram a 5.293. Ou menos ainda, pois o poder público as trata com tal descaso que nem sequer o número de bibliotecas fechadas é totalmente confiável, tal a fragilidade do Sistema Nacional de Bibliotecas Públicas após a extinção do Ministério da Cultura. 

falta de controle efetivo pelos sistemas estaduais, cujos dados alimentam o sistema nacional, constatou a repórter.

Nada menos que 70% dessas bibliotecas fechadas se localizavam em São Paulo, o que sugere uma migração dos usuários para os meios virtuais. E o quadro deve ter piorado mais ainda com a pandemia, quando a ida pessoal às bibliotecas foi fortemente desestimulada.

Sou cria das bibliotecas públicas: comecei a frequentá-las lá por 1962, aos 11 anos, quando ingressei no ginásio. 

Lembro-me de que, além de utilizá-las para trabalhos escolares, li antologias de contos de vários países para conhecer autores. Daqueles que me agradavam muito eu ia, em seguida, retirar romances e novelas.
Do que me serviu o hábito da leitura? Antes de mais nada, para perceber melhor as motivações das pessoas, por que elas agiam como agiam, aonde queriam chegar e por qual ou quais motivos. 

Como naquele tempo os livros eram escritos (ou traduzidos) com muito mais correção gramatical e elegância, aprendi a expressar-me corretamente antes mesmo de conhecer as regrinhas ensinadas nas aulas de português. Tocava as músicas de ouvido.

E, principalmente, me dei conta de que havia uma infinidade de enfoques e explicações possíveis para quase tudo, de forma que nunca me aferrava à primeira informação absorvida. 

Já naquela idade eu adquiri imunidade, por exemplo, contra as pregações falaciosas dos mercadores da fé mercantilizada, bem como com o besteirol alucinado que fanatiza os ultradireitistas em geral e cada bolsominion em particular...   

Tornei-me um autodidata, preferindo abrir meus caminhos do que seguir orientações de adultos (até porque Monteiro Lobato me predispuzera a ver os medalhões das ciências e das letras como pavões ridículos, amiúde a soldo dos poderosos). 

E me apaixonei pelos romances biográficos e pelas novelas fantásticas ou de ficção-científica. 

A História já me fascinara bem antes, quando li A História do Mundo Para as Crianças, também do Monteiro Lobato. Na biblioteca circulante da Mooca descobri, atraído pelos títulos e dando olhadelas básicas na orelha de seus livros, autores como Maurice Druon, cuja série de sete volumes sobre Os Reis Malditos é um prodigio da romantização dos acontecimentos e personagens verídicos, muito mais agradável do que os insossos livros didáticos.

E a sci-fi provavelmente me encantou porque a época em que passei a meninice me parecia uma poça de água parada; eu esgotava com rapidez o processo de absorção da realidade presente e ficava ansioso pelas mudanças previsíveis que sempre demoravam demais para acontecer. 

Com a História minha mente vagava pelo passado; com os visionários (Júlio Verne, H. G. Wells, etc.)  e os distópicos (Aldous Huxley, George Orwell, etc.) conjeturava sobre o porvir. 

Ao adquirir tanto conhecimento sobre como se articulavam e que tipo de consciências formavam as sociedades do passado e ler projeções sobre as sociedades do futuro, percebi claramente que a História não tem fim (apenas os Fukuyamas da vida creem nisto) e que tudo sempre poderia mudar para melhor ou para pior. A revolução só entrou na minha vida em 1967, mas tal encontro estava escrito nas estrelas. 
por Celso Lungaretti
Temo que os jovens formados pela sofreguidão e utilitarismo digitais, que condiciona as novas gerações a buscarem rapidamente algum conhecimento específico para uso imediato, venham mesmo a se tornarem cada vez mais unidimensionais, conforme advertiu Herbert Marcuse no seu clássico de quase seis décadas atrás (
One-Dimensional Man, aqui intitulado Ideologia da Sociedade Industrial). 

domingo, 2 de dezembro de 2018

DOS SANS CULLOTES AOS COLETES AMARELOS

As barricadas parisienses de maio de 1968...
Por um capricho da História, as efemérides dos dois marcos revolucionários mais significativos do século 20 se sucederam entre novembro/2017 e maio/2018, como que nos convidando a refletir sobre ambos.

A revolução russa de 1917 foi a mais clássica das revoluções inspiradas pelo marxismo – e também o divisor de águas entre os ideais românticos do século 19 e uma tentativa de atualização que produziria um épico... desvirtuamento!

Até a Comuna de Paris (1871), o avanço crescente das lutas do proletariado parecia indicar que a profecia de Karl Marx se concretizaria, com uma onda revolucionária varrendo o mundo de forma quase espontânea, como resultado do esgotamento do capitalismo e da necessidade de sua substituição por uma forma mais avançada de organização da sociedade.

ancien régime, no entanto, contou com o braço forte da Alemanha para retomar o controle da situação e massacrar os communards, com as baixas refletindo bem a desigualdade que marcou o enfrentamento entre as tropas da reação (100 mil soldados) e os defensores da primeira república proletária da História (menos de 15 mil milicianos): foram mil os mortos do lado vencedor e 80 mil dentre os perdedores. Ai dos vencidos!
...e as da Comuna de Paris, em 1871.

Marx concluiu que os inexperientes revolucionários haviam sido tímidos demais, deixando, p. ex., de quebrar a máquina burocrática e militar do Estado enquanto podiam. 

E ficou evidenciado que os governos de países capitalistas acudiam prontamente seus congêneres ameaçados por revoluções, enquanto a solidariedade do proletariado internacional demorava a se organizar.

Lênin foi além, priorizando a estruturação de um partido revolucionário duro, que funcionasse com uma disciplina quase militar, apto a assumir a liderança dos trabalhadores nos momentos agudos para direcionar corretamente sua ação. 

Sua concepção vanguardista levava em conta, também, o surgimento de opositores relevantes no campo da esquerda: os adepto do reformismo, para o qual tendia naturalmente a chamada aristocracia proletária (os operários com cargos superiores e salários mais elevados).  

Constatando que a perspectiva de melhorarem progressivamente de vida sob o capitalismo, sem revolução nenhuma, seduzia muitos trabalhadores, Lênin chegou à conclusão de que o proletariado não se compenetraria espontaneamente de que seu papel histórico era o de dar um fim à exploração capitalista: necessitava de uma vanguarda que, participando com ele das lutas por ganhos materiais, lhe fosse incutindo a compreensão de que as eventuais vitórias eram ilusórias e logo se dissipariam, daí a necessidade de uma profunda e definitiva transformação da sociedade para que as conquistas se eternizassem.
Lênin e Trotsky: enormes acertos e alguns erros.
Lênin estava certo em termos de eficácia: só um partido como o Bolchevique conseguiria tomar o poder em novembro de 1917, apesar de contar com efetivos bem menores do que os de seus competidores do campo da esquerda. Em momentos críticos, poucos militantes que sabem o que querem, estão dispostos a irem até o fim e obedecem sem pestanejar a comandantes capazes pesam muito mais do que muita gente confusa, sem grande determinação nem líderes à altura dos acontecimentos.

Mas, a profecia de Trotsky sobre a maldição do vanguardismo, lançada no tempo em que ele ainda se opunha aos bolcheviques, também se revelou correta: "Primeiramente, o partido substitui o proletariado. Depois, o Comitê Central substitui o partido. Finalmente, um tirano substitui o Comitê Central".

O certo é que a Rússia foi se tornando um mero capitalismo de Estado totalitário: 

— seja porque a vanguarda bolchevique incubava mesmo uma nomenklatura ou seja, uma burocracia partidária quase equivalente a uma nova classe privilegiada;

— seja porque a Rússia não estava mesmo pronta para o socialismo e os vitoriosos de 1917 foram obrigados a cumprir, em seguida, muitas tarefas características de uma revolução burguesa, com a duplicidade de objetivos necessariamente causando desvirtuamentos;

— seja porque o proletariado russo, embora aguerrido e heroico, era numericamente muito reduzido, tendo boa parte dos seus melhores filhos tombado na defesa da revolução;
A liberdade guiando o povo (versão 1968)

— seja porque a consolidação do novo regime se deu em condições dramáticas, num terrível isolamento, com a Rússia tendo de, em 1918-1921, resistir sozinha à invasão de tropas de umas 20 nações capitalistas e aos contingentes dos reacionários internos, para depois desenvolver esforços hercúleos no sentido de saltar rapidamente de um país com desenvolvimento tardio para uma nação moderna).

De certa forma, a União Soviética, sob a tosca tirania de Stalin, serviu como espantalho para a propaganda capitalista dissuadir os operários das nações economicamente mais avançadas de seguirem na mesma direção. 

Contrariando a constatação de Marx, segundo quem eram os países mais pujantes que determinavam o destino da humanidade, com as demais sendo arrastados por sua dinâmica, as revoluções seguintes se deram em países pobres, desorganizados por guerras ou ainda emancipando-se da dominação colonial.

E o capitalismo foi aprendendo a lidar de forma cada vez mais eficiente com as várias tentativas vanguardistas que foram surgindo: seja vencer militarmente as guerrilhas urbanas e rurais, seja asfixiar economicamente ou derrubar governantes adversos por meio das Forças Armadas, Judiciário ou Legislativo de seus países.

Mas, a revolta jovem de 1968 na França foi o primeiro indício de que a História não tem fim e, quando algumas portas se fecham, outras se abrem. O capitalismo não tem tudo dominado, nem jamais terá; pelo contrário, marcha em passos rápidos para a extinção, que só vai significar o fim da História profetizada por Francis Fukuyama se a própria espécie humana extinguir-se junto com ele.

A sociedade que desenvolveu ao máximo os meios de comunicação é também a sociedade em que uma simples centelha evolui rapidamente para incêndio, surpreendendo governos e suas polícias.
Uma nova esquerda despontou em 2013. E foi tratada a pontapés pela velha...
Já em 1968, uma onda de paralisações em escolas de Paris evoluiu rapidamente para uma formidável greve geral, fazendo o presidente De Gaulle balançar no cargo, que só conservou graças à boia que o Partido Comunista Francês lhe atirou, mais interessado em manter sua liderança nas entidades sindicais do que em fazer a revolução. 

Merecidamente, ao agir como fura-greves da nova Comuna de Paris (são muito significativas as semelhanças da pauta dos communards de 1871 com a dos congêneres de 1968, ambas inspiradíssimas!), o PCF se condenou à insignificância. Os franceses não são tão condescendentes com relação às atuações desastrosas de seus partidos quanto os esquerdistas brasileiros...

E, nas manifestações contra o capitalismo e suas mazelas que vêm marcando a década atual, incluindo as jornadas de junho de 2013 no Brasil, a pulverização da vanguarda é uma característica comum. Não há força majoritária da esquerda as convocando e conduzindo, mas uma imensidão de células independentes imantadas pelas redes sociais.
Este título de livro se revelará profético?

Fazem lembrar as ondas revolucionárias que, segundo Marx, varreriam o mundo. Dá para imaginarmos que, com a agonia capitalista chegando ao ponto decisivo, uma crise do tipo da imobiliária de 2007/2008 possa não só evoluir para um clash como de 1929, mas também gerar uma reação da sociedade equivalente à Primavera de Paris.

Concordo com Zuenir Ventura: 1968 não terminou. Os fios da História poderão até ser reatados meio século depois, por que não? 

O certo é que, se tal acontecer, há uma grande chance de a centelha revolucionária novamente provir da França, quem sabe tendo manifestantes com coletes amarelos a empunharem a tocha libertária dos sans cullotes (*) de outrora... (por Celso Lungaretti)
.
* Sans-culottes (sem calção) era como os aristocratas denominavam, pejorativamente, os artesãos, trabalhadores e pequenos proprietários participantes da Grande Revolução Francesa. Os culotes eram uma espécie de calções justos que se apertavam na altura dos joelhos, vestimenta típica da nobreza. Já os sans-culottes, que vestiam uma calça comprida de algodão grosseiro, geralmente lideravam as manifestações nas ruas.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

COMEÇOU UM NOVO 1968 NA FRANÇA?

(o que é mostrado abaixo está ocorrendo
HOJE, não meio século atrás!)
Lê-se na edição digital do jornal francês Le Monde que trabalhadores de ferrovias e hospitais, carteiros e funcionários públicos estavam ontem (19/04/2018) lado a lado com estudantes em atos convocados pela CGT e Solidaires (as centrais sindicais de esquerda e extrema-esquerda). 

O título: Entre 119.500 e 300.000 manifestantes contra governo, sendo o primeiro número da polícia e o segundo, dos organizadores.
Estará renascendo na França/2018...

O Libération destaca que o prédio principal da Sciences-Po, escola na qual o presidente Emmanuel Macron se formou, foi tomado por estudantes contrários à ditadura macroniana.


E,  mais reacionário ainda do que o Jair Bolsonaro, Le Figaro mancheteou o que torce muito para ver tornar-se realidade: Franceses divididos sobre uso da força para evacuar universidades.

Da minha parte, torço exatamente pelo contrário: para as manifestações se avolumarem a tal ponto que reeditem as jornadas de 1968, reatando os fios da História. 

Trata-se de uma esperança que frequenta meus escritos há décadas. Talvez a explicação mais completa que dei tenha sido esta:
...a esperança que inspirou o mundo em 1968?
"...a União Soviética, sob a tosca tirania de Stalin, serviu como espantalho para a propaganda capitalista dissuadir os operários das nações economicamente mais avançadas de seguirem na mesma direção. 

Contrariando a constatação de Marx, segundo quem eram os países mais pujantes que determinavam o destino da humanidade, com as demais sendo arrastados por sua dinâmica, as revoluções seguintes se deram em países pobres, desorganizados por guerras ou ainda emancipando-se da dominação colonial.

E o capitalismo foi aprendendo a lidar de forma cada vez mais eficiente com as várias tentativas vanguardistas que foram surgindo: seja vencendo militarmente as guerrilhas urbanas e rurais, seja asfixiando economicamente ou derrubando governantes adversos por meio das Forças Armadas, do Judiciário ou do Legislativo de seus respectivos países.

Mas, a revolta jovem de 1968 na França foi o primeiro indício de que a História não tem fim e, quando algumas portas se fecham, outras se abrem. O capitalismo não tem tudo dominado, nem jamais terá; pelo contrário, marcha em passos rápidos para a extinção, que só vai significar o fim da História profetizado por Francis Fukuyama se a própria espécie humana extinguir-se junto com ele.
Uma nova esquerda despontou em 2013. E foi tratada a pontapés pela velha...
A sociedade que desenvolveu ao máximo os meios de comunicação é também a sociedade em que uma simples centelha evolui rapidamente para incêndio, surpreendendo governos e suas polícias.

Já em 1968, uma onda de paralisações em escolas de Paris evoluiu rapidamente para uma formidável greve geral, fazendo o presidente De Gaulle balançar no cargo, que só conservou graças à boia que o Partido Comunista Francês lhe atirou, mais interessado em manter sua liderança nas entidades sindicais do que em fazer a revolução. 
...que parece ter esquecido totalmente o próprio passado.

Merecidamente, ao agir como fura-greves da nova Comuna de Paris (são marcantes as semelhanças entre o que propunham communards de 1871 e a pauta de seus congêneres de 1968, ambas, aliás, inspiradíssimas!), o PCF se condenou à insignificância. Os franceses não são tão condescendentes com relação às atuações desastrosas de seus partidos quanto os esquerdistas brasileiros...

E, nas manifestações contra o capitalismo e suas mazelas que vêm marcando a década atual, incluindo as jornadas de junho de 2013 no Brasil, a pulverização da vanguarda é uma característica comum. Não há força majoritária da esquerda as convocando e conduzindo, mas uma imensidão de células independentes imantadas pelas redes sociais.
Este título se revelará profético?

Fazem lembrar as ondas revolucionárias que, segundo Marx, varreriam o mundo. Dá para imaginarmos que, com a agonia capitalista chegando ao ponto decisivo, uma crise do tipo da imobiliária de 2007/2008 possa não só evoluir para um clash como o de 1929, mas também gerar uma reação da sociedade equivalente à Primavera de Paris.

Concordo com Zuenir Ventura: 1968 não terminou. Os fios da História poderão até ser reatados meio século depois, por que não?"

sábado, 30 de dezembro de 2017

1968 NÃO TERMINOU: OS FIOS DA HISTÓRIA PODERÃO ATÉ SER REATADOS MEIO SÉCULO DEPOIS, POR QUE NÃO?

OS 50 ANOS DA PRIMAVERA DE PARIS
As barricadas parisienses de maio de 1968...
Por um capricho da História, as efemérides dos dois marcos revolucionários mais significativos do século 20 agora se sucederam, como que nos convidando a refletir sobre ambos.

A revolução russa de 1917 foi a mais clássica das revoluções inspiradas pelo marxismo – e também o divisor de águas entre os ideais românticos do século 19 e uma tentativa de atualização que produziria um épico... desvirtuamento!

Até a Comuna de Paris (1871), o avanço crescente das lutas do proletariado parecia indicar que a profecia de Karl Marx se concretizaria, com uma onda revolucionária varrendo o mundo de forma quase espontânea, como resultado do esgotamento do capitalismo e da necessidade de sua substituição por uma forma mais avançada de organização da sociedade.

O ancien régime, no entanto, contou com o braço forte da Alemanha para retomar o controle da situação e massacrar os communards, com as baixas refletindo bem a desigualdade que marcou o enfrentamento entre as tropas da reação (100 mil soldados) e os defensores da primeira república proletária da História (menos de 15 mil milicianos): foram mil os mortos do lado vencedor e 80 mil dentre os perdedores. Ai dos vencidos!
...e as da Comuna de Paris, em 1871.

Marx concluiu que os inexperientes revolucionários haviam sido tímidos demais, deixando, p. ex., de quebrar a máquina burocrática e militar do Estado enquanto podiam. 

E ficou evidenciado que os governos de países capitalistas acudiam prontamente seus congêneres ameaçados por revoluções, enquanto a solidariedade do proletariado internacional demorava a se organizar.

Lênin foi além, priorizando a estruturação de um partido revolucionário duro, que funcionasse com uma disciplina quase militar, apto a assumir a liderança dos trabalhadores nos momentos agudos para direcionar corretamente sua ação. 

Sua concepção vanguardista levava em conta, também, o surgimento de opositores relevantes no campo da esquerda: os adepto do reformismo, para o qual tendia naturalmente a chamada aristocracia proletária (os operários com cargos superiores e salários mais elevados).  

Constatando que a perspectiva de melhorarem progressivamente de vida sob o capitalismo, sem revolução nenhuma, seduzia muitos trabalhadores, Lênin chegou à conclusão de que o proletariado não se compenetraria espontaneamente de que seu papel histórico era o de dar um fim à exploração capitalista: necessitava de uma vanguarda que, participando com ele das lutas por ganhos materiais, lhe fosse incutindo a compreensão de que as eventuais vitórias eram ilusórias e logo se dissipariam, daí a necessidade de uma profunda e definitiva transformação da sociedade para que as conquistas se eternizassem.
Lênin e Trotsky: enormes acertos e alguns erros.
Lênin estava certo em termos de eficácia: só um partido como o Bolchevique conseguiria tomar o poder em novembro de 1917, apesar de contar com efetivos bem menores do que os de seus competidores do campo da esquerda. Em momentos críticos, poucos militantes que sabem o que querem, estão dispostos a irem até o fim e obedecem sem pestanejar a comandantes capazes pesam muito mais do que muita gente confusa, sem grande determinação nem líderes à altura dos acontecimentos.

Mas, a profecia de Trotsky sobre a maldição do vanguardismo, lançada no tempo em que ele ainda se opunha aos bolcheviques, também se revelou correta: "Primeiramente, o partido substitui o proletariado. Depois, o Comitê Central substitui o partido. Finalmente, um tirano substitui o Comitê Central".

O certo é que a Rússia foi se tornando um mero capitalismo de Estado totalitário: 

— seja porque a vanguarda bolchevique incubava mesmo uma nomenklatura ou seja, uma burocracia partidária quase equivalente a uma nova classe privilegiada;

— seja porque a Rússia não estava mesmo pronta para o socialismo e os vitoriosos de 1917 foram obrigados a cumprir, em seguida, muitas tarefas características de uma revolução burguesa, com a duplicidade de objetivos necessariamente causando desvirtuamentos;

— seja porque o proletariado russo, embora aguerrido e heroico, era numericamente muito reduzido, tendo boa parte dos seus melhores filhos tombado na defesa da revolução;
A liberdade guiando o povo (versão 1968)

— seja porque a consolidação do novo regime se deu em condições dramáticas, num terrível isolamento, com a Rússia tendo de, em 1918-1921, resistir sozinha à invasão de tropas de umas 20 nações capitalistas e aos contingentes dos reacionários internos, para depois desenvolver esforços hercúleos no sentido de saltar rapidamente de um país com desenvolvimento tardio para uma nação moderna).

De certa forma, a União Soviética, sob a tosca tirania de Stalin, serviu como espantalho para a propaganda capitalista dissuadir os operários das nações economicamente mais avançadas de seguirem na mesma direção. 

Contrariando a constatação de Marx, segundo quem eram os países mais pujantes que determinavam o destino da humanidade, com as demais sendo arrastados por sua dinâmica, as revoluções seguintes se deram em países pobres, desorganizados por guerras ou ainda emancipando-se da dominação colonial.

E o capitalismo foi aprendendo a lidar de forma cada vez mais eficiente com as várias tentativas vanguardistas que foram surgindo: seja vencer militarmente as guerrilhas urbanas e rurais, seja asfixiar economicamente ou derrubar governantes adversos por meio das Forças Armadas, Judiciário ou Legislativo de seus países.

Mas, a revolta jovem de 1968 na França foi o primeiro indício de que a História não tem fim e, quando algumas portas se fecham, outras se abrem. O capitalismo não tem tudo dominado, nem jamais terá; pelo contrário, marcha em passos rápidos para a extinção, que só vai significar o fim da História profetizada por Francis Fukuyama se a própria espécie humana extinguir-se junto com ele.

A sociedade que desenvolveu ao máximo os meios de comunicação é também a sociedade em que uma simples centelha evolui rapidamente para incêndio, surpreendendo governos e suas polícias.
Uma nova esquerda despontou em 2013. E foi tratada a pontapés pela velha...
Já em 1968, uma onda de paralisações em escolas de Paris evoluiu rapidamente para uma formidável greve geral, fazendo o presidente De Gaulle balançar no cargo, que só conservou graças à boia que o Partido Comunista Francês lhe atirou, mais interessado em manter sua liderança nas entidades sindicais do que em fazer a revolução. 

Merecidamente, ao agir como fura-greves da nova Comuna de Paris (são muito significativas as semelhanças da pauta dos communards de 1871 com a dos congêneres de 1968, ambas inspiradíssimas!), o PCF se condenou à insignificância. Os franceses não são tão condescendentes com relação às atuações desastrosas de seus partidos quanto os esquerdistas brasileiros...

E, nas manifestações contra o capitalismo e suas mazelas que vêm marcando a década atual, incluindo as jornadas de junho de 2013 no Brasil, a pulverização da vanguarda é uma característica comum. Não há força majoritária da esquerda as convocando e conduzindo, mas uma imensidão de células independentes imantadas pelas redes sociais.
Este título se revelará profético?

Fazem lembrar as ondas revolucionárias que, segundo Marx, varreriam o mundo. Dá para imaginarmos que, com a agonia capitalista chegando ao ponto decisivo, uma crise do tipo da imobiliária de 2007/2008 possa não só evoluir para um clash como de 1929, mas também gerar uma reação da sociedade equivalente à Primavera de Paris.

Concordo com Zuenir Ventura: 1968 não terminou. Os fios da História poderão até ser reatados meio século depois, por que não?  
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