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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

O BOZO PENSA QUE SALVARÁ SEU MANDATO GENOCIDA COM AS AQUISIÇÕES DE HOJE. SÓ QUE ESTÁ COMPRANDO PASTEL DE VENTO...

Sua Exª Torturador: Filinto Müller presidiu o Senado 
Hoje  é dia de leilão legislativo: quem pagar mais levará as presidências do Senado e da Câmara Federal, para nelas instalar seus paus mandados, aos quais caberá honrar as tradições de: 
— Filinto Müller (o torturador-mor da ditadura getulista, cujas atrocidades foram relatadas pelo jornalista David Nasser no livro Falta alguém em Nuremberg, o que não impediu de o considerarem digno de presidir o Senado em 1973, para servir a outra ditadura assassina); e
— Eduardo Cunha (2015/2016), corrupto com carteirinha assinada, que tentou salvar-se da Justiça pautando o impeachment da Dilma, mas acabou perdendo o mandato, a aposentadoria e a liberdade.

Pelo andar da carruagem, o mais provável é que os novos presidentes, arrematados pelo palhaço sinistro, sejam da estirpe dos acima citados, e não da de João Goulart e Ulysses Guimarães, que pelo menos tiveram alguns bons momentos. 

De resto, o Bozo parece aqueles piores alunos da classe,  que assistem às aulas mas não aprendem absolutamente nada.
Eduardo Cunha, um presidente da Câmara inesquecível...
Ele está enterrando o Brasil ainda mais na depressão econômica para comprar, com um
toma lá dá cá descarado de verbas e cargos em troca de cumplicidade legislativa (fala-se que o custo da operação para a viúva foi de 5 bilhões de reais!), dois sujeitos que, se hoje estão se vendendo repulsivamente a ele, amanhã se venderão repulsivamente a quem quiser derrubá-lo, desde que seja alguém com maiore$ mérito$.

Ou seja, o Bozo adquire, a peso de ouro de verdade, um pastel de vento, um ouro de tolo que de nada lhe servirá quando os donos do PIB resolverem afastá-lo por ser nocivo aos negócios.

Só idiotas não percebem que o melhor negócio do mundo, para uma republiqueta das bananas com elefantíase (nosso caso) é pegar algumas sobras do pacote de investimentos ambientais que EUA e Europa vão desencadear para reativar as atividades econômicas, na linha do Plano Marshall nos anos subsequentes à 2ª Guerra Mundial.

Os poderosos da economia não são idiotas e logo vão tirar do caminho os estorvos que se antepõem entre eles e o pote de ouro que já vislumbram no fim do arco-íris.

Mas, como perfeito idiota que é, o Bozo acredita que salvará seu mandato genocida com as
aquisições atuais... 

Não só vai ser expelido quando o poder econômico bem entender, como decepciona as últimas reses da sua boiada, ao passar recibo de que suas promessas de uma nova política não passavam de um grotesco estelionato eleitoral... 
(por Celso Lungaretti 

quarta-feira, 10 de abril de 2019

DE ELIO GASPARI PARA JAIR BOLSONARO: "CONHECE-TE A TI MESMO!"

"Há dias o presidente disse: 'Nasci para ser militar'. Só ele pode falar da própria vocação, mas, de cadete a capitão, foi militar durante 14
de seus 64 anos de vida e deixou a carreira marcado
por 15 dias de prisão por indisciplina.

Daí em diante, Bolsonaro foi parlamentar por 29 anos. Parece mais 
precisa a avaliação de seu vice, Hamilton Mourão, para
 quem ele é 'mais político do que militar'."
(elio gaspari)
.
O Renato Russo deu a dica, ele não aproveitou:
"Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira"

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

EUFÓRICO POR TER OBTIDO SEU OURO DE TOLO, O CHANCELER VIAJOU NUMA MIXÓRDIA PRETENSIOSA – 2

Uma citação que ficou fora da arenga do Araújo
(continuação deste post)
A ação corajosamente proposta por Raul Seixas em sua música no momento em que estava mais recalcitrante e genocida a ditadura militar é justamente o contrário daquela pregada por V.Exª, pois Ouro de tolo se tratava (sub-repticiamente, para fugir da censura) de uma exortação para não acreditarmos no falso milagre brasileiro de e nos rebelarmos contra a passividade conformista.  

Por favor, não contextualize a poesia de Renato Russo e Raul Seixas em proveito dos seus conceitos retrógrados e confusos, pois eles não estão aqui para refutar o uso indevido de suas poesias e conceitos. 

Raulzito pregava uma sociedade alternativa, que é algo bem diferente de sua proposta de resgate da memória brasileira a partir de sua elite escravagista (não é demais lembrarmo-nos de que fomos um dos últimos países do mundo a abolir a escravidão direta dos negros africanos para aqui trazidos e mantidos em condições subumanas.  

Quando lhe ouço definindo o Itamaraty como sendo o guardião da memória brasileira, e as razões elencadas para tal, tenho a impressão clara de que o senhor deseja que essa instituição faça uma mescla de capitalismo liberal com preceitos feudais, coisa que certamente não se coaduna com a ordem da economia globalizada confundida pelo senhor com globalismo por uma mera modificação semântica, pela qual se quer afirmar a validade do conceito de pátria (cada vez mais esvaziado de sentido universal).
Boçalnaro, o ignaro, que o senhor trata como mito, não está a promover a nova independência do Brasil e nem representa um renascimento do nosso país, mas apenas uma tentativa vã de consolidação da volta ao passado, em direção a outro governo que há 33 anos deixou o poder pela porta dos fundos. 

Tudo está a ocorrer graças à memória nacional amnésica que beneficia o enganoso populismo de direita, inconsistente e de curta duração, ao qual o senhor se filia. 

O senhor confunde conceitos. O sentimento cultural de um povo, suas raízes populares, sua memória genético-étnica e seus valores mais virtuosos não devem ser confundidos com sentimento nacional-patriótico; este último é xenófobo na sua essência mais profunda, por não comportar as relações humanas solidárias e livres para com os outros, e que transcendem as fronteiras geográficas.

Em matéria de (sur)realismo fantástico retrógrado o senhor somente consegue ser superado pela ministra e pastora evangélica Damares Alves (aquela fanática da goiabeira que agora quer uniformizar a cor das vestes infantis) formando um dupla imbatível em proferir sandices que vão desqualificar gradativamente a credibilidade do governo mitológico (e não mítico).

Contraditoriamente, o capitalismo liberal que o senhor e sua equipe de governo defendem torna obrigatório um deslocamento do capital para onde ele ainda puder acumular lucro crescentemente, daí a economia estar globalizada e não mais submetida aos limites retrógrados do nacionalismo patriótico.     

A diferenciação semântica sobre globalização e globalismo que o senhor e sua equipe de governo tentam estabelecer fiando-se no besteirol de astrólogos, é superficial e vazia de sentido conceitual consistente e virtuoso.

Os governos são nacionalistas por tendência natural, e o senhor, como membros da alta hierarquia institucional estatal de carreira, tende a confundir conceitos entre o verdadeiro interesse estatal com sua função estratégica para o capital (de um lado) e uma pretensa soberania política sobre a economia (do outro). Isso vai terminar mal. 

Não compreende que o Estado, que não é isento nem neutro, está sempre ideologicamente a serviço do capital que é mundial e privado. Esta contradição salta aos olhos hoje por estarmos atravessando a fase aguda do limite existencial do capitalismo como modo de produção social que se tornou anacrônico por seus próprios fundamentos.
Por favor não confunda capitalismo liberal como se fosse a antítese do socialismo capitalista de Estado, pois não o é; trata-se de espécies políticas de um mesmo gênero, qual seja a produção de mercadorias como forma de relação social. 

A antítese do capitalismo é uma relação social na qual se produza para satisfazer necessidades de consumo e não para a acumulação do lucro privado ou estatal, que é cada vez mais difícil de ser viabilizado e cada vez mais concentrado, constituindo-se como condição da autodestruição irreversível dessa última forma.  

A redoma teórico-patriótica à qual o senhor está tão aferrado já não faz mais sentido, e isso não deve ser confundido com a preservação de todas os nossos valores e tradições regionalistas.

O futebol brasileiro, p. ex., não é patrimônio patriótico, mas sim patrimônio imaterial do povo brasileiro, pois, como disse Nelson Rodrigues, “o escrete é a pátria em chuteiras” (e não os seus limites fronteiriços e institucionais!).

Aliás, as fronteiras não existem para quem tem dinheiro, pois a cidadania burguesa é uma mercadoria de boa aceitação internacional. Aos coitadezas do mundo resta o repúdio nas fronteiras que o senhor tanto defende e que os condena à morte nos mares, muros fronteiriços e novos campos de concentração. 

Por fim, quero dizer que há mais um ponto sobre o qual discordamos conceitualmente: o Brasil foi moldado, infelizmente, pelo anseio de riqueza e ganância das elites europeias que aqui chegaram e que trocavam espelhos por ouro desde o primeiro contato.  

Mas a pujança nacional (mesmo a medida em riqueza abstrata) foi feita com o suor da brava gente brasileira, que construiu tudo de bom que caracteriza a nossa melhor identidade (o samba, o futebol, a boa convivência étnica miscigenada, a nossa culinária, a nossa antiga cordialidade e alegria de viver, etc.), da mesma forma que a grandeza de Roma foi construída pela mão-de-obra dos escravos e dos artesãos humildes, e não por seus cultos tribunos e legiões vitoriosas.

Não foram as elites, mas a grande maioria do povo brasileiro quem fez o que há de melhor em nosso país. O Brasil, senhor ministro das Relações Exteriores, haverá, sim, de encontrar-se com a melhor memória brasileira, que é a de um povo simples, cordial e miscigenado pela imigração que o senhor agora tanto despreza, e cuja glória é formada por mãos calejadas, não pela fineza dos salões diplomáticos onde esse povo não é convidado.

Acredito e espero que nossa gente possa, um dia, comemorar uma verdadeira independência. 

E isto num futuro que, espero, seja breve. (por Dalton Rosado)
Gomes Brasil interpreta Viva, de autoria do Dalton, que participa do vídeo

domingo, 6 de janeiro de 2019

EUFÓRICO POR TER OBTIDO SEU OURO DE TOLO, O CHANCELER VIAJOU NUMA MIXÓRDIA PRETENSIOSA – 1

dalton rosado
SENHOR MINISTRO, ASSOCIAR RENATO RUSSO E
RAUL SEIXAS AO OLAVO DE CARVALHO É BLASFÊMIA 
O ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo, no seu discurso de posse, misturou Raul Seixas e Renato Russo com Olavo de Carvalho (uma blasfêmia!), entre citações de personagens reais da nossa história e alusões a seres literários ou mitológicos, numa verdadeira mixórdia cultural.

Outro intuito ele não teve senão o de reafirmar retrógrados princípios nacionalistas patrióticos, utilizando erudição tosca para travestir o velho de novo.  

O sinistro ministro defendeu teses como se o mundo pudesse voltar a ser como aquele do Barão de Mauá (sua referência histórica), que era ligado ao recém-formado capital industrial brasileiro de então e representante do empresariado monárquico que viu na escravização pelo trabalho abstrato a nova essência do capitalismo, em substituição ao escravismo direto dos negros trazidos da África, pelo qual havia um impedimento à maior produção de valor.

A escravização direta (o homem como máquina não assalariada) não correspondia ao recém-instalado interesse capitalista, tendo sido este o motivo da abolição de tal modo de produção, e não qualquer sentimento humanista, como o senhor sustenta em seu elogio ao comportamento abolicionista das elites de outrora, como forma de justificar a conservação das rédeas do poder pelas elites atuais.
Portinari e seus indígenas: preguiçosos demais?

Por sua vez, os indígenas eram considerados preguiçosos demais por não se submeterem integralmente ao regime de escravidão, saudosos da liberdade que outrora havia em suas terras. 

A escravização é sempre um gesto de aceitação da submissão imposta, ainda que sob a mais cruel coerção; neste sentido os indígenas brasileiros eram revolucionários dispostos a morrer (em nome da liberdade cujo conceito o senhor deturpa) e foram em grande parte dizimados. 

Assim, o senhor pavoneou-se, logo no início do seu discurso de posse, com as penas de uma suposta posse da verdade libertária, para tanto citando um versículo do apóstolo João sobre o conhecimento da essência libertária (cognose aliteia). Tentou, enfim, convencer-nos da validade de uma pretensa liberdade, que é o seu contrário, porque limitada pela dependência de consentimento.

Sua ideia de liberdade nos devolve a um passado feudal de triste memória: o de quando aqui chegaram os portugueses ávidos pelo saque das riquezas ameríndias, logo tentando escravizar os autóctones e, em seguida, negros trazidos da África e tratados como animais.

Além de exaltar nossa ancestralidade obscurantista como se devêssemos dela nos orgulhar, o senhor mistura dogmas feudais com liberalismo econômico iluminista para estabelecer a mais confusa ordem conceitual mercantilista, na qual pontua claramente uma visão elitista da sociedade brasileira.

Os homens cultos que até ontem integravam o escalão superior do Itamaraty, adeptos de uma visão igualmente elitista mas mais cuidadosa, menos fantasiosa e mais pragmática, torceram o nariz. 
Portinari e seus negros (o chanceler os ignora!)
É impressionante como, em sua digressão sobre as nossas formações histórica, social e cultural, o senhor (coerente com sua condição de representante do que há de mais retrógrado em pensamento social) esquece-se dos índios, negros e mulatos, tão bem retratados na pintura de Cândido Portinari.

A nossa etnia mais autêntica não é apenas a mais legítima força da constituição racial brasileira, mas, também, da produção das nossas riquezas abstratas e materiais, outrora usufruídas pelo baronato feudal e posteriormente por uma elite concentradora da riqueza abstrata (à qual, por suas pretensões atuais e citações históricas, o senhor demonstra pertencer ).

Não esqueçamos que Itamarati, com i, é uma palavra do idioma indígena tupi-guarani da região do Pará que remete à nossa formação étnica original, escravizada ou morta pelas elites. 

Em todo o seu discurso de posse transparece o desprezo pelos homens e mulheres que, com o seu suor e mãos calejadas, construíram o Brasil; talvez seja por isso tenha achado muito natural que tal elite estivesse representada em sua posse, na pessoa do ex-presidente Collor.

Enquanto isto, o único presidente operário dessa nação, agora viúvo de mulher também de origem operária (dona Marisa Letícia, vítima de profundo abalo que certamente contribuiu para a sua morte), está confinado ao cárcere, como o primeiro e único da nossa história a enfrentar uma condenação tão longa e sob condições tão humilhantes, sem nenhuma consideração por sua idade de 73 anos.
"nada aconteceu aos generais ditadores dos anos de chumbo"

Nada aconteceu, entretanto, aos generais ditadores dos anos de chumbo, sob os quais pendiam responsabilidades sobre torturas e assassinatos de presos políticos indefesos; nem a Sarney, Collor, FHC, Dilma Rousseff e, muito menos, ao ex-candidato à Presidência Aécio Neves. Afinal, são todos doutores e egressos de uma classe social que não costuma ser presa (tal salvo-conduto certamente será também estendido ao Presidente Temerário).     

Como já contei neste post, fui expulso do PT quando secretário de Finanças do Prefeitura de Fortaleza e candidato a prefeito na eleição que acabaria vencida por Ciro Gomes. E tudo aconteceu por não compactuar com os desvios que levaram o PT ao acabrunhamento atual de toda a esquerda; tenho, portanto, todos os motivos do mundo para jamais me alinhar ao ex-presidente Lula. 

Mas não sou cego para não enxergar o facciosismo de uma justiça que é seletiva em punir os que acreditaram ingenuamente que poderiam conciliar de modo confiável com nossa elite burguesa hipócrita e historicamente corrupta.

Sim, ministro, como disse Renato Russo noutro contexto e com outro objetivo, só o amor conhece a verdade, porque esta é emanada de um sentimento de doação que não comporta mentiras e manipulações. Mas isto não deve ser confundido com a verdade oriunda de um pensamento exotérico e maniqueísta como o do seu guru Olavo de Carvalho, a quem o senhor atribui a condição de responsável pela imensa transformação do povo brasileiro. Um absurdo. 
O astrólogo e seu protegido têm em comum a falsa erudição

Não seria exagero atribuir a um palpiteiro que mora fora do Brasil e vive a disparar sandices (como aquela de que Ernesto Geisel era comunista) tal importância e influência sobre transformações de fundo da realidade brasileira? Ou seria ele apenas um espertalhão levado a sério por uma meia-dúzia de fanáticos ávidos pela volta do velho travestido de novo?

Não, ministro, não houve nenhuma imensa transformação da realidade brasileira graças aos ensinamentos de Olavo de Carvalho, mas apenas uma consequência eleitoral e transitória do desespero de segmentos sociais díspares em seus interesses, em suas características e posições sociais diante da debacle capitalista, mas que se unificaram pela via da manipulação a partir de um discurso oportunista e salvacionista que agora caminha para o desastre.

O que existe é uma tentativa dos messiânicos (de falsos Messias mesmo) de forçarem a volta a um passado deplorável que a roda da história não permitirá que ressurja, ainda que dita roda dê alguns giros para trás. Estes apenas representam uma tração que a impulsionará para a frente com mais força e vitalidade. (por Dalton Rosado) 
Observação: o Dalton recomenda aos leitores, no espírito do artigo acima,
que ouçam esta música por ele composta, na interpretação do Gomes Brasil.
(continua neste post)
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