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domingo, 8 de maio de 2022

LULA 2022: O PT DECIDE MUDAR PARA O CAPITALISMO CONTINUAR COMO ESTÁ

Lu
la inaugurou formalmente sua campanha pelo terceiro mandato num evento em que o verde-amarelo desbotou o vermelho do PT. Antes de discursar, ouviu o hino nacional, entoado à capela pela cantora Tereza Cristina...

Absteve-se de mencionar, p. ex., a ideia de revogar a reforma trabalhista. Preferiu equiparar, num discurso anódino, a defesa dos direitos trabalhistas com a pregação em favor da retomada do crescimento econômico...

Declarou: "Vamos criar um ambiente de estabilidade política, econômica e institucional que incentive os empresários a investirem outra vez no Brasil, com garantia de retorno seguro e justo, para eles e para o país"...

"Precisamos fazer com que a Petrobras volte a ser uma grande empresa nacional, uma das maiores do mundo"... 
Vermelha é a cor da nossa alma! 
TOQUE DO EDITOR – A montanha pariu um rato. O lançamento oficial da campanha 2022 do Lula não passou de um afago escandaloso à burguesia, pior ainda do que a Carta ao Povo Brasileiro de 2002, com a qual ele garantiu que todos os contratos seriam respeitados, sem exceção (ou seja, comprometendo-se a nada fazer para tentar sustar os crapulosos e os altamente lesivos aos explorados).

Nos trechos acima citados da competente análise de Josias de Souza em seu blog (Lula lança Bolsonaro como seu cabo eleitoral) o que se percebe é que a história de amor do Lula com o capitalismo agora chega ao ponto de prometer aos empresários garantia de retorno seguro e justo para eles. Ora, o retorno que eles almejam são lucros astronômicos como os dos grandes bancos que aqui atuam. 
O PT vai combater o inimigo imitando-o?!

O céu é o limite. Então, o que Lula lhes promete é exatamente... o céu!!!

De resto, ele surfa no previsível antibolsonarismo, pois bater em bêbado é um esporte agradável e sem riscos. 

Percebe-se agora por que Lula tanto quis evitar o impeachment do genocida, a ponto de boicotar todas as manifestações #ForaBolsonaro. É porque não havia adversário melhor para ele enfrentar no 2º turno do que um com chifres, rabo pontudo e fedor de enxofre. 

E que morressem pelo caminho as centenas de brasileiros que a pandemia matou porque quem comandava o combate a ela não passava de um boçal em guerra contra a ciência de nosso tempo!

Por último: eu jamais abrirei mão, como a cor-símbolo dos revolucionários, do vermelho que, para Marx e Engels, evocava o sangue derramado nas lutas proletárias.

Mas considero muito positivo que o PT agora o dilua no amarelo, pois bate bem com o significado em gíria de amarelar e expressa fielmente a descaracterização do partido cujas bandeiras iniciais estão cada dia mais desbotadas. 

Quanto à adoção oportunista do patriotismo, que foi uma ideia-força tanto da ditadura militar quanto o é do bolsonarismo, só veio confirmar quão certo estava Samuel Johnson ao defini-lo como o último refúgio de um canalha. (por Celso Lungaretti)
O vermelho, gota a gota, irá crescendo!    

domingo, 1 de maio de 2022

LULA: DE METAMORFOSE AMBULANTE A PANTERA COR-DE-ROSA

Leio na imprensa que o novo publicitário de campanha do Lula quer deixar o PT menos vermelho ainda. É possível? A mim me parece que, se continuar desbotando, o vermelho petista acabará virando pink.

Com sua conhecida humildade, Lula já pretendeu ser uma metamorfose ambulante (o Raulzito engasgaria...).  Com quem ele parecerá de agora em diante? Com a pantera cor-de-rosa?

Segundo noticiaram Luiz Vassalo e Beatriz Bulla no Estadão, a descaracterização tornará o PT praticamente irreconhecível para quem ainda se lembra de como ele era nos seus saudosos primórdios (1979/80): 
"O vermelho não deve sumir, mas pode perder a preponderância para o verde e amarelo. O discurso, hoje voltado às bases, como movimentos sociais e sindicatos, deve mudar e fazer acenos, também, ao empresariado".
Basta ou querem mais?
"Sócio de empreendimentos de cifras milionárias e ligado a políticos de centro-direita do PSDB e do União Brasil, o publicitário Sidônio Palmeira – recém-contratado – quer dar à campanha do ex-presidente Lula um tom que amplie seu alcance para além dos militantes, grupo que ele considera fechado e à esquerda".
Quem acompanha com espírito crítico a trajetória do PT neste século, não se surpreenderá muito. A comunicação do partido apenas vai refletir melhor a tendência que vem se acentuando internamente desde aquela melancólica Carta ao Povo Brasileiro de 2002, quando rendendo-se às exigências do grande capital para que este lhe permitisse vencer a eleição e ser empossado, Lula prometeu solenemente que os contratos, por mais crapulosos que fossem, seriam todos honrados!

Foi o início da direita, volver!, a guinada que transformou a estrela da esperança numa anã negra (estrela sem brilho). 

E agora tal processo chega à culminância, com o PT passando recibo de que deixou de ser vermelho e vai disputar com o Bolsonaro o direito de utilização da marca verde e amarela. 

Estou com Samuel Johnson e não abro: "O patriotismo é o último refúgio de um canalha". 
(por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 19 de março de 2018

UM ROBIN HOOD ENGANA-TROUXAS E A REPETIÇÃO DA INFÂMIA COMO FARSA

Sean Connery no papel de Robin Hood idoso, mas nem tanto... 
Os dirigentes do PT continuam buscando fórmulas de garantir sobrevida a um partido que não tem mais futuro como força transformadora da nossa sociedade.

Depois da repulsiva Carta ao Povo Brasileiro de 2002, quando se renderam ao grande capital em troca da permissão dos poderosos para o Lula ganhar a eleição presidencial e ser devidamente empossado, preparam-se para lançar outra. Será a repetição da infâmia como farsa.

Daquela vez ficou acertado que a autoridade presidencial se restringiria às ninharias do cotidiano econômico, enquanto que a vontade dos donos do PIB prevaleceria na tomada das grandes decisões macroeconômicas. Graças a tal pacto mefistofélico, nunca os banqueiros lucraram tanto quanto durante seu governo, conforme o próprio Lula várias vezes admitiu.

Agora vão vesti-lo com o traje verde de Robin Hood (certamente alugado numa loja de adereços teatrais!): querem que o vejamos como um presidente capaz de reduzir o imposto dos pobres e aumentar o dos ricos. De quebra (e isto vem mais ao encontro de suas propensões reais), extinguiria o congelamento das despesas federais, de forma que o Estado pudesse gastar à vontade no estímulo ao desenvolvimento y otras cositas más...
"Nunca antes neste país os banqueiros lucraram tanto"

Por que não foi adotado tal pacote Robin Hood em 2015, quando Dilma Rousseff iniciava seu segundo mandato? Teria sido melhor do que implicitamente renegar todas as posições defendidas pela esquerda ao longo dos tempos, agarrando-se ao neoliberalismo dos inimigos de classe como tábua de salvação. 

Mas, o diabo mora nos detalhes, como o de que seria um programa de governo intragável e inaceitável para o grande empresariado, que tudo faria para o inviabilizar. Tentar aplicá-lo estando no poder seria um convite ao golpe de Estado. Propô-lo como plataforma eleitoral será unir contra si todo o poderio econômico, político e de manipulação das consciências de que o capitalismo dispõe. 

Não é cartada a se cogitar seriamente no pior momento da esquerda brasileira e latino-americana neste século, quando a correlação de forças nos é francamente desfavorável. Vamos falar sério: algo assim depende muito mais de força nas ruas para sustentá-la do que de votos nas urnas para eleger sicrano ou beltrano. Não podemos esquecer que Dilma foi despachada para casa mediante um simples piparote parlamentar, sem que se registrasse nenhuma resistência digna de nota.

Seria tão estapafúrdio tentá-la neste momento que nos faz suspeitar de que seja apenas mais um pulo do gato: um subterfúgio para poder trombetear, no Brasil e no exterior, que Lula terá sido preso por pretender confrontar a gritante desigualdade econômica brasileira e não devido a condenações (justas ou injustas) a ele impostas pela Justiça, em função de crimes comuns.
Na hora do aperto Dilma oPTou pelo neoliberalismo

Então, a nova carta aos brasileiros se diferenciaria da primeira por não ser um compromisso assumido com o mercado mas tão somente trunfo demagógico, uma peça de propaganda enganosa similar à promessa de que o PT não faria o ajuste fiscal, repetida ad nauseam durante a campanha de Dilma em 2014. 

Tão logo assumiu o novo mandato, ela empossou Joaquim Levy com a principal tarefa de... fazer o ajuste fiscal.

É pela contumácia com que recorre a esses engana-trouxas característicos dos políticos profissionais que o PT hoje não passa de uma legenda queimada aos olhos dos cidadãos com um mínimo de espírito crítico. E foi se desqualificando junto aos formadores de opinião que ele iniciou a marcha para o fundo do poço onde hoje se encontra.

A esquerda tem de renascer pelas mãos de gente com mais integridade e credibilidade intacta, em todos os sentidos. 

E de nada adiantará o PT apenas transferir seus votos para o Psol e adotar Guilherme Boulos como simulacro de Lula, se as mudanças pararem por aí. 
Príncipe herdeiro é coisa de monarquias, Boulos!

Enquanto não fizer uma profunda autocrítica dos motivos que o levaram a sofrer em 2016 a pior derrota da esquerda brasileira desde o golpe de 1964, estará sinalizando que prefere fugir à responsabilidade pelos erros cometidos, sem adotar estratégia e táticas mais condizentes com os desafios atuais nem afastar as lideranças responsáveis pelo desastre recente.

Ou seja, prevalecendo a autocrítica zero serão mantidas suas opções pela conciliação de classe, pelo reformismo e pelo populismo. Então, estaria apenas começando a repetir a mesma trajetória que já fracassou uma vez e agora seria bisada em condições muito mais desfavoráveis.

Por último: a luta contra a desigualdade econômica é uma bandeira importante demais para ser utilizada como mero trunfo demagógico.

sábado, 19 de agosto de 2017

MEFISTÓFELES ODEBRECHT ADMITIU TER CONTRIBUÍDO PARA A FORMATAÇÃO DA CARTA DE VASSALAGEM DO FAUSTO DA SILVA

Ninguém é perfeito. Então, por mais que eu tente trazer para o blogue todas as informações realmente importantes que vêm à tona, uma ou outra escapa.

Caso de alguns trechos delação premiada do Emílio Odebrecht, que foram dados a público pelo ministro Edson Fachin no último mês de abril (e eu, lamentavelmente, passei batido). O patriarca dos Odebrecht admitiu:
— ter organizado uma série de encontros com empresários para apresentar-lhes o Lula nos anos de 2001 e 2002, visando dissipar a desconfiança com relação a um possível governo do PT; 
— ter sido um dos primeiros magnatas a apoiar financeiramente o PT ("E não posso negar que fazíamos pagamentos em volumes consideráveis"); e 
— ter ajudado a redigir aquele que certamente é o mais infame documento da trajetória do Lula e da história do PT ("A Carta ao Povo Brasileiro, datada de 22 de junho de 2002, e feita com o propósito de acalmar o mercado financeiro, é um exemplo exato do tipo de apoio não financeiro que dávamos ao ex-presidente... Essa carta tem muita contribuição nossa").
Aquela que mais merecia ser chamada de Carta de Vassalagem aos Capitalistas Brasileiros (leiam-na aqui) foi o mico que Lula pagou publicamente para os donos do PIB permitirem que ele vencesse a eleição presidencial e depois fosse empossado. 

O pagamento do outro mico se deu na reunião fechada em que o Zé Dirceu, representando-o, assumiu com a mesma cambada o compromisso de manter política econômica similar à do FHC, nunca adotando medidas macroeconômicas que afetassem os interesses dos realmente poderosos.

O pior é que o Lula nem sequer se envergonhava de ter vendido a alma ao diabo. Pelo contrário, várias vezes reconheceu que os capitalistas jamais haviam explorado tanto os trabalhadores quanto o fizeram durante a parceria com o PT. 

Usava, claro, palavras mais suaves, como estas: 
"Se tem uma coisa que nenhum empresário brasileiro pode se queixar nos meus seis anos de mandato é que nunca se ganhou tanto dinheiro como no meu governo"
O sentido era inequívoco. Daí os dotados de espírito crítico sempre terem afirmado que Lula era o pai dos pobres e a mãe dos ricos...
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