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sábado, 23 de outubro de 2021

FURAR O TETO É SALTO NO IMPONDERÁVEL E TEM TUDO PARA TAMBÉM NÃO DAR CERTO

celso ming
O BRASIL, MAIS PARECIDO COM A ARGENTINA
O
presidente Jair Bolsonaro e o centrão, que são hoje as instâncias que tomam as decisões políticas no Brasil, fizeram uma escolha: a de que é preciso viabilizar a reeleição.

A tentativa de mudar as regras por meio do voto impresso e auditável não deu certo. Não deram certo as tentativas de facilitar a compra de armas; a de acionar as milícias digitais; a de distribuir kit covid e bloquear as vacinas; e a de controlar o  Supremo Tribunal Federal. 

A escolha feita na semana que passou foi injetar dinheiro na veia do povo.

Daí a instituição do Auxílio Brasil e a da Bolsa Diesel para os caminhoneiros – ambos no valor de R$ 400. Não importam mais a desordem das contas públicas, a disparada do dólar e da inflação e se o mercado fica nervosinho

Se mais injeção de dinheiro for necessária para garantir o objetivo estratégico, assim se fará, para os próceres do centrão, para os caminhoneiros, para os taxistas, para os policiais, para as corporações que gritarem mais alto ou que mais estiverem em condições de chantagear o governo. O tal meteoro dos precatórios foi um fator a mais que empurrou para a decisão agora tomada.

Esse jogo tem tudo para ser uma fúria suicida, porque a economia ficou sem âncora fiscal. 

O dólar está solto, e a inflação mais ainda. Não há razões para investir, e o desemprego pode aumentar ainda mais. Se até as despesas orçamentárias levam agora uma correção monetária especial, tudo mais pode ir pelo mesmo caminho. 

A despeito das juras em contrário, o modelo que vai sendo seguido é mais parecido com o da Argentina ou com o da Venezuela.

O ministro da Economia, Paulo Guedes, já não apita mais nada. Evaporaram-se as arraigadas convicções ortodoxas aprendidas em Chicago. 

Prática por prática, lá atrás o ministro já não conseguira emplacar nem seu então propalado big bang, nem a nova CPMF, muito menos a reforma administrativa. Agora, nem a esdrúxula reforma do Imposto de Renda destinada a descolar verbas extras tem viabilidade. 

Seus principais secretários debandaram. Quem aceitar alguns desses postos já fica sabendo que terá de executar a partitura do
centrão.

O presidente do Banco Central já não sabe o que fazer com sua recém-adquirida autonomia, porque, sem âncora fiscal, a âncora da política monetária perdeu seus ganchos de retenção. O céu é agora o limite para os juros, mas estão abertas as apostas sobre sua eficácia.

Se o salto no imponderável também não der certo – o que parece mais provável –, chegará o momento em que o centrão, como das outras vezes, também abandonará o seu protegido. E as coisas talvez se resolvam com as próximas eleições. Ou não. (por Celso Ming)

sábado, 9 de outubro de 2021

OS BRASILEIROS MORREM E OS 'CAÇADORES DE BOQUINHAS PERDIDAS' TRAVAM BRIGAS DE FOICE NO ESCURO POR NACOS DE PODER

Os 600 mil óbitos oficializados de brasileiros atingidos pela covid já são, em si, uma mortandade inconcebível e inaceitável, a segunda maior do planeta, ficando aquém apenas da dos EUA, com a diferença de que lá morrem 1,6% dos contaminados e aqui, 2,7% (vide este post).

O ataque atômico a Hiroshima em 1945, um dos maiores crimes contra a humanidade que a História registra, causou aproximadamente 140 mil mortes. O total admitido de vítimas no Brasil (embora o mundo científico não tenha a mais remota dúvida de que o número real seja bem maior, algo entre 800 mil e 1 milhão), equivaleu, portanto, a pelo menos quatro Hiroshimas.

Mais difícil ainda é calcularmos quantos brasileiros já morreram ou acabarão morrendo como consequência da penúria que nos castiga há quase uma década e atingiu o ápice no catastrófico governo do Bozo, quando a desumanidade capitalista passou a ser exercida sem freios e da maneira mais obtusa possível. 

E o que preocupa, neste momento de gravidade extrema, a esquerda institucional?

Deveria estar movendo céus e terras para o afastamento do serial killer, seja pelos notórios crimes de responsabilidade que tem cometido aos montes, seja pela insanidade mental da qual dá mostras cada vez mais eloquentes.

Deveria, mas não o faz. Desperdiça tempo de que não dispomos e merece ser acusada de facilitadora de genocídio, pois o que está no centro de suas inquietações são mesquinhas disputas pelo poder, como estas relatadas na coluna deste sábado (9) da Mônica Bergamo:
"A informação de que o apoio do PSOL à candidatura presidencial de Lula ainda não está garantido e passa por questões programáticas e pelo eventual apoio do PT a candidaturas do partido nos estados, como a de Guilherme Boulos em SP, não foi bem recebida por lideranças petistas – em especial as paulistas.

Elas dizem que a retirada de uma candidatura do PSOL a presidente, que tem 1% nas pesquisas, na linguagem figurada das lideranças petistas, não justificaria a contrapartida do nome de Fernando Haddad ao governo de São Paulo para apoiar Boulos.

...O PT de SP acredita que, pela primeira vez em 40 anos, tem chance de conquistar o governo paulista. Não faria sentido, portanto, ceder o lugar a Boulos".

Lula pode passar o resto da vida jurando que não boicotou os atos Fora Bolsonaro porque o Dentro Bolsonaro aumenta suas chances na eleição presidencial. 

Isto só virá fortalecer a minha convicção de que, embora não chegue aos extremos do Bozo, ele é tão mentiroso quanto a maioria dos políticos profissionais. (por Celso Lungaretti)

domingo, 3 de outubro de 2021

LUTA ARMADA NOS ANOS DE CHUMBO. DIRETAS-JÁ EM 1984. CARAS PINTADAS EM 1992. INDIGNADOS EM 2013. E EM 2021, NADA?

A
s manifestações Fora Bolsonaro deste sábado (2) ocorreram logo depois de ficarmos sabendo que até experiências secretas com cobaias humanas se perpetraram no Brasil do Bozo. Mas, tamanha abominação não fez os justos irem para a rua protestar, como ocorreria num país de verdade.

Fiquei com a melancólica impressão de que o pior presidente brasileiro de todos os tempos – agora que, tendo sido obrigado a retratar-se de suas badernas golpistas, na prática transferiu de vez o poder real ao centrão –, não será derrubado pela brava gente brasileira (rs)...

Como o genocida já se desmoralizou inclusive junto a seus desmiolados devotos, também não dará golpe de Estado nenhum. Ficará fingindo por mais 15 meses que ainda governa e tentando salvar filhos e outros cúmplices das grades que, como nunca dantes neste país, todos eles merecem.

Os coitadezas e outros desgraçados continuarão coitadezas e desgraçados, impotentes para reagir.

A classe média continuará fazendo média, porque, sem covid e sem micaretas extremistas, seus integrantes não veem motivo para ousarem lutar. Tal pusilanimidade, aliás, é a tradição brasileira: os miseráveis morreram como moscas na pandemia e seguirão morrendo como moscas em decorrência da interminável recessão? E daí, não sou miserável... 

A força dominante da esquerda continuará priorizando a conquista do poder ilusório que as urnas conferem numa democracia farsesca em que o poder econômico é muito mais determinante do que o Executivo, Legislativo e Judiciário. 

E a alternância entre governos populistas que douram a pílula do capitalismo e governos autoritários que o socam nossa garganta adentro tende a prosseguir com um Lula.3, mas não poderei sequer dizer que o Brasil vai continuar patinando sem sair do lugar porque estará, isto sim, piorando sempre de posição no ranking mundial da qualidade da vida 

Evidentemente, a pax do centrão, que manterá o país numa pasmaceira idêntica à dos últimos anos da ditadura militar, não impedirá a crise econômica de continuar agravando-se cada vez mais nem reconciliará o Brasil com o mundo enquanto a faixa presidencial estiver sobre o ombro daquele que nos tornou párias. Então, não sairemos tão cedo do fundo do poço. 

O único obstáculo que ora se interpõe entre Lula e seu terceiro mandato é a forte possibilidade de a explosão social chegar antes dele.

Ou de, percebendo a iminência da dita cuja, os poderosos mudarem alguma coisa para que tudo fique na mesma. Uma possibilidade em aberto é a de, em tal circunstância, anteciparem o descarte do Bozo.

Mas, inexistindo uma forte pressão das ruas, o que virá vão ser meras trocas de seis por meia-dúzia, como foi a do ditador Figueiredo pelo filhote da ditadura Sarney. (por Celso Lungaretti)
.
Observação: ao ironizar a brava gente brasileira, que desde a Inconfidência Mineira nega fogo na hora de derrubar governos que estão caindo de podres, eu deveria ter aberto uma exceção para os valorosos secundaristas e torcedores organizados de futebol que reconquistaram a simbólica avenida Paulista para nosso lado em 31 de maio de 2020, botando os bolsonaristas pra correr (foram esconder-se atrás dos PM's!). 
Depois, no domingo seguinte, os valentões de araque nem sequer deram as caras no ato do Largo da Batata, preferindo reunir algumas dezenas de gatos pingados no Viaduto do Chá, bem longe dos valentes de verdade. 

Foi um balde d'água fria no Bozo, que desistiu durante bom tempo de novos badernaços golpistas, preferindo garantir seu mandato mediante a entrega das joias da Coroa ao centrão.  Na reincidência, 7 de setembro último, sua derrota foi mais acachapante ainda. (CL)

sexta-feira, 18 de junho de 2021

AS MANIFESTAÇÕES DE AMANHÃ CONTRA BOLSONARO FARÃO DESLANCHAR A RESISTÊNCIA AO GENOCÍDIO

Um dilúvio de manifestantes tomou a avenida
Paulista no último dia 29. Amanhã serão mais
S
erão realizadas por todo o país neste sábado (19/06) manifestações populares exigindo o afastamento de Jair Bolsonaro da presidência da República que verdadeiramente não exerce nem jamais exerceu. 

Isto porque, desde o primeiro dia do seu catastrófico mandato, ele vem se omitindo dos deveres do cargo e se portando como um agitador insano de extrema-direita, empenhado tão somente em destruir os fundamentos da vida civilizada no Brasil e, assim, criar condições para um golpe de Estado.

A expectativa é de se constituírem nas maiores de 2021 e até dos dois anos e meio desse desgoverno atual, pois a lista de forças empenhadas na organização dos atos supera em muito a dos protestos anteriores. 

Desta vez até o PT apoia a iniciativa da Campanha Nacional Fora Bolsonaro, embora ainda não tenha anunciado se Lula já superou suas dúvidas hamletianas e estará presente no palco principal da luta contra o genocídio em curso. 

Que venha e seja bem-vindo, pois livrarmo-nos do  exterminador de brasileiros é agora mil vezes mais importante do que a eleição marcada para daqui a 16 intermináveis meses visando decidir-se quem assumirá a presidência em 2023, caso o calendário eleitoral não vá pelos ares até lá, detonado pela explosão social e pelo caos que se aproximam. 

Caso o mandato de Bolsonaro sobreviva às centenas de milhares de óbitos evitáveis que sua incompetência e sabotagem estão acrescentando às mortes inevitáveis da pandemia, a tendência é que, administrando a crise econômica da mesma forma demencial e destrambelhada, cause outro morticínio em larga escala.
Tomarmos armas hoje beneficiaria o inimigo,
mas, mesmo sem elas, resistir é preciso!
 

As próximas semanas serão as mais propícias para determos a contagem regressiva rumo ao imponderável, até porque a CPI da Covid está prestes a
levantar o véu sobre quem lucrou desmedidamente com dispêndios governamentais estapafúrdios durante a pandemia. 

Casos dos recursos desperdiçados em doses astronômicas da inócua cloroquina e na encomenda a toque de caixa e preços exorbitantes da vacina indiana, que nem sequer o aval da Anvisa tinha na ocasião.

Daqui a alguns meses será tarde demais para evitarmos que o Brasil fique em cacos e os brasileiros pobres, principalmente, sejam ceifados como moscas. 

Quem quiser evitar o pior enquanto há tempo não pode deixar de comparecer ao ensaio geral deste sábado pois, lembrando o alerta musical de Gilberto Gil noutra situação em que uma tempestade se formava no horizonte, é preciso ter coragem e aplaudir o pessoal!  (por Celso Lungaretti) 

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