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sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

AS MASSAS HOJE SÃO CONDUZIDAS COMO O GADO PARA O CURRAL – 2

(continuação deste post)
O
ditador sanguinolento Médici, à época do falso milagre brasileiro financiado pelos Estados Unidos (a conta viria logo depois), recebia aplausos em estádios de futebol enquanto os defensores do povo eram assassinados e torturados nos cárceres da ditadura.

Fernando Henrique Cardoso se elegeu como controlador da inflação com o Plano Real do Governo Itamar (do qual ele era ministro da Fazenda).

Lula ainda sobrevive politicamente graças às boas lembranças que ficaram do seu primeiro governo, quando a economia brasileira se beneficiou da circunstância (fortuita) de nossas commodities estarem em alta no mercado internacional.

Fico a imaginar o que seria de nós se Boçalnaro, o ignaro, houvesse sido bafejado por um fator econômico qualquer, mesmo que momentâneo, e o povo brasileiro passasse por um período de bonança, tal qual ocorreu com Hitler na segunda metade da década de 1930.

Aliás, o que seria de um candidato que resolvesse falar a verdade para o eleitor?

O que seria dele se dissesse que o sistema capitalista, no qual está inserido e pelo qual pretende eleger-se, é de completa exploração, está colapsando, promovendo miséria e uma crise ecológica sem precedentes, daí ser imperativa a sua superação o quanto antes?

Certamente seria muito mais difícil para ele atingir os seus objetivos se admitisse que, com a falência do Estado, sequer as demandas sociais básicas (saúde, educação e segurança pública) podem ser atendidas eficazmente, porque o dinheiro dos impostos vai: 
— para pagar os juros da dívida;
— para o financiamento político-eleitoral dos partidos; 
— para viabilizar a renúncia fiscal (os impostos de grandes empresários que o Estado abre mão de receber); 
— para financiar os gastos com a infraestrutura capitalista (estrada, aeroportos, energia, portos fluviais e marítimos): 
— para os juros subsidiados pelos bancos de desenvolvimento econômico (pretensamente social).

Enfim, nem sob tortura ele pode deixar os de fora perceberem que os gastos com o Executivo, o Legislativo e o Judiciário são absolutamente incompatíveis com a renda média dos brasileiros... 

Descumprindo tais normas de procedimento obrigatórios dos políticos profissionais, ele estaria exposto a ser substituído como candidato do partido e, ainda por cima, processado por falta de decoro político-eleitoral, com sua candidatura sendo impugnada pela Justiça Eleitoral. 

As massas são conduzidas como gado para o curral. Agem orientadas por simbologias e convencimentos midiáticos e pela revolta causada pela miséria a que estão submetidos, sendo tudo muito bem orquestrado para fazê-las acreditar piamente que o novo governante poderá dar outro rumo para suas vidas, mesmo dentro das regras capitalistas estabelecidas. 

É, enfim, induzida a crer que tudo se resuma a uma questão de boa ou má governabilidade, pois aprendeu a positivar todas as categorias capitalistas como se estas fossem dados ontológicos e imutáveis de suas existências. 

A coisa começa na escola, quando todos (dos comunistas tradicionais aos nazistas e capitalistas liberais) exaltam as virtudes da mercadoria trabalhosem poderem aperceber-se que é justamente em tal  categoria capitalista (a qual nada tem a ver com atividade produtiva necessária à vida) que reside o germe original da manipulação. 

Recentemente assisti pela TV (com propaganda paga com dinheiro público) à chamada de jovens para as urnas, com jovens atores afirmando, graciosos e ingênuos: "Eu quero decidir sobre o meu futuro pelo voto". 

É assim que a democracia burguesa age, fingindo-se capaz de curar e corrigir toda e qualquer distorção administrativa circunstancial pelo processo eleitoral e sucessão governamental e propagandeando que fora dela só resta a nefasta ditadura. 

É assim que, a cada ciclo de decepção com projetos políticos governamentais que se alternam num eterno pêndulo da ineficácia (tal qual o pêndulo daquele relógio de parede que nunca sai do lugar), ocorre a alternância do poder político para que o verdadeiro poder, o econômico, permaneça incólume; e que possa se dar a transferência de responsabilidade num processo de representação política destinado à dominação de vontades. 
Se a voz do povo encabrestado ou manipulado fosse
a voz de Deus, como alardeiam os políticos, endeusando a pretensa vontade soberana do voto, Jesus Cristo não teria sido crucificado. Afinal não era ele o filho de Deus feito homem? 

Quando o capitalismo descobriu que pelo voto podia controlar tudo, liberou o voto das mulheres, dos negros, dos meninos, e assim a exploração foi politicamente legitimada. 

Há que se horizontalizar a administração da vida social nos seus campos de produção social, distribuição da riqueza material, direito e ordem jurídica, e de modo que o exercício deste gerenciamento direto dos seus interesses possa prover o povo de uma consciência sobre seus próprios erros e acertos, sem transferência de responsabilidades para os seus algozes na vida privada e pública, como hoje ocorre. (por Dalton Rosado)

sábado, 9 de outubro de 2021

OS BRASILEIROS MORREM E OS 'CAÇADORES DE BOQUINHAS PERDIDAS' TRAVAM BRIGAS DE FOICE NO ESCURO POR NACOS DE PODER

Os 600 mil óbitos oficializados de brasileiros atingidos pela covid já são, em si, uma mortandade inconcebível e inaceitável, a segunda maior do planeta, ficando aquém apenas da dos EUA, com a diferença de que lá morrem 1,6% dos contaminados e aqui, 2,7% (vide este post).

O ataque atômico a Hiroshima em 1945, um dos maiores crimes contra a humanidade que a História registra, causou aproximadamente 140 mil mortes. O total admitido de vítimas no Brasil (embora o mundo científico não tenha a mais remota dúvida de que o número real seja bem maior, algo entre 800 mil e 1 milhão), equivaleu, portanto, a pelo menos quatro Hiroshimas.

Mais difícil ainda é calcularmos quantos brasileiros já morreram ou acabarão morrendo como consequência da penúria que nos castiga há quase uma década e atingiu o ápice no catastrófico governo do Bozo, quando a desumanidade capitalista passou a ser exercida sem freios e da maneira mais obtusa possível. 

E o que preocupa, neste momento de gravidade extrema, a esquerda institucional?

Deveria estar movendo céus e terras para o afastamento do serial killer, seja pelos notórios crimes de responsabilidade que tem cometido aos montes, seja pela insanidade mental da qual dá mostras cada vez mais eloquentes.

Deveria, mas não o faz. Desperdiça tempo de que não dispomos e merece ser acusada de facilitadora de genocídio, pois o que está no centro de suas inquietações são mesquinhas disputas pelo poder, como estas relatadas na coluna deste sábado (9) da Mônica Bergamo:
"A informação de que o apoio do PSOL à candidatura presidencial de Lula ainda não está garantido e passa por questões programáticas e pelo eventual apoio do PT a candidaturas do partido nos estados, como a de Guilherme Boulos em SP, não foi bem recebida por lideranças petistas – em especial as paulistas.

Elas dizem que a retirada de uma candidatura do PSOL a presidente, que tem 1% nas pesquisas, na linguagem figurada das lideranças petistas, não justificaria a contrapartida do nome de Fernando Haddad ao governo de São Paulo para apoiar Boulos.

...O PT de SP acredita que, pela primeira vez em 40 anos, tem chance de conquistar o governo paulista. Não faria sentido, portanto, ceder o lugar a Boulos".

Lula pode passar o resto da vida jurando que não boicotou os atos Fora Bolsonaro porque o Dentro Bolsonaro aumenta suas chances na eleição presidencial. 

Isto só virá fortalecer a minha convicção de que, embora não chegue aos extremos do Bozo, ele é tão mentiroso quanto a maioria dos políticos profissionais. (por Celso Lungaretti)
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