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quarta-feira, 15 de outubro de 2014

DEBATE DE CANDIDATOS-PRODUTO É A QUINTESSÊNCIA DA CHATICE

Certa vez, no auge de Hollywood, um grande escritor foi convidado a criar o roteiro de um filme. Como não estivesse familiarizado com a chamada sétima arte, pediu para os produtores lhe mostrarem uma fita que desse boa noção de sua tarefa. Foi, começou a assistir... e logo saiu correndo, horrorizado com a mediocridade do cinema comercial. 

É o que tenho vontade de fazer sempre que acompanho um debate eleitoral da era dos candidatos-produto, exaustivamente adestrados por uma legião de marqueteiros para darem as respostas que melhor cumpram a função de bajular eleitores, a partir das conclusões tiradas de toneladas de pesquisas qualitativas sobre as reações dos vários segmentos da população a cada tema. 

Que saudades dos tempos em que não havia pacote pronto nem staff todo-poderoso, em que ainda se desbravavam os caminhos e aconteciam situações realmente pitorescas, como estas:
  • quando Richard Nixon foi ao confronto decisivo contra John Kennedy com a barba por fazer. Mais do que os argumentos, o eleitorado dos EUA comparou o garboso Kennedy ao mal-encarado Nixon, com os resultados conhecidos;
  • quando um deputado dos mais obesos, querendo entregar alguns papéis a Jânio Quadros no ar, foi se arrastando pelo chão com seu corpanzil de urso, por baixo do ângulo captado pelas câmeras... sem imaginar que, maldosamente, elas se voltariam na sua direção, expondo a todos os telespectadores o ato de puxa-saquismo explícito;
  • quando Franco Montoro, aproveitando a vantagem de ser sua a última intervenção do debate, acusou Jânio Quadros de torpeza (havia sido vítima da ditadura e estava mancomunado com os antigos perseguidores), deixando o homem da vassoura à beira de um ataque de nervos, pois suas tentativas furibundas de retrucar eram bloqueadas pelo mediador;
  • quando o jornalista Boris Casoy perguntou a Fernando Henrique Cardoso se ele acreditava em Deus e FHC se queixou de que haviam combinado não tocar nesse assunto, deixando a impressão de que ele evitava admitir sua condição de ateu (muitos analistas acreditaram ser este o motivo da surpreendente virada de Jânio Quadros, na enésima hora);
  • quando Brizola e Maluf perderam as estribeiras e ficaram se xingando no ar. "Filhote da ditadura!", repetiu várias vezes o gaúcho, enquanto o outro respondia: "Desequilibrado! Desequilibrado! Passou 15 anos no estrangeiro e não aprendeu nada!";
  • quando Lula teve um apagão no debate decisivo com Collor e reagiu com apatia aos ataques do inimigo, não contestando sequer a afirmação de que seu aparelho de som era melhor que o do ricaço das Alagoas (já ouvi dizerem que se tratou de uma armadilha evitada: a espionagem do Collor teria obtido um recibo de compra de aparelho de som caro, constrangedor para Lula);
  • quando o mesmo Collor, tentando voltar à tona depois de expelido do poder, foi escalado para formular uma questão ao folclórico Enéas Carneiro e, depois de pensar um pouco, desistiu: "Fale qualquer coisa aí!". Enéas gastou seu tempo criticando o próprio Collor, que esnobou de novo o adversário, desprezando a chance da réplica: "Pode continuar!".
Hoje tudo é mais previsível, os escorregões são menos frequentes e os candidatos para cargos importantes estão bem escolados nas técnicas da embromation. O tédio impera, a chatice é insuportável.

EXAUSTOS, AMBOS ENTOARAM 
VÁRIAS VEZES A MESMA LADAINHA...

No debate entre a presidenta Dilma Rousseff  e o senador Aécio Neves na Band, o que saiu do script foi a primeira ter dado uma ligeira travada (lembrou o filme 8 mile), recompondo-se depois de angustiantes segundos de branco; a exaustão física e mental que se notava em ambos, a ponto de entoarem várias vezes a mesma ladainha (Aécio invocando seu índice de aprovação quando deixou o governo de MG, Dilma aludindo ao Pronatec umas 30 vezes, como vitrola quebrada de outrora); pelo mesmo motivo, a falta de articulação que mostravam em alguns momentos, perdendo o fio da meada e enveredando, para disfarçar, por assuntos sem ligação nenhuma com o que estavam falando; os erros crassos de concordância que cometiam quando exaltavam as excelências... da educação!

Pior mesmo foi o medo de chutar o balde, mesmo quando a verdade pegaria muito melhor do que as desculpas esfarrapadas.

Ao invés de sustentar (e ninguém acreditar) que nada houve de errado na construção do aeroporto de Cláudio, Aécio poderia ter dito que o custo de R$ 13,4 milhões, ou R$ 17,9 milhões corrigidos, foi uma merreca na comparação, p. ex., com o propinoduto, em que um personagem do escalão intermediário do esquema mafioso admitiu um ganho ilícito de R$ 70 milhões (é quanto vai devolver aos cofres públicos, mas, se alguém acreditar que o Paulo Roberto Costa abocanhou só isto, pode passar na secretaria e retirar seu diploma de otário...).

Quanto ao Pronatec, nenhum político ousará lembrar que as empresas, para disporem dos quadros técnicos que lhes são imprescindíveis, sempre os formaram por si mesmas quando o governo não investia nesta área. Então, a menina dos olhos da Dilma é um programa que transferiu para a União parte dos custos que os Senais da vida bancavam sozinhos. Os capitalistas agradecem. 

E que dizer da insistência de Dilma em insinuar que quem não apoiou a CPMF, aquele famigerado imposto do cheque, foi um sabotador da Saúde? Contribuição introduzida emergencialmente e que foi sendo eternizada à base de subterfúgios, servia (como os pedágios das rodovias) para o Estado espertamente poupar verbas que eram desviadas/desperdiçadas alhures. Terminou da forma mais melancólica possível, com rejeição acachapante e sob suspiros aliviados dos cidadãos, os quais detestavam ser extorquidos por um tributo travestido em contribuição provisória.  

O festival de escândalos que assola o País e as evidências gritantes de parasitismo e esbanjamentos na administração pública são evidências mais do que suficientes de que não faltariam verbas para a Educação, a Saúde, a humanização do transporte coletivo e outras prioridades verdadeiras, se os recursos existentes não fossem drenados pela politicalha. Afinal, a carga tributária brasileira é das mais elevadas e não pára de crescer, como se constata aqui.

De resto, o debate foi parelho nas escaramuças entre ambos. No entanto, o Aécio levou a vantagem de ir ao encontro do que o homem comum está sentindo: a economia estagnou e a inflação voltou. Ele martelou isto ad nauseam, sem que a Dilma, coitada!, tivesse como retrucar de forma convincente. Contra fatos não há argumentos.

Ainda não caiu, para a campanha da Dilma, a ficha de que o eleitorado não quer MAIS DO MESMO, Quer, isto sim, MAIS DO QUE O MESMO.

Se a candidatura governista não conseguir convencê-lo de que a Dilma tem como ir além do que já foi, ele tentará avançar com o Aécio, por mais que os petistas gritem "cuidado com o tucano papão!".

sábado, 11 de outubro de 2014

A DIREITA JÁ ESTÁ COGITANDO IMPEACHMENT E GOLPE DE ESTADO?

Há internautas que querem encontrar, em todos e quaisquer posts por eles lidos, apenas a reiteração de suas opiniões e mais munição propagandística para fazerem a cabeça alheia. 

Então, cada vez que eu aponto aspectos diferentes de questões tratadas com simplismo e tendenciosidade nas redes sociais, hostilizam-me como a um herege. E, quando eu lanço um alerta a respeito de algo que quero evitar, eles, em seu assustador primarismo, acreditam que eu esteja torcendo para que tal coisa aconteça. É de desanimar.

Por que minhas análises costumam ser bem diferentes do ramerrão? Por vários motivos, mas vou citar os principais:
  • aos 18 anos, como combatente de uma das principais organizações de resistência à ditadura militar, fui incumbido de criar e chefiar o primeiro serviço de Inteligência da guerrilha brasileira. Até então, como qualquer leitor comum, eu buscava na imprensa apenas as informações, interpretações e opiniões que coincidiam com meus pontos-de-vista. Para bem cumprir a minha nova missão, tive de aprender a acompanhar todo o noticiário e, mesmo nos veículos reacionários por excelência, garimpar informações úteis. Ou seja, a ler criticamente tais veículos e filtrar aquilo que interessava à VPR;
  • depois, em 31 anos de exercício do jornalismo profissional, continuei aprimorando-me na arte de entender o inimigo para melhor o combater.
Então, acho hilário comentaristas tentarem me desqualificar porque tenho a Folha de S. Paulo como uma das minhas principais fontes de informação. Ora, o que, a partir dela, consigo captar dos bastidores políticos é de valor inestimável para mim.

E, longe de o jornal da ditabranda cooptar-me para suas posições, sou um dos cidadãos que melhor o questiona, que mais vezes dele arrancou retratações e que sistematicamente tem seus direitos como leitor e como personagem histórico escamoteados pela Redação e pelos sucessivos ombudsmans.

Da mesma forma, leio atentamente o Reinaldo Azevedo e um sem-número de vezes fiz artigos devastadores rebatendo seus textos, sem que ele jamais ousasse responder. 

P. ex., o RA acaba de qualificar a VAR-Palmares de terrorista, repetindo a falácia do Ternuma e dos sites que abrigam os remanescentes daqueles que foram os verdadeiros e únicos terroristas dos anos de chumbo no Brasil: os terroristas de estado. Quem pega em armas contra ditadores (e isto é reconhecido desde a Grécia antiga!), nada mais faz do que resistir à tirania. 

É como a ONU, o Direito dos povos civilizados e todos os cidadãos conscientes encaram a questão. O que RA e os reaças em geral repetem à exaustão não passou de uma jogada propagandística arquitetada pelos serviços de guerra psicológica das Forças Armadas no auge do pior totalitarismo que o Brasil já conheceu. Era só pra enganar trouxas; e há raposões que, repetindo tal infâmia, continuam enganando trouxas até hoje.

Infelizmente, o mestre da propaganda enganosa da direita às vezes está certo em sua refutações da propaganda enganosa petista. Considero vergonhoso que os do nosso lado apelem para a demagogia mais rasteira e mais facilmente refutável, como a afirmação, tantas vezes repetidas por Dilma Rousseff, de que FHC teria quebrado o Brasil três vezes.

Talvez por me irritar profundamente a maneira como a presidenta se ufana de haver botado as contas com o FMI em dia --sempre preferi a posição do Brizola, de confrontar o principal cão de guarda dos interesses capitalistas--, confesso que não havia, até agora, atentado para este aspecto. 

Mas, como me interessa conhecer sempre a verdade, jamais me alinhando com mentiras amigas, fiz uma busca virtual e acabei constatando que o Brasil quebrou (entrou em moratória) apenas uma vez, sob Sarney; e que pedidos de socorro financeiro ao FMI não equivalem a quebras. Este artigo esclarece bem a questão.

Sei que pouco ou nada adiantará eu haver apontado aqui mais esta forçação de barra panfletária, assim como devo ter sido o primeiro a desmascarar o jogo sujo de apresentarem uma herdeira como banqueira, embora ela jamais tivesse exercido tal atividade. E estou consciente de que poucos esquerdistas da atualidade dão à verdade e à transparência a importância que eu dou. [Aliás, também aos direitos humanos, para meu enorme pesar. Será que as novas gerações precisarão sofrer na carne as consequências da privação dos DH, como nós sofremos, para passarem a conferir-lhes o peso devido?!]

Se a única opção para eu permanecer na esquerda fosse coonestar falsidades, eu preferiria passar o resto dos meus dias numa ilha deserta. Meus paradigmas jamais foram Goebbels ou Maquiavel, mas sim Marx, Proudhon, Trotsky, Rosa Luxemburgo, Gramsci e que tais.

Para finalizar, eis um trecho de artigo do RA que não deveria ser ignorado como foi, nem tido tão-somente como mais do mesmo besteirol de sempre:
"Prestem atenção! Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef mal começaram a falar. A depender do rumo que as coisas tomem e do resultado das urnas, o país voltará a flertar, no próximo quadriênio, com o impeachment, somando, então, a crise política a uma economia combalida."
A pergunta é: trata-se apenas de uma conjetura do RA ou, com seus óbvios acessos a fontes direitistas, ele está antecipando qual será a cartada seguinte, já decidida por nossos inimigos? 

Enfim, dependendo do resultado de 26 de outubro, teremos de estar muito atentos para a possibilidade de que logo seja apresentado um pedido de impeachment da Dilma; e de que em seguida, aproveitando a conjugação das crises econômica e política, os suspeitos habituais façam uma tentativa golpista. 

O que não podemos é ser novamente surpreendidos sem nenhum esquema preparado para reagirmos, como o fomos em 1964. Aliás, este é um calo que me dói muito, pois a minha geração depois se imolaria como consequência da leviandade dos que, subestimando a quartelada anunciada, permitiram que os militares os escorraçassem do poder com um piparote.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

O PT ESQUECEU AS LIÇÕES DO VELHO BARBUDO E PODE NÃO PASSAR DE ANO...

Várias vezes já bati na tecla de que os companheiros do PT parecem ter esquecido tudo que aprenderam no início da caminhada, quando a familiaridade com os clássicos do marxismo era, praticamente, uma condição sine qua non para a militância esquerdista.

Isto é algo que não consigo engolir, em termos não apenas racionais, mas também emocionais.

P. ex., continuo encarando a prosperidade escandalosa dos bancos como sintoma do fenômeno que Lênin dissecou em Imperialismo, a fase superior do capitalismo; o predomínio da oligarquia financeira sobre os setores produtivos caracterizava, segundo ele, a passagem do capitalismo para seu estágio terminal, "parasitário, ou em estado de decomposição". 

Então jamais me passou pela garganta estar vendo, desde 2003, o Bradesco e o Itaú a anunciarem mês a mês seus maiores lucros líquidos de todos os tempos. Soou, aliás, anedótico o PT tentar associar Marina Silva aos bancos por meio de uma falsidade (herdeira nunca foi sinônimo de banqueira) quando jamais os interesses dos ditos cujos estiveram tão bem servidos quanto nos três governos petistas.

O MENSALÃO E O PROPINODUTO

Desde os idos de 2005, quando surgiram as primeiras denúncias do mensalão, nunca deixei de pensar com meus botões na velha polêmica entre os utilitaristas e os dialéticos. 

Os primeiros, acreditando que os fins justificassem os meios. Os segundos, contrapondo que há uma interação entre ambos, de forma que quem adota meios sórdidos para atingir um fim teoricamente nobre, acaba tornando sórdido também o seu grande objetivo.

Exemplificando: Stalin matava sistematicamente em nome do socialismo, mas seu socialismo, com isto, deixou de ser o descrito por Marx (a penúltima etapa da marcha para o comunismo), tornando-se, isto sim, genocida e totalitário. A quantidade de sangue derramado determinava uma mudança na qualidade do regime que se construía.

Então, nunca duvidando de que os petistas recorreram às práticas nauseabundas da política brasileira para garantirem a governabilidade e não para proveito pessoal, ainda assim eu via como uma heresia o que fizeram. 

1988: O OVO DA SERPENTE.

O digno Paulo de Tarso Venceslau...
Aliás, orgulho-me muito de haver sido um dos poucos que, em 1988, tentaram evitar o pior, assumindo publicamente a posição correta quando o dilema entre os princípios elevados e a politicalha rasteira pela primeira vez foi colocado dramaticamente para o partido.

Tratou-se de um momento de decisão. Seu péssimo desfecho escancarou as portas para os mensalões e propinodutos que adiante destruiriam a imagem de superioridade moral do PT. Vale a pena lembrar como isto aconteceu.

Ex-militante do movimento universitário e antigo combatente da ALN, o economista Paulo de Tarso Venceslau foi a única voz no partido a se rebelar contra o primeiro grande esquema de desvio de recursos públicos para financiamento partidário, por meio de uma firma chamada CPEM - Consultoria para Empresas e Municípios.

Tendo sido secretário das finanças de duas prefeituras petistas no interior paulista, em ambas ele resistira às pressões, seja para contratar a CPEM, seja para pagar-lhe valores superestimados pelos serviços prestados, acabando por ser exonerado da última delas, a de São José dos Campos.

Depois de dois anos de denúncias infrutíferas aos dirigentes máximos do PT, Venceslau tornou público o favorecimento escuso à CEPM em corajosa entrevista ao Jornal da Tarde.

...e o inqualificável Teixeira.
Como resposta ao escândalo, o partido submeteu o assunto a uma Comissão de Ética presidida por Hélio Bicudo, cuja salomônica decisão foi a de que Venceslau deveria ser expulso por haver vazado um assunto interno para a imprensa burguesa; e o empresário Roberto Teixeira, da CPEM, por ter pilotado um mais do que evidente (e evidenciado no relatório final da Comissão) esquema de corrupção, bem ao estilo daqueles que depois celebrizariam Marcos Valério e Paulo Roberto Costa. 

O Lula, que Venceslau apontou como responsável pela montagem de tal esquema e maior beneficiário (seria graças a tal dinheiro sujo que sua tendência teria mantido a supremacia no partido), ameaçou sair do PT juntamente com Teixeira --que, além de tudo, era seu compadre e lhe fornecia um apartamento de cobertura em São Bernardo para morar de graça.

Face ao risco de o partido perder sua maior estrela, a direção estadual decidiu desconsiderar o parecer da Comissão de Ética, expulsando somente Venceslau. Foi o instante em que se assumiu como um partido igual aos outros, capaz até de sacrificar um militante honesto (e revolucionário!!!) para preservar uma maçã podre. 

Segundo Venceslau, o tal Teixeira havia sido, inclusive, "torturador do delegado Fleury". E em 2006, quando era advogado da Brasil Telecom e foi convocado para depor na CPI dos Bingos, admitiu "conhecer" Daniel Dantas, dizendo-se impedido de dar mais detalhes por haver cláusula de confidencialidade

Ao contrário do que os petistas querem nos fazer crer, no caso deles o  ovo da serpente  não foi o mensalão mineiro, mas sim as maracutaias da CPEM. E eu cantei a bola de que as consequências do precedente então aberto seriam terríveis. Foram. Há nove anos corroem as entranhas do PT.

A NOVA CLASSE MÉDIA E OS GROTÕES

Dilma Rousseff, à luz da tradição marxista, viajou feio na maionese ao enaltecer recentemente a criação de uma nova classe média nos governos petistas. Afora ser extremamente discutível a pretensão de que cidadãos com renda mensal a partir de R$ 291 já pertençam à dita cuja, Marx jamais aplaudiria o inchaço dos estratos intermediários entre a burguesia e o proletariado, até por tenderem a quase sempre alinharem-se com os exploradores (que almejam ser) contra os explorados (dos quais tentam, a todo custo, se distanciarem). 

É o que talvez aconteça agora: os que tiveram uma pequena melhora de vida nos dois primeiros governos petistas parecem estar migrando para o lado adversário por quererem mais, sem que Dilma os tenha conseguido atender. 

De resto, o velho barbudo sonhava é com a extinção das classes, fronteiras e todas as barreiras artificiais antepostas à realização universal e plena dos seres humanos no reino da liberdade, para além da necessidade.

Finalmente, se os grãos petistas falam com sinceridade ao regozijarem-se pelo bom desempenho eleitoral nas regiões menos pujantes do País, esqueceram o que, para Marx, era um chamado óbvio ululante: sob o capitalismo, são os polos economicamente mais avançados que determinam para onde toda a sociedade irá, e não o contrário. Quanto mais próximo o PT estiver dos grotões, mais estará se aproximando da irrelevância. Não é pra rir, é pra chorar.

domingo, 28 de setembro de 2014

PT PODE TER PARTICIPADO DO ASSALTO AOS FUNDOS DE PENSÃO DE ESTATAIS

Enquanto a campanha de Dilma Rousseff insufla nos eleitores o medo daquilo que, segundo sua versão distorcida e falaciosa, Marina Silva faria se eleita, o noticiário mostra o que o PT tem realmente feito em seus três mandatos presidenciais consecutivos. É chocante ao extremo.

Quem acompanha o meu trabalho sabe que considero a corrupção inerente ao capitalismo e impossível de ser erradicada enquanto não dermos um fim à exploração do homem pelo homem, daí eu sempre ter evitado me alinhar com a bandeira do combate à dita cuja -até mesmo em 2008, quando boa parte da esquerda oportunisticamente tomava partido na guerra de gangues que se travava nos bastidores do poder, entre os esquemas favorável e contrário à fusão de duas grandes empresas de telecomunicações.

Mas, a reportagem de capa da Folha de S. Paulo deste domingo, 28 (cuja íntegra pode ser acessada aqui) embute uma acusação que, caso sua veracidade seja confirmada, é a mais grave que se fez até hoje ao PT, pelo menos para a sensibilidade dos homens de esquerda: a de ter levado os fundos de pensão da Petrobrás e dos Correios a investirem em papéis podres de empresas fantasmas ligadas ao doleiro Alberto Youssef, causando-lhes prejuízos de dezenas de milhões de reais.

Já me deixava profundamente enojado o fato de o PT haver se envolvido com personagens da estatura moral de Marcos Valério, Henrique Pizzolatto, Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef, 

Agora, se o Partido dos Trabalhadores tiver mesmo participado do roubo de recursos destinados à complementação da aposentadoria dos trabalhadores, aí será melhor mudar de nome (Partido dos Criminosos do Colarinho Branco?). Ou se refundar. Ou se dissolver.

sábado, 27 de setembro de 2014

AUMENTAR A SORDIDEZ DA CAMPANHA PRESIDENCIAL MAIS IMUNDA DESDE 1989 PARECIA IMPOSSÍVEL. MENOS PARA A veja.

A jogada manipulatória está no topo da capa
Nunca me identifiquei tanto com o Glauber Rocha de Terra em Transe quanto agora, ao presenciar a campanha presidencial mais imunda desde a redemocratização. Vejo-a e relembro o desabafo do poeta Paulo Martins (Jardel Filho), que cai como uma luva para o show de aberrações e de horrores que nos é imposto:
"As coisas que vi naquela campanha! Uma tragédia muito maior do que as nossas próprias forças!"
De um lado, mentiras e falácias transformadas em trunfos; a aposta na fanatização dos prosélitos e no embotamento do espírito crítico; o recurso à manipulação mais ignóbil por parte de quem deveria despertar a consciência dos explorados, não tangê-los como rebanho para as urnas; a satanização de uma mera educadora só porque convém aos falsários fazê-la passar por banqueira; a interpretação totalmente deformada do que seja a independência do Banco Central, na verdade uma forma de evitar que decisões técnicas fiquem à mercê da vil politicalha; a atribuição à adversária de intenções que ela nunca teve nem manifestou, como a de anular conquistas dos trabalhadores, etc. 

É cópia escrachada dos métodos de Goebbels, sim, como eu denunciei muito antes do que qualquer vice! É puro stalinismo, sim, uma exumação do maniqueísmo mais selvagem dos tempos da guerra fria! É a política de hoje chafurdando nos esgotos do passado. 

Do outro lado, as armações ilimitadas da revista veja, com seu acesso ilegal a inquéritos que deveriam estar resguardados pelo segredo de Justiça, para pinçar acusações bombásticas contra a candidatura palaciana. Na edição deste sábado (27), a novidade é que Paulo Roberto Costa, em sua delação premiada à Polícia Federal, teria acusado a campanha de 2010 da Dilma de, por intermédio do terror dos caseiros Antonio Palocci (sempre ele!), haver pedido R$ 2 milhões, com urgência, ao esquema de corrupção da Petrobrás.

Isto, evidentemente, não poderá ser apurado nos nove dias que antecedem o 1º turno, mas vai servir para lançar uma grave suspeita sobre a presidenta, capaz de modificar intenções de voto. E, se confirmado pela investigação policial, terá consequências imprevisíveis na eventualidade de uma reeleição (vale, contudo, ressalvar que, levando em conta apenas o que foi divulgado até agora, seria difícil inculpar Dilma pelo suposto ou real pedido do Palocci --este poderia, p. ex., assumir a culpa sozinho, com a coisa morrendo por aí).

De qualquer forma, é tentativa de assassinato de reputação para influenciar a eleição mediante a utilização de jogo sujo e golpes baixos, exatamente como o PT faz com Marina Silva. Alguns consideram válido usar feitiços contra feiticeiros. Eu gostaria é de ver os dois tipos de bruxos assando juntos numa fogueira (simbólica, claro...).

E pensar que tantas vezes fui às ruas clamar por eleições diretas, até que finalmente consegui votar pela primeira vez para presidente da República... aos 39 anos de idade! Mesmo tendo mantido sempre um pé sensatamente atrás, evitando superestimar a democracia burguesa, nem de longe adivinhava o tamanho da decepção e do desencanto que viriam.

Uma tragédia muito maior do que as nossas próprias forças. 

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

DILMA IGNORA QUE A FUNÇÃO DA IMPRENSA É, SIM, FAZER INVESTIGAÇÃO!

"Não reconheço na revista veja, nem em nenhum outro órgão de imprensa o status que tem a Polícia Federal, o Ministério Público e o Supremo. Não é função da imprensa fazer investigação."

O disparate acima pegaria mal até na boca de um subcarimbador interino. Quando provém de uma presidenta da República, é simplesmente estarrecedor.

Jamais aplaudirei as armações ilimitadas da imprensa golpista para manipular eleições, estimular prisões, assassinar reputações, etc. O vazamento de supostas acusações feitas por Paulo Roberto Costa em seu depoimento de delator premiado à Polícia Federal foi altamente negativo, sob todos os aspectos. 

Ainda mais por não termos como aquilatar se pecadilhos estão sendo colocados no mesmo plano de pecados mortais, se quem está sendo denunciado é o que teria cometido delitos mais graves, se quem está sendo poupado não os cometeu também, etc. As possibilidades de manipulação são infinitas.

Bernstein e Woodward erraram ao "fazer investigação"?
Mas, enquanto governos mentirem desbragada e desavergonhadamente como fazem na atualidade, a imprensa tem, sim, a função de fazer investigação, tentando obter informações que deveriam estar disponíveis para o cidadão comum, mas não estão.

Será que a presidenta apagou da memória a enorme contribuição dada pela imprensa na investigação dos crimes da ditadura militar? Ousaria a Dilma afirmar que, nesses episódios, a imprensa estava errada em tentar averiguar o que realmente ocorrera e a Polícia Federal, o Ministério Público e o STF não conseguiam ou não queriam esclarecer? 

E o Caso Watergate? E o esquema de espionagem exposto pelo Wikileaks, atingindo até a própria presidenta, não deveria ter sido investigado por quem não estava oficialmente autorizado a o fazer?

Não, Dilma, a luta pela transparência continuará sendo vital enquanto não extirparmos os abusos de poder por parte das autoridades de todos os escalões. E nada indica que estejamos próximos deste objetivo.

Até lá, mais vale que cada um procure cumprir o melhor que puder seu papel: 
  • a imprensa, tentando descobrir o que os governos preferem manter em segredo; e
  • os governos, tentando evitar que seus segredos vazem. 
Quando a imprensa agir de forma irresponsável, prejudicando inquéritos, injustiçando personagens, fabricando booms, derrubando cotações com base em falsidades, etc., há caminhos legais para que os culpados sejam punidos. O que não se pode é pretender controlar a imprensa como um todo, não reconhecendo à veja e a "nenhum outro órgão de imprensa" o direito de investigar, por conta própria e com as ferramentas do jornalismo, o que estiver sendo investigado noutra ótica pela PF, os promotores e o STF. 

Uma das facetas mais assustadoras de Dilma é sua incapacidade de refletir sobre tais questões com uma visão abrangente. Como os mais tacanhos torcedores de futebol, ela só leva em conta se o seu time foi prejudicado ou beneficiado. Deveria ter aprendido há muito que precisamos sempre buscar o equilíbrio, criando e aplicando regras satisfatórias em todos os (ou, pelo menos, na maioria dos) casos, não as que melhor convenham a nossos interesses específicos num determinado caso. 

Muitos companheiros poderiam ter sido salvos da morte e de suplícios dantescos caso a imprensa não estivesse sendo censurada e intimidada pela ditadura militar. E, mesmo sob o pior terrorismo de estado que o Brasil já conheceu, houve bravos jornalistas que correram o risco de investigar o que aqueles governos queriam manter sob sigilo extremo e eterno. 

Por mais que deploremos as práticas jornalísticas da veja, nós, os veteranos da resistência à ditadura, somos os últimos de quem se possam aceitar declarações autoritárias como a que Dilma deu. Terá esquecido tão completamente tudo que viveu e sofreu?

P.S.: dois dias depois, a presidenta voltou ao assunto, conforme notícia de O Estado de S. Paulo (a íntegra pode ser acessada aqui): 
"Segundo Dilma, o que ela quis dizer é que 'o jornalismo investigativo pode até fornecer elementos', mas quem tem de produzir a prova judicial é a investigação oficial, feita pela Polícia Federal e Ministério Público. 
'Ela [investigação oficial] tem de fazer a prova porque se ela não fizer a prova, você não consegue condenar ninguém. Assim é o processo', justificou a presidente Dilma..."
A versão de Dilma está publicada. Se era isto mesmo que ela tinha em mente, nada a objetar, salvo quanto à falta de clareza na fala anterior. 

Se não, pelo menos reposicionou como deveria a questão. Antes assim. O pior seria insistir no erro.

sábado, 13 de setembro de 2014

SEMANA QUENTE TAMBÉM NA POLÍTICA: O DELATOR DEPORÁ 4ª FEIRA NA CPI.

O ministro Teori Zavascki, do STF, reconheceu o direito da CPI da Petrobras de chamar para depor o delator premiado Paulo Roberto Costa, o que deverá ocorrer na sessão da próxima 4ª feira, 17. Segundo ele, a convocação é "prerrogativa constitucional" das comissões parlamentares de inquérito e "independe de prévia autorização judicial", não cabendo ao STF "nenhuma providência especial". 

Com isto, deverá esvair-se parte do fôlego que a campanha de Dilma Rousseff ganhou nos últimos dias impingindo ao público desinformado lorotas sobre bancos, herdeiras e atribuições do BC. Ficará a mancha na sua ficha, por haver assumido ela própria a tarefa de disseminar simplismos, falsidades e tendenciosidades, ao invés de deixar a inglória missão para os blogueiros amestrados.

E, claro, o PIG dará o troco atirando nas costas de Dilma, tanto quanto possível, as responsabilidades pelo propinoduto da Petrobrás. No período abarcado pela denúncia, faria mais sentido inculpar o Lula, mas hoje não é ele o alvo preferencial. E la nave va... 

Deploro que a campanha continue transcorrendo como uma batalha de tortas de lama, com as intenções de votos sendo movidas pelo que se vai trombeteando de (real ou supostamente) negativo sobre os principais candidatos. Parece até uma conspiração para estimular o voto nulo.

No essencial, só por milagre, a esta altura do campeonato, Dilma evitará o 2º turno. E, havendo 2º turno, só por milagre ela vai conseguir prevalecer sobre uma Marina Silva que disporá então de tempo idêntico no horário eleitoral, além de contar com o apoio de quase todos que são contrários ao PT (uma legião!). 

De quebra, há que se considerar o desgaste inerente ao exercício prolongado do poder e o mau momento da economia.

O vaivém das pesquisas hipnotiza os leigos, mas o jogo parece já estar decidido. Poderia ter virado caso o Lula houvesse entrado na liça, substituindo a perdedora anunciada. O momento passou, os dados estão lançados e a esperança é que o PT faça depois uma profunda autocrítica. 

A volta às origens é a caminho que vejo para ele não repetir a melancólica trajetória dos antecessores que começaram na esquerda e foram, cada vez mais, endireitando e/ou se tornando fisiológicos, como o PTB, o PDT, o PMDB e o PSDB.

domingo, 7 de setembro de 2014

AS PERSPECTIVAS DEPOIS DO VENDAVAL

Até quando se manipularão eleições?
Engraçado, mesmo os mais prejudicados com o vazamento do que Paulo Roberto Costa teria declarado à Polícia Federal estão discutindo e rebatendo as informações imprecisas que a imprensa publica, ao invés de adotarem a única posição correta num caso desses: exigirem que as autoridades apurem as ilicitudes mediante as quais um depoimento resguardado por segredo de Justiça inundou o noticiário, negando-se a comentar acusações das quais nenhum deles tomou conhecimento por vias confiáveis (as possibilidades de manipulação saltam aos olhos!).

É lamentável que uma prática que infringe a lei tenha se tornado habitual e não seja contestada sequer por suas vítimas. Estas raciocinam da seguinte maneira: "Se eu não refutar a(s) acusação(ões), os eleitores vão concluir que é tudo verdade. Então, tenho de dizer qualquer coisa". E, com isto, coonestam essas armações ilimitadas da veja & cia.

Há muita disparidade entre o que cada veículo importante coloca na boca do diretor da Petrobrás, tipo quantos e quem ele teria dedado, qual a gravidade das imputações em cada caso, etc. Manifestar-se no escuro é pedir para falar bobagem e depois cair no ridículo. Nossos políticos são uns pobres diabos, firmes como geléia. 

De algo, contudo, podemos ter certeza: Costa está depondo e as tais 42 horas de gravação existem. Como as coisas chegaram a este ponto?

Minha impressão é de que os petistas, para garantirem a malfadada governabilidade da maneira mais fácil (poderiam, ao invés de comprarem apoios, afrontarem corajosamente a tradicional podridão da política brasileira, pois é isto que o povo deles esperava), servem-se de personagens escusos, que intimamente desprezam, como Marcos Valério e Costa. 
Na recessão anunciada,  convirá termos um pai dos pobres...

Quando a m... fede, tratam de salvar os seus, aqueles que se emporcalharam pela causa, e deixam que os movidos pela ganância se danem.

Evidentemente, os comparsas desprezados não apreciam ser tratados desta forma. Valério refugou demais e deixou passar o momento exato de obter favores da Justiça em troca de dar o serviço. Costa percebeu que seria igualmente abandonado à própria sorte (talvez seja melhor dizer azar, pois o esperava uma cana braba!), então não hesitou: vendeu sua mercadoria no momento em que havia mais compradores interessados. Nada bobo.

Mesmo que o escândalo respingue um pouco no falecido Eduardo Campos e no PSB, é insuficiente para derrubar Marina Silva, a menos que surja alguma acusação específica contra ela. Já Dilma Rousseff, evidentemente próxima do escândalo (chegou a ser ministra das Minas e Energia, continuou sempre interessada nos assuntos da Petrobrás e presidiu seu Conselho de Administração) vai ser alvejada a torto e a direito, provável pá de cal numa candidatura já combalida.

Torço para que os grãos petistas enxerguem o óbvio: insistirem com Dilma será suicídio, enquanto que o carisma de Lula poderá, talvez, evitar a derrota anunciada. Ou convencem a criatura a renunciar para o criador assumir e tentar salvar a pátria, ou podem começar desde já a empacotar os pertences, pois tudo leva a crer que o Palácio do Planalto estará sob nova direção a partir de janeiro.
...ou uma santa dos seringueiros inspirando o povo.

Ignoro se o Lula quererá mesmo estar à frente do governo, responsabilizando-se por decisões impopulares, durante a aguda crise econômica que despencará sobre nós em 2015 e sabe-se lá até quando vai durar. Mas, para a democracia brasileira, será melhor se o PT tentar a sorte com o que tem de melhor. Aí saberemos inequivocamente se o povo ainda quer Lula, ou está preferindo trilhar um novo caminho; se é o PT que está sendo repudiado, ou apenas Dilma. 

Para pilotar a nave Brasil durante os tempos bicudos da recessão, precisaremos de um comandante que seja capaz de inspirar as massas, mantendo viva a esperança em dias melhores: ou o Lula pai dos pobres voltando nos braços do povo, ou a santa Marina dos seringueiros (sem a sombra do Lula, pois o teria derrotado na eleição). Daí meus sinceros votos de que o tira-teima entre os únicos ícones restantes aconteça no mês que vem.

Não consigo imaginar uma Dilma Rousseff ou um Aécio neves pedindo aos brasileiros "sangue, suor, trabalho e lágrimas", sem provocar uma explosão de gargalhadas ou uma enxurrada de palavrões.

sábado, 6 de setembro de 2014

LOBÃO NA BERLINDA: TOMARA QUE CAIA!!!

Lobão deve ter ficado assim ao saber da denúncia
Não sou religioso, mas vou acabar acreditando que Deus escreve mesmo por linhas tortas.

Pois, segundo o Congresso em Foco (vide aqui), um dos beneficiários do propinoduto da Petrobrás dedurado por Paulo Roberto Costa é o Edison Lobão, que foi ministro de Minas e Energia entre 2008 e 2010, durante o governo Lula, e voltou a ocupar a Pasta em 2011, nela permanecendo até hoje.

Eis o que eu escrevi sobre mais este Lobão nocivo em outubro de 2008, sem que os grãos petistas dessem a mínima:

Participando de um evento em SP, Lobão fez elogios entusiásticos ao ditador Ernesto Geisel e ao regime militar, que, para ele, "foi um momento em que o Brasil reencontrou seu futuro, sua vocação para o desenvolvimento."

Segundo Lobão, aquela fase de torturas e genocídios não deve nem mesmo ser qualificada como ditadura, pois "ditadura mesmo foi com o Getúlio [Vargas]".
Este é o exemplo que Lobão segue e apregoa

Para o ministro de Lula, o período de arbítrio mais recente não passava de "um regime de exceção, autoritário, com Constituição democrática, que fazia eleições regularmente".

Deu para entender? "Regime de exceção, autoritário", todos sabem, equivale a ditadura. Lógica também não é o forte desse ministro que começou na Arena (partido de sustentação do regime militar), passou pelo PFL/DEM e agora é um dos representantes do PMDB no Governo Lula.

As eleições feitas "regularmente" (ou seja, nem sempre, pois podiam ser suspensas por ordem da caserna) não impediam que os eleitos fossem destituídos, quando não se vergavam suficientemente aos tiranetes de plantão. Até governadores acabaram defenestrados e o Congresso Nacional várias vezes esteve fechado para expurgos.

Afora, claro, o fato de que durante 21 anos o Brasil teve seus presidentes da República eleitos "regularmente" pela alta oficialidade militar e mais ninguém.

Finalmente, a tal "Constituição democrática" tinha o nome alternativo de Ato Institucional nº 5 e completará 40 anos no próximo dia 13 de dezembro.

Ou seja, por absoluta falta de vergonha na cara dos petistas, um reaça empedernido como este, fã de carteirinha do ditador Geisel, permanece até hoje sendo ministro de um governo dito de esquerda.

Torço para que o desfecho do episódio atual venha a ser o mesmo daquela velha marchinha carnavalesca:

"Já estou cansado de pedir,
tomara que caia -me parece, vai cair-
CAIU!!!"

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

BOMBA! EX-DIRETOR DA PETROBRÁS TERIA DEDURADO À PF 62 POLÍTICOS DO PT, PMDB E PP. É O MENSALÃO 2?

Segundo notícia divulgada às 18h03 no site da Folha de S. Paulo, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa teria fornecido à Polícia Federal os nomes de um governador, 12 senadores e 49 deputados, acusando-os de receber 3% do valor dos contratos firmados pela Petrobrás entre 2004 e 2012.  

Costa, que firmou um acordo de delação premiada para escapar de uma possível condenação a mais de 30 anos de prisão, foi responsável pela obra mais cara da Petrobras, a refinaria Abreu e Lima (PE), cujo preço final pode ultrapassar R$ 40 bilhões. Segundo a Polícia Federal, os contratos eram superfaturados e o sobrepreço, repassado pelas empreiteiras ao doleiro Alberto Youssef. O doleiro, por sua vez, cuidaria da distribuição do suborno aos políticos, todos do PT, PMDB e PP.

Duvido que se confirme a previsão de Costa --ele disse que, se abrisse o bico, não haveria eleição neste ano--, mas se trata de uma notícia que poderá exercer enorme influência no resultado eleitoral. Caso seja confirmada, estaremos diante de um mensalão 2, capaz de provocar um tsunami no quadro político.

Salta aos olhos que a informação, se verdadeira, terá sido vazada no momento mais conveniente possível para os adversários do governo.  E, claro, não por acaso.

Mas, os companheiros petistas deveriam estar cientes de que partidos de esquerda precisam governar com as massas e para as massas, caso contrário não terão quem os defenda desses golpes de mestre da direita. Ao decepcionar a militância idealista e, falemos claramente, revolucionária, o PT se  tornou tão vulnerável que agora pode ser melancolicamente abatido nas urnas, sem necessidade dos antiquados golpes de estado. 

Será que os grãos petistas decidirão finalmente tirar seu craque do banco de reservas? Lula é o único que talvez ainda consiga segurar esta onda. Com Dilma, a derrota é certa. Quem viver, verá.
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