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segunda-feira, 8 de junho de 2020

A ÚLTIMA BESTEIRA DO GOVERNO BOZO (LEIA LOGO ANTES QUE ACONTEÇA OUTRA!)

Os asnos, burros, jegues, jumentos e mulas acabam de distribuir uma nota à imprensa, ameaçando processar todos os humanos que os compararem a Bolsonaro e sua trupe de debiloides com QI negativo...

A luta do governo contra a divulgação da contagem de cadáveres decorrentes da Covid-19, enquanto age como quem já desistiu de evitar as mortes em si, arranca suspiros de alívio do Renato Aragão: 
"Puxa, se essa gente estivesse em ação quando começamos, não teriam existido Os Trapalhões! De que jeito competirmos com trapalhadas que seriam muito mais ridículas do que as nossas?!".
Só para lembrarmos as últimas lambanças do Ministério da Saúde Militarizada, seguindo determinações do tenentezinho encrenqueiro que o Exército expeliu e agora dá ordens a generais:
1. atrasou a divulgação do balanço macabro de cada dia para as 22 horas, a fim de evitar que aparecesse no Jornal Nacional. Aí a Globo passou a interromper a programação para noticiá-lo, o que o tornou muito mais chamativo do que até então;
2. armou uma confusão dos diabos ao alterar a divulgação diária dos números da contaminação e dos óbitos, trapaça que, logo ao tomar conhecimento, já soube que seria mais um tiro no pé.

Não deu outra, conforme se constata nesta nota:
Em resposta à decisão do governo Jair Bolsonaro de restringir o acesso a dados sobre a pandemia de covid-19, os veículos O Estado de S. Paulo, Folha de S.Paulo, O Globo, Extra, G1 e UOL decidiram formar uma parceria e trabalhar de forma colaborativa para buscar as informações necessárias nos 26 Estados e no Distrito Federal.
Ou seja, um balanço que já era manipulado e subdimensionado (várias instituições idôneas daqui e do exterior estimavam que os dados reais equivaleriam a algo entre 7 e 10 vezes os oficiais) será substituído por um muito mais preciso e danoso à imagem do (des)governo, com credibilidade imensamente maior.

Resumindo: mais uma vez os amadores patetas, que teimam em tentar competir com profissionais, só levantaram a bola para o adversário marcar o ponto. (por Celso Lungaretti) 

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

SUGESTÃO AO RENATO ARAGÃO: REAGRUPE OS TRAPALHÕES COM O TRUMP E O BOZO, QUE LOGO ESTARÃO DESEMPREGADOS.

tatiana prazeres
DECISÕES DOS EUA EM RELAÇÃO À CHINA PODEM TER EFEITO OPOSTO AO DESEJADO (trecho)
Para conter o desenvolvimento tecnológico na China, os EUA proibiram a exportação de uma série de tecnologias das quais os chineses dependem, incluindo componentes e software.

O que fizeram, então, os chineses? Eles aceleraram, sem constrangimentos, os esforços em direção à autossuficiência em tecnologias críticas, alocaram recursos públicos e orientaram esforços privados de maneira a não precisar contar com fornecedores americanos.

Além de empresas americanas de ponta terem perdido acesso ao mercado chinês (por decisão dos próprios EUA), elas logo passarão a encontrar, em terceiros mercados, competidores chineses à altura.

Assim que fornecedores americanos foram proibidos de fazer negócios com a Huawei, noticiou-se que a empresa teria alocado cerca de 10 mil engenheiros e programadores em três turnos para correr atrás do prejuízo. 
Por sua vez, o governo chinês anunciou dois anos de incentivos tributários generosos para empresas locais de semicondutores e software.

Os EUA aumentaram tarifas sobre produtos chineses? Pois, ao mesmo tempo em que responderam com tarifas para produtos americanos, os chineses diminuíram as barreiras para o resto do mundo.

A China fez isso para evitar o próprio prejuízo, diminuindo o efeito tiro no pé que costuma vir com o aumento de barreiras, e acabou também prejudicando a posição relativa dos EUA no mercado chinês.

Certamente a economia chinesa sente os efeitos da pressão americana, e o ritmo mais lento de crescimento na China é motivo de dor de cabeça para Pequim, além de a relação conflituosa preocupar o governo chinês.

Isso tudo é correto, mas o ponto aqui é diferente: a pressão que os EUA colocam sobre a China pode ter o efeito de fazer o país asiático mais forte —ao invés de mais fraco. (por Tatiana Prazeres) 

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

NA MOSCA: A GESTÃO DESASTROSA DE BOLSONARO É OBSTÁCULO DECISIVO A QUAISQUER AMBIÇÕES DITATORIAIS!

hélio schwartsman
DEMOCRACIA AMEAÇADA?
Bolsonaro representa uma ameaça à democracia? 

Não é preciso cavoucar muito a biografia do presidente para dela extrair gestos e declarações que escancaram seu pouco comprometimento com o sistema democrático. Ainda assim, penso que, ao menos pelos próximos dois ou três anos, nossa democracia está razoavelmente segura. 

Não digo que não experimentaremos retrocessos em outras áreas. O meio ambiente, p. ex., já perdeu bastante com o novo presidente. A ideia de avanço civilizacional também.

Não vejo, contudo, grande perigo de ele sagrar-se ditador. Não porque Bolsonaro seja animicamente superior a autocratas como Vladimir Putin, Viktor Orbán, Recep Tayyip Erdogan ou mesmo a um Rodrigo Duterte. Ele não é. 

Nossas instituições até são um pouco mais calejadas que as de Rússia, Hungria, Turquia ou Filipinas, mas não acredito que a diferença fundamental esteja aí.

O que me parece realmente decisivo é que o processo de erosão da democracia promovido pelos líderes acima mencionados foi precedido por uma fase de pujança econômica. 

Na nova cartilha do autoritarismo, em que as instituições são minadas de dentro para fora, governantes só encontraram espaço para avançar quando gozam de forte amparo popular, calcado em bons indicadores econômicos.

Até onde a vista alcança, o Brasil não verá isso tão cedo. Não há muitos economistas prevendo para logo um espetáculo do crescimento com dramática redução do desemprego. E, sem isso, Bolsonaro dificilmente conseguiria um passe livre para despachar cabos e soldados contra o STF ou contra o Congresso. 

Ao contrário, o que temos visto, por uma série de razões que não cabe comentar aqui, é um Legislativo mais independente e sem medo de contrariar o presidente.

Bolsonaro pode até querer se tornar um tirano, mas precisará acertar muito antes de ter alguma chance de fazê-lo. E até sua personalidade conspira para que não consiga. (por Hélio Schwartsman)

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

"O PRESIDENTE INSISTIU EM DIRIGIR COM SEUS OLHOS VENDADOS, ENQUANTO AS CRIANÇAS BERRAVAM NO BANCO DE TRÁS"

bruno boghossian
INABILIDADE
 DE BOLSONARO
 ENVENENA
LUA DE MEL
 DO INÍCIO
DO MANDATO
A caminho da lua de mel, Jair Bolsonaro pegou o desvio errado na estrada. O presidente insistiu em dirigir com seuos olhos vendados, enquanto as crianças berravam no banco de trás. Trocou meses de romance com aliados, eleitores e o Congresso por uma temporada no meio de uma praça de guerra.

Bolsonaro jogou fora o período em que os governantes tradicionalmente aproveitam sua popularidade para aprovar projetos importantes e contornar assuntos espinhosos. O vazamento de gravações que sugerem que o presidente falsificou uma versão sobre a queda de Gustavo Bebianno e a lavada que o governo levou na Câmara nesta terça (19) marcam uma largada desastrosa.

Já se previa certa hostilidade nas relações políticas de Bolsonaro, mas não se imaginava que os duelos surgiriam tão cedo. Em 50 dias de mandato, ele comprovou sua inabilidade para lidar com o Parlamento e gerenciar crises dentro de casa.

Chamado de mentiroso, Bebianno divulgou as conversas que precederam sua demissão. Nas gravações, o ex-ministro mostra que trocou mensagens com o presidente enquanto a crise das candidatas laranjas do PSL se desenrolava —o que o próprio Bolsonaro havia negado.

Não é normal que um auxiliar revele diálogos privados para desmentir um presidente. Para piorar, Bebianno diz que o chefe foi envenenado pelo filho e que Carlos fez uma macumba psicológica na cabeça do pai. A influência nociva da família sobre Bolsonaro ganha contornos de lavagem cerebral.
O governo ainda amargou derrotas humilhantes no Congresso. O Senado aprovou um convite para que Bebianno dê explicações sobre o laranjal do PSL, e a Câmara deu uma surra no presidente ao votar contra o decreto que permite expandir o sigilo de documentos públicos.

Na véspera da visita de Bolsonaro ao Congresso para apresentar a reforma da Previdência, a articulação política fracassou, e os partidos resolveram atacar. Agora, eles prometem cobrar caro por uma conciliação. (por Bruno Boghossian)

sábado, 19 de março de 2016

NOVO MINISTRO DA JUSTIÇA DÁ ENTREVISTA DESASTROSA À 'FOLHA'

O New York Times, em editorial, identificou uma grande culpada pelo risco que Dilma Rousseff corre de ser mandada mais cedo para casa: ela própria.

O jornal, que vinha desaconselhando o impeachment, qualificou de "ridícula" a explicação por ela dada para tornar Lula ministro e estranhou que, lutando "pela sobrevivência política", Dilma ainda não tenha se dado conta da fragilidade de sua posição: "Surpreendentemente, parece ter achado que tinha capital político de sobra".

Então, conclui o NYT, "se suas últimas manobras impelirem o impeachment para a linha de chegada, Dilma só poderá culpar a si mesma".

É provável que o editorial tenha sido escrito antes de divulgada a gravação na qual, candidamente, Dilma abriu o jogo sobre a principal serventia do termo de posse. Caso contrário, seria mais contundente ainda.

Outra das últimas manobras de Dilma, a troca de ministro da Justiça, vai pelo mesmo caminho, de levantar a bola para o outro lado marcar pontos e mais pontos.

Era notória a pressão de Lula para que José Eduardo Cardozo inibisse a atuação da Polícia Federal até a inocuidade. 

Não aceitando se prestar a tal papel, Cardoso preferiu abrir mão do cargo. Então, o desconhecido Eugênio Aragão foi empossado sob suspeitas generalizadas de que vinha para botar um cabresto na PF.

Aí, neste sábado (19) ele dá entrevista simplesmente desastrosa à Folha de S. Paulo, repleta de afirmações que serão recebidas como a confirmação dos mais pessimistas augúrios. Leiam os trechos abaixo e constatem. Os grifos são meus, para destacar as afirmações mais chocantes e inconvenientes:  

A presidente Dilma fez algum pedido especial ao senhor?
Não. Ela me conhece e sabe quais são minhas posições. Só pediu apoio dentro do ministério. Um dos problemas estratégicos é a questão do vazamento de informações, que alguns dizem que são seletivos. Não podemos tolerar seletividade. Há uma politização do procedimento judicial, seja por parte do juiz, seja por parte dos agentes públicos em torno.

O sr. identificou abusos na Lava Jato em relação à PF?
É difícil divisar no Paraná quem é quem. O próprio uso da delação premiada tem pressupostos. No Direito alemão, a colaboração tem de ser voluntária. Se houver dúvida sobre essa voluntariedade, não vale. Na medida em que decretamos prisão preventiva ou temporária em relação a suspeitos para que venham a delatar, essa voluntariedade pode ser colocada em dúvida. Porque estamos em situação muito próxima de extorsão. Não quero nem falar em tortura. Mas no mínimo é extorsão de declaração... 
"A equipe será trocada, toda... eu não preciso ter prova."

E o vazamento de delação, preocupa?
Aí nós temos uma atitude criminosa, porque quem vaza a delação está querendo criar algum tipo de ambiente.

Mas esse vazamento pode vir da própria polícia...
Estou falando de polícia, Ministério Público, do juiz, e eventualmente do advogado. Mas o advogado tem uma vantagem: não é agente público. Mas os agentes públicos têm código disciplinar. O Estado não pode agir como malandro. A minha grande preocupação é com a qualidade ética desses agentes. Se vaza, é coisa clandestina. Se vaza, esse agente está querendo atribuir um efeito a esses atos públicos, que são essas delações.

Mas poderia o ministério punir algum agente que vazou?
A primeira atitude que tomo é: cheirou vazamento de investigação por um agente nosso, a equipe será trocada, toda. Cheirou. Eu não preciso ter prova. A PF está sob nossa supervisão. Se eu tiver um cheiro de vazamento, eu troco a equipe. Agora, quero também que, se a equipe disser "não fomos nós", que me traga claros elementos de quem vazou porque aí vou ter de conversar com quem de direito. Não é razoável, com o país num momento de quase conflagração, que os agentes aproveitem esse momento delicado para colocar gasolina na fogueira.

Pior, impossível. 

Quanto a colocar gasolina na fogueira, terá o novo ministro a mínima noção de quais serão as consequências de suas declarações? 

Se ele cumprir tais ameaças, as ruas rugirão de novo, empurrando ainda mais o impeachment para a linha de chegada.

Parece que, parafraseando T. S. Eliot, o governo de Dilma não cairá com estrondo, nem com um suspiro. Mas sim com as gargalhadas que dávamos quando assistíamos a um saudoso programa humorístico: Os Trapalhões.

sábado, 11 de abril de 2015

AS TRAPALHADAS PALACIANAS E O BESTEIROL DO REINALDO AZEVEDO

Na véspera das manifestações de protesto que estremeceram o Governo Dilma, o site vemprarua anunciava a provável participação de 233 cidades brasileiras e nove estrangeiras.

Desta vez lista quase 400 municípios, além de 18 cidades do exterior, inclusive Londres, Nova York, San Francisco, Santiago, Toronto, Washington e Zurique. 

Já o governo, talvez num exercício de wishfull thinking, "avalia que as manifestações marcadas para o próximo domingo (12) contra a presidente Dilma Rousseff não terão o mesmo tamanho e impacto dos protestos de 15 de março, quando milhares de pessoas saíram às ruas", segundo notícia da Folha de S. Paulo.

Parece-me que os aspones trapalhões estão batendo cabeça de novo, pois se for igualado ou superado "o tamanho e impacto" do Fora, Dilma! de quatro semanas atrás, as manchetes serão devastadoras. 

Ou seja, os magos da comunicação previamente forneceram ao PIG toda munição de que precisava para interpretar um empate como derrota do governo e uma pequena derrota do governo como uma catástrofe política.

Alguém deveria lembrar-lhes que em boca fechada não entra mosca. Vão ser ingênuos na ponte que partiu!

* * *

O jornal da ditabranda acrescenta que não está previsto nenhum pronunciamento de ministro(s) na noite de domingo. O que não quer dizer muita coisa, pois evidentemente improvisarão algo caso as circunstâncias o exijam.

No fundo, o prejuízo será menor se ninguém falar, pois quem assistiu à performance de José Eduardo Cardoso e Miguel Rossetto na noite do dia 15 ficou procurando o terceiro pateta...

* * *

A PM de São Paulo ganhou a parada e a TV Globo teve de engolir a antecipação para hoje da partida dominical do Corinthians, que coincidiria com a manifestação na av. Paulista. É óbvio que não existiam efetivos suficientes para o policiamento dos dois eventos, então prevaleceu o bom senso. 

Ganha o timão, que terá mais um dia para repor as energias e treinar, visando à competição que realmente importa para ele, a Libertadores da América. 

Perde Dilma, pois num domingo sem Corinthians a Globo provavelmente destacará muito mais os flashes da av. Paulista.

* * *

As linhas mal traçadas pelos doutos, referentes à maioridade penal, podem levar os desavisados a suporem que os menores sejam tratados como tais nos recolhimentos a eles destinados.

Ledo engano. Se a proposta simplista e demagógica for aprovada, os com mais de 16 anos apenas trocarão um inferno pelo outro. Sua real desvantagem será o aumento da duração das penas.

As linhas mal traçadas pelos doutos, referentes à terceirização, omitem que muito mais nociva do que a dita cuja em si (mesmo com o agravamento em vias de ser concretizado) é a falsa terceirização. Quem a ela foi coagido, como eu, sabe do que estou falando. 

Ou aceitava passar-me por pessoa jurídica embora continuasse sendo basicamente um assalariado, ou não havia mais emprego para mim. Cedendo à chantagem patronal, passei anos desprotegido: se sofresse qualquer doença ou acidente incapacitante, rescindiriam imediatamente o contrato fajuto, só tendo de pagar-me um mês a mais. 

Eu me considerava um escravo moderno, sentindo infinito desprezo pelos colegas que tolamente engoliam tal patranha e passavam a se ver como pequenos empresários, exultando por pagarem menos impostos.

* * *

No seu célebre desabafo contra os ululantes que o hostilizavam na eliminatória paulista do 3º FIC, Caetano Veloso disparou: "Se vocês forem em política como são em estética, estamos feitos!".

A frase cai como uma luva para o reaça-mor Reinaldo Azevedo, que em sua coluna na Folha de S. Paulo mostrou ser igualmente inconfiável quando escreve sobre a sétima arte.

Eis o pênalti que ele bateu na direção da bandeira de escanteio:
"...em 'Os Duelistas', o excelente filme de estreia de Ridley Scott... as personagens de Harvey Keytel e Keith Carradine passam a vida tentando matar um ao outro. Até o dia em que o desequilíbrio acontece, e um deles morre".
Nenhum deles morre. O segundo ganha o duelo mas poupa a vida do primeiro, adquirindo o direito de exigir que o outro se mantenha longe de suas vistas para sempre.

Se vocês engolirem o besteirol do Reinaldo Azevedo, tanto em política quanto em estética, estarão feitos...

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A LAMBANÇA DOS PETROTRAPALHÕES

A CPI da Petrobrás é um daqueles terrenos minados nos quais não gosto de entrar porque ficam fora do meu foco: interessa-me a política revolucionária, não a política oficial, da qual nada mais espero no sentido da construção de uma sociedade justa e igualitária. A esperança mora nas ruas, não na Praça dos Três Poderes.

Mas, com referência às últimas denúncias da veja e da Folha de S. Paulo, há algo que eu posso elucidar.

Na prática, montou-se o que os profissionais de comunicação empresarial chamamos de media training: uma simulação para entrevistados aprenderem como lidar com uma coletiva de imprensa. 

As agências de RP colocam o cliente para ser inquirido por seu pessoal, cada um desempenhando determinado papel. Há o entrevistador agressivo, há o bom argumentador, há o detalhista cricri, há o que prepara armadilhas, há o aparentemente inofensivo que de repente crava um golpe demolidor, há momentos em que falam vários ao mesmo tempo. De vez em quando a simulação é interrompida e explica-se ao fulano que erros cometeu ou elogia-se seu desempenho em tal ou qual tema, conforme for o caso. 

Com isto, ele adquire um conhecimento prévio de como transcorrem as entrevistas, qual é o seu clima, que tipo de cascas de banana atirarão no seu caminho, etc. Passar pelo constrangimento de ser maltratado por um repórter contundente na frente de uma platéia o imuniza contra escorregadelas ou perda de controle quando a coisa for pra valer.

Em se tratando de uma CPI sem a participação de oposicionistas, seria muito fácil ministrar-se aos depoentes um treinamento semelhante (o que se passa na dita cuja quase nada difere de uma coletiva de imprensa). Nem precisariam ir tão longe, contando previamente com a boa vontade dos parlamentares, todos situacionistas. É claro que estes levantariam muitas bolas para eles marcarem pontos, como também fazem os repórteres quando querem agradar aos entrevistados (geralmente são poucos os que mordem e muitos os que lambem a mão). Sem ambiente hostil, só cavalgaduras se embananam.

Mas, alguns trapalhões preferiram fazer um desnecessário jogo de cartas marcadas, dando-lhes ciência prévia das perguntas que responderiam.

Ora, é óbvio que não foi nada do outro mundo, em termos de resultados. Mas, na política, as aparências também contam e deixar-se flagrar com as calças na mão é imperdoável. O respeitável público deve ser mantido na sua santa ignorância, não pode ficar sabendo que o Congresso é palco de encenações canhestras, ao invés das atividades legislativas que justificam a mui exagerada remuneração dessa gente toda.

Agora, também para salvar as aparências, alguém precisará pagar o pato, pois é uma daquelas lambanças que não podem ficar totalmente impunes.

E isto porque De Gaulle tinha razão em seu juízo a nosso respeito. Caso contrário, todos os responsáveis e mancomunados responderiam a processos de impeachment ou seriam exonerados de seus cargos.
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