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segunda-feira, 13 de abril de 2026

TERRA ARRASADA QUEM DEIXOU PRA TRÁS FOI O LEHMAN BROTHERS. AS FRAUDES DO BANCO MASTER NÃO CHEGAM NEM PERTO.

Tudo que você conhecia sobre a decadência do capitalismo e a podridão do mercado financeiro é superado  em O dia antes do fim (Margin Call, dir. J. C. Chandor, 2011). 

Trata-se de um filme que, sem chamar o vilão pelo nome, mostra como o banco de investimentos Lehman Brothers agiu em setembro de 2018, quando, movido pela ganância, maximizou uma crise anunciada a tal ponto que ela quase acabou sendo o estopim de uma nova Grande Depressão (a qual, ao que tudo indica, foi apenas adiada e está cada vez mais próxima).

Não é um documentário, mas sim um drama, focado na reação dos dirigentes e corretores a partir da materialização do seu pior pesadelo. 

Não demora muito para o espectador ficar sabendo que, entre o fim do expediente num dia e o início no outro, a empresa definiu sua linha de atuação e vai preparar-se para levá-la à prática, face à constatação de que o mercado logo saberá que seus títulos são podres  e o colapso é questão de horas.

Depois da má notícia, os corretores recebem a proposta indecente: a companhia espera que eles vendam o máximo  desses papéis antes que a notícia se espalhe.
.
Os que aceitarem queimar-se em definitivo na profissão, receberão uma vultosa gratificação para irem mantendo seu alto padrão de vida enquanto se reciclam e buscam novas oportunidades. 

A reação deles é previsível: fazem das tripas coração para salvarem-se do naufrágio. O que mais se poderia esperar dos participantes conscientes daquele esquema de negociatas que lhes rendia rendia comissões e bônus magníficos?

Depois, nos papos entre os mandachuvas, percebemos que estes têm a exata noção do tsunami que suas manobras (ilegais) causarão no mercado, mas não estão nem aí; querem é salvar o máximo de grana que puderem antes da decretação da falência.

A excelência do filme se deve, entre outros méritos, a não pretender dar uma aula sobre subprimes e como se transformaram numa arapuca para os investidores, mas sim confrontar as várias reações das pessoas que, vendo uma fase de sua existência chegar ao fim, agem da pior maneira possível, na linha do f...-se o mundo, eu não me chamo Raimundo(por Celso Lungaretti)

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

AS FRAUDES DO BANCO MASTER SÃO QUASE NADA COMPARADAS COM O CAOS CRIADO PELO LEHMAN BROTHERS

T
udo que você imaginava sobre a decadência do capitalismo e a podridão do mercado financeiro é superado  com folga por O dia antes do fim (Margin Call, dirigido po J. C. Chandor, 2011), um filme que, sem chamar o vilão pelo nome, mostra como o banco de investimentos Lehman Brothers agiu em setembro de 2018, quando, movido pela ganância, maximizou uma crise anunciada a tal ponto que ela quase acabou sendo o estopim de uma nova Grande Depressão (a qual, ao que tudo indica, foi apenas adiada e está prestes a acontecer).

Não é um documentário, mas sim um drama, focado na reação dos dirigentes e corretores a partir da materialização do seu pior pesadelo. E não demora muito para o espectador ficar sabendo que, entre o fim do expediente num dia e o início no outro, a empresa definirá sua linha de atuação e vai preparar-se para levá-la à prática, face à constatação de que o mercado logo será inteirado de que seus títulos são podres e o colapso é questão de horas.

Depois da má notícia, os corretores recebem a proposta indecente: a companhia espera que eles vendam o máximo  desses papéis antes que a notícia se espalhe. 

Os que aceitarem queimar-se em definitivo na profissão, receberão uma vultosa gratificação para irem mantendo seu alto padrão de vida enquanto se reciclam e buscam novas oportunidades. 

A reação deles é previsível: fazer das tripas coração para salvarem-se do naufrágio. O que mais se poderia esperar dos participantes conscientes de um esquema de negociatas que lhes rendia rendia comissões e bônus invejáveis, enquanto levava seu país à bancarrota?

Depois, nos papos entre os mandachuvas, percebemos que estes têm a exata noção do tsunami que suas manobras (ilegais) causarão no mercado, mas não estão nem aí; querem é salvar o máximo de grana que puderem antes da decretação da falência.

A excelência do filme se deve, entre outros méritos, a não pretender dar uma aula sobre subprimes e como se transformaram numa arapuca para os investidores, mas sim confrontar as várias reações das pessoas que, vendo uma fase de sua existência encerrar-se melancolicamente, jogarão sua última cartada antes do fim. (por Celso Lungaretti)



"
...a América parecia nadar na prosperidade e o mercado de ações batia recordes. Até que uma firma após a outra começou a declarar falência, a ponto de a própria estrutura da economia americana como um todo ser ameaçada, forçando o Congresso a recorrer no desespero a um gigantesco esquema de fiança... 

...cabe ao CEO da empresa, John Tuld (interpretado por Jeremy Irons), ordenar que sua companhia comece a se livrar dos títulos de investimento sem valor antes que a notícia se espalhe e todos descubram que a empresa não vale mais nem um centavo. 

Ou seja, o que John essencialmente está fazendo é trair seus clientes. O ápice desta falta de ética se materializa principalmente quando passamos a ter a consciência de que diversas firmas criaram fundos de pensão já com a intenção de irem à falência, só para fazerem mais dinheiro apostando contra o mercado imobiliário americano. 

Estes fundos de investimento eram abastecidos por títulos imprestáveis que, por sua vez, eram vendidos aos clientes, com o total conhecimento das empresas responsáveis e seus representantes.

O dia antes do fim é, essencialmente, um filme sobre como seus personagens estão preocupados apenas com o bem-estar de suas corporações, sem nenhuma inclinação de promover o bem público. Estas corporações são amorais e existem somente para sobreviver e prosperar, independentemente do custo humano da equação"(por Eduardo Kacik)
 

quinta-feira, 21 de maio de 2020

COITADEZAS DO MUNDO, TREMAM! A VOCÊS ESTÁ DESTINADO O PAPEL DE PRINCIPAIS VÍTIMAS DA DERROCADA CAPITALISTA

dalton rosado
AS CRISES (SOMATIZADAS E CONEXAS) FINAIS DO CAPITAL
.
"Batalhar contra essa crise e tentar mitigar seus efeitos na economia dos EUA e do mundo tem dominado as horas em que estou acordado por mais ou menos
21 meses"(Ben S. Bernanke,  presidente do
FED, durante a crise do subprime)
Há uma história corriqueira sobre as agências de rating, como Standard & Poors, Moody’s e outras, segundo a qual um analista de mercado mais criterioso e preocupado com o boom do mercado imobiliário em 2007, passou a estudar o fenômeno causal pelo qual uma unidade habitacional subia de preço (não de valor intrínseco) nos Estados Unidos sem a menor explicação lógica e num período de alguns meses graças à especulação do setor.  

Verificou que os bancos que operavam com o financiamento habitacional por hipotecas naquele país, como o Lehman Brothers e outros, financiavam unidades habitacionais sem o menor critério de comprovação de renda dos compradores, mas baseados apenas no valor de mercado de tais unidades. 

Muita gente comprava até mais de um imóvel, pois isso representava renda de alugueis até que se vencessem as dívidas hipotecárias. Outros vendiam suas casas já quitadas e valorizadas muito acima dos valores originais e faziam novos financiamentos como forma de obtenção de capital para os usos mais diversos. 

Quando uma hipoteca vencia e a casa era retomada pelo banco financiador, sempre havia a possibilidade de nova venda e por preços aumentados, o que despreocupava os credores, que até torciam para que houvesse uma inadimplência.   
"a bolha furou e o dinheiro desapareceu"

Mas o tal analista se deu conta de que essa espiral de aumento de preços no mercado imobiliário poderia constituir-se numa bolha de aumento de capital cujo limite de crescimento seria atingido tão logo houvesse um nível de inadimplência maior do que a capacidade de financiamento e aquisição, fazendo ruir todo aquele processo como um castelo de cartas.

Quando procurou uma agencia de rating famosa para saber o critério usado para as notas altas de avaliação de ativos dos bancos do sistema imobiliário, constatou que as notas eram dadas como forma de agradar o mercado, de vez que, se assim não procedesse, outras agências o fariam, tomando-lhe os clientes. 

Consta que o tal analista de sistema previu o colapso do mercado imobiliário, tendo o preço das unidades habitacionais caído de preços numa proporção ainda maior do que aquela em que haviam aumentado.

Não deu outra; a bolha furou e o dinheiro desapareceu tal qual o Superman de plástico com a imagem de Sérgio Moro inflado nas manifestações dos fanáticos seguidores do mito.  

Assim, quando as inadimplências começaram a pipocar num volume maior do que a capacidade de compra, os bancos ameaçaram decretar a maior falência do sistema financeiro mundial desde o crash de 1929/1930, o que poderia causar a falência de todo o sistema monetário vigente e provocar um tsunami no capitalismo internacional, botando a nu a insubsistência das moedas ditas fortes.
Vem aí outro crash como o da Bolsa em 1929?
A ameaça foi sanada com dinheiro sem valor emitido pelos Bancos Centrais dos Estados Unidos e da União Europeia, já que todos os bancos internacionais estavam contaminados pela insustentabilidade dos seus ativos financeiros. 

Mas o milagre encontrado foi e é tão falso como a cloroquina quando utilizada contra a Covid-19.

Os ativos financeiros do sistema de crédito mundial, já eram, desde a crise do subprime, lastreados por títulos da dívida pública, os quais, por sua vez correspondem a recursos obtidos dos aplicadores financeiros (rentistas) mundo afora.

Ocorre a dívida pública jamais será regatada, posto que é  permanentemente rolada e com juros cada vez mais baixos; se assim não fosse, tais juros seriam adiante inadimplidos, antecipando o tsunami (que, dia mais, dia menos, inevitavelmente chegará). 

Para que tais ativos financeiros pudessem ser resgatados, seria necessário que a economia mundial (e com ela a arrecadação de impostos) retomasse um ritmo de crescimento estratosférico,  o que não está na ordem do dia. 

Pelo contrário, os organismos financeiros internacionais tipo FMI e OCDE, antes mesmo da pandemia virótica, já alertavam que entraríamos num recessão mundial a partir de 2020.

Por seu turno os Estados estão cada vez mais endividados, a ponto de o mesmo Lula que qualificava a crise do subprime de uma marolinha, agora afirmar que ficou evidenciada a importância do Estado na solução dos problemas. Este é o socialismo que acende velas para o capital!  

O isolamento social causado pela pandemia virótica criou um clima de perplexidade completa no capital industrial, comercial e financeiro, bem como aos orçamentos públicos, sem que os auxílios financeiros emergenciais com moeda sem lastro representem soluções eficazes e duradouras. 
"deixando seus incautos investidores a verem navios"

A crise econômica se soma à crise política, sendo esta última (como esfera submissa do capital decomposto) um mecanismo institucional hipossuficiente na solução do problema mundial do atingimento do limite interno da capacidade de expansão capitalista. 

[Isto porque, uma vez atingido tal limite e cessada a expansão, ele sucumbe e morre, tal qual uma pirâmide financeira que derrete ao tornar-se incapaz de continuar incorporando novos aplicadores, deixando seus incautos investidores a verem navios. 

O problema disto tudo é que a falência do sistema vai atingir de modo mais acentuado todos os coitadezas do mundo, aí incluídos os desavisados e fanatizados seguidores da direita nazifascista mundo afora, que no Brasil vestem as cores verde-amarelas e gritam como um mantra o fora comunistas, dirigidos e manipulados por uma classe média ávida em readquirir o status e recuperar as comodidades de outrora).

A retomada do desenvolvimento econômico, bandeira uníssona de todos os segmentos políticos e sociais, é tão ilusória quanto a pretensão de que um remédio para a malária possa ser a solução milagrosa contra o coronavírus. (por Dalton Rosado)

sábado, 26 de janeiro de 2019

PORQUE NÃO DEVEMOS GOVERNAR, NEM ALMEJAR O PODER (5ª parte)

(continuação deste post)
c) a criação permanente de bolhas financeiras – é importante estabelecermos, em primeiro lugar, a diferença entre valor e preço das mercadorias, conceitos estabelecidos e esclarecidos por Karl Marx em contraponto aos economistas clássicos de então, que não os diferenciavam.  

Valor decorre dos custos de produção coagulados na mercadoria; e dentre estes, o mais importante é a quantidade de valor necessário de trabalho abstrato (o quantum de remuneração por tempo de trabalho ao trabalhador). Preço decorre da relação das trocas de mercadorias (compra e venda) no mercado.

Uma mercadoria pode ter um valor determinado (média dos custos de produção) e um preço a maior ou a menor dependendo das flutuações de mercado. Se, por qualquer motivo, uma determinada mercadoria se torna escassa, a lei da oferta e da procura pode estabelecer um preço muito além do que seria razoável em termos do seu valor intrínseco.

Já se houver grande oferta de uma mesma mercadoria, isto pode resultar numa queda de preço, que representará prejuízos para o seu produtor. 
Contudo, sejam quais forem as flutuações de mercado, o valor de uma mercadoria (diferentemente do seu preço) é sempre estabelecido pelo quantum de trabalho abstrato nela coagulado, incorporado. 

A riqueza abstrata (dinheiro e mercadorias, expressões materializadas do valor) é, portanto, sempre um quantitativo de trabalho abstrato nela coagulada, incorporada, e apropriada por quem a detém. Daí dizer-se que toda grande riqueza expressa em valor não passa de uma montanha de apropriação indébita de muitos trabalhos abstratos nela incorporados.

A partir da diferenciação entre valor das mercadorias (conteúdo intrínseco dos seus custos de produção) e preço destas, que corresponde à sua aceitação no mercado em face da oferta e da procura, pode-se concluir que, quando há uma procura especulativa de uma determinada mercadoria motivada por uma capacidade de consumo induzida pela oferta de crédito fácil, deve ocorrer uma alta dos seus preços fora da normalidade, que mais cedo ou mais tarde evidenciar-se-á como insubsistente.

Como o capital hoje necessita desesperadamente de reproduzir a si próprio cumulativamente, sem que tal necessidade encontre ressonância no mercado, a oferta de crédito sem critério de garantia de retorno do capital financiado para a compra de mercadorias passa a ser um mecanismo usual, mas absolutamente inconsistente. 

Isto sucedeu na crise do subprime de 2008 nos Estados Unidos pela via da oferta de créditos imobiliários fáceis, criando uma bolha financeira que levou à estratosfera o valor dos imóveis. Tal relação custo/benefício, contudo, somente durou até o momento em que começou a haver inadimplência dos créditos concedidos pelo sistema financeiro.

Acabou caindo para este último a ficha de que as suas garantias hipotecárias sobre os financiamentos concedidos não encontravam respaldo de venda no mercado, provocando um típico movimento especulativo de queda vertiginosa dos preços dos imóveis. Os bancos envolvidos foram à bancarrota. 

Foi o que aconteceu inicialmente com o Lehman Brothers, Fannie Mae, Freddie Mac; outros grandes bancos vieram em seguida, tendo o efeito em cascata tornado necessário que o FED e o Banco Central da União Europeia emitissem moedas sem lastro (calculadas em US$ 2 trilhões) para cobrir o déficit bancário, sob pena de haver um colapso de todo o sistema financeiro de crédito mundial. 

A febre foi então controlada, mas a infecção continuou viva no organismo financeiro. Este foi apenas o primeiro sintoma do que vai ocorrer quando estourar a bolha das bolhas: as dívidas públicas e privadas mundiais.

A China vai pelo mesmíssimo caminho e deveremos assistir a um impasse colossal quando os imóveis chineses (que têm preços absurdamente caros em Beijing, graças aos financiamentos de crédito fácil e dissociados da realidade econômica dos adquirentes) se evidenciarem como insolváveis. Já existem na China cidades-fantasmas cujas casas não encontram compradores ou estão desocupadas porque as adquirentes não conseguiram honrar os compromissos assumidos.

O capital industrial sem correspondência de valor válido na vida mercantil está provocando inúmeras bolhas especulativas, grandes e pequenas, de preços das mercadorias (sem correspondência de valor intrínseco). 
Tal fenômeno demonstra de forma cabal a irracionalidade de um modo de produção que perdeu completamente o senso de realidade.   

c) a hipossuficiência da política – neste artigo de 2017, já expusemos vários argumentos que comprovam a hipossuficiência da política diante das ordens ditatoriais, fetichistas, reificadas que recebe da economia.   

A política, enquanto canal de legitimação do acesso ao poder do Estado (sob as mais variadas formas), se insere dentro das funções de serviçais de uma ordem de relação social que tem por base a forma-valor e toda a sua dinâmica, dela retirando o seu sustento numa dependência que lhe retira a soberania de vontade.

A esquerda não compreende (ou compreende mas age por oportunismo inconsequente, o que é pior) que a política está inserida dentro de uma lógica preestabelecida; quando dela se participa, tem-se de obrigatoriamente seguir os seus ditames absolutistas.

A primeira imposição a que um político de esquerda deve submeter-se, quando assume um cargo eletivo, é jurar respeito à Constituição burguesa, que não passa do estatuto legal básico do capital. Nela estão insculpidas as cláusulas pétreas da ordem capitalista, que não podem ser transgredidas por dentro da sua institucionalidade opressora. 

O viés ideológico capitalista prevalece nos parlamentos do mundo inteiro (aliás, Boçalnaro, o ignaro mente quando diz que governará sem viés ideológico, já que este existe e transparece nas suas decisões: liberal na economia e conservador de direita na política). 
Cadê a nova classe média que estava aqui? A recessão comeu!

Então um parlamentar esquerdista, ao invés de fazer oposição eficaz, somente vai estar legitimando aquela instância de poder legiferante com sua participação, pois não terá como negar aquilo de que aceitou fazer parte. 

Pior ainda é a assunção aos cargos executivos cuja função primordial é fazer o controle estatal financeiro da regulação capitalista. No poder, os esquerdistas veem-se obrigados a equilibrar as contas públicas cada vez mais precarizadas, assumindo uma função equivocada de bombeiros heroicos do incêndio capitalista.

Também é simplista a alegação de que a esquerda no poder propicia uma sensibilidade social benéfica para os coitadezas do capital. As melhoras obtidas são sempre temporárias, acompanhando os ciclos de expansão e retração da economia capitalista (sendo que agora as fases de vacas magras tendem a predominar cada vez mais) e a esquerda que embarca em tal canoa furada sofre desgaste de imagem, por inspirar ilusões que se dissipam adiante, como as parcas melhoras da era Lula, todas já anuladas ou em vias de o serem. 

Estamos chegando a um ponto de saturação da lógica capitalista. Cabe-nos deixar aos interessados em salvar o capitalismo (ou seja, ao segmento político serviçal do capital) o mico de arcarem com os pesados ônus da administração do que é inadministrável.

Que os Paulos Guedes da vida vendam à vontade as empresas estatais (as quais nunca foram dos brasileiros, quer seja pela natureza do Estado, quer seja pela lógica autotélica de reprodução do capital) e que adiante, por não terem sido erradicadas as causas primárias da debacle capitalista, os problemas voltem qual fantasmas redivivos. 

A nós compete denunciarmos as razões pelas quais a população sofre as agruras de um modo de produção que atingiu o seu limite de expansão e clama pela própria superação.

O nosso itinerário de atuação não passa por dentro da institucionalidade burguesa, mas pela denúncia da sua ineficácia, pari passu à luta pela implantação de um novo modo de produção social, por mais árdua e incompreendido que seja tal desiderato. (por Dalton Rosado) 
(continua neste post)

quinta-feira, 22 de dezembro de 2016

A CRISE DO CAPITAL E A NOVA DIÁSPORA MUNDIAL

"Você não pode dormir bem quando pensa que
tudo está sendo pago pelo governo. Isso não
vai ser resolvido, a menos que vocês os
deixem ou os apressem para morrer"
(Taro Aso, vice-premiê do Japão, sobre
saúde pública x doenças graves)
.
A NOVA CONJUNTURA 
DO MERCADO MUNDIAL
O capital é branco, ocidental e masculino (Roswhita Scholz): e esta lógica do capital se espalhou por todas os quadrantes mundiais e se tornou one world, como resultante da necessidade de expansão vital. 

Destarte, os mundos asiático e africano (que juntos, correspondem a quase 80% da população do mundo, com equivalente extensão territorial) trocou paulatinamente as tradicionais relações pré-capitalistas, estabelecidas após o abandono da partilha primitiva, por relações capitalistas, mas sem condições de concorrência à altura.

As relações de produção predominantemente agrárias, que existiam sob o primado de instituições jurídico-sociais dominadoras, permitiam uma vida ao povo (miserável, mas possível); elas, contudo, implodiram sob a lógica do capital. 

Tal fato modificou a fisionomia do mercado mundial, posto que o capitalismo nada mais é do que uma forma de relação social (injusta, segregacionista, contraditória, e fadada à falência, diga-se en passant) que agora, quando vê alterado o seu conteúdo, alterou, correspondentemente, toda a dinâmica da concorrência mundial. 

Algumas regiões sucumbiram; outras sobrevivem num contexto de crescimento localizado, mas que implica um efeito colateral de queda geral da massa de valor e mais valia. 

Temos um exemplo disto na Ásia, cuja população está entrando no regime de concorrência mundial. A China, com seus 1,5 bilhão de habitantes, promoveu o maior êxodo rural da história da humanidade, levando para as cidades, quase compulsoriamente, centenas de milhões de pessoas que passaram o produzir industrialmente produtos para o mundo inteiro com valor reduzido, causando um estrago no tradicional regime de concorrência de mercado ocidental. 

Tal fenômeno foi possível graças à transferência de tecnologia do mundo ocidental em busca de mão-de-obra barata e abundante, e do acesso fácil atual ao conhecimento tecnológico.  

A China, dita comunista, mas capitalista de Estado, capacitou-se, a custa de:
Distopias de sci-fi são menos deprimentes do que isto...
— mão-de-obra barata;  
— transferência de tecnologia e desenvolvimento de tecnologia própria; e 
— endividamento por meio de capital fictício (a dívida privada chinesa é de 254% do PIB e, se a economia parar como se prenuncia, o calote fará estremecer de vez o mundo financeiro). 
O modo de produção industrial chinês desestabilizou o mundo capitalista de modo muito mais acentuado do que poderia prever Mao Tsé-Tung, defensor da revolução marxista tradicional. 

Com tal modo de produção, seguido pelo seu vizinho de impressionante tamanho populacional e grande extensão territorial (a Índia, que vem mantendo significativos níveis de aumento do PIB, tanto que em 2015 já ultrapassou a China em percentagem de crescimento), o capitalismo mundial ocidental estremece, de vez que o nível mundial de desemprego aumenta e as receitas fiscais do Estado definham com o emperramento da economia e da produção de valor válido. Soma-se a isto a indonésia, com seus 250 milhões de habitantes querendo seguir o mesmo caminho dos seus vizinhos. 

Diante da concorrência de mercado sob tais condições, o mundo capitalista ocidental diminui a sua produção industrial e se vê obrigado a financiar o déficit público e o fluxo monetário com dinheiro sem valor, além da emissão de títulos públicos insolváveis no futuro. 
2008: o  castelo de cartas quase desabou!

Esta é a forma de financiamento do déficit comercial dos Estados, que tudo compra, até quando evidenciar-se verdade trágica, já anunciada.  

Tudo se resume a um artificialismo financeiro que não possui lastro de sustentabilidade, tanto de um lado como de outro. Assim, o colapso, que já esteve próximo de ocorrer em 2008, quando da quebra do banco Lehman Brothers, se prenuncia como inevitável.    

O capitalismo só produz para quem pode comprar. Paradoxalmente, como é da sua natureza funcional, ele elimina postos de trabalho e diminui o contingente dos que podem comprar. Retira a escada pela qual alcança o desenvolvimento. Esta é uma equação irresolúvel sob a lógica do capital, que imporá, mais cedo ou mais tarde, uma mudança nos modos de produção. 

Um exemplo simples de contradição do capitalismo no atual estágio de produção tecnológica e redução do trabalho necessário e do trabalho excedente, formadores da mais-valia, nós podemos extrair da questão habitacional (setor no qual o capitalismo de Estado marxista-leninista encontrou sérias dificuldades). 

Há no Brasil um déficit habitacional de milhões de moradias e sabemos que a construção civil pode empregar um grande contingente de trabalhadores desqualificados profissionalmente. Assim poderiam, a um só tempo, serem resolvidas duas questões fundamentais: o déficit habitacional e o aumento da oferta de emprego. 

Mas, não há como se produzir uma residência minimamente confortável, num contexto de infraestrutura urbana necessária (esgotamento sanitário, vias públicas pavimentadas, iluminação pública, abastecimento d’água, etc.), sobre um lote de terra, mercadoria cara, pois a população que dela necessita não pode comprá-la: os salários são incompatíveis com o custo de uma propriedade habitacional ou com os juros de financiamento; e a coisa piora para quem é desempregado. 
O resultado disto é o desumano aumento das favelas, que poderia ser evitado sob outras formas de produção.       

Há uma relação de causa e feito com a miséria capitalista. Não se produz porque não se vende;não se vende porque não se compra; não se compra porque não se ganha dinheiro suficientemente. 

O capital só produz marginalmente, para uma pequena percentagem da população com poder aquisitivo e, assim, trava a produção da qual necessita desesperadamente, esta é mais uma faceta de sua contradição insuperável.
.          
OS EMIGRANTES DESESPERADOS
.
Hoje temos graves ebulições e guerras civis ou convencionais nos seguintes lugares: Ucrânia, Afeganistão, Iraque, Síria, Sudeste da Turquia, Líbia, Somália, Sudão, nordeste da Nigéria, Iêmen, Camarões, Mali, Curdistão, Egito, Líbano, além do histórico conflito entre palestinos e israelenses. 

Existem, ainda, conflitos internos nos países do Leste Europeu, na Venezuela e na União Europeia, que enfrenta alto nível de desemprego numa região outrora carente de mão-de-obra dos imigrantes de suas antigas colônias. 
Quase todos estes países eram governados por líderes militares com mão-de-ferro. O discurso do totalitarismo vigente era lastreado pela promessa de necessidade de ordem pública, de modernização da vida social, e de unidade nacional étnica e religiosa. 

Mas o discurso moralista encobria uma inconfessada sede de poder e da prática de corrupção generalizada por parte da elite dominante. O poder corrompe, e o poder continuado corrompe muito mais.       

Com a evolução tecnológica da terceira revolução industrial, que tornou inviável a produção em níveis de baixa produtividade, a estagnação tomou conta da economia de países economicamente subdesenvolvidos, que já não podem se endividar e nem voltar às suas antigas formas de produção de subsistência numa economia globalizada. O resultado de tanta insatisfação e miséria é o pulular de guerras fratricidas pelo poder, numa região fortemente marcada pelo misticismo religioso. 
Estado Islâmico: nada além de morticínios bestiais

Este é o caldo de cultura para o crescimento de movimentos político-religiosos fundamentalistas como a Al Qaeda, Estado Islâmico, Boko Haram, Al Shabaab, Hezbollah, Al Fatah e uma infinidade de grupos advindos de etnias sunitas, xiitas, alauditas, cada um deles querendo se mostrar mais autêntico na defesa da chamada jihad, a guerra santa islâmica. 

As potências econômicas militares internacionais sempre mantiveram tas países sob a sua influência apoiando governos totalitários e corruptos que terminaram por desintegrar as culturas e instituições locais, causando anomia social e uma aberrante tragédia humanitária.

É este o quadro no qual ocorre a grande diáspora da humanidade no início do século XXI  a era da tecnologia moderna – que nada mais é do que a explicitação da barbárie de um modelo de relação social que se exauriu completamente e clama pela substituição por outro modo de produção. O pior é que, em seus estertores, a relação condenada se apresenta cada vez mais sangrenta e desumana, tornando o desfecho do drama sumamente ameaçador para o destino de toda a humanidade.              

Relatos da Organização das Nações Unidas dão conta de que, até o início de 2016, mais de 4,8 milhões de pessoas emigraram de seus países, fugindo da guerra e da fome: e, ao longo deste ano deplorável, a emigração ainda aumentou. 

Para onde essas multidões sofredoras, senão para regiões que já têm problemas internos graves? O impasse assume proporções colossais. 
Em países como o Brasil, que (ainda) não enfrentam guerra civil ou convencional, a falência das finanças públicas e a renitente depressão econômica estão deixando atônitos os seus cidadãos, que já veem as labaredas do incêndio capitalista bater às suas portas. 

Como corolário disto tudo, agora nós teremos pela frente um Donald Trump como presidente da meca do capitalismo, querendo quer apagar o fogo com gasolina. 

Fala sério! Já não é hora de repensarmos tudo isso? (por Dalton Rosado)
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