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terça-feira, 28 de dezembro de 2021

PT x DILMA: ME ENGANA QUE EU GOSTO

Em sua coluna desta 3ª feira (28), Mônica Bergamo aborda a querela entre Dilma Rousseff e o Partido dos Trabalhadores. Reproduzo aqui porque se trata de um episódio de ridículo atroz, como os leitores perceberão na minha palavra final, depois de toda essa desconversa de parte a parte:
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"A ausência de Dilma Rousseff no jantar do grupo Prerrogativas que homenageou Lula –e que teve Geraldo Alckmin como convidado especial –segue rendendo polêmica.

Ela afirma que não foi convidada para o evento –e seus interlocutores circularam a versão de que Dilma acredita ter virado um problema político para Lula.

Já o organizador do jantar, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, diz ter certeza absoluta de que seu convite chegou à ex-presidente. Ele afirma que ela era aguardada por todos. 'Temos muito carinho e respeito pela Dilma. Sua presença seria uma alegria para todos nós. Lamento pelo ruído de comunicação', afirma.    

O ex-ministro da Justiça José Eduardo Cardozo confirma que conversou com Dilma sobre o jantar, 'por telefone'. Mas 'muito superficialmente', segundo escreveu em um grupo de WhatsApp.

Cobrado por Marco Aurélio se ela iria ao evento, Cardozo diz que voltou a procurá-la –mas não conseguiu novo contato. E assumiu a responsabilidade pelo desencontro: 

'Pessoal, tem tido alguma especulação sobre a não ida da Dilma no jantar. Gostaria de esclarecer que, de fato, o Marco me pediu que falasse com ela na época, logo que o jantar foi marcado. Eu por telefone falei com ela na época, mas muito superficialmente, ficando de falar com ela mais tarde. 

Posteriormente, na semana do jantar, o Marco me cobrou se ela iria, eu tentei falar com ela, inclusive porque era aniversário dela, e não consegui falar. Imaginando que alguma outra pessoa tivesse falado com ela eu acabei não fazendo mais nada. Portanto, se houve alguma culpa nesse episódio, ela é desse humilde subscritor que assume a responsabilidade e se penitencia', escreveu o ex-ministro da Justiça no grupo de advogados.
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Vale acrescentar que a Mônica pegou a Dilma na mentira ao ilustrar sua coluna com fotos do convite e da pulseira a ela enviados pelo grupo Prerrogativas para que participasse do jantar no Rubayat. Então, convidada ela foi e deixou de comparecer porque assim decidiu e não por ignorar a realização de tal evento eleitoreiro.

Qual o motivo desta auto-vitimização falaciosa? Voltar a ser notícia, saindo do velado ostracismo a que estava relegada após haver tido grande responsabilidade na volta da direita ao poder e depois de ser humilhada ao nem sequer senadora conseguir eleger-se em 2020. 

Ela tenta readquirir alguma relevância política pegando carona na rejeição à parceria Lula/Alckmin por parte de muitos esquerdistas.  

Da minha parte, só vejo um detalhe discutível em tal aliança: geralmente candidato e vice têm nuances ideológicas diferentes, para atraírem segmentos distintos do eleitorado, mas a parceira abobrinhas com chuchu está mais para cara e coroa da mesma moeda: a da dominação burguesa ligeiramente atenuada pelas migalhas do banquete dos poderosos que são concedidas aos coitadezas.

Quanto aos petistas, até as pedras das ruas sabem que sempre atribuíram as desgraças ocorridas desde 2016:
— à gestão econômica catastrófica de Dilma em seu primeiro mandato;
— à sua falseta ideológica ao nomear em 2015 um neoliberal para, como czar da economia, tentar consertar as lambanças que ela cometera; e
— a ter forçado tanto a barra para manter a sua candidatura à reeleição, quando saltava aos olhos e clamava aos céus que ela não conseguiria segurar a onda quando desabasse sobre nós a recessão que incubara (talvez Lula, com Guido Mantega ou Henrique Meirelles, ao menos evitasse o pior, poupando-nos do pesadelo Bolsonaro).

Assim, tenham ou não convidado protocolarmente a Dilma, os petistas torciam para que ela não desse as caras, pois querem mais é que os eleitores esqueçam ter sido Lula quem fincou tal poste na presidência da República. (por Celso Lungaretti) 

sábado, 23 de maio de 2020

FOI O RETRATO ACABADO DA ABISSAL MEDIOCRIDADE DO MAFUÁ MILICIANO QUE FAZ AS VEZES DE GOVERNO NO BRASIL

carla jiménez, afonso benites e felipe betim, no El País
REUNIÃO EXPÕE AO MENOS DOIS CRIMES DE BOLSONARO
A íntegra da reunião do conselho de ministros de Jair Bolsonaro, revelada nesta sexta-feira (22) por ordem do decano do Supremo Tribunal Federal, Celso de Mello, expôs como nunca o modus operandi do governo ultradireitista e desmontou a versão do presidente de que ele jamais havia cobrado mudanças na estrutura de segurança, Polícia Federal incluída, para proteger seus familiares. 

Nas imagens, Bolsonaro aparece não apenas ameaçando trocar “ministro” caso não fosse atendido na missão de preservar seus parentes de “sacanagens” —ele mira na direção do então ministro da Justiça, Sergio Moro, no exato momento—, como fala também da necessidade de proteger “amigos”. 

O Planalto vinha repetindo que o presidente, na reunião, se referia à segurança pessoal de seus familiares, que cabe ao Gabinete Segurança Institucional, e não a policiais federais. 

A menção aos amigos, porém, complica ainda mais a linha de defesa de Bolsonaro no inquérito que apura se ele tentou interferir na PF, uma vez que o GSI não teria como se envolver na proteção de quem não seja da sua família.

De acordo com juristas ouvidos pelo El País, o vídeo corrobora a tese de Moro de que houve intenção de intervir na corporação policial, e aponta para ao menos dois crimes: advocacia administrativa e prevaricação. 

O primeiro é um crime previsto no Código Penal, que é patrocinar, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública. Já a prevaricação diz respeito a ações ou omissões de funcionário público para atender objetivo de terceiros.

“O vídeo traz uma fala bastante clara do presidente dizendo que não mediria esforços para interferir em estrutura governamental —no caso, a Polícia Federal— para proteger familiares e amigos. Isso corrobora a versão do ex-ministro Sérgio Moro”, diz Eloísa Machado, professora de direito constitucional na FGV Direito de São Paulo. 

“Não podemos esquecer que, de fato, o presidente promoveu mudança na Polícia Federal, indicando pessoa muito próxima da família e que depoimentos do inquérito confirmam também essa versão”, explica Machado. 
“O vídeo derruba a justificativa do Bolsonaro de que ele se referia à segurança do GSI, e não à PF. Ele fala expressamente em ‘foder amigos meus’, e amigo de presidente não tem segurança do GSI. Só pode ser a PF”, concorda Rafael Mafei, da USP.

Um jurista próximo à Procuradoria Geral da República, avalia que o vídeo é muito ruim do ponto de vista jurídico para o presidente Bolsonaro. “Ele demonstra muita preocupação. Ele quer o tempo todo puxar esse assunto. Ele avisa aos ministros o tempo todo que precisa deles. 

Aquela reunião foi para o Moro”, acredita. Ele destaca que o presidente falou que contava com “inteligência particular”, e que a PF não informava nada. “Não tinha nada a ver com segurança, ele criticou a PF. Mesmo não sendo assunto, ele falava, e mudava o assunto”, explica ele.

A pressão sobre Moro ficou destacada em vários momentos da reunião. Num deles, Bolsonaro disse que o ministro deveria se manifestar sobre a prisão de pessoas que furavam a quarentena para conter os contágios do novo coronavírus. “Tem que falar, pô! Vai ficar quieto até quando? Ou eu tenho que continuar me expondo? Tem que falar, botar pra fora, esculachar!”. 

Noutra ocasião, voltou ao tema da “interferência” e avisou seus ministros de que iria interferir em suas pastas se fosse preciso. Reclamou que a Polícia Federal não passava informações ao Planalto. “Eu tenho o poder e vou interferir em todos os ministérios, sem exceção”. 

E prosseguiu: “Eu não posso ser surpreendido com notícias. Eu tenho a PF que não me dá informações. Eu tenho as... as inteligências das Forças Armadas que não tenho informações. Abin tem os seus problemas, tenho algumas informações”.

Depois, em entrevista à Jovem Pan após a divulgação do vídeo, o presidente voltou a reforçar a ideia de que exigia de Moro espécie de proteção via PF. “O tempo todo vivendo sob tensão, possibilidade de busca e apreensão na casa de filho meu, onde provas seriam plantadas. Levantei isso, graças a Deus tenho amigos policiais civis e policiais militares do Rio de Janeiro, que isso tava sendo armado pra cima de mim”, disse Bolsonaro. “Moro, eu não quero que me blinde, mas você tem a missão de não deixar eu ser chantageado”, lembrou.

O conteúdo do vídeo agora será analisado pela Procuradoria Geral da República —que também terá e mãos uma série de depoimentos e as novas acusações feitas pelo ex-aliado de Bolsonaro Paulo Marinho. “Certamente esse vídeo ajuda a compor o acervo probatório indiciário de crimes”, diz Eloísa Machado. A pressão agora recai sobre Augusto Aras, uma vez que ele pode acusar formalmente o presidente de crime. 

“Com certeza há substância para abrir um pedido de afastamento. Se vai abrir ou não é outra coisa. Mas isto é muito mais que o Fiat Elba que afastou o presidente Collor e muito mais que a pedalada fiscal da presidenta Dilma [Rousseff]”, diz o jurista Mafei, próximo à PGR. 

Machado, da FGV, concorda. “São crimes comuns, que também geram afastamento e perda do cargo, caso aconteça a condenação”, conclui.
Para o advogado Marco Aurélio de Carvalho, o procurador-geral Augusto Aras, tem a obrigação de apontar o crime de prevaricação do presidente diante do conteúdo do vídeo, ou ele mesmo pode ser acusado de prevaricação. 

“Essa tentativa de interferência se enquadra plenamente no artigo 85 da Constituição Federal e é suficiente para dar ensejo, entre outras, a pedido de cassação do presidente”, diz o advogado Cristiano Vilela, da Comissão de Direito Eleitoral da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo.

A grande pergunta é como Aras, indicado por Bolsonaro em setembro de 2019 como alguém alinhado ao Planalto, reagirá. Se decidir pela denúncia contra Bolsonaro, ela ainda precisará dos votos dois terços dos deputados para virar uma ação penal e, assim, afastar o presidente do Planalto. 

Para tentar prever o quanto de pressão o procurador-geral e o Congresso terão na matéria, uma variável é quanto de desgaste as imagens, cheias de palavrões e vulgaridades, trarão para o apoio popular de Bolsonaro, já afetado pela crise do coronavírus... [por tratar-se de uma reportagem demasiadamente extensa para o padrão deste blog, reproduzimos apenas seus trechos que consideramos mais relevantes, porém o leitor pode acessar a íntegra clicando aqui]
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