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segunda-feira, 2 de junho de 2025

CERTA ESTAVA A IGREJA, AO CONSIDERAR PECAMINOSA A USURA! HOJE, OS AGIOTAS LEGALIZADOS FICAM SE ACHANDO...

L
eila Pereira, uma Scrooge (*) de saias, pensa que manipula as leis do país como os banqueiros manipulam as economias dos coitadezas que caem em suas garras.

Não satisfeita com o Superior Tribunal de Justiça Desportiva haver denunciado o atacante cruzeirense Dudu, ex-Palmeiras, por tê-la ofendido (só que os insultos foram mútuos...), ainda pediu punição rigorosa contra ele por entender que lhe foi mais desrespeitoso por sua condição de mulher, não tendo feito o mesmo ao ser dispensado por Pedro Lourenço, dono da SAF do Cruzeiro.

Só que isto não passa de suposição, uma dentre tantas possíveis. Por que não conjeturarmos, p. ex., que o Dudu não gostaria de sair na porrada com outro homem por receio de ficar com o olho roxo,  daí ter preferido evitar tal risco? 

O certo é que a Dona Banqueira está acostumada a que todos aceitem tais chutes nas nuvens como se fossem golaços do Vitor Roque. 

Outra ridicularia foi a interpretação que a procuradoria do STJD deu a esta mensagem do Dudu: 
Os usurários (1520), de Quentin Massys.
O caminhão estava pesado e mandaram eu sair pelas portas do fundo!!! Minha história foi gigante e sincera diferente da sua sra @leilapereira Me esquece VTNC.
Mostrando que tem a mente muito suja, o(a) responsável decifrou as quatro letrinhas como iniciais de
Vá Tomar No Cu. O Dudu alega que o significado é Vim Trabalhar No Cruzeiro. Pode até não ser, mas nada prova que não seja. 

O nome disso é predisposição à hostilidade. Os punitivistas sempre escolhem a pior interpretação possível, pois são uns casmurros sem o mínimo senso de humor, invariavelmente querendo ferrar o próximo.

Que é também o que os financistas fazem, só que geralmente com mais sutileza do que a Dona Banqueira. (por Celso Lungaretti).
* Ebenezer Scrooge, o avarento visitado por fantasmas no Conto de Natal do Charles Dickens. 

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

FEMINISTAS SE DESMORALIZAM SERVINDO DE INOCENTES ÚTEIS PARA A DONA DA CREFISA

A banqueira Leila Pinheiro conseguiu eleger-se presidente do Palmeiras à custa de calculadas distribuições de grana e privilégios àqueles dos quais precisava em sua escalada rumo ao poder (inclusive a torcida organizada Mancha Alviverde, que agora caiu em si e rompeu com ela).

Após obter, a preço de banana, espaços promocionais na imprensa que lhe custariam várias vezes mais se adquiridos a preço de tabela, ela virou a chave, trocando o modo Gastona pelo modo Tia Patinhas; aí parte dos conselheiros que ela tinha no bolso se revoltou (também pudera: alguns deles deixaram de receber até os ingressos grátis para as partidas do seu time!).

O que pegou mesmo foi a acentuada piora do futebol alviverde em 2023, quando os craques vendidos por uma grana preta para o exterior não tiveram reposição à altura. 

Então, só os ingênuos se deixaram iludir quando o Brasileirão já dado como perdido acabou caindo do céu unicamente porque o Botafogo, virtual campeão, derreteu no 2º turno e jogou no lixo a confortável dianteira de 13 pontos que chegou a ter com relação ao time da Crefisa.

Sabendo que a maré estava virando e não seria recebida com flores numa coletiva à imprensa, Leila resolveu restringi-la a profissionais mulheres, apostando que nelas prevaleceria o espírito de corpo e não o do jornalismo (sintetizado numa frase imortal do Millôr Fernandes, "jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados").
Pregadores(as) do feminismo enturmados(as) entre os comentaristas esportivos do UOL se deixaram usar como juvenis pela astuta Leila, defendendo com unhas e dentes a saída pela tangente da Scrooge de saia.

Sem argumentos à altura das críticas que receberam, inclusive de jornalistas mais experientes e conscienciosas, partiram como sempre para a demagogia barata, acusando os opositores da iniciativa de "misoginia explícita". Será que se a Leila resolver confinar a imprensa num cercadinho, como fez o Bolsonaro, tais feministas continuarão apoiando-a incondicionalmente?

De resto, deixo clara a minha posição:
— sou herdeiro assumido das tradições marxista e anarquista (que não diferencio porque no essencial, o anticapitalismo, elas sempre convergiram) e, como tal, nunca aceitei, estimulei ou pratiquei quaisquer formas de preconceitos contra as mulheres ou de desigualdade de tratamento entre elas e os homens;
— considero, contudo, que nosso inimigo principal sempre foi, e continuará sendo enquanto não lhe dermos fim, o regime de exploração dos seres humanos por parte de minorias gananciosas;
— vejo como secundárias e perniciosas todas as divisões artificiais (homens x mulheres, brancos x negros, heterossexuais x homossexuais e uma infinidade de et ceteras que atrapalham a formação de uma frente única contra o inimigo comum, mas tendem a ser superados quando a humanidade encontrar seu verdadeiro caminho); 
Homens e mulheres têm mais é de travarem lado a lado o bom combate contra o capitalismo
— contudo, nunca conquistaremos a vitória definitiva enquanto não marcharmos unidos em defesa da igualdade e da liberdade  plenas, contra todos aqueles que priorizam o lucro como valor supremo da existência, em detrimento até da felicidade e da sobrevivência dos seres humanos.

Pois, como bem cantou o grande Milton Nascimento, na hora de unir os caminhos num só, não podemos fugir nem nos desviar. (por Celso Lungaretti) 
  "...o mundo só vai se curvar/ quando o amor que em seu corpo
   já nasceu/ liberdade buscar na mulher que você encontrar..."

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

QUEM SIMBOLIZA O CAPITALISMO NÃO É O ROBIN HOOD E SIM O EBENEZER SCROOGE

leonardo sakamoto
TAXAR SUPER-RICO PARA BANCAR RENDA BRASIL RESOLVERIA PROBLEMA DE BOLSONARO
Tirar dos ricos para dar aos pobres...
Jair Bolsonaro reclamou, nesta quarta (26), da forma que o ministro da Economia, Paulo Guedes, encontrou para bancar o Renda Brasil, o Bolsa Família do bolsonarismo (imagino que seja tão estranho para vocês lerem isso quanto é para nós escrever). 

Para respeitar o teto de gastos, o dinheiro viria do abono salarial, do salário-família, do seguro defeso, do Farmácia Popular. O presidente disse que isso seria tirar do pobre para dar ao paupérrimo, o que venho afirmando desde que a ideia sem pé nem cabeça veio a público. 

Para ser mais exato, é tungar do pobre CLT para remediar o pobre da informalidade. 

Ele, contudo, ignorou um elemento da equação social: os multimilionários e bilionários. Outras democracias vêm discutindo aprofundar a cobrança de impostos sobre os abastados para bancar os mais pobres na crise e depois dela. 

No Brasil, há uma série de iniciativas nesse sentido tramitando no Congresso. Ele já se mostrou contra a ideia no passado. Mas, até aí, ele também já havia xingado o Bolsa Família e hoje o abraça como se fosse fã desde pequeno. 

Com o aumento em sua aprovação segundo o Datafolha, principalmente entre quem ganha até três salários mínimos, Bolsonaro já entendeu os efeitos terapêuticos da transferência de renda entre uma população historicamente deixada para trás nas prioridades do poder público. 

Percebe que não pode simplesmente acabar com o auxílio emergencial de R$ 600/R$ 1200 (aliás, ele deveria tratar deputados e senadores, os verdadeiros pais e mães disso, a pão de ló por esse presente) se quer se reeleger. E decidiu anabolizar o Bolsa, em valor e beneficiários. Só está com um problema para saber de onde sairia o dinheiro. 

Tributar os super-ricos pode arrecadar cerca de R$ 292 bilhões anuais para serem usados contra a crise. É o que defendem a Federação Nacional do Fisco, a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal, os Auditores Fiscais pela Democracia e o Instituto Justiça Fiscal, entre outras instituições. 

...contraria a lógica e o espírito do capitalismo...
[Super-rico não é você que vai para a Disney de vez em quando e abraça o Pateta, apesar de o ministro da Economia achar que sim.] 

Eles apresentaram 11 propostas legislativas que estão em consonância com o plano de Reforma Tributária defendido pelos partidos de oposição. "A maior parte dessas medidas podem tramitar por projeto de lei. Precisam ser aprovadas ainda em 2020 para passarem a valer em 2021", afirma Eduardo Fagnani, professor do Instituto de Economia da Unicamp, que participou da elaboração da proposta. 

A tributação sobre patrimônio é criticada entre determinados economistas, que juram que os bilionários brasileiros iriam tirar o dinheiro do país. Contudo, apenas o Imposto sobre Grandes Fortunas arrecadaria R$ 40 bilhões nos cálculos desse grupo de entidades. 

O resto viria de uma maior progressividade do Imposto de Renda de Pessoa Física (R$ 160 bilhões, incluindo a taxação de dividendos), do aumento temporário da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido de setores econômicos com alta rentabilidade (R$ 30 bilhões) e da criação da Contribuição Social Sobre Altas Rendas (R$ 25 bilhões), entre outros. 

O Imposto sobre Grandes Fortunas taxaria patrimônios superiores a R$ 10 milhões, abraçando 60 mil pessoas. E o Imposto de Renda aumentaria paulatinamente para quem ganha mais de R$ 23,8 mil por mês – que, segundo eles, perfazem 1,1 milhão de pessoas, 3,6% dos contribuintes. A alíquota mais elevada (45%) incidiria sobre 211 mil contribuintes (0,1% da população) que ganham mais de R$ 60 mil por mês. 

Hoje, a classe média paga mais impostos em relação à sua renda do que multimilionários e bilionários devido à não taxação de dividendos, à baixa taxação de Imposto de Renda de Pessoa Física, entre outras manobras. 
...daí não passar do sonho de uma noite de verão...
A oposição quer aproveitar a Reforma Tributária para, além de garantir progressividade real na cobrança de impostos, reduzir a taxação na produção e comercialização e aumentar na renda e na riqueza. 

O então deputado Jair Bolsonaro disse, em entrevista ao documentarista Carlos Juliano Barros, em 2015, que quem recebe o Bolsa Família não faz nada da vida, só produz filhos para o Estado custear: 
"Uma política de planejamento familiar, acho que só eu falo aqui nessa casa [Câmara dos Deputados]. O cara tem três, quatro, cinco, dez filhos e é problema do Estado, cara. Ele já vai viver de Bolsa Família, não vai fazer nada. Não produz bem, nem serviço. Não produz nada. Não colabora com o PIB, não faz nada. Fez oito filhos, aqueles oito filhos vão ter que creche, escola, depois cota lá na frente. Para ser o que na sociedade? Para não ser nada".
Em 17 de outubro de 2018, entre o primeiro e o segundo turnos da eleição presidencial, ele criticou a taxação dos mais mais ricos em entrevista ao SBT:
"Eu acho que, no Brasil, você não pode falar em mais ricos, está todo mundo sufocado. A carga tributária é enorme. Quase tudo é progressivo no Brasil"
Na verdade, o país está longe de uma progressividade decente na cobrança sobre a renda, ou seja, cobrar bem mais de quem tem muito. 
...que não sobrevive à vontade férrea dos Putins e das Merkels.  

Tendo visto que sua sobrevivência política e eleitoral depende disso, Jair não só mudou de opinião sobre o Bolsa Família (hoje com 14,2 milhões de famílias), como quer algo maior (de 20 a 30 milhões de famílias), passando de uma média de R$ 190 para algo em torno de R$ 300, na forma do Renda Brasil, a fim de herdar parte da base lulista. 

Se ele "mudou de opinião" sobre o Bolsa Família, não por uma questão ideológica, mas pragmática, talvez não seja impossível mudar também sobre a taxação de super-ricos. 

Para tanto, teria de fazer um cálculo: 
— ou beneficia dezenas de milhões de brasileiros e pavimenta sua reeleição;
— ou mantém boa relação com mercado e mantém acesa a chama do bolsonarismo-raiz (que acha que taxar bilionário é pecado e Bolsa Família é voto de cabresto).
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TOQUE DO EDITOR  Nunca deixo de trazer para o blog estas soluções racionais e exequíveis para amenizarmos o infortúnio dos pobres e dos paupérrimos do Brasil, pois cumprem um papel educativo, qual seja o de provarem de maneira cabal que haveria, sim, como socorrer os coitadezas sob o capitalismo... caso a insensibilidade social não fosse intrínseca à exploração do homem pelo homem.
Governo do PT tirou a escada e Suplicy ficou pendurado na brocha
Basta lembrarmos a rapidez com Angela Merkel colocou um ponto final na disposição humanitária daqueles outros líderes europeus que, tocados pela aflição dos empobrecidos pela covid-19, eram favoráveis à emissão de euros para minorar as agruras dos coitadezas do velho continente. 

Essas propostas vêm, vão e nada acontece, tanto que a Renda Básica da Cidadania, sonho de uma noite de verão do nosso bom Suplicy, foi aprovada em pleno governo petista, que, contudo, não moveu uma palha para transformá-la em realidade. 

Na prática a teoria é outra, dizia o Joelmir Beting. Nunca devemos esquecer que o objetivo do capitalismo é L-U-C-R-O, como martelava o economista liberal Eugenio Gudin. (por Celso Lungaretti) 
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Observação — o título do post faz referência ao herói mítico inglês do século 12 e ao personagem de Charles Dickens em sua conhecidíssima História de Natal, um empedernido agiota que inspiraria o Walt Disney na criação do Tio Patinhas. 

quinta-feira, 30 de abril de 2020

AO ARRANCAR A MÁSCARA DO CAPITALISMO, A PANDEMIA TORNA VISÍVEL PARA TODOS SUA MONSTRUOSIDADE INTRÍNSECA

Como os leitores poderão constatar ouvindo a canção lá embaixo, a inspiração para este post me veio de uma música de 1966 – "O anúncio", que César Roldão Vieira compôs para o espetáculo musical A criação do mundo segundo Ary Toledo e chegou a ser apresentada no programa O fino da bossa (é da Elis Regina a voz que se ouve chamando-o para o palco).

Mas, a indignação é toda minha, neste festival afrontoso de iniquidades de 2020.

É que acabo de ler no UOL a notícia do lançamento de três modelos de um novo iPhone da Apple por 3.700, 4.000 e 4.500 reais. Em meio a tanta desgraça, ainda há quem se interesse por tais futilidades?!

Quantas vidas não seriam salvas se as necessidades (e, desta vez, as emergências) coletivas prevalecessem sobre a insensibilidade egoísta que o capitalismo martela dia e noite na cabeça das pessoas! 

Veem o irmão estrebuchando na sua frente, mas nunca abrirão mão dos seus privilégios, do seu status e do sagrado direito de desfrutar as geringonças em troca das quais se desumanizam até se tornarem caricaturas de seres humanos.  

E as empresas de planos de saúde, quando grassa a peste, recusam uma compensação governamental para não deixarem imediatamente sem cobertura os inadimplentes, pois a consideraram insuficiente para contrabalançar o que perderão.

Os que neles confiaram perdem a vida, mas os Strooges da medicina mercantilizada não abdicam de um centavo de suas receitas. Torço para que, após serem abandonados à própria sorte no momento  de maior aflição, os cidadãos aprendam a prescindir desses traidores do juramento de Hipócrates, condenando-o o máximo deles à falência!

E os hospitais particulares que estão demitindo profissionais de saúde porque, com a necessidade de atender aos doentes da Covid-19, não estão podendo realizar as cirurgias eletivas que custam os olhos da cara e lhes garantiam a fatia principal de seus lucros! 

Fico imaginando seus dirigentes à testa de campos de extermínio nazistas, cuidando de obter os melhores preços para o sabão fabricado com a gordura corporal dos prisioneiros exterminados...  

A saúde sendo encarada como mercadoria é uma das aberrações mais repulsivas do capitalismo.

Enfim, deprime-me muito que só mesmo um vírus assassino tenha conseguido abrir um pouco os olhos da humanidade para a verdade sobre o capitalismo: ele nos conduz insensivelmente para a morte e, se não começarmos a reagir, morreremos como moscas. Como estamos morrendo agora. (por Celso Lungaretti) 


terça-feira, 24 de março de 2020

POR QUE NÃO FAZERMOS O TIO PATINHAS BANCAR NOSSOS GASTOS COM A PANDEMIA?

Quatro entidades de auditores fiscais apresentaram nesta 2ª feira (23) um conjunto de 14 propostas no sentido de tributar-se a renda e o patrimônio dos biliardários para a arrecadação R$ 272 bilhões a serem usados contra a crise econômica, que será aprofundada pelos gastos com a epidemia do coronavírus.

Um dos economistas que ajudou a elaborar a proposta, o professor Eduardo Fagnani, da Unicamp, disse ao blogueiro Leonardo Sakamoto, que noticiou a iniciativa (vide aqui):
"Preocupar-se com as finanças públicas num momento desses é perverso e contraproducente. Gastar muito pouco é uma ameaça maior à prosperidade do que gastar muito. Empréstimos generosos, garantias e programas de apoio de renda deveriam ser implementados".
Estes brasileiros mais ricos (Forbes) possuem R$ 115,5 bilhões. Vamos ordenhá-los?
Esclareceu, em seguida, que tais palavras não eram dele, "mas do jornal Financial Times, que não pode ser acusado de ser contra o mercado". Segundo ele, taxar os super-ricos ao invés de retirar proteções dos mais pobres é uma solução que "ganhou apoiadores entre economistas liberais e gestores públicos em todo o mundo".

Parte das medidas propostas geraria recursos ainda em 2020, o restante em no próximo exercício. "Mas temos de pensar o processo em etapas: estamos com uma emergência agora. E, depois, vamos precisar de recursos para sair do buraco."

Na sua opinião, basta vontade política para tal pacote Robin Hood virar realidade:
Scrooge, personagens de Dickens que inspirou o Tio Patinhas
"Para os muito ricos, isso significaria muito pouco, uma lasca do que eles têm. Mas pode ajudar milhões de brasileiros a sobrevirem com dignidade durante a crise, e depois dela".
Da minha parte, nunca aderi ao quanto pior, melhor, ou seja, que a penúria seria boa para os pobres se darem conta de que o capitalismo é o grande vilão de suas vidas. Se for possível arrancar-se tal grana dos parasitas e ociosos que a obtiveram às custas da exploração do homem pelo homem, deve-se, sim, fazê-lo. O quanto antes!

Tendo, contudo, sempre em vista que só se trata de um paliativo. Um mar de iniquidades decorre de a economia ter como prioridade suprema a extração do lucro e não a promoção do bem comum. 

"Por detrás de uma grande fortuna há um crime" (Balzac) e, na atualidade, o capitalismo está conduzindo a humanidade automaticamente para seu extermínio, conforme alertou Norman O. Brown. 

Resumo da ópera: diminuir a desigualdade em doses homeopáticas não basta, ele tem mesmo é de ser superado.
Quanto a Robin Hodd, não há sequer certeza de que tenha existido. Pode não passar de uma lenda, simbolizando a justiça social com a qual os pobres, no século 13, só podiam sonhar, pois não estavam dadas as condições para sua concretização. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2019

MINERADORA NEGA UMA MERRECA ÀS VÍTIMAS DE SUA GANÂNCIA; MERECE QUE PASSEMOS A CHAMÁ-LA DE "VALE DA MORTE"

Os Scrooges da Vale da Morte são piores ainda
A empresa que os brasileiros deveríamos chamar doravante de Vale da Morte se posicionou com insensibilidade extrema na reunião que manteve na noite de 3ª feira (5) com moradores do Parque da Cachoeira, um dos bairros mais atingidos pelo rompimento da barragem de Brumadinho, MG.

Algumas perdas materiais por eles sofridas: cerca de 50 casas destruídas, lama no seu entorno até hoje, perda de empregos, prejuízos em seus estabelecimentos de pequeno comércio.

O que, principalmente, eles reivindicavam: um salário-mínimo para cada morador do bairro, meio mínimo para cada adolescente local e um quarto de mínimo para cada criança.

Até uma merreca dessas a Vale da Morte foi capaz de negar! Tamanha é sua certeza de impunidade que nem se importa com a repulsa que suas ações despertam.
Sugestão de frase para o pórtico da mineradora

Charles Dickens estava errado: fantasma nenhum é capaz de redespertar sentimentos humanos em quem atingiu a desumanização total, tornando-se, definitivamente, escravo do dinheiro.

Nem mesmo a multidão de fantasmas.que a Vale da Morte produziu nesta década, as mais de 300 almas de Brumadinho e as 19 de Mariana.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2019

NOVO CHANCELER BRASILEIRO MAIS PARECE UM PERSONAGEM CARICATURAL DE CHARLES DICKENS, CERVANTES OU VOLTAIRE

david emanuel coelho
NO GOVERNO BOLSONARO, BRASIL SERÁ BUCHA DE CANHÃO DOS INTERESSES DOS EUA
De fato, deve ter sido tarefa difícil encontrar um indivíduo tão tosco, ridículo e cafona quanto o novo ministro das relações exteriores. Afinal, o Itamaraty é reconhecido por seu alto nível intelectual e profunda conexão com o espírito cultural do tempo, enquanto o novo chanceler brasileiro mais parece um personagem caricatural de Charles Dickens, Cervantes ou Voltaire. 

Shakespeare já dizia, no entanto, haver método na loucura. Ernesto Araújo pode ser o exemplo mais acabado do irracionalismo reacionário que toma conta do mundo, mas tem lá sua linha de ação, a qual, inclusive, vai pari passu com os ideais do resto do governo neofascista. 

O nacionalismo bufão de Bolsonaro não resiste a uma continência à bandeira estadunidense. Em realidade, o novo governo tem tudo para ser o mais subserviente aos interesses dos EUA em toda nossa história, não apenas continuando a secular política de subordinação ao grande irmão do Norte, mas também levando tal subordinação ao grau de paroxismo. 

Na verdade, o nacionalismo bufão de Bolsonaro pode conviver tranquilamente com seu vira-latismo pró-EUA porque – assim como em outros domínios – trata-se de uma performance do presidente neofascista, não tendo qualquer tipo de efetividade concreta. 

Tal encenação caí bem ao gosto da nossa classe média Miami, a qual odeia o país, mas defende a nacionalidade abstrata enquanto meio imagético de controle e combate aos trabalhadores sublevados. 
"Bolsonaro não resiste a uma continência à bandeira dos EUA"
Na prática, no entanto, dita classe média almeja apenas mudar-se para os EUA, mantendo seus negócios por aqui. É viver no centro, sugando a periferia. 

Porém, o horizonte diplomático traçado por Bolsonaro vai muito além das exigências desta classe média. Entra aí um aspecto geopolítico que toca em interesses muito mais profundos. Trata-se de uma tentativa de rearranjo das zonas de influência ao redor do globo, um rearranjo comandado a partir dos EUA e no qual o Brasil, com o novo governo neofascista, entra abrindo mão de seus interesses e de modo radicalmente subordinado. 

A perda de poder dos EUA ao longo do começo do século XXI é determinada pela titânica industrialização da China, a re-ascensão da Rússia e a tentativa de protagonismo de atores regionais, como o Brasil, a Índia e a Austrália, tudo acompanhado pelo aumento do poder da burguesia rentista na terra de Benjamin Franklin. 

Embora ainda controladores do fluxo de capital no mundo, os estadunidenses possuem hoje um domínio enfraquecido sob a produção mundial, sobretudo no ramo da tecnologia, cujos grandes polos tecnológicos de Mumbai e Xangai competem em primeira linha com o Vale do Silício. 

O deslocamento industrial para fora dos Estados Unidos  pode ter mesmo o efeito de enfraquecimento do capital financeiro acumulado por lá, visto que o capital hoje é transnacional e sua mobilidade pode leva-lo a procurar paragem em outros países. Ou seja, a perda de poder dos EUA pode também adentrar o terreno financeiro. 
"avanço da China é uma grande dor de cabeça para os EUA"

Neste aspecto, o avanço de China e Rússia sobre a América Latina, África, Europa oriental e Oriente médio é uma grande dor de cabeça para os estadunidenses, pois pode quebrar, no longo prazo, o fluxo de capital hoje concentrado em seu país. 

A guerra comercial de Trump – embora mal feita – não é outra coisa senão uma tentativa de frear este processo. Mas, para ter sucesso, é preciso contar com aliados ao redor do globo que aceitem participar da cruzada, decisão não muito fácil, pois implica abandonar uma série de interesses próprios. 

Assim, o Brasil entra enquanto soldado raso na guerra comercial estadunidense, com a incumbência de enfraquecer seus laços com parceiros chineses e árabes, em benefício dos EUA e de seu Estado-Protetorado de Israel. 

A eleição de Bolsonaro caiu em boa hora justamente porque tal presidente não possui qualquer projeto autônomo para o Brasil, contentando-se em expressar os interesses da fração ultra-financista de nossa burguesia, representante acabada do espirito classe média Miami e que possui laços profundos com a plutocracia militar, política e financeira dos EUA. 

Ou, dito de outro modo, o presidente neofascista está sacrificando o Brasil em prol dos interesses geopolíticos e econômicos estadunidenses, os quais encontraram em Trump um canalizador. Por isto, Bolsonaro e seu séquito mostram-se vassalos particularmente de Trump, muito mais do que do poder político dos EUA em geral. Pois a estratégia geopolítica ora executada é obra do atual ocupante da Casa Branca.
"difícil encontrar um indivíduo tão tosco, ridículo e cafona"
O método da loucura de Ernesto Araújo, portanto, está em fazer o Brasil de bucha de canhão em prol dos interesses de Washington, aderindo por completo ao projeto trumpista, mesmo no que ele seja inconveniente para o Brasil. 

Dois, no entanto, são os riscos de tal projeto: o primeiro diz respeito a possíveis mudanças políticas nos EUA, com um potencial impeachment de Trump ou sua futura derrota em 2020; outra é a oposição interna no Brasil, pois nem toda burguesia nacional comunga de uma visão classe média Miami, sendo notória a dependência de setores agrícolas e industriais do país com relação ao dinheiro chinês, árabe e mesmo russo. 

No que dará isso? No momento é difícil prever, mas uma certeza existe: a de que o nacionalismo bolsonarista é tão autêntico quanto o eruditismo cafona do atual chefe do Itamaraty. (por David Emanuel de Souza Coelho)

sexta-feira, 29 de junho de 2018

O IMPERIALISMO DO SISTEMA FINANCEIRO INTERNACIONAL

O capital é que é o grande imperialista. Os Estados (e a política) que exercem o controle monetário sãos apenas um seu serviçal. 

Destarte, num estágio globalizado da economia, os Estados ditos ricos estão a serviço do sistema financeiro internacional, seja como emissor de moeda, seja no controle do câmbio, mas sempre como serviçais do capital.

Essa é a principal função dos Estados, juntamente com outras funções importantes como a manutenção do status quo sistêmico pela via das instituições estatais (os três poderes do Estado) e pela via da força militar, todas subsidiadas pelos indivíduos sociais transformados em cidadãos pagadores de impostos. 

Os Bancos Centrais dos Estados de moedas fortes (dólar estadunidense, moeda universal, e o euro na União Europeia) podem emitir moedas sem lastro, que são por todos aceitas sem que isto cause inflação interna nesses países (exportadores de moedas sem valor), enquanto as nações da periferia do capitalismo, com suas moedas fracas, não podem emitir moedas sem lastro, sob pena de isto causar hiperinflações insuportáveis. 

Esse é o primeiro e grande sintoma do imperialismo do sistema financeiro internacional.
Ebenezer Scrooge, símbolo dos banqueiros

Como os detentores de capitais mundo afora, sejam eles grandes ou pequenos investidores, procuram sempre a garantia das moedas fortes e dos títulos públicos dos países de moedas fortes, disto decorre uma sustentação artificial baseada na credibilidade das moedas e títulos dessas nações, ainda que não tenham uma produção de valor condizente com seu status de ricos.

Mas, o castelo de cartas tem data de validade; quando desmoronar, deveremos ter uma verdadeira catástrofe financeira que transformará os ricos investidores em credores falidos dos bancos insolventes. Atingido tal estágio, como já ocorreu em alguns países durante as duas grandes guerras, só a riqueza material, concreta, terá validade.  

E, até que chegue a hora da verdade, o ônus dessa manipulação financeira continuará sendo transferido para os Estados da periferia do capitalismo; trata-se de uma das principais causas das desintegrações econômicas e políticas em curso nesses últimos.  

A resultante mais visível desse fenômeno é o impressionante processo de migração dos habitantes dos países da periferia capitalista para os grandes centros, que, não podendo absorver a todos (somente aos cidadãos endinheirados), retiram suas máscaras humanitárias e deportam as pessoas que consideram de segunda classe. 

O segundo sintoma do imperialismo financeiro internacional é a cobrança diferenciada das taxas de juros. Cada pais tem uma taxa referencial de juros; esta baliza os juros dos títulos públicos e transações bancárias do sistema financeiro, seja internacional ou interno em cada país. 
"juros altos impõem sacrifícios inauditos ao povo"

Os Estados Unidos têm o maior PIB do mundo e detêm a moeda internacional. A decisão do Banco Central dos EUA, que aumentou recentemente as taxas de juros, fixando o Prime anual em 2% ao ano, é que vem causando as atuais turbulências no mercado financeiro, pois, com taxa mais alta, atrai capitais em circulação pelo mundo, desestabilizando as moedas nacionais dos países periféricos, carentes de recursos financeiros.

O Libor inglês se situa na faixa de 0,5% ao ano; na zona do Euro a taxa de juros é de 0.0% ao ano; e no Japão temos taxa negativa, chegando a -0,10% ao ano. Enquanto isso, a nossa Selic (sistema especial de liquidação e custódia) se situa em torno de 6,4% acumulados nos últimos 12 meses. 

Se levarmos em conta que o Brasil, apesar de ser um país periférico, tem uma economia representativa por seu volume global do PIB (não o é pelo PIB per capita), podemos deduzir o que acontece com as taxas de juros das economias pouco representativas, como as africanas e as de muitos países asiáticos. 

A diferenciação para maior das taxas de juros internacionais oferecidas para os países periféricos significa que são os países pobres que financiam, em grande parte, o combalido sistema financeiro internacional. Entretanto, a dívida pública e privada de todos os países (ricos e pobres) é cada vez mais impagável, o que prenuncia um colapso futuro. 

No caso dos países desenvolvidos, as dívidas públicas e privadas somente se mantêm renegociáveis graças às taxas de juros baixas ou negativas.    
"colapso inevitável de todo sistema financeiro"
Já nos países periféricos, os juros decorrentes de taxas elevadas impõem sacrifícios inauditos ao povo, uma vez que o Estado carreia boa parte dos recursos dos impostos para o pagamento dos juros, aumentando o déficit das contas públicas desses países e retirando valores que deveriam ser utilizados na satisfação das demandas sociais. 

O déficit previdenciário a ser financiado com juros altos é, também, forte fator de sacrifício para as finanças das contas públicas, principalmente para os países periféricos, que se veem forçados a cortar preferencialmente os gastos com demandas sociais, e menos com a já precária infraestrutura da produção.

Ora, com juros altos destinados à produção de mercadorias, os países periféricos, já em dificuldades de aumento da produtividade graças ao difícil acesso às tecnologias da microeletrônica aplicada à essa mesma produção, veem-se sem qualquer chance de vitória na guerra concorrencial de mercado.

Os juros decorrentes do financiamento da produção, mesmo em países que conseguiram alavancar a sua produção graças aos salários miseráveis dos seus trabalhadores e condições insalubres de instalações fabris, estão enredados numa crescente dívida pública e privada, como é o caso da China, que tem uma dívida de 235% do PIB nacional. 

O famigerado Fundo Monetário Internacional, órgão que funciona como termômetro do equilíbrio financeiro estatal em defesa da estabilidade financeira do capitalismo, já alertou que estaria em curso um perigoso crescimento da dívida pública e privada chinesas.
"desintegração econômica e política dos países periféricos"

O embargo às importações chinesas pelos Estados Unidos com taxações protecionistas de impostos agrava este problema e pode implicar o risco de ambos morrerem abraçados no colapso do sistema financeiro internacional.

Vale notar que o acúmulo de moeda estadunidense no saldo da balança comercial chinesa, mas que é inferior à sua dívida pública e privada, torna esse país refém da credibilidade de uma moeda que, mais dia, menos dia, evidenciará a sua artificialidade.

Há hoje no mundo capitalista uma enorme circulação de dinheiro sem valor, ou seja, dinheiro dissociado da produção de mercadorias, posto que é esta a única forma de produção de valor válido (aquele que surge dessa mesma produção de mercadorias).

Quando se analisa a configuração dos PIBs dos países desenvolvidos, vê-se que os setores primário (agricultura e agronegócio) e secundário (produção industrial), são bem inferiores ao setor terciário (serviços), que não produz valor mas, apenas, transfere valor já existente.

Tal defasagem é financiada pela emissão de dinheiro sem lastro, o que nos leva à certeza de que, hoje, o montante de riqueza abstrata (dinheiro) em circulação tem pouca correspondência com a produção de mercadorias  
"Os países protegidos pelo imperialismo financeiro sentem-se confortáveis, como os músicos do Titanic!" 
Confirma-se, portanto, a tese de que a abstração valor se tornou ainda mais abstrata a partir de uma correlação de emissão monetária artificial, prenunciando um colapso futuro inevitável de todo o sistema financeiro mundial.

A artificialidade do sistema financeiro, cujas cifras astronômicas são destituídas de consistência que justifique a sua credibilidade financeira, tende a virar pó num futuro que talvez já esteja próximo.

Entretanto, antes que tudo vire fumaça, como quase aconteceu em 2008 com a crise do sub-prime estadunidense (a bolha do sistema financeiro imobiliário), são os países periféricos aqueles chamados ao sacrifício financeiro pela via do pagamento dos juros escorchantes de suas dívidas, na verdade impagáveis.
Por Dalton Rosado
A imigração forçada pela desintegração econômica e política dos países periféricos do capitalismo é prenuncio de que as labaredas dos incêndios que queimam os empobrecidos pela lógica do capital estejam cada vez mais próximas das salas de estar dos países protegidos pelo imperialismo financeiro... os quais ainda sentem-se ilusoriamente confortáveis, como os músicos do Titanic! 
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