domingo, 25 de maio de 2025
O CRÍTICO ACIDENTAL TAMBÉM APONTA OS 10 MELHORES FILMES DE TODOS OS TEMPOS
sexta-feira, 20 de janeiro de 2023
PARA CELEBRAR O ANIVERSÁRIO DE FELLINI, VEJA UM DE SEUS MAIORES CLÁSSICOS
Na data de hoje, 20 de janeiro, celebram-se os 103 anos de Federico Fellini, um dos grandes mestres do cinema mundial.
Por isso, para celebrar a efeméride, o blog indica um dos primeiros grandes clássicos do diretor: Os Boas Vidas (I vitelloni), de 1953, que pode ser assistido na janela ao final do post.
Filme inserido no chamado neorealismo italiano, a película acompanha um grupo de cinco amigos - Fausto, Alberto, Leopoldo, Ricardo e Moraldo - em uma cidadezinha do interior da Itália do pós Segunda Guerra Mundial.
Filhos da classe média baixa local, vivem na ociosidade, sem se ocupar com empregos, estudos ou negócios. Não buscam assumir qualquer compromisso e, mesmo quando forçados a isso, buscam ao máximo a evasão, se recusando a arcar com os preços de seus objetivos e ações.
Assim, Fausto, obrigado a se casar com a irmã de Moraldo após engravida-la, recusa sua condição de pai de família, e persiste na vida de boêmia e flertes. Alberto deseja comandar a irmã, mas vive do salário dela. Ricardo troça de trabalhadores braçais, mas foge quando por eles confrontado. Leopoldo deseja fazer sucesso no teatro, mas se abomina com a sugestão sexual de um diretor renomado. Já Moraldo surpreende-se com o fato de alguém acordar às três da manhã para trabalhar.
Na realidade, o grupo expressa em sua superficialidade e descompromisso a própria condição dos jovens da classe média italiana -e mesmo europeia - após anos de terror fascista e de guerra destrutiva. Embalados na era dourada de crescimento acelerado capitalista, graças à reconstrução do que fora devastado na guerra, acalentados pela paz perpétua e pelo recém instituído Estado de Bem-Estar Social, não havia muito no que se engajar ou pelo qual lutar.
Da mesma época, o filme Juventude Transviada (Rebel Without a Cause), de 1955, do diretor Nicholas Ray, aborda nos EUA o mesmo fenômeno desta juventude desenraizada e cuja essência é ser pura potencialidade irrealizável. Os valores tradicionais foram liquidados pelo turbilhão da Guerra, o mundo está definitivamente dividido em socialismo e capitalismo, não há mais revoluções a lutar ou inimigos a combater, mas também não existem perspectivas para quem deseja ser mais que uma simples peça do quebra-cabeças da nova ordem social.
Por óbvio, este suposto estado de bem aventurança era mera ilusão, aparência sem substância logo posto abaixo a partir da década de 1960, quando o crescimento capitalista bateu no teto e a virada neoliberal rompeu a cena apontando o caos a ser vivido nas décadas seguintes, continuado até hoje. No percurso houve a Guerra do Vietnã, as ditaduras, guerras de independência, as guerrilhas e brigadas.
Esta ilusão, inclusive, é mostrada por Fellini de modo magistral no próprio sentimento de inadequação atravessando o grupo de amigos, uns sentido mais, outros menos. Será Moraldo quem sentirá este sentimento com mais intensidade, motivo do seu desfecho e de sua recusa a seguir aquela vida com os amigos.
Curiosamente, este final remete também às últimas cenas de La Dolce Vita (1960), outro clássico do diretor e cujo tema é idêntico ao de Os Boas Vidas, apenas mudando o foco para a juventude intelectualizada e artística de Roma. Enquanto Moraldo parte em busca da realidade, é ela própria quem chega a Marcello Rubini em uma praia após mais uma noite de boêmia. Ou seja, caso não se busque romper o muro da ilusão, a própria feiura do mundo encontra um jeito de invadir a cidadela.
Para os dias de hoje, Os Boas Vidas é um filme necessário a todos que ainda se negam a encarar o mundo de frente, persistindo na eterna adolescência do descompromisso, seja na vida pessoal ou no âmbito político.
(por David Emanuel Coelho)
sábado, 8 de outubro de 2022
A RECEITA QUE DEI HÁ 4 ANOS CONTRA A DESTRUIÇÃO DO BRASIL CONTINUA VÁLIDA
Expressa magnificamente um dos piores momentos da vida italiana, quando a esquerda tradicional se avacalhou e os agrupamentos mais combativos embarcaram na desastrosa aventura da luta armada.
Direciona-se cada vez mais para a irracionalidade e o caos, até que o diretor escorraçado volta para evitar o pior: um buraco negro que ameaça a todos tragar.
Aparentemente, Fellini concluiu que a sociedade não tinha mais jeito, oscilando entre o chicote e o esfarelamento.
É isto que queremos, a autofagia? Não? Então, temos de mandar um firme recado aos antagonistas: chega de ódio! Precisamos do diálogo e do entendimento entre as partes para escaparmos do buraco negro que poderá nos destruir a todos.
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| Por Celso Lungaretti |
domingo, 7 de outubro de 2018
UM FILME ASSUSTADOR DE FELLINI E A DICA QUE ELE DÁ SOBRE COMO VENCER A ELEIÇÃO
Expressa magnificamente um dos piores momentos da vida italiana, quando a esquerda tradicional se avacalhou e os agrupamentos mais autênticos embarcaram na desastrosa aventura da luta armada.
Não sobrou nada. Os partidos de direita emporcalhados até a medula, envolvidos com a máfia, as negociatas do Vaticano, a corrupção desenfreada. O PCI que jogara seus ideais e sua história no lixo para dividir o poder com a putrefata Democracia Cristã. A extrema-esquerda que facilitava sua própria destruição ao tomar decisões insensatas como a de executar Aldo Moro.
O sensível Fellini respondeu a este quadro desolador com uma parábola desoladora. Mostra uma orquestra que se rebela contra o diretor tirânico mas, depois de o expulsar, não sabe o que fazer com a liberdade conquistada.
Direciona-se cada vez mais para a irracionalidade e o caos, até que o diretor escorraçado volta para evitar o pior: um buraco negro que ameaça a todos tragar. Mas, sua liderança logo deixa de ser comedida e conciliatória; mal restabelece a ordem, vai se tornando cada vez mais autoritário e odioso. É a volta ao ponto de partida.
É isto que queremos, a autofagia? Não? Então, temos de mandar um firme recado aos antagonistas: chega de ódio! Precisamos do diálogo e do entendimento entre as partes para escaparmos do buraco negro que poderá nos destruir a todos.
Quem conseguir passar esta mensagem à sociedade de forma convincente, vencerá o 2º turno.
E a campanha do Haddad é a que tem melhores condições para trocar a beligerância pelo apelo à sensatez, pois a de Bolsonaro foi alavancada desde sempre pelo ódio e dele se nutre.
Se não puder apontar inimigos aos seus seguidores, unindo-os na rejeição ao outro lado e pregando a destruição de seres humanos, esvaziará com um balão ao ser furado.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
É UMA OBRA DE GÊNIO. É UM SOCO NO ESTÔMAGO.
Ensaio de orquestra -que vocês agora podem ver no blogue, completo e com legendas em espanhol- é, seguramente, o filme mais amargo do mestre Federico Fellini, um dos maiores diretores de todos os tempos, cujo Oito e Meio (1963) está entre os monumentos da sétima arte.
Expressa magnificamente um dos piores momentos da vida italiana, quando a esquerda tradicional se avacalhou e os agrupamentos mais autênticos embarcaram na desastrosa aventura da luta armada.









