No século passado, havia uma acirrada disputa entre continentes pela hegemonia no futebol mundial.
Nas Copas do Mundo, a América (do Sul...) conseguia equilibrar a disputa graças a seus excepcionais valores individuais.
Nenhum dos dois continentes era capaz de se colocar dois Mundiais à frente do outro: a alternância prevaleceu no tempo todo.
Já no século 21, não só a Europa atingiu a marca de de três Copas à frente, como teria ficado com uma acachapante vantagem de quatro, se a Argentina não houvesse interrompido sua sequência vitoriosa. Poderia estar 13x9, mas, graças aos hermanos, é só 12x10.
Quanto aos Mundiais de clubes, no século 20 permaneciam igualmente equilibrados, mas nos de 2000 para cá a supremacia europeia se tornou avassaladora: 17x4. O último time brasileiro a conquistar o título foi o Corinthians, em 2012.
A Argentina tem a melhor seleção das Américas, mas vai depender como nunca do maior futebolista de todos os tempos, Messi, que terá contra si a idade avançada para um futebolista: vai completar 39 anos durante a Copa.
Quais são as chances de nosotros no Mundial Fifa de 2026? Bem poucas, quase nenhuma.
O Brasil tem uma seleção meramente mediana, que só joga bem quando tem espaço para o contra-ataque. Como ninguém lhe concede mais tal espaço, sua atuação desde a chegada do técnico italiano Carlo Ancelotti vem sendo pra lá de decepcionante.
Daria para consertar em tempo? Até daria. Mas não com um treinador ultrapassado, em franca decadência, que nada conquistou na última temporada e que, na Espanha, foi feito quatro vezes de gato e sapato pelo Barcelona, o principal rival do Real Madrid.
E que, por aqui, é inepto a ponto de colocar Igo Thiago e Endrick à frente de Pedro, na disputa por uma vaga no escrete. Pedro é, disparado, o melhor centroavante do Brasil.
Chega a ser desconcertante a recusa a Jorge Jesus, que queria treinar os canarinhos, mas foi esnobado! Provavelmente perderemos a Copa por causa dessa escolha infeliz.
Falta ao nosso selecionado, ademais, o maestro do time. Seria o Neymar, se ainda tivesse o futebol como prioridade e não houvesse ficado com canela de vidro.
Só o Raphinha poderá, talvez, carregar a seleção nas costas. Nenhum dos demais convocados por Ancelotti está sendo decisivo.
Não formamos mais os Didis, Gersons e Rivaldos porque os clubes brasileiros agora privilegiam como joias os jovens que correm, driblam e fazem gols, não os que ditam o ritmo do time e colocam os companheiros diante do goleiro com assistências precisas e preciosas.
Isto ocorre porque os ricos clubes europeus continuam nos vendo como inferiores em termos mentais, tal qual no tempo da escravidão. Quem pensa o jogo são eles, e não nós. E os mendicantes clubes daqui querem mesmo é formar os que vão alcançar bons preços lá.
A hipótese mais provável é a de novamente voltarmos para casa com as mãos abanando, logo depois das oitavas-de-final ou das quartas. Esta tem sido a tônica de 2002 para cá. Queremos ser hexacampeões mas, depois de fazermos triste figura em 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, parecemos fadados a nos tornar hexaperdedores.
O mais deprimente é que o Brasil se destacava nas décadas de 1950 e 1960 por ter um escrete goleador. Hoje uma semifinal da Champions acaba em 5x4, enquanto boa parte dos duelos entre os times brasileiros mais fortes fica no 1x0. Tornamo-nos retranqueiros e catimbeiros. Só o Flamengo está dando espetáculo.
Existe, contudo, um fator de imprevisibilidade que pode até nos favorecer: o futebol, neste momento de capitalismo alucinado, virou um do boi só se perde o berro. Os atletas jogam partidas demais e com truculência excessiva. A consequência é uma onda assustadora de contusões às vésperas do Mundial.
Então, a ausência de qualquer um dos craques desequilibrantes (Bellingham, Haaland, Harry Kane, Kvaratskhelia, Lamine Yamal, Mbappé e Messi) pode abrir espaço para algum selecionado azarão surpreender. A esperança é a última que morre. (por Celso Lungaretti)
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