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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

AGONIZANTE, O CAPITALISMO EXIBE BEM A SUA CARANTONHA DE MISÉRIA E DESIGUALDADE SOCIAL

"Tempo é dinheiro"
dalton rosado
O GRANDE ENTRAVE SOCIAL
Costuma-se dizer que “só se faz alguma coisa com dinheiro”. É claro que essa conclusão somente é correta sob a lógica do capitalismo, porque quase todas as iniciativas de ação dependem do capital, ou seja, da mercadoria dinheiro que faz dinheiro.

Mas, paradoxalmente, a mercadoria dinheiro escasseia por ser cada vez mais difícil a sua autorreprodução, graças ao critério da viabilidade econômica dos empreendimentos dos setores primário, secundário e terciário da economia (capacidade de realização lucros), precarizados pelos conflitos na concorrência de mercado. Como consequência, é restrita a capacidade de ação. 

É justamente por conta de um critério próprio à relação social, estabelecida a partir da produção de mercadorias destinada à compra e venda, ora em depressão por força de inúmeras contradições de forma e conteúdo que está sendo travada a produção social. 

Somente se faz aquilo que se compra e vende; como  há redução da capacidade de compra numa sociedade na qual tudo é mercadoria, ocorre a paralisia da produção ao nível global, ainda que tal produção se intensifique de modo concentrado em algumas regiões, como é o caso da China.   
  
Há, simultaneamente, na economia mundial capitalista, uma conjunção explosiva de fatores próprios à explicitação das suas contradições que em síntese podem ser assim explicados por um fenômeno emblemático, qual seja: 
a) ao mesmo tempo se reduz o valor das mercadorias graças ao aumento vertiginoso da produtividade da produção destas pelo uso da alta tecnologia da terceira revolução industrial (microeletrônica/cibernética), que não produz valor;
b) reduzem-se os salários e o volume global destes e, consequentemente, a massa de extração de mais-valia, de lucros e, por fim, da massa global de valor válido.
  
Decorrem do fator de base acima identificado uma série de fenômenos que somente podem ser compreendidos na sua gênese se entendermos o problema estrutural, senão vejamos os mais flagrantemente perceptíveis:
-- o crescente endividamento do capital privado decorre da necessidade de investimento de capital constante (instalações, equipamentos sofisticados e pesquisas) objetivando a redução de custos de produção que consiste na eliminação de capital variável (postos de trabalho abstrato, assalariado), única fonte da produção de valor novo;
-- o contínuo endividamento do capital estatal decorre do fato de que o Estado não produz valor, apenas extrai extraindo o dito cujo da economia sob a forma de impostos (muita gente entende equivocadamente que o Estado, por emitir moeda e fazer o controle desta, pode produzir valor válido). Aí, como tem a obrigação constitucional de suprir algumas demandas sociais e institucionais que justificam a cobrança de impostos, os quais escasseiam em face da depressão econômica (redução de valor válido, advindo da produção de mercadorias), esse endividamento caminha para a insolvência do pagamento dos juros e do principal;
-- já circula na economia mundial uma quantidade enorme de valores meramente escriturais sob a forma de padrões monetários (principalmente do dólar, moeda fiduciária) sem correspondência com a produção de mercadorias, seja por conta de capital fictício bancário cujos conteúdos são tão vazios quanto uma bolha de ar, e que num futuro não muito distante explodirá, seja pela emissão de títulos públicos que jamais serão resgatados ou pelo volume de moeda sem lastro emitidas pelos Bancos Centrais dos Estados Unidos (dólar) e União Europeia (euro);  
-- continua a irracionalidade da emissão de gás carbônico na atmosfera pelo capital privado, que submete os governos a um conluio genocida, ao aquecer a temperatura do Planeta ameaçando a sua/nossa vida animal e vegetal, bem como pelos fenômenos climáticos cada vez mais agressivos;
-- permanência das guerras por conquistas territoriais e hegemonias políticas, religiosas e étnicas, fruto de um retrógrado, abominável e patético poder governamental submisso ao capital na sua fase terminal, com ameaças de destruições atômicas e poderio bélico comprovado;
-- instalação da barbárie dos crimes organizados do colarinho branco e das facções (nome que se dá atualmente no Brasil às quadrilhas de bandidos assassinos), com incrustações nas instituições do aparelho de Estado. Isto para ficarmos apenas nesses exemplos emblemáticos.   

Na vida mercantil, cujo objeto é o vazio sentido da obtenção do lucro como forma de reprodução aumentada do capital, a produção de mercadorias, instrumento de sua viabilização, não tem como prioridade a satisfação das necessidades humanas, mas apenas usa tal necessidade de modo oportunista para coexistir; é por isso que o capital incinera alimentos num país faminto.

Entretanto, as contradições de sua natureza exploradora da vida humana tendem a aparecer. Na atualidade a mais flagrante delas é a tal da “viabilidade econômica” para qualquer iniciativa, seja do ponto de vista empresarial ou social. 

A pergunta inicial que o capital faz para qualquer empreendimento capitalista é: “o que você quer produzir é viável economicamente, ou seja, dá lucro?”. Já no caso da ação social estatal se pergunta: “o Estado pode custear a implementação e sustentação com o dinheiro dos impostos?” (cada vez mais comprometidos com rubricas orçamentárias obrigatórias). 

Ora, já não se produz senão aquilo que o mercado sinaliza como capaz de gerar lucros, e poucas mercadorias têm a sua produção num nível de produtividade capaz de gerar lucros, e é aí que a inviabilidade econômica dá ordens desumanas para os humanos travando a produção; é o capitalismo mostrando a sua carantonha de miséria e desigualdade social.

Tudo se processa no altar fratricida da concorrência de mercado que estabelece regras rígidas de produção e comercialização e, assim, somente sob critérios de alta produtividade e com custos baixos (mecanizados ao extremo, inclusive com robotização, programação computadorizada e outros usos tecnológicos) é que se pode produzir uma gama variada de mercadorias, ou seja, é o mercado e sua lógica desumana a instância na qual se determina o grande entrave social da atualidade.

Raciocinando em termos fora da lógica mercantil capitalista, livre do fetichismo da mercadoria, descortinamos ao nosso favor uma quantidade enorme de possibilidades materiais de interações humanas com a natureza e com o uso de toda essa tecnologia e saberes que são ganhos da humanidade, e não do capital.

Pergunta-se: sem a intermediação do dinheiro,
-- é tecnicamente possível irrigar as terras do nordeste e enriquecer seu solo trazendo as águas abundantes do norte do país?
-- é tecnicamente possível acabar com a fome no mundo produzindo para dar ao invés de produzir para vender?
-- é tecnicamente possível se produzir equipamentos tecnológicos (tudo que já conhecemos) que nos auxiliem na produção, com menor esforço físico, sem a intermediação do capital?
-- é tecnicamente possível se criar um ambiente em que os indivíduos sociais não sejam adversários entre si na busca do dinheiro, mas solidários e de modo a que cada semelhante seja apoio do outro? 
-- é possível que o prodigioso saber adquirido pela humanidade nos vários ramos das ciências (medicina (biologia terapêutica) e engenharia (agronômica, mecânica, civil, da computação, comunicação, etc.) seja usado em benefício da humanidade sem a intermediação do dinheiro? 

Se as respostas a estas indagações e outras de iguais sentidos forem afirmativas, poderemos acreditar que a vida tem jeito. (por Dalton Rosado)

quarta-feira, 18 de janeiro de 2023

A CRISE CAPITALISTA ALIMENTA A ASCENSÃO DA EXTREMA-DIREITA GLOBAL

 

Todo poder vertical é socialmente nocivo
O capitalismo é hoje one world. Somente nos confins da Amazônia, onde ainda existem grupos indígenas isolados é que subsiste o sistema originário das comunidades humanas de coleta e partilha comunitária.

Mas, paradoxalmente, é no exato momento da completa vitória expansionista mundial do sistema capitalista que ocorre o seu limite interno de expansão e ele definha inexoravelmente num fenômeno irreversível, complementado pelo limite externo causado pela crise ecológica do aquecimento global decorrente da irracionalidade de sua ação predatória. 

A evolução do ser humano, das sociedades comunitárias primitivas para os núcleos sociais mais povoados, coincidiu com o surgimento de um processo de escravização do ser humano por si mesmo em alguns locais do Globo, enquanto outros, expressando a não simultaneidade deste processo, não chegaram a conhecer o sistema escravocrata, casos das Américas pré-colombianas.

A escravização direta é filha do escambo, fenômeno social representado pela troca de excedentes de produção de determinados grupos de indivíduos ou mesmo de pessoas isoladamente, momento no qual se criou a ideia de valor representado pelo tempo de esforço físico na produção de bens destinados à troca. 

Cada produto ganhava, no escambo, uma personalidade adicional ao valor de uso: o valor de troca. Esse fenômeno consta da primeira parte de O Capital de Karl Marx, quando tratou da forma mercadoria, como se ele quisesse afirmar que toda a construção da relação social negativa sob a qual vivemos decorresse da introdução e adoção desta forma de produção social entre os humanos. 


O capital se desenvolveu, mesmo que de modo contraditório e segregacionista incorporando no seu entorno auxiliar toda uma gama de instituições e regras jurídicas destinadas a justificar o injustificável - o  direito negando o direito, fas e jus - e entre suas instituições a criação de um poder militar profissionalizado fruto de sua lógica opressora  e belicosa. 

Toda a ideia de poder político centralizado decorre de uma base socialmente segregacionista que pela sua natureza intrínseca opressora formata uma sistema jurídico-constitucional à sua imagem e semelhança.

O republicanismo burguês nascido da doutrina denominada iluminismo, por se pretender trazer luz ao sistema de trevas da idade média com o feudalismo, representou uma evolução em relação ao poder vertical monárquico-eclesiástico-aristocrático de então ditada pela necessidade de expansão mercantil do capital nos burgos - núcleos feirantes onde se comerciavam mercadorias dos produtores individuais, que deu origem ao termo burguesia.


A revolução francesa, com suas marchas e contramarchas, é o momento simbólico que no final do século 18 promoveu uma virada política através de uma luta revolucionária travada ao longo de grande parte do século 19, consolidando o republicanismo no velho mundo ocidental e servindo como exemplo de organização política mais moderna para grandes partes continentais do planeta.

A república e sua estrutura tripartite - poderes executivo, legislativo e judiciário - representou a descentralização do poder político sob as ordens do capital, para melhor servi-lo, tendo sido possível graças a ela esconjurar o feudalismo e sua escravização direta.  Adotou-se, então, como norma de conduta dita mais civilizada, a escravização indireta do trabalho abstrato produtor de valor, ou seja, adotou-se uma forma política descentralizada a serviço de uma relação social baseada na forma valor,  despótica na economia e supostamente democrática na política, com o povo explorado pelo capital ainda tendo que custear, via impostos, toda a estrutura de sua própria opressão.

No feudalismo imperava a doutrina fisiocrata, na qual ao poder político estava centrado na posse da terra e era representação do poder aristocrático, neste sentido, o poder politico e o econômico coincidiam. Já no capitalismo passa a imperar o mercantilismo e a política é a representação submissa e serviçal do capital, estando este agora emancipado do controle político e invertendo a lógica: agora são os políticos que governam e legislam de acordo com as ordens do capital.

Mas o que parecia eterno e definitivo como fim da história era contraditório e insustentável no longo prazo, e eis que o capitalismo atingiu o seu ponto de saturação, tornando a vida social insuportável e a vida política conturbada, resultando em:

Falência do Estado;

Economia em depressão;

Aquecimento global; e 

desertificação de inúmeras partes do globo, em um cenário apocalíptico. 

          Mas, mesmo diante dos problemas nos quais os trabalhadores são as maiores vítimas, e deveriam ser os maiores interessados na superação desse tipo de relação socialmente negativa, eles não sabem que tudo começa pela superação das suas próprias condições de trabalhadores abstratos, e não de reformas mais civilizadas. Ou seja, é preciso superar o capital como forma de mediação social e horizontalizar o controle da sociedade através do comando popular, sob nova organização jurídico-administrativa-social de base.

         A verdade é que hoje se observa que o comando econômico apoiado pelo político que o serve não quer largar o osso, e aí toda a humanidade corre o risco de extinção pela própria irracionalidade.   

O capital controla os empresários e os coloca sob suas ordens enquanto beneficiários mais diretos das benesses do lucro vulnerável pelo regime concorrencial de mercado, exercendo o mesmo poder sobre os políticos como beneficiários do poder e da estrutura estatal. Capital, empresários e políticos subjugam o povo, responsável por sustentar a tudo e a todos.

Não é o povo que está acima de tudo e nem Deus acima de todos, mas é o Deus do valor que a tudo comanda, destrói e se autodestrói. 

        Existem hoje acontecimentos e movimentos que representam bem a saturação do modelo capitalista - tal qual aconteceu em 1848 na Europa, com a transição  final do feudalismo para o capitalismo republicano -, sendo os principais: 

         -os eventos de 6 de janeiro de 2021 no Capitólio; 

- o vandalismo de 8 de janeiro deste ano  nos palácios da Praça dos Três Poderes, no Brasil;

- ascensão na Alemanha de partido de direita  - de orientação neonazista - sob a sigla AFD  (Alternativa para a Alemanha), com muitos adeptos;

- ascensão do partido de direita na França, sob o nome Reagrupamento Nacional, de Marine Le Pen, bem representado socialmente;

- ascensão da direita ao governo da Itália, sob o Partido Irmão de Itália, com Giorgia Meloni; 

- permanência do governo de Recep Tayyip Erdogan na Turquia, primeiro na qualidade de primeiro-ministro e, depois, desde 2014, de presidente, com amplos poderes;

- reeleição ditatorial pelo quarto mandato de Viktor Orbán na Hungria, pelo partido Fidenz, de extrema-direita;

- ascensão na Polônia do partido Lei e Justiça, considerado de extrema-direita;

- reeleição continuada de Vladimir Putin, no governo da Rússia, de cunho ditatorial e associado a uma casta de mega milionários que compraram as estatais e detém monopólio econômico em vários setores da economia russa;

- manutenção do regime ditatorial chinês na política e liberal na economia sob um capitalismo selvagem e predatório;

- manutenção de governos ditatoriais na Venezuela, de Nicolás Maduro, e na Nicarágua, de Daniel Ortega;

- reboliços à direita e à esquerda na Bolívia e no Peru, tendo neste último país já morrido cerca de 50 pessoas nos últimos dias, após a deposição de Pedro Castillo;

- ditadura hereditária na Coreia do Norte;

- desencanto com a revolução cubana, na qual foram preservadas as categorias capitalistas como forma de mediação social, pois não poderia haver mesmo a superação do capitalismo numa pequena ilha de pouco mais de 10 milhões de habitantes, ainda que os negros de lá vivam bem melhor do que os seus irmãos do restante da América latina;

- em Israel se avolumam hoje manifestações contra Benjamin Netanyahu.

       


Todos estes acontecimentos possuem por raiz a crise do capitalismo e a captura, pela direita, da insatisfação popular daí surgida. Estes políticos se apresentam enquanto salvadores da pátria, diante da ineficácia dos postulados social-democratas. 

No Brasil, em que pese os esforços de Ministros credenciados para a defesa dos avanços civilizatórios a serem restaurados, certamente vamos esbarrar na maior crise do capitalismo desde a depressão de 1929/1930, e o governo Lula já anuncia métodos antigos para a solução de problemas cuja intensidade se apresenta como completamente novos. 

      Isto deverá causar insatisfação popular que a direita, ora contida pela postura mais previdente da elite brasileira, usará, com todo o seu poder de persuasão, em seu favor, colocando para funcionar o tradicional pêndulo da ineficácia política.

Quem viver verá! (por Dalton Rosado


quarta-feira, 19 de janeiro de 2022

O COMBATE À CORRUPÇÃO NÃO PASSA DE UMA BANDEIRA DA DIREITA – 2

 (continuação deste post)
Obviamente, o grosso do dinheiro que subvenciona campanhas eleitorais somente pode provir de financiadores externos (os capitalistas interesseiros da macroeconomia) e empresários que prestam serviços os mais variados ao Estado (grandes obras, principalmente). 

É um convite à corrupção: políticos fazem leis corporativas (e são pagos por empresários e impostos cobrados ao povo por tal desserviço à população), licitações são viciadas e superfaturadas, etc.  

Diz-se comumente que, caso não houvesse corrupção com dinheiro público, todos os males sociais estariam superados. 

Esta é mais uma falácia do pensamento conservador que, diante da evidência de uma sociedade incapaz de promover a prosperidade social linear, tenta desviar para outro lado a discussão sobre a essência dos problemas sociais (e, agora, ecológicos). 
É por tudo isto que o discurso de combate à corrupção não passa de uma bandeira da direita, como já dizia o Paulo Francis mais de meio século atrás. 

O mal da sociedade da mercadoria é a sua própria dinâmica segregacionista e contraditória. que caminha para o colapso num tempo histórico determinado (diferente do tempo da existência de um ser humano), que ora se inicia.

A contradição entre forma (tecnologia aplicada à produção social que desequilibra a relação de trabalho provocando o desemprego estrutural (hoje há mais desemprego do que criação de novos emprego) e conteúdo (necessidade crescente de aumento da massa global de valor, que ora decresce por incapacidade de expansão) constitui-se no ponto irreversível da saturação do modelo capitalista de mediação social, agora também debilitado pela crises sanitárias e ecológicas concomitantes.

As crises sociais de forma e conteúdo, ora em curso, demonstram fartamente a incapacidade do capitalismo de conviver com o isolamento sanitário necessário e com os danos ecológicos que acarretam as alterações climáticas por força do aquecimento global.

Isto ocorre porque o capital não existe para satisfazer necessidades humanas, mas apenas se utiliza delas para existir e produzir mercadorias e transformar toda a vida em mercadorias, num utilitarismo asqueroso que cada vez mais se evidencia.  

Neste sentido é que os governantes impõem a abertura genocida das atividades produtivas e comerciais e não podem cumprir os acordos internacionais de redução das emissões de CO² na atmosfera.

É mais uma contradição explícita que demonstra a necessidade urgente de mudarmos os parâmetros das discussões sociais, pois estas têm de transcender as discussões imediatistas sobre a próxima eleição (questão da corrupção aí inclusa preponderantemente) e sobre quem tem aptidões para melhor gerenciar uma crise que nem de longe se restringe à questão do gerenciamento.  

A discussão desfocada sobre o combate à corrupção nos leva a uma análise mais aprofundada dos dois modelos fundamentais da estrutura carcomida do Estado: 
— o modelo liberal clássico (modernamente defendido por Milton Friedman), que quer diminuir o tamanho do Estado e acredita que a mão invisível do mercado tudo equilibra, daí pregar a redução dos impostos e combate à corrupção como se fossem a solução infalível dos problemas;
o modelo keynesiano de Estado forte e protetor, estatizante e indutor do crescimento econômico (ou seja, defensor de mais capitalismo, a corrupção original e básica).

É evidente que os adeptos de tais modelos de discussões fogem como o Drácula da cruz quando, pensando fora da caixa, propomos um modelo de produção social sem a mensuração da forma-valor e seu famigerado critério reducionista da viabilidade econômica. 

Raciocinando-se sob a égide da forma-valor e seu reducionismo, muita coisa passa a se justificar como mal menor, ou seja, começa-se a admitir, p. ex.:
— a restrição de direitos previdenciários (iniquidade que
rachou o PT em 2003, com os inconformados indo formar o Psol); 
— o enquadramento da responsabilidade fiscal imposta aos países da periferia capitalista (os ricos podem emitir moeda sem lastro à vontade);
— a produção alimentícia em escala que mata a agricultura familiar;
— um salário-mínimo de fome e a redução de direitos trabalhistas como trunfos na guerra concorrencial de mercado;
— a aceitação da poluição de rios, mares, subsolo, atmosfera, como males necessários à sustentação da vida, mas que mata a própria vida; 
— a manipulação político-eleitoral pelo poder econômico como mal menor do que a ditadura, etc.

O presente ano eleitoral é um momento dos mais propícios para fugirmos da mesmice e irmos mais fundo nas discussões sobre por que não votar! (por Dalton Rosado)
Na voz do Gomes Brasil, mais uma composição do Dalton.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

SEGUNDO DALTON ROSADO, O BOLSONARO JÁ SE TORNOU CARTA FORA DO BARALHO

RACIOCINANDO PELA BARRIGA
N
o início dos anos 70, quando o pau comia contra os adversários do regime, o povo aplaudia o ditador Médici no Maracanã, enquanto ele assistia aos jogos com o ouvido colado num rádio de pilha. 

Era um período em que o capitalismo internacional abria os cofres para o endividamento do governo militar, como forma de demonstrar ao povo as pretensas vantagens de um governo ditatorial. A cobrança da fatura viria depois, de uma forma cruel.

A frase icônica do carnavalesco Joaozinho Trinta subentende que o povo, legitimamente, anseia por uma vida de conforto e livre da miséria a que é submetido, enquanto que os intelectuais se debruçam sobre as razões de tal miséria.

Ambos estão corretos nas suas pretensões e posicionamentos, cada um no seu espaço de vida. 

Mas é o mesmo Joaozinho Trinta quem também disse, acertadamente, que o dinheiro é a desgraça da humanidade, pois escreve os maiores dramas. Ora, o luxo, na sociedade do capital, é comprado com o dinheiro que o povo não tem. Assim, o dinheiro se torna o objeto de desejo inalcançável, juntamente com o desejado luxo. 

Aprendemos, desde criancinhas, a pedir dinheiro para comprar o doce desejado. O dinheiro, portanto, não é um fim em si, mas o meio para que consigamos a realização do desejo inalcançável. 
Fazer demagogia nos estádios de futebol foi outra
lição que Bolsonaro aprendeu com Médici...

Em obediência às ordens do capital, tais quais os vendedores de drogas que viciam os compradores para que se tornem delas dependentes, os governantes viciam o povo no consumismo de todos os tipos de mercadorias, ensinando-o a idolatrar o dinheiro, sem que o povo se dê conta dos malefícios nele embutidos. 

Os pobretões adoram o que não conhecem (o dinheiro) na sua essência destrutiva, sempre em busca do esplendor de uma vida que idealizam e não têm.

O povo, impelido a adorar o que não conhece (o dinheiro) , é também induzido a apoiar qualquer salvador da pátria que o subjugará, mas desde que este promova a acessibilidade pelo menos ao pão e ao circo.

Os militares, após 21 anos, deixaram o poder com inflação alta, estagnação econômica, dívida pública crescente sobre as quais incidem juros pesados, corrupção nas estatais (que brotaram como cogumelos, como acontece também nos governos de esquerda), desemprego estrutural, etc.

FHC, que se elegeu por ter domado a inflação (o verdadeiro autor da proeza foi Pérsio Arida), logo depois naufragou com seu neoliberalismo de ocasião.  

Lula, que surfou nas ondas da alta dos preços das commodities e pôde proporcionar alguma melhora dos empregos, lucros aos bancos e empresários (inclusive de pequeno porte), programas habitacionais e ajudas financeiras aos desvalidos do capitalismo (que não são poucos), minorando assim o absurdo nível de pobreza extrema existente no Brasil, ainda vive dessa memória de tempos menos bicudos e talvez até se reeleja.. 
...mas exagerou ao descer para o gramado e tentar ser
o centro das atenções, com seu exibicionismo desmedido.
Dilma Rousseff, em que pese a sua inabilidade política e alinhamento com o que há de pior na economia e na política brasileira (de Joaquim Levy a Roberto Jefferson), pagou caro o ônus de uma fatura que pousou no seu colo a partir do primeiro mandato e estendeu-se até o início do segundo, quando a direita a defenestrou do poder com um peteleco (ou
pedaladeco). 

Mas o capitalismo ora passa por um estágio de crise econômica e ambiental mundial que atinge até os países ricos, mas se abate com força total nas nações de sua periferia, nelas tornando a vida praticamente insuportável. 

Se Lula ganhar vai administrar a miséria com os critérios capitalistas que ele defende e nos quais acredita; assim agindo, apagará da memória popular a sua boa (e falsa) imagem de outrora.

Fico pasmo de observar que todos querem e falam em democracia, e até mesmo os golpistas proclamam o golpe em seu nome (só aqui se anuncia uma virada de mesa com data marcada, como se fosse uma piada de brasileiro contada em Portugal). 

Quando se fala em democracia, panaceia política usada para enganar o povo que vive sob um regime pretensamente representativo de suas vontades, esquecemos que a economia capitalista é a maior das ditaduras, e que não há regime político soberano sob a égide dos ditames ditatoriais da lógica do capital.

O capital, como tenho dito, dá ordens aos seus súditos políticos. 

Assim, p. ex., desde Mao Tse-Tung e depois sob Deng Xiao Ping e seus seguidores, o fechado e ditatorial regime chinês pauta as suas ações de governo de acordo com a lógica capitalista selvagem por ele praticado e que vai sucumbir juntamente com as regras autofágicas do modo de mediação social que adotou tão logo assumiu o poder. 
Preços nas alturas, Bolsonaro no fundo do poço

O povo, então, é levado a raciocinar com a barriga. Quando a dita cuja está razoavelmente cheia, não se furta a gritar
Salve o rei!; mas quando ela está vazia como agora (e ainda sem ar, sem água, com fogo nas matas e epidemia virótica persistente), clama, uníssono, Abaixo o rei!

Com o perdão do trocadilho fácil, Boçalnaro, o ignaro, é carta fora do baralho! (por Dalton Rosado) 
Toque do editor – Triste constatação, meu caro Dalton: o Bozo está marchando para o fim e tentando jogadas desesperadas  que só vão acelerar a sua queda, porque a degringola econômica se acentuou (vergastando as grandes massas) e ficou evidente que 2021 e 2022 também serão anos perdidos (exasperando os grandes empresários). 

A terrível matança que ele causou com sua sabotagem e negacionismo durante a crise sanitária não fez despencar tanto a popularidade do genocida junto ao povão quanto a escalada da inflação, da miséria e do desemprego.

Fica totalmente comprovada, portanto, a sua afirmação de que os coitadezas raciocinam com a barriga, assim como em 2018 constatamos que o Pelé fora profético ao dizer que os brasileiros não sabem votar. (por Celso Lungaretti)
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