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segunda-feira, 6 de janeiro de 2020

ASSASSINATO EXTRAJUDICIAL DE SOLEIMANI ACENTUA A INFLUÊNCIA CATASTRÓFICA DE TRUMP NA GOVERNANÇA GLOBAL

mathias alencastro
SOLEIMANI COMETEU CRIMES, MAS SUA
 POPULARIDADE NO IRÃ ERA INQUESTIONÁVEL
Mundialmente famoso desde a semana passada, Qasem Soleimani encarnava a figura literária do agente persa, negociador irascível, criativo e realista. 

Ele é apontado como o principal responsável pela expansão da esfera de influência de Teerã. Sob o seu comando, a Força Quds passou a operar na interface entre o aparato militar formal e informal, organizando uma rede de atores não estatais do Mediterrâneo à Caxemira.

Tal como as outras partes envolvidas no interminável conflito do Oriente Médio, Soleimani cometeu inúmeros crimes de guerra. Mas sua popularidade no Irã era inquestionável. Até os dissidentes do regime condenaram o seu assassinato. 

O funeral deste domingo (5) reuniu uma quantidade impensável de populares, só comparável à do funeral do líder supremo Khomeini. Ao que tudo indica, o governo de Hassan Rowhani, confrontado a poderosas revoltas sociais, saiu reforçado pelo ataque dos EUA.

Outros motivos tornam a morte de Soleimani ainda mais excepcional. Ele não era um terrorista que vivia escondido na mais absoluta ilegalidade, mas uma autoridade de um Estado soberano. 

Uma das convenções mais elementares das relações internacionais estabelece que devem ser evitados ataques sumários a diplomatas, ministros e militares de alta patente. 

Esse acordo tácito torna possível o diálogo entre os piores inimigos. É, p. ex., amplamente conhecido que as forças ocidentais contaram com o apoio dos militares iranianos para derrotar os talibãs afegãos e, mais tarde, o Estado Islâmico.

O general Soleimani pilotava uma guerra por procuração no Iraque, mas o Irã não estava em guerra declarada com os Estados Unidos. Ele não era o almirante Yamamoto, o arquiteto do ataque de Pearl Harbor liquidado em 1943 a pedido de Franklin Roosevelt, nem o líder Muammar Gaddafi, financiador de um ataque terrorista contra civis americanos e alvo de um ataque aéreo aprovado, mas nunca oficialmente reconhecido, por Ronald Reagan em 1986.

Até para os padrões dos juristas de Washington, que esticaram ao máximo o direito de conduzir assassinatos extrajudiciais na era Barack Obama, Soleimani era dificilmente um alvo legítimo. 

A justificativa avançada, de que o iraniano preparava um ataque iminente, parece tão frágil quanto as armas de destruição em massa iraquianas. A relatora da ONU sobre assassinatos extrajudiciais, Agnes Callamard, já indicou que Donald Trump pode ter agido ilegalmente.

A involução das relações entre os Estados Unidos e o Irã é a melhor ilustração do impacto catastrófico de Donald Trump na governança global. Formalizado em 2015, o acordo nuclear, uma peça exímia de diplomacia e ciência de ponta, criava condições para a reinserção internacional do Irã. 

Motivado pela ânsia infantil de obliterar o legado de Barack Obama, Trump rasgou o compromisso e regressou ao regime medieval de sanções, na origem de uma crise humanitária tão inútil como brutal. 

Depois de reacender o conflito, ele autoriza o assassinato ilegal de uma figura-chave e ameaça cometer crimes contra a humanidade no Twitter. E ainda há quem se sinta mais seguro vivendo nesse mundo sem leis nem reis. (por Mathias Alencastro) 

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

ASSISTA NO BLOG AO FILME QUE COLOCOU AS AUTORIDADES DOS EUA EM PÉ DE GUERRA CONTRA CHAPLIN

Nos dias em que a mesmice domina o noticiário e não encontro nenhum tema inspirador para desenvolver, ou mesmo texto alheio interessante para importar, vou, em desespero de causa, consultar as efemérides próximas, na esperança de encontrar algo aproveitável.

Hoje (1º) se completam 110 anos que o rei Carlos I de Portugal e o príncipe herdeiro Luís Filipe foram assassinados em Lisboa por militantes republicanos. 

Quando eu era bem mais jovem, não deixava de ver certa justiça poética na frase do sacerdote católico francês Jean Meslier (1664-1729), às vezes atribuída erroneamente a Voltaire ou a Diderot, segundo a qual "o homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre". Mas, o ódio já anda transbordando nas redes sociais, para que destacar mais episódios sangrentos? Deixemos o regicídio pra lá.

O aiatolá Khomeini regressou em 01/02/1979 ao Irã, trazendo o fanatismo religioso medieval na bagagem. O que já era péssimo com o xá Reza Pahlavi ficou ainda pior, se isto é possível, com os fundamentalistas malucos. Também passo. De retrocessos chegam os do Brasil.

Também neste dia, em 2003, o ônibus espacial Columbia se desintegrou ao retornar à Terra, matando seus sete tripulantes. Sempre vi com desagrado o esforço dos seres humanos para tornarem infernal a vida também nos outros planetas. Temos mais é de resolver nossos gravíssimos problemas atuais. Outra pauta descartada.
Assim como os aniversários de nascimento de John Ford, Clark Gable e Boris Iéltsin, e também o de falecimento de Buster Keaton. Nada tenho de especial a dizer sobre nenhum dos quatro.

Fui avançando pelos dias seguintes e a luz só acendeu para mim ao tomar conhecimento de que na próxima 2ª feira (5) se completarão 82 anos desde a estreia da obra-prima de Charlie Chaplin, Tempos modernos, um clássico absoluto, sobre a alienação do trabalhador nas grandes linhas de montagem das fábricas do passado.

Sempre lhe fiz a ressalva de ser demasiadamente parecido com A nós, a liberdade, de René Clair, anterior em cinco anos. Como dizia o Chacrinha, nada se cria, tudo se copia. E, como naquele tempo havia pouquíssima difusão dos filmes franceses nos EUA, temo que Chaplin tenha suposto que, se tomasse de empréstimo uma coisinha ou outra, isto passaria despercebido. Enfim, ninguém é perfeito...

Eis trechos de uma interessante crítica que encontrei, sem assinatura, no site do Partido Comunista Brasileiro:


Tempos Modernos foi o primeiro filme na era da grande indústria cinematográfica a desenvolver uma contundente crítica aos efeitos imediatos do processo de industrialização desencadeado após a chamada 2ª Revolução Industrial, ao mesmo tempo em que pautava, através do humor, as contradições do modelo fordista de produção, então exaltado como padrão de desenvolvimento produtivo e base para a sustentação do modo de vida consumista burguês, o denominado American way of life.

A exaustão humana desencadeada pelos esforços repetitivos na linha de produção, levando ao limiar da loucura; o uso da ciência e da alta tecnologia como ferramentas para otimizar a dominação na indústria; a alienação e o aumento do desemprego estrutural foram sarcasticamente tratados nesse filme. 

Em diversas cidades estadunidenses e europeias o filme foi censurado, causando a Chaplin constrangimentos políticos e prejuízos financeiros. 

Por fazer alusão ao movimento grevista e ao comunismo, num período em que vicejava o patrulhamento ideológico no universo da arte, antes mesmo do macarthismo do pós-guerra, o Departamento de Segurança dos EUA promoveu restrições ao filme e boicote à captação de recursos para outras obras de Chaplin. Durante algum tempo, o cineasta foi alvo de investigações sob a suspeita de propaganda comunista.

Chaplin, mesmo sem ter sido marxista, destacou o fetiche da mercadoria em cenas tais como os momentos em que o personagem Carlitos e a menina órfã sonham com uma vida melhor, cujos referenciais de felicidade, conforto e luxo são os parâmetros difundidos pela burguesia, objetos de desejo inacessíveis à classe trabalhadora, imersa na realidade de trabalho desumano, miséria e violência social, tornada ainda mais insuportável em tempos de crise capitalista.

O filme é irônico até no título, pois toda a modernidade enaltecida naquele período de expansão tecnológica encobria a trágica decadência dos padrões de sociabilidade humana, com as pessoas embrutecidas por uma vida sem sentido, em que o próprio tempo se subordina ao ritmo mecânico da lógica produtivista, voltada unicamente a atender as necessidades do mercado. 

A primeira cena é um grande relógio ditando o ritmo dos trabalhadores rumo à fábrica, comparados a animais a caminho do abatedouro...

segunda-feira, 13 de junho de 2016

OS TERRORISTAS ISLÂMICOS SÃO RÉPROBOS DA HUMANIDADE!

Atentado a uma boate gay de Orlando, EUA: cerca de 50 mortos em nome da volta à Idade Média.
Meus leitores habituais já sabem que tenho ojeriza profunda aos fanáticos religiosos que exumaram e exacerbaram o terrorismo clássico. Vale a pena explicar os motivos.

Ao contrário de considerável parcela dos articulistas ditos de esquerda, li muito Marx, Engels, Lênin e Trotsky nos meus anos de formação política. E aprendi que a abolição do capital e o fim da sociedade de classes seriam o coroamento da marcha civilizatória, o final de uma longa caminhada das trevas para as luzes, do tacão da necessidade para a plenitude da liberdade.

Então, como os autores citados, só posso considerar patética a tentativa de fazer o relógio da História retroceder à Idade Média, quando os pastores de cabras aceitavam que a idiotia religiosa regesse cada esfera da vida social e da moral individual, e acreditavam que dizimar infiéis lhes abriria as portas do paraíso. 
Barbárie cega e faca amolada

Desde o aiatolá Khomeini, sou totalmente contrário ao oportunismo da má parte da esquerda que, trocando o marxismo pela geopolítica, alinha-se com os inimigos da civilização, apenas porque, casualmente, estão na contramão de EUA, Israel, França ou qualquer outro vilão da vez.

Quem justificou a chacina do Charlie Hebdo é cúmplice moral da matança na cidade estadunidense de Orlando. Considero simplesmente aberrante a esquerda, filha do iluminismo, dar as mãos a quem quer anular o iluminismo e todas as suas consequências!

Também me irrita profundamente a forma como os terroristas de Alá ajudam a indústria cultural a incutir no cidadão comum a paranoia face aos diferentes. Num momento em que o capitalismo putrefato o expõe aos piores rigores econômicos e à vingança da natureza, a existência de um bicho papão é mais do que conveniente para quem pretende mantê-lo submisso e conformado, encarando as catástrofes climáticas como fatalidades, a desigualdade como ordem natural das coisas e a polícia como protetora, suportando sem chiar as  agruras nossas de cada dia.

A banalização dos morticínios faz lembrar os horrores nazistas
O que a indústria cultural insidiosamente incute nos seus públicos, martelando sem parar? A sensação de que tudo vai bem na vidinha de todos até que surge qualquer ameaça externa, como assassinos seriais, zumbis ou... terroristas. Os papalvos devem prezar a normalidade e temer unicamente aquilo que a quebre. É onde se encaixam, como uma luva, as bestiais matanças perpetradas pelo Estado Islâmico. 

Desconheço autoproclamados inimigos do sistema mais convenientes para o dito cujo do que os carniceiros de Alá. O ataque pirotécnico da Al Qaeda ao WTC deu pretexto a uma longa e terrível temporada internacional de estupro dos direitos humanos, da qual finalmente estávamos emergindo quando o EI entrou em cena para fornecer novos e valiosos trunfos propagandísticos para os trogloditas da direita. Se depender dos jihadistas, a guerra ao terror nunca acabará.

Por último, os verdugos de Alá, com seus atentados covardes contra civis e suas repugnantes execuções de prisioneiros, agridem de tal forma a sensibilidade dos cidadãos equilibrados que facilitam a disseminação de preconceitos contra qualquer forma de resistência armada a governos totalitários. 

A execução por apedrejamento é de crueldade extrema
A direita deita e rola nesse clima de rancor cego, que propicia a satanização dos combatentes que, em situação de extrema inferioridade de forças, desafiaram heroicamente o terrorismo de estado nos anos de chumbo; propiciou a satanização de Cesare Battisti, mediante a afixação de um rótulo que nem sequer fora utilizado no momento dos acontecimentos (a Justiça italiana não o acusou nem condenara como terrorista). Serviu para socar-nos goela adentro uma lei que permitirá enquadrar as mais inofensivas formas de protesto como crimes gravíssimos.

Sou veterano de uma organização armada que erigia como inimigos apenas os torturadores, assassinos e dirigentes da ditadura militar, fazendo tudo para evitar que civis e os inconscientes úteis apanhassem as sobras dos confrontos. Preferíamos sacrificarmo-nos do que sacrificar os inocentes. Então, é chocante ao extremo para mim constatar a falta de um mínimo resquício de solidariedade, de compaixão, de empatia com outros seres humanos, nesses autômatos de Alá. 

Os atentados do ano passado em Paris e o que acaba de ser desfechado em Orlando foram típicos de nazistas, de psicopatas! Os que matam humoristas por fazerem blague com a sisudez dos fanáticos e homossexuais porque encontram o amor de uma forma diferente da prescrita por um mercador em meio à barbárie e às trevas do primeiro milênio, não passam de réprobos da humanidade!

Novembro de 2015 em Paris: restaurantes como alvos!
A abordagem psicanalítica do escritor português João Pereira Coutinho (vide íntegra aqui) tem tudo a ver: 
"...quando olho para o rosto dos terroristas, o que vejo é a felicidade da matança. Eles não matam apenas por uma religião (que mal estudaram) ou por razões geopolíticas (que nem sequer entendem).
Eles matam porque gostam de matar... A parte bestial do ser humano não pode ser abolida da nossa natureza... Quando provamos a loucura da guerra, emergimos como o primeiro homem, o homem das cavernas. 
...embalados pelo conforto da paz, somos incapazes de entender, muito menos aceitar, a felicidade (...) de homens como nós que provaram e gostaram do sangue. E que exatamente por isso querem mais e mais e mais –até que a morte nos separe"

terça-feira, 24 de novembro de 2015

OS CARNICEIROS DO ESTADO ISLÂMICO MATAM PORQUE GOSTAM DE MATAR

Meus leitores habituais já sabem que tenho ojeriza profunda aos fanáticos religiosos que exumaram e exacerbaram o terrorismo clássico. Vale a pena explicar os motivos.

Ao contrário de considerável parcela dos articulistas ditos de esquerda, li muito Marx, Engels, Lênin e Trotsky nos meus anos de formação política. E aprendi que a abolição do capital e o fim da sociedade de classes seriam o coroamento da marcha civilizatória, o final de uma longa caminhada das trevas para as luzes, do tacão da necessidade para a plenitude da liberdade.

Então, como os autores citados, só posso considerar patética a tentativa de fazer o relógio da História retroceder à Idade Média, quando os pastores de cabras aceitavam que a idiotia religiosa regesse cada esfera da vida social e da moral individual, e acreditavam que dizimar infiéis lhes abriria as portas do paraíso. 

Desde o aiatolá Khomeini, sou totalmente contrário ao oportunismo da má parte da esquerda que, trocando o marxismo pela geopolítica, alinha-se com os inimigos da civilização, apenas porque, circunstancialmente, estão na contramão de EUA, Israel, França ou qualquer outro vilão da vez. É simplesmente aberrante a esquerda, filha do iluminismo, dar as mãos a quem quer anular o iluminismo e todas as suas consequências!

Também me irrita profundamente a forma como os terroristas de Alá ajudam a indústria cultural a incutir no cidadão comum a paranoia face aos diferentes. Num momento em que o capitalismo putrefato o expõe aos piores rigores econômicos e à vingança da natureza, a existência de um bicho papão é mais do que conveniente para quem pretende mantê-lo submisso e conformado, encarando as catástrofes climáticas como fatalidades, a desigualdade como ordem natural das coisas e a polícia como protetora, suportando sem chiar as  agruras nossas de cada dia.

O que a indústria cultural insidiosamente incute nos seus públicos, martelando sem parar? A sensação de que tudo vai bem na vidinha de todos até que surge qualquer ameaça externa, como assassinos seriais, zumbis ou... terroristas. Os papalvos devem prezar a normalidade e temer unicamente aquilo que a quebre. É onde se encaixa, como uma luva, a bestial matança perpetrada pelo Estado Islâmico na 6ª feira 13. 

Desconheço autoproclamados inimigos do sistema mais convenientes para o dito cujo do que os carniceiros de Alá. O ataque pirotécnico da Al Qaeda ao WTC deu pretexto a uma longa e terrível temporada internacional de estupro dos direitos humanos, da qual finalmente estávamos emergindo quando o EI entrou em cena para fornecer novos e valiosos trunfos propagandísticos para os trogloditas da direita. Se depender dos jihadistas, a guerra ao terror nunca acabará.

Por último, os verdugos de Alá, com seus atentados covardes contra civis e suas repugnantes execuções de prisioneiros, agridem de tal forma a sensibilidade dos cidadãos equilibrados que facilitam a disseminação de preconceitos contra qualquer forma de resistência armada a governos totalitários. 

A direita deita e rola nesse clima de rancor cego, que propicia a satanização dos combatentes que, em situação de extrema inferioridade de forças, desafiaram heroicamente o terrorismo de estado nos anos de chumbo; propiciou a satanização de Cesare Battisti, mediante a afixação de um rótulo que nem sequer fora utilizado no momento dos acontecimentos (a Justiça italiana não o acusou nem condenara como terrorista). Serve para tentar socar-nos goela adentro uma lei que permitirá enquadrar as mais inofensivas formas de protesto como crimes gravíssimos.

Sou veterano de uma organização armada que erigia como inimigos apenas os torturadores, assassinos e dirigentes da ditadura militar, fazendo tudo para evitar que civis e os inconscientes úteis apanhassem as sobras dos confrontos. Preferíamos sacrificarmo-nos do que sacrificar os inocentes. Então, é chocante ao extremo para mim constatar a falta de um mínimo resquício de humanidade, de compaixão, de empatia com outros seres humanos, nesses autômatos de Alá. 

Mandar bala em jovens que alegremente socializavam num boteco é coisa de nazista, de psicopata! Para tentar compreender personalidades tão monstruosas, só mesmo uma abordagem psicanalítica como a do escritor português João Pereira Coutinho (vide íntegra aqui), com a qual encerro esta divagação: 
"...quando olho para o rosto dos terroristas, o que vejo é a felicidade da matança. Eles não matam apenas por uma religião (que mal estudaram) ou por razões geopolíticas (que nem sequer entendem). 
Eles matam porque gostam de matar. Como dizia Ernst Jünger, eles estão tomados pela 'vermelha embriaguez do sangue'. 
...o que me interessa no relato [de Jünger em seu livro A Guerra como Experiência Interior] é a dimensão de êxtase que o combatente sente na batalha. A sociedade pode refrear 'a pulsão dos apetites e dos desejos', escreve ele (como escreveu Freud). Mas a parte bestial do ser humano não pode ser abolida da nossa natureza.
Somos feitos de razão e sentimento. Mas também de fúria e instinto. E, quando provamos a loucura da guerra, emergimos como 'o primeiro homem', o homem das cavernas. 
...embalados pelo conforto da paz, somos incapazes de entender, muito menos aceitar, a felicidade dos terroristas. A felicidade de homens como nós que provaram e gostaram do sangue. E que exatamente por isso querem mais e mais e mais –até que a morte nos separe"
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