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domingo, 30 de outubro de 2022

O BRASIL SUSPIRA ALIVIADO: O BOLSONARISMO ESTÁ MORTO!

Agora é definitivo: o pesadelo iniciado há quatro anos vai terminar no próximo dia 1º de janeiro.

O palhaço sinistro deixará para trás um país em frangalhos, o povo buscando comida nos caminhões de lixo e centenas de milhares de tumbas, as dos que a covid mataria de qualquer jeito e as daqueles que foram vítimas dos delírios negacionistas.

Então, o momento é de alívio. Vamos comemorar o fechamento do circo de aberrações e a certeza de que os piores crimes, injustiças, lambanças e maluquices serão, dentro do possível, corrigidos e/ou reparados a partir do próximo ano. 

É para isto que a maioria dos brasileiros elegeu Lula. E isto certamente dele receberá, pois para um presidente com um mínimo de equilíbrio e sanidade mental, não vai ser, sequer, tarefa difícil.  

Mas, que ninguém baixe a guarda cedo demais: outros desafios adiante nos aguardam, como a permanência de um insuficiente crescimento econômico e novas investidas da extrema-direita, que tende a reagrupar-se sob outro líder, descartando o que refugou e amarelou nos momentos decisivos (afinal, ela ganhou mais envergadura e não tem motivo para morrer politicamente junto com o mito que se tornou mico). 

Enfim, nos próximos dias começaremos a aprofundar tais discussões. 

Por enquanto, desfrutemos esta vitória há tanto aguardada, pela qual pagamos um preço imenso em vidas, sofrimento e aflições. 

Hoje é dia de festa! E bem que a merecemos... (por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

PRECISAMOS FALAR SOBRE O SIGNIFICADO PARA A ESQUERDA DE UMA ALIANÇA COM O FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO EVANGÉLICO

Quando se confirma a entrada no Supremo Tribunal Federal de uma figura duplamente nefasta (carreirista e fundamentalista religioso ao mesmo tempo), é preciso falar um pouco a respeito do papel dos evangélicos na sociedade. 

A respeito do personagem em questão e do apoio a ele dado pelo petismo oportunista, farei adiante um artigo específico, daí não tratar disso aqui. 

Possuo aquilo que o identitarismo contemporâneo chama de lugar de fala para abordar o tema evangélicos. Tendo mãe evangélica e grande parte da família materna seguidora de tal religião, estive dentro das paredes petencostais até os meus 16 anos, daí conhecer bem toda a prática política, econômica e ideológica do dito agrupamento. 

Assumi o ateísmo em tenra adolescência, antes mesmo de suspender em definitivo minha participação na comunidade religiosa; tenho, desde então, refletido a respeito da lógica religiosa no capitalismo atual. 

O chamado fundamentalismo religioso, fenômeno surgido no século 19 nos EUA, foi uma reação conservadora às interpretações liberais da bíblia patrocinadas por teólogos das grandes universidades daquele país e da Europa. 

A lógica do fundamentalismo é retomar aos fundamentos, isto é, aos princípios bíblicos tal como expressos literalmente. Por isso, o fundamentalismo é avesso a qualquer hermenêutica bíblica. 

Ao contrário do que se pensa, o fundamentalismo cristão é anterior ao islâmico. 
Merecia vaga no STF quem se avacalhou ao ponto de
perseguir cartunista só porque o Bozo mandou?
 
 

O mundo mulçumano sempre possuiu larga tradição filosófica de leitura do Alcorão. Foram intelectuais de extrema-direita que importaram a leitura fundamentalista do mundo ocidental e geraram o movimento fundamentalista islâmico. 

A ideologia fundamentalista gera uma hostilidade profunda à racionalidade. Sua negação de qualquer hermêneutica do texto religioso desemboca numa uma negativa geral a qualquer compreensão da realidade que não se ajuste ipsis literis aos princípios dogmáticos da fé. 

Esta lógica de condenação da racionalidade leva a uma desvalorização da mediação linguística e à super valorização da experiência mística. 

Por isso, os evangélicos dão grande apelo ao transe, às orações, ao louvor emotivo, ao exorcismo. Pior, os próprios princípios da fé são revelados de forma eminentemente mística, sem intermediação da linguagem, o que os tona francamente arbitrários e inquestionáveis, pois são considerados revelações do Espírito Santo. 

A negação do discurso e o apelo à experiência mística, sempre individual, está na base, inclusive, dos cismas e da criação infinita de novas congregações, pois cada qual acredita ter ele a interpretação e a ideia correta da fé. 

Não havendo parâmetro comum para interpretação e norteamento da prática, tudo passa a ser válido, prevalecendo, no frigir dos ovos, a capacidade de cada líder em convencer com seu discurso emotivo.  
Do ponto de vista estrutural, de modo geral, o fundamentalismo religioso é assim. Mas, nem de longe isso explica seu sucesso social. Aí é preciso entender sua inserção dentro da sociedade capitalista.

É reacionário por origem o fundamentalismo, pois tem como base histórica uma negação das interpretações liberais da bíblia. Ou seja, sua origem é uma negação à racionalização da experiência religiosa. 

Aprendemos com Lukács, a partir de Marx, que o irracionalismo é estimulado pelo sistema capitalista justamente para obstacularizar a compreensão da dinâmica social da exploração de classes e de sua desumanidade.

Mais que isso até. O irracionalismo é o resultado necessário de um sistema social baseado na reprodução da forma-valor sem consideração às necessidades humanas. Um sistema irracional gera uma lógica irracional de viver e entender a realidade. 

O fundamentalismo religioso, assim, é produto do capitalismo e útil a ele, ao mesmo tempo. Produto por se originar da própria irracionalidade do sistema e útil por retroalimentar essa irracionalidade em prol da perpetuação do sistema. 

Por isso, a igreja evangélica é uma estrutura reacionária afeita ao domínio burguês contrarrevolucionário. Ela existe para domesticar e subjugar o povo, submetendo-o aos ditames capitalistas. E aqui, as exceções deste ou daquele evangélico progressista ou mesmo revolucionário entra apenas enquanto exceção de uma dinâmica ontológica. 

Não à toa, as igrejas evangélicas crescem na miséria e na crise, pois se trata do momento propício para aparecerem oferecendo uma saída mística, de apaziguamento psicológico, ao indívíduo desorientado. 

Mais do que isto, ela cresce na ausência da organização revolucionária, na ausência da teoria social racionalmente correta. 

Quando a esquerda, tal qual o PT, se torna eleitoreira e abdica de esclarecer os trabalhadores sobre as causas de sua condição, o irracionalismo avança. 

Pior ainda é quando (como novamente faz Lula e sua turma) a esquerda acena e estabelece alianças com o fundamentalismo. Equivale a pedir para ser engolido por ele, mas disto também falarei noutra oportunidade. (por David Emanuel Coelho) 

segunda-feira, 15 de junho de 2020

POR QUE A LEI DE SEGURANÇA NACIONAL É INVOCADA CONTRA NOBLAT E AROEIRA? PORQUE, EM 35 ANOS, NÃO A REVOGARAM!

Como qualquer cidadão minimamente civilizado, expresso meu mais veemente repúdio à censura que se tenta de forma velada restaurar no país, seja contra o humor, seja contra a opinião, sejam todas as formas de intimidação de que Estados totalitários servem-se para calar os descontentes.

Mas, se um entulho autoritário tão repulsivo e sanguinolento quanto a Lei de Segurança Nacional da ditadura militar ainda pode ser invocado para a retaliação contra o Ricardo Noblat e o Renato Aroeira, isto se deve à chocante omissão de governantes e parlamentares que nada fizeram para revogá-la durante esse tempo todo. 

Encaminhar sua remoção para a lixeira (juntamente com a anistia que em 1979 nos igualou a nossos torturadores) deveria ter sido a primeira providência dos justos após a instalação da Nova República em março de 1985. 

Mas, 35 anos depois, nem uma nem outra aberração foi corrigida. Foi deixada intacta a corda que se destinava a nos enforcar e o resultado está aí.

Suponho que os avessos às autocríticas fingirão que não é com eles, então dou nome aos bois: mais do que todos, o FHC, o Lula e a Dilma tinham a obrigação moral de haver priorizado a eliminação de tal entulho autoritário. 

Gostem ou não os três, eles nos devem explicações.  E eu não deixaria de cobrá-las, em toda oportunidade que doravante tiver. (Celso Lungaretti)

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