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sábado, 29 de novembro de 2025

APÓS DERROTAR O PALMEIRAS NAS DUAS PARTIDAS DO BRASILEIRÃO, FLAMENGO VENCE TAMBÉM NA LIBERTADORES

De Arrascaeta, o melhor jogador da decisão
e autor da assistência a Danilo.
O Flamengo nem sequer precisou de Pedro, o melhor centroavante brasileiro da atualidade, para vencer de novo o Palmeiras, desta vez por 1x0, e conquistar sua quarta Libertadores.

Foi um jogo chato, com poucas oportunidades de gol e apenas três finalizações no alvo, duas do Flamengo e uma do Palmeiras.

Para piorar, o título não foi decidido numa jogada trabalhada, mas por uma bola aérea. Castigo para Abel Ferreira, que insiste em manter o grandalhão Carlos Miguel no gol, embora Weverton seja muito melhor.

Assim, Rossi atuava em grande estilo, interceptando vários cruzamentos perigosos do ataque sem quaisquer outras ideias do Palmeiras, ao passo que Carlos Miguel ficou estático sob as traves enquanto Danilo cabeceava à vontade. Em seguida, ainda estático, foi a pessoa presente no Estádio Monumental de Lima que assistiu mais de perto à bola entrando.
Filipe Luís coleciona títulos como jogador e treinador 

Vale também ressaltar o nó tático que Filipe Luís deu no superestimadíssimo Abel Ferreira. Graças a ele, o Palmeiras não conseguiu jogar e bastou o Flamengo jogar um pouquinho para obter a vitória.

Impressionante a trajetória do catarinense. Campeão da Libertadores no sábado e do Brasileirão na próxima quarta-feira. 

É o melhor técnico em atividade no Brasil desde que Jorge Jesus voltou à terrinha, para, em seguida, ir fazer fortuna na Arábia. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 12 de julho de 2023

OS SINOS QUE ORA DOBRAM POR GABRIELA ANELLI SERÃO CADA VEZ MAIS OUVIDOS

A arena do Palmeiras jamais poderia estar em Perdizes, convulsionando o bairro e provocando enormes congestionamentos a cada partida, a cada show, a cada venda de ingressos. 

Já morei lá perto e ficava pasmo ao ver que as otoridade isolavam quarteirões inteiros e os transformavam em estacionamento (!), vendendo vagas. Além de estarem negociando o que não lhes pertencia, criavam mais obstáculos ainda para a circulação de veículos, além de infernizarem os moradores, obrigados a convencer os policiais a deixarem-nos acessar as próprias garagens.

Certa tarde de domingo eu descia com a minha caçula, que tinha então uns oito ou nove anos, caminhando pela rua Palestra Itália interditada para veículos. De repente, um primata que estava uns 100 metros adiante soltou um rojão na direção das pernas dos outros torcedores do Palmeiras. Para ele, causar estouro da multidão não passava de brincadeira. Ria.

Peguei a minha filha e corri para o portão de uma entrada do shopping Bourbon, que acabara de ser trancada pelos seguranças. Felizmente eles perceberam que o perigo ao qual uma criança estava sendo exposta era mais importante do que o cumprimento das mesquinhas ordens recebidas: destrancaram o portão e nos deixaram entrar.  
Futebol deveria ser só isto: risos e confraternização

E no sábado passado lá estava eu de novo com a mesma filha, que agora tem 15 anos. Levava-a para assistir à primeira peça de teatro adulto de sua vida,
Os miseráveis, no West Plaza. Antes, mais para fazer hora, vimos um filmeco de terror no Shopping Bourbon.

Só quando saímos para a avenida Francisco Matarazzo, que desceríamos a pé para chegar ao West Plaza, é que me lembrei do Palmeiras x Flamengo marcado para as 21h. 

Mas, com os dois joelhos detonados (terei de colocar próteses em ambos), preferi seguir adiante do que encompridar o percurso. E lá fomos nós, eu com uma muleta, arrastando-me com dificuldade por entre a massa de torcedores.

Irritei-me por encontrar tanta gente indo torcer para o Palmeiras num Brasileirão do qual ele já abriu mão. Só ingênuos não percebem que os comandados da Crefisul estão priorizando a Libertadores e a Copa do Brasil. Mas, nos 20 ou 25 minutos que levamos para percorrer aquele mísero quilômetro, violência não havia. 

Fiquei surpreso ao saber que nas redondezas se travou batalha de arremessos de garrafas e uma moça que tinha a vida inteira pela frente foi vítima da bestialidade que hoje grassa não só no futebol, mas na sociedade como um todo (e, por que não dizer, no planeta como um todo). 

Rua ou zona de combate?
Neste momento, o mundo capitalista desmorona e não se vê ainda o que poderá sucedê-lo, caso a espécie humana sobreviva à guerra, à fome, às pestes e à morte que a esperam ao longo deste século.

Alguns jornalistas berram que o futebol precisa ser parado, o que nada mais seria do que retirar o sofá da sala. É o capitalismo que tem de ser detido, antes que nos extermine a todos. 

Mas, não é nos veículos da indústria cultural que vocês lerão ou escutarão tal obviedade. (por Celso Lungaretti)

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

UMA CRÔNICA FUTEBOLÍSTICA DE ARREPIAR. E A LIÇÃO DE MORAL QUE OS GAROTOS DERAM À CARTOLADA INFAME!

renato maurício prado
QUE SE DANEM OS CARTOLAS. VIVA HUGO NENECA, FILHO DO 
SEU JORGE!
Seu Jorge acordou cedo lá no céu. Estava nervoso pois sabia que o filho teria um jogo muito importante pela frente. 

No caminho para a arquibancada celeste foi encontrando inúmeros rubro-negros. Alguns famosos, como Jayme de Carvalho e sua barulhenta charanga ou Cláudio Coutinho, treinador daquele timaço do Zico, campeão brasileiro em 80. Viu até o Carlinhos, ex-jogador e técnico de tantos títulos. 

O Violino vinha caminhando ao lado do amigo e massagista Jorginho, que chegara há pouco tempo e conhecia bem o seu moleque lá do Ninho do Urubu. Sabendo do nervosismo do pai, todos fizeram questão de animá-lo. 

— Apesar dos desfalques, a turma tá empolgada pra tocar hoje! – avisou o Jayme. Basta o guri fechar o gol lá atrás! – brincou o chefe da torcida mais antiga do Flamengo. 

— Tenho acompanhado a carreira do filhote, hein? Se continuar assim, ganhará muitos títulos e fará história, como o Raul – profetizou o Coutinho. 

— Ele vai longe. Gosto de ver sempre os jogos dos moleques e estou de olho no seu menino faz tempo. Ele e os outros garotos que jogarão hoje têm muita qualidade – emendou o Carlinhos. 

Rolou a bola e o coração de seu Jorge ameaçava sair pela boca. Logo no comecinho da partida, um chute de longe de Zé Rafael passou bem perto, caindo na rede, logo atrás do travessão. 

— Tranquilo, Jorge, tranquilo. Teu filho estava na bola – acalmou-o o Marcial, grande ex-goleiro rubro-negro, campeão carioca em 63, naquele Fla-Flu que detém o recorde histórico de público em jogos entre clubes. Mais de 180 mil no Maraca!
Aos poucos, a garotada do Flamengo ia se tranquilizando e com Arrascaeta, Gerson e Thiago Maia ditando o ritmo no meio-campo, logo eram Pedro e o próprio Arrasca que obrigavam o arqueiro do outro lado, Weverton, a trabalhar. 

Mas não demorou e Gabriel Menino, de longe, voltou a dar trabalho ao filho do seu Jorge que, firme, encaixou a bola chutada pelo talentoso jovem palmeirense. 

O lance de maior perigo na área rubro-negra, no primeiro tempo, porém, viria pouco depois, num chute forte de Zé Rafael, da meia-lua. Seu Jorge chegou a saltar junto, na tentativa de ajudar o filho, que brilhou no Allianz Parque se esticando todo para uma espalmada tão difícil quanto salvadora para a jovem equipe do Fla. Zero a zero no placar e fim do 1º tempo. 

Veio o 2º e, naturalmente, a pressão palmeirense aumentou. De cara, mais um chute da entrada da área. Desta vez foi Rafael Veiga quem fez a pressão de seu Jorge disparar.

— Fica frio, amigo. Teu menino eu conheço. Não dá rebote. Encaixa firme – sussurrou o Jorginho, sentado ao seu lado. 

Pouco depois, entretanto, não teve jeito. A bola chutada de longe por Patrick de Paula desviou em Thiago Maia, deslocou o filho do Jorge e foi beijar a rede. Um baita castigo para quem vinha tão bem. Palmeiras 1 a 0. 

— Ele está há nove meses sem jogar! Se estivesse com mais ritmo talvez pegasse essa... – lamentou-se o pai, desolado, provocando a reação imediata de todos os que o cercavam.  

— Que isso, homem de Deus? Essa ninguém pegava. Nem aquele inglês, o Gordon Banks! – ralhou o Cláudio Coutinho. 

O gol ainda atormentava Jorge quando o Flamengo reagiu com um cruzamento perfeito de Arrascaeta e o golaço de Pedro, deixando tudo igual, novamente. 

O Palmeiras, porém, não queria nem pensar no empate e alçou uma bola precisa, na área rubro-negra, bem na cabeça do artilheiro Luís Adriano. Coutinho lembrara de Gordon Banks? Pois a monstruosa defesa que o filho do seu Jorge fez naquela cabeçada, no contrapé, foi do mesmo quilate. 

— Monstro, monstro, seu garoto é um monstro! – urrou Jayme de Carvalho, elevando o tom de charanga, que festejou a linda espalmada com a ponta dos dedos como se fosse um gol. E não foi mesmo? 

— Milagre, milagre! – gritava, lá embaixo, o locutor Luís Roberto, da Rede Globo, encantado com o grau de dificuldade da intervenção. 

Os últimos minutos foram tensos, mas o filho do seu Jorge seguiu firme: um paredão até o apito final do juiz. 

Rony bem que tentou, mas nova encaixada perfeita, especialidade da casa, enterrou seus sonhos e o de todos os palmeirenses, que fizeram tanta questão de realizar essa partida sem sentido, na esperança de levar vantagem contra um time de garotos. 
Garotos que, como o filho do seu Jorge, honraram a camisa rubro-negra que envergaram, jogando como gente grande, com o coração típico dos grandes campeões. 

E a grande festa que começou lá em cima, na arquibancada celeste, só parou para ouvir a emocionada e emocionante entrevista do jovem goleiro, eleito o craque da partida: 
— Não jogo há nove meses. A diferença da última para essa é que meu pai estava na arquibancada me assistindo e hoje não o tenho mais. Faz seis meses que perdi meu pai. Um cara que me deu tudo. Foi a primeira vez que entrei em campo sem ele. Meu pai não está aqui fisicamente, não viu de casa, mas está lá em cima, melhor que a gente. 
À essa altura, lágrimas já rolavam copiosamente pelo rosto de seu Jorge e dos seus amigos rubro-negros. Que ainda ouviram o filho completar: 
— Sempre entrei em campo pensando na família. Tenho minha mãe, minha irmã, meus irmãos, por parte de pai. Essa vitória vai para a minha família. 
— Esse é o meu garoto! - balbuciou, todo orgulhoso, o seu Jorge. Festejado e abraçado pelos muitos rubro-negros do andar de cima. De onde, com certeza, continuará a acompanhar, passo a passo, jogo a jogo, a carreira de seu filho Hugo, o Neneca. 

Os meninos do ninho provaram, no gramado sintético do Allianz, que o elenco do Flamengo é ainda mais forte do que se pensava. Só precisa que os insensíveis, arrogantes e egocêntricos dirigentes rubro-negros não atrapalhem. (por Renato Maurício Prado)
TOQUE DO EDITOR – Aprendi com o Nelson Rodrigues, o João Saldanha, o Armando Nogueira, o Alberto Helena Jr. e o Roberto Avallone (dos tempos do Jornal da Tarde, não depois) que se pode escrever sobre futebol com criatividade, emoção e elegância, ao invés de servir aos leitores o mesmo feijão com arroz requentado de sempre. 

Hoje só o Juca Kfouri, e mesmo assim em raras, segue ocasiões, os passos desses mestres, pois geralmente ele liga o piloto automático e se livra da tarefa sem fazer força. Daí minha satisfação em ler o emocionante texto do Renato Maurício. Fico esperando outros deste nível, companheiro!

Quanto ao assunto em si, a garotada que se mata para brilhar no Flamengo (o que, em se tratando do Mengo, não é apenas força de expressão, como bem sabemos...) conseguiu lavar a alma de todos que ficaram enojados com as manobras rubro-negras para puxarem o saco do Bolsonaro, forçando a retomada prematura do futebol; e com as alviverdes para levarem uma mesquinha vantagem esportiva em meio a uma tragédia humanitária.

Se eu pudesse transmitir um recado a esses garotos da base que, jogando ao lado de apenas quatro titulares, saíram da arena palmeirense com um empate heroico, seria este:
— Como não é possível vocês deixarem de envelhecer, pelo menos não envileçam. Jamais se tornem iguais a essa corja nauseabunda que parasita o futebol e tudo faz para obter holofotes à custa do vosso talento e do vosso suor, mas não sabe nem jamais saberá o que é ser esportista de verdade, enfrentando com coragem os grandes desafios e os vencendo, como vocês fizeram neste domingo!

terça-feira, 3 de setembro de 2019

O BOLSONARO DO FUTEBOL ESTÁ NA RUA DA AMARGURA. FALTA O FELIPÃO DA POLÍTICA...

Não surpreendeu a ninguém o apoio do técnico Luiz Felipe Scolari ao deputado ultradireitista Jair Bolsonaro na última eleição presidencial: o treinador limitado, autoritário e truculento tem muitas afinidades com o político idem, idem e quase idem (há muito de propaganda enganosa nas suas bravatas). 

Pode-se dizer que o gaúcho à moda antiga Felipão é o machão que o paulista acariocado Bozo gostaria de ser. Como técnico do Grêmio, p. ex., calou a boca do congênere palmeirense Vanderlei Luxemburgo com um tapa em pleno estádio Olímpico.

Já do capitão motosserra só se conhecem agressões contra mulheres e contra o fracote Randolfe Rodrigues. Mas, quando a parada era mais indigesta, optou por obedientemente entregar arma e moto à bandidagem, preferindo preservar a vida do que a imagem.

Curiosamente, foi o outro bolsonarista do Palmeiras, o jogador Felipe Melo, quem precipitou a nova desgraça de Scolari: um dos recordistas mundiais de cartões vermelhos e amarelos, o bolsominion dos gramados (como o apelidou Juca Kfouri) novamente estava suspenso quando seu time mais dele carecia. Esta tem sido sua sina desde que, com muito rancor e nenhum juízo, enterrou a Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2010.

A facilidade com que, na semana passada, o Grêmio virou o jogo contra o Palmeiras em plena arena paulista, frustrando novamente o sonho do Mundial que os alviverdes jamais conquistaram, foi decisiva para a demissão do Felipão, que acabou tendo o destino habitual dos que criam corvos: olhos bicados.
Mas, perguntarão os leitores, por que tanta bronca do velho treinador? É porque ele simboliza muito daquilo que eu mais deploro no esporte e na vida.

Eu tinha sete anos quando os brasileiros gritamos pela primeira vez a Taça do Mundo é nossa!. Acompanhei, atento e maravilhado, toda a trajetória da geração de ouro do futebol brasileiro. 

E jamais deixei de colocar a arte como um ingrediente indispensável para eu gostar de times e selecionados.

Apesar do meu coração corinthiano, nunca deixei de assistir às partidas que podia do Santos do Pelé, do Botafogo do Mané, do Cruzeiro do Tostão, do Flamengo do Zico, da laranja mecânica do Cruyff, do Napoli do Maradona, do Barcelona do Messi e outros esquadrões que ganhavam sem deixarem de proporcionar espetáculos deslumbrantes.

Cheguei a tirar férias como torcedor do meu time quando o treinador Mário Sérgio Pontes de Paiva, em 1993-95,  mandava seus pupilos fazerem faltas leves (evitando expulsões) o tempo todo, para o jogo dos adversários mais fortes não fluir, na esperança de marcar um gol numa bola vadia e segurar até o fim o placar mínimo. Eu acompanhava o resultado das partidas pelo jornal e mais nada.

Scolari nunca passou de um Mário Sérgio um pouco melhorado. Tornava seus times guerreiros (com uma rispidez bem próxima da deslealdade) e defensivistas, contando fazer gols principalmente à custa de bolas paradas e do jogo aéreo. Os jogadores mais emblemáticos do estilo Felipão foram o paraguaio Arce (um lateral direito muito hábil nos cruzamentos) e Jardel (centroavante alto e grande cabeceador). 

Para quem preza apenas a vitória, o Grêmio de Felipão, Arce e Jardel bastava. Para mim, era a quintessência do antifutebol.

A conquista do Mundial de 2002 foi o auge e o canto do cisne do Felipão, que nada mais faria de notável, até porque a revolução catalã, pouco depois, expeliu da divisão de elite do futebol mundial os treinadores meramente pragmáticos. 

E Scolari, quanto à estratégia de jogo, sempre foi zero à esquerda, como ficou evidenciado ao sofrer a pior derrota e a maior goleada que um selecionado principal brasileiro amargou em mais de um século de História e mais de mil partidas disputadas.

Antes, salvava-se nos aspectos táticos e motivacionais. Agora, nem isto. 

Queimou-se em 2012 no Palmeiras por ter passado às turbas organizadas os nomes de jogadores baladeiros a fim de que estas os disciplinassem, mas sua trairagem vazou para os delatados e ele ficou sem ambiente de trabalho, com o vestiário de pernas pro ar (metade do grupo o defendia e metade o execrava). Deixou o time  em marcha acelerada para a série B do Brasileirão.  

Desta vez, culpou os atletas pela desclassificação na Libertadores e eles, como era pra lá de previsível, arrastaram-se em campo domingo, enquanto os do Flamengo voavam.

Se tivesse parado na hora certa, seria lembrado como o pentacampeão de 2002 e não como a bruxa dos 7x1. Faltou-lhe humildade e simancol para sair enquanto estava por cima. (por Celso Lungaretti)
"Oi, zum, zum, zum, zum, zum, está faltando um.
Oi, zum, zum, zum, zum, zum, está faltando um"

sexta-feira, 2 de agosto de 2019

É HOJE O PROTESTO CONTRA OS QUE QUEREM TORNAR O CORINTHIANS UM CHIQUEIRO DE MILICIANOS ASSASSINOS

Temos de honrar as dignas tradições corinthianas...
juca kfouri
ATO PELA DEMOCRACIA NO PARQUE SÃO JORGE
No ano passado, o time de basquete do Corinthians ganhou a Liga Ouro e seu capitão, Gustavinho, quando levantou a taça vestiu a camisa do clube com a pergunta Quem matou Marielle?. 

Marielle Franco havia sido assassinada cinco meses antes e todos os brasileiros de bem queriam saber quem a matou ou quem a mandou matar, pergunta ainda sem resposta. 

Merecidamente a camisa foi parar no Memorial de Conquistas do Corinthians, mas um grupo de conselheiros, autointitulados Fiéis Escudeiros, pressionou o presidente do clube, Andrés Sanchez, para retirá-la e ele, miseravelmente, cedeu. 
...e repudiar clubes que se deixam usar e abusar desta maneira!

Daí ter sido marcada para a hoje às 19h10, no Parque São Jorge, uma Vigília pela Democracia, em protesto contra a tibieza de Sanchez e o obscurantismo do grupo que forçou a retirada da camisa. 

Aliás, em vez de Fiéis Escudeiros o grupo deveria se chamar Fiéis Obscuros. 

A Democracia Corinthiana dos anos 1980 clama por iluminismo, porque, embora pareça mentira, nestes tempos de intolerância, voltamos à época em que é preciso enfatizar os valores do regime democrático. (por Juca Kfouri — saiba mais sobre o ato desta noite clicando aqui)

quarta-feira, 31 de julho de 2019

VERGONHA! CONSELHEIROS TRAÍRAS EMPORCALHAM O CORINTHIANS!

Que o ignaro fique com seus Felipões e Felipes Melos...
menon
CORINTHIANS OFENDE A HISTÓRIA
O Corinthians cometeu um atentado contra a História. E contra a sua própria História. 

Vamos relembrar o caso. 

Em 2018, o clube voltou a competir no basquete, esporte em que tem um passado glorioso, com a participação de Wlamir Marques, talvez o maior jogador brasileiro de todos os tempos. 

O Corinthians venceu a Liga Ouro, que permitiu o acesso ao NBB. 

Quando o título se confirmou, com uma vitória sobre São José, o capitão Gustavinho comemorou com uma camisa onde cobrava a solução do assassinato da vereadora Marielle Franco. Ele teve a autorização de um diretor para usar a camiseta.
...nós continuaremos sempre inspirados por Sócrates, Casagrande, Wladimir e Gustavinho!
É um fato. Gustavinho usou uma camiseta cobrando a solução de um assassinato.

Passado um ano, é feita uma exposição sobre a história do basquete. E alguns conselheiros exigiram que a camiseta não fosse exposta.

Impediram que a História fosse contada. Um absurdo.

Assustador é o motivo alegado: o Corinthians é de todos. 
Clique para assistir Democracia em preto e branco, um
documentário de longa metragem sobre a democracia corinthiana
.
Como assim? Então, há corintianos a favor do assassinato? Ou contra a solução do assassinato? 

Além de esconderem um fato histórico, cospem no passado do clube, cuja torcida pediu anistia e cujo grande ídolo pediu diretas-já. Quando agora se falar desse fato, teremos de relembrar que há corintianos na diretoria que apoiam assassinatos. 

Um grupo de torcedores se insurgiu contra a resolução de tirar a camisa da exposição e fará uma vigília em protesto. (por Luís Augusto Simon, o Menon do jornalismo esportivo)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

É EMBLEMÁTICO QUE, NO BRASIL ATUAL, O FUTEBOL E A POLÍTICA SEJAM DOMINADOS POR PERSONAGENS JURÁSSICOS

Segurando a taça, três símbolos da beligerância desembestada
david emanuel
de souza coelho
NO BRASIL DO ATRASO, BOLSONARO É PRESIDENTE E FELIPÃO É
 CAMPEÃO
Nada mais simbólico da situação atual de atraso do Brasil do que o domínio do futebol e da política por dois personagens de ideais jurássicos. 

Jair Bolsonaro e Luiz Felipe Scolari compartilham uma personalidade truculenta e visões desatualizadas sobre o mundo. Enquanto o futuro presidente é um político nulo, sendo mais conhecido por suas declarações de ódio, o técnico do Palmeiras será eternamente lembrado pelo maior vexame da história do futebol brasileiro. Sobre o primeiro, eu já falei o suficiente neste artigo anterior, falo agora do futebolista. 

Justiça seja feita, Felipão já foi um técnico de relevância antes de ser superado pela história. 

Após seu exílio no Uzbequistão perdeu complemente qualquer gancho com a dinâmica do futebol de vanguarda praticado na Europa ocidental. Fossilizado em concepções há muito não mais praticadas no velho continente, foi alçado ao posto de liderança do time da CBF por figura patética – José Marin – e após um fiasco em sua passagem pelo Palmeiras em 2012.

Com práticas caducas e um esquema tático engessado, foi tratorado pela moderna seleção alemã, em pleno estádio do Mineirão. Em resposta ao massacre, apenas pode atacar e responder de forma arrogante aos questionamentos. 
"Tratorado pela moderna seleção alemã em pleno Mineirão"

Em outros lugares e épocas, Felipão teria sido ostracizado e uma profunda reformulação do futebol nacional teria sido levada a cabo. Não no Brasil. Como se não fosse o bastante a humilhação da goleada, o ex-técnico da CBF ganhou de prêmio o comando do Grêmio, sendo logo também demitido, após vexames contínuos. 

Retorna agora para ser campeão brasileiro no mesmo Palmeiras que afundara seis anos atrás. Seria, então, caso para se pensar numa possível melhora de Felipão, agora alçado ao lugar mais alto do futebol brasileiro. Longe disso, porém. 

Assim como no caso de Bolsonaro, penso que a grande questão sobre Felipão também seja entender como, afinal de contas, foi possível a um sujeito medíocre e historicamente superado chegar a um papel de destaque no país. Acredito que a resposta tenha relação a crise insolúvel da estrutura social e institucional brasileira, à qual as forças dominantes do país respondem com soluções de caráter retroativo, elevando personalidades ligadas às mentalidades do passado brasileiro. 

O Brasil encontra-se em situação de falência generalizada, falência de um modelo de reprodução social gestado após a ditadura militar e consolidado após o impeachment de Collor. Claramente tal modelo bateu no teto e seria necessário dar um salto adiante, rompendo o imobilismo estrutural e criando formas originais de sociabilidade.
"um sujeito medíocre e historicamente superado"
No entanto, forças do atraso brecam tal salto, impondo um custoso imobilismo. Numa tentativa de contornar o problema, tais forças recriam personagens e mentalidades já historicamente caducas, as trazendo para o centro da sociedade, como se fossem alternativas de mudança. E é isto que explica Bolsonaro presidente e Felipão campeão. 

No futebol e na política a crise gera um rebaixamento das perspectivas e lideranças. Embora possuam diferenças particulares, o essencial do problema nos dois âmbitos está no afastamento deles em relação à vida cotidiana do povo brasileiro. Futebol e política não possuem mais contato com interesses e aspirações populares. 

No caso da política, houve um profundo sequestro dos poderes institucionais por parte do grande capital, tornando o sistema impenetrável às demandas populares. Tal fato gerou descrédito do regime político e ampliou a sensação do cada um por si. 

Já no futebol, o processo de elitização e de subordinação colonial – fenômenos similares, cujo centro está na transformação do esporte em pura commodity – conduziu o outrora mais popular esporte nacional a uma situação de decadência. 
Vinícius Jr. agora está no Real Madrid e Maycon no Shakhtar

O Brasil virou mero fornecedor de pé de obra, exportando jogadores não apenas para o mercado europeu, mas também para países futebolisticamente inexpressivos, como Arábia Saudita, China, Emirados Árabes, Rússia, etc.

O resultado não poderia ser outro: transformado em simples produtor primário de jogadores e afastado do ethos popular, o futebol brasileiro definhou tecnicamente, passando a contar com jogadores de terceira categoria e refugos. A orientação do futebol nacional passou a ser exportar e não mais vencer. 

A Copa do Mundo mostra sem sombra de dúvidas a deplorável situação técnica do futebol brasileiro, onde mesmo contando com jogadores nos principais times da Europa, as comissões técnicas brasileiras não conseguem impor um esquema tático à altura dos padrões europeus e capaz de dar unidade aos díspares sistemas jogados por cada atleta em seus clubes, fazendo surgir, no máximo, um amontoado de estrelas e não um time de futebol. 

A mídia esportiva brasileira aponta corretamente o caráter tecnicamente inferior do futebol brasileiro, mas erra ao não descer aos níveis mais profundos, apontando o caráter estrutural do atraso técnico. Por estar também ela apegada à lógica colonial do futebol, não consegue perceber a natureza social do atraso brasileiro no esporte.  
Até no baixo clero da Câmara ele era figura secundária
A saída, então, acaba sendo apegar-se ao passado e partir para romantismos. É justamente o romantismo dos bons tempos uma das fontes de que se alimentam Felipão e Bolsonaro. Afinal, se o ponto é voltar-se ao passado, nada melhor que figuras que personificam o historicamente superado em carne e osso.

O baixo nível técnico do futebol brasileiro torna-se passarela para o desfile do jurássico Felipão, mais ou menos como faz Bolsonaro no mundo da política, no qual pode gabar-se de não ser corrupto, em um contexto dominado pela roubalheira generalizada. 

No fim, é o coroamento dos medíocres no império dos insignificantes. 

Na verdade, Felipão e Bolsonaro são sintomas simétricos – em suas respectivas áreas – do impasse social brasileiro diante da sua crise: incapaz de avançar para o novo, o país prefere recuar para o velho. O atraso está justamente em perceber o nível de rebaixamento vivenciado na vida política e esportiva, mas buscar sua solução não indo à frente, mas tentando trazer de volta o que já se foi. 

Para avançar, seria necessário romper com as forças do atraso, tomando uma decisão firme de modificar profundamente a realidade social brasileira, restaurando o futebol e a política para o povo brasileiro. Mas, isto, contudo, implicaria enfrentar poderosos interesses econômicos. (por David Emanuel de Souza Coelho)

quinta-feira, 26 de julho de 2018

FELIPÃO ABANDONOU O PALMEIRAS A CAMINHO DO REBAIXAMENTO. TRAZÊ-LO DE VOLTA SERIA O CÚMULO DA INCOERÊNCIA!

O Palmeiras é o clube brasileiro que mais grana tem para torrar, por conta dos aportes de uma financeira que, se cuidasse dos outros negócios como toca os esportivos, já teria falido há muito tempo.

E como o verdão torra! Contrata sem parar e sem projeto, de forma que possui jogadores muito caros em algumas posições, está mal servido noutras e o conjunto nunca dá liga.

Mas, a arrogância dos cartolas os leva a trocarem seguidamente de técnicos, como se fosse este o problema principal e não eles próprios, os cartolas...

Como bem lembrou Milton Neves, de 2015 para cá passaram pelo Palmeiras apenas os seguintes: Oswaldo de Oliveira, Alberto Valentim, Marcelo Oliveira, Alberto Valentim (novamente), Cuca, Eduardo Baptista, Cuca (novamente), Alberto Valentim (novamente) e, por último, Roger Machado, que acaba de ser demitido.

Quem encontrar alguma coerência nestas sucessivas escolhas será contemplado com uma vaga no hospício.

E eis que o Palmeiras cogita recorrer mais uma vez a Luiz Felipe Scolari, a quintessência do autoritarismo tosco e da incompreensão dos esquemas táticos atuais.
Decisão catastrófica de Felipão no 7x1: escalou Bernard porque... sonhara que ele nos daria a vitória! 
Já esteve lá em 1997/2000, antes da modernidade trazida pela revolução catalã, quando o estilo dos velhos boleiros transformados em treineiros ainda funcionava. Foi campeão da Copa do Brasil, da Libertadores da América, e perdeu o Mundial de Clubes para o Manchester United.

Voltou em 2010, totalmente ultrapassado, nada tendo conquistado de importante após o pentacampeonato pela Seleção Brasileira em 2002. Nos exatos 27 meses do infeliz retorno só conseguiu vencer novamente a Copa do Brasil. Teve um aproveitamento ridículo (52,5% dos pontos disputados) e largou a equipe quando esta marchava a passos largos para a 2ª divisão do Campeonato Brasileiro.
Por que abandonou o navio que afundava? Porque estava desmoralizado diante do grupo de jogadores. Acreditando que os maus resultados provinham dos programas noturnos dos atletas, vazou para uma ou mais maltas (elas chamam a si próprias de torcidas) organizadas o nome dos baladeiros do elenco, que, claro, foram devidamente importunados e intimidados. 

Para seu azar, os delatados ficaram sabendo, passando a considerá-lo um traíra. Outros jogadores o defendiam. O grupo rachou. E Scolari teve de escafeder-se na reta final da campanha que rebaixou o verdão, deixando-o sete pontos atrás do primeiro time fora da zona de rebaixamento

Parecia que, depois dessa, só lhe restava a aposentadoria. Mas, Ricardo Teixeira foi expelido da CBF por corrupção e outro autoritário & ultrapassado (José Maria Marin) assumiu a presidência, correndo a entregar o escrete para o Felipão. 

O resultado todos sabem: na Copa do Mundo de 2014, a seleção brasileira sofreu a pior goleada (7x1) de toda a sua história, que hoje é de 1.083 partidas disputadas ao longo de 104 anos. E o vexame ocorreu exatamente na semifinal de um Mundial que sediávamos!

De todas as besteiras cometidas pelo Palmeiras em sua fase de novo rico, a segunda volta do Felipão, se consumada, será a pior!
.
Atualização: como desgraça pouca é bobagem, o verdão dará mesmo ao técnico de Neandertal a oportunidade de:
  • mostrar às novas gerações como era o futebol no tempo em que se amarrava cachorro com linguiça (certeza):
  • levar nós táticos dos treinadores atualizados (certeza); 
  • sofrer goleadas vexatórias (tendência); 
  • mandá-lo de novo para a 2ª divisão (possibilidade).
Como os leopardos não perdem a pinta, a recontratação relâmpago evidencia que ele já estava acertado com o Palmeiras. Foi exatamente como agiu quando Mano Menezes era o técnico da seleção brasileira: negociou com os cartolas pelas costas de um colega, dando-lhes a certeza de que o poderiam demitir sem se preocuparem com a reposição. 

Num furo de reportagem, publicamos acima a imagem do recontratado chegando para assumir seu posto.

quarta-feira, 4 de abril de 2018

CORINTHIANS E PALMEIRAS SE REBELAM CONTRA O AUTORITARISMO DA INEFICIÊNCIA

Torcida corinthiana lotou a arena em novembro: emoção dos jogadores seria decisiva no dia seguinte
É deprimente e vergonhosa a postura de autoridades que  não cumprem seu dever de garantirem a segurança nos estádios esportivos e respectivas rotas de acesso, preferindo a solução cômoda de proibirem o ingresso de torcedores visitantes nos clássicos. 

Partidas com torcida única são uma aberração que só poderia ter saído da mente tacanha de burocratas empedernidos.
A justificada revolta de clubes e torcedores vem de longe

Ministério Público e Polícia Militar de São Paulo agora extrapolaram: até o comparecimento de torcedores nos treinamentos de Corinthians e Palmeiras estão tentando impedir! 

O alvinegro vem colhendo bons resultados ao abrir para os torcedores os treinos das vésperas de partidas decisivas e, como domingo (8) será a decisão do Campeonato Paulista, o alviverde resolveu fazer o mesmo.

A distância entre as duas arenas é de aproximadamente 25 km. Nada leva a crer que torcedores adversários se encontrarão pelo caminho, salvo na linha 3 do Metrô. Será tão difícil assim policiar umas poucas estações e uns poucos trens?

Felizmente, desta vez os dirigentes do Corinthians e do Palmeiras se rebelaram contra o autoritarismo da ineficiência e estão anunciando que vão realizar seus treinos exatamente como programaram. Com meus calorosos aplausos!
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