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sábado, 29 de novembro de 2025

APÓS DERROTAR O PALMEIRAS NAS DUAS PARTIDAS DO BRASILEIRÃO, FLAMENGO VENCE TAMBÉM NA LIBERTADORES

De Arrascaeta, o melhor jogador da decisão
e autor da assistência a Danilo.
O Flamengo nem sequer precisou de Pedro, o melhor centroavante brasileiro da atualidade, para vencer de novo o Palmeiras, desta vez por 1x0, e conquistar sua quarta Libertadores.

Foi um jogo chato, com poucas oportunidades de gol e apenas três finalizações no alvo, duas do Flamengo e uma do Palmeiras.

Para piorar, o título não foi decidido numa jogada trabalhada, mas por uma bola aérea. Castigo para Abel Ferreira, que insiste em manter o grandalhão Carlos Miguel no gol, embora Weverton seja muito melhor.

Assim, Rossi atuava em grande estilo, interceptando vários cruzamentos perigosos do ataque sem quaisquer outras ideias do Palmeiras, ao passo que Carlos Miguel ficou estático sob as traves enquanto Danilo cabeceava à vontade. Em seguida, ainda estático, foi a pessoa presente no Estádio Monumental de Lima que assistiu mais de perto à bola entrando.
Filipe Luís coleciona títulos como jogador e treinador 

Vale também ressaltar o nó tático que Filipe Luís deu no superestimadíssimo Abel Ferreira. Graças a ele, o Palmeiras não conseguiu jogar e bastou o Flamengo jogar um pouquinho para obter a vitória.

Impressionante a trajetória do catarinense. Campeão da Libertadores no sábado e do Brasileirão na próxima quarta-feira. 

É o melhor técnico em atividade no Brasil desde que Jorge Jesus voltou à terrinha, para, em seguida, ir fazer fortuna na Arábia. (por Celso Lungaretti)

quarta-feira, 6 de julho de 2022

CÁSSIO MOSTROU POR QUE É O MAIOR ÍDOLO DA FIEL EM TODOS OS TEMPOS

S
e ainda faltava algo para o gaúcho Cássio ser reconhecido como o maior ídolo do Corinthians em todos os tempos, agora é incontestável. 

Prestem  atenção: eu escrevi ídolo, e não jogador ou goleiro.

Pois ele não é, nem nunca foi, um craque comparável a Cláudio, Luizinho, Marcelinho Carioca, Neco, Neto, Rivelino,  Ronaldo Fenômeno e Sócrates, entre outros. 

E nem mesmo como goleiro  superou Gylmar e Dida, dois arqueiros com técnica mais apurada que a dele. Sempre lhe faltou, ao deixar a meta para interceptar cruzamentos, a mesma excelência que mostra defendendo os arremates contra seu gol.

Nas partidas mais difíceis, contudo, ele faz a diferença, graças a seus trunfos:
— é movido a adrenalina, então seus sentidos se aguçam, suas reações se tornam mais rápidas e ele fecha o gol nas partidas mais importantes;
— sabe aproveitar muito bem sua envergadura física, com 1,95m de altura e braços longos, o que intimida os atacantes (é comum errarem a meta de tanto que tentam tirar o chute do seu alcance);
— é um eleito dos deuses (e, como disse Nelson Rodrigues, "sem sorte não se chupa nem um [sorvete] chicabon, pois você pode engasgar com o palito ou ser atropelado pela carrocinha"). 

Assim, ao evitar com a ponta da unha um gol de Diego Souza na
Libertadores de 2012, ele se tornou o principal responsável pela conquista inédita do Corinthians, que dificilmente conseguiria, na meia-hora restante, furar a sólida retranca do Vasco e marcar os dois tentos que se tornariam necessários para seguir adiante na competição.

Depois, para garantir a festa do bando de loucos em Yokohama, Cássio foi simplesmente portentoso, fazendo defesas dificílimas, inclusive o milagre que impediu Cahill de abrir a contagem logo no início da partida, com o disparo à queima-roupa sendo interceptado quase em cima da linha. 

E a vítima daquela vez foi Fernando Torres, que pipocou nas várias chances que teve diante do gigante corinthiano. Dava a impressão de que, na hora de finalizar, ele via um Cássio de uns 3 metros de altura à sua frente....

E o que dizer das partidas decisivas do campeonato paulista de 2018, quando a semifinal contra o São Paulo e a final contra o Palmeiras foram ambas decididas nos pênaltis, com a estrela do Cássio brilhando mais uma vez?!

Contra o Boca Juniors na Libertadores 2022, Cássio voltou a ser decisivo, fazendo uma defesa impressionante em finalização de Benedetto na Neoquímica Arena e vencendo o duelo final contra o ótimo goleiro do time argentino, Rossi, quando a disputa da vaga foi para os pênaltis, após os 0x0 aqui e lá.

Cássio já havia pegado um e Rossi, dois (Benedetto chutara o seu nas nuvens), mas os cobradores tinham facilitado. Estava 5x5 nas cobranças alternadas. Aí Ramirez bateu com força e Cássio saltou como um gato para espalmar.  
Gil, com todo o peso da Nação Corinthiana nas costas, cobrou forte e no canto, mas Rossi quase opera um milagre. Quase. Encostou na bola, tirou-lhe a força, mas ela escorreu para as redes.

E daí? Era só uma partida de oitavas de final... 

Daí que, desfalcado como nunca, com quase um time inteiro no departamento médico, o Corinthians sobrepujou o temível Boca Juniors na Bombonera, algo que uma equipe brasileira não conseguia fazer desde o Santos de Pelé em 1963.  

E Cássio foi o principal responsável por todas essas conquistas, pois elas não teriam ocorrido sem ele tirar coelhos da cartola. Sendo que as duas de 2012 são simplesmente as maiores do Corinthians em seus 111 anos de história.

E a desta 3ª feira (5) se deu em sua 599ª atuação pelo timão, para que a fiel lhe preste homenagens inesquecíveis quando entrar em campo na próxima vez. 

[Já é o quarto atleta que mais jogou pelo Corinthians, devendo em breve superar as 602 partidas do também goleiro Ronaldo Giovanelli e as 606 do pequeno polegar Luizinho. Difícil mesmo será, com seus 35 anos, ainda ultrapassar as 806 de Wladimir, mas, com a estrela dele, tudo é possível...].

E pensar que há apenas três meses uns moleques que nada sabem de futebol nem da vida andaram ameaçando de morte o Cássio e sua família em razão de falhas menores em partidas menores! Deveriam é beijar-lhe as mãos santas... (por Celso Lungaretti)    

domingo, 24 de novembro de 2019

CAMPANHA DOS CRONISTAS ESPORTIVOS DE DIREITA NÃO DERRUBA TITE. E ELE PODE LIVRAR-SE DA NEYMARDEPENDÊNCIA

Bruno Henrique e Gabigol vivem momento mágico
O que todos comentam é a virada eletrizante do Flamengo sobre o rival argentino nos minutos finais da partida que decidia a Copa Libertadores da América.

O que não vi ninguém dizer é que o maior talento futebolístico surgido no Brasil desde Neymar cumpriu com louvor o seu rito de passagem e deve agora livrar Tite da incômoda dependência de um único e complicadíssimo fora-de-série.

Também nisto derrotamos a Argentina, que não tem, no horizonte visível, nenhuma revelação capaz de pôr fim à Messidependência. Só mesmo la pulga poderá levar os hermanos a conquistarem seu terceiro caneco em 2022; se ele estiver contundido ou sentir o peso da idade até lá, serão mais quatro anos na fila. Simples assim.

Já o Brasil, tudo leva a crer, superará com vantagem a Neymardependência. Bruno Henrique é também um fora-de-série, e solidário como a prima donna infantilizada nunca foi e jamais será, ainda que pare de se contundir a cada três meses e não se envolva mais em escândalos, reerguendo sua carreira das cinzas.
Tite poderá deixar de ser babá de marmanjo
A Conmebol, uma vez na vida, acertou: BH foi mesmo o melhor jogador desta Libertadores. 

Eu acrescentaria que, com sua jogada magistral no primeiro gol contra o River Plate, decidiu a final. Aberta a porteira entraria toda a boiada, até porque os argentinos, numa eventual prorrogação, estariam pra lá de inferiorizados, tanto na parte física quanto na anímica.

E o ganho para Tite não foi só este. Gabigol se afirmou como um goleador muito melhor do que Roberto Firmino, Douglas Costa e (o pior de todos) Gabriel Jesus. Com grande chance de vir a disputar a titularidade com outra auspiciosa revelação, o Rodrygo do Real Madrid.

Gerson também fez por merecer uma chance de mostrar seu futebol vestindo a amarelinha;  e Everton Ribeiro e Rodrigo Caio, de voltarem a fazê-lo. Os três nem de longe são inferiores aos atuais reservas (já BH e Gabigol estão um degrau acima, como fortíssimos candidatos à titularidade).

E, por falar em Tite, vou tirar um gênio da garrafa: a campanha infernal de parte da crônica esportiva contra ele tem tudo a ver com o ocupante do Palácio do Planalto ser hoje um reaça exacerbado.
Bozo adoraria que o técnico do escrete fosse seu correligionário

Durante todo o tempo em que trabalhei nas redações, os maiores focos da direita no jornalismo sempre foram as editorias de Polícia e de Esportes. Saí no fim de 2003, mas tudo indica que ainda o sejam, com algumas louváveis exceções.

O certo é que Tite assumiu a Seleção Brasileira quando, nas eliminatórias do último Mundial, estávamos fora da zona de classificação, com 9 pontos ganhos e ridículo aproveitamento de 50% dos disputados nas seis rodadas. Era grande o temor de que, pela primeira vez na História, não nos classificássemos para uma Copa.

Com Tite conquistamos 32 pontos em 36 possíveis (88,9%), um assombro! A campanha memorável encheu de esperanças o povo brasileiro.

Veio o Mundial e a base daquele escrete caíra acentuadamente de produção, seja por contusão (Neymar, Renato Augusto – Daniel Alves foi cortado antes) ou má fase técnica (Gabriel Jesus, Paulinho, Marcelo).
Tite também merece uma 2ª chance
Embora a desclassificação diante da Bélgica por 1x2 tenha sido um banho de água fria no entusiasmo recém-conquistado da torcida brasileira, uma análise isenta leva necessariamente à conclusão de que aquele escrete, mesmo com algumas alterações que Tite deveria ter efetuado (Gabriel Jesus, Fernandinho e Paulinho foram indefensáveis, os jogadores errados na partida errada), caso sobrevivesse às quartas-de-final, só passaria pelos franceses por milagre...

Desde então, a única competição importante disputada por Tite foi a Copa América – e o Brasil ganhou.

Os amistosos caça-niqueis continuaram sendo o que sempre foram, uma completa irrelevância em termos técnicos. Mesmo assim, os bolsonaristas da crônica esportiva satanizaram Tite tanto quanto puderam, num esforço concentrado para derrubá-lo antes das eliminatórias para a próxima Copa, que começarão no semestre que vem.

Face à inexistência de opções tão promissoras assim no Brasil (o mais cotado era o Renato Gaúcho, sobre cujo Grêmio o Flamengo do mister tem passado como um trator...) ou no exterior (os técnicos de ponta dificilmente aceitariam, Sampaoli foi muito pior do que Tite no último Mundial e nada conquistou no Santos, Jorge Jesus seria doido varrido se trocasse a condição de unanimidade no Mengão pela de incógnita na Seleção).

Tite, agora com um elenco bem melhor nas mãos, merece uma segunda chance, tanto quanto Telê Santana em 1986; e ainda é a nossa melhor opção, por mais ruídos que faça a charanga ultradireitista. (por Celso Lungaretti)
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