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quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

NO BRASIL VOCÊ PODE SER NAZISTA NA PRÁTICA, MAS NÃO NA TEORIA

Marco Antônio dos Santos, na Câmara do RJ com
bigodinho à moda de Hitler; e ao lado do outro mito.
O caso recente do apresentador do podcast Flow, um tal de Monark, o qual, juntamente com o deputado Kim Kataguiri, defendeu a existência de um partido nazista e o direito de ser antissemita, não é apenas mais uma amostra do flerte da nossa extrema-direita com o ideário hitlerista, é também prova da nossa duplicidade moral. 

Deixemos claro: a defesa da legalização de um partido nazista ou do suposto direito de alguém ser antissemita é um escárnio que deve ser rechaçado com veemência. 

O nazismo é uma ideologia política cuja única vocação é o extermínio de agrupamentos humanos. O livro Mein Kampft, atestado de nascimento do movimento, não titubeia em estabelecer a natureza organicamente genocida de seus objetivos. Assim, Kataguiri e o ex-apresentador do Flow merecem todo desprezo e rejeição de nossa parte. 

No entanto, também merecem desprezo e rejeição figuras que, embora não façam a defesa aberta do nazismo, se comportam na prática em consonância com ele. E que, inclusive, mantêm e mantiveram contatos com militantes neonazistas. 
  
O Bozo, feliz da vida, ao lado de Beatrix von
Storch, deputada neonazista da alemanha.
Falo aqui claramente do presidente Bolsonaro. O atual mandatário sempre manteve vínculos estreitos com o movimento neonazista, tendo havido inclusive manifestações públicas em seu favor, puxadas por tais militantes.

Este  vínculo foi igualmente estabelecido por uma 
pesquisadora que encontrou correspondências de Bolsonaro em sites neonazistas.

Aliás, não precisava de muita pesquisa para encontrar trocas de mensagens de Jair com neonazistas, já que em 2013 um desses aloprados foi preso em Belo Horizonte possuindo em sua casa uma carta enviada pelo futuro presidente. Até hoje não se sabe o teor da missiva, e possivelmente nunca saberemos. 

Para finalizar as muitas coincidências, o Jair chegou a posar para uma foto ao lado de um notório neonazista do RJ, aquele mesmo que causou estupefação ao comparecer na Câmara do RJ com bigodinho à moda de Hitler para acompanhar a discussão de um projeto do vereador Carlos Bolsonaro ...

Caso estas evidências não bastassem, bastaria analisar atentamente a prática e o discurso de Bolsonaro para identificar claramente a influência nazi. Seu discurso racista e xenófobo já mostra sua visão de um mundo comandado pela teoria do racismo. Seu slogan Brasil acima de tudo, Deus acima de todos é mero plágio do lema hitlerista Deutschland über alles.
 
Os skinheads o apoiavam já nos tempos de deputado 
Mas é na pandemia de covid-19 que veremos mais abertamente o pensamento nazista de Jair Bolsonaro. Sua ideia de deixar morrer os fracos por contaminação natural é uma paródia macabra do ideário nazista da nação forte, onde os fracos não têm vez.

O nazismo buscava submeter judeus e outros grupos minoritários para poder apoderar-se de suas propriedades e transforma-los em trabalhadores escravos. O remake bolsonarista visou sacrificar negros e pobres ao vírus para manter o lucro da burguesia brasileira intacto. 

No entanto, mesmo diante de todos os vínculos e semelhanças de Jair Bolsonaro com o nazismo, ele foi aplaudido de pé no Clube Hebraica enquanto arrotava comparações racistas a respeito dos quilombolas. E não perdeu nem um só apoio entre os grandes empresários da comunidade judaica. 

Tampouco foi apeado do poder após matar com o vírus cerca de 1 milhão de brasileiros – pelos dados mais realistas – de forma consciente e deliberada.
         Até na Hebraica ele fez campanha...

Já Monark foi estraçalhado por defender na teoria que seja dado direito de voz aos nazistas. Noutras palavras, foi condenado por defender que o bolsonarismo saía do armário com sua ideologia nazista. 

Ora, diante disso tudo, só posso concluir que no Brasil o nazismo é aceito na prática, desde que se evite explicitá-lo na teoria. 

Ou seja, você pode viver de modo nazista, só não pode verbalizar o seu nazismo.  (por David Emanuel Coelho

quinta-feira, 29 de julho de 2021

DE JAIR BOLSONARO PARA OS NEONAZISTAS: "VOCÊS SÃO A RAZÃO DA EXISTÊNCIA DO MEU MANDATO". (ALGUÉM DUVIDAVA DISTO?)

Em Israel, visitando o muro das lamentações. Será que, como no Brasil,
o que ele lamenta é o fato de os nazistas não terem matado mais gente?

PESQUISADORA ENCONTRA CARTA DE BOLSONARO
PUBLICADA EM SITES NEONAZISTAS EM 2004
Foi por acaso que a antropóloga Adriana Dias encontrou provas de que neonazistas brasileiros apoiam Jair Bolsonaro há pelo menos 17 anos.

Dias estava em casa se preparando para uma palestra e precisou consultar uma parte do vasto material que armazena em Campinas, onde vive e trabalha. Há 20 anos pesquisando a movimentação de grupos neonazistas no Brasil, a professora da Unicamp pediu para que o marido buscasse um site que ela havia fisicamente impresso no longínquo ano de 2006.

Doutora em antropologia social, Dias já imprimiu milhares de páginas de dezenas de sites neonazistas em língua portuguesa – isso antes de derrubá-los para sempre. Adriana Dias é uma caçadora digital de nazistas.
Quem não te conhece, que te compre

Sempre que encontra um desses sites, ela pede aos provedores para que o conteúdo seja tirado do ar. Antes, no entanto, imprime todas as páginas para arquivar em sua pesquisa e tê-los como prova.

"Eu abri em uma página aleatória e ali estava o nome de Jair Bolsonaro."

O material é uma prova irrefutável do apoio de neonazistas brasileiros a Bolsonaro quando o hoje presidente da República era apenas um barulhento e improdutivo deputado. A base bolsonarista é, há quase duas décadas, composta por neonazistas.

Três sites diferentes de neonazistas trazem um banner com a foto de Bolsonaro – com link que leva diretamente ao site que o político tinha na época – e uma carta em que o parlamentar afirmava: .

"Ao término de mais um ano de trabalho, dirijo-me aos prezados internautas com o propósito de desejar-lhes felicidades por ocasião das datas festivas que se aproximam, votos ostensivos aos familiares".

O melhor vinha depois:.

 "Todo retorno que tenho dos comunicados se transforma em estímulo ao meu trabalho. Vocês são a razão da existência do meu mandato."

Nós não conseguimos descobrir se Bolsonaro enviou a carta, via gabinete em Brasília, apenas para as pessoas que administravam os sites neonazistas. Mas uma coisa chamou atenção da pesquisadora Adriana Dias: a mensagem não foi publicada em canto nenhum da internet além dessas páginas.

Eu pedi para que nosso repórter em Brasília, Guilherme Mazieiro, fosse atrás da história.
Os diretores da Hebraica estiveram
confraternizando com o inimigo?

Ele conversou com um servidor de carreira que ocupou um cargo de comando na administração da Câmara para saber como a casa arquiva e-mails enviados e recebidos por parlamentares e como, eventualmente, poderíamos legalmente acessá-los
.

A fonte explicou que o conteúdo dos e-mails é tratado como informação pessoal e, portanto, não passível de ser obtido via Lei de Acesso à Informação, mas apenas em casos de decisão judicial, como busca e apreensão. A resposta foi confirmada em pedido de informação oficial que Mazieiro fez à Câmara. Mas o backup existe, segundo a fonte, desde 1995.

Tentamos também outro caminho. Há um processo na Justiça Federal em Minas Gerais sobre um neonazista preso por ter registrado, em foto, o momento em que ele simula o enforcamento um morador de rua. Durante a busca e apreensão em sua casa, policiais encontraram uma carta enviada a ele por Jair Bolsonaro. Tentamos acesso à carta, para compará-la àquela estampada nos sites neonazistas.

Mazieiro enviou e-mails em 29 de abril e 7 de junho ao procurador Carlos Alexandre Ribeiro de Souza Menezes para conversar. Não tivemos resposta. O processo corre no Tribunal Regional Federal da 1a Região, em Brasília. Em sigilo.

Jair Bolsonaro já elogiou as qualidades de Hitler, já tirou foto com sósia de Hitler, já disse que o holocausto poderia ser perdoado. Seu ex-secretário especial da Cultura reproduziu, no início de 2020, em discurso, falas, ambientação e postura, um vídeo copiando o político nazista Joseph Goebbels. Seu assessor especial, Filipe Martins, é réu por fazer um gesto de white power em uma sessão do Senado.
A neta do ministro do Hitler com o admirador nº 1 e
continuador da obra do Brilhante Ustra: par perfeito!

Na semana passada, Bolsonaro e vários membros de seu governo receberam sorridentes a deputada alemã Beatrix von Storch, do partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha, neta do ministro das Finanças de Hitler, o homem que liderou o confiscos dos bens dos judeus enviados para os campos de concentração e extermínio durante a ditadura do Partido Nazista.

Agora, tornamos público o fato de que neonazistas brasileiros apoiam Jair desde, pelo menos, 2004. 

Que não se trate isso mais como especulação, coincidência ou provocação. A base do bolsonarismo é nazista. E sabemos onde pode haver provas que confirmem a ligação do presidente com a ideologia de Hitler: basta que a Câmara dos Deputados abra seus arquivos – se não à população brasileira, a alguma autoridade interessado em rastrear o neonazismo por aqui – e que o procurador Carlos Alexandre Ribeiro de Souza Menezes preste contas de um processo fundamental para a história do país.

A bola está com Artur Lira e o com Ministério Público Federal. E com o Supremo Tribunal Federal, que já mandou investigar, no passado, ameaças à democracia brasileira. (por Leandro Demori, no Intercept Brasil)
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