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domingo, 3 de dezembro de 2017

JÁ ESTAMOS TESTEMUNHANDO O INÍCIO DOS ESTERTORES DO CAPITALISMO

DESSUBSTANCIALIZAÇÃO DO VALOR: O PRINCÍPIO DO FIM.

As mutações sociais históricas se processam de modo diferenciado com relação ao tempo médio de vida dos seres humanos; é por isto que as ações humanas muitas vezes não têm os seus reflexos vivenciados pelos que as causaram.

As verdadeiras revoluções comportamentais sociais correspondem às construções centenárias nas quais cada tijolo se soma aos milhões de tijolos acrescentados ao longo dos tempos por incontáveis gerações.

Cada passo dado, por mais imperceptível que seja em termos de significado social histórico, é uma contribuição silenciosa e definitiva para o avanço da roda da história (ainda que existam solavancos e retrocessos momentâneos, que fazem parte do itinerário humano). 

Neste sentido, uma descoberta científica, ainda que impulsionada por uma motivação econômica qualquer e, portanto, imanente à lógica da mediação social sob a forma valor, é também um passo dado no sentido da morte futura do capitalismo.  

A forma-valor se iniciou formalmente há cerca de 2.700 anos na Grécia, com a primeira mercadoria eleita como referência para a aquisição de todas as outras mercadorias no processo de troca quantificada, escambo, embrião do valor (que é diferente da troca do simples excedente de produção, sem quantificação de valor), tal qual um ser humano quando nasce, iniciou ali a sua caminhada para a morte, na razão direta de ser tal mediação social um fato histórico, não ontológico da nossa existência.   
Adam Smith: o egoísmo como motor do progresso.
Adam Smith, tido como o pai da economia moderna, entendeu, equivocadamente, a criação da mediação social sob a forma-valor como um dado ontológico da vida social, a ponto de considerar o trabalho produtor de valor tão indispensável para o ser humano como a satisfação das necessidades biológicas; e até mesmo como um ato de dignificação da condição humana! 

Não o é, absolutamente.  Pelo contrário, não passa de uma forma de escravização! 

Coube a Karl Marx, um século depois, desmistificar tal conceito, embora a teoria da crítica da economia política de Marx tenha soado para muitos (e ainda hoje soe, embora venha sendo ressuscitada atualmente) como um disparate.

A História praticamente se repetiu. Galileu Galilei, quando proclamou a heresia de que a Terra era redonda e girava em torno do sol, foi obrigado a renegar as suas afirmações para não morrer no fogo da nada Santa Inquisição

Marx, pelo menos, jamais teve de recuar de suas posições corretas, mas não escapou da estigmatização e satanização por parte daqueles que acreditavam e acreditam ser eterno, indispensável e único o modo de produção capitalista
O veredito da História  está sendo dado agora

Embora o avanço tecnológico que nos proporcionou as melhoras coletivas de vida tenha sido impulsionado pela guerra de mercado, trata-se, paradoxalmente, de um benefício advindo de uma negatividade intrínseca (que é a própria essência do sistema produtor de mercadorias e do mercado). Das guerras também decorrem avanços tecnológicos...

É no mercado que as mercadorias se digladiam em busca da própria hegemonia, com uma mercadoria ganhando vida em detrimento das outras que morrem, num exemplo micro-celular da essência belicista do capitalismo, a qual tem provocado o maior genocídio desde que se iniciou o itinerário humano sobre a face da Terra.

Trata-se de uma contradição  das mais emblemáticas:
— de um lado, o avanço tecnológico aplicado à produção de mercadorias implica um novo nível de produtividade, capaz de tornar o trabalho produtor de valor (trabalho abstrato) apenas marginal na produção de mercadorias; 
— de outro, como o valor das mercadorias nada mais é do que trabalho abstrato nelas cristalizado, objetivado, isto significa dizer que a eliminação do trabalho abstrato equivale à inviabilização da produção de um volume de valor global suficiente para irrigar o organismo social, retirando oxigênio dos dois maiores parasitas do capitalismo, o Estado (seu guardião) e, principalmente, o capital fictício (que vive de cobrar juros pelo empréstimo da mercadoria dinheiro, apostando nos lucros futuros da economia real). 
Quem encontrar um ser humano nesta foto receberá um livro do Adam Smith como brinde...
Resumo da ópera: o avanço tecnológico da robotização da microeletrônica, que dispensa custos com trabalho necessário (aquele remunerado ao trabalhador), representa a dessubstancialização do valor das mercadorias e, com ela, o emperramento de toda a engrenagem social erigida sob sua lógica destrutiva e autodestrutiva. Este é o paradoxo entre o bem e mal dos ganhos do saber tecnológico sob a égide do capital.
  
Tal fenômeno, cada vez mais agressivo, significa que o motor da História ganhou velocidade, com cada ano hoje vivido correspondendo a milhares de tijolos colocados imediatamente no tempo da construção histórica da transformação social. Já estamos, portanto, presenciando o início dos estertores do capitalismo.
  
O dito herege Marx, o esotérico, antimarxista, estudando o núcleo essencial da forma-valor, pôde desvendar a contradição essencial da dinâmica capitalista, vaticinando, há cerca de 160 anos, o seu fim irremediável por suas próprias contradições. 
160 anos depois, previsões de Marx começam a se confirmar
Desmentiu, portanto, o sábio Adam Smith, ao afirmar (*) que: 
"... Caso se conseguisse, com pouco trabalho, transformar carvão em diamante, o valor deste poderia cair abaixo do dos tijolos. Genericamente, quanto maior for a força produtiva de trabalho, tanto menor o tempo de trabalho exigido para a produção de um artigo; tanto menos for a massa de trabalho nele cristalizada, tanto menor o seu valor. 
Inversamente, quanto menor for a força produtiva de trabalho, tanto maior o tempo de trabalho necessário para a produção de um artigo, tanto maior o seu valor. A grandeza do valor de uma mercadoria muda na razão direta do quantum e na razão inversa da força produtiva do trabalho que nele se realiza..." 
OS GIGANTES TÊM PÉS DE BARRO

No início de 2008 –antes, portanto, da crise do subprime (aquela das bolhas do sistema financeiro, que eclodiria nos Estados Unidos, com reflexos mundiais, no semestre seguinte)–, foi publicado no jornal O Povo, de Fortaleza um artigo no qual demonstrei a insustentabilidade do aparentemente forte poderio do capital em face do processo autodestrutivo do próprio capital, que agora volta a se intensificar.
"Estourei a banca!"

Vale a pena reproduzir, na íntegra, aquele artigo, até para confrontá-lo com os acontecimentos seguintes:

"Os sintomas de debacle mundial do sistema produtor de mercadorias são evidentes, prenunciando uma crise que já atinge os Estados Nacionais e deverá provocar uma hecatombe no sistema financeiro internacional. A crise da produção industrial de mercadorias, atividade produtora de valor e mais valia, arrasta gravemente o Estado e o capital financeiro. 

Os sintomas mais evidentes desse quadro são os resultados financeiros de grandes e tradicionais impérios industriais mundiais que apresentam consideráveis prejuízos nos exercícios financeiros mais recentes. Vejamos os exemplos:

 a General Motors, nascida há exatos 100 anos nos Estados Unidos e difusora do way of life automobilístico mundial, apresentou no exercício de 2005 um prejuízo de cerca de US$ 5 bilhões, algo bastante significativo se levarmos em consideração que o valor de mercado do grupo está orçado em US$ 10,6 bilhões. A empresa ameaçou falir, simplesmente, e com isto arrastaria um universo de atividades econômicas, financeiras e industriais que lhe são atreladas;

 a Ford apresentou o seu pior resultado em 103 anos de existência, com prejuízo no exercício de 2006 da ordem de US$ 13 bilhões, demissões em massa e o fechamento de fábricas nos Estados Unidos;
"consideráveis prejuízos nos exercícios financeiros recentes"
 a Mitsubishi japonesa apresentou prejuízo de US$ 4,4 bilhões no exercício de 2004 e a Volkswagen alemã, em meio a denúncias de corrupção, também teve um desemprenho bisonho em 2005. 

O avanço das empresas asiáticas no setor e o crescimento industrial chinês, antes de representar vigor capitalista, significam a dessubstancialização do valor, com produção de alta tecnologia (ou não) sempre com mão-de-obra barata, além de ser insubsistente, porque dependente de um mercado externo cujo limite está previamente estabelecido. É o chamado crescimento para baixo, como se fora rabo de cavalo. 

A forma material concreta da produção mercantil entra em contradição flagrante com o limite de sua lógica abstrata. 
         
A consistência de uma teoria crítica afirma-se quando não se tem de corrigi-la a qualquer tempo e, mais consistentemente, quando ela se afirma com mais substância ao longo do tempo. A teoria critica da economia política de Karl Marx, que orienta os nossos escritos e avaliações, tem esta força argumentativa, ainda que ela contrarie interesses mesquinhos ou dogmáticos". (por Dalton Rosado)

* Karl Marx, O Capital – Crítica da Economia Política, Livro 1º, 4ª edição, 1890.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

A CENSURA VESTE TOGA

Leio no noticiário desta 5ª feira (31) que o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral, corrupto com carteirinha assinada que está merecidamente mofando na prisão, foi proibido de conceder entrevistas à imprensa pelo Tribunal Regional Federal do Rio.

Cabral é um exemplar paradigmático da fauna que o jurista Edwin Sutherland catalogou como criminosos do colarinho branco: trata-se de "uma pessoa respeitável, e de alta posição (status) social de Estado", que cometeu crimes "no exercício de suas ocupações". 

Evidentemente, não tenho por ele o mais remoto apreço. Discordo, contudo, de que seja tratado como cão feroz no qual se põe focinheira, pois é o primeiro passo na estrada de sua anulação como indivíduo e como cidadão; o último, claro, será abaterem-no como cão raivoso. Mesmo sendo improvável tamanho retrocesso nos dias de hoje, todo cuidado é pouco num país que passou mais de um terço do século passado sob ditaduras!

E é simplesmente chocante a justificativa do juiz Marcelo Bretas, de que não haveria "interesse público na concessão da entrevista do ora custodiado".

Ora, o verdadeiro interesse público é de que haja transparência nessas situações, caso contrário um prisioneiro poderá estar sendo silenciado apenas e tão somente para não revelar informações melindrosas que detenha. Ditaduras agem assim. O Brasil jogou sua última na lixeira da História, há mais de três décadas.

Quem delegou ao juiz Bretas a função, inexistente à luz da Constituição Brasileira, de censor? Ninguém! É inaceitável que ele se arrogue a decidir que as declarações de Cabral serão contrárias ao interesse público antes mesmo de o prisioneiro proferir uma única palavra. 

Sabe-se lá se tem bola de cristal ou, apenas, autoritarismo entranhado. O que não podemos é admitir o restabelecimento da censura prévia, uma erva daninha que acreditávamos ter extirpado para sempre!

Se é extremamente discutível o tal interesse público a que recorre o magistrado para defender o indefensável, não há dúvida nenhuma de que há interesse do público em conhecer o que Cabral tem a dizer, caso contrário veículos da grande imprensa não o estariam procurando. 

São empresas jornalísticas que conhecem muito bem as regras do jogo e certamente gravarão a entrevista, só colocando-a no ar depois que suas áreas jurídicas passarem um pente fino nas falas de Cabral, excluindo qualquer afirmação que configure incitação ao crime, difamação, calúnia, etc.

Mas, se Cabral for revelar fatos novos que impliquem outros corruptos ou, digamos, alegar ter sido feito de bode expiatório, apontando os verdadeiros responsáveis por delitos a ele imputados, o interesse público não será contemplado calando-o, mas sim permitindo que fale. 

Afinal, o mar de lama que o noticiário nos atira na cara desde 2004 nos leva a suspeitar de tudo e de todos; a mordaça em Cabral necessariamente será interpretado pela maioria das pessoas bem informadas como acobertamento. Duvido que deixar que fale, nas atuais circunstâncias, cause mais danos do que permitir que fale, meritíssimo!

Por último, é patética a alegação do relator do caso, desembargador Abel Gomes, de que a Justiça deva proteger o acusado "contra qualquer forma de sensacionalismo". 

Nem Cabral se tornou, da noite para o dia, um incapaz a ser tutelado, nem cabe a desembargadores decidirem com base em meras suposições. 

Quem lhe garante que o tratamento da entrevista será sensacionalista? Será que ele viu isto na mesma bola de cristal do juiz Bretas?

Censura nunca mais!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

NERO DO SÉCULO 21: O QUE FARÁ TRUMP ENQUANTO O MUNDO ARDE EM CHAMAS? TOCARÁ TROMPA?

DONALD TRUMP E A EVIDÊNCIA 
DO DESASTRE MUNDIAL
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"A verdade não resulta do número dos que nela creem"
(Galileu Galilei, físico italiano do século 17) 
Quando ruiu o muro de Berlim em 1989, a ideia era de que o capitalismo liberal finalmente havia trinfado sobre o socialismo real, colocando por terra a crítica marxista. Predominava, mais uma vez, a superficialidade coletiva sobre a natureza das relações sociais mercantis e sobre o conhecimento da teoria do próprio Marx pelos marxistas e seus opositores.  

Da mesma forma, setores majoritários (ou, no mínimo, bastante expressivos) da sociedade associam a vitória de Donald Trump ao triunfo do capitalismo, sentindo-se autorizados a contrariar qualquer defesa de posturas humanistas, tradicionalmente anticapitalistas, tais como a solidariedade social; a luta contra o aquecimento global e poluição do planeta; o acolhimento aos imigrantes fugidos da guerra, da fome e das falências dos estados nacionais; o apoio às greves dos trabalhadores empregados e movimento dos desempregados; a proteção dos direitos dos segmentos socialmente segregados como gays, negros, mulheres, etc. 
Queda do muro: fim do socialismo real e da guerra fria.

Estes dois acontecimentos recentes significam justamente o contrário do que aparentam ser. 

O muro de Berlim ruiu sem um tiro sequer, da mesma forma que a União Soviética se desintegrou, simplesmente porque o capitalismo de Estado impunha um critério de globalização da economia de mercado que não permitia a vida mercantil intramuros então praticada nessas regiões. 

Não é que o capitalismo liberal haja vencido o socialismo real (este último igualmente capitalista, tendo apenas uma feição política diferenciada), mas sim que ambos experimentam o fenômeno da convergência de comportamentos diante do limite interno da capacidade de expansão dos mercados sem a qual desaba todo o aparentemente sólido edifício capitalista. 

Donald Trump é a imagem de um país tradicionalmente orgulhoso de sua supremacia econômica, mas temeroso da realidade e que vê os seus empregos desaparecerem na globalização da produção de mercadorias, pois o capital migra em busca de trabalho abstrato barato para fazer face à concorrência de mercado sob a qual erigiu o seu edifício portentoso. Os Estados Unidos, um país endividado que se mantém pujante graças aos artificialismos da emissão de moeda sem lastro e do próprio endividamento, é uma bomba relógio prestes a explodir. 

Neste contexto, Donald Trump, com seu discurso xenófobo, racista, nacionalista e protecionista, representa uma fuga kamikaze pra frente. A economia mundial decadente, mais do que nunca, precisa da interação econômica entre as nações como forma de sobrevida, enquanto Trump vai na contramão desta necessidade; portanto, tudo leva a crer que logo os fatos demonstrarão a pequenez do discurso oportunista (desconfio que ignorante) com o qual seduziu um eleitorado igualmente desconhecedor da natureza da crise.
Assim, Trump, ao invés de significar o triunfo do capitalismo, representa justamente os últimos suspiros de um moribundo, que busca na irracionalidade desesperada uma saída que só aumenta o seu infortúnio, pois, como dizia Robert Kurz, “há uma contradição lógica e estrutural entre economia nacional e mercado mundial”. O discurso nacionalista de Trump é insustentável dentro da própria lógica capitalista.   

Mas a queda dos Estados Unidos é indesejada pelo mundo capitalista, aí incluída a China, detentora de reservas cambiais em dólar estadunidense e que tem nos EUA o seu maior comprador de mão única. O mundo capitalista não resistiria à falência de sua nação mais poderosa, razão pela qual dará sustentação a tal gigante de pés de barro por aparelhos. 

Mas esta sustentação artificial tem custos sociais elevados. O mundo assiste, perplexo, à progressão da crise econômica mundial: 
  • os Bric's, outrora ilhas de prosperidade, patinam (caso do Brasil e da Rússia, além da queda vertiginosa do crescimento do PIB da China);
  • vários estados africanos se dissolvem, transformando-se num turba de traficantes da guerra, de milícias étnicas, de máfias de bandidos (que agem com métodos primitivos os mais bárbaros) e de fundamentalistas religiosos.
Uma nova diáspora mundial está em curso em várias regiões e pelos mesmos motivos: a incapacidade de produção de mercadorias em níveis de produtividade compatíveis com a concorrência de mercado e a inviabilidade da vida social pela mediação do dinheiro.

O mercado agoniza, e com ele a política e o Estado capitalistas. Mas, infelizmente, predomina o medo do novo (no caso, um modo de produção que sepultasse de vez o mercado). É que tal transição significa a negação de tudo que está posto, afetando os interesses de quem detém as rédeas do poder econômico ou é a ele submisso.  

Que reação podemos esperar de um Donald Trump, se lhe dissermos que temos de doravante produzir para a satisfação das necessidades humanas e não para a maximização dos lucros empresariais? Pois bem, este homem vai comandar o maior arsenal bélico do mundo e, evidentemente, seu primeiro impulso será sempre usar a razão da força ao invés da força da razão. Defenderá seus interesses, que são intrinsecamente genocidas. 

Mas este confronto épico entre, de um lado, a irracionalidade do sistema produtor de mercadorias e seus defensores ora no poder, no ápice de suas contradições internas; e, do outro, a forma de produção que negue a riqueza abstrata concentrada em benefício da riqueza material socializada, está agendado. Teremos de enfrentá-lo, queiramos ou não. 
No Brasil vivemos a explicitação da crise política causada pela insustentabilidade econômica de um país periférico, o que assanha os interesses de políticos ansiosos por se servirem do estado; isto, ao invés de capacitar o Estado para cumprir suas funções estratégicas de salvação do sistema capitalista, torna-o frágil para tal desiderato. Sem o quererem, contribuem para o fim inevitável deles mesmos.  

No atual quadro de escassez, as instituições se digladiam na defesa de interesses corporativos, sem compreenderam a verdadeira natureza funcional da vida mercantil no seu estágio de inviabilidade de mediação social. Há furos por todos os lados, o barco faz água e surgem muitos pretendentes a heróis salvadores da pátria que não passam de pigmeus da vida social (que me perdoem os pigmeus de verdade, cuja estatura humana é bem maior...).         

Saberemos superar tudo isso sem que haja uma hecatombe bélica mundial? Esta é a pergunta que não quer calar. (por Dalton Rosado)

sábado, 17 de setembro de 2016

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO DO ENFERMO PODE CURÁ-LO DO CÂNCER?

Por Apollo Natali
A antiga máxima, mente sã em corpo são, já sugeria que a boa saúde física depende de sentimentos e ações equilibradas. Mas, há quem tenha aprofundado o assunto, não só falando sobre uma possível ciência dos sentimentos e ações, como apresentando provas de que algumas emoções e comportamentos podem até causar tumores cancerígenos. Ou curar enfermidades.

O médico e pesquisador alemão Ryke Geerd Hamer garante: um trauma que provoque um sentimento de perda irremediável, impossível de ser compartilhado com alguém (como a perda de um filho, p. ex.), eventualmente desencadeia a moléstia. Sua esposa, já falecida, contraiu câncer após a perda de um filho pelo casal; e o dr. Hamer também, depois da morte da mulher. Importante: a cura, nestes casos, dependeria da superação do trauma, de acordo com o médico.

A Teoria de Hamer foi rejeitada pela academia, os pares o execraram, seu diploma foi cassado e depois sofreu perseguições sob o pretexto de estar exercendo ilegalmente a medicina, constou da lista dos procurados pela Interpol e chegou até a ser encarcerado. 

Não faz mal. O padre brasileiro Bartolomeu Lourenço de Gusmão foi chamado de bruxo e queimado vivo em Portugal por ter inventado o balão. O jesuíta Roberto Landell de Moura, também brasileiro, inventou o rádio antes de Marconi e estava perto de consumar a invenção da TV, mas caiu também na mira da Igreja Católica, que confundia ciência com feitiçaria. Também Freud, Einstein, Pasteur, Galileu Galilei e outros grandes vultos foram desacreditados ao publicarem suas descobertas. 
Teorias do dr. Hamer geram  muitas controvérsias
Hamer enfrenta, ainda, a circunstância de que todo avanço científico é submetido a uma quarentena, até sua eficácia ser definitivamente. comprovada. As vaias que recebeu tendem a ser esquecidas em breve, e sua teoria resgatada. O seu calvário é conhecido no mundo como O caso Hamer.

A novidade na teoria e na terapia proposta pelo médico alemão é representada pelo que ele chama de regra inflexível do tumor, formulada depois de uma longa pesquisa que desenvolveu numa clínica universitária alemã. Segundo Hamer, o câncer resultaria de um conflito traumático, agudo e dramático, impossível de ser dividido com outra pessoa. 

A cada conflito corresponderia um tipo de tumor e em cada caso específico se formaria, no cérebro, um nódulo, que ele chama de foco de HamerO conflito se verificaria em três níveis, segundo suas convicções: na psique, no cérebro e em algum determinado órgão. Ele denomina tal hipótese de síndrome de Hamer

Para a ciência, o cérebro é desconhecido e incompreensível, mas ela admite que o dito cujo comanda os outros órgãos do corpo. Está aí uma coincidência com a teoria de Hamer.

“Existe uma exata correspondência entre o transcurso do conflito, a evolução do tumor e o foco de Hamer no cérebro”, diz o pesquisador em seu livro Gênese do Câncer. O conflito atua de modo sincronizado com a psique, o cérebro e o órgão afetado, acrescenta ele.
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TRAUMA CAUSOU FRIGIDEZ E TUMOR NUMA PACIENTE
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Obrigaram-no a fechar sua clínica em 1985
É marcante na teoria do dr. Hamer a garantia de cura: 
"Do mesmo modo, a superação do conflito envolve a tríade psique, cérebro e órgão. Resolvido o conflito, o foco de Hamer se regenera com a consequente formação de apenas um entumecimento em torno das células cancerosas, cuja proliferação anárquica era devida a um erro de codificação do cérebro".
O caso de uma paciente que contraiu câncer depois de um trauma e se curou com a substituição da emoção e uma nova postura, é narrado pelo dr. Hamer:
"Mãe de quatro filhos, a senhora M., professora de jardinagem, recebeu um profundo choque em 23 de setembro de 1982, quando seu marido, com quem andava perfeitamente de acordo, declarou, depois de uma noite particularmente feliz, a sua surpresa ao constatar que ela desse tanta importância ao ato sexual. 
Esse modo de ridicularizar o que para ela era sacrossanto, esta bofetada moral que recebeu, transtornou-a, deixando-a totalmente frígida. Depois deste choque (a Síndrome de Hamer), que a deixou deprimida, a senhora não conseguiu mais manter relações sexuais com o marido e não demorou para que se separassem. 
Em julho de 1983, o trauma foi solucionado quando a paciente descobriu, com grande surpresa, que se dava bem com outro homem. Depois da solução desta situação conflituosa, o câncer instalado no colo do útero, que progredia há nove meses, regrediu e, ao mesmo tempo, voltaram as regras".                   
FILOSOFIA, RELIGIÃO E SABEDORIA POPULAR

Espinosa foi um dos grandes racionalistas do século 18
O filósofo judeu-holandês Baruch Espinosa elaborou, em meados do século 17, uma tabela relacionando emoções com problemas de comportamento, bases filosóficas das emoções e respectivas conseqüências. Para cada grupo de emoções há o que ele chama de Estimulo Emocionalmente Competente (EEC).  Exemplos de Espinosa:  
  • Embaraço, vergonha, culpa: problema de comportamento. Conseqüências: policiamento das regras de comportamento social. Base filosófica desta emoção: medo, tristeza, tendências submissas; 
  • Desprezo, indignação: violação de normas de conduta por parte de outra pessoa. Conseqüências: punição da violação com policiamento das regras de comportamento social. Base filosófica desta emoção: nojo, zanga; 
  • Simpatia, compaixão: sofrimento do outro indivíduo. Conseqüências: conforto, reequilíbrio do outro ou do grupo. Base filosófica desta emoção: apego, vinculação.
O médico Rubens Cascapera Jr., palestrante freqüente sobre O caso Hamer, cuja teoria aceita plenamente, vem procurando identificar, na prática médica diária em seu consultório na zona leste de São Paulo, emoções negativas ou positivas derivadas de comportamentos que resultam em benefícios para a saúde ou em determinadas enfermidades. “A doença me parece, às vezes, consequência da filosofia de vida do paciente. O perdão a tudo, a todos e a si mesmo e o acolhimento inteligente dos percalços da vida podem ser uma terapia eficaz”. 
As pessoas podem atrair os males os males que temem

O mesmo acontece com o médico Joel Beraldo, em seu trabalho na zona sul. Após a consulta e o receituário, ele procura identificar, em breve conversa com seus pacientes, os problemas que lhes causam sentimentos de ansiedade, angústia, tristeza, mágoa, ressentimento e o resultado dessas emoções que agridem de algum modo o corpo físico.”Procuro convencê-los de que uma mudança de comportamento pode ajudá-los na cura.”

Comportamento amoroso como terapia é sugerida por Nise Hitomi Amaguchi, doutora pela Faculdade de Medicina da USP, presidente da Sociedade Paulista de Oncologia Clínica e diretora do Instituto Avanços em Medicina: “Costumo dizer a meus pacientes e familiares que, para o amor, não existe tempo nem espaço. Vivendo bem o presente, diminuindo as buscas desnecessárias por poder, posses e prestígio, podemos alavancar o melhor de nós mesmos, inclusive superando as doenças que já temos. Com bom cuidado, mais exercícios, dieta saudável, não fumando e não bebendo, com mais amizade e solidariedade, talvez possamos ficar menos doentes e a nossa morte vir na hora certa.”

Explicação religiosa sobre o mecanismo de evitar doenças ou curá-las é com a advogada Olívia Souza. Diz a oradora e estudiosa do espiritismo, que esta religião admite a existência de um corpo sutil que liga o corpo material ao espírito. Por uma lei chamada de causa e efeito, cada ação má, crime, mau comportamento, vícios, deixa gravado neste corpo espiritual o total de tal comportamento. As conseqüências são sentidas de imediato, no ritmo do mau comportamento e também em vida futura. Na reencarnação, diz Olívia, um alcoólatra, p. ex., terá no novo corpo problemas no fígado.
Mau comportamento afetaria existência futura
“O homem transita entre as próprias criações”, exemplifica a oradora, citando um preceito da religião espírita, que vê o homem codificando em saúde ou doença o seu comportamento. Olívia interpreta as palavras de Jesus quando curava – vai e não peques mais – como uma recomendação de um novo comportamento, honesto e positivo, diante da vida. 

Até incontidos desvarios íntimos podem ser corrigidos com a busca de um idealismo superior, asseguram pensadores espíritas. É consenso entre os espíritas que todo processo de cura passa pela renovação do pensamento.

“O bem é a única diretriz para a saúde integral”, sentencia o médium Divaldo Pereira Franco, que já deu mais de 13 mil conferências em mais de 2 mil cidades de 64 países nos 5 continentes. Sua entidade educacional e assistencial, Mansão do Caminho (em Salvador, BA), atende milhares de pessoas carentes, inclusive a 3 mil crianças e jovens, diariamente. O bom comportamento de Divaldo lhe dá boa saúde: adotou legalmente mais de 600 filhos, que já lhe deram mais de 200 netos e bisnetos.

Uma das explicações espíritas sobre as doenças sugere motivações psicológicas: se alguém dirige a sua vontade para a simples ideia de doença, a moléstia lhe responderá ao apelo. Tal sugestão sintoniza-se com a região orgânica mentalizada. As entidades microbianas que habitam os corpos obedecerão às ordens mentais, formando no corpo a enfermidade idealizada. Pensou, aconteceu. Não pensou, não aconteceu. É a doença codificada pelo cérebro. Trata-se, neste caso, do denominado pensamento enfermiço. Mudar o rumo do pensamento é preciso.

Uma indicação de que o comportamento amoroso pode ser eficaz processo terapêutico, segundo os espíritas, está contida na frase bíblica do apóstolo Pedro: “O amor apaga multidões de pecados”, disse ele, fazendo do termo pecado um sinônimo de comportamento inadequado.
Alfeu Ruggi: controlar a ansiedade.

Esta conversa está parecida com a pregação do padre Antonio, do Colégio Dom Bosco, no bairro paulistano da Mooca.  Ele também fala sobre a existência, em nós, de um disco virgem, onde são gravadas nossas diabruras. Então, obriga os meninos a assistirem missa antes de jogarem futebol e, na preleção, explica que Deus tem um livrinho no qual registra todas as nossa ações. ‘Deus nos castiga pelo nosso comportamento e nós vamos pagar por ele, já a partir de agora e no futuro”, garante o sacerdote católico.

Medicina chinesa também relaciona emoção e comportamento com doença e cura, segundo Alfeu Ruggi, mestre em tai chi chuan e terapeuta de atletas que praticam o wu chu, um rosário de algumas centenas de tipos de lutas marciais chinesas:  “Alguém ansioso vai respirar mal, irá mal da bílis, das vistas, do sistema neurovegetativo. Um violento poderá sofrer paralisias e convulsões.” 

A prática do tai chi chuan, segundo Ruggi, elimina sentimentos e reações negativas e sedimenta o hábito do não importa, diante da maioria dos nossos problemas. Mestre Ruggi, que tinha úlcera grave quando iniciou os treinos dessa arte que estimula comportamentos pacíficos, está curado. “Não se preocupe com acontecimentos triviais e coisas que nunca irão acontecer. É uma receita de saúde”, aconselha ele.
Nelson Gonçalves: "aqui se paga".
A sabedoria popular também acredita em ação e reação de atitudes e comportamentos. “Aqui se faz, aqui se paga, é lei divina, é lei de Deus, a tanta gente humilhaste, para alimentar caprichos teus”, canta Nelson Gonçalves. Teme-se que a paga seja, de alguma forma, a perda da saúde. 

Nesta outra música popular brasileira, o pai do retirante que sai de Belém do Pará rumo ao Rio de Janeiro, recomenda bom comportamento em troca de bem-estar: “Meu filho, anda direito, que é para Deus te ajudar”, e quem canta é Luis Gonzaga. 

“Administrar a calma, andar direito e esperar que as coisas melhorem, parecem ser as principais receitas de saúde, afinal”, conclui o pastor protestante da Igreja Metodista de Arthur Alvim (SP, capital), Devair Ribeiro.

sábado, 11 de julho de 2009

DETALHANDO A GALERIA

"May You stay forever young", disse Bob Dylan numa de suas belíssimas poesias cantadas. É como tento viver.

Não, claro, à maneira infantilizada de Michael Jackson, que, de tanto buscar refúgio ilusório na Terra do Nunca, acabou indo cedo demais para lá. Mas, nunca deixando definhar o espírito de aventura, a abertura para o lúdico e o coração de estudante. Vivendo sem me limitar.

É surpreendente quantas coisas conseguimos fazer quando não ficamos nos indagando se são ou não apropriadas para nossa idade.

Então, quando a prima Nádia, que é minha fiel cicerone pelos labirintos da tecnologia virtual, propôs-me colocar fotos no cabeçalho do blogue, foi como se eu tivesse recebido um brinquedo novo.

Passei uma hora agradabilíssima ponderando critérios, avaliando nomes e caçando imagens. O resultado está aí.

Não são minhas únicas inspirações, claro, mas boa parte das principais.

Entre outras coisas, servindo para reforçar um conceito que norteia meu trabalho: o de que a política, para um revolucionário, tem significado bem maior do que as ninharias reunidas sob tal retranca nos veículos de comunicação. É proposta de vida, de amor, de comunhão e perfazimento.

Se o verdadeiro fim de nossa existência é a busca da felicidade, cabe à política otimizar as possibilidades de sermos felizes, harmoniosos e plenos - ainda mais agora que a barreira da necessidade foi superada e o reino da liberdade está ao alcance de nossas mãos.

Basta mudarmos as prioridades, reorganizando nossa existência com base em outros fundamentos: a cooperação, em lugar da competição; o bem comum, ao invés do lucro; a solidariedade, substituindo a ganância; as oportunidades iguais para todos e não o privilégio de poucos.

Então, é com desalento que recebo críticas às vezes feitas a meu trabalho, de estar abordando temas que não são políticos em espaços políticos. Como podem pessoas jovens ter uma visão tão restritiva?

Tudo que eu escrevo é político no sentido maior do termo, já que sempre embute o inconformismo com o que é e a esperança de tornarmos o que vai ser bem melhor e mais digno.

Neste sentido maior do termos, todas as 26 figuras que selecionei para a galeria são políticas, embora bibliotecários as dispersassem por estantes diferentes.

Falemos rapidamente sobre elas.

Prometeu, que roubou o fogo dos deuses para dividi-lo com os homens, foi acertadamente adotado pelos revolucionários como seu símbolo.

A luta quase sempre desigual que os justos travam contra os poderosos tem no gladiador Spartacus uma de suas figuras mais emblemáticas.

Thomas Morus foi um gigante: ensinou-nos a crer nas utopias e tentar concretizá-las, além de dar exemplo de dignidade e coragem diante do absolutismo.

Galileu Galilei, como tantos de nós, travou a nobre luta da razão contra a força, pagando o preço por estar certo contra as crenças e valores dominantes.

Zumbi dos Palmares encarna a luta e o orgulho de um povo sofrido e, mais do que isto, de um continente criminosamente saqueado e degradado pelos brancos "civilizados".

Só uma frase bastaria para garantir a imortalidade de Jean-Jacques Rousseau, notável inspirador da Revolução Francesa: "O homem é bom por natureza. É a sociedade que o corrompe".

A ira sagrada de Henry David Thoreau é um farol para a humanidade. Sua "Desobediência Civil" continua até hoje nos inspirando na resistência às burocracias arrogantes e aos estados tirânicos.

O libertador Simon Bolivar apontou um caminho altaneiro para a América Latina.

Anita Garibaldi, "heroína dos dois mundos", inscreveu seu nome na História como mulher idealista, dedicada e corajosa, ao lado do grande Giuseppe Garibaldi.

O maior dos teóricos revolucionários, Karl Marx foi um verdadeiro divisor de águas na história da Humanidade.

Também marcou profundamente nossa época o principal pensador anarquista, Pierre-Joseph Proudhon. Hoje, só cínicos e obtusos colocam em dúvida a verdade que ele enunciou: "a propriedade é o roubo".

Filósofa e militante, Rosa Luxemburgo era a principal liderança revolucionária alemã em 1919, quando paramilitares a executaram bestialmente, antecipando os horrores do nazismo. Deixou uma frase imortal: "a verdade é revolucionária".

O profeta Léon Trotsky liderou os bolcheviques na conquista do poder em 1917, comandou o Exército Vermelho nas batalhas que asseguraram a sobrevivência da revolução e deu a vida para tentar impedir seu desvirtuamento sob Stalin.

Cientista político e militante cuja saúde definhou nos cárceres fascistas, Antonio Gramsci deu contribuição poderosa para a compreensão dos mecanismos da sociedade contemporânea e das possibilidades de atuação revolucionária.

Sigmund Freud, outro divisor de águas, não só desbravou o território do inconsciente, como foi além da mera adequação dos indivíduos a uma sociedade insana, desenvolvendo esforço titânico para tentar curar as doenças da própria civilização.

O Mahatma Gandhi foi um dos líderes mais singulares e impressionantes da História da humanidade, conseguindo libertar 250 milhões de indianos do jugo colonial à custa do estoicismo e da autoridade moral, sem o recurso à violência.

O poeta e dramaturgo Federico Garcia Lorca, artista superlativo, foi covardamente executado pelas bestas-feras do franquismo.

Principal teatrólogo de esquerda, autor de obra riquíssima, Bertold Brecht será lembrado também por uma das mais emblemáticas poesias do século passado, "Aos que virão depois de nós", sobre os revolucionários que fugiam do nazifascismo, "trocando mais de países que de sapatos, desesperados, quando só havia injustiça e não havia revolta".

Ernesto Che Guevara é fígura mítica do internacionalismo revolucionário no século passado.

Martin Luther King, grande defensor dos direitos civis nos EUA, conseguiu mover a História com seu sonho.

Depois de tantos presidentes se sujeitarem passivamente a ser depostos pelos gorilas latino-americanos, o chileno Salvador Allende deu exemplo de dignidade ímpar: recusou o avião oferecido pelos golpistas, preferindo morrer baleado em pleno Palácio do Governo, à frente dos colaboradores mais dedicados.

Principal influência dos estudantes revolucionários europeus nas jornadas de 1968, o filósofo Herbert Marcuse produziu análises acuradas sobre o papel da indústria cultural na perpetuação do capitalismo em países prósperos e os desafios colocados por essa manipulação cientificamente otimizada das consciências.

Símbolo da luta contra as duas ditaduras brasileiras do século passado, o dirigente revolucionário Carlos Marighella foi abatido pela repressão numa emboscada que fez lembrar os gangstêres estadunidenses.

Maior boxeador de todos os tempos, vencedor da luta do século contra George Foreman, o grande Muhammad Ali também foi campeão de cidadania, ao perder o título e comprometer a carreira em nome do seu repúdio à Guerra do Vietnã, recusando-se a dela participar como relações-públicas do intervencionismo militar.

Como um dos Beatles, John Lennon tem seu nome associado à grande revolução musical e de costumes da década de 1960. Depois, na carreira-solo, compôs uma das canções mais influentes e inspiradoras de todos os tempos, "Imagine".

Enfrentando o odioso regime segregacionista da África do Sul, Nelson Mandela passou boa parte da vida na prisão, mas sua perseverança acabou vitoriosa. Não só presidiu o país reconciliado, como se dedicou depois a inúmeras causas sociais e de direitos humanos.
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