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segunda-feira, 21 de outubro de 2019

BOLSONERO TACOU FOGO NA FLORESTA, O MUNDO INTEIRO PROTESTOU; INCINEROU O PSL E A SI PRÓPRIO, NINGUÉM DEU A MÍNIMA

celso rocha de barros
O LEVANTE DO PSL
Foi uma semana difícil, em que o bolsonarismo não sabia se radicalizava ou desmoronava e acabou fazendo bastante dos dois.

No fim de semana passado, os bolsonaristas organizaram uma conferência conservadora em que Weintraub comparou FHC à Aids, e Damares comparou a esquerda ao demônio. 

No começo da semana, blogueiros governistas foram para as redes sociais pedir um novo AI-5, tentando capitalizar uma eventual onda de indignação contra o STF. 

Mas lá pela 6ª feira (18), a impressão que dava era que o STF era quem, se quisesse, teria sido capaz de fechar o PSL com um estagiário e um estenógrafo em um jipe. 

Muita gente disse que essa briga fratricida entre o presidente e seu partido era inédita. Bom, se você comparar com governos democráticos tentando formar maiorias, é, de fato, difícil achar outro exemplo no mundo de um negócio desses.
Mas na história de golpes, revoluções e outras formas de subversão da ordem é mais regra que exceção. 

Danton, revolucionário francês guilhotinado pela revolução que ajudou a fazer, disse que a revolução era como Saturno, comia os próprios filhos. 

Se você não gosta dos comunistas de 1917, não se preocupe, Stalin matou eles todos.

E o mesmo acontece em menor escala: o golpe de 64 descartou toda aquela turma que achou que haveria eleição presidencial em 1965. Quando as próprias regras do jogo entram em disputa, a briga se acirra.

Nisso como em outros casos, dependendo do que você acha que Bolsonaro quer fazer, ele pode ser aberrante ou típico.

O problema na última semana foi que os políticos do PSL perceberam que a revolução é como Saturno, que devora seus próprios filhos, e acharam melhor devorar os filhos de Bolsonaro antes.

Foi uma surra. O presidente foi gravado tentando fazer de Eduardo o líder do PSL na Câmara no lugar do deputado Delegado Waldir. Perdeu. As chances de Eduardo se tornar embaixador tornaram-se muito remotas. 

O PSL vai retaliar Flávio e Eduardo em seus estados. O deputado Júnior Bozzella (PSL-SP) declarou à Folha de S. Paulo que “nós agora temos uma missão: salvar o Brasil dos filhos do presidente”.

O problema é que os filhos de Bolsonaro não são só três fraquejadas épicas, são a máquina política do pai. Os filhos são os aliados que são completamente dependentes de Bolsonaro, os aliados com quem ele acha que pode contar. 

Os esquemas atribuídos a Flávio Bolsonaro, se existirem, não são de Flávio, são de Jair: ou não haveria um cheque do Queiroz na conta da primeira-dama. Os tuítes de Carlos podem parar a qualquer momento se Bolsonaro mudar sua senha, mas o presidente quer alguém brigando com generais e perseguindo jornalistas no lugar dele. Da mesma forma, o radicalismo de Eduardo é encomendado pelo pai, que também quer um movimento de extrema-direita forte.

É crise para meses. Bolsonaro pode fundar um novo partido e/ou recorrer ao Judiciário para que seu grupo no PSL possa sair levando seus mandatos. Todo mundo ali sabe o que o outro fez no verão passado.

Muita coisa pode resultar disso tudo: crise, golpe, estagnação, um clima crescente de esculhambação geral. 

O que vai dar trabalho para tirar disso tudo é um governo funcional. Dessa vez vai ter pacto pelo Brasil, como o que Maia, Alcolumbre e Toffoli costuraram na crise institucional passada? (por Celso Rocha de Barros)

sexta-feira, 18 de outubro de 2019

NERO TOCOU FOGO EM ROMA; O BOZO SE CONTENTA COM INCINERAR SEU PARTIDO

Gracejo que o blogueiro Josias de Souza diz ter
ouvido de um líder de partido do chamado centrão:

"Na noite de 4ª feira,
 todos imaginávamos
que o presidente
rodava o filme
PSL em transe. 
Na manhã de 5ª, descobrimos que o título do filme era
Querida, encolhi
minha autoridade" 

terça-feira, 15 de outubro de 2019

A ÚLTIMA LOUCURA DO BOZO

josias de souza
CRISE COM PSL PODE SER RUINOSA PARA BOLSONARO
Impossível enxergar a olho nu traços de racionalidade na crise que Jair Bolsonaro criou com seu partido. O capitão briga com o PSL mais ou menos como o sujeito que salta do décimo andar e, ao passar pelo nono, proclama: "Até aqui, tudo bem". 

Adepto do presidencialismo sem coalizão, Bolsonaro tinha no PSL o seu esteio. Imaginou-se que aproveitaria os primeiros meses no Planalto para engordar o partido. Mandou expulsar Alexandre Frota. E não atraiu um mísero parlamentar. 

Na Câmara, o presidente vinha dispondo dos votos dos 53 deputados do partido. Ao tomar o caminho da porta de saída, foi seguido por apenas 19 deputados. Trocou o apoio de 100% pela lealdade de 35,8%. 

Bolsonaro está obcecado pela ideia da reeleição. Pela lógica, deveria aproveitar a eleição municipal de 2020 para consolidar o PSL nas principais cidades do país. A legenda dispõe de dinheiro e tempo de propaganda no rádio e na TV. 
Juntos, o fundo partidário (R$ 113,9 milhões) e o fundo eleitoral (R$ 245,2 milhões) do partido somarão R$ 359 milhões. Em vez de se entender com Luciano Bivar, dono do PSL, Bolsonaro criou um sururu que pode deixa-lo sem bancada e sem dinheiro. 

Se deixar o PSL, Bolsonaro não coloca em risco o seu mandato, pois a Justiça Eleitoral já decidiu que ocupantes de cargos majoritários (presidente, senador, governador…) não estão sujeitos às regras da fidelidade partidária. Porém, os deputados que lhe são fieis podem ter os mandatos passados na lâmina. 

Num esforço para evitar a queima de recursos e a carnificina de mandatos, Bolsonaro ensaia uma batalha jurídica. Enrola-se na bandeira da transparência e exige uma auditoria na contabilidade do PSL. 

Bolsonaro ainda não sabe se conseguirá cavar um pretexto que sirva de justa causa para levar os deputados e as verbas do PSL. Mas já conseguiu consolidar-se como um político isento de nexo. 

O presidente cobra transparência da direção do partido e, simultaneamente, apoia o filho Flávio Bolsonaro na briga judicial para arquivar o processo que responde por suspeita de peculado e lavagem de dinheiro. 

Exige rigor na gestão do fundo partidário, mas aplaude a conferência conservadora em que o filho Eduardo Bolsonaro enterrou mais de R$ 1 milhão em verbas públicas do partido. 

Em queda livre, Bolsonaro vive, na altura do oitavo andar, a fase da reflexão: "Se nada me ocorreu até agora, continuo na briga", raciocina. 

Ainda não se deu conta de que, sem uma rede de proteção, o chão é o limite. Até onde a vista alcança, não há benefícios para o presidente na briga com o PSL. Ao contrário. A crise pode ser ruinosa. 

Bolsonaro aposta todas as suas fichas no personalismo. No Congresso, fica ainda mais dependente do centrão. Na eleição municipal, pode ficar novamente restrito à bolha das redes sociais. 

Na sucessão de 2022, se não tiver resultados econômicos a exibir, arrisca-se a não receber dos eleitores nem bom dia, que dirá votos. (por Josias de Souza)

segunda-feira, 26 de agosto de 2019

JÁ QUE ULTIMAMENTE SE TEM FALADO TANTO NO IMPERADOR NERO, EIS SUA BIOGRAFIA E UM FILME SOBRE ELE

Eis o Nero do século 1...
Certamente o mais famoso imperador maluco da história do Império Romano,  Nero Cláudio César Augusto Germânico também é um dos mais emblemáticos e contraditórios chefes que existiram, ora competente e bondoso para alguns, ora desvairado e maligno para outros.

Nero ascendeu ao poder após a morte de Cláudio, sendo posteriormente responsabilizado por inúmeros assassinatos, como o da própria mãe e do meio-irmão, Agripina e Britânico, respectivamente. 

Teve seu governo marcado por uma incessante perseguição aos cristãos, quando os lançava a animais esfaimados que terminavam por trucidar os coitados.

O mais famoso evento atribuído ao imperador Nero é o Grande Incêndio de Roma, ocorrido em 18 de julho de 64, quando a Cidade Eterna teria ardido em chamas por dias.
...e a atual repetição da História como farsa.

Diz-se que, enquanto Roma pegava fogo, Nero estaria concentrado em suas composições com a lira (instrumento musical de cordas similar à harpa). Todavia, atualmente não se credita a autoria do incêndio a Nero.

Os dias de mando e desmando de Nero encontraram termo em 9 de junho de 68, após o Senado o declarar inimigo público. 

Nero, que havia fugido de Roma, acabou por cometer suicídio ao perceber a aproximação de um destacamento romano — ocasião em que teria berrado ao mundo: “Que grande artista estás perdendo!”. (por Eudes Barroso, no site Incrível História)


Imperium: Nerone  (2004), cujas 2 partes estão acima, é um filme de TV
que reconstituiu a trajetória e época do dito cujo. Co-produção de 
5 nações (Alemanha, França, Itália, Reino Unido e Tunísia),
foi dirigida por Paul Marcus. 

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

NERO DO SÉCULO 21: O QUE FARÁ TRUMP ENQUANTO O MUNDO ARDE EM CHAMAS? TOCARÁ TROMPA?

DONALD TRUMP E A EVIDÊNCIA 
DO DESASTRE MUNDIAL
.
"A verdade não resulta do número dos que nela creem"
(Galileu Galilei, físico italiano do século 17) 
Quando ruiu o muro de Berlim em 1989, a ideia era de que o capitalismo liberal finalmente havia trinfado sobre o socialismo real, colocando por terra a crítica marxista. Predominava, mais uma vez, a superficialidade coletiva sobre a natureza das relações sociais mercantis e sobre o conhecimento da teoria do próprio Marx pelos marxistas e seus opositores.  

Da mesma forma, setores majoritários (ou, no mínimo, bastante expressivos) da sociedade associam a vitória de Donald Trump ao triunfo do capitalismo, sentindo-se autorizados a contrariar qualquer defesa de posturas humanistas, tradicionalmente anticapitalistas, tais como a solidariedade social; a luta contra o aquecimento global e poluição do planeta; o acolhimento aos imigrantes fugidos da guerra, da fome e das falências dos estados nacionais; o apoio às greves dos trabalhadores empregados e movimento dos desempregados; a proteção dos direitos dos segmentos socialmente segregados como gays, negros, mulheres, etc. 
Queda do muro: fim do socialismo real e da guerra fria.

Estes dois acontecimentos recentes significam justamente o contrário do que aparentam ser. 

O muro de Berlim ruiu sem um tiro sequer, da mesma forma que a União Soviética se desintegrou, simplesmente porque o capitalismo de Estado impunha um critério de globalização da economia de mercado que não permitia a vida mercantil intramuros então praticada nessas regiões. 

Não é que o capitalismo liberal haja vencido o socialismo real (este último igualmente capitalista, tendo apenas uma feição política diferenciada), mas sim que ambos experimentam o fenômeno da convergência de comportamentos diante do limite interno da capacidade de expansão dos mercados sem a qual desaba todo o aparentemente sólido edifício capitalista. 

Donald Trump é a imagem de um país tradicionalmente orgulhoso de sua supremacia econômica, mas temeroso da realidade e que vê os seus empregos desaparecerem na globalização da produção de mercadorias, pois o capital migra em busca de trabalho abstrato barato para fazer face à concorrência de mercado sob a qual erigiu o seu edifício portentoso. Os Estados Unidos, um país endividado que se mantém pujante graças aos artificialismos da emissão de moeda sem lastro e do próprio endividamento, é uma bomba relógio prestes a explodir. 

Neste contexto, Donald Trump, com seu discurso xenófobo, racista, nacionalista e protecionista, representa uma fuga kamikaze pra frente. A economia mundial decadente, mais do que nunca, precisa da interação econômica entre as nações como forma de sobrevida, enquanto Trump vai na contramão desta necessidade; portanto, tudo leva a crer que logo os fatos demonstrarão a pequenez do discurso oportunista (desconfio que ignorante) com o qual seduziu um eleitorado igualmente desconhecedor da natureza da crise.
Assim, Trump, ao invés de significar o triunfo do capitalismo, representa justamente os últimos suspiros de um moribundo, que busca na irracionalidade desesperada uma saída que só aumenta o seu infortúnio, pois, como dizia Robert Kurz, “há uma contradição lógica e estrutural entre economia nacional e mercado mundial”. O discurso nacionalista de Trump é insustentável dentro da própria lógica capitalista.   

Mas a queda dos Estados Unidos é indesejada pelo mundo capitalista, aí incluída a China, detentora de reservas cambiais em dólar estadunidense e que tem nos EUA o seu maior comprador de mão única. O mundo capitalista não resistiria à falência de sua nação mais poderosa, razão pela qual dará sustentação a tal gigante de pés de barro por aparelhos. 

Mas esta sustentação artificial tem custos sociais elevados. O mundo assiste, perplexo, à progressão da crise econômica mundial: 
  • os Bric's, outrora ilhas de prosperidade, patinam (caso do Brasil e da Rússia, além da queda vertiginosa do crescimento do PIB da China);
  • vários estados africanos se dissolvem, transformando-se num turba de traficantes da guerra, de milícias étnicas, de máfias de bandidos (que agem com métodos primitivos os mais bárbaros) e de fundamentalistas religiosos.
Uma nova diáspora mundial está em curso em várias regiões e pelos mesmos motivos: a incapacidade de produção de mercadorias em níveis de produtividade compatíveis com a concorrência de mercado e a inviabilidade da vida social pela mediação do dinheiro.

O mercado agoniza, e com ele a política e o Estado capitalistas. Mas, infelizmente, predomina o medo do novo (no caso, um modo de produção que sepultasse de vez o mercado). É que tal transição significa a negação de tudo que está posto, afetando os interesses de quem detém as rédeas do poder econômico ou é a ele submisso.  

Que reação podemos esperar de um Donald Trump, se lhe dissermos que temos de doravante produzir para a satisfação das necessidades humanas e não para a maximização dos lucros empresariais? Pois bem, este homem vai comandar o maior arsenal bélico do mundo e, evidentemente, seu primeiro impulso será sempre usar a razão da força ao invés da força da razão. Defenderá seus interesses, que são intrinsecamente genocidas. 

Mas este confronto épico entre, de um lado, a irracionalidade do sistema produtor de mercadorias e seus defensores ora no poder, no ápice de suas contradições internas; e, do outro, a forma de produção que negue a riqueza abstrata concentrada em benefício da riqueza material socializada, está agendado. Teremos de enfrentá-lo, queiramos ou não. 
No Brasil vivemos a explicitação da crise política causada pela insustentabilidade econômica de um país periférico, o que assanha os interesses de políticos ansiosos por se servirem do estado; isto, ao invés de capacitar o Estado para cumprir suas funções estratégicas de salvação do sistema capitalista, torna-o frágil para tal desiderato. Sem o quererem, contribuem para o fim inevitável deles mesmos.  

No atual quadro de escassez, as instituições se digladiam na defesa de interesses corporativos, sem compreenderam a verdadeira natureza funcional da vida mercantil no seu estágio de inviabilidade de mediação social. Há furos por todos os lados, o barco faz água e surgem muitos pretendentes a heróis salvadores da pátria que não passam de pigmeus da vida social (que me perdoem os pigmeus de verdade, cuja estatura humana é bem maior...).         

Saberemos superar tudo isso sem que haja uma hecatombe bélica mundial? Esta é a pergunta que não quer calar. (por Dalton Rosado)
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