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domingo, 2 de abril de 2017

O QUE SUBSTITUIRÁ O ESTADO?

"Compreender é o começo da aprovação"
(Baruch Espinoza, filósofo do século 17)
O leitor SF, comentarista frequente dos posts deste blogue, considerou "certeiro" o meu diagnóstico do fim do capitalismo (vide aqui), mas discorda da necessidade de extinção do Estado.
"...o povo (quem sabe o que é o povo?) pede não mais o Estado do tipo que temos, mas sim um ente sábio, dotado de autoridade legítima e que arbitre um jogo honesto com regras claras e justas. Existirá essa entidade?
...Já foi dito que, quando alguém se arvora a regular um mercado, o primeiro a ser comprado é o regulador. Achar que o regulador (Estado) corrompido que temos atualmente não será banido e substituído por um de caráter superior é desprezar milênios de evolução política e econômica.
As pessoas não querem mais esse estado de coisas e nem são viciadas. Elas intuem que existe uma maneira honesta, sábia e justa de mediar e eliminar conflitos de interesse através de instituições que cultivem e pratiquem os valores da justiça e honestidade. Imagino que é este o tipo de Estado que o povo quer criar. E não extingui-lo".
Ele levantou uma questão tão interessante que decidi dedicar-lhe este artigo.

De um modo geral as pessoas entendem que há necessidade de existência de um comando central e verticalizado de poder a regular e comandar a vida social. É uma questão cultural e histórica. 

Afinal, viemos de uma ordem social teocrático-escravista milenar que ainda persiste em nossas mentes como memória cultural e genética. Muitas meninas ainda sonham com a chegada do príncipe encantado que tornará as suas vidas venturosas como num conto de fadas; outras se deslumbram com a majestade das pompas monárquicas, que nada mais são do que uma fantasia de poder e luxo desejado.       

Entretanto, tal concepção de vida social centralizada na figura do soberano, com poderes divinais absolutistas, foi quebrada justamente pela forma-valor quando do desenvolvimento da fase pré-capitalista da mediação social que resultou no capitalismo. O capitalismo criou e moldou o Estado moderno como seu serviçal, pois não aceita outro senhor senão ele próprio. 

Os governantes não governam, pois são meros cumpridores obedientes da lógica capitalista e apenas gozam das benesses e pompas que o capital lhes proporciona, padecendo agora das execrações públicas resultantes da falência da dinâmica capitalista, que tornou o Estado endividado e incapaz de satisfazer minimamente as demandas sociais de sua incumbência, bem como de efetuar de modo eficaz o controle monetário.

O desenvolvimento das relações sociais mercantis formatou a filosofia e a doutrina iluminista, pois o poder absolutista monárquico que tudo centralizava era incompatível com os interesses da burguesia emergente e cada vez mais influente. 
E foram os princípios iluministas que conceberam os falsos conceitos políticos republicanos de liberdade, fraternidade e igualdade, no qual se tratou de diluir o exercício do poder estatal em esferas distintas (Executivo, Legislativo e Judiciário) a ser exercido dentro dos comandos da nova ordem mercantil emergente. 

Com o poder político da república (res publicae, ou coisa pública), pela primeira vez na história da humanidade o poder laico passou a prevalecer sobre o poder teocrático, mas de forma submissa a outro poder – o capital , consistente numa lógica funcional abstrata, mas tornada real, que comanda e dá ordens às ações humanas. Como disse Marx, “eles não o sabem, mas o fazem”.   

Paradoxalmente, portanto, foi o capitalismo quem nos disse: a sociedade pode viver sem um rei personalizado. Entretanto, concomitantemente, ele também nos disse: mas o novo rei sou eu, o capital, simultaneamente abstrato e real; os governantes são meus súditos obedientes e transitórios; e o Estado é a minha máquina de sustentação de regulação pela força militar e jurídico-constitucional por mim subvencionada

Assim, as sociedades do escravismo direto teocrático-absolutista passaram a ser mediadas pelo escravismo indireto do trabalho abstrato (célula germinal da forma-valor) sob a égide do capital e sua forma política democrática, continuando inconscientes dos próprios desígnios.
POR UMA SOCIEDADE SEM ESTADO E 
SEM A MEDIAÇÃO PELA FORMA VALOR

Todas as sociedades mundiais, mesmo as mais primitivas, regeram-se por códigos de condutas consuetudinárias, firmadas pelo costume e pelas tradições. As regras de comportamento social são algo inerente à sociabilidade humana e, portanto, são dados ontológicos da nossa existência, ainda que mutáveis no seu conteúdo através dos tempos. 

Assim, numa sociedade em que não existam valores monetários, expressos em mercadorias (não confundir com valores morais) como forma de mediação social, sempre existirão regras de comportamentos firmadas pelo senso comum do que seja justo e razoável. 

O senso comum derivado de uma relação social na qual não exista a riqueza acumulada de forma segregacionista, ou seja, na qual todos os bens e serviços produzidos existam para a satisfação das necessidades humanas e não para a formatação do poder privado e público abstrato e ao mesmo tempo personalizado, produzirá cânones jurídicos justos nos quais não necessitaremos das absurdas filigranas jurídicas do Direito burguês, que tenta tornar (ou fazer parecer) justo aquilo que é flagrantemente injusto.

A autoridade não deve ser o Estado, mas uma ordem jurídica justa. A ordem jurídica nascida sob uma relação social que negue a ideia de poder vertical, mas, ao contrário, estabeleça regras de condutas e de organizações sociais horizontalizadas, não significa necessariamente a configuração do poder do Estado, que já não mais existirá. Supere-se o capitalismo e, concomitantemente, superar-se-á o Estado.  

Tal ordenamento jurídico somente pode ser justo se nascido a partir de relações sociais isonômicas (impossíveis sob o capital) que resultarão em cânones de justiça sob o qual todos pautarão seus comportamentos, e da tal forma elevada que os indivíduos sociais em sua maioria (sempre haverá criminosos a serem punidos) competirão entre si de forma virtuosa, sob valores morais e não monetários, tentando se credenciar perante os demais membros da sociedade por suas virtudes e não pelo seu poder de coerção, de mando e de segregação social. 

O maior nível de produtividade de bens e serviços será, portanto, uma dádiva dessa competição, e não a autofagia da exclusão. 

A questão é que a nossa mente está ainda tão aculturada com a obediência ao poder segregacionista e injusto, e não ao senso de justiça mais elementar, que se torna difícil para nós nos desvencilharmos da matriz fetichista do capital que oprime o nosso pensar. 

Ao afirmar que "quando alguém se arvora a regular um mercado, o primeiro a ser comprado é o regulador”, o leitor SF está, implicitamente, sustentando que somente podemos viver socialmente sob o tacão do mercado, que implica a existência de mercadorias, trabalho abstrato, valor, Estado, política, etc., categorias capitalistas que queremos superar e abolir da nossa existência. 

Esta é a matriz fetichista da qual temos de nos desvencilhar.        
As formas de organizações sociais voltadas para a produção e suprimento mundial das necessidades humanas serão instituídas a partir da compreensão sobre a necessidade da ajuda mútua como comportamento benéfico para todos (a grande tarefa de persuasão), tudo isso levando a um crescimento do intelecto humano a partir da melhor qualificação dos seus valores morais e de conhecimento.

A barbárie social ora em curso, decorrente das intransponíveis contradições do capitalismo, representam um recrudescimento dos mais primitivos instintos humanos; somente a superação do próprio capital poderá nos proporcionar o salto qualitativo aqui detalhado, retirando-nos, como dizia Marx, da "pré-História da humanidade". (por Dalton Rosado)

sábado, 17 de setembro de 2016

MUDANÇA DE COMPORTAMENTO DO ENFERMO PODE CURÁ-LO DO CÂNCER?

Por Apollo Natali
A antiga máxima, mente sã em corpo são, já sugeria que a boa saúde física depende de sentimentos e ações equilibradas. Mas, há quem tenha aprofundado o assunto, não só falando sobre uma possível ciência dos sentimentos e ações, como apresentando provas de que algumas emoções e comportamentos podem até causar tumores cancerígenos. Ou curar enfermidades.

O médico e pesquisador alemão Ryke Geerd Hamer garante: um trauma que provoque um sentimento de perda irremediável, impossível de ser compartilhado com alguém (como a perda de um filho, p. ex.), eventualmente desencadeia a moléstia. Sua esposa, já falecida, contraiu câncer após a perda de um filho pelo casal; e o dr. Hamer também, depois da morte da mulher. Importante: a cura, nestes casos, dependeria da superação do trauma, de acordo com o médico.

A Teoria de Hamer foi rejeitada pela academia, os pares o execraram, seu diploma foi cassado e depois sofreu perseguições sob o pretexto de estar exercendo ilegalmente a medicina, constou da lista dos procurados pela Interpol e chegou até a ser encarcerado. 

Não faz mal. O padre brasileiro Bartolomeu Lourenço de Gusmão foi chamado de bruxo e queimado vivo em Portugal por ter inventado o balão. O jesuíta Roberto Landell de Moura, também brasileiro, inventou o rádio antes de Marconi e estava perto de consumar a invenção da TV, mas caiu também na mira da Igreja Católica, que confundia ciência com feitiçaria. Também Freud, Einstein, Pasteur, Galileu Galilei e outros grandes vultos foram desacreditados ao publicarem suas descobertas. 
Teorias do dr. Hamer geram  muitas controvérsias
Hamer enfrenta, ainda, a circunstância de que todo avanço científico é submetido a uma quarentena, até sua eficácia ser definitivamente. comprovada. As vaias que recebeu tendem a ser esquecidas em breve, e sua teoria resgatada. O seu calvário é conhecido no mundo como O caso Hamer.

A novidade na teoria e na terapia proposta pelo médico alemão é representada pelo que ele chama de regra inflexível do tumor, formulada depois de uma longa pesquisa que desenvolveu numa clínica universitária alemã. Segundo Hamer, o câncer resultaria de um conflito traumático, agudo e dramático, impossível de ser dividido com outra pessoa. 

A cada conflito corresponderia um tipo de tumor e em cada caso específico se formaria, no cérebro, um nódulo, que ele chama de foco de HamerO conflito se verificaria em três níveis, segundo suas convicções: na psique, no cérebro e em algum determinado órgão. Ele denomina tal hipótese de síndrome de Hamer

Para a ciência, o cérebro é desconhecido e incompreensível, mas ela admite que o dito cujo comanda os outros órgãos do corpo. Está aí uma coincidência com a teoria de Hamer.

“Existe uma exata correspondência entre o transcurso do conflito, a evolução do tumor e o foco de Hamer no cérebro”, diz o pesquisador em seu livro Gênese do Câncer. O conflito atua de modo sincronizado com a psique, o cérebro e o órgão afetado, acrescenta ele.
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TRAUMA CAUSOU FRIGIDEZ E TUMOR NUMA PACIENTE
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Obrigaram-no a fechar sua clínica em 1985
É marcante na teoria do dr. Hamer a garantia de cura: 
"Do mesmo modo, a superação do conflito envolve a tríade psique, cérebro e órgão. Resolvido o conflito, o foco de Hamer se regenera com a consequente formação de apenas um entumecimento em torno das células cancerosas, cuja proliferação anárquica era devida a um erro de codificação do cérebro".
O caso de uma paciente que contraiu câncer depois de um trauma e se curou com a substituição da emoção e uma nova postura, é narrado pelo dr. Hamer:
"Mãe de quatro filhos, a senhora M., professora de jardinagem, recebeu um profundo choque em 23 de setembro de 1982, quando seu marido, com quem andava perfeitamente de acordo, declarou, depois de uma noite particularmente feliz, a sua surpresa ao constatar que ela desse tanta importância ao ato sexual. 
Esse modo de ridicularizar o que para ela era sacrossanto, esta bofetada moral que recebeu, transtornou-a, deixando-a totalmente frígida. Depois deste choque (a Síndrome de Hamer), que a deixou deprimida, a senhora não conseguiu mais manter relações sexuais com o marido e não demorou para que se separassem. 
Em julho de 1983, o trauma foi solucionado quando a paciente descobriu, com grande surpresa, que se dava bem com outro homem. Depois da solução desta situação conflituosa, o câncer instalado no colo do útero, que progredia há nove meses, regrediu e, ao mesmo tempo, voltaram as regras".                   
FILOSOFIA, RELIGIÃO E SABEDORIA POPULAR

Espinosa foi um dos grandes racionalistas do século 18
O filósofo judeu-holandês Baruch Espinosa elaborou, em meados do século 17, uma tabela relacionando emoções com problemas de comportamento, bases filosóficas das emoções e respectivas conseqüências. Para cada grupo de emoções há o que ele chama de Estimulo Emocionalmente Competente (EEC).  Exemplos de Espinosa:  
  • Embaraço, vergonha, culpa: problema de comportamento. Conseqüências: policiamento das regras de comportamento social. Base filosófica desta emoção: medo, tristeza, tendências submissas; 
  • Desprezo, indignação: violação de normas de conduta por parte de outra pessoa. Conseqüências: punição da violação com policiamento das regras de comportamento social. Base filosófica desta emoção: nojo, zanga; 
  • Simpatia, compaixão: sofrimento do outro indivíduo. Conseqüências: conforto, reequilíbrio do outro ou do grupo. Base filosófica desta emoção: apego, vinculação.
O médico Rubens Cascapera Jr., palestrante freqüente sobre O caso Hamer, cuja teoria aceita plenamente, vem procurando identificar, na prática médica diária em seu consultório na zona leste de São Paulo, emoções negativas ou positivas derivadas de comportamentos que resultam em benefícios para a saúde ou em determinadas enfermidades. “A doença me parece, às vezes, consequência da filosofia de vida do paciente. O perdão a tudo, a todos e a si mesmo e o acolhimento inteligente dos percalços da vida podem ser uma terapia eficaz”. 
As pessoas podem atrair os males os males que temem

O mesmo acontece com o médico Joel Beraldo, em seu trabalho na zona sul. Após a consulta e o receituário, ele procura identificar, em breve conversa com seus pacientes, os problemas que lhes causam sentimentos de ansiedade, angústia, tristeza, mágoa, ressentimento e o resultado dessas emoções que agridem de algum modo o corpo físico.”Procuro convencê-los de que uma mudança de comportamento pode ajudá-los na cura.”

Comportamento amoroso como terapia é sugerida por Nise Hitomi Amaguchi, doutora pela Faculdade de Medicina da USP, presidente da Sociedade Paulista de Oncologia Clínica e diretora do Instituto Avanços em Medicina: “Costumo dizer a meus pacientes e familiares que, para o amor, não existe tempo nem espaço. Vivendo bem o presente, diminuindo as buscas desnecessárias por poder, posses e prestígio, podemos alavancar o melhor de nós mesmos, inclusive superando as doenças que já temos. Com bom cuidado, mais exercícios, dieta saudável, não fumando e não bebendo, com mais amizade e solidariedade, talvez possamos ficar menos doentes e a nossa morte vir na hora certa.”

Explicação religiosa sobre o mecanismo de evitar doenças ou curá-las é com a advogada Olívia Souza. Diz a oradora e estudiosa do espiritismo, que esta religião admite a existência de um corpo sutil que liga o corpo material ao espírito. Por uma lei chamada de causa e efeito, cada ação má, crime, mau comportamento, vícios, deixa gravado neste corpo espiritual o total de tal comportamento. As conseqüências são sentidas de imediato, no ritmo do mau comportamento e também em vida futura. Na reencarnação, diz Olívia, um alcoólatra, p. ex., terá no novo corpo problemas no fígado.
Mau comportamento afetaria existência futura
“O homem transita entre as próprias criações”, exemplifica a oradora, citando um preceito da religião espírita, que vê o homem codificando em saúde ou doença o seu comportamento. Olívia interpreta as palavras de Jesus quando curava – vai e não peques mais – como uma recomendação de um novo comportamento, honesto e positivo, diante da vida. 

Até incontidos desvarios íntimos podem ser corrigidos com a busca de um idealismo superior, asseguram pensadores espíritas. É consenso entre os espíritas que todo processo de cura passa pela renovação do pensamento.

“O bem é a única diretriz para a saúde integral”, sentencia o médium Divaldo Pereira Franco, que já deu mais de 13 mil conferências em mais de 2 mil cidades de 64 países nos 5 continentes. Sua entidade educacional e assistencial, Mansão do Caminho (em Salvador, BA), atende milhares de pessoas carentes, inclusive a 3 mil crianças e jovens, diariamente. O bom comportamento de Divaldo lhe dá boa saúde: adotou legalmente mais de 600 filhos, que já lhe deram mais de 200 netos e bisnetos.

Uma das explicações espíritas sobre as doenças sugere motivações psicológicas: se alguém dirige a sua vontade para a simples ideia de doença, a moléstia lhe responderá ao apelo. Tal sugestão sintoniza-se com a região orgânica mentalizada. As entidades microbianas que habitam os corpos obedecerão às ordens mentais, formando no corpo a enfermidade idealizada. Pensou, aconteceu. Não pensou, não aconteceu. É a doença codificada pelo cérebro. Trata-se, neste caso, do denominado pensamento enfermiço. Mudar o rumo do pensamento é preciso.

Uma indicação de que o comportamento amoroso pode ser eficaz processo terapêutico, segundo os espíritas, está contida na frase bíblica do apóstolo Pedro: “O amor apaga multidões de pecados”, disse ele, fazendo do termo pecado um sinônimo de comportamento inadequado.
Alfeu Ruggi: controlar a ansiedade.

Esta conversa está parecida com a pregação do padre Antonio, do Colégio Dom Bosco, no bairro paulistano da Mooca.  Ele também fala sobre a existência, em nós, de um disco virgem, onde são gravadas nossas diabruras. Então, obriga os meninos a assistirem missa antes de jogarem futebol e, na preleção, explica que Deus tem um livrinho no qual registra todas as nossa ações. ‘Deus nos castiga pelo nosso comportamento e nós vamos pagar por ele, já a partir de agora e no futuro”, garante o sacerdote católico.

Medicina chinesa também relaciona emoção e comportamento com doença e cura, segundo Alfeu Ruggi, mestre em tai chi chuan e terapeuta de atletas que praticam o wu chu, um rosário de algumas centenas de tipos de lutas marciais chinesas:  “Alguém ansioso vai respirar mal, irá mal da bílis, das vistas, do sistema neurovegetativo. Um violento poderá sofrer paralisias e convulsões.” 

A prática do tai chi chuan, segundo Ruggi, elimina sentimentos e reações negativas e sedimenta o hábito do não importa, diante da maioria dos nossos problemas. Mestre Ruggi, que tinha úlcera grave quando iniciou os treinos dessa arte que estimula comportamentos pacíficos, está curado. “Não se preocupe com acontecimentos triviais e coisas que nunca irão acontecer. É uma receita de saúde”, aconselha ele.
Nelson Gonçalves: "aqui se paga".
A sabedoria popular também acredita em ação e reação de atitudes e comportamentos. “Aqui se faz, aqui se paga, é lei divina, é lei de Deus, a tanta gente humilhaste, para alimentar caprichos teus”, canta Nelson Gonçalves. Teme-se que a paga seja, de alguma forma, a perda da saúde. 

Nesta outra música popular brasileira, o pai do retirante que sai de Belém do Pará rumo ao Rio de Janeiro, recomenda bom comportamento em troca de bem-estar: “Meu filho, anda direito, que é para Deus te ajudar”, e quem canta é Luis Gonzaga. 

“Administrar a calma, andar direito e esperar que as coisas melhorem, parecem ser as principais receitas de saúde, afinal”, conclui o pastor protestante da Igreja Metodista de Arthur Alvim (SP, capital), Devair Ribeiro.
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