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sexta-feira, 26 de maio de 2023

RACISMO CONTRA VINICIUS JÚNIOR EXPÕE PROPLEMA GRAVE NA SOCIEDADE ESPANHOLA

 

Milhares de torcedores num estádio cheio repetindo a altos brados, durante 70 minutos, xingamentos contra um jogador de futebol, por ser negro, equivalem a um linchamento. Inacreditável não ter havido uma suspensão definitiva do jogo com sua anulação ou a decisão de transferir a partida para outra data sem público. As declarações ou constrições posteriores pronunciadas e divulgadas pelo governo espanhol, diante da vergonhosa imagem exposta do país por esse escândalo mundial de racismo coletivo num estádio de futebol, chegam um tanto tarde.

O que esperavam a Liga Espanhola de Futebol, as instâncias esportivas do pais, o ministro de esportes, o governo espanhol no seu todo para intervir, já que não foi essa a primeira vez? A FIFA e a UEFA só interferem no caso de haver vítimas fatais, ou desconhecem ser o racismo um crime punido pela maioria dos países e, quem sabe, mesmo pela totalidade dos países europeus, sem se esquecer da ONU e dos órgãos internacionais de defesa dos direitos humanos?

E os patrocinadores dos clubes espanhóis toleram esse clima de arena, consideram normal a excitação lúdica racista para a promoção de seus produtos comerciáveis?

Haveria essa reação mundial sem a denúncia da imprensa? Talvez não, essa não foi a primeira vez que Vinícius Júnior foi alvo de racistas. Mas os dirigentes do futebol espanhol preferiam fechar os olhos… Uma mostra: o árbitro Ricardo de Burgos Bengoecheado, 37 anos, no encontro Real Madrid com Valência, registrou apenas um caso de torcedor chamando Vinícius de macaco, tendo interrompido o jogo por oito minutos por incidente racista. Na sequência, Vini Jr. acabou sendo expulso e sujeito a não participar nos próximos jogos do Real Madrid. Seria o caso da vítima ser punida?

Gianni Infantino, presidente da FIFA, diante das repercussões da crise criada, afirmou já existir um procedimento específico para se aplicar no caso de racismo durante o jogo. Deve ser suspensa a partida, os jogadores se retiram e se faz um anúncio no estádio informando que, se prosseguirem os insultos racistas, o jogo será suspenso e a vitória com seus três pontos será atribuída ao clube do jogador ou jogadores alvos de racismo. Infantino não disse por que esse procedimento ainda não é obrigatório, mas afirmou que deveria ser adotado por todos os países. E por que ainda não foi?

Por sua vez, embora também tardiamente, Luis Rubiales, presidente da Federação Real Espanhola de Futebol, reconheceu haver um problema de comportamento, de educação e de racismo no país, confessando-se consternado por atos que devem ser erradicados. O comitê de competição da Federação, dirigido por Rubiales, tem poderes para fechar tribunas, estádios e convocar uma Comissão governamental contra a violência, xenofobia e racismo nos esportes. Não se entende por que essa comissão ainda não foi convocada.

Não se pode esquecer estar uma parte do racismo espanhol ligada diretamente à extrema-direita fascista, vinda do antigo movimento fascista Fuerza Nueva, dentro da qual se destaca o partido Vox, ultraconservador ultranacionalista, militarista, racista, clerical, pró-imperialista, antifeminista e neoliberal. Partido que conta com o apoio do presidente de La Liga, Javier Tebas Medrano.

Essa crise do racismo espanhol no futebol lembra o velho franquismo e sua longa existência na Europa, mais longa que o salazarismo, como uma perniciosa doença cujas raízes permanecem vivas e, vez ou outra, afloram.

Esse cheiro do enxofre nazista não ficou restrito, na semana, ao episódio vergonhoso do racismo na Espanha. A pretexto de fazer um elogio familiar citando a atual guerra da Ucrânia contra a Rússia, o deputado federal Paulo Bilynskyj, do PL bolsonarista, citou o avô Bohdan Bilynskyj. Seu avô teria sido um herói por ter lutado aos 20 anos contra os comunistas soviéticos numa guerra mundial.

Ora, o deputado que era delegado, portanto deve ter feito curso universitário em Direito, deve saber que, na época do seu avô, havia uma guerra mundial dos aliados EUA, Inglaterra e União Soviética contra a Alemanha nazista. E que lutar contra os comunistas soviéticos equivalia a lutar com os nazistas de Adolf Hitler.

E que a 14.ª Divisão de Granadeiros da Waffen-SS Galizien, à qual pertencia seu venerado avô, era uma divisão nazista de ucranianos comandada por oficiais alemães. E que ao fazer o elogio póstumo do avô, emigrado ao Brasil em 1948, três anos depois do fim da Segunda Guerra Mundial, fez também o elogio da Waffen-SS e não dos ucranianos que hoje lutam contra a Rússia. Qualquer dúvida, perguntem ao Zelenski. (por Rui Martins

segunda-feira, 6 de setembro de 2021

ZORRA TOTAL NAS ELIMINATÓRIAS: O BRASIL É UM PAÍS À DERIVA, COM A INSANIDADE SE IRRADIANDO A PARTIR DO PRESIDE(ME)NTE

renato maurício prado
CORONAVÍRUS CHECA PASSAPORTE ANTES DE CONTAMINAR ALGUÉM?
Não sou médico, mas gostaria que me explicassem: por que um brasileiro que vem da Inglaterra não é obrigado a quarentena (para nossos jogadores, por exemplo, bastaria uma testagem ou quarentena de dois dias para que pudessem atuar) e os estrangeiros só são autorizados a circular pelo país depois de 10 dias confinados num hotel? 

Por acaso, o coronavírus olha o passaporte de alguém antes de contaminá-lo? Ao menos na minha cabeça de leigo, não faz sentido algum. 

Como também não tem lógica a Anvisa só ter tomado uma atitude quando o jogo já tinha começado. Por que não agiu antes, no hotel ou nos treinos dos argentinos? Ou mesmo no estádio, assim que a delegação dos hermanos chegou? Impossível não desconfiar que houve incontrolável intuito de aparecer diante das câmeras em dia de grande audiência.

Segundo o que se comentava, antes de a bola rolar, a Conmebol, a CBF e o Governo tinham se acertado e permitido a escalação dos jogadores da Argentina que vinham da Inglaterra. Duvido que o técnico Lionel Scaloni os colocasse em campo sem esse sinal verde. 

Após a zorra total que se instaurou no gramado do estádio do Corinthians, a CBF soltou uma nota ambígua na qual tenta tirar o corpo fora. Dá pra levar a sério algo que vem dessa Confederação acéfala e totalmente desmoralizada pela sequência dos últimos acontecimentos? Pois é... 

Tampouco pode se confiar na Conmebol e na Fifa e, por isso, sabe-se lá o que será decidido agora que o jogo foi cancelado pelo juiz. 

O correto teria sido o W.O no time que se retirou de campo. Mas, pela orientação do delegado da partida ao árbitro (a favor do cancelamento e não do W.O), tudo pode acontecer. 

Temo seriamente pela marcação de uma nova data. O que tumultuaria ainda mais o já estrangulado calendário brasileiro. Como são deploráveis essas intermináveis e tediosas eliminatórias sul-americanas! (por Rodrigo Maurício Prado, na mosca!)

terça-feira, 3 de dezembro de 2019

SEXTA BOLA DE OURO DE MESSI PÕE FIM À DISPUTA FAJUTA COM CRISTIANO RONALDO

Nunca existiu verdadeira competição entre Lionel Messi e Cristiano Ronaldo pelo trono do futebol mundial: o argentino sempre foi, disparado, melhor jogador, por sua excelência como goleador, driblador, lançador e organizador do ataque. 

É extremamente hábil, veloz e tem uma rapidez de raciocínio incrível. Não existe comparação possível com um futebolista que só pode ser considerado fora de série no quesito finalização.

Mas, para atender a objetivos meramente comerciais, concedeu-se a Cristiano Ronaldo uma criticadíssima bola de ouro em 2013, quando Messi já tinha quatro e ele, apenas uma. Naquele ano, seu único feito fora marcar os gols decisivos para a seleção portuguesa eliminar a sueca na repescagem (!) da eliminatória para o Mundial do ano seguinte, enquanto Messi deitava e rolava na Liga espanhola, com o Barcelona sendo campeão.

Beneficiando-se de melhores fases do Real Madrid e geralmente sendo mais efeito do que causa, Ronaldo finalmente alcançou Messi em 2017, quando cada um passou a ter 5 bolas de ouro. 

Agora em 2019, com Cristiano já sentindo o peso da idade e Messi ainda exuberante, carregando seu time nas costas (no último domingo, p. ex., tirou coelho da cartola aos 40' do 2º tempo, decidindo uma partida contra o Atletico de Madrid que o Barcelona merecia ter perdido) acaba de ser restabelecida a verdade do gramado: 6x5. Não deverá haver volta.

A verdadeira dúvida é outra: qual o melhor, Messi ou Pelé? Eu, que vi Pelé jogando umas dez vezes da arquibancada e no mínimo uma centena pela TV, considero simplesmente impossível  chegar a uma certeza. 

Só posso dizer que Messi é hoje tão grande quanto Pelé foi no seu auge, mas o futebol passou por mudanças tão acentuadas que um verdadeiro amante do esporte não tem como cravar um deles sem correr sério risco de estar sendo injusto.
Mais sensato é reconhecermos a grandeza de ambos, o que foi o melhor do século passado e o que até agora está sendo o melhor deste século. 

Meu coração pende para o lado de Messi por um motivo: nunca pensei ver de novo jogadas tão belas como as que marcaram o apogeu do futebol brasileiro entre a segunda metade dos anos 50 e a primeira dos '70. 

Messi e a chamada revolução catalã ressuscitaram a arte no futebol, lavando a minha alma. 

Meu sentimento foi o mesmo dos brasileiros que agora assistem deslumbrados às partidas do Flamengo, depois de tantos anos se entediando com esquemas defensivistas e gols de bola parada.(por Celso Lungaretti)

quinta-feira, 14 de março de 2019

VERGONHOSO: ELANO RASTEJOU DIANTE DE MESSI NO MUNDIAL DE 2011, IMPLORANDO QUE O BARÇA NÃO MASSACRASSE O SANTOS

Elano foi suplicar clemência ao Messi
Fez bem nosso imprescindível Dalton Rosado em reverenciar (vide aqui) o grande time do Santos que deslumbrou o planeta bola na década de 1960, quando chegou inclusive a sagrar-se duas vezes campeão do mundo, em 1962 e 1963.

Para mim pouco importa que a Fifa tenha cassado depois tais títulos, sob a alegação de que a disputa entre o campeão da Europa e o campeão das Américas não poderia ser considerada um campeonato mundial, já que excluía os representantes dos outros continentes.

Mas, para quem (como eu) viu essa história acontecer, os barrados no baile não teriam a mais remota chance. Do Mundial de seleções eles participam, mas, dentre as 21 Copas disputadas até hoje, quantas ganharam? Nenhuma!

Aliás, nos Mundiais Fifa daquela época, a única seleção do resto do mundo que sobreviveu às eliminatórias foi a da Coréia do Norte em 1966. Não só se colocou entre os 16 que iriam para a Copa, como conseguiu inclusive ultrapassar as oitavas de final (hoje as chamaríamos de fase de grupos, pois eram disputadas por quatro selecionados jogando entre si e só dois seguiam adiante). 

A Coréia do Norte  surpreendentemente alcançou as quartas de final, mandando a Itália para casa, mas Portugal restabeleceu a ordem natural das coisas, impondo-lhe um sonoro 5x3.

Então, como diria Nelson Rodrigues, pouco se me dão as posteriores revisões politicamente corretas dos idiotas da objetividade: o Santos foi o legítimo campeão mundial de 1962 e 1963, não campeão de uma hipotética Copa Intercontinental que não existia na época e hoje só existe na cabeça dos que engolem acriticamente as falácias oficiais...
Por que confessar isso agora?

[Aliás, a incoerência da Fifa é tamanha que reconhece como primeira competição mundial entre clubes a Copa Rio de 1951, disputada exclusivamente por equipes da Europa e da América do Sul. Ora, das duas, uma: ou foi outra copa intercontinental ou as vencidas pelo Santos foram campeonatos mundiais!]

O certo é que, em 1962, a tal Copa Rio já tinha sido esquecida por Deus e o mundo (exceto pelos palmeirenses), tendo sido o Santos o primeiro time brasileiro a ser reconhecido aqui e lá fora como campeão mundial, depois de qualificar-se para representar as Américas derrotando o Peñarol (2x1, 2x3 e 3x0) e de detonar o Benfica na grande decisão (3x2 no Maracanã e acachapantes 5x2 no Estádio da Luz). 

Foi nesta última partida que o Santos maravilhou a Europa, com Pelé marcando nada menos do que três gols em Lisboa, que vieram somar-se aos dois que havia feito no Rio.

[Um acontecimento inusitado se deu no segundo confronto para decidir a Copa Libertadores das Américas, travado na Vila Belmiro: os santistas reclamaram que jogadores uruguaios haviam jogado areia nos olhos do goleiro Gylmar no 2º gol e cometido outra falta no 3º. A torcida santista atirou algumas garrafas no gramado. O jogo continuou, o Santos empatou e o placar final foi 3x3. Mas, o juiz chileno alegou depois que a partida só valera até o 2x3, pois não havia condições de segurança e deveria haver sido encerrado... só que ele tivera medo de apanhar caso soasse o apito final antes da hora!]

O bi mundial não viria com goleada, mas foi épico. O poderoso Milan fez 4x2  em Milão e terminou o 1º tempo no Maracanã vencendo por 2x0 um Santos desfalcado de Pelé. Aí desabou uma tempestade e, à base da raça e dos petardos de Pepe no campo molhado (fez dois gols de falta), o Santos devolveu os 4x2. 
Zito jamais consentiria em tal papelão
A decisão se deu no Maracanã, dois dias depois, numa partida intensamente disputada e com redobrados cuidados defensivos. Depois dos dois jogaços anteriores, a vitória por apenas 1x0, gol do zagueiro Dalmo cobrando pênalti, acabou sendo um anticlímax. Mas bastou, e o Santos novamente conquistou o mundo.

Para quem conserva a lembrança desse passado glorioso, foi chocante a revelação que o ex-meia Elano acaba de fazer a um site esportivo estrangeiro: na única chance que o Santos teve de reeditar suas grandes conquistas da década de 1960, ao disputar a final do Mundial de Clubes de 2011 com o Barcelona, pediu clemência aos adversários para não ser massacrado!!!

E quem o fez foi o próprio Elano, suplicando ao Messi: "Pelo amor de Deus, deem uma aliviada para a gente".  

Cuidadoso, Messi evitou dar uma resposta comprometedora, mas subentendeu que o fariam: "Vamos ficar com a bola. Se vocês não jogarem, nós vamos...". 

Pode-se ler esta frase de duas maneiras, mas, à vista do que aconteceu depois, creio que a certa é: "Deixem-nos ficar com a bola fazendo o tempo passar e nós aliviaremos, sim". 

É que, após o avassalador domínio catalão no 1º tempo (3x0 que bem poderiam ter sido 6x0), no 2º o Barça tocou a bola displicentemente de um lado para outro enquanto os santistas corriam para não chegarem... Messi ainda marcou, aos 37', o gol derradeiro, para fechar a conta e, creio, para não dar muita pinta de que fizera uma caridade.
Teria sido melhor perder sem arreglo por 8x0, como neste amistoso de 2013...
.
Pode estar aí a explicação de por que o Neymar desperdiçou tão bisonhamente a maior chance do Santos na partida inteira. As más línguas disseram que era por já estar vendido ao Barcelona. Mas, talvez tenha sido para cumprir o combinado entre Elano e Messi.

O certo é que Elano foi sensato em só revelar publicamente este episódio vergonhoso após a morte do grande capitão Zito, caso contrário correria o risco de levar uma baita surra, por maior que fosse a diferença de idade entre ambos.
...do que humilhar-se ao adversário e armar uma farsa para perder só de 4x0!

segunda-feira, 18 de junho de 2018

A VÍDEO-ARBITRAGEM FALHOU? OU FOI A VÍDEO-GATUNAGEM QUE FUNCIONOU?

Por Celso Lungaretti
O veterano jornalista Marcelo Damato criou um blog para abordar a paixão, o dinheiro e o poder que envolvem a Copa, e um pouquinho de bola… Ele aponta um ângulo interessante para tentarmos entender como se validou um gol tão inequivocamente irregular como o da Suíça contra o Brasil. Recomendo a leitura.

Antes, quero apenas dar alguns rápidos pitacos:
  • a foto que mostra oito brasileiros mais o goleiro Alisson rodeando Zuber quando o suíço mandou a bola às redes é eloquente para comprovar a falha de marcação, mesmo tendo existido uma falta clamorosa;
  • o árbitro de vídeo é infalível apenas quando se trata de checar possíveis impedimentos e verificar se uma bola ultrapassou a linha de gol, a linha de fundo e as das laterais dos gramados. A marcação de pênaltis e faltas ainda depende, em última análise, de interpretação humana;
  • para quem duvidar de que o poder político influa em decisões de arbitragem, vale lembrar o Mundial de 1966, quando Brasil, Argentina e Uruguai foram simultaneamente prejudicados de forma igualmente claríssima, evidenciando que daquela vez não seria permitido a nenhum selecionado sul-americano atravessar o samba dos europeus.  
GOL DA SUÍÇA EXPÕE QUEDA DO PODER DA CBF DENTRO DA FIFA
A polêmica surgida em relação ao lance que gerou o gol da Suíça deixou claro um ponto: o Brasil nunca esteve tão órfão dentro da Fifa, ao menos nos últimos 60 anos.

Desde que Ricardo Teixeira deixou a presidência da CBF, em 2012, o poder brasileiro dentro da entidade-mãe começou a cair. Depois da operação do FBI, em 27 de maio de 2015, que prendeu o ex-presidente José Maria Marin e deixou o então presidente Marco Polo Del Nero acorrentado ao Brasil, a queda se acentuou.

O recente episódio envolvendo o atual presidente, o coronel PM Antonio Nunes, na escolha da sede da Copa de 2026, rebaixou a CBF a uma entidade da periferia da bola na hierarquia política de Zurique. Para alguns virou quase um pária.

E quando acontece um problema como deste domingo, o que fazer? Como pode reclamar a pessoa que quebrou um acordo e na última hora votou não só contra os interesses dos seus pares americanos, mas como os da própria direção da Fifa? 

Como pode ser levada a sério uma pessoa que, ao justificar seu voto, parecia uma criança acuada? Como um dirigente que está sendo escondido por seus próprios subordinados na Rússia pode encaminhar uma reclamação?

E não há como pensar que isso não tem importância. Numa entidade com forte caráter político como a Fifa, todo naco de poder é importante. Como em qualquer atividade humana, a política tem peso no esporte.

Não é só por vaidade, diárias e passagens que as federações nacionais disputam todos os cargos em todas as comissões. Ricardo Teixeira nunca gostou muito de futebol, mas sempre ocupou um posto na comissão de arbitragem e por algum tempo foi seu vice-presidente.

O futebol é obviamente jogado e decidido pelos times e pelos jogadores. Menosprezar o papel de craques como Pelé, Garrincha, Romário e Ronaldo –só para falar de alguns brasileiros– é impossível. Quando não há situações-limite, só isso importa. Mas, com alguma frequência, há decisões difíceis. Os árbitros, em geral, tentam acertar sempre, mas não ignoram quais são as equipes politicamente mais fortes.

Não foi por coincidência que o Brasil ganhou as três primeiras Copas após a chegada à CBD (hoje CBF) de João Havelange, que em seguida viraria presidente da Fifa por 24 anos. Havelange não fez gol, mas não desgrudava dos poderosos, até se tornar o maior de todos –de todos os tempos.

De 1958 a 2014, foram muitos os episódios em que o Brasil foi beneficiado nos jogos e fora dele –Garrincha, o craque da Copa de 1962, só disputou a final graças a uma manobra na comissão disciplinar; em 1970, o local de uma semifinal foi mudado para atender a pedido do Brasil. Em sentido contrário, foram bem menos comuns.

A partir de 1989, esse poder se reforçou. Teixeira, que chegou à CBF como um ET, logo mostrou-se um disciplinado pupilo de Havelange. Colocava a si mesmo e a aliados brasileiros em todas as comissões que conseguia. Em 2002, em pelo menos dois jogos, os erros do árbitro beneficiaram a seleção. E não se está atribuindo as conquistas a isso, claro.

Depois de Teixeira, porém, a história mudou. É verdade que a ação do FBI, 41 dias após a posse de Marco Polo Del Nero, cortou a cadeia de passagem de poder do Brasil dentro da Fifa. De uma tacada só, Teixeira, Marin e Del Nero ficaram afastados da entidade.

Mas não há como negar que o comportamento de Marin e Del Nero foi a maior causa dessa queda. Na presidência de Marin, era Del Nero que tinha cargos na Fifa. Era mais conhecido pela idade e curvas das namoradas que levava do que pelo trabalho na entidade. O posterior sumiço dele, pelo medo de ser preso no exterior, prejudicou a CBF ainda mais.
Final de 1966: gol que não houve decidiu prorrogação.   

E, para coroar, Del Nero inventou Nunes como seu sucessor temporário, apenas para impedir que um vice rebelde tomasse posse em caso de seu afastamento. E Nunes logo se revelou uma fonte quase infinita de constrangimento. E só tem piorado.

Agora, surge mais uma consequência previsível dessas decisões desastradas.

No código de honra dos jogadores, está não esperar por ajuda da arbitragem, mas ter a confiança de não serem prejudicados. Para que os brasileiros se preocupem apenas em jogar bola, eles precisam acreditar que suas costas estão protegidas.

Pela primeira vez em muitas Copas, isso pode não estar acontecendo. (por Marcelo Damato)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

PARA A FIFA, SÓ 3 CLUBES BRASILEIROS SÃO CAMPEÕES MUNDIAIS: CORINTHIANS, SÃO PAULO E INTER.

O nó tático de Tite e os milagres de Cássio garantiram a última conquista brasileira
A Fifa acaba de esclarecer que só considera campeãs mundiais de clubes as equipes que venceram os certames por ela organizados a partir do ano 2000. Com isto, o universo ficou reduzido a apenas 9 clubes, que acumularam 13 conquistas:
Muller e a taça desvalorizada
  • o Barcelona, com 3 títulos (2009, 2011 e 2015);
  • o Corinthians, com 2 (2000 e 2012);
  • o Real Madrid, com 2 (2014 e 2016);
  • e, com 1 título cada, o São Paulo (2005), o Internacional de Porto Alegre (2006), o Milan (2007), o Manchester United (2008), a Internazionale de Milano (2010) e o Bayern Munchen (2013).
Santos arrasou o poderoso Benfica em plena Lisboa
Apesar das décadas de insistência, o Palmeiras viu definitivamente rejeitada sua pretensão de que a Copa Rio de 1951 equivalesse a um Mundial de Clubes. 

Motivos bem maiores para se queixarem têm o Santos, que viu desvalorizadas suas gloriosas conquistas de 1962 e 1963; e o São Paulo, cujos títulos de 1992 e 1993 perderam o status de mundiais.

Outros que saem no prejuízo são o Flamengo (1981) e o Grêmio (1983).

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O MELHOR DO ANO E O MELHOR DO SÉCULO

No topo, os maiores de todos os tempos...
Pretendia passar em branco pela escolha de Cristiano Ronaldo como o melhor jogador da temporada finda, porque nunca dei importância a prêmios que nada mais são do que ferramentas de marketing (do futebol e dos negócios que gravitam ao seu redor). Tanto quanto o Oscar, que esnobou o melhor filme de todos os tempos, Cidadão Kane, preferindo o convencional Como era verde o meu vale...

Mas, animei-me a entrar no assunto quando veio o grande Tostão e se deu ao trabalho de escrever o que, para quem sabe das coisas, é o óbvio ululante:
"Cristiano Ronaldo é o melhor do ano, e Lionel Messi, o melhor do mundo... 
A explicação para Cristiano Ronaldo ganhar o prêmio, por ter sido campeão de quase tudo, é discutível, já que o Real Madrid possui hoje mais condições de ganhar títulos que o Barcelona.  
Mesmo assim, em 2016, Messi fez mais gols e deu mais passes para gols que o atacante português. Isso mostra que não são somente os gols e passes de Messi e Cristiano Ronaldo que definem as vitórias de seus times.
...estes e outros craques vêm depois.
O Real Madrid está superior ao Barcelona porque marca melhor no meio-campo, pelo posicionamento e pelo número de jogadores, faz mais gols em jogadas aéreas e, principalmente, por ter melhores reservas. 
Por não ter um bom substituto para Messi, Neymar e Suárez, o Barcelona poupa menos os três, o que gera mais riscos de contusões, mais cansaço e menos regularidade nas atuações".
Só me resta acrescentar que não há termo de comparação entre o maior gênio do século atual, capaz de pensar o jogo e de executar várias funções em campo com a mesma maestria (bem como de marcar gols maravilhosos em jogadas de extrema dificuldade), com um atacante que só se sobressai na conclusão das jogadas (na finalização e no último passe). 

Um é artista, o outro é atleta. Um é exímio driblador, o outro um ótimo cabeceador. Um é polivalente, o outro especialista. Um tem um acervo praticamente ilimitado e está sempre agregando novas habilidades, o outro apenas faz um pouco melhor o que tantos e tantos já fizeram antes dele. 

Messi cinco vezes premiado e Cristiano, quatro? Ridículo! Para traduzir em números a diferença qualitativa entre ambos, a proporção correta não seria 5x4, mas sim 8x1.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

O INDICADOR DE JOSÉ MARIA MARIN VOLTARÁ A FUNCIONAR

Desde a prisão na Suíça do ex-presidente da Casa Bandida do Futebol, José Maria Marin, o jornalista brasileiro que mais tem colocado seus leitores a par do que rola nos bastidores do caso é Ricardo Perrone. Alguém muito próximo a Marin certamente o municia.

E é Perrone quem nos ajuda a compreender (vide íntegra aqui) as últimas evoluções, com Marin aceitando ser extraditado para os EUA, onde uma audiência judicial realizada a toque de caixa o livrou das grades, colocando-o em prisão domiciliar:
"A rapidez como tudo foi feito desde a extradição, mostra um bom diálogo entre os advogados do cartola e as autoridades americanas, sem que para isso Marin se declarasse culpado de crimes ligados a corrupção. 
Porém, o fato de o ex-presidente da CBF se declarar inocente, não significa que ele não tenha o que contar para a Justiça. Muitas perguntas ainda vão ser feitas durante o processo".
Amigos, amigos, derrotas à parte...
Ou seja, se passou a ser tratado com brandura pelo FBI e pela Justiça estadunidense, é porque Marin fechou um acordo de delação. Parecem dispostos a permitir que ele escape sem uma punição mais rigorosa, em troca da incriminação dos comparsas.

Uma decisão sensata. Octogenário, já transferira o poder na CBF para Marco Polo Del Nero e, na Confederação Sul-Americana e na Fifa, apenas fazia figuração enquanto amealhava mais uma graninha por delas participar como --argh!-- representante brasileiro. Agora que sua carreira de dirigente esportivo foi compulsoriamente encerrada, não poderá mais participar da (e promover a) roubalheira, tendo de conformar-se em ver o tempo passar num apartamento luxuoso de Nova York, com a tornozeleira eletrônica servindo para manter viva na sua memória, o tempo todo, sua condição de degradado chique. 

Resolveram, portanto, relevar suas culpas para poderem aproveitar o outro talento marcante de Marin, o de apontar o dedo para os outros sempre que isto lhe convém.

Para ser favorecido em suas ambições políticas pela ditadura militar, fez em 1975, na Assembléia Legislativa de São Paulo, um pronunciamento indignado contra a infiltração subversiva na TV Cultura (saiba mais sobre isto aqui) e teve o azar de que uma decorrência do seu puxa-saquismo explícito haja sido o assassinato sob tortura de Vladimir Herzog.
Marin com Maluf: feitos um para o outro.

E agora, para evitar uma cana braba, voltará o dedo para Del Nero e sabe-se lá quem e quantos mais, enquanto posa de inocente: teria sido um velhinho crédulo de quem espertalhões se aproveitaram para fazer maracutaias à sua sombra. Acredite quem quiser (o pragmatismo amoral das autoridades estadunidenses me enoja!).

Será lembrado como o presidente da CBF em cujo mandato a Seleção Brasileira sofreu sua derrota mais acachapante e desastrosa em todos os tempos (e também por tentar eximir-se de suas responsabilidades atirando toda a culpa no treinador e no coordenador-técnico por ele escolhidos, o que levou o jornalista esportivo Juca Kfouri a comentar que "Judas Iscariotes não faria melhor").

E, claro, por haver assumido o papel de delator em dois episódios marcantes. 

Se tivesse um mínimo de autocrítica, repetiria a frase célebre do ditador Figueiredo: "Quero que me esqueçam!".

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

BRASIL: PÁTRIA OU VALHACOUTO?

Paulo Maluf é o brasileiro famoso que há 
mais tempo (cinco anos) consta da 
lista de procurados pela Interpol, contratempo que o levou a descobrir 
as delícias do turismo interno, não 
botando mais os pés fora daqui.

Marco Polo Del Nero é o mais ridículo: ao tomar conhecimento da prisão do seu comparsa José Maria Marin, abandonou sofregamente uma reunião da Fifa na 
Suíça, saindo em desabalada 
corrida para o aeroporto.

Desde então está confinado no Brasil.   

Já gazeteou três encontros do Comitê Executivo da Fifa, deixando nosso país sem representante quando se elegiam diretorias e se decidiam os rumos do futebol mundial. 

E não atuou nos bastidores como deveria, para evitar que Neymar perdesse os dois primeiros jogos do Brasil nas eliminatórias 
do Mundial 2018 por suspensão.

Nesta semana repetirá a dose e dirigentes da entidade já cogitam submeter seu caso 
ao Conselho de Ética.

A ambos dedico a marchinha "Daqui não saio, daqui ninguém me tira", composta por Paquito e Romeu Gentil, que fez sucesso no 
carnaval de 1949, gravada pelos Vocalistas Tropicais.

Lamentando que o Brasil seja pátria para nós e mero valhacouto para eles.
.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

E NÃO É QUE DESTA VEZ EU E O ZÉ DA MEDALHA CONCORDAMOS?!

"Se esse processo 
fosse no Brasil, eu 
não estaria preso."
(José Maria Marin, exaltando o jeitinho brasileiro, que garante impunidade eterna aos larápios ricos e poderosos. Concordo: aqui ele não estaria preso... lamentavelmente!) 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

NÃO NOS ILUDAMOS: AS FALCATRUAS ASSOCIADAS LOGO ESTARÃO DE VOLTA.

O FBI desarticulou momentaneamente a associação criminosa que quem sabe das coisas há muito vinha qualificando de Federação Internacional de Falcatruas Associadas. Em desespero de causa, o chefe do bando tentou abrir mão dos anéis para salvar os dedos. O mais provável, contudo, é que acabe na prisão.

Prisão em que já está o antigo godfather da Casa Bandida do Futebol. Se os brasileiros tivermos um pingo de vergonha na cara, logo se encontrará também trancafiado o cúmplice para o qual ele recentemente passou o bastão de capo di tutti capi.

O Juízo Final Murídeo (ou seja, dos ratos) está sendo divertido e desopila nossos fígados --prêmio de consolação para todos que, em vão, exortamos nossas autoridades a efetuarem a desratização antes da Copa do Mundo de 2014 

Isto poderia ter evitado os escabrosos 7x1, o maior vexame da Seleção Brasileira de futebol em cem anos de História e mais de mil partidas disputadas. Mas, todos os homens da presidenta foram incapazes de fazer o que parece ter sido brincadeira de criança para o FBI.

O que muda, depois de tanto som e fúria? Temo que Shakespeare estivesse certo: nada. 

Assim como ao mensalão seguiu-se o petrolão, é bem provável que, dentro de alguns anos, tudo esteja como dantes no quartel de Abrantes --com os novos criminosos do colarinho branco sendo apenas um pouco mais sutis do que os ora engaiolados. Estes últimos estavam tão certos da impunidade que deram bandeira demais, negligenciando precauções óbvias como a de não fornecerem pretextos para a intervenção estadunidense. 

Mas, canso de repetir, a corrupção é intrínseca ao capitalismo e subsistirá indefinidamente se não dermos fim à exploração do homem pelo homem. Enquanto os seres humanos forem tangidos dia e noite à busca sôfrega e compulsiva por riquezas, status e poder, haverá sempre os que vão trilhar atalhos criminosos para atingirem tais objetivos supremos.

Muito me orgulha ter sido um dos primeiros a reafirmar esta obviedade, quando a esquerda brasileira teve uma recaída populista no final da década passada, tomando partido por uma das facções mafiosas que disputavam um riquíssimo nicho do mercado de telefonia, ao invés de manter-se equidistante de ambas e alertar o povo que se tratava de uma briga tipo Andrés Sanchez x José Maria Marin. Não havia mocinhos, só vilões.

Em abril de 2009 divulguei um dos meus artigos que, sem falsa modéstia, considero lapidares: Combate á corrupção é bandeira da direita. Os que então não me escutaram seriam depois os mais indignados com as investigações da Polícia Federal, quando estas se voltaram contra os bons companheiros --as voltas que o mundo dá!

Permito-me citar aqui alguns trechos, pois lição que não foi aprendida tem de ser repetida:
"...a desproporção entre o dano causado ao cidadão comum pelos ladrões de galinha da política e as atividades corriqueiras dos capitalistas é incomensurável.
O capitalismo nos acarreta:
  • emergências ecológicas como as alterações climáticas que ameaçam a própria sobrevivência da nossa espécie;
  • recessões desnecessárias como a atual (que ainda não se sabe se evoluirá ou não para depressão);
  • a condenação de parcela considerável da humanidade a vegetar em condições subumanas;
  • o desperdício criminoso do potencial ora existente para assegurar-se a cada habitante deste sofrido planeta o mínimo condizente com uma sobrevivência digna;
  • a mobilização permanente dos homens para atividades improdutivas e desnecessárias ao invés da redução da jornada de trabalho para que todos possam desenvolver-se plenamente como seres humanos;
  • etc. (muitos, muitos etcetera!).
E, se quisermos ficar no confronto simplista de números, ainda assim o peso da corrupção política no orçamento de cada família continuará sendo uma fração ínfima do custo do capitalismo.
Eis um exemplo bem didático: levantamento da Associação Nacional dos Executivos de finanças, Administração e Contabilidade, numa pesquisa de junho a agosto 2002, constatou que os gastos mensais com despesas financeiras atingiam 35,43% da renda familiar para as situadas entre 1 e 5 salários mínimos, que compram mais a prazo do que os ricos; 33,62% para famílias entre 5 e 10 salários mínimos; e 32,95% para famílias com renda familiar entre 10 e 20 salários mínimos. A média geral para todas as faixas de renda é 29,83%.
Ou seja, apenas o ágio que nos é extorquido pelos agiotas do sistema financeiro já consome ao redor de um terço da nossa renda familiar.
...Então, interessa aos defensores do capitalismo fazerem a patuleia acreditar que a razão maior de seus apuros econômicos são os impostos, que estes acabam sendo em grande parte desviados pelos políticos e que isto, só isto, impediria nosso país de deslanchar.
Ademais, as intermináveis denúncias de corrupção acabam minando as esperanças do cidadão comum na transformação da realidade por meio da ação política. Se tudo não passa de um lodaçal, as pessoas de bem devem mesmo é cuidar de sua vida...
De quebra, fornecem pretextos para quarteladas, sempre que os meios de controle democráticos das massas não estão funcionando a contento.
Então, Paulo Francis dizia e eu assino embaixo: denúncias de corrupção política são bandeira da direita, que acaba sendo sempre sua beneficiária final, a despeito dos ganhos momentâneos que proporcionem à esquerda.
...em vez de pegar carona nos temas que a imprensa burguesa prefere magnificar, cabe à esquerda definir sua própria pauta e explicá-la aos cidadãos.
A corrupção política não é nossa prioridade, mas sim o combate ao capitalismo, verdadeira raiz dos principais males que infelicitam os brasileiros.
Precisamos ter a coragem de assumir a posição correta diante do povo, ao invés de tentar combater o inimigo num jogo de cartas marcadas, travado no terreno que só a ele convém".

terça-feira, 2 de junho de 2015

DEDICO ESTAS MÚSICAS AO JOSEPH E AO MARCO

"Si manda
Vai s'imbora
Eu não quero mais você
Eu não quero mais chorar
Eu não quero mais sofrer

...Vai s'imbora 
Tudo acabou 
Ficou o espinho 
pois a flor murchou" 
(Jorge Ben Jor)

"Oi! Zum, zum, zum,
Zum, zum, zum!
Está faltando um!

Oi! Zum, zum, zum,
Zum, zum, zum!
Está faltando um!"
(Fernando Lobo e 
Paulo Soledad)


quinta-feira, 28 de maio de 2015

HONRA ENTRE LADRÕES...

...é um dos títulos alternativos que recebeu, no mercado de vídeo, o excelente policial francês Adeus, amigo (que vocês podem assistir na íntegra clicando aqui).

Tem tudo a ver, aliás, pois remete ao momento mais marcante do filme. Dois homens que mal se conhecem são comparsas numa contravenção e, ao separarem-se, um deles (Alain Delon) diz para o outro jamais admitir que tinham agido juntos, caso contrário ambos pegariam penas bem maiores. Pede-lhe que dê sua palavra de honra.

O outro (Charles Bronson) objeta: "Mas, eu não tenho honra".

O primeiro insiste: "Quero sua palavra mesmo assim".

E o juramento acabará sendo integralmente cumprido.

Esta lembrança me ocorreu ao ler que o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, abandonou às feras seu velho parceiro e amigo José Maria Marin, tentando escapar sozinho do escândalo de corrupção no futebol.

Assim, a CBF não está dando assistência jurídica nenhuma a Marin na Suíça, desbatizou o edifício-sede (que tinha o nome dele) e destituiu-o da vice-presidência que ocupava. Coloca-o no isolamento, como leproso, na esperança de evitar o contágio.

Em vão: segundo vejo no site da Folha de S. PauloEUA indicam que Marin dividiu propina com Del Nero e Teixeira.

ROMÁRIO EXIGE FAXINA COMPLETA: "O SAFADO, LADRÃO E ORDINÁRIO DEL NERO TAMBÉM TEM QUE SER PRESO!"

"Policiais deram uma batida em um ninho de ratos e prenderam vários dirigentes.

Todos acusados de participar de um esquema de corrupção que já dura 20 anos.

Vergonhosamente, entre os detidos está o vice da CBF, José Maria Marin, um dos ratos que venho denunciando há muito tempo. 

Infelizmente não foi a nossa polícia que prendeu. Então, parabéns ao FBI e à polícia suíça. 

O safado, ladrão e ordinário Del Nero [que sucedeu Marin na presidência da CBF] também tem que ser preso!" (Romário de Souza Faria, que, como futebolista, carregou a Seleção Brasileira nas costas no Mundial Fifa de 1994, sendo hoje senador pelo RJ)

Não sei por que, mas desde ontem 
esta música não me sai da cabeça...
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