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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

A MORTE MORAL DE EVO MORALES É DISSECADA POR CARLOS LUNGARZO

"Para o hermano brasileiro [Jair Bolsonaro, que dele recebeu tal tratamento quando das festividades da posse], a vida de Evo não vale nada mais que cada uma das vidas dos 170 indígenas brasileiros que foram assassinados por jagunços e policiais nos últimos meses.

Vale até menos que a do mestre Moa e da militante Marielle. Para Bolsonaro e sua nojenta gangue, Evo é apenas mais um membro da mulambada" 

(Carlos Lungarzo, em longo artigo —
 acesse a íntegra aqui — no qual
disseca como e por que Evo Morales
traiu o escritor Cesare Battisti)

sábado, 27 de outubro de 2018

A ESCOLHA É ENTRE SEGUIRMOS VIVENDO, AINDA QUE DE FORMA INSATISFATÓRIA, OU MATARMOS UNS AOS OUTROS PELAS RUAS

"O anseio meu nunca mais vai ser só
Procura ser da forma mais precisa
O que preciso for
Pra convencer a toda gente
Que no amor e só no amor
Há de nascer o homem de amanhã"
(Geraldo Vandré, Bonita)
decisão que estaremos tomando neste domingo (28) transcende ideologias. É uma opção entre seguirmos vivendo, ainda que de modo insatisfatório, ou nos matarmos uns aos outros pelas ruas.

Temos, de um lado, o representante de um partido de esquerda que deixou de verdadeiramente lutar contra os poderosos desta sociedade, limitando-se a tentar ser por eles aceito como sócio minoritário. Não é, nem de longe, o governo que eu quero.

Só que, do outro lado, está um amontoado de ferrabrases alucinados por imporem ao restante da sociedade, a ferro e fogo, seus valores e modo de ser, numa esquisita associação com os oportunistas de sempre e os piores fisiológicos do esgoto da política brasileira.

Com o Fernando Haddad corremos o risco de voltar ao pacto dos explorados com os exploradores que perdurou enquanto Lula era presidente da República, no qual o primeiro contingente cedia muito e recebia em troca algumas migalhas, enquanto o segundo contingente cedia um tiquinho e recebia em troca privilégios injustificados e uma relativa paz social.

Com o Bolsonaro a promessa é de turbulências de todo tipo, com hordas caçando quem pensa, age, transa ou tem cor diferente, além de previsíveis confrontos com o Legislativo e o Judiciário quando suas propostas inconsequentes esbarrarem na dura realidade dos fatos e a opção for abandoná-las ou enfiá-las pela goela da sociedade adentro à base da porrada nas instituições e nos cidadãos.

Teríamos, reunidos num governo só: 
— a índole irascível de um Jânio Quadros, que não suportava o questionamento de seus planos mirabolantes e acabou tentando obter poderes ditatoriais mediante um autogolpe desastrado;
— a falta de um verdadeiro partido de sustentação, que obrigou Fernando Collor a montar um amplo esquema de corrupção para agraciar seus companheiros de primeira hora e saciar o apetite pantagruélico dos parlamentares de aluguel, até que os partidos poderosos uniram-se para dar um fim ao seu mandato; e
— a crassa incompetência econômica de Dilma Rousseff, principal responsável pela pior recessão brasileira de todos os tempos. 

Não é preciso ser nenhum Nostradamus para vaticinar que seria mais um governo sem prazo de validade de um quadriênio (só por milagre completaria um único ano!). 
Tão logo os iludidos pela pregação fantasiosa/rancorosa de Bolsonaro caíssem em si, constatando que os problemas antigos não estariam sendo resolvidos e muitos novos sendo criados, as cobranças começariam, depois as manifestações de rua, depois a repressão, depois mais revolta, depois mais repressão, até chegarmos ao caos, talvez a um autogolpe, talvez a um golpe militar. 

Este último é antiquado? Já parecia ser página virada em 1964, pelo menos em termos de grandes nações, mas reabrimos o ciclo e muitos outros vieram na esteira!

Enfim, votar contra Bolsonaro é o primeiro passo para o apaziguamento da sociedade brasileira, quando ela completa quatro anos perdidos por causa de um radicalismo que detona tudo e nada constrói, criando um ambiente tão desfavorável aos investimentos que a economia permanece indefinidamente patinando sem sair do lugar, enquanto o povo sofre e se desespera com uma penúria sem fim.
Sei que a decadência irreversível do capitalismo atingiu um novo patamar e não conseguiremos sequer reeditar a pequena melhora da década passada, mas ainda há como o sistema ao menos oferecer um respiro para os mais pobres recuperarem o fôlego. E nem isto teremos com o país em chamas, a consequência lógica da sociopatia extremada de Bolsonaro e o furor homicida de suas hordas de seguidores, caso o louco venha a assumir a administração do hospício.

Já deixamos pelo caminho muitos valores fundamentais da vida civilizada ao longo desta década maldita. Agora, a porta que se abre é para sairmos definitivamente da civilização, trocando o amai-vos uns aos outros pelo odiai-vos uns aos outros e por matai-vos uns aos outros.

Amanhã poderemos ter nossa última chance de impedir que o Brasil vire um péssimo lugar para se viver nos próximos anos e até sabe-se lá quando.

Temos nas mãos o nosso destino, o daqueles a quem amamos e o dos que virão depois de nós. Se cedermos à tentação de um desabafo inconsequente, não só estaremos brincando com fogo, mas condenando todos os brasileiros a se queimarem também! (Celso Lungaretti)

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

O QUE ESPERAR DE ALGUÉM CUJO SÍMBOLO DE CAMPANHA É UMA ARMA APONTADA?

O incorruptível Bolsonaro passou 20 anos no partido de Maluf
vladimir safatle
CORRUPÇÃO E VIOLÊNCIA
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"Não importa o que Bolsonaro fale, desde que ele garanta segurança e o fim da roubalheira." Essa afirmação de um de seu eleitores talvez expresse com clareza o que move muitos dos brasileiros e brasileiras a optarem por sua candidatura. 

No entanto, a crença de que Bolsonaro seria alguma espécie de resposta milagrosa à violência da sociedade brasileira e à corrupção de seu Estado é baseada em equívoco tão evidente quanto aquele que levou vários eleitores a verem em Fernando Collor um caçador de marajás.

Bolsonaro gosta de se vender como um homem incorruptível e incansável no combate à corrupção. Mas Bolsonaro é aquele mesmo político que passou 20 dos 27 anos de sua vida pública num partido notoriamente corrupto (PP), comandado por ninguém menos do que Paulo Maluf.

Em momento algum, alguém ouviu declaração indignada a respeito da corrupção de seu partido e suas figuras de proa. Nada disto o incomodou durante 20 anos. Ao contrário, quando questionado sobre a propina que seu partido recebeu da JBS e direcionada a ele, apenas afirmou: "Que partido não recebe propina?".
"Bolsonaro louva a corrupta ditadura brasileira"
Hoje, sua campanha é comandada por Onyx Lorenzoni, que deve ser seu chefe da Casa Civil. O mesmo que admitiu ter recebido R$ 100 mil de caixa 2 da mesma JBS para sua campanha. 

A campanha de Bolsonaro é entusiasticamente apoiada por pilares da moralidade como o pastor e ex-presidiário Edir Macedo, que terá certamente influência e ascendência em seu governo.

Enquanto isto, o senhor Bolsonaro louva um regime corrupto como a ditadura militar brasileira. Ninguém nunca ouviu o deputado indignado com casos de corrupção que fizeram a história da ditadura, como Coroa Brastel, Capemi, Jari, Brasilinvest e Paulipetro, entre tantos outros. 

Não é por acaso. O que incomoda Bolsonaro não é a corrupção, mas simplesmente a corrupção feita por aqueles que não são seus amigos, aliados ou ídolos, como sempre foi em terras pátrias.

Agora, aparecem histórias sobre omissão de patrimônio, uso indevido de verbas e estruturas funcionais, funcionários fantasmas e enriquecimento vertiginoso, a que o deputado responde com sua contumaz violência. 

Isso além de sua campanha ser marcada por uma circulação inacreditável de fake news, o nome contemporâneo para a pura e simples mentira. Imaginar que alguém dessa natureza será o destinado a varrer a corrupção do país é da ordem do simples delírio.

Sobre o pretenso combate à violência, o país viu o que significará seu governo nos últimos dias. Um de seus apoiadores matou o capoeirista Moa do Katendê numa discussão política. 
O estudante agredido pela horda

Outros espancaram um estudante na frente da UFPR por usar um boné do MST. Mulheres têm medo atualmente de serem importunadas por seus seguidores em bando na rua.

Diante da morte hedionda do capoeirista, não ouvimos Bolsonaro sequer se solidarizar honestamente, dizendo, como era de se esperar, que estava profundamente indignado com o fato, que prestava seu apoio à família em momento difícil, que isso era algo que ele nunca poderia aceitar. 

Falando um protocolar "eu lamento", ele logo afirmou, "quem levou a facada fui eu", preferindo agir como um chefe de gangue em vez de agir como um possível presidente.

Mas o que esperar de alguém cujo símbolo de campanha é uma arma apontada? Que volte a colocar esquadrões da morte na periferia, como em sua amada ditadura? Que permaneça igualmente indiferente quando seus seguidores organizarem grupos para caçar comunistas e corrigir homossexuais? É esse o homem que age em nome da ordem e do progresso?

Seus seguidores dizem que a violência é direcionada apenas a bandidos. O problema é que bandido para o senhor Bolsonaro é, no final das contas, todos aqueles que não pensam como ele e recusam os pretensos valores que esse senhor defende. 

Ou seja, sua união do país será feita sob os cadáveres dos oponentes e sob a violência contra os descontentes como, não podia deixar de ser, em sua amada ditadura. (por Vladimir Safatle)

segunda-feira, 8 de outubro de 2018

A VITÓRIA FASCISTA NO 1º TURNO TEM UMA MARCA REGISTRADA: A COVARDIA.

Não há episódio mais emblemático da vitória de Jair Bolsonaro no 1º turno da eleição brasileira do que a morte do mestre de capoeira Romualdo Rosário da Costa, conhecido como Moa do Katendê, assassinado por Paulo Sérgio Ferreira de Santana.

O episódio ocorreu por volta da meia-noite de domingo (7), na região central de Salvador, após uma discussão sobre política: Moa do Katendê votou em Haddad e Ferreira de Santana, no fascista.

Mas, por que emblemático? Por causa da repulsiva covardia do homicida, que tem 36 anos e desfechou 12 facadas num capoeirista... de 63 anos!
Ou seja, apesar de estar lutando com um idoso, não hesitou em sacar uma arma branca contra o adversário desarmado.

E mais emblemático ainda porque o covarde seguiu fielmente o exemplo do seu ídolo, o oficial do Exército que em 1995 entregou sua arma a bandidos sem nenhuma reação; e que, na semana passada, escondeu-se atrás de um atestado médico para fugir de um debate com seus adversários, preferindo ser entrevistado, na mesma noite, pela emissora de TV de um apoiador seu.
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