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sexta-feira, 23 de novembro de 2018

EM MEIO À ESCASSEZ E AGITAÇÃO SOCIAL, COM UM PRESIDENTE VAZIO, FUTURO DO NOVO GOVERNO É IMPREVISÍVEL – 1

david emanuel de souza coelho
O PRESIDENTE CAVALO DE TROIA 
Em artigo recente (vide aqui), analisei o caráter performático e vazio de Jair Bolsonaro. Vejamos agora quais programas embarcaram em sua candidatura, dela fazendo um atalho para chegarem ao poder. 

Não tendo um conteúdo programático a conduzi-lo, pois não passa de um vendedor de si mesmo, Bolsonaro precisava ocupar seu vazio com programas de terceiros; programas capazes de – na hipótese de tornar-se presidente – garantir base política e social para seu governo. E aqui entram os grupos programáticos que bancaram Bolsonaro. 

Tais grupos se assemelham aos guerreiros gregos às portas de Troia. A diferença é que sempre lutaram separados, tentando entrar na cidadela. 

Troia, no caso, é o Estado brasileiro e tais grupos representam forças sociais do país que nunca conseguiram – e, certamente, jamais conseguiriam – entrar por conta própria no coração do poder nacional. 

Bolsonaro é o cavalo de madeira, pura aparência falsa – pois uma imitação – e completamente vazio em seu interior. Ele precisava de programas e tais grupos precisavam de elegibilidade, então juntou-se a fome com a vontade de comer

São quatro os grupos programáticos que embarcaram no presidente cavalo de Troia:
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1) os fundamentalistas religiosos, oriundos sobretudo das igrejas evangélicas. Certamente, este grupo é o mais antigo a estar junto com Bolsonaro. 

Ao que parece, a relação entre o futuro presidente e os fundamentalistas surgiu muito mais enquanto uma aliança, mas acabou evoluindo para uma situação de acoplagem troiana, com destaque para os nomes de Magno Malta (antigo aliado de Bolsonaro) e Silas Malafaia (mais pragmático e próximo do conceito de embarque troiano). 

Além das pautas moralistas, tal grupo também visa interesses econômicos na sociedade e no Estado, seja ocupando cargos chaves, seja ampliando o escopo de atuação de suas organizações econômicas: TVs, rádios, clínicas, empresas de entretenimento, etc. 
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2) os militares revanchistas, que discordam da visão predominante sobre a ditadura militar e, de modo mais fundamental, não aceitam a Comissão da Verdade e os processos de investigação da verdade histórica sobre o período de arbítrio. 

Apesar de sempre ter tido por base os militares, é bom destacar o distanciamento entre Bolsonaro e o alto escalão do Exército, distanciamento que só diminuiu, justamente, a partir do ressentimento de setores antigos do militarismo tupiniquim com as investigações em torno da ditadura. Foi quando ele evidenciou-se como um barulhento defensor do regime, tendo, inclusive, homenageado a memória do torturador Brilhante Ustra em plenário. 

Embora vocalizem um reminiscente projeto desenvolvimentista, me parece que tal visão é muito minoritária. Na verdade, parecem mais interessados em questões corporativistas e de projeção pessoal. 
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3) os neoliberais rapineiros, ávidos por radicalizarem a pilhagem do trabalhador e do erário nacional. Capitaneados por Paulo Guedes (um inexpressivo economista da escola de Chicago), tais neoliberais representam a burguesia financista. 
Contam com o apoio desconfiado da mídia hegemônica – que vê com bons olhos a promessa de Paulo Guedes, de operar o tão sonhado desmonte do Estado brasileiro, transformando cada direito social da população em um produto para ser vendido no mercado. 

O santo graal, neste caso, sem dúvida é a Previdência, cuja reforma poderá, ao mesmo tempo, liberar bilionários créditos estatais para serem transferidos à burguesia financista via títulos públicos; e ainda gerar um próspero mercado de previdência privada, provendo especuladores com rios de dinheiro para serem queimados em bolsas ao redor do mundo. 
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4) os tenentistas togados, grupo de promotores e juízes que conduziram a Operação Lava-Jato e que vocalizam uma visão de reforma moral do país mediante o combate à corrupção. 

Sérgio Moro é o membro mais conhecido e popular deste grupo. Sua ida para o governo tem oficialmente a justificativa de consolidar o projeto reformista destes operadores da Justiça; no entanto, acredito que a real intenção esteja mais próxima da dos militares, ou seja, Moro busca no governo defender posições corporativistas e de projeção pessoal para si mesmo. 
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INTERESSES DISTINTOS – Os quatro grupos não possuem, até onde posso ver, pontos significativos em comum. São, a rigor, agrupamentos político-sociais diferentes, com interesses econômicos e ideológicos particulares. O que os une é apenas a possibilidade de acessarem o poder presidencial, coisa que, cada um por si, muito dificilmente conseguiriam. 

De todos, com certeza os fundamentalistas são os mais fracos do ponto de vista do poder de barganha político, pois, apesar de contarem com relativo apoio social, não possuem entrada no topo do establishment nacional, sendo até mesmo abertamente hostilizados por muitos dali. 

O fundamentalismo religioso não é um programa bancado pela camada superior da burguesia nacional, pelas Forças Armadas, pelo Judiciário, pela mídia ou, muito menos, pelo mundo acadêmico. Embora pentecostais e neopentecostais tenham se alastrado pela classe média brasileira, continuam longe de terem verdadeiro poder de influência nos setores chaves da plutocracia nacional, ainda dominada pelo mais que secular catolicismo pragmático, herdado da cultura portuguesa. 

Até por isto, já sentindo sua própria fraqueza, os fundamentalistas tentam se aproximar de outros grupos, como os militares e, sobretudo, os neoliberais, como indica o recente manifesto lançado pela bancada da Bíblia do Congresso Nacional. (por David Emanuel de Souza Coelho)
(continua neste post)

domingo, 4 de novembro de 2018

"IMAGINEI QUE ESTAVA NUM PAÍS DE AIATOLÁS, AO FIM DE UMA CRUZADA MEDIEVAL AO MODO TUPINIQUIM"

cristóvão tezza
REGRESSÃO FUNDAMENTALISTA
De todas as eleições presidenciais diretas que acompanhei na vida —Jânio, Collor, FHC, Lula, Dilma e, agora, Bolsonaro—, a cena mais impactante será justamente a de domingo passado (28/10), em que o capitão reformado eleito, num cenário improvisado e confuso, transmitido com o padrão de internet discada, em frases truncadas e gaguejantes, todos como que saídos de um bunker clandestino pintado de amarelo, invocou a verdade e Deus para a condução do país. 

Noutro momento, o novo presidente, de mãos dadas com Magno Malta, fechou os olhos e rezou em agradecimento, e em seguida ambos contemplaram o teto baixo em êxtase político-religioso. 

Na memória difusa do momento, lembro que vi na parede uma bandeira torta do Brasil. Ainda sem entender direito o que era aquilo, imaginei que estava num país de aiatolás, ao fim de uma cruzada medieval ao modo tupiniquim, com um Deus escolhido a dedo, no gatilho, acima de todos.

Um evidente exagero meu, ponderei. O sincretismo mental, nossa antropofagia cultural que tudo devora e transforma, e a multiplicidade cultural da sociedade brasileira haverão de suavizar este neo-fundamentalismo dos trópicos, agora simbolicamente militarizado, em cada gesto e fala. Espero que sim. 
"Temo que se troque a química pela alquimia"

De qualquer forma, pressenti naquela cerimônia bruta, no vaivém desencontrado de palavras de ordem unida, na retórica fragmentária e sem sintaxe, a verdadeira (e mais preocupante) quebra de paradigma de que tanto se falou nessas eleições. 

A visão do Estado como proprietário da esfera moral e religiosa da vida do cidadão, mais a (muitas vezes) sincera ignorância dos processos civilizatórios institucionais básicos que sustentam a modernidade política, ou seja, o Estado laico, a separação dos poderes e a imprensa livre são tópicos inéditos e assustadores.

Falou-se tanto em garantir a liberdade e a democracia que parecia que, apenas neste momento iluminado, depois de três décadas de vida constitucional, chegamos a elas, graças a Deus e aos seus soldados.

Sei que há um toque irracional em toda eleição, em geral restrito ao instinto das escolhas pessoais ou à fé política dos grupos organizados. 

Agora parece que a irracionalidade tornou-se o método. Uma autoridade que gravita em torno do novo governo disse a sério que as crianças, doravante, aprenderão também o criacionismo nas escolas públicas; temo que, em seguida, ensine-se a astronomia de Ptolomeu e troque-se a química pela alquimia. 
"O presidente eleito quer nos ver como éramos 50 anos atrás"
A ridícula e estúpida escola sem partido já estimula a denúncia pública dos infiéis. Nesse roteiro, as fogueiras vêm em seguida. É hora de rezar, com verdadeira contrição, para que os contrapesos institucionais do país sejam suficientemente fortes de modo a nos garantir pelo menos o século 20, já que o 21 parece cada vez mais longínquo. 

O presidente eleito também já disse, igualmente a sério, que quer nos ver como éramos 50 anos atrás. O sonho regressivo é a alma das utopias messiânicas, atrás de uma pureza ancestral que jamais existiu.

Todos queremos retornar à infância. O problema é que a infância do Brasil jamais foi boa.
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(por Cristóvão Tezzaficcionista e crítico literário)

domingo, 5 de agosto de 2018

UNIÃO ESCRITA NAS ESTRELAS: QUERIDINHO DO TERNUMA SERÁ O VICE DE BOLSONARO

Reação dos que viam o Bolsonaro chegar para oferecer posto de vice
O candidato da extrema-direita à eleição presidencial, Jair Bolsonaro, desistiu de continuar buscando um vice que agregasse algo à sua campanha, tornando-a mais atraente para segmentos cujo QI não se meça por números negativos e cujos padrões civilizatórios não sejam os mesmos de Gengis Khan e Átila.

Depois de ter suas propostas recusadas por, pelo menos, Magno Malta, o general Augusto Heleno e Janaína Paschoal (outras sondagens infrutíferas podem ter sido efetuadas sem o conhecimento da imprensa), afinal ele escutou um sim: o do general Hamilton Mourão.
Declarações bombásticas são com ele mesmo

O novo Mourão é uma alma gêmea do seu homônimo (mas não parente) Olympio, o falsário que forjou um plano comunista em 1937 para servir como pretexto para a decretação do Estado de Guerra e a intensificação da perseguição ao PCB, além de haver colocado suas tropas na BR-3 (hoje rodovia BR-040)  em 1964 para derrubar João Goulart.

E uma alma gêmea do próprio Bolsonaro, com quem, inclusive, coincide em matéria de indisciplina: quando estava na ativa também sofreu várias punições disciplinares. 

Hamilton Mourão, pelo hábito de deitar falação contra seus superiores, incluído o comandante supremo das Forças Armadas (o presidente da República). É uma das meninas dos olhos do grupo Ternuma, que reúne remanescentes da ditadura militar e outros ultradireitistas.

Bolsonaro, por sua estranha maneira de pleitear aumento do soldo em meados da década de 1980, quando admitiu à revista Veja que planejara mandar pelos ares a adutora do Guandu, o que secaria as torneiras de milhões de moradores da Baixada Fluminense.
Mais incontinência verbal do general Hamilton Mourão, em episódio de 15/09/2017

segunda-feira, 30 de julho de 2018

"BOLSONARO SERIA VAGABUNDO O SUFICIENTE PARA OFERECER UM CARGO IMPORTANTE A MAGNO MALTA"

celso rocha de barros
NÃO HÁ MAIS COMO BOLSONARO
VENCER COMO TRUMP VENCEU
Planos de Bolsonaro começaram a ruir...
O risco Bolsonaro mudou de cara na última semana. Não há mais como Bolsonaro vencer como Trump venceu.

Na onda global de radicalismo político que se seguiu à crise de 2008, um padrão parece claro: os radicais que venceram conseguiram colocar um pé dentro do sistema político tradicional. 

Trump foi candidato do partido republicano, uma das maiores máquinas políticas do mundo.

O pé dentro do sistema que Bolsonaro pretendia colocar era o centrão. Nunca teve chance de atrair o PSDB ou o PMDB. Oferecia, entretanto, a possibilidade de promoção do baixo clero à primeira divisão. Diga o que quiser, nenhum presidente brasileiro até hoje foi vagabundo o suficiente para oferecer um cargo importante a Magno Malta. Bolsonaro seria.

Não deu certo. O centrão foi para Alckmin. Desde então, Bolsonaro xinga muito o centrão, mas isso é como na fábula com uva e raposa. Bolsonaro tentou conquistar Valdemar Costa Neto, mas o PSDB foi mais raposa.
...quando Costa Neto preferiu fechar negócio com Alckmin.
Sem um pé no sistema partidário, não dá mais para Bolsonaro ser Trump.

No fundo, o candidato mais forte a Trump brasileiro seria João Doria, outra mediocridade política que, entretanto, conseguiu se infiltrar em um grande partido. 

Mas Doria cometeu um erro que Trump evitou: expôs sua pouca disposição para governar se elegendo prefeito antes de concorrer à Presidência.

Agora resta a Bolsonaro apostar todas as fichas no discurso antissistema. Não é mais importante saber o que Bolsonaro vai dizer ou propor. 

Seus aliados, até outubro, são novas revelações da Lava Jato contra seus concorrentes, a discussão no STF sobre o fim da prisão em segunda instância e a ênfase no discurso pró-militar, que pode transformar todo quartel pelo Brasil afora em um comitê de campanha. De agora em diante, todo discurso de Bolsonaro deve ser uma promessa velada de golpe para acabar com a corrupção.

Ou Bolsonaro cairá como Trump deveria ter caído, ou vencerá sendo muito mais nocivo à democracia brasileira do que Trump vem sendo para a democracia americana.
(principais trechos de artigo de Celso Rocha
de Barros divulgado nesta 2ª feira, 30)

sexta-feira, 20 de julho de 2018

QUEM ACEITARÁ SER O VICE DA ABOMINÁVEL CRIATURA? O PRÓXIMO CONVITE VAI PARA O GENERAL HAMILTON MOURÃO...

O presidenciável de extrema-direita Jair Bolsonaro continua à cata de um vice, depois do não que ouviu de Magno Malta e do general Augusto Heleno; o nostálgico seguinte da ditadura militar a receber convite será o general Hamilton Mourão.

Quem se prontificou a atender ao chamado foram a Janaina Paschoal e o Luciano Bivar. Se não conseguir convencer alguém que lhe agrade mais, só restará ao Bolsonaro escolher um deles. Se não tem tu, vem tu mesmo... 

Sobre a bola da vez, tudo que tinha para dizer sobre o novo Mourão, homônimo mas não parente do golpista de 1964, eu já disse no último mês de dezembro, então me permitirei repetir, começando pelo post do dia 8:
Eis a incontinência verbal do queridinho do Bolsonaro...
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Às vésperas de trocar a farda pelo pijama [o que faria no dia 31 de março de 2018, data escolhida a dedo!], o general Antonio Hamilton Mourão novamente se deu a incontinências verbais que configuraram clara insubmissão contra o presidente da República, que é também o comandante supremo das Forças Armadas; e emitiu opiniões inadmissíveis para qualquer militar na ativa.

Sobre Temer, o incrível general Brancaleone disse:
"Nosso atual presidente vai aos trancos e barrancos, buscando se equilibrar, e, mediante o balcão de negócios, chegar ao final de seu mandato".
E disparou também contra Lula, afirmando que, como "sobrevivente ao mensalão, ele achou que podia tudo"; a partir daí, "as comportas foram abertas do lado da incompetência, da má gestão e da corrupção".

Além, é claro, de novamente rasgar seda para a ditadura de 1964/85, pregando uma nova quartelada. O de sempre.
...e quem o convidou para a hora da saudade das trevas
De resto, para que não restasse nenhuma dúvida a respeito das abominações que defende, quando foi deitar falação no Clube do Exército (DF), ele compareceu como convidado... das viúvas e remanescentes da ditadura militar agrupados no movimento  Terrorismo Nunca Mais!!! 

[É] outro que se desgarrou do seu tempo na vã tentativa de fazer as rodas da História girarem para trás, pois seu ambiente mental é o de um passado medonho e repulsivo que hoje só tem lugar na lixeira da História.
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No dia seguinte soube-se qual seria a reação do Alto Comando e eu assim noticiei:
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Magno Malta foi o primeiro vice que bateu asas
O Exército (...) já resolveu que aplicará pela segunda vez no general Mourão o corretivo de exonerá-lo do cargo ocupado e designá-lo para outro, na esperança de que finalmente aprenda que em boca fechada não entra mosca.

Em 2015, ele perdeu o Comando Militar do Sul e foi encostado numa função burocrática em Brasília; agora, irá para outra. Não muda muita coisa, mas representa uma reprovação explícita a Mourão e às pregações golpistas na caserna.
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Dos vice cogitados até agora, Mourão me parece o parceiro ideal para Jair Bolsonaro, uma verdadeira alma gêmea. Ambos coincidem não só em serem defensores fervorosos das atrocidades cometidas pela repressão nos anos de chumbo, como também em haverem recebido punições disciplinares quando vestiam a farda.
A segunda escolha também não vingou

Bolsonaro admitiu em 1987 ter cometido atos de indisciplina e deslealdade para com os seus superiores. O então capitão foi acusado por cinco irregularidades e teve de responder a um Conselho de Justificação, formado por três coronéis..

O motivo foi um artigo que ele escreveu em 1986 para a revista Veja, no qual pediu aumento salarial para a tropa, sem consentimento dos superiores; e a afirmação, meses depois, ao ser entrevistado pela mesma publicação, de que ele e outro oficial haviam elaborado um plano para explodir bombas-relógio em unidades militares do Rio.

Bolsonaro pegou 15 dias de prisão por "ter ferido a ética, gerando clima de inquietação na organização militar" e "por ter sido indiscreto na abordagem de assuntos de caráter oficial, comprometendo a disciplina".

quinta-feira, 19 de julho de 2018

PITORESCAS REVELAÇÕES SOBRE O GENERAL HELENO E UMA DÚVIDA: POR QUE NÃO O DR. BUMBUM COMO VICE DE BOLSONARO?

"O general foi rápido e firme, como convém a um general, quando divulgada a possibilidade de ganhar a vice de Jair Bolsonaro: 'Estou preparado', disse aos jornais. 

Disse, não; como convém a um general em vésperas de tamanha honraria, o general bradou. Mas retumbante foi a resposta do seu partido, o PRP, que se recusou a endossar a composição. Uma pena.

São várias oportunidades que se perdem. P. ex., chamado a entrevistas coletivas e eventos em nome da chapa, o general Augusto Heleno Pereira teria ocasião de falar aos cidadãos sobre o tempo em que foi auxiliar do general Cardoso no Planalto de Fernando Henrique.
Bolsonaro e o general Heleno: "produtos fabricados em série"

Constatou-se então que o general Heleno era o mais frequente contato do juiz Nicolau dos Santos Neto, exclusive familiares. Como o general negasse por escrito, em carta, pude expor [na Folha de S. Paulo] a prova de sua ligação com o juiz mais tarde condenado e preso por corrupção, na obra do novo Tribunal da Justiça do Trabalho, em São Paulo.

O SNI estava extinto desde Collor e assim continuava, no dizer de Fernando Henrique. No entanto, Lalau passava ao general Heleno, com presteza sistemática, informações sobre os graúdos paulistas e seus negócios, os políticos, a imprensa. Entre outros temas. Era a preservação do policialismo, com todos os seus defeitos. E mais um: a falsidade da inexistência de espionagem interna.

Se dado a nostalgias, o general Heleno poderia ser tentado a esclarecer o eleitorado sobre um fato sempre omitido. Seu nome é acompanhado, muitas vezes, de citação ao comando que exerceu da Força brasileira no Haiti.
Magno Malta e o general Heleno não aceitaram ser vices de Bolsonaro; Janaina Paschoal se oferece.
Sem referência, jamais, a que esse comando foi encerrado bem antes do prazo, por um motivo sem precedente: a ONU pediu que o general brasileiro fosse retirado do comando. A respeito, só ficou registro da chegada do general Heleno, abalado a ponto de chorar.

Assuntos não faltariam ao vice de Bolsonaro para interessar o eleitorado. Embora nenhum se compare à perda da oportunidade de mostrar aos eleitores que Bolsonaro não é único nas ideias e modos, não tem originalidade. É produto que foi fabricado em série."(por Jânio de Freitas, na Folha de S. Paulo desta 5ª feira, 19)
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