segunda-feira, 30 de março de 2026

O MEU CAMINHO PELO MUNDO EU MESMO TRAÇO, MARX E PROUDHON JÁ ME DERAM RÉGUA E COMPASSO...

Muitos companheiros me criticam por desafinar o coro dos contentes, não participando de correntes de solidariedade a nomenklaturas como a de Cuba. 

Primeiramente, por serem  apenas tecladistas solidários, quando só fariam a diferença se fossem combatentes solidários, como aqueles bravos estrangiros que se voluntariaram para ajudar as tropas republicanas na guerra civil espanhola.

Depois, por tais tecladistas me lembrarem demasiadamente os sociais patriotas que se avacalharam na  guerra mundial. Também eles eram numericamente muito superiores aos verdadeiros revolucionários e isto não impediu que acabassem na lata de lixo da História.

Esta história merece ser contada ou lembrada. 

No princípio, Marx e Engels anunciavam uma maré revolucionária que uniria e imantaria os proletários de todos os países, varrendo o planeta. É o que lemos no mais inspirado panfleto político que a humanidade já produziu, o Manifesto do Partido Comunista de 1848.

Os trabalhadores do mundo inteiro estavam irmanados pela sina de terem uma substancial parcela da riqueza que geravam (a mais-valia) expropriada pelo patronato. Ademais, a exploração capitalista havia subjugado países e culturas, submetendo proletários de todos os quadrantes a uma mesma lógica de dominação. 

Os papas do marxismo profetizaram, então, que o socialismo seria igualmente implantado em escala global, começando pelas nações de economias mais avançadas e estendendo-se às demais.

O movimento revolucionário foi, pouco a pouco, conquistado pela premissa teórica do internacionalismo, ainda mais depois de a heroica Comuna de Paris ser esmagada em 1871 pela ação conjunta de tropas reacionárias francesas com o invasor alemão. 

Se as nações capitalistas conjugariam suas forças para sufocar qualquer governo operário que fosse instalado, então os movimentos revolucionários precisariam também transpor fronteiras, para terem alguma chance de êxito – foi a conclusão que se impôs.

A
Internacional Socialista, que havia sido fundada en 1864, soçobrou principalmente devido ao impacto da derrota da Comuna de Paris sobre o conjunto do movimento operário europeu, mas a semente plantada frutificou na poderosa 2ª Internacional, que aglutinou em 1889 os grandes partidos socialistas consolidados nesse ínterim.

A bonança, entretanto, não fez bem a esses partidos. Muitos dirigentes, deslumbrando-se com os aparelhos conquistados, passaram a querer mantê-los a qualquer preço, lutando por melhoras para a classe operária do seu próprio país, em detrimento da solidariedade internacional. 

Teorizaram que o socialismo poderia surgir a partir das reformas realizadas pacificamente e do crescimento numérico da classe média, sem necessidade de uma revolução.
A deflagração da
1ª Guerra Mundial cindiu definitivamente o movimento revolucionário: os reformistas acabaram alinhados com os governos de seus respectivos países no esforço guerreiro, enquanto os marxistas conclamaram os proletários a não dispararem contra seus irmãos de outras nações. 

Lênin, Trotsky e Rosa Luxemburgo encabeçaram a reação contra os (por eles designados pejorativamente como) sociais patriotas e os trâmites para a fundação da 3ª Internacional, contraponto àquela que perdera sua razão de ser.

As nomenklaturas são igualmente perniciosas, pois, passado o momento heroico da revolução, se tornam regines desvirtuados pelo favorecimento escandaloso aos altos funcionários. A dominação de classe capitalista dá lugar à dominação de casta do chamado socialismo real

Fico com Lênin, Trotsky e Rosa Luxemburgo, até porque é neles que me inspiro desde 1967. (por Celso Lungaretti)

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