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segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

ELE FOI UM REI E CHEGA AOS 90 ANOS QUAL UM TRAPO. MAS NUNCA ESQUECEREMOS O VANDRÉ DE ANTES DA LAVAGEM CEREBRAL

"
Ele foi um rei, e brincou com a sorte
Hoje ele é nada, e retrata a morte...

Ele passou por mim, mudo e entristecido
Eu quis gritar seu nome, não pude
Ele olhou pra parede, disse coisas lindas
Disse um poema pr'um poste, me vieram lágrimas

...O que fizeram com ele? Não sei
Só sei que esse trapo, esse homem foi um rei"
(Tributo A Um Rei Esquecido, Benito Di Paula)

Geraldo Vandré,  o maior expoente da resistência musical à ditadura dos generais,  se tornou nonagenário no último mês de setembro. De forma melancólica, praticamente esquecido. 

Como este blog publicou dezenas de posts sobre os vários momentos da trajetória do Vandré e 24 deles podem ser acessados clicando-se nos links reunidos no rodapé, vou apenas relembrar algo crucial para não cometermos uma enorme injustiça ao avaliarmos sua transformação de cantador não por dinheiro, por justo anseio geral em apologista da Força Aérea Brasileira

Pois, embora haja sido muito decepcionante, para os que o admiravam, a transformação pela qual ele passou ao voltar para o Brasil em 1973, continuam existindo muitas dúvidas sobre se ela não teria resultado de uma terrível lavagem cerebral.  

Sabe-se que ele atravessou maus momentos antes de deixar um País já submetido ao AI-5, mas sua transformação de rei em trapo se deu adiante, na volta para o Brasil, quando a ditadura dele se apossou em 14/07/1973 e só o liberou em 11/09/1973, anunciando então sua chegada como se tivesse acabado de desembarcar no Galeão.
Na verdade, Vandré foi mas é internado numa clínica psiquiátrica e, em depoimento que li na internet, uma companheira que também estava lá relatou que ele se encontrava sob vigilância de agentes da ditadura, impedido de falar com os outros pacientes.

Há também referências a uma internação em 1974, numa clínica do bairro de Botafogo (RJ), depois de uma crise de nervos durante a qual teria ameaçado esfaquear a irmã.

Mas é a do ano anterior que realmente importa. Pode-se dizer que se constituiu num divisor de águas. Vandré era um antes e se tornou outro depois.

Outras peças do quebra-cabeças: em 1980, quando a Caminhando foi enfim liberada pela censura e gravada pela Simone, conversamos uma tarde inteira em seu apartamento da rua Martins Fontes (SP).

Eu pretendia entrevistá-lo para várias revistas de música, mas ele não aceitou. Contudo, ficamos papeando em off e ele fez uma confissão significativa. 

Disse que a Caminhando podia voltar ao mercado com outra intérprete (Simone), mas ele se colocaria em perigo caso não permanecesse à margem desse processo. Como era uma fase de atentados ultradireitistas contra a abertura do ditador Geisel, percebi que era a eles que Vandré estava aludindo. E que ele estava premeditadamente aparentando confusão mental como forma de autopreservação.

Eis, ainda, duas declarações de 2004, numa entrevista que Vandré concedeu a Ricardo Anísio, do Jornal do Norte
"...eu voltei [do exílio] doente e meio perdido em meu país, quando justamente os militares  me  acolheram  (!),  me deram tratamento médico (!!), e  me alojaram (!!!)".

"... havia escrito a canção ["Fabiana"] porque sempre fui um apaixonado por aviões. Agora, a minha relação com as Forças Armadas hoje, é de muito  respeito mútuo  (!).  Eles me tratam com dedicação (!!) e  sabem das minhas questões existenciais (!!!)".
Ou seja, parece também que utilizaram contra ele o velho teatrinho do policial bonzinho x policial malvado. A alguns ele temia, a outros via como protetores. 

Vale citar o Timothy Leary, aquele mesmo dos experimentos com o  LSD, que foi também uma das mais maiores autoridades científicas no estudo das lavagens cerebrais:
"Como procedimentos elas são basicamente simples, consistindo na troca de alguns circuitos robóticos por outros. Assim que a vítima passa a encarar o reprogramador como a criança encara seus pais - fornecedores de segurança vital e de apoio para o ego - qualquer nova ideologia pode ser inculcada no cérebro.
Durante o estágio de vulnerabilidade, qualquer pessoa pode ser convertida a qualquer sistema de valores. Facilmente podemos ser induzidos a entoar 'Hare Krishna, Hare Krishna' como 'Jesus morreu por nós', ou a bradar 'abaixo o Vaticano', aceitando plenamente as ideologias que estão por trás desses temas".
Fragilizado por tudo que sofrera, incluindo problemas com drogas, Vandré pode muito bem ter, naqueles suspeitíssimos 58 dias, sido induzido a bradar viva a FAB, o que equivalia, como percebeu o Benito Di Paula, a estar louvando a morte.

Concluindo: enquanto não soubermos no que realmente consistiu o tal  tratamento médico  proporcionado pelos militares quando  acolheram  e  alojaram  o Vandré, não poderemos, em sã consciência, descartar a hipótese de lavagem cerebral. De minha parte, sempre nele verei um companheiro que foi assassinado espiritualmente pelos fascistas, assim como Victor Jara e Garcia Lorca o foram fisicamente. 

Desprezo só merece quem não ousou lutar quando, mais do que nunca, a luta era necessária. (por Celso Lungaretti)


OS MELHORES POSTS SOBRE O VANDRÉ NESTE BLOGUE (clique p/ abrir):
  1. DE COMO UM HOMEM PERDEU O SEU CAVALO E CONTINUOU ANDANDO
  2. VANDRÉ: DILACERANTE
  3. VANDRÉ: DE REI A TRAPO EM 58 DIAS
  4. AINDA SOBRE O ARTISTA MÍTICO QUE HABITA A MEMÓRIA DE SUA CANÇÃO
  5. UMA TENTATIVA DE DECIFRAR O ENIGMA VANDRÉ
  6. ADRIANA TANESE NOGUEIRA: "UMA ANÁLISE DE VANDRÉ"
  7. A ÉPOCA DE OURO DA MPB 12, 34 e 5
  8. QUEM DEU SUMIÇO NO VÍDEO DO VANDRÉ, A DITADURA OU A TV RECORD?
  9. "TANTA VIDA PRA VIVER/ TANTA VIDA A SE ACABAR/ COM TANTO PRA SE FAZER/ COM TANTO PRA SE SALVAR"
  10. RARIDADE: VANDRÉ INTERPRETANDO A CANÇÃO QUE COMPÔS PARA GUEVARA.
  11. GERALDO VANDRÉ, ENTRE TANTOS
  12. NEM VITOR NUZZI DECIFROU O ENIGMA VANDRÉ, NEM A ESFINGE O DEVOROU
  13. É HOJE: TV LEVA AO AR A 1ª ENTREVISTA DE VANDRÉ DESDE 1973!
  14. UM DOCUMENTÁRIO QUE TENTA DECIFRAR O 'ENIGMA VANDRÉ'
  15. GERALDO VANDRÉ NO CANAL LIVRE (parte 1): VALEU A PENA VÊ-LO DE NOVO?
  16. GERALDO VANDRÉ NO CANAL LIVRE (parte 2): VALEU A PENA VÊ-LO DE NOVO?
  17. 2018 TERÁ CONCERTO DE VANDRÉ NO BRASIL
  18. PREPARE SEU CORAÇÃO E ASSISTA AO VÍDEO: QUASE MEIO SÉCULO DEPOIS, VANDRÉ VOLTA A CANTAR "CAMINHANDO" NO BRASIL!!!
  19. CURIOSIDADE: UMA ENTREVISTA CONCEDIDA POR GERALDO VANDRÉ 8 MESES ATRÁS.
  20. CONHEÇA A GRAVAÇÃO COMPLETA DO ÚLTIMO SHOW QUE GERALDO VANDRÉ FEZ EM NOSSO PAÍS, NA VÉSPERA DO AI-5.
  21. ESTE TELEDRAMA SOBRE EXILADOS, ESCRITO HÁ QUATRO DÉCADAS, FOI INSPIRADO NUMA CANÇÃO DO GERALDO VANDRÉ
  22. A NOSSA PAIXÃO NESTA 6ª FEIRA – VANDRÉ
  23. O MAIS DRAMÁTICO DE TODOS OS FESTIVAIS DE MPB FAZ 55 ANOS [BÔNUS: VEJA VANDRÉ CANTANDO "CAMINHANDO" EM 1970]
  24. VEJA AQUI UM VÍDEO RARÍSSIMO DE VANDRÉ NO EXÍLIO
APRESENTAÇÃO DO VANDRÉ EM 2918, ERRANDO A LETRA 
DA "CAMINHANDO" E  RECORRENDO A COLA NOUTROS 
TRECHOS. DEIXOU-ME DESOLADO.

terça-feira, 25 de julho de 2023

GERALDO VANDRÉ NO CANAL LIVRE (parte 2): VALEU A PENA VÊ-LO DE NOVO?

Bem que eles tentaram fazer-nos crer
que este senhor era o Geraldo Vandré...


A
TV Bandeirantes mentiu: prometeu um Canal Livre tendo o cantor e compositor Geraldo Vandré como entrevistado, mas nos apresentou um funcionário público aposentado cujo nome é Geraldo Pedrosa de Araújo Dias e que compareceu escondido atrás de uma barba cerrada, óculos escuros e boné cafona.

O pior foi que tal cidadão, próximo de completar 88 anos de idade, passou o tempo todo respondendo de forma lacônica e evasiva as perguntas que lhe faziam, como se quisesse dissociar-se do mito com o qual é erroneamente confundido.

Conseguiu.  A sensação que tive foi a do triste fim de um dos maiores expoentes da música brasileira em todos os tempos. Vandré está morto. E nem os esforços dos entrevistadores, empenhados em dele obterem um sopro de vida em benefício do programa, conseguiram reacender uma chama que virou cinzas.

O mais doloroso eram os vídeos incluídos de performances antigas do Vandré, às vezes com a tela dividida entre o intérprete que personificou a repulsa dos jovens idealistas à pior ditadura que o Brasil já conheceu e o visível constrangimento de um homem que, ao contrário do título alternativo da música Ventania (clique p/ acessar), não conseguiu continuar andando após ter perdido seu cavalo.  

Na verdade, o que ele perdeu foi a alma, depois de ser sequestrado por militares tão logo desembarcou em 1973 num aeroporto brasileiro, ao retornar de seu exílio por Chile, Uruguai e vários países europeus. 

Permaneceu internado durante 58 dias numa clínica carioca e de lá saiu mudado, ora fazendo-se de louco, ora desconversando sobre o que realmente sofrera nas mãos daqueles a quem outrora fustigara com versos como estes, da canção Terra Plana (1968):
...mas não nos deixamos iludir, pois sua verdadeira
imagem continua bem viva na nossa memória!


"...se um dia eu lhe enfrentar,/ não se assuste, capitão,/ só atiro pra matar e nunca maltrato, não./ Na frente da minha mira/ não há dor, nem solidão. 
"E não faço por castigo,/ que a Deus cabe castigar/ e se não castiga ele,/ não quero eu seu lugar./ Apenas atiro certo/ na vida que é dirigida/ pra minha vida tirar..."
Benito Di Paulo, em seu Tributo a um Rei Esquecido (1974), expressou seu espanto com o estado ao qual ficou reduzido aquele que "foi um rei e brincou com a sorte,/ hoje ele é nada e retrata a morte"

E, como tantos e tantos que o haviam conhecido quando ainda era Vandré, perguntou: "O que foi que fizeram com ele? Não sei./ Só sei que esse trapo, esse homem foi um rei".

Mas, não foi com um trapo que conversei longamente numa tarde de 1980, quando a censura liberara Caminhando e o hino revolucionário de 1968 (não apenas uma exaltação das passeatas, pois termina apontando para a guerrilha nos versos "somos todos soldados, armados ou não" e "a certeza na frente, a História na mão.../ aprendendo e ensinando uma nova lição") voltava a obter sucesso na voz de Simone.

Naquela ocasião ele não fez declarações de amor aos algozes, mas sim disse que não se apresentaria nos palcos brasileiros enquanto não fosse restabelecida a ordem institucional e admitiu temer retaliações caso tentasse voltar à tona juntamente com a canção que, acaba agora de dizer, determinou o fim de sua carreira.

Suas palavras foram então bem claras: a música emblemática poderia ter um novo apogeu, mas se ele embarcasse nessa onda, talvez virasse um alvo na mira de personagens sinistros.
Pausa na gravação do LP Das Terras de Benvirá

Ou seja, daqueles aloprados que incendiavam bancas de jornais e enviavam cartas-bomba a instituições como a OAB e a ABI para tentarem abortar a abertura lenta, gradual e segura do ditador Ernesto Geisel, a qual incluía a extinção dos DOI-Codi que haviam brotado como cogumelos na fase mais brutal do terrorismo de Estado.

Suas ostensivas bizarrices naquele momento não passariam, portanto, de um artifício para, fingindo-se de morto, driblar a morte. 

Então, mantenho a minha análise segundo a qual "o que fizeram com ele" naqueles 58 dias que ficou à mercê dos órgãos de segurança não foi propriamente uma lavagem cerebral, até porque em verdade não funcionou, tendo, contudo, o intimidado de tal forma que ele desperdiçou em 1980 sua última grande chance de voltar a ser Vandré.

O resto foi anticlimax, até por não haver passado pela prova de fogo o personagem que ele projetou em várias de suas canções (vale lembrar também Bonita, de 1968, quando ele se despede de uma namorada por estar partindo para a guerrilha e acreditar que não voltará, afora, claro, o tributo ao Che, que está na altura de 16'21" do vídeo atrás lincado). 

Foi torturado? É difícil chegarmos a uma conclusão. Mas, afinal, o que ele queria subentender com a canção gravada em 1970 em seu exílio europeu, na qual ergue, até no título, uma Bandeira Branca? Os versos "Se for preciso, morena,/ na frente ainda dá pra enfrentar", p. ex., aludem à situação em que vários torturadores agridem um prisioneiro por todos os lados ou é somente a primeira impressão que ocorre a quem passou por tal espancamento covarde?
Após esta matéria de capa Vandré
passou a ser visto como louco

O certo é que, como ele próprio antevia, Vandré perdeu seu cavalo e não sabia mais para que lado andar. A auto-estima de nordestino pode tê-lo impedido de admitir francamente que não resistiu de forma altaneira ao inimigo, como acreditava que conseguiria, daí haver enveredado por um tal emaranhado de contradições que talvez nem ele próprio soubesse mais como fazer para desatar os nós.

Ditaduras podem executar artistas como Garcia Lorca e Victor Jara, ou matá-los espiritualmente como foi feito com Vandré. 

Fiquei indignado ao ver o morto-vivo exposto pela TV Bandeirantes, ainda que não tenha sido esta a intenção dos realizadores do melancólico Canal Livre do último domingo, 23. 

Foi como se o sistema tripudiasse sobre aquele que destruiu de forma hedionda, transformando-o, como bem disse o Benito Di Paula, num traste. (por Celso Lungaretti, jornalista, escritor, blogueiro e ex-preso político) 
Também mencionada no Canal Livre de 23/07/2023, eis a peça de cunho
religioso-libertário que Vandré compôs em 1968 para a celebração da
Semana Santa na igreja paulistana de São Domingos das Perdizes.  

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

VERDE, QUE TE QUIERO VERDE... DESDE QUE SE CUIDE DIREITO DO VERDE!

Outra arvore tombada 3ª feira, em rua próxima
Apesar da precariedade financeira que estava atravessando, ainda encontrei em janeiro um cantinho para morar com custo suportável e verde suficiente para me encher os olhos. Considerei-me um felizardo, por ter-me sobrado tal consolo.

Conheci o outro lado da moeda anteontem, 3ª feira. Um temporal matutino derrubou uma grande e bela árvore cheia de cupins por dentro, um transformador explodiu e um monte de aparelhos elétricos da hospedagem foi afetado. Daí o blog ter ficado fora do ar ontem durante o dia inteiro.

As árvores são indispensáveis na nossa vida, mas perigosas. As maiores, quando desabam, já mataram e podem voltar a matar pessoas. O descaso com a fiscalização e a falta de manutenção adequada por parte da prefeitura paulistana são chocantes!

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

O MELHOR QUE BOB DYLAN TEM A FAZER É NÃO COONESTAR A FARSA DO NOBEL

Considero geniais algumas letras de canções de Bob Dylan (Forever young, Hurricane, I shall be released, Knockin' on heaven's doorLike a rolling stone), mas não chegam nem perto das obras-primas da poesia ela mesma, como À espera dos bárbaros (Konstantinos Kaváfis), Balada (Mário Faustino), Guantanamera (Jose Marti), Os homens ocos (T. S. Eliot)  e Romance sonâmbulo (Garcia Lorca).

Considero que, se fosse para igualarmos letristas de rock a poetas, Jim Morrison, Leonard Cohen e Paul Simon mereceriam ter sido premiados antes dele

Considero ridículas as justificativas fajutas para outorgar-lhe o Nobel de Literatura. O motivo verdadeiro: obter espaço na mídia para um prêmio que só a poucos e chatos continuava interessando. Ou seja, tudo não passou de um lance de marketing.

Mas, se Dylan continuar ignorando olimpicamente a premiação e batendo com o telefone na cara dos espertinhos da Academia Sueca que tentam arrastá-lo para o oba-oba, aí sim fará por merecer o respeito dos melhores seres humanos. 

E será meu candidato para o Prêmio Muhammad Ali de Coerência Ideológica, juntamente com:  
  • Tommie Smith e John Carlos, os atletas negros dos EUA que ergueram os punhos para o alto, fazendo a saudação do Poder Negro no pódio da Olimpíada de 1968; 
  • Marlon Brando, que não só recusou o Oscar por O poderoso chefão, como enviou à festa, para representá-lo, uma ativista da causa indígena; 
  • George C. Scott, que preferiu ficar em casa assistindo a uma partida de hóquei do que ir buscar seu Oscar por Patton, rebelde ou herói?
  • e o futebolista alemão Wilhelm Simetsreiter, que não deu a mínima para a presença de Adolf Hitler no vestiário antes da partida contra a Noruega nas Olimpíadas de Munique, ficando um tempão a amarrar suas chuteiras, enquanto os colegas, atônitos, administravam como podiam a saia justa.
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