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terça-feira, 25 de junho de 2019

A MARCHA ERA PARA JESUS, MAS HAVIA TANTA PREGAÇÃO DE ÓDIO QUE O DIABO DEVE TER FICADO EUFÓRICO...

álvaro costa e silva
COM CRISTO,
 FAZENDO ARMINHA
Primeiro presidente da República a prestigiar a Marcha para Jesus, Bolsonaro foi mais adorado que o próprio Jesus. 

Num palanque, usando uma camisa promocional do evento (uma versão VIP da camisa, com a marca do jacaré), ele pareceu mais gordinho. Colete à prova de balas? 

Diante da multidão concentrada na zona norte de São Paulo, fez com as mãos o conhecido gesto de atirar e voltou a defender o decreto inconstitucional de liberar porte e posse de armas. Foi aclamado, aos gritos de Mito e Messias.

Fiquei na dúvida. Será que aqueles cristãos defendem fuzilamentos em vez de paz e amor? 

Ou estavam dando sua concordância à declaração do presidente de que a população precisa se armar para impedir que governantes assumam “o poder de forma absoluta”? [Não, ele não falava da situação da Venezuela, mas do Brasil mesmo.]

Bolsonaro retribuiu a força que recebeu das igrejas durante a eleição. Embora colecionando desmandos e trapalhadas, ele já pensa em 2022. 

Hoje os evangélicos são 30% da população e devem crescer ainda mais em importância e estratégia política. A festa de comunhão foi um vale-tudo: bandeiras de Israel, camisas da seleção, figurinos militares, orações para policiais, rejeição à Nossa Senhora Aparecida.    

Enquanto um segmento religioso prospera a ponto de tornar seus líderes milionários, outro é perseguido. Bolsonaro —como era aquela história de governar para todos os brasileiros?— até agora não deu um pio sobre o crescimento dos casos de intolerância e violência envolvendo religiões de matriz africana.

Em todo o país, terreiros de candomblé têm sofrido invasões. Homens armados com foices, facões e fuzis agridem os macumbeiros e destroem objetos sagrados. Perseguição desse tipo, antes, só nas primeiras décadas do século passado. 

Quem leu Tenda dos Milagres, o romance de Jorge Amado, sabe o quanto estamos regredindo no tempo. (por Álvaro Costa e Silva)
...e quem não leu o romance, pode conhecer a obra clicando acima para 
assistir à versão cinematográfica que Nelson Pereira dos Santos dirigiu
em 1977, com Hugo Carvana, Sônia Dias, Anecy Rocha e Jards Macalé.

sexta-feira, 27 de outubro de 2017

CULTOS AFRO-BRASILEIROS DENUNCIARÃO INTOLERÂNCIA RELIGIOSA À OEA. ELES MERECEM NOSSO TOTAL APOIO!

Celso Lungaretti
A notícia abaixo é da repórter Denise Mota, da Folha de S. Paulo, e diz respeito a uma iniciativa que conta com o meu total e irrestrito apoio. Trata-se, aliás, de um dos motivos pelos quais me repugnou tanto ver a Dilma, na campanha eleitoral de 2014, caçando votos na maje$to$a pirâmide paulistana do Edir Macedo. 

Além de tudo, os mercadores da fé são também caçadores de bruxas, pois precisam de um inimigo qualquer para assustarem o seu rebanho (é bom para os negócios...). 

Se puder comparecerei, por uma razão de coerência: há meio século luto contra todas as formas de obscurantismo e fanatismo religioso. 

"Na próxima 2ª feira, 30, líderes de instituições que representam cultos de matriz africana apresentarão uma petição na Câmara Municipal de São Paulo, às 19h, que será endereçada à Corte Interamericana de Direitos Humanos. No documento, representantes de organizações de todo o país, ao lado de um grupo de juristas, denunciarão os crescentes casos de intolerância religiosa e pedirão providências concretas.

'São dois os objetivos principais: requerer uma audiência pública na Corte, para que o Estado brasileiro dê explicações sobre a grave e crescente intolerância que vitimiza fiéis das religiões afro-brasileiras em todo o país. 


E instaurar um processo visando obter uma sentença que condene o Brasil a indenizar as vítimas de intolerância religiosa, aperfeiçoar o aparato normativo, dotar recursos financeiros e implementar políticas públicas de prevenção ao discurso de ódio religioso', explica o advogado Hédio Silva Júnior, ex-secretário da Justiça e Defesa da Cidadania do Estado de São Paulo.


A assinatura da petição estará aberta a toda a população. A iniciativa parte de instituições como as casas matrizes da Bahia, o Axé Batistini, a União de Tendas de Umbanda e Candomblé do Brasil, o Superior Órgão de Umbanda, o Coletivo de Entidades Negras e o Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro-Brasileira, entre outras.


O documento também elencará uma série de atos que configuram violações aos direitos dos praticantes de qualquer religião, garantidos pela Constituição brasileira, mas diluídos no dia a dia real, em 'um fosso que separa a legislação e o cotidiano de impunidade', como afirma Silva Júnior. 

São casos de ataques físicos, depredações de templos, torturas, ameaças, destruição de patrimônio, ofensas verbais, constrangimentos e humilhações de crianças em escolas, recusa de funcionários públicos em atender candomblecistas e sentenças judiciais que negam o caráter de religião ao candomblé, à umbanda, ao batuque e a outras expressões de fé afro-brasileiras".

terça-feira, 28 de julho de 2015

NEM PÃO, NEM CIRCO.

O Brasil, de uns tempos pra cá, virou o fio. Passou a andar para trás. Embotou. Encruou. 

Atravessamos o pior momento econômico desde a hiperinflação do Sarney e a coisa só tende a piorar, pois já são favas contadas o fracasso do ajuste do Levy. Mas, como a teimosia da Dilma é mastodôntica, levará um bom tempo ainda para ela curvar-se à evidência dos fatos e tentar outra jogada, com outro ministro. Enquanto isto, continuaremos decaindo. 

Por falar em decadência, nem mesmo a fórmula do declínio do Império Romano conseguimos aplicar direito: o circo que nos é oferecido está longe de servir para disfarçar a falta de pão. Muito pelo contrário: temos sofrido humilhação após humilhação nas grandes competições internacionais.

Na Copa do Mundo, nosso futebol amargou a pior derrota de uma seleção brasileira em todos os tempos: 1x7 numa semifinal disputada em nossa casa.

Na Copa Libertadores, já são dois anos em que nossos clubes nem na final chegam.

Na Copa América, fomos eliminados pelo medíocre Paraguai que, logo em seguida, levou um passeio da Argentina, comprovando não ter sido ele que evoluiu. Nós é que estamos involuindo, a ponto de encararmos com justificados receios as eliminatórias para o próximo Mundial.

E, como desgraça pouca é bobagem, um titular do escrete do Dunga foi flagrado no antidoping. 

Finalmente, no Pan a notícia a nosso respeito que corre mundo é a do goleiro que andou pondo as mãos e outra parte do corpo onde não deveria.

Como todo o resto tem dado com os burros n'água, a Dilma e outros dirigentes poderiam seguir o conselho do Zeca Pagodinho:

"Ah! Meu filho, do jeito que suncê tá,
só o ôme é que pode ti ajudá.

Você compra a garrafa de marafo,
marafo que eu vou dizê o nome,
meia-noite tu vai na encruzilhada,
destampa a garrafa e chama o ôme.

O galo vai cantá, você escuta,
rêia tudo no chão, que tá na hora.
E se o guarda noturno vem chegando,
você olha pra ele, que ele sai andando...."

sexta-feira, 12 de junho de 2015

LIBEROU GERAL NA CASA DO CUNHA! OS UMBANDISTAS DEVERIAM LOUVAR OXALÁ EM PLENÁRIO...

O Brasil, segundo a Constituição Federal, é um Estado laico --aquele que não se confunde com determinada religião; não adota uma religião oficial; permite a mais ampla liberdade de crença, descrença e religião; assegura a igualdade de direitos entre as diversas crenças e descrenças; e no qual fundamentações religiosas não podem influir nos rumos políticos e jurídicos da nação.

Isto não impediu o presidente da Câmara Federal, Eduardo Cunha, de assistir impassível a uma afrontosa palhaçada de deputados evangélicos, que deveriam estar todos sendo chamados ao Conselho de Ética para tentarem justificar tamanha quebra do decoro parlamentar.

Agora que Cunha suspendeu, na prática, a vigência da Carta Magna no tocante à laicidade do Estado, os religiosos de outras confissões deveriam averiguar se a igualdade de todos perante a Lei e perante os Poderes da nação também já deixou de viger na Câmara.

Fica a minha sugestão: já que considerações de ordem religiosa estão ensejando, inclusive, a exibição impune de pornografia no plenário, seria o caso de os umbandistas, que são alvos preferenciais da intolerância dos ferrabrases evangélicos e amiúde têm seus templos por eles vandalizados, irem louvar Oxalá na casa que deveria ser do povo, mas parece estar sob ocupação do Cunha.

Respeitosamente, é claro, para não serem confundidos com a horda antecessora.

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