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terça-feira, 28 de julho de 2015

NEM PÃO, NEM CIRCO.

O Brasil, de uns tempos pra cá, virou o fio. Passou a andar para trás. Embotou. Encruou. 

Atravessamos o pior momento econômico desde a hiperinflação do Sarney e a coisa só tende a piorar, pois já são favas contadas o fracasso do ajuste do Levy. Mas, como a teimosia da Dilma é mastodôntica, levará um bom tempo ainda para ela curvar-se à evidência dos fatos e tentar outra jogada, com outro ministro. Enquanto isto, continuaremos decaindo. 

Por falar em decadência, nem mesmo a fórmula do declínio do Império Romano conseguimos aplicar direito: o circo que nos é oferecido está longe de servir para disfarçar a falta de pão. Muito pelo contrário: temos sofrido humilhação após humilhação nas grandes competições internacionais.

Na Copa do Mundo, nosso futebol amargou a pior derrota de uma seleção brasileira em todos os tempos: 1x7 numa semifinal disputada em nossa casa.

Na Copa Libertadores, já são dois anos em que nossos clubes nem na final chegam.

Na Copa América, fomos eliminados pelo medíocre Paraguai que, logo em seguida, levou um passeio da Argentina, comprovando não ter sido ele que evoluiu. Nós é que estamos involuindo, a ponto de encararmos com justificados receios as eliminatórias para o próximo Mundial.

E, como desgraça pouca é bobagem, um titular do escrete do Dunga foi flagrado no antidoping. 

Finalmente, no Pan a notícia a nosso respeito que corre mundo é a do goleiro que andou pondo as mãos e outra parte do corpo onde não deveria.

Como todo o resto tem dado com os burros n'água, a Dilma e outros dirigentes poderiam seguir o conselho do Zeca Pagodinho:

"Ah! Meu filho, do jeito que suncê tá,
só o ôme é que pode ti ajudá.

Você compra a garrafa de marafo,
marafo que eu vou dizê o nome,
meia-noite tu vai na encruzilhada,
destampa a garrafa e chama o ôme.

O galo vai cantá, você escuta,
rêia tudo no chão, que tá na hora.
E se o guarda noturno vem chegando,
você olha pra ele, que ele sai andando...."

domingo, 23 de novembro de 2014

A BANDA DE PÍFIOS DE CARUARU E A LENDA VIVA OSCAR SCHMIDT

Oscar Schmidt é, simplesmente, o melhor jogador do basquete mundial em todos os tempos, o recordista absoluto de pontuação (49.703 pontos), o jogador de bola-ao-cesto que mais participou de Olimpíadas (5) e o que nelas mais pontos marcou (1.093). 

E mais: o atleta que lavou a alma de todos nós, brasileiros, nos Jogos Panamericanos de Indianápolis, EUA, em 1987. 

Os estadunidenses se julgavam senhores absolutos do basquete e não levavam a sério o adversário da finalíssima: nós. Tanto que uma jogadora da equipe feminina, depois de sagrar-se campeã no jogo inicial, pendurou sua medalha no pescoço do namorado, integrante da seleção masculina. Sem maldade; é que a vitória era dada como favas contadas, a ponto de ela nem sequer perceber quão arrogante e anti-esportivo havia sido seu gesto.

No primeiro tempo, eles chegaram a colocar 20 pontos na nossa frente, mas foram para o intervalo com uma vantagem um pouco menor: 14.

Oscar voltou do vestiário com incrível disposição, empolgando os companheiros. E passou a ter um aproveitamento fantástico nos arremessos de fora do garrafão. Fez jus ao apelido de mão santa.

Os estadunidenses, até então, não davam muita importância à novidade de os arremates de longe terem passado a valer três pontos, ao invés de dois. Estavam acostumados a articular tão bem suas jogadas que acabavam quase sempre finalizando de perto -e convertendo. Para que arriscar de longe, com risco bem maior de errar?

A incrível derrota diante do Brasil, por 120 x 115, os fez reconsiderar este conceito. Por obra e graça do Oscar, o brasileiro que deu uma aula de basquete na terra dos Harlem Globetrotters.

Como extraordinário esportista e como homem exemplar, ele fez por merecer nosso irrestrito respeito e a nossa mais humilde gratidão. 

Assim não pensaram, no entanto, alguns alunos de uma faculdade particular do Agreste de Pernambuco, que abriram o maior berreiro virtual por causa dos maus modos do jogador ao ministrar uma palestra. Como se seus egos chamuscados fossem tudo que importasse e uma trajetória grandiosa tivesse passado a significar nada.

Sentirão vergonha de sua pequenez, ao saberem agora o verdadeiro motivo do comportamento de Oscar? Duvido. A única imagem que importa para os mimadinhos da vida é aquela que eles veem no espelho.

Eis o outro lado da história, apresentado pelo jornalista esportivo Milton Neves:

"Sim, ele foi mal em Caruaru, decepcionando os pernambucanos.

Mas não foi de caso pensado.

Quem não sabe, graças a Deus, o que é ter um tumor maligno no cérebro, que atire tantas pedras neste bom homem, hoje atormentado e talvez condenado.

Meu saudoso avô materno, Luis Carlos Fernandes, ferroviário da Mogiana em Muzambinho-MG, morreu no Rio não resistindo a uma operação para retirada de tumor no cérebro.

Era um homem doce, mas se transformava com terríveis dores de cabeça.

Tanto que atirou um paralelepípedo em um galo do Sítio Invernada só porque o dono do terreiro cantou bem alto perto dele, um homem doente, com o fatal tumor na cabeça.

Calma com o Oscar, gente, o gigante nasceu no Rio Grande do Norte para ajudar o Brasil inteiro.

E como nos deu alegrias, hein?

Mas, hoje, ele não é mais dono de si ou de seus desatinos.

E nem de seu destino".

Obs.: o nome do ótimo conjunto de música instrumental da cidade é, claro, Banda de Pífanos de Caruaru. Mas, foram mesmo pífios os que se mostraram tão alheios e indiferentes à via crucis do Oscar.

quarta-feira, 16 de julho de 2014

#NãoVaiTerMedalhaDeOuro

Para quem não sabe, Fernando Meligeni, o Fininho, é um argentino que vive no Brasil desde os quatro anos de idade, tendo sido o primeiro estrangeiro naturalizado a disputar uma Olimpíada com a nossa bandeira. 

Tenista de nível intermediário, cuja melhor colocação no ranking da ATP foi o 25º lugar, destacava-se por lutar como um leão na quadra, amiúde atirando-se no chão para salvar pontos que os adversários davam como ganhos. 

Isto foi decisivo para que fechasse sua carreira com chave de ouro: na última competição que disputou, com a aposentadoria já anunciada, foi medalha de ouro nos Jogos Pan-americanos de 2003, evitando cinco match-points do franco favorito Marcelo Rios e vencendo seus dois sets no tie-break. 

Sua performance foi tão impressionante que lhe valeu a medalha Tiradentes, pelo "espírito olímpico, união e garra que desempenhou nos jogos de São Domingo, representando o país com brilho".

Hoje comentando tênis na ESPN, Meligeni lança um alerta que devemos encarar com máxima seriedade: "O fundo do poço está logo aí". Segundo ele, o Brasil pode tomar novas goleadas de 7x1 ao sediar as Olimpíadas de 2016 (os trechos principais estão abaixo, a íntegra pode ser acessada aqui):  

"Ao ler a nossa presidenta e o ministro dos Esportes declarando que querem moralizar o futebol, poderia ficar feliz e até orgulhoso. Realmente, a vergonha política e de organização é tremenda, e nem um otimista acha que algo não precisa ser feito. Mas, ao declararem isso, infelizmente mostram que, ao invés de ajudar, estão prejudicando o esporte brasileiro. Explico.

Vivemos uma vergonha e os mesmos, ou até piores, problemas nos outros esportes.

Presidentes de entidade despreparados, alguns com problemas na Justiça, esportes abandonados, atletas sem apoio, entidades que nem torneios conseguem fazer e muito menos organizar um esporte. Para minha surpresa, tristeza e indignação e dos outros esportistas, mais uma vez nossos políticos mostram que o nosso país se preocupa apenas com o futebol e que apenas ele tem que ser tratado com carinho. Mais uma vez, o país mostra aos seus esportistas que daqui a dois anos estarão representando o país nas Olimpíadas em casa que NÃO ESTAMOS NEM AÍ PRA VOCÊS.

Sinceramente, não acredito que um dia vamos ter o mesmo tratamento que o futebol, mas nem por isso precisam desprezar os outros esportes. 
Carlos Nuzman preside o COB desde 1995

A história dos 'outros' esportes é muito rica. Lembrar que o esporte brasileiro já teve e tem Torben e Robert na vela, Oscar, Paula e Hortência no basquete, Geovani, Mauricio, Negrão, Tande, Emanuel e seleções femininas de vôlei, Guga, Nat Falavigna no abandonado taekwondo, Flávio Canto e tantos outros judocas, Gustavo Borges, Xuxa, Cielo e outros na natação e tantos outros de tantos esportes que deram e dão alegria ao seu povo.

Acredito que o esporte precisa de uma reviravolta. Precisa de uma voz de comando. Precisa de coragem. Queria muito que a presidenta, o ministro dos Esportes ou alguém do alto escalão do nosso país tivesse a coragem, loucura, visão ou sei lá o que para mudar tudo. Profissionalizar o esporte, obrigar que os dirigentes sejam empresários, que eles possam ser demitidos e que não sejam donos do esporte, que tenham de prestar contas de verdade, que os esportistas tenham voto nas eleições, que o perpetuísmo seja proibido, etc, etc, etc..."

O tie-break decisivo do Pan 2003. Para ver a partida inteira, clique aqui. 
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