Mostrando postagens com marcador redução da jornada de trabalho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador redução da jornada de trabalho. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 12 de novembro de 2024

FIM DA ESCALA 6X1 RECOLOCA A LUTA DE CLASSES NO CENTRO DA POLÍTICA

 


Poderoso movimento cresceu nos últimos meses entre os trabalhadores, a luta contra a escala 6x1, ou seja, a jornada de trabalho de 44 horas semanais que impõe apenas um dia de folga aos trabalhadores. Mais de 1,5 milhões de pessoas assinaram abaixo-assinado enviado ao Congresso para mudar a Constituição e determinar a redução da jornada de trabalho. 

Em primeiro lugar, é digno de entusiasmo ver a mobilização dos trabalhadores em prol de uma causa de sua jornada de trabalho, um movimento auto-organizado pelos próprios trabalhadores. Mesmo que o resultado desta mobilização não leve à aprovação do projeto, a colocação da questão já é importante pois repõe o debate político em seu centro correto que é o das relações econômicas entre capital e trabalho. Essencialmente, a mobilização contra a escala 6x1 é uma ação contra a superexploração do trabalho no Brasil, país que possuí uma das maiores cargas horárias de trabalho do mundo, atrelada a baixíssimos salários. 

Vida para Além do Trabalho (VAT). Trabalhemos
menos, vivamos mais!

Em segundo lugar, deve-se notar que tal pauta deveria já ter sido colocada há décadas pelo lulopetismo. Uma vez no poder, ele deveria ter aprovado a redução da jornada de trabalho. Não apenas não o fez, mas também conduziu uma série de ataques aos trabalhadores, com reformas da previdência, terceirização e privatizações. Com certeza, a atual movimentação deve estar causando incômodos na cúpula pelega do lulismo que, não duvidemos, já deve estar pensando em meios de esvaziar e neutralizar tal movimento.

A extrema-direita já saiu em campo para se posicionar contra a proposta, mostrando claramente sua posição de classe, em defesa da superexploração dos trabalhadores. Isso é muito bom, pois a desentoca do debate cultural e comportamental e a coloca no terreno aberto da luta de classes. Nesse terreno, o trabalhador, mesmo que seduzido pelo discurso moralista do bolsonarismo, verá em ato que o programa da extrema-direita é, e sempre será, o alinhamento aos interesses dos capitalistas. 

Para que o movimento tenha êxito, será essencial ir além de um abaixo-assinado e iniciar grandes mobilizações de rua e mesmo paralisações nacionais, articuladas nos vários setores da economia. Contudo, como dito, o lulopetismo deverá agir pra não ter qualquer mobilização e, assim, o caminho parece ser o fracasso momentâneo da mobilização. 

No entanto, o aparecimento deste tema, de forma tão espontânea e fortalecida, é sinal de uma inflexão na política nacional. Finalmente estaremos saindo do debate superficial e despolitizado sobre democracia, moralismo, fake news e entrando na arena quente da luta de classes em seu ponto nefrálgico. Neste momento, lulismo e bolsonarismo estão nus, revelando, à luz de todos, seus compromissos intrínsecos com os interesses dos capitalistas. Bolsonarismo e lulismo são faces opostas da mesma cabeça burguesa. 

A esquerda revolucionária precisa estar atenta, pois podemos estar entrando em um novo período de lutas políticas no Brasil em que a classe trabalhadora toma consciência de sua real tarefa: destruir o capitalismo. (por David Coelho)



quinta-feira, 18 de setembro de 2014

OS BRASILEIROS FINALMENTE PERDERAM O MEDO DE SER FELIZES. AÍ FOI O PT QUE NÃO OUSOU FAZÊ-LOS FELIZES...

Uma tarefa a que sempre me propus é a de garimpar as raras pepitas existentes em meio às toneladas de ouro de tolo com que os leitores se deparam no período eleitoreiro. Trata-se de uma tarefa das mais relevantes, pois a manipulação agora atinge os píncaros, com os veículos da grande imprensa e uma verdadeira legião de blogueiros amestrados competindo encarniçadamente pelo Troféu Goebbels de Martelagem de Mentiras

O que há para ser lido nesta 5ª feira (18) é a notícia Impasse com PT faz Dilma suspender plano de governo (acesse a íntegra aqui), de duas jornalistas da sucursal de Brasília da Folha de S. Paulo, Andréia Sadi e Natuza Nery.

Por quê? Porque fornece um quadro de bastidores que é bem coerente com o que os observadores perspicazes já depreendiam da bizarra demora de Dilma Rousseff em divulgar seu programa de governo.

Nunca superestimei esses papeluchos, que geralmente estão mais para peças propagandísticas do que qualquer outra coisa, produzindo espuma colorida cujo destino, depois das eleições, é o ralo.

Há até boas intenções, só que raras e inconciliáveis com os valores mais altos que (posteriormente) se alevantam, como diria Camões. Acabam pavimentando o caminho do nosso peculiar inferno tropical, no qual tudo conspira para o inarredável imobilismo ou o eterno retrocesso.

Mesmo assim, os programas são faca de dois gumes, pois os adversários os utilizam para, fazendo leituras distorcidas e tendenciosas, imputarem ao candidato cuja reputação querem assassinar os intentos mais sinistros e estapafúrdios, que nem a Spectre dos filmes do 007 seria capaz de cogitar a sério...

É o que a campanha petista tem feito com o programa de Marina Silva e com certas declarações de seus supostos futuros ministros.

E é por medo do troco que reluta tanto em expor o seu, preto no branco, ao fogo inimigo. Adora tanto ser estilingue quanto detesta ser vidraça.

Isto tudo era adivinhável e a notícia citada só veio confirmar.

O mais interessante é a identificação do que está pegando:
"...coordenadores da campanha enviaram a assessores presidenciais a proposta sobre trabalho.
O documento propunha, entre outros pontos, avançar na negociação para a redução da jornada de trabalho, o fim do fator previdenciário (que reduz o valor de aposentadorias precoces) e a regulamentação da terceirização.
Apesar de não declarar publicamente, o governo evita há quatro anos que a proposta do fim do fator previdenciário seja votada no Congresso. O Planalto enfrenta pressão das centrais sindicais, mas nunca se comprometeu com a ideia da redução da jornada de trabalho. 
A Folha apurou que, ao tomar conhecimento por assessores das propostas para trabalho e emprego, Dilma determinou o adiamento da divulgação do programa.
Outro ponto de atrito é a revisão da Lei de Anistia. Dilma já disse, reservadamente, ser pessoalmente a favor, mas não encaminha a medida para não provocar crise com as Forças Armadas".
As repórteres lembram que, em 2010, o plano de governo de Dilma  inicialmente incluía "bandeiras importantes para a esquerda, como a democratização dos meios de comunicação", que acabaram sendo substituídas adiante por propostas menos polêmicas.

Resumo da opereta: 
  • é alentador constatarmos que ainda há correntes no PT querendo fazer a coisa certa, pois o mínimo que se espera de um partido dos trabalhadores é a luta pela redução da jornada de trabalho, pelo fim do fator previdenciário e pela extinção da falsa terceirização (amplamente majoritária), um mero artifício para privar os trabalhadores dos direitos que haviam adquirido, deixando-os à inteira mercê da cupidez capitalista;
  • mas, é desalentador ficarmos sabendo que a pressão das centrais sindicais até agora tem sido infrutífera, pois os dirigentes do PT preferem não atritar-se com o grande capital; e
  • mais desalentador ainda termos a confirmação de que a presidenta foge ao confronto com as Forças Armadas (ou, mais precisamente, com altos oficiais que estão apenas blefando, pois jamais conseguiriam arrastar as tropas para aventuras institucionais nas circunstâncias presentes).
NEGACEIOS EM CASCATA

O último item não surpreenderá os leitores dos meus artigos, pois escancarei, a cada episódio, a relutância de Dilma em fazer valer sua condição de comandante suprema das Forças Armadas. Eis um resumo do que fez e deixou de fazer no tocante à impunidade dos torturadores:
  • ignorou a decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos que responsabilizou o Brasil pelo desaparecimento de cerca de 70 pessoas no Araguaia e determinou uma série de providências, inclusive que fossem investigados, processados e punidos os agentes estatais responsáveis por tais desaparecimentos;
  • criou a Comissão Nacional da Verdade, acreditando que propiciaria o jus sperniandi para as vítimas inconsoláveis e serviria como um bom engana-trouxas para desviar a atenção da opinião pública da decisão memorável da OEA, que ela jamais pretendeu cumprir;
  • vergou-se à chantagem da bancada evangélica no Congresso, que só admitiu apoiar a instituição da CNV se dela ficassem excluídos não só os militares (ponto pacífico), mas também os veteranos da resistência armada à ditadura, o que equivaleu a considerar os resistentes tão inconfiáveis quanto os fardados, ou seja, a igualar novamente vítimas e algozes;
  • prorrogou, por meio de medida provisória, o prazo final para entrega do relatório final da CNV, que vencia em maio de 2014. Com um pouco de boa vontade, daria até para divulgá-lo no momento em que o golpe obtinha grande espaço na imprensa em função do 50º aniversário. Ao invés disto, Dilma preferiu postergar a divulgação para dezembro, quando a eleição já tiver sido decidida (ou seja, as conveniências eleitoreiras vêm sempre em primeiro lugar, como apontei aqui);
  • omitiu-se quando as Forças Armadas, ao invés de responderem a um questionário com indagações pontuais formuladas pela CNV, pariram um patético relatório genérico de 455 páginas (vide aqui), garantindo que as torturas e assassinatos jamais ocorreram; e
  • omitiu-se novamente quando o comandante do Exército determinou a todos os oficiais que não atendessem a CNV (vide aqui), direcionando quaisquer pedidos ou perguntas ao seu gabinete, o que, na prática, equivaleu a CENSURAR A CNV, sem dispor de poder legal para tanto e cometendo um abuso de autoridade que deveria ter sido respondido com sua exoneração imediata por parte da comandante suprema das Forças Armadas.
No último mês de janeiro, quando a imprensa noticiava que alguns integrantes da CNV estariam dispostos a incluir a proposta de anulação da auto-anistia dos torturadores no relatório final, eu, gato escaldado, apostei que tal decisão ficaria em banho-maria até o desfecho das eleições:
"Temo que a revisão da Lei da Anistia venha a ser recomendada pela CNV apenas na hipótese de derrota da Dilma; seria um dos vários abacaxis a serem colocados no colo do(a) sucessor(a).
E que, vitoriosa, ela não queira nem ouvir falar do assunto, com a CNV abstendo-se de causar-lhe aborrecimentos.
Tomara que meus temores sejam infundados..."
Infelizmente, tudo que ocorreu desde então só os veio reforçar.
Related Posts with Thumbnails