Assim, p. ex., quando os outros articulistas de esquerda davam como inevitável que o Exército o acompanharia na futura tentativa golpista, eu já contrapunha que tais fardados não derrubavam presidentes para colocar no poder tenentes despirocados por eles chutados da caserna. Só o faziam para empossar generais.
E, como hoje todos sabem, na hora H o Exército se recusou a marchar sob as ordens do Bozo.
“Cadê esses generais de quatro estrelas, do Alto-Comando do Exército? Cambada de frouxos, cambada de covardes, cambada de omissos. Vocês não honram a farda que vestem!".
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| Obrigado a dar baixa do Exército em 1988, Bolsonaro tudo fez para desmoralizar a farda quando presidente |
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| Batalha entre estudantes de esquerda e membros do CCC na rua Maria Antônia. Um secundarista foi assassinado. |
Só que 1968 me revelou quem eu realmente era. Participar da luta concreta me empolgou como nada o fizera na minha vida inteira, a cada dia me descobria agindo como antes não ousava, respondendo de bate-pronto aos desafios ao invés de refletir longamente sobre eles, seguindo a emoção do momento sem me questionar se a decisão que tomava era a politicamente correta. Na hora da ação, eu não refletia. Agia.
Minha alma não era a de um scholar, embora dominasse algumas ferramentas da intelectualidade. Entre a academia e a trincheira, percebi que sempre preferiria a trincheira.
E, ao longo destes 55 anos de militância, eu desenvolveria, principalmente, o talento de um comandante de Inteligência. Ou seja, a função que nunca pensara em desempenhar antes de a VPR me incumbir dela virou minha segunda natureza. Meus maiores acertos foram juntando fragmentos de informação para projetar cenários futuros que acabavam mesmo se tornando reais..
Eu percebia, evidentemente, que a grande maioria dos companheiros queria receber algo na linha das teses acadêmicas, com um lento e minucioso aprofundamento das questões, de forma que o momento propício para aquelas soluções acabava passando e elas caducavam sem uso.
Confesso que até poderia jogar esse jogo, mas me repugnava profundamente agir como Marx já fulminara na sua 11@ tese sobre Feuerbach: "Os filósofos apenas interpretaram o mundo de diferentes maneiras; o que importa é transformá-lo". (por Celso Lungaretti)



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