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terça-feira, 23 de agosto de 2022

ANTES ERA "QUE VENÇA O MELHOR!". AGORA É "QUE VENÇA O MENOS EXECRADO!"

eliane cantanhêde
SEM ALEGRIA NEM PROPOSTAS, ESTA É A
 ELEIÇÃO DO MEDO DE GOLPES E RETROCESSOS
E
sta não é uma eleição alegre, propositiva, na base do ganhe o melhor

Até aqui, o que prevalece são ataques e falta de compromisso, numa competição insana sobre a rejeição, e chama a atenção o medo que a manutenção do presidente Jair Bolsonaro e a volta do PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva despertam nos brasileiros.

Pela pesquisa Quaest para a Genial Investimentos, 45% têm medo de mais um governo Bolsonaro e 40%, da volta de Lula ao poder, o que comprova uma das muitas peculiaridades da atual eleição: a forte, intensa, busca por uma 3ª via que não veio.

Demanda para o produto havia de sobra, mas os líderes políticos foram incapazes de produzir tal produto, engalfinhados em disputas internas, guerrinhas de vaidades, interesses pessoais se sobrepondo ao interesse nacional. Quando finalmente apresentaram opções, era tarde demais.

Colocados frente a frente pelo início oficial da campanha, na semana passada, e mais ainda pela estreia da propaganda eleitoral de rádio e televisão, na próxima 6ª feira, Bolsonaro e Lula tratarão de falar bem deles próprios, mas principalmente de falar mal um do outro. Vai ser um festival de ataques, desconstrução, fake news.

A Justiça Eleitoral, que já está sobrecarregada com as acusações vazias e irresponsáveis, lideradas pelo presidente da República, contra a eficiência e a segurança das urnas eletrônicas, terá um trabalho gigantesco até outubro para reagir o mais rápido possível às mentiras e à irresponsabilidade criminosa. E não apenas entre os candidatos à Presidência, porque esse horror vai decantar pelos Estados.
Bolsonaro vai bater firme nas teclas que mais disparam o medo da volta do PT, como:
— a corrupção;
— as alianças com as ditaduras de Cuba, Venezuela e Nicarágua;
— o fiasco de regimes mais à esquerda, como o da Argentina; e
— o empoderamento de pautas como aborto, LGBTQIA+ e drogas.

Mas Lula também tem arsenal contra o principal rival, já que boa parte do eleitorado teme:
— a incapacidade do presidente de investir e executar medidas de combate à pobreza e à fome;
— o acirramento do discurso de ódio contra minorias;        
— o despreparo para enfrentar crises, como a pandemia; 
— o risco de golpes que paira no ar; e 
— o isolamento internacional.

Assim, o que vem pela frente, até a eleição, é uma guerra sem fim entre os dois candidatos, as suas campanhas e, o pior, esse estado de espírito está sendo levado à sociedade brasileira pelas redes sociais.

Nem Deus e as religiões estão sendo poupados, empurrados para o centro da arena eleitoral, num país desde sempre multirracial e multirreligioso. 

Eleições e governos passam, as cicatrizes ficam. (por Eliane Cantanhêde, n'O Estado de S. Paulo)

ESPETÁCULO DEPRIMENTE MOSTRA POR QUE O CIRCO DO BOZO ESTÁ FECHANDO

Faltando pouco mais de quatro meses para desmontar em definitivo seu picadeiro por motivos de fracasso na bilheteria e prisão iminente do gestor e palhaço principal, o Circo do Bozo deu um espetáculo tão tosco e melancólico que dirimiu qualquer dúvida quanto à inexorabilidade de sua derrocada. Vai e não deixará saudades.

Este é um enfoque possível para o despautério que o respeitável público presenciou na última 2ª feira (22). Mas, poderia ser também assim:

Os Alcoólicos Anônimos emitiram um protesto indignado contra a exibição televisiva em horário nobre, durante 40 minutos, de um casal batendo impiedosamente num bêbado. Inclusive, qualificou de sádicos os que vibram com embate tão desigual.

Agora falando sério, optei pela abertura satírica acima porque me confesso incapaz de fazer uma verdadeira análise política do desempenho de candidato tão medíocre e grotesco, que mentiu o tempo todo, desdisse num dia o que dissera no dia anterior, repetiu seus blefes que já não iludem ninguém e falhou em manter a serenidade de que necessitaria para desfazer a impressão, predominante entre os brasileiros perspicazes, de que ele tem um parafuso a menos na cabeça.

Existe algo mais constrangedor do que evitar comprometer-se a não dar um autogolpe quando lhe faltam não só as mínimas condições objetivas para tanto, como também capacidade e coragem pessoais para uma empreitada dessa envergadura?! 

A quem ele pensa que ainda consegue enganar, depois de refugar pateticamente no último 7 de setembro? 

O poetinha Vinícius de Moraes já disse tudo, 46 anos atrás: "O homem que diz vou, não vai, porque quando foi já não quis".    

Quem gosta de touradas ou de ver o Flamengo enfiando 7x1 no Madureira, deve ter adorado. Eu detestei. 

E fiquei me indagando o tempo todo sobre como o Brasil pôde decair tanto a ponto de haver tido tal aberração como presidente. (por Celso Lungaretti)

sábado, 20 de agosto de 2022

O PRESIDENTE TCHUTCHUCA É PROSTITUTA DO CENTRÃO OU CADELINHA DO CENTRÃO?


josias de souza
TCHUTCHUCA, BOLSONARO BRIGA COM O
ESPELHO AO SE DESENTENDER COM O CABO WILKER
Nada mais adequado para definir o relacionamento de Bolsonaro com o centrão do que o termo carinhoso tchutchuca

Ninguém melhor para pespegar o apelido no capitão do que o influenciador Wilker Leão de Sá, um cabo que deixou o Exército com fama de encrenqueiro para tentar a sorte na política. 

Ambiciona uma cadeira na Câmara. Ao se desentender com um personagem à sua imagem e semelhança, Bolsonaro brigou com sua própria imagem no espelho. 

Um presidente pode conviver com o centrão por obrigação protocolar. Ou por uma noção canhestra de esperteza política. Qualquer cabo entenderia isso. 

Mas ir atrás do centrão, cortejar o centrão, sentar praça no partido do Valdemar, entregar a chave do cofre ao Ciro, mimar o Lira com orçamento secreto... Só um presidente tchutchuca seria capaz de governar sob atmosfera tão voluptuosa.

Num instante em que Bolsonaro enxerga um comunista comedor de criancinhas em cada adversário, o cabo Wilker veio à boca do palco para gritar que o capitão oferece sem pudores a aliados velhacos todos os prazeres que o déficit público for capaz de financiar. 
  
O alerta corre o mundo, desafiando a imprensa internacional a encontrar uma tradução para tchutchuca. O francês Le Figaro, ecoando a AFP, foi ácido: Putain du Centrao, prostituta do centrão

O argentino Página/12 foi, digamos, carinhoso: Perrita del Centrão, cadelinha do centrão(por Josias de Souza)
TOQUE DO EDITOR No meu post de ontem, eu não cheguei ao extremo de insinuar homossexualismo enrustido nem disse que o Bozo mantém com o centrão uma relação voluptuosa, ou que ele oferece despudoradamente prazeres a aliados, mas  tive uma sensação próxima àquela que o Josias destacou no título do seu artigo.

Pareceu-me que o palhaço ora briga, não com sua imagem no espelho, mas com um passado de mariquinha que, 
na sua turma de rua, não conseguia mostrar virilidade nas brigas com os moleques nem impressionar as meninas, e que agora não perde chance de se fingir de machão e retaliar as mulheres, 

No entanto, na hora em que precisa comprovar que melhorou com o passar dos anos como quando bandidinhos pés-de-chinelo vêm roubar-lhe a moto e a pistola, ou quando convoca seus seguidores para um golpe de estado no Dia da Pátria (e é ele quem não comparece, indo sentar-se ofegante no colo do Tio Temer)–, acaba passando recibo de que continua o mesmíssimo mariquinha. (por Celso Lungaretti)
Agradeço ao comentarista anônimo que me mandou o link deste
vídeo mostrando exatamente como o Bozo abordou o youtuber

sexta-feira, 19 de agosto de 2022

SOBRE TCHUTCHUCAS E MARIQUINHAS

M
uito se falou e escreveu sobre o factoide palhaço histérico x caçador de holofotes, quase sempre para zoar alguém cujo maior defeito não é ser ridículo, mas sim genocida. 

Fico chocado ao constatar que ele ter sido o indiscutível e principal responsável pela morte evitável de algo entre 50 mil e 500 mil brasileiros não basta para sepultar definitivamente sua carreira política, conduzi-lo à prisão e tornar seu nome maldito até o fim dos tempos. 

Que país é este? O que foi feito da nossa gente? Como chegamos a tamanha desumanização? 

Eu morreria de vergonha se hoje viajasse pelo mundo e fosse visto pelos gringos como conterrâneo dessa miniatura extemporânea de Hitler. Até que este pesadelo seja esquecido eu não botarei os pés fora do Brasil.

Mas, já que a tantos compraz ficar usando essas besteirinhas como compensação pelo que não se ousou fazer (o impeachment do celerado assim que passou a sabotar o combate científico à pandemia de covid), vou levantar aqui os pontos que estão sendo omitidos ou desfocados nessa discussão rasteira:
— nas turminhas de rua de que eu participava lá pelos meus sete, oito anos de idade, qualquer um sabia que deixar a molecada perceber quando uma gozação o machucara era dar-lhe quilometragem e acabar vendo o insulto transformar-se em apelido;
— vítimas frequentes desse tipo de estigmatização eram os esquisitos (como um menino com musculatura imponente e uma certa teatralidade no falar e outro que, por causa da ascendência alemã ou austríaca, era vermelho como um pimentão) e os afeminados;
— neste último caso estavam meninos que, aparentemente por conviverem apenas com mulheres, não falavam e agiam de acordo com os padrões da rua –até por desconhecê-los– e não davam as demonstrações de virilidade comuns aos moleques daquele tempo, na encarniçada disputa por prestígio que travavam o tempo todo;
— estes eram fortemente pressionados a passarem de meros mariquinhas a viados, ou seja, a se sujeitarem a ser sodomizados (mesmo que os garanhões nem sequer fossem aptos para um desempenho à altura e estivessem apenas blefando ou seja, fazendo farolcomo se dizia então):
— alguns dos mariquinhas ficavam no meio termo, nem conseguindo igualar-se aos outros em machismo exibido, nem cedendo às cantadas que recebiam;
— tendiam, então, a passar o resto da vida marcados por tal
bullying, obcecados em ser como adultos os personagens que não conseguiram ser quando crianças;
— podem ser reconhecidos pela misoginia reativa (as meninas não davam muita bola para os frouxos, preferindo os mais machinhos) e pelas encenações de força que dão o tempo todo, só chegando às vias de fato, contudo, quando surgem oportunidades para eles descarregarem sua raiva contra os mais fracos, enquanto continuam refugando na hora de enfrentarem desafios de verdade (amarelam agora como amarelavam outrora).

Para bom entendedor, meia palavra basta. (por Celso Lungaretti)   
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