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sexta-feira, 19 de agosto de 2022

SOBRE TCHUTCHUCAS E MARIQUINHAS

M
uito se falou e escreveu sobre o factoide palhaço histérico x caçador de holofotes, quase sempre para zoar alguém cujo maior defeito não é ser ridículo, mas sim genocida. 

Fico chocado ao constatar que ele ter sido o indiscutível e principal responsável pela morte evitável de algo entre 50 mil e 500 mil brasileiros não basta para sepultar definitivamente sua carreira política, conduzi-lo à prisão e tornar seu nome maldito até o fim dos tempos. 

Que país é este? O que foi feito da nossa gente? Como chegamos a tamanha desumanização? 

Eu morreria de vergonha se hoje viajasse pelo mundo e fosse visto pelos gringos como conterrâneo dessa miniatura extemporânea de Hitler. Até que este pesadelo seja esquecido eu não botarei os pés fora do Brasil.

Mas, já que a tantos compraz ficar usando essas besteirinhas como compensação pelo que não se ousou fazer (o impeachment do celerado assim que passou a sabotar o combate científico à pandemia de covid), vou levantar aqui os pontos que estão sendo omitidos ou desfocados nessa discussão rasteira:
— nas turminhas de rua de que eu participava lá pelos meus sete, oito anos de idade, qualquer um sabia que deixar a molecada perceber quando uma gozação o machucara era dar-lhe quilometragem e acabar vendo o insulto transformar-se em apelido;
— vítimas frequentes desse tipo de estigmatização eram os esquisitos (como um menino com musculatura imponente e uma certa teatralidade no falar e outro que, por causa da ascendência alemã ou austríaca, era vermelho como um pimentão) e os afeminados;
— neste último caso estavam meninos que, aparentemente por conviverem apenas com mulheres, não falavam e agiam de acordo com os padrões da rua –até por desconhecê-los– e não davam as demonstrações de virilidade comuns aos moleques daquele tempo, na encarniçada disputa por prestígio que travavam o tempo todo;
— estes eram fortemente pressionados a passarem de meros mariquinhas a viados, ou seja, a se sujeitarem a ser sodomizados (mesmo que os garanhões nem sequer fossem aptos para um desempenho à altura e estivessem apenas blefando ou seja, fazendo farolcomo se dizia então):
— alguns dos mariquinhas ficavam no meio termo, nem conseguindo igualar-se aos outros em machismo exibido, nem cedendo às cantadas que recebiam;
— tendiam, então, a passar o resto da vida marcados por tal
bullying, obcecados em ser como adultos os personagens que não conseguiram ser quando crianças;
— podem ser reconhecidos pela misoginia reativa (as meninas não davam muita bola para os frouxos, preferindo os mais machinhos) e pelas encenações de força que dão o tempo todo, só chegando às vias de fato, contudo, quando surgem oportunidades para eles descarregarem sua raiva contra os mais fracos, enquanto continuam refugando na hora de enfrentarem desafios de verdade (amarelam agora como amarelavam outrora).

Para bom entendedor, meia palavra basta. (por Celso Lungaretti)   

domingo, 9 de janeiro de 2022

OS INTRUMENTOS DO BOZO SÃO A AMEAÇA DE MORTE, A BADERNA ARMADA E O GROTESCO NAUSEABUNDO

vinícius torres freire
BOLSONARO EXPÕE A IMUNDÍCIE DE SUAS
ENTRANHAS E DE SEU PROJETO ELEITORAL
O
espetáculo, a massificação da mentira e a propaganda da morte são atitudes típicas de políticos do espectro fascista. Jair Bolsonaro não é lá diferente. 

Foi assim a virada de ano da extrema-direita brasileirinha, ainda mais repugnante na sua decomposição avançada, mas até por isso mesmo capaz de causar mais pestes.

O país se degrada, mais gente padece de fome, doença ou desgraças como as enchentes da Bahia. A administração pública se desorganiza mais, ora em revolta contra caprichos sectários desse tipo que ocupa a cadeira de presidente, que quer agradar polícias a fim de manter consigo falanges armadas.

Há operações-padrão de auditores da Receita, o que ameaça p. ex. a importação de combustíveis; há ameaça de greve geral de servidores. 

A produção da indústria encolheu pelo sexto mês seguido, o que não se via desde a recessão de 2015. 

Azares do tempo podem fazer com que a safra de grãos seja menor que a do ano passado ​se esperava recorde, um anteparo mínimo para a recessão que começa a aparecer no horizonte. Mas não há governo, tentativa de reação ou remédio. Ao contrário.

O capitão da morte vadiava, indiferente a sofrimentos e desordens, rindo com sua catadura selvagem e sua boca espumante. Fazia o show do tiozão grosseiro desfilando com brinquedos caros e barulhentos. 

Era parte da palhaçada da autenticidade, show que em breve voltaria quase à indecência teratológica dos tempos das cirurgias, durante a internação indigesta do tapado. 

Uma parte do espetáculo de Bolsonaro é a exposição de suas entranhas morais e quase literalmente físicas: intimidades com a mulher com quem se casou, o corpo nu cheio de tubos, as cicatrizes e, agora, sua indigestão monstruosa.

"Foi domingo. Eu não almoço, eu engulo. Foi uma peixada, tinha uns camarõezinhos também. Eu mastiguei o peixe e engoli o camarão", disse, ao explicar sua mais recente internação.

A indecência, a brutalidade e a feiura são parte da estética política do bolsonarismo. Entender porque o despudor ainda comove suas falanges e um tanto mais do eleitorado é um problema, mas desde a irrupção de Bolsonaro tal exposição faz algum efeito. 

A exibição do desmazelo pessoal, corporal e social, sua boca-suja, seu linguajar iletrado e cafajeste, o chinelão, o leite condensado com migalhas espalhadas pela mesa, tudo faz parte da fantasmagoria da autenticidade.
O espetáculo vai além, claro. Há motociatas e comícios golpistas, assim como a nomeação de inimigos da pátria, do cardápio tradicional do espectro fascista. 

Há o heroísmo de fancaria de quem diz lutar contra o sistema e a difusão de mentiras conspiratórias que tempera esse brutesco. 

Há o farisaísmo, as blasfêmias e o uso do nome de Deus em vão, o que espantosamente não abala muita gente religiosa. 

Há a propaganda da morte, a crítica aos tarados por vacina e a indiferença quanto à morte de crianças. 

Tudo isso é tolerado, como se o salvador da pátria e da família tivesse de vir travestido de anticristão (o que também é o caso de Donald Trump).

E daí? Esse é o monstro que, daqui a outubro, tentará obter votos para a reeleição ou algum modo de sobreviver politicamente ou fora da cadeia. Esses são seus recursos. 

Bolsonaro não tem nada que qualquer governante no limite do universo da razão e da decência pudesse apresentar como realização. 

Seus instrumentos são a ameaça de morte, baderna armada, golpe e tirania, o grotesco nauseabundo e a apelação aos sentimentos mais baixos e desumanamente lunáticos 
– o tipo é indiferente à morte de crianças, ressalte-se.

Foi assim o Ano Novo de Bolsonaro. Por que acreditar que o ano eleitoral será diferente? O que mais lhe resta além da fuga? A desordem imunda. (por Vinícius Torres Freire)
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