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segunda-feira, 1 de junho de 2020

JÁ RECONQUISTAMOS AS AVENIDAS: É NOSSO MELHOR MOMENTO EM 2020!

"Quem afrouxa na saída
ou se entrega na chegada,
não perde nenhuma guerra
mas também não ganha nada"
(Geraldo Vandré) 
Enquanto a esquerda domesticada prioriza eleições municipais, as torcidas organizadas do futebol tomam seu lugar no que realmente importa: levar às avenidas a indignação nacional contra nosso pior presidente da República em todos os tempos.

Há quem deveria regozijar-se por ver afinal brilhar a chama da resistência, mas preferiu criticar aqueles valentes que, correndo o risco de se contaminarem com o coronavírus e de serem barbarizados pelas polícias estaduais, foram dar um basta! ao celerado que está destruindo o país e exterminando brasileiros com sua postura genocida diante da Covid-19.

As lutas sociais sempre foram  grandes devoradoras de caracteres. É nos momentos decisivos que constatamos quem conserva intacto seu espírito de luta e quem perdeu o trem da História.
Durante minha militância de mais de meio século sempre preferi cair lutando do que me preservar para oportunidades futuras que nunca chegam. A hora de lutar é sempre agora!

O que não implica quixotismo. Em cada momento, devemos ir até onde a correlação de forças permite. Quem prega a luta armada neste momento é um insensato. Quem prega a omissão abúlica diante de todos os desmandos e abusos e um pusilânime. 

Temos de estar preparados para sofrer por nossas convicções, trocando o olho por olho, dente por dente pela superioridade moral. É tempo de Gandhi e não de Guevara, mas lembrem-se: ambos conseguiram libertar países pelos quais lutaram.
Por último, fingirmo-nos de estátuas em nada ajuda nossa causa. Quando brasileiros morrem como moscas devido à administração caótica da crise sanitária, não podemos permanecer de braços cruzados, à espera de que os poderosos deem um jeito de remover o bode que colocaram na sala e agora está inclusive atrapalhando os negócios deles.

Primeiramente porque já o deveriam ter feito há muito tempo (crimes de responsabilidade existem aos montes!), então o medo da explosão social talvez seja o ingrediente que falta para lhes cair a ficha de que a solução tem de chegar com urgência.

Depois porque, se forem apenas os poderosos a agirem em nome da Nação, serão os interesses deles que prevalecerão na montagem do novo esquema de poder.
   
Ou seja, tenderá a repetir-se 1985, quando a esquerda deixou-lhes a iniciativa após a rejeição da emenda das diretas-já e se condenou (condenando os brasileiros) a governos desastrosos como os de Sarney e Collor. 

É fundamental nossa firme participação na aliança que se formará para a salvação nacional. Se nossa pasmaceira recente impede que sejamos a força dominante no processo de desfascistização do Brasil, força insignificante é que não podemos ser!

Então, este domingo nos apontou o caminho a seguirmos doravante. Já reconquistamos as avenidas: é nosso melhor momento em 2020! 

Precisamos mantê-las nossas até a vitória, pois não há tempo a perder. Temos um país para reconstruir! (por Celso Lungaretti)

sábado, 24 de dezembro de 2016

ASSISTA "GANDHI" E CONSTATE: O FILME VALE PELA MAGNITUDE DO CINEBIOGRAFADO.

Gandhi, como ficou conhecido...
Gandhi (1982), o filme que está disponibilizado (completo, dublado) na janelinha abaixo, foi um daqueles casos, cada vez mais raros, de acerto de Hollywood na outorga dos principais Oscar. 

Ben Kingsley, no papel-título, esteve impecável. Mereceu, com sobras,  a estatueta.

Richard Attenborough, ator que só começou a dirigir no 27º ano de sua carreira, foi mais correto do que brilhante. Mereceu, sim, ser escolhido como melhor diretor, pelo mesmo motivo que Gandhi fez jus à distinção de melhor filme. Só que muito mais em função da grandeza do personagem histórico que enfocou e da força dramática da história levada às telas. Bastava-lhe ser fiel a ela para obter a consagração.

A comparação óbvia é com Lawrence da Arábia (1962), que retratou figura tão fascinante e rica em termos cinematográficos quanto Gandhi. Mas, o toque pessoal do superlativo diretor David Lean é perceptível num sem-número de detalhes —como a sutil insinuação de que T. E. Lawrence seria um homossexual enrustido, com um lado masoquista. 

Ou seja, Lean foi além da postura convencional de endeusar o herói, tomando seu partido incondicionalmente. Não enfatizou suas ambiguidades, mas também não as omitiu. Já Attenborough apenas reverenciou Gandhi, com a atenuante de que o dito cujo foi mesmo extraordinário. Mas, perfeito, ninguém é.
...e como era quando ainda exercia a advocacia.
Vale a pena todos conhecermos (e refletirmos sobre) a trajetória do homem que descobriu a força do protesto não-violento como instrumento na luta contra o colonialismo e, depois, a utilizou também contra a xenofobia sanguinária de hindus e paquistaneses.  Num e noutro caso, conseguiu evitar muitíssimas mortes. Foi magnífico! 

É fácil atribuirmos seu êxito a circunstâncias históricas muito específicas, que não se repetirão facilmente. Mas, Nelson Mandela trilhou caminhos semelhantes para libertar a África do Sul. Até que ponto as possibilidades de bisar tal receita eram tão ínfimas? Até que ponto elas eram consideráveis, mas faltaram líderes da envergadura de Gandhi e Mandela para as aproveitar? 

Não há resposta fácil. Mas, como nunca fui exatamente um determinista em relação à História, já me ocorreram hipóteses como a de que a quartelada de 1964 provavelmente não derrubaria o governo legítimo com um piparote se o presidente da República fosse o aguerrido Brizola ao invés do pusilânime Goulart...
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domingo, 4 de dezembro de 2016

A FOME MUNDIAL E OS SUPÉRFLUOS DO CAPITALISMO

"Cada dia a natureza produz o suficiente para nossa 
carência. Se cada um tomasse o que lhe fosse 
necessário, não haveria pobreza no mundo 
e ninguém morreria de fome." (Gandhi) 

AS TESES DE MALTHUS 
E A CRÍTICA DE MARX 
Há quem pense que a população mundial de mais de 7 bilhões de pessoas é grande para o tamanho do Planeta. Não é. O mundo tem capacidade de prover o sustento material de uma população muito maior do que a atual, e ainda preservando de modo ecologicamente sustentável a vida planetária. Para isto é necessário que se supere o modo de produção social, e é aí onde mora o problema. 

O economista burguês Thomas Robert Malthus afirmou em seu livro Definições em Economia Politica, de 1827, que os alimentos crescem em progressão aritmética (adição sob uma mesma razão matemática) enquanto a população cresce em progressão geométrica (multiplicação sob uma mesma razão matemática); tal desproporção seria a causa da fome mundial já naquela época, e com tendência de aumento em face do crescimento constante dos contingentes humanos. 

A afirmação malthusiana valeria, assim, para qualquer tido de sociedade e modo de produção, concluindo que deveria haver um controle de natalidade. 

Marx rechaçou tal tese como "inteiramente falsa e pueril” (Grundrisse, Editora Boitempo, 2011), demonstrando uma obviedade: os alimentos podem crescer em proporção diferenciada e a maior do que a natural reprodução humana, dependendo do modo de produção social e do avanço do conhecimento sobre as técnicas e a tecnologia aplicada à produção agrícola.

Lembramos esta velha polêmica para dizer que a escassez mundial de alimentos, que tem acarretado o aumento da fome (segundo relatório da Fundação para a Agricultura e Alimentação da ONU) decorre de hoje somente se produzirem os alimentos que o mercado pode absorver; e o mercado somente pode absorver produtos que tenham baixo custo de produção. 

Assim, a produção de alimentos em determinadas regiões de terras pouco férteis e sem recursos tecnológicos (domínio das técnicas agrícolas e inexistência de equipamentos como tratores, etc.), como em grande parte da África, se inviabiliza, eliminando a pequena produção e a produção de subsistência. 

Somente as grandes empresas agrícolas ou grupos de empresários familiares com terras férteis e capacidade de investimento podem produzir alimentos na economia de mercado. Sob o capital, tudo tem de passar pelo buraco estreito da viabilidade econômica (Robert Kurz).

O mundo sempre teve abundância de terras agricultáveis em relação à população e hoje detém conhecimento e capacidade tecnológica para a produção de alimentos para uma população muito maior do que a atual. O que o mundo não tem é um sistema de produção voltado para a satisfação das necessidades humanas, ao invés da ganância do mercado.   

O DESEMPREGO ESTRUTURAL

O capitalismo se expande abrindo frentes de produção e consumo. Entretanto, como se formata a partir de uma contradição de seus próprios fundamentos (cavando a sua própria sepultura num tempo histórico que é cada vez mais célere) ao mesmo tempo em que se instala em novas fronteiras mercantis, ele cria nessas mesmas fronteiras um contingente de pessoas não absorvidas no processo de trabalho abstrato, impedindo-as de qualquer outra forma de produção. 

Ou seja, forma um exército de desempregados, que cresce sempre como o rabo do cavalo: para baixo. 

Como o trabalho vivo (assalariado, criador de riqueza abstrata) é uma mercadoria, sujeita à lei da oferta e da procura, há uma concorrência entre os próprios trabalhadores para a obtenção de empregos, com farta disponibilidade de mão-de-obra, o que força a queda dos salários. Assim, tanto se forma um contingente de desempregados como de subempregados.

No passado havia grandes centros produtores de mercadorias absorvendo contingentes expressivos de trabalhadores; agora, com a transferência da produção para zonas de oferta de mão-de-obra barata (globalização), estes enfrentam o desemprego massivo. O discurso populista, nacionalista, sem base científica, oportunista, falso, apresentando-se como suposta alternativa a tal regra capitalista perante um público que vê seus empregos fugirem, é que dá credibilidade ao capitalista-mor Donald Trump. 

O pleno emprego não pode ocorrer de modo equânime em todas as regiões; podemos constatar este desequilíbrio nos dados de oferta de empregos de modo global, ou seja, entre todas as sociedades mercantis presentes em todas as partes do planeta. O lençol capitalista é curto.

Mas, tal realidade trágica se complica ainda mais à medida que se substitui o trabalho vivo dos homens pelo trabalho morto das máquinas; no estágio atual do capitalismo, a dispensa do trabalho vivo já supera a abertura de novos postos de trabalho.  Esta, claro, é uma equação que não se sustenta em pé de jeito nenhum!

Trata-se do momento do desemprego estrutural e do limite interno absoluto da capacidade da expansão do capitalismo, sem a qual ele não sobrevive. É nele nos encontramos atualmente.

Como já dissemos noutros artigos, o capital se funda no trabalho necessário (que é pago ao trabalhador para a sua subsistência) e no trabalho excedente do qual se apropria indebitamente (executado pelo trabalhador numa faina diária, mas que não é remunerado pelo capital), como forma de viabilização de sua exigência autotélica: precisa de velocidade continua de aumento para sobreviver, o que impede qualquer tentativa de sua distribuição, incompreensão na qual caíram os marxistas tradicionais, que se trumbicaram). 

Segundo Marx, “a capacidade de trabalho só pode executar o seu trabalho necessário se o seu trabalho excedente tem valor para o capital, e for utilizável por ele” (Grundrisse). Ou seja, o trabalho só existe como forma de fornecer ganhos para o capital, sem nenhuma preocupação com qualquer função social. 

Ele se dissocia do interesse social para cumprir o seu desiderato tautológico de reprodução aumentada, vazia de sentido virtuoso; e quando isto não é possível, aumenta o contingente dos desesperados supérfluos do capitalismo, como agora ocorre de modo irreversível e socialmente patológico. O processo migratório mundial é resultante desta lógica capitalista insensível ao drama humano.
Mas, com o desenvolvimento da tecnologia aplicada à produção, o capitalismo mata a sua galinha dos ovos de ouro – os trabalhadores e o próprio trabalho abstrato. 

É o que se constata nos dias de hoje, ratificando a tese da contradição capitalista em processo que aponta para a destruição social e para a sua autodestruição como modo de produção.   

O capital é uma eterna tensão de morte, na qual ele é o potencial assassino. 

UMA NOTÍCIA DE JORNAL E
A TRAGÉDIA DO DESEMPREGO

O pai da professora de biologia, Aline Alves, é parte dessa população desempregada. E, devido às dificuldades financeiras da família, Deysenaldo Nobre, de 54 anos, precisa urgentemente de um emprego.

Pensando nisto, Aline fez uma publicação pedindo às pessoas que comprassem sapatos numa loja de Fortaleza, na qual o seu pai está trabalhando como vendedor por tempo determinado, para que ele seja efetivado.

Explicou que Deysenaldo estava há quase dois anos sem trabalho e, no fim de novembro, conseguiu tal emprego temporário; contudo, só será efetivado no próximo ano, Deseynaldo se bater a meta da loja. 

Em entrevista ao jornal O Povo Online, a professora conta que a renda de sua família é constituída pela sua remuneração, que não chega ao valor do salário mínimo, e pelos bicos que o seu pai e a sua mãe conseguem ao longo do mês. Ademais, a família está precisando conseguir dinheiro para a cirurgia oftalmológica de um filho. (por Dalton Rosado)

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

"GANDHI": UM FILME CORRETO, UM EXTRAORDINÁRIO PERSONAGEM

Gandhi (1982), o filme que está disponibilizado (completo, dublado) na janelinha abaixo, foi um daqueles casos, cada vez mais raros, de acerto de Hollywood na outorga dos principais Oscar. 

Ben Kingsley, no papel-título, esteve impecável. Mereceu, com sobras,  a estatueta.

Richard Attenborough, ator que só começou a dirigir no 27º ano de sua carreira, foi mais correto do que brilhante. Mereceu, sim, ser escolhido como melhor diretor, pelo mesmo motivo que Gandhi fez jus à distinção de melhor filme. Só que muito mais em função da grandeza do personagem histórico que enfocou e da força dramática da história levada às telas. Bastava a fidelidade a ela para garantir-se a consagração.

A comparação óbvia é com Lawrence da Arábia (1962), que retratou figura tão fascinante e rica em termos cinematográficos quanto Gandhi. Mas, o toque pessoal do extraordinário diretor que foi David Lean é perceptível num sem-número de detalhes -como a sutil insinuação de que T. E. Lawrence seria um homossexual enrustido, com um lado masoquista. 

Ou seja, Lean foi além da postura convencional de endeusar o herói, tomando seu partido incondicionalmente. Não enfatizou suas ambiguidades, mas também não as omitiu. Já Attenborough apenas reverenciou Gandhi, com a atenuante de que o dito cujo foi mesmo extraordinário. Mas, perfeito, ninguém é.

Vale a pena todos conhecermos (e refletirmos sobre) a trajetória do homem que descobriu a força do protesto não-violento como instrumento na luta contra o colonialismo e, depois, a utilizou também contra a xenofobia sanguinária de hindus e paquistaneses.  Num e noutro caso, conseguiu evitar muitíssimas mortes. Foi magnífico! 

É fácil atribuirmos seu êxito a circunstâncias históricas muito específicas, que não se repetirão facilmente. Mas, Nelson Mandela trilhou caminhos semelhantes para libertar a África do Sul. Até que ponto as possibilidades de bisar tal receita eram tão ínfimas? Até que ponto elas eram consideráveis, mas faltaram líderes da envergadura de Gandhi e Mandela para as aproveitar? 

Não há resposta fácil. Mas, como nunca fui exatamente um determinista em relação à História, já me ocorreram hipóteses como a de que a quartelada de 1964 provavelmente não derrubaria o governo legítimo com um piparote se o presidente da República fosse o aguerrido Brizola ao invés do pusilânime Goulart...

sábado, 29 de maio de 2010

GANDHI ACUSOU JUDEUS DE "BRUTALIDADE SEM LIMITES"

Já que meu blogue foi tirado do ar por hacker(s) pouco depois de eu ter postado um texto denunciando Israel, é de Israel que continuarei tratando por mais um dia -- e quantos forem necessários para dissuadir os que tentam silenciar argumentos com sabotagem vil e covarde.

Então, reproduzirei um digno manifesto do Mahatma Gandhi sobre a questão palestina -- com a exclusão de um longo trecho sobre a Alemanha nazista, por estar obviamente datado
.

Mas, se alguém quiser ler o texto na íntegra, poderá fazê-lo aqui.
OS JUDEUS NA
PALESTINA EM 1938

"Recebi muitas cartas solicitando a minha opinião sobre a questão judaico-palestina e sobre a perseguição aos judeus na Alemanha. Não é sem hesitação que ouso expor o meu ponto-de-vista.

"Na Alemanha as minhas simpatias estão todas com os judeus. Eu os conheci intimamente na África do Sul. Alguns deles se tornaram grandes amigos. Através destes amigos aprendi muito sobre as perseguições que sofreram. Eles têm sido os "intocáveis" do cristianismo; há um paralelo entre eles, e os "intocáveis" dos hindus. Sanções religiosas foram invocadas nos dois casos para justificar o tratamento dispensado a eles. Afora as amizades, há a mais universal razão para a minha simpatia pelos judeus. No entanto, a minha simpatia não me cega para a necessidade de Justiça.

"O pedido por um lar nacional para os judeus não me convence.

"Por que eles não fazem, como qualquer outro dos povos do planeta, que vivem no país onde nasceram e fizeram dele o seu lar?

"A Palestina pertence aos palestinos, da mesma forma que a Inglaterra pertence aos ingleses, ou a França aos franceses.

"É errado e desumano impor os judeus aos árabes. O que está acontecendo na Palestina não é justificável por nenhuma moralidade ou código de ética. Os mandatos não têm valor. Certamente, seria um crime contra a humanidade reduzir o orgulho árabe para que a Palestina fosse entregue aos judeus parcialmente ou totalmente como o lar nacional judaico.

"O caminho mais nobre seria insistir num tratamento justo para os judeus em qualquer parte do mundo em que eles nascessem ou vivessem. Os judeus nascidos na França são franceses, da mesma forma que os cristãos nascidos na França são franceses.

"Se os judeus não têm um lar senão a Palestina, eles apreciariam a idéia de serem forçados a deixar as outras partes do mundo onde estão assentados? Ou eles querem um lar duplo onde possam ficar à vontade?

"(...) E agora uma palavra aos judeus na Palestina:

"Não tenho dúvidas de que os judeus estão indo pelo caminho errado. A Palestina, na concepção bíblica, não é um tratado geográfico. Ela está em seus corações. Mas se eles devem olhar a Palestina pela geografia como sua pátria mãe, está errado aceitá-la sob a sombra do belicismo britânico. Um ato religioso não pode acontecer com a ajuda da baioneta ou da bomba. Eles poderiam estabelecer-se na Palestina somente pela boa vontade dos palestinos. Eles deveriam procurar convencer o coração palestino. O mesmo Deus que rege o coração árabe, rege o coração judeu. Só assim eles teriam a opinião mundial favorável às suas aspirações religiosas. Há centenas de caminhos para uma solução com os árabes, se descartarem a ajuda da baioneta britânica.

"Como está acontecendo, os judeus são responsáveis e cúmplices com outros países, em arruinar um povo que não fez nada de errado com eles.

"Eu não estou defendendo as reações dos palestinos. Eu desejaria que tivessem escolhido o caminho da não-violência a resistir ao que eles, corretamente, consideraram como invasão de seu país por estrangeiros. Porém, de acordo com os cânones aceitos de certo e errado, nada pode ser dito contra a resistência árabe face aos esmagadores acontecimentos.

"Deixemos os judeus, que clamam serem os escolhidos por Deus, provar o seu título escolhendo o caminho da não-violência para reclamar a sua posição na Terra. Todos os países são o lar deles, incluindo a Palestina, não por agressão mas por culto ao amor.

"Um amigo judeu me mandou um livro chamado A contribuição judaica para a civilização, de Cecil Roth. O livro nos dá uma idéia do que os judeus fizeram para enriquecer a literatura, a arte, a música, o drama, a ciência, a medicina, a agricultura etc., no mundo. Determinada a vontade, os judeus podem se recusar a serem tratados como os párias do Ocidente, de serem desprezados ou tratados com condescendência.

"Eles podiam chamar a atenção e o respeito do mundo por serem a criação escolhida de Deus, em vez de se afundarem naquela brutalidade sem limites [grifo meu]. Eles podiam somar às suas várias contribuições, a contribuição da ação da não-violência". (Mahatma Gandhi)
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