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quinta-feira, 19 de março de 2015

NETANYAHU REELEITO: ISRAEL CONTINUA SENDO O IV REICH!!!

Os judeus criaram os kibutzim.

Para os jovens, explico: tratou-se da experiência temporariamente mais bem sucedida, em todos os tempos, de comunidades coletivas voluntárias, praticantes do igualitarismo -- na linha do que Marx e Engels classificaram como "socialismo utópico".

O verbete da Wikipedia, neste caso, é rigorosamente correto:
"Combinando o socialismo e o sionismo no sionismo trabalhista, os kibutzim são uma experiência única israelita e parte de um um dos maiores movimentos comunais seculares na história. Os kibutzim foram fundados numa altura em que a lavoura individual não era prática. Forçados pela necessidade de uma vida comunal e inspirados pela sua ideologia socialista, os membros do kibutz desenvolveram um modo de vida comunal que atraiu interesse de todo o mundo.

"Enquanto que os kibutzim foram durante várias gerações comunidades utópicas, hoje, eles são pouco diferentes das empresas capitalistas às quais supostamente seriam uma alternativa... [tanto que] em alguns kibutzim há uma comunidade comunitária e são adicionalmente contratados trabalhadores que vivem fora da esfera comunitária e que recebem um salário, como em qualquer empresa capitalista".
A CONTRIBUIÇÃO DO BUND À REVOLUÇÃO DE 1917 - Os judeus também desempenharam papel relevante no movimento socialista, principalmente por meio do Bund, que existiu entre as décadas de 1890 e 1930 na Europa.

Vale a pena lembrarmos como eles contribuíram para a revolução soviética, aproveitando um excelente artigo de Saul Kirschbaum, responsável pelo Programa de Pós-Graduação em Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas da USP :
"A crescente urbanização e proletarização dos judeus, que deixavam para trás suas aldeias empobrecidas em busca de novas perspectivas de vida, fez emergir o movimento socialista judaico na segunda metade da década de 1870. Nos dez anos que se seguiram, desenvolveu-se a luta organizada dos trabalhadores pela melhoria de suas condições. Associações de operários organizaram greves em várias cidades da região de assentamento judaico. Representantes da intelligentsia, em sua maioria estudantes, começaram a formar círculos de trabalhadores para a disseminação de idéias socialistas.
"Aglutinando todos esses esforços, a ideia de que os judeus em geral e os trabalhadores judeus em particular tinham seus próprios interesses, e por isso precisavam de uma organização própria para atingir seus propósitos, disseminou-se rapidamente entre os ativistas. Por fim, representantes dos círculos socialistas reuniram-se em Vilna em outubro de 1897 para fundar a União Geral dos Trabalhadores Judeus na Lituânia, Polônia e Rússia, conhecida em ídiche como Der Bund. O Bund não se via somente como uma organização política, e devotou grande parte de sua atividade à luta sindical. Seu programa, formulado no primeiro encontro, via como objetivo principal a guerra contra a autocracia czarista.
"O Bund também não se considerava um partido separado, mas parte da socialdemocracia russa, que existia na forma de grupos e associações dispersos. Por causa de sua força, o Bund teve papel decisivo na criação, em março de 1898, do Partido Socialdemocrata de toda a Rússia, que viria a tornar-se o Partido Comunista.
"As atividades do Bund cresceram e sua influência sobre o público judeu aumentou depois que começou a organizar unidades de autodefesa no período dos pogroms de 1903 a 1907. Desempenhou papel ativo na revolução de 1905, quando tinha atingido 35 mil membros. 
"Mas o Bund não foi o único partido a atuar entre as massas judaicas. A extensa atividade política que se seguiu à fracassada revolução de 1905 permitiu a ação de outros três partidos judaicos: o Partido Sionista Socialista dos Trabalhadores, (...) o Partido Judaico Socialista dos Trabalhadores (...) e finalmente o Partido Socialdemocrata dos Trabalhadores.

"A revolução que irrompeu na Rússia no início de 1917 pôs fim ao regime czarista e implantou uma república chefiada por um governo provisório. O novo governo aboliu as discriminações e outorgou aos judeus plena igualdade de direitos....

"...a Revolução Soviética provou ser possível uma abordagem nova e bem-sucedida para os conflitos nacionais, por meio da criação de um estado multinacional - uma nova forma de diferentes povos conviverem num mesmo território sobre uma base de igualdade nacional...".
DE MÉDICO A MONSTRO - Durante longo tempo, a propaganda reacionária apresentou o movimento socialista internacional como uma conspiração judaica para dominar o mundo.

Na segunda metade do século passado, entretanto, Israel viveu sua transição de Dr. Jeckill para Mr. Hide. Virou ponta-de-lança do imperialismo no Oriente Médio, responsável por genocídios e atrocidades que lhe valeram dezenas de condenações (infelizmente inócuas) da ONU.

Até chegar ao que é hoje: um estado militarizado, mero bunker, a desempenhar o repulsivo papel de vanguarda do retrocesso e do obscurantismo.

A reeleição do premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, parece ter sido o tiro de misericórdia na esperança de pacificação do Oriente Médio, com o reconhecimento do direito dos palestinos de terem um estado livre e soberano, incluindo a devolução das terras que lhe foram surrupiadas por Israel nas últimas décadas, numa reprise das rapinagens de Hitler que acabaram por tornar inevitável a 2ª Guerra Mundial. 

O grande escritor Norman Mailer discorreu em Os degraus do Pentágono sobre as transições positivas e negativas. Confrontados com grandes desafios, podemos nos tornar muito melhores ou muito piores, dependendo da maneira como enfrentamos tais crises.


Eu desconheço exemplo de transição negativa tão extremada e melancólica como a de Israel, que hoje ainda se vê como Dorian Gray enquanto o mundo inteiro o enxerga como a abominação na qual se transformou seu retrato...

O estado judeu não tem mais nada a ver com os ideais que inspiraram os kibutzim e o Bund. Está mais para um IV Reich... nazista até a medula!

domingo, 3 de agosto de 2014

O HINO DE ISRAEL ESTÁ COM A VALIDADE VENCIDA. EIS UMA DICA DE VERSÃO 2014.

O HINO NACIONAL DE ISRAEL É ESTE AQUI:

INFELIZMENTE CADUCOU, POIS EXPRESSA ALGO QUE NÃO EXISTE MAIS: UM SONHO DE LIBERDADE QUE DEGENEROU NUM 
PESADELO DE OPRESSÃO DE OUTROS POVOS.

ENTÃO, DEPOIS DE ELES TEREM QUEBRADO TODOS OS RECORDES DE BOMBARDEIO DE ESCOLAS SEM ESTADO DE GUERRA DECLARADA (HOJE VARRERAM DA FACE DA TERRA A TERCEIRA EM MENOS DE UM MÊS!!!), EU SUGIRO QUE OS EXTERMINADORES DO PRESENTE SAIAM DO ARMÁRIO E ASSUMAM SUA VERDADEIRA ORIENTAÇÃO... CRIMINAL.

AQUI ESTÁ UMA SUGESTÃO DE HINO MAIS APROPRIADO 
PARA O QUE OS ISRAELENSES SE TORNARAM:

quinta-feira, 31 de julho de 2014

ONU ACUSA O PRINCIPAL CÚMPLICE DE ISRAEL NO EXTERMÍNIO DE CRIANCINHAS: OS EUA, CLARO!

A notícia do UOL está tão contundente, consistente e essencializada que me limitarei a reproduzi-la, com meus cumprimentos ao redator. Os grifos, palavras em maiúsculas e pontos de exclamação são meus.

A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, denunciou nesta quinta-feira (31) os Estados Unidos por proporcionar armamento ao Exército israelense e não fazer o suficiente para deter a ofensiva contra a Faixa de Gaza.

"Os Estados Unidos têm influência sobre Israel e deveriam fazer mais para parar as mortes, para que as partes em conflito dialoguem", disse Pillay em entrevista coletiva, na qual falou da ajuda financeira e a entrega de armas dos EUA a Israel.

O porta-voz do Pentágono, o contra-almirante John Kirby, confirmou na quarta-feira as informações sobre o envio a Israel de MAIS material de guerra dos EUA a pedido das Forças de Defesa israelenses (!!!).

A venda de munição é estabelecida para casos de emergência no chamado Inventário de Reservas de Munição de Guerra de Israel, que permite aos israelenses dispor de armamento de maneira urgente.

Entre esse material há partes necessárias para lança-granadas e peças de morteiro de 120 milímetros, como o que provocou ontem a morte de 19 pessoas refugiadas em uma escola das Nações Unidas.

Pillay informou sobre esta entrega de munição e sobre a ajuda que os EUA prestam a Israel para manter em funcionamento o sistema antifoguetes israelense Cúpula de Ferro, que protege o território israelense dos foguetes lançados a partir da Faixa de Gaza.

"Os Estados Unidos não só fornecem a Israel a artilharia pesada usada em Gaza, mas gastou quase US$ 1 bilhão para proteger o país dos foguetes palestinos. Uma proteção que os civis de Gaza não têm", denunciou Pillay.

A alta comissária insistiu no fato de que os EUA não só ajudam incondicionalmente Israel em tempos de guerra, mas também o fazem em tempos de paz, nos quais, no entanto, TEL AVIV CONTINUA VIOLANDO A LEI INTERNACIONAL AO EXPANDIR SEUS ASSENTAMENTOS E MANTER UM BLOQUEIO À FAIXA DE GAZA QUE É ILEGAL.

"Os Estados Unidos também deveriam fazer mais para acabar com o bloqueio aos territórios ocupados. Deveria fazer mais para acabar com os assentamentos. Lembremos que os Estados Unidos votam contra, tanto no Conselho de Direitos Humanos como no Conselho de Segurança, todas as resoluções que condenam o bloqueio e os assentamentos".

CRIMES DE GUERRA

Pillay se referiu às dezenas de resoluções, relatórios de relatores especiais e conclusões de comissões de investigação internacional nas quais são identificadas FLAGRANTES VIOLAÇÕES DOS DIREITOS HUMANOS E DA LEI INTERNACIONAL por parte de Israel.

"Parece que há um desafio deliberado de Israel a não cumprir com suas obrigações internacionais. Não deveríamos permitir este tipo de impunidade. Não deveríamos permitir que não se averiguem nem se persigam flagrantes violações", opinou Pillay.

A comissária da ONU lamentou que Israel não tenha estabelecido nenhum mecanismo de prestação de contas e lembrou que onde o sistema interno falha tem que ser aplicado o internacional.

Pilay também acusou Hamas de cometer crimes de guerra ao colocar e disparar foguetes de dentro de uma área altamente povoada. 

A representante da ONU assinalou que, segundo os últimos dados com os quais conta, desde que começou a ofensiva morreram 1.263 palestinos e 59 israelenses.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

GENOCIDAS DE ISRAEL CONTINUAM EXTERMINANDO CRIANÇAS

"Não há palavras para expressar adequadamente minha raiva e indignação", disse um comissário da ONU, a respeito de mais um ataque do exército israelense contra escola palestina.

Nem a minha. Nada que eu pudesse escrever superaria o impacto da simples leitura dos dois textos que transcrevo abaixo.

A presidenta Dilma Rousseff foi cautelosa, disse que estamos diante de massacres, não de um genocídio.

Decidam os leitores se trata-se ou não do "extermínio sistemático de pessoas tendo como principal motivação as diferenças de nacionalidade, raça, religião e, principalmente, diferenças étnicas".

Eu não hesito um segundo para afirmar: É GENOCÍDIO, SIM. DOS MAIS BESTIAIS!

"CRIANÇAS FORAM MORTAS ENQUANTO DORMIAM AO LADO DE SEUS PAIS"

O chefe da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNWRA) classificou de "vergonha universal" o ataque israelense nesta quarta-feira (30) contra uma escola mantida pelo organismo no campo de refugiados Jabaliya, na faixa de Gaza, onde centenas de palestinos haviam se refugiado. Ao menos 19 morreram e 90 ficaram feridos no ataque. 

"Ontem à noite, crianças foram mortas enquanto dormiam ao lado de seus pais no chão de uma sala de aula em um abrigo da ONU em Gaza. Crianças mortas enquanto dormiam; isso é uma afronta para todos nós, uma fonte de vergonha. Hoje o mundo está em desgraça", afirmou em nota Pierre Krähenbühl, comissário-geral da UNRWA.

"Não há palavras para expressar adequadamente minha raiva e indignação", afirmou.

Segundo Krähenbühl, este ataque foi o sexto contra uma escola mantida pela UNRWA em Gaza. "Nossos funcionários estão sendo mortos. É um ponto de ruptura."

O Exército de Israel não confirma o ataque contra a escola da ONU -- e diz que militantes estavam disparando do local.

Mas, na nota, a UNRWA afirma não ter dúvidas de que o ataque foi realizado por Israel.

"Visitamos o local e coletamos evidências. Analisamos fragmentos, examinamos as crateras e outros danos. Nossa avaliação inicial é de que foi a artilharia israelense que atingiu nossa escola, em que 3.300 pessoas haviam se refugiado. Acreditamos que houve ao menos três impactos", afirmou. 

Ainda de acordo com a nota, a localização da escola e a informação de que estava sendo ocupada por refugiados foram comunicadas ao Exército israelense 17 vezes, a última delas horas antes do bombardeio. 

O Exército israelense, em uma primeira resposta à morte de  20 palestinos em uma escola administrada pela ONU em Gaza nesta quarta-feira (30), disse que militantes próximos à instalação atiraram bombas de morteiro e as forças israelenses foram obrigadas a revidar. (UOL, com despachos das agências internacionais)

"NÓS AINDA ESTAMOS ANALISANDO O INCIDENTE"

"Mais cedo nesta manhã, militantes atiraram projéteis de morteiros contra soldados [israelenses] a partir dos arredores da escola da UNWRA em Jabalya [um campo de refugiados]. Em resposta, os soldados atiraram em direção à origem dos disparos, e nós ainda estamos analisando o incidente (!!!)", disse um porta-voz militar israelense. (Agência Reuters) 

segunda-feira, 28 de julho de 2014

A TRAGÉDIA DO ORIENTE MÉDIO

Era uma vez o Oeste: mocinho de branco e bandido de preto.
Os folhetins, o cinema e a TV nos acostumaram a observar os complexos dramas das pessoas, povos e nações a partir de uma ótica simplista: heróis-vilões-vítimas.

Ou, simplificando mais ainda, a acreditarmos que quem causa sofrimento às vítimas são os bandidos e quem as defende, os mocinhos.

No fundo, trata-se do velho e obtuso maniqueísmo, a que os pensadores marxistas contrapuseram a dialética: Bem e Mal não existem como instâncias metafísicas que, desde os píncaros do paraíso celestial ou das profundezas do inferno, teleguiam a práxis humana, mas sim como resultado das decisões e ações adotadas pelos homens em cada situação.

No primeiro caso, alguns encarnam o Bem absoluto e o Mal absoluto, sem nuances: os mocinhos são sempre mocinhos e os bandidos, eternamente bandidos.

Na análise marxista, os papéis vão sendo assumidos a cada instante, de forma que o mocinho de ontem poderá ser o bandido de hoje, e vice-versa.

A esquerda mundial até hoje não se recuperou do pesadelo stalinista, que, como Isaac Deutscher bem assinalou, foi um amálgama do pensamento sofisticado dos revolucionários europeus com a religiosidade primitiva da Santa Mãe Rússia.

A esquerda retrocedeu ao maniqueísmo
E a História, infelizmente, favoreceu essa perda de densidade crítica por parte da esquerda. O nazifascismo parecia mesmo encarnar o Mal absoluto, colocando os que o combatiam na condição de cruzados do Bem absoluto.

Veio a guerra fria e a estreiteza de visão se consolidou definitivamente, de ambos os lados. A política mundial se tornou um mero western daqueles tempos em que os mocinhos se vestiam sempre de branco e os bandidos só usavam trajes negros.

Então, desde a década de 1950, quando os EUA se colocaram como protetores de Israel e os soviéticos se compuseram com o líder egípcio Gamal Abdel Nasser, ficou estabelecido que a única forma progressista de encararmos os conflitos do Oriente Médio era beatificando os árabes e satanizando os judeus.

A questão no Oriente Médio é muito mais complexa.

Em primeiro lugar, temos um povo (o judeu) milenarmente perseguido, não só devido à maldade intrínseca dos poderosos de todos os tempos, mas também a uma certa vocação para o martírio: nunca quis misturar-se aos outros povos e conviver harmoniosamente com eles, fazendo, pelo contrário, questão de preservar sua identidade cultural/religiosa e de ostentá-la aos olhos de todos.

Então, mais do que a outros povos, fazia-lhe imensa falta um território próprio. Constituindo uma colônia minoritária em outros países e segregando-se rigidamente dos naturais desses países, neles despertava previsível hostilidade.

Ademais, os judeus eram invejados pelos gênios da cultura e da ciência que produziam (Marx, Freud, Einstein e tantos outros) e por seu êxito nas finanças, além de despertarem a hostilidade dos governos pela participação marcante que tinham em movimentos libertários/revolucionários.

É sintomático, aliás, que a esquerda hoje esqueça ou omita a importantíssima contribuição do Bund (União Judaica Trabalhista da Lituânia, Polônia e Rússia) para a gestação do movimento revolucionário russo, no início do século passado.

Gueto de Varsóvia: vítimas ontem, algozes hoje em Gaza. 
HOLOCAUSTO – Ao buscar um inimigo comum contra o qual unir a nação alemã, Hitler não precisou pensar muito: os judeus eram a opção óbvia.

Finda a II Guerra Mundial, a indignação que o Holocausto provocou na consciência civilizada fez com que a ideia de um lar para os judeus passasse a ser vista com simpatia generalizada.

Foi quando estes cometeram seu maior erro de todos os tempos: aceitando a liderança espúria de fundamentalistas religiosos/terroristas sanguinários, implantaram seu estado nacional numa região em que se chocariam necessariamente com outros fundamentalistas religiosos/terroristas sanguinários.

A Inglaterra, império decadente, bem que tentou impedir este desvario, em vão. E as pombas desnorteadas, judeus imbuídos dos melhores ideais, acabaram aderindo em massa ao projeto sinistro dos falcões.

Então, uma das experiências socialistas mais avançadas que a humanidade conheceu, a dos kibbutzim (comunidades coletivas voluntárias israelenses), acabou sendo tentada num país que logo viraria campo minado – e, melancolicamente, foi definhando, até quase nada diferir hoje em dia das cooperativas dos países capitalistas.

As nações árabes só não exterminaram até agora o estado judeu porque jamais o enfrentaram juntas e disciplinadas, sob um verdadeiro comando militar. Mesmo quando vários exércitos combateram Israel, como na guerra dos seis dias, atuaram praticamente como unidades independentes, em função das querelas e disputas de poder entre os reis, sheiks, sultões, califas, emires, etc., de países cuja organização política e social ainda é feudal.

Kibbutzim: os belos ideais se foram, o militarismo ficou.
Os israelenses, por enquanto, têm compensado sua inferioridade numérica com a superioridade de seus quadros e equipamentos militares, bem como com a repulsiva prática de promover massacres intimidatórios, reagindo de forma desproporcional e freqüentemente genocida aos ataques que sofre.

Os movimentos fundamentalistas/terroristas árabes agem como provocadores: sabem que jamais conseguirão enfrentar de igual para igual Israel, mas atraem retaliações contra seus povos, na esperança de que isto acabe trazendo as nações para o campo de batalha. Querem ser o estopim de uma guerra santa e não hesitam em sacrificar os seus em nome dos desígnios de Alá.

Os governantes feudais árabes, entretanto, têm mais medo de serem desalojados dos seus palácios do que ódio por Israel. Sabem que, da mobilização contra o inimigo externo, as massas podem evoluir para o questionamento da desigualdade gritante e dos privilégios odiosos dos tiranetes de seus países. Preferem preservar o status quo, ao preço de fecharem os olhos a atrocidades como as cometidas contra os palestinos em Gaza.

Não se trata de nenhum filme de mocinho-e-bandido, pois só há vilões entre os atores políticos; ninguém que mereça nossa simpatia e aplauso.

Hoje, é esta a 'contribuição' de Israel à humanidade...
Quanto às vítimas, estas sim são indiscutíveis: os civis que, desde 1948, têm sido abatidos como moscas, devido à cegueira e (sejamos francos) imoralidade monstruosa desses atores políticos.

No fundo, a solução sensata seria o estabelecimento dos judeus noutro território qualquer – quantos países paupérrimos não lhes cederiam terras e autonomia administrativa, em troca de recursos e cooperação para seu desenvolvimento?

Mas não é a sensatez que rege o mundo e sim, como Edgar Allan Poe notou, o horror e a fatalidade.

Então, os Hamas da vida seguirão semeando ventos e os israelenses desencadeando tempestades. E os civis que não estão em guerra com ninguém, inclusive velhos, mulheres e crianças, deverão continuar sendo os mais atingidos, para horror do mundo civilizado, até que surja um novo T. E. Lawrence e consiga levar à vitória a guerra santa sonhada pelos fundamentalistas/terroristas árabes.

Em sua arrogância míope, cada vez mais desumanizados, os israelenses esquecem a frase lapidar de Napoleão Bonaparte: "Com as baionetas pode-se fazer tudo, menos uma coisa: sentar-se sobre elas". Ao tornarem o estado judeu um bunker, predispuseram-no ao destino habitual dos bunkers. Mais dia, menos dia, acabam sendo tomados pelos inimigos. Quantos morrerão até lá?

O que temos no Oriente Médio é, portanto, uma tragédia: os acontecimentos marcham insensivelmente para o pior desfecho e nada podemos fazer, exceto atenuar, tanto quanto possível, os banhos de sangue.

QUEM MATA UM IRMÃO...
"Quem mata um irmão é jogado no fundo do mar. Vai 
embora, Antonio, e cruza os caminhos de fogo do 
mundo pedindo perdão pelos crimes que você cometeu!"

domingo, 27 de julho de 2014

FEDERAÇÃO ISRAELITA POSTA ANIMAÇÃO NO YOUTUBE PARA JUSTIFICAR MASSACRES

A Federação Israelita de São Paulo postou no Youtube um vídeo repulsivo (vocês podem assisti-lo na janelinha abaixo e/ou repassá-lo utilizando este link), no qual compara o estado judeu a um menino mais forte que um espertinho mais fraco provoca sem parar.

Aí, quando o forte dá um murro no fraco, este abre o maior berreiro e todos ficam indignados com o agressor. 

Tem lá sua graça, até porque atirar aviõezinhos de papel é mais ou menos o que o Hamas faz.

O final da animação, contudo, peca pela falta de verossimilhança: o simbolismo mais apropriado seria o forte não somente esmurrar o fraco, mas também o matar, esquartejar o cadáver, jogar gasolina, botar fogo e espalhar as cinzas. Aí, sim, se daria uma boa ideia do quanto a reação é desproporcional à ação.

E a mensagem dos patrocinadores, invocando o direito de defesa, esquece os números, que não mentem jamais: na atual temporada genocida, os óbitos palestinos já passam de mil, civis em sua grande maioria, enquanto Israel admite que 40 de seus soldados e dois civis foram mortos. A proporção macabra, desde o início da carnificina, gira em torno de 25 palestinos para cada israelense. Uma escola e um hospital já sofreram bombardeios de Israel.

Nem em comédias de humor negro os assassinos seriais alegam estarem se defendendo de suas vítimas.

quinta-feira, 24 de julho de 2014

CHUTE NA VIRILHA DO BRASIL: PARA ISRAEL, A GENTE SOMOS IRRELEVANTE.

"A gente não sabemos
Nem escovar os dente
Tem gringo pensando
que nóis é indigente
Inútil
A gente somos inútil"
(Ultraje a Rigor)

O posicionamento digno que o governo brasileiro assumiu com relação à nova temporada de caça aos palestinos (civis, mulheres, velhos e crianças inclusos) foi respondido pela chancelaria israelense com um insulto: "Seu comportamento nesta questão ilustra a razão por que esse gigante econômico e cultural permanece politicamente irrelevante". 

Depois de apoiar, na reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU, a moção que determinou a investigação dos crimes e violações do direito internacional ora perpetrados por Israel em Gaza, o governo brasileiro manifestou seu inconformismo com os massacres, avaliando como "inaceitável" o "uso desproporcional da força". Além disto, convocou seu embaixador em Israel para consultas e chamou o seu congênere israelense para dar-lhe um pito.

Ou seja, foi firme mas se manteve nos limites diplomaticamente aceitáveis: reprovou ações momentâneas mas não emitiu juízos de valor sobre as características permanentes de um governo estrangeiro. Já Israel, como desordeiro de botequim, reagiu com um chute na virilha.

Parece que a proximidade das eleições está fazendo bem ao nosso governo e ao PT. Enquanto o primeiro não contemporizou com as retaliações sanguinárias de Israel, o partido se colocou ao lado das vítimas da escalada repressiva no RJ, repudiando "a grave violação de direitos e das liberdades democráticas" representada pelas prisões arbitrárias.

Faço votos de que este reencontro com as origens não seja fugaz e persista após o 26 de outubro.

Obs.: Depois que havia colocado este post no ar, recebi a notícia de que Israel bombardeou uma escola, matando 15 pessoas e ferindo 200. Também já havia atingido um hospital. Quando chegará a vez do asilo? 

terça-feira, 22 de julho de 2014

VEJAM OS ÚLTIMOS NÚMEROS DA CARNIFICINA EM GAZA

As retaliações israelenses contra os palestinos, a pretexto de destruírem túneis que podem ser reconstruídos em questão de meses, já causaram 605 vítimas fatais, um terço das quais eram crianças. Os feridos estão na casa de 3.700.

A opinião pública mundial está totalmente contra, ainda mais depois que um ataque de artilharia israelense atingiu um hospital em Deir al-Balah, matando quatro pessoas e deixando mais de 50 feridos. 

As baixas dos agressores por enquanto somam 27 -um israelense para cada 22 palestinos-, mas, mesmo assim, as mais elevadas desde a Guerra do Líbano de 2006. Da última vez, na virada de 2008 para 2009, foram apenas 13; e a proporção, 1x107!!! 

Vale lembrar que os israelenses alegam ter deflagrado os massacres por causa da morte de um único cidadão, atingido por foguete lançado pelo Hamas. 

Se administrassem seus negócios como administram os da guerra, teriam ido à falência há muito tempo...

sábado, 19 de julho de 2014

CONFIRMADO: ISRAEL É O 4º REICH.


Está no noticiário de hoje (19): 
"Um ataque aéreo israelense matou neste sábado 11 palestinos na faixa de Gaza, aumentando para 311 o número de palestinos que morreram nos 12 dias da ofensiva israelense contra, informaram fontes médicas. A maioria das vítimas é civil e o número de feridos chega a 2.200".
Ou seja, como na carnificina anterior, o balanço macabro é assombroso: por um israelense morto após ser atingido pelo foguete do Hamas, o estado judeu já dizimou 311 palestinos!!! 

Na virada de 2008 para 2009, haviam sido 1.387 palestinos x 13 israelenses.

É inescapável a semelhança com o modus operandi nazista: quando resistentes matavam um soldado alemão, as tropas de ocupação executavam 50 moradores do bairro.

Assim como o gueto de Gaza, em tudo e por tudo, nos faz lembrar o gueto de Varsóvia.

Eu escrevi daquela vez e repito agora: Israel é o 4º reich.

domingo, 18 de novembro de 2012

MAIS UMA CARNIFICINA INÚTIL NO ORIENTE MÉDIO

Sou cinéfilo e costumo rever os meus cults cinematográficos a cada par de anos. Quando explode a vingança, do Sergio Leone, é um que já devo ter assistido umas 20 vezes, de 1971 para cá.

Mas, quando o filme é previsível e deprimente, nenhum circuito programa sucessivas reprises, nem os programadores das tevês o botam no ar a toda hora.

Bem diferente do espetáculo ora em cartaz, pela enésima vez, no Oriente Médio. É intragável mas, periodicamente, enfiam-no de novo pela nossa goela adentro.

De um lado, grupos radicais dos países árabes cutucam a onça com vara curta, geralmente causando poucos danos.

Do outro, os israelenses reagem com furor desmedido, extrapolando em muito a dimensão do fato que deu pretexto à matança. Lembram os nazistas em países ocupados: se um soldado alemão era morto pelos partisans, os  nazis  agarravam a esmo dezenas de moradores do bairro e os executavam bestialmente, como forma de intimidação.

Os irresponsáveis que atraem represálias contra idosos, mulheres e crianças não se comportam como combatentes do povo, são  covardes e vis; e Israel é, simplesmente, o IV Reich, repetindo hoje o que seus carrascos do século passado faziam de pior. Ambos merecem o nosso mais profundo desprezo.

NADA justifica isto!!!
O resultado é sempre o mesmo: morre muita gente inocente e nunca se chega a lugar nenhum.

Se o objetivo é derrotar Israel, tais radicais têm de, primeiramente, escorraçar os tiranetes feudais que não ousam armar seus povos por medo de que as armas se voltem contra eles. Enquanto essa corja se mantiver no poder, jamais haverá verdadeira guerra santa unindo todos os povos árabes contra seu opressor comum. Resumindo: as revoluções têm de vir primeiro, para a cruzada contra Israel poder dar certo depois.

Desunidos, eles não têm poderio bélico suficiente para vencerem o hiper, super, ultramilitarizado estado neonazista (que, como os gays de antigamente, não ousa dizer seu nome, mas a estrela de Davi há muito deveria ter sido substituída pela suástica...).

Outro pequeno detalhe: se um dia Israel estiver ameaçado de sofrer a derrota final, os EUA inevitavelmente intervirão em seu socorro. Então, há um ogro maior ainda escondido atrás do ogro que até agora vem surrando os árabes periodica e impiedosamente. Isto deveria ser sempre levado em conta, mas não é. 

Sem fibra para fazerem o que é certo, só que bem mais difícil, os radicais investem em provocações à distância, acreditando que as imagens dantescas dos morticínios delas decorrentes provoquem indignação suficiente para forçar uma guerra santa. Negativo. Os tiranetes fingem e continuarão fingindo que não é com eles.

É como tentar fazer um carro pegar  no tranco, quando a bateria está falhando.  Neste caso, não dá certo. Talvez porque as reações dos humanos não sejam exatamente mecânicas...

sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

PARA JAMAIS ESQUECERMOS: OS 3 ANOS DE UM GENOCÍDIO ATROZ

No dia 27 de dezembro de 2008 o estado de Israel desencadeou na faixa de Gaza uma matança cujo balanço final foi o assassinato de 1.387 palestinos, 56% dos quais (773) eram civis,.enquanto as baixas israelenses se limitaram a dez militares e três civis.

Ou seja, para cada israelense morto, mais de cem palestinos tombaram -- proporção típica das retaliações nazistas em territórios ocupados, durante a II Guerra Mundial.

O chocante relatório dos investigadores da ONU --constatando, inclusive, que Israel utilizou escudos humanos, empregou contra a população civil uma substância (o fósforo branco) proibida tanto pela Convenção de Genebra quanto pela Convenção de Armas Químicas, destruiu plantações com escavadeiras e bombardeou 200 fábricas que jamais poderiam ser consideradas objetivos militares--, não produziria nenhum resultado concreto.
Eis meu artigo do dia 28, Carnificina foi o presente de Israel aos palestinos:
"Cerca de mil palestinos, incluindo mulheres e crianças, foram atingidos pelas bombas que Israel disparou na faixa de Gaza.

Não houve, sequer, a preocupação de escolher horários em que houvesse menos pessoas nas ruas.

Foi uma agressão bestial, repulsiva, inominável.

Todo indivíduo, grupo ou nação que, sofrendo ataques de inimigos identificados, retalia indiscriminadamente em civis inocentes, é um réprobo aos olhos da civilização.

Os judeus parecem um triste exemplo de vítimas que, ao tornarem-se poderosas, acabaram reproduzindo as piores práticas dos seus carrascos.
 Tudo que havia de belo e nobre no sonho da nação judaica virou uma caricatura grotesca:
  • os kibutzim cada vez mais deixam de ser comunidades coletivas voluntárias, de inspiração socialista, para assemelharem-se às empresas capitalistas, inclusive contratando trabalhadores em regime assalariado;
  • a perspectiva de viver em harmonia com os vizinhos cedeu lugar à mentalidade de bunker, com todas as distorções decorrentes (a absoluta falta de compaixão pelos não-judeus, encarados como não-pessoas, em primeiro lugar); e 
  • a milenar tradição humanista do povo judeu hoje está em frangalhos, depois de décadas de carnificinas cometidas contra os povos árabes, sobejamente incapazes de resistir à superioridade militar israelense.
Israel é mais uma utopia que virou distopia, um 1917 que se tornou 1984 orwelliano. Lamento profundamente.

Mas, nunca deixarei de registrar minha indignação e meu protesto contra matanças como esta que os israelenses, emblematicamente, cometeram dois dias após o Natal".

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

MAIS UM PASSO RUMO À PALESTINA LIVRE E SOBERANA

Desde hoje (3ª feira, 13), a bandeira palestina tremula na sede parisiense da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. A Unesco é a primeira agência da ONU que reconheceu esse território como membro de pleno direito.

O ato solene contou com a presença da diretora-geral da Unesco, Irina Bokova, e do presidente palestino, Mahmoud Abbas, que destacou tratar-se do "primeiro reconhecimento para a Palestina", daí ter sido para ele tão "emocionante ver nossa bandeira hasteada hoje numa sede da ONU".

No final de outubro, quando a admissão da Palestina foi decidida, os EUA imediatamente retaliaram, o que me fez lembrar a puerilidade de comportamentos das turminhas de rua da minha meninice: 
"Por discordarem da admissão da Palestina como membro pleno, os EUA levarão a bola pra casa (no caso, os fundos de US$ 60 milhões que lhe destinavam), privando-a de 22% do seu orçamento bianual.
A entrada dos palestinos foi decidida por 107 votos a favor, 14 contra e 52 abstenções.

Ou seja, democraticamente, 62% dos países-membros aprovaram.

E, antidemocraticamente, uma das nações discordantes teve reação característica de mariquinha pirracento".
De resto, o estado de Israel parece determinado a impor aos outros exatamente o que seu povo sofreu: não só nega aos  palestinos errantes  o direito a uma pátria livre e soberana, como criou na faixa de Gaza uma versão atualizada do Gueto de Varsóvia.

A ponto de a música comemorativa do estabelecimento dos judeus na sua terra prometida, "Êxodus", agora cair como uma luva para suas vítimas, os palestinos:
"Eu vou pisar o chão que Deus me deu,
a terra que em sonhos vi.
O sol do amanhecer
mostrou-me o vale em flor,
que é todo meu, assim Deus prometeu.

Vem, meu amor, a terra conquistar,
aqui os nossos vão crescer.
Bem junto a ti eu sou
um homem e nada mais,
mas, se Deus quiser, um forte hei de ser.

Aqui farei meu lar.
Se Deus quiser que eu morra, eu morro sem chorar,
pois, afinal, vou ter meu lar".

segunda-feira, 18 de abril de 2011

QUEM MATOU VITTORIO ARRIGONI?

Vittorio Arrigoni (1975-2011)
A leitora Maria Antonia Dal Bello -- brasileira que, após passar muitos anos na Itália, voltou para cá em janeiro -- enviou-me o seguinte desabafo:
"...resolvi entrar em contato pra te pedir para escrever sobre o assassinato bárbaro de um grande militante pró Palestina italiano, Vittorio Arrigoni -- defensor dos direitos humanos que vivia em Gaza...

A versão oficial diz que ele foi morto por grupos islâmicos salafistas, mas sabemos muito bem que por trás de tudo esteve Israel, numa clara advertência à flotilha da liberdade que partiu para Gaza levando ajuda humanitária ao povo palestino. As 'advertências' de Israel, sabemos bem como são!

Usaram esse truque, de colocar a responsabilidade do assassinato sobre o mundo islâmico, para desviar a atenção, na verdade não queriam nenhuma troca de prisioneiros, tanto que nem esperaram, para assassiná-lo, as 30 horas que deram para a libertação dos prisioneiros salafistas.

Queriam matar Vittorio, uma pessoa maravilhosa, dedicada a ajudar e a denunciar as atrocidades cometidas por Israel todos os dias contra o povo palestino, em território palestino que Israel decidiu que é seu.

Suas denuncias e seus vídeos sobre a matança do povo palestino são chocantes, ele era uma voz forte, fonte de informação verdadeira diretamente do front daquela guerra onde o pais terrorista nº 1 do planeta continua impunemente cometendo um genocídio contra os indefesos e encurralados palestinos e contra quem os defende".
Como a Maria Antonia relatou, a versão oficial é de que o pacifista italiano Vittorio Arrigoni teria sido sequestrado na 5ª feira (14) por um grupo salafista, com a intenção de trocá-lo por seus militantes detidos pelo Hamas. Foi encontrado morto por asfixia, no dia seguinte, numa rua de Gaza.

Não dispondo de elementos para sustentar que Israel esteja por trás disso, só posso deixar aqui registrada a indignação e as suspeitas da Maria Antonia, com a promessa de voltar ao assunto caso surjam outras informações.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

EXPOSTO JOGO DUPLO DO FATAH: PEDIU A ISRAEL QUE ATACASSE O HAMAS

Em terra de cego, quem tem um olho, os outros arrancam.

Cansei de ser hostilizado pelos  politicamente corretos  em episódios nos quais meu único pecado era o de enxergar bem mais longe do que eles.

P. ex., embora tivesse imediatamente me posicionado contra o golpe em Honduras, fui também dos primeiros a advertir que Manuel Zelaya não estava à altura do desafio: quem se deixa escorraçar do país em pijamas mostra o que dele poderá esperar-se sempre que a barra pesar.

Não deu outra: voltou ao território hondurenho em carreata e depois clandestinamente mas, nas duas vezes, não ousou deixar-se prender para forçar dramaticamente OEA, ONU e aliados regionais a tomarem uma atitude.

Como dizia Charles Gordon (o herói de Cartum), às vezes a vida é o último trunfo que resta a um combatente para tentar reverter uma situação perdida. O pusilâmine Zelaya, contudo, nunca teve fibra para jogar uma cartada dessas.

Também disseram cobras e lagartos sobre a minha posição em relação a árabes e israelenses, expressa em dois artigos que até hoje considero irretocáveis: A tragédia do Oriente Médio e Temos de desmontar a máquina de matar.

O que havia de tão escabroso na minha posição? Leiam (com alguma paciência) e avaliem:
"...discordo dos motivos (principalmente religiosos) alegados para a implantação de Israel onde está, mas não vejo como reverter o fato consumado sem um banho de sangue que não deve ser desejado por nenhum ser humano digno deste nome.

Então, o melhor caminho seria mesmo o recuo de Israel às fronteiras iniciais (de maio/1948), o estabelecimento de um estado palestino e um esforço sincero de todas as partes envolvidas para dar um fim à beligerância na região.

Se, entretanto, Israel mantiver sua intransigência quanto à devolução dos territórios de que apossou-se  manu militari  a partir da guerra árabe-israelense de 1948, e os árabes continuarem não admitindo a existência de Israel, o mínimo de sensatez manda que se descarte, de uma vez por todas, a estratégia sanguinária de exporem-se as populações civis a massacres, em iniciativas sem perspectiva nenhuma de êxito.

Vou explicar melhor. Nem coligados os países árabes conseguiram até agora derrotar Israel, então salta aos olhos e clama aos céus que nenhuma dessas nações obterá êxito isoladamente.

Teriam de combater o estado judeu todas juntas, sob um comando único e respeitado (as divergências entre elas são tão profundas que nunca seguiram verdadeiramente uma estratégia conjunta, apenas enfrentaram Israel ao mesmo tempo, mas como se lutasse cada uma por si).

O que impede uma  guerra santa  dessas? O fato de os mandatários das nações árabes temerem muito mais revoluções em seus próprios paises do que odeiam Israel. São e representam privilegiados que empenham-se, acima de tudo, em manter seus privilégios.

Daí quererem mesmo é evitar qualquer possibilidade de que a mobilização contra Israel acabe se voltando contra eles; povo armado é povo perigoso. Daí virem sabotando-a e até reprimindo-a através dos tempos, embora mantenham a retórica antiisraelense da boca pra fora.

Movimentos fundamentalistas tentam virar o jogo com agressões insensatas a Israel, para provocar retaliações. Sonham com uma situação na qual os judeus provoquem tamanha indignação que os dirigentes das nações árabes, mesmo a contragosto, sejam obrigados a lançar uma nova  jihad.

Isso nunca acontece. E o que essa gente faz é atrair desgraças para seu povo. Velhos, mulheres e crianças são dizimados por conta disso.

Então, a esquerda mundial deveria negar qualquer apoio a essa estratégia de provocações irresponsáveis.

O grande vilão pode ser Israel, mas quem impede o êxito de qualquer campanha militar contra o estado judeu são os dirigentes das nações árabes, com seu jogo duplo".
Pesado? Não. Verdadeiro: o jogo duplo acaba de ser escancarado pelos documentos diplomáticos estadunidenses que o WikiLeaks está tornando públicos.

Então, agora todos ficamos sabendo que o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, pediu a Israel que atacasse o Hamas em 2007, quando do conflito que resultou na tomada de Gaza pelo movimento de orientação islâmica, deixando o laico Fatah restrito à Cisjordânia.

Desesperado em evitar tal desfecho, Abbas não hesitou em suplicar a intervenção do  bicho papão...

Inclusive, segundo um relato de julho/2007 da embaixada dos EUA em Tel Aviv, a inteligência palestina repassava à sua congênere israelense "quase toda a informação" que coletava.

Enquanto persistir tal mentalidade, Israel continuará deitando e rolando no Oriente Médio.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

ATAQUE À FLOTILHA HUMANITÁRIA: ONU REPROVA, COMO SEMPRE... E FICARÁ NISSO

Relatório do Conselho de Direitos Humanos da ONU, divulgado nesta 4ª feira (22), confirmou tudo que já se sabia sobre o ato de pirataria cometido por Israel contra a flotilha de ajuda humanitária a Gaza, em maio último:
  • os israelenses violaram direitos humanos;
  • agiram com força desproporcional;
  • incidiram em brutalidade inaceitável;
  • desrespeitaram leis internacionais;
  • são culpados de tratamento desumano.
Afora tudo isso,os invetigadores da ONU concluíram que o bloqueio de Gaza é ilegítimo.

A avaliação é correta, como sempre.

Mas, dela não advirá nenhuma providência concreta que obrigue o estado judeu a liberar o Gueto de Varsó... digo, de Gaza.

Nem a pautar suas ações, doravante, pelo respeito ao princípio de autodeterminação dos povos.

Então, tudo leva a crer que ainda lamentaremos muitas matanças bestiais e leremos outros tantos documentos inócuos, como esse.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

FRASE DO DIA

Gueto de Varsóvia:
para nossa vergonha
e opróbrio, qualquer
semelhança NÃO é
mera coincidência...






"A situação em Gaza precisa mudar. Não se pode
permitir que continue um campo de prisioneiros."

(David Cameron, premiê britânico)

quinta-feira, 24 de junho de 2010

QUEM COM BLOQUEIO FERE, COM BLOQUEIO SERÁ FERIDO

Uma musiquinha antiga de Herivelto Martins e Benedito Lacerda diz "eu assisti de camarote/ o teu fracasso/ palhaço/ palhaço".

Ele é inclusive aproveitada em
O Dragão da Maldade Contra o Santo Guerreiro, um dos clássicos imortais de Glauber Rocha, na sequência em que Hugo Carvana e Othon Bastos se atracam no bilhar.

Essa canção zombeteira foi a primeira coisa que me veio à cabeça, ao abrir uma mensagem dos companheiros do PCB, informando que um barco israelense sofreu boicote portuário nos EUA, graças a uma ação de solidariedade aos palestinos de Gaza.

Leiam e riam comigo:
"Mais de 800 ativistas sindicais e comunitários bloquearam o cais de Oakland durante a madrugada, permitindo que os estivadores se recusassem a cruzar as linhas do piquete e, consequentemente, impedindo a descarga de um barco israelense.

"De 5h30 a 9h30, um protesto militante e espirituoso ocorreu em frente às quatro portas do Serviço de Estiva da América, com as pessoas cantando sem parar 'Livre, Palestina livre, não cruze a linha do piquete' e 'Um ataque contra um é um ataque contra todos, o muro do apartheid vai cair'.

"Para resguardar sua saúde e segurança – conforme lhes facultam seus contratos de trabalho – os trabalhadores, ligados à ILWU [organização sindical internacional dos trabalhadores portuários], se negaram a cruzar o piquete.

"Entre as 8h30 e as 9h, uma arbitragem de emergência foi realizada no estacionamento da empresa Maersk, próximo ao cais.

"...o juiz sentenciou a favor do sindicato, dizendo que a situação era realmente insegura para que os trabalhadores tentassem entrar no cais.

"Jess Ghannam, da Aliança Palestina Livre, e Richard Becker, da Coalizão ANSWER [Atue Agora para Parar a Guerra e Acabar com o Racismo, na sigla em inglês], receberam aplausos e gritos de 'Viva a Palestina!', ao anunciarem a vitória do movimento. Ghannam disse: 'Isto é realmente histórico, nunca antes um barco israelense havia sido bloqueado nos Estados Unidos!'

"A notícia de que um navio com contêineres da companhia de navegação Zim Israel estava programado para chegar à área da baía neste domingo provocou uma enorme onda de solidariedade à Palestina, sobretudo em função do violento atentado israelense, no dia 30 de maio, contra os voluntários que levavam ajuda humanitária para Gaza".

quarta-feira, 16 de junho de 2010

PARA A CORTE E SEUS BOBOS, BRASIL SERIA "CACHORRINHO RANHETA DO 3º MUNDO"

O reaça-mor da Veja, Reinaldo Azevedo, finalmente encontrou quem pense exatamente igual a ele sobre o Governo Lula: uma articulista do Wall Street Journal chamada Mary Anastasia O'Grady.

Triunfalmente, deu-se ao trabalho de traduzir, publicar e comentar no seu blogue o artigo dessa Anastasia que não é nenhuma princesa, está mais para serviçal da Corte. O motivo de seu júbilo, RA trombeteou logo no título: ela, supostamente, "arrasa com a política externa de Lula".
As pessimamente traçadas linhas de A dança de Lula com os déspotas, da Anastasia sem nobreza, não passam de descarado lobby israelense contra a posição brasileira de resistir à imposição de sanções contra o Irã.

Israel quer porque quer abortar o programa nuclear iraniano, na suposição de que servirá para fabricar bombas atômicas.

ONU, EUA e países subservientes às paranóias israelenses se desmoralizam ao punirem apenas o Irã.

Pois, enquanto o mundo não colocar sob o mais rígido controle o arsenal nuclear de Israel, nação responsável pelos recentes massacre de palestinos (2008/09) e chacina de pacifistas (2010), não pode exigir nada de país nenhum.

A pior ameaça à humanidade, o governo mais bestial em relação a outras nações e outros povos, é exatamente o israelense, em razão de suas reações apocalípticas a qualquer agressão sofrida e da sua absoluta amoralidade, a ponto de haver oferecido ármas nucleares para a África do Sul no auge do apartheid.

O artigo da pistoleira de aluguel que tanto excitou RA diz:
"O mais recente exemplo de como o Brasil ainda não está pronto para figurar no horário nobre dos círculos internacionais se deu na semana passada, quando votou contra as sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU. A Turquia foi a única parceira do Brasil neste constrangedor exercício. Mas a Turquia pode ao menos usar como desculpa suas raízes muçulmanas. Lula está levando a reputação do Brasil para o brejo só para a sua satisfação política pessoal".
Para bom entendedor, fica evidente que este é o único motivo para a peça propagandística ter sido redigida e veiculada no house organ do parasitismo financeiro, não o fato de Lula "defender e exaltar (...) alguns dos mais notórios violadores dos direitos humanos do planeta".

Se Ahmadinejad se dedicasse apenas a exterminar oposicionistas e homossexuais, não lançando ameaças (meramente retóricas, por enquanto) contra Israel, o estado judeu não daria a mínima para essas matanças -- abomináveis, sem dúvida, mas cuja escala foi muitíssimo inferior à do último pogrom israelense sobre Gaza.

É sempre bom lembrar: de uma tacada só Israel varreu 1.434 palestinos da face da Terra, enquanto os executados por denunciarem fraude eleitoral no Irã seriam, no máximo, 70.

Choca-me ver um jornalista brasileiro, por pior que seja, repercutindo panfletos estrangeiros contra o presidente e o ministro das Relações Exteriores do Brasil -- o primeiro tratado como "um político esperto que veio das massas mas ama o poder e o luxo" e o segundo, como "um intelectual notoriamente antiestadunidense e anticapitalista".

Pior ainda é o tratamento dado ao próprio Brasil, que a Anastasia publicista apresenta como "um país ressentido, um cachorrinho ranheta do 3º Mundo".


"Eu também sou marinheiro/ Eu também sei governar"

segunda-feira, 14 de junho de 2010

ISRAEL VAI INVESTIGAR A SI PRÓPRIO E AS CONCLUSÕES SERÃO CENSURADAS

Seria cômico, se não fosse trágico.

Ao admitirem desfecho farsesco para o caso do ataque à flotilha de ajuda humanitária a Gaza, a Organização das Nações Unidas e os países mais influentes do mundo, EUA à frente, acabam de jogar no lixo mais uma oportunidade para impor aos piratas israelenses o respeito pelo Direito internacional.

Num episódio inquestionável, claríssimo, gritante de chacina em alto mar, cometida por militares israelenses armados até os dentes contra civis de várias nacionalidades que se defendiam com estilingues, não só deixaram de aplicar sanções imediatas ao brutal agressor -- o que havia, ainda, para se averiguar? --, como abdicaram até mesmo de uma investigação internacional do episódio.

Os homicidas determinaram que só seriam investigados por seus pares, e esta aberração jurídica e moral foi aceita pelos poderosos do planeta!

Para completar a pantomima, os magnânimos carrascos admitiram que dois estrangeiros integrem a comissão especial constituída para tentar, em vão, salvar as aparências.

Então, serão cinco os investigadores: três israelenses, o prêmio Nobel da Paz David Trimble - um dos articuladores do acordo de paz na Irlanda do Norte de 1998 - e o promotor militar aposentado canadense Ken Watkin.

Podemos até admitir que façam honestamente seu trabalho.

No entanto, está antecipadamente vetada a apresentação ao público e à comunidade internacional de qualquer conclusão que "possa causar dano substancial à segurança nacional [de Israel...], as relações internacionais, o bem-estar ou a privacidade de qualquer indivíduo ou os métodos operacionais confidenciais de entidades autorizadas".

Ou seja, esses homens de reputação, para fazerem jus à dita cuja, deverão concluir o óbvio ululante:
  • que Israel agiu com bestialidade extrema, ao abordar em alto mar embarcações de outro país;
  • ao invadi-las da forma mais truculenta;
  • ao assassinar nove civis e ferir muitos outros;
  • ao sequestrar os sobreviventes, rebocando-os ao seu território;
  • ao roubar equipamentos que portavam;
  • ao mantê-los em cativeiro sem nenhuma autoridade para tanto;
  • e, finalmente, ao despachá-los para onde decidiram ao invés de soltá-los para ir aonde quisessem.
Mas, tudo isso ficará em segredo, assim como o nome dos culpados por esses crimes.

E, como todos sabemos da dificuldade em disciplinar Israel, tal relatório (com as partes inócuas divulgadas e o que realmente importa mantido em sigilo) vai produzir efeito nenhum, já que nem cobranças da opinião pública haverá.

Afinal, sequer o contundente Relatório Goldstone teve as consequências que se impunham, embora haja concluído e informado ao mundo que Israel perpetrou massacres dantescos em Gaza, na virada de 2008 para 2009.

Depois desta, a ONU também deixou de existir. Só falta enterrarem.

A Liga das Nações acabou por ter sido impotente para conter Hitler.

A ONU acabou por ter sido impotente para conter Israel.

Simples assim.
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