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sábado, 2 de maio de 2020

O MEDO DA MORTE NOS FAZ VALORIZAR A VIDA E O QUE ELA TEM DE MAIS NOBRE: A SOLIDARIEDADE HUMANA!

dalton rosado
O LADO LÚDICO
DA QUARENTENA
Termos de ficar reclusos em nossa residências fez com que lançássemos um olhar contemplativo sobre a nossa vida interior e nossa relação com a vida exterior, entre outras questões de sentido social profundo. 
Este é o lado lúdico da quarentena.

Nesta semana mesmo desengavetei (ou trouxe à terra das nuvens eletrônicas) um breve conto infantil que houvera escrito há quatro anos para o meu primeiro neto, que adora passarinhos: O canário que latia

Tal texto tratava da solidariedade entre um passarinho que havia caído do ninho, quebrado a asa esquerda e sido protegido por um cachorrinho contra a gula de um gato faminto. Com a convivência harmoniosa e solidária, o canarinho aprendera a latir para afugentar seus predadores. 

Tratava-se, portanto, de um conto infantil sobre a solidariedade entre seres diferentes na forma e iguais em sentimentos, cujo sentido moral era afirmar a possibilidade de se fazer o impossível diante de uma iminente tragédia.

Divulgado nas redes eletrônicas da família, despertou um sentimento de alegria entre as crianças, que agora estão mais próximas dos seus pais e adorando essa interação forçada. 
"a essência da grandeza do sentido humano da vida"
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Da mesma forma, estamos vendo as pessoas irem para as janelas dos seus prédios e cantarem a plenos pulmões as melodias que mostram a todos a essência da grandeza do sentido humano da vida na superfície desse nosso planetinha tão sacrificado por sentimentos avessos aos que felizmente ora afloram.

A mobilização de pessoas nos mais diferentes lugares e no mesmo momento, arrecadando gêneros alimentícios e roupas para as comunidades que até ontem não eram alvo desse olhar solidário, representa o resgate e despertar do sentido humano que habita nas mentes adormecidas por um móvel de relação social individualista e exclusivista.

O medo da morte nos faz valorizar a vida e o que ela tem de mais nobre: a solidariedade humana! 

O ser humano somente sobreviveu às intempéries da sua evolução, à sanha de predadores e às muitas catástrofes sanitárias e climáticas graças ao sentido solidário de sua existência. 

Afinal, um grupo articulado de hominídeos, com habilidade manual e tendente a racionalizar os seus instintos, conseguiu ser mais forte do que um leão faminto por carne; um tigre dentes-de-sabre; uma peste aniquiladora ou a uma tempestade avassaladora. 
Heróis da luta pela vida sendo hostilizados pela mais abjeta escória
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Que dizer dos abnegados profissionais da saúde que, em defesa da vida, vão para a linha de frente de hospitais nos quais a contaminação virótica é exponencial, mesmo sabendo que os colegas que até ontem estavam ao seu lado hoje estão sepultados em covas coletivas, sem nem mesmo poderem ser velados por seus familiares? Eles são os exemplos concretos de que o ser humano é intrinsecamente bom. 

Mas, principalmente, a crise sanitária nos faz perceber a irracionalidade da vida que levávamos antes dela. 

A diminuição da poluição aérea nas grandes cidades em razão da redução do uso indiscriminado da combustão fóssil nos veículos que congestionam o trânsito, redução provocada pela paralisia das nossa relações sociais mercantis, mostra que outro modo de viver não somente é possível como necessário.

Da mesma forma, com a paralisia, caiu a emissão de gás carbônico na atmosfera pela produção industrial irracional e queimadas florestais; comprovado efeito estufa, que provoca o aquecimento global, deu um tempo na sua escalada genocida. 
O homem que destrói o Brasil e nos faz motivo de chacota no mundo inteiro
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Lamentável nisto tudo é que tais procedimentos não derivem da conscientização dos seres humanos sobre os seus atos genocidas, mas consequência da ação de um vírus microscópico irracional que confronta a nossa própria racionalidade. 

A crise sanitária está, também, a desnudar a hipocrisia da suposta preocupação com a vida, alegada por quantos desejam a volta ao staus quo da produção mercantil e de suas relações sociais. 

É que, diante do constatado aumento das infecções e das mortes provocadas pela pandemia virótica, muitos governantes propõem o abandono precoce da quarentena, sem levarem em conta o morticínio que isto provocará, presos que estão ao modelo que os jungiu ao topo do poder no atual sistema político-governamental.

O coronavírus, sem o saber e sem qualquer traço de inclinação ideológica, demonstrou que o pensar governamental sobre qualquer alternativa de relação social está proibido, não havendo melhor demonstração disto do que o pesadelo atual, a confirmar a existência de uma corrente de ferro que nos aprisiona socialmente: o fetichismo da mercadoria. 
É triste que o Walter Franco tenha morrido
e tantos canalhas continuem vivos e ativos
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Para o capital produzir mercadoria está acima da proteção da vida.

A grandeza dos muitos gestos de humanidade que temos presenciado contrasta com a simbologia genocida de quem faz a apologia das armas, chegando com isto até a sensibilizar uma população desesperada pela miséria social causada pelo capitalismo (moral e material): esses falsos messias ainda conseguem passar-se por salvadores da pátria aos olhos de muitos incautos. 

Qual profetas da morte, eles tentam nos convencer de que a intensificação da causa do mal pode nos livrar do próprio mal. 

Não passarão! (por Dalton Rosado)

"Todo dia o balde vai pro poço/ Um dia o fundo
vai se soltar/ Um dia o fundo vai se soltar"

segunda-feira, 31 de julho de 2017

A SOLIDARIEDADE É UM DOS REQUISITOS PARA A EMANCIPAÇÃO

"A solidariedade é o sentimento que melhor expressa
o respeito pela dignidade humana" (Franz kafka)
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Costumo dizer aos que me questionam pelo fato de criticar o dinheiro, mas, ao mesmo tempo, batalhar diariamente para obtê-lo com o exercício da advocacia (como se isto fosse um paradoxo entre o que eu digo e o que faço) que o Instituto Butantan de São Paulo precisa do veneno da cobra para produzir o soro antiofídico que neutraliza tal veneno e salva vidas.

Destarte, não há nenhuma contradição entre obtermos o dinheiro necessário aos nossos intentos e sobrevivência, e, ao mesmo tempo, criticá-lo. É que a sociedade do capital, confirmando o caráter onívoro da mediação social pelo dinheiro que tudo atrai para si e a tudo e a todos submete, nos obriga ditatorialmente a buscar dinheiro para vivermos.

Para levarmos adiante a luta contra este modo de mediação social em decomposição orgânica (que ocorre por seus próprios fundamentos contraditórios e irracionais), necessitamos de recursos em dinheiro para combatê-lo de modo eficaz;  e também precisamos saber como fazê-lo, o que não é tão simples assim.

O blogue Náufrago da utopia, para manter a sua independência diante do mercado, não veicula propagandas comerciais, pois isto significaria uma capitis deminutio na liberdade de dizer e conscientizar a partir de seus pressupostos revolucionários; e muito menos aceita qualquer subvenção de governos e de entes a eles vinculados, que significaria uma dependência em relação ao Estado que tanto criticamos (o segmento político institucional é sempre correia de transmissão e legitimação da opressão estatal).

Denunciamos a nossa tragédia social ao mesmo tempo em que buscamos a análise de suas causas e modo de superação.

Temos hoje, no Brasil, cerca de 13,5 milhões de desempregados. Considerando que se trata da chamada mão-de-obra economicamente ativa, e que quase todos os trabalhadores desempregados têm uma família deles dependente, isto significa que quase ¼ da população brasileira (quase 50 milhões de pessoas) não tem como obter recursos para o custeio das suas necessidades. Esse é o caldeirão no qual se processam as mais aviltantes maquinações do diabo.

O aumento vertiginoso da violência urbana deriva da miséria social decorrente das estatísticas de desemprego, alarmantes mesmo segundo os nem sempre confiáveis dados oficiais. Estamos todos ameaçados, pois a vida já vale menos que um celular.

A falência econômica do Estado decorre da depressão econômica (local e mundial) e implica o abandono, pelo Estado, do atendimento das demandas sociais básicas (educação e saúde). Dito Estado agora se fixa apenas no provimento e custeio daquilo que lhe é essencial, ou seja, do financiamento das instituições (parlamento, judiciário e força militar). Assim, vamos vivendo de perdas em perdas e tentando sobreviver a elas. 
Denunciamos tudo isso porque não aceitamos passivamente tal estado de coisas como se fosse a resultante de determinismo histórico imutável. 

Teimamos em mudar o curso da história de sangue e dor de humanidade e isto implica uma concepção teórica e prática somente possível de ser encontrada a partir de uma discussão dialética e aberta, desde que circunscrita ao campo da análise dos nossos infortúnios sociais e não da sua justificativa de acomodação.  

Quem denuncia tal estado de coisas e se propõe criticamente à formulação de alternativas de vida social sem apelar para o mercado ou às tetas do estado paga um preço muito alto. Estamos dispostos a pagar tal preço como contribuição revolucionária.  

Buscamos uma saída e haveremos de encontrá-la.
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UM APELO SOLIDÁRIO
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A elaboração de um blogue com artigos reflexivos e ilustrações explicativas que ajudam na correta interpretação e suavização a leitura, requer um esforço intelectual de elaboração E pesquisa, além de físico, que demanda muito tempo. E como quem escreve artigos contra o capital quase sempre não detém capital ou renda dele derivada, consome o seu tempo sem ter uma receita que promova o seu sustento. Como sabemos, no capitalismo sob o qual vivemos tempo é dinheiro.

Neste sentido (como em todos os outros), é de suma importância a prática da solidariedade entre aqueles que compreendem a importância do esforço emancipatório e podem promover e contribuir para emancipação social com gestos e ações que, por mais simples que sejam, somam com todas as outras na direção da construção de um novo tempo de vida fraterna, na qual não sejamos todos adversários de todos. 

Isto é solidariedade.

O blogue Náufrago da utopia tem atingido índices de acesso contributivos para a conscientização daquilo que está na base dos nossos infortúnios sociais de modo aberto e dialético. Já ultrapassamos a casa dos 2 milhões de acessos e certamente temos contribuído para um arejamento do pensar, incomodando os recalcitrantes defensores do status quo da conservação ou reforma que nada muda, ou muda pouco para não transformar nada.     

Precisamos manter, ampliar e acrescentar outros elementos à nossa luta, de modo a criarmos uma vertente de conscientização teórica e prática que nos conduza à saída do labirinto que nos prende à segregação social histórica; e, para tanto, solicitamos a ajuda dos leitores que se dispuserem (e puderem) contribuir financeiramente.

Tomei a iniciativa, com a anuência do Celso, fundador e editor do blogue, de elaborar o apelo ora publicado em razão das dificuldades financeiras inerentes à condição de combatente do seu fundador.

Aquele(a) que se dispuser a contribuir financeiramente deverá depositar qualquer valor disponível e ao seu critério, de uma única vez, na conta corrente nº 001-00020035-2, agência 2139, da Caixa Econômica Federal (banco 104), em nome de Celso Lungaretti (CPF 755.982.728-49). Posteriormente o blogue exporá o quantitativo de valores arrecadados e correspondente prestação de contas da destinação. 

Desde já, recebam um abraço agradecido do blogue Náufrago da utopia

Até a vitória!
(por Dalton Rosado)

sexta-feira, 6 de julho de 2012

QUANTO O ESTADO DEMOCRÁTICO SE IMPORTA COM AS VÍTIMAS DA DITADURA?

São muito reconfortantes as manifestações de solidariedade que venho recebendo de diversos companheiros, na forma de encaminhamentos práticos, sugestões, ofertas, disponibilização de espaços para divulgar o meu caso e artigos alusivos, como o escrito pelo combativo Antuérpio Pettersen Filho, que pode ser acessado aqui.

Seria redundante e enfadonho para os leitores colocá-los todos neste blogue, mas um, em especial, vale a pena reproduzir: o do Carlos Lungarzo (foto), professor titular da Unicamp e defensor histórico dos direitos humanos, que tem como título O caso de Celso Lungaretti; e como subtítulo, Quanto o Estado democrático se importa com as vítimas da ditadura?.

Isto porque o Lungarzo relacionou as autoridades às quais podem ser enviadas mensagens e explicou como o fazer. É exatamente o que ficou faltando nos meus dois textos.  Foi uma grande sacada deste ótimo companheiro e amigo que é o Carlos.

Eis o artigo:

Celso Lungaretti é bem conhecido pela comunidade progressista brasileira. Entretanto, desejo acrescentar algumas observações que podem não ser evidentes para todos. Desde há muito tempo, ele é comunicador profissional, militante cultural, editor do blog Náufrago da Utopia, defensor dos direitos humanos, e um esquerdista independente, que deseja que o termo “esquerda” possa aplicar-se novamente aos valores da liberdade, igualdade, solidariedade e socialismo, tal como estava no espírito dos que cunharam esta expressão em dois séculos de luta.

Como toda pessoa independente, Celso foi muitas vezes mal interpretado (seja voluntariamente ou não), por setores que combinam o prestígio que outrora a palavra “esquerda” conferiu a ativistas que se destacavam por sua coragem e entrega social, com uma posição mais confortável ao serviço de poderes diversos, especialmente populistas.

Sobrepondo-se às intrigas e calúnias, Lungaretti realiza uma vasta tarefa de esclarecimento, como a publicação de um livro autobiográfico (Náufrago da Utopia, Geração Editorial, SP) sobre a experiência na luta armada.

Empreende também amplas e profundas campanhas humanitárias, sociológicas, políticas, mas também culturais (incluindo em cultura tanto os padrões clássicos, como o cinema, o entretenimento e o esporte), e seu blog é hoje lido por muitas pessoas.

Celso foi altamente operacional na defesa de Cesare Battisti, constituindo-se no autor que escreveu o maior número de matérias sobre o caso. A ele devo a oportunidade de complementar meu ativismo nesse caso com uma brilhante parceria que muito me honra.

Com menos de 20 anos, ele entrou na luta armada, que na época era uma opção, eventualmente inadequada porém sincera, para lutar contra a primeira grande ditadura do Continente, que tinha fechado todas as saídas para uma solução não apenas democrática, mas até para a esperança de um país minimamente civilizado. 

Para os que não viveram ou não lembram os anos 70, vale dizer que a ditadura brasileira não só impôs a violência, a miséria e o embargo de direitos do povo brasileiro, mas estimulou, treinou em práticas de tortura e financiou as ditaduras de Paraguai, Uruguai, Bolívia e Chile. Além disso, cooperou com a pior de todas, a Argentina, através da Operação Condor.

Preso em plena juventude, Lungaretti amargou um ano de prisão, onde sofreu tormentos que militares e policiais aplicavam a seus opositores, dos quais guarda ainda handicaps físicos.

Cronologia

Em julho de 2005, Lungaretti recebeu formalmente a Anistia garantida pela União às vítimas da ditadura, e a portaria onde está registrado o fato foi assinada pelo Ministro da Justiça em outubro.

Em janeiro de 2006 começou o pagamento da sua pensão vitalícia baseada em sua condição de ex-detento que fora alvo de tormentos em custódia, com o resultado de ter sofrido lesões permanentes.

Ao receber o primeiro pagamento, já Lungaretti tinha passado por dois anos de desemprego, e acumulava grandes dívidas. Ele possui muitos dependentes, e a possibilidade de todos eles sobreviverem nesse lapso foi o endividamento.

Na decisão de pagamento de pensão, a União decidiu também que Celso deveria receber a indenização retroativa prevista em lei, mas, até 2007, o pagamento efetivo dessa indenização não tinha sido definido pela União.

Em 08/02/2007, Lungaretti entrou com mandado de segurança para obter o recebimento.

Pouco depois, a União anunciou um plano para pagamento parcelado do retroativo, mas o processo de Lungaretti já tramitava na justiça.

Naquele momento, seu processo estava na Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), sob o número 0022638-94-2007.3.00.0000

Só em 23/02/2011 veio a ser julgado o mérito de mandado de segurança impetrado.

Ele foi aprovado por nove votos contra zero.

Após esta vitória do requerente, a União entrou com o que se chama embargo de declaração. A definição jurídica desta figura é muito complicada, mas seu conceito é muito simples: é um pedido de esclarecimento sobre aspectos da decisão judicial que uma das partes considera obscuro.

Os embargos de declaração são usados muitas vezes (a maior parte) para fazer demorar um processo, enfraquecer a aplicação da sentença, criar na outra parte um pouco de desânimo (“Se tivermos que pagar, que sofram um pouco!”).

Logo, houve troca de ministros na 1ª seção do STJ.

O processo só passou à alçada do novo titular em 01/07/2011

Então, desde há mais de um ano, o processo não se movimentou nem um milímetro. Não houve nenhuma explicação sobre esta protelação.

Devem ser feitas gestões em várias vias:
  • Junto ao STJ, para que se prossigam os trâmites interrompidos nessa data;
  • junto à Advocacia Geral da União, para que tenha a gentileza de não continuar colocando empecilhos artificias. A sentença é firme e, portanto, mais cedo ou mais tarde, o Estado deverá pagar. Com estas manobras hostis, o único que o Estado consegue é aumentar o sofrimento de Lungaretti e das outras pessoas (mãe, esposa e filhas pequenas), que dependem deste dinheiro para viver.
Apesar da paciência de Lungaretti, a situação chegou a um desespero, porque ele foi também, como todos os setores populares do país, atingido pela especulação imobiliária.

Com efeito, ele não conseguiu renovação de seu aluguel, porque seu senhorio quer dispor do apartamento (alugar, vender ou sei lá o que) aproveitando o exponencial aumento especulativo da propriedade paulista.

Em algum momento não muito longínquo, toda essa família pode ser despejada. Ninguém pode dizer hoje que os despejos no estado de São Paulo não são trágicos em geral.

Ações solicitadas

Neste momento, o senador Eduardo Suplicy está se incumbindo do problema, em harmonia com sua tradição pessoal de extrema solidariedade em assuntos humanitários. No entanto, sua gestão deve ser apoiada pelo maior número de pessoas, tendo em conta as numerosas cargas que possuem os parlamentares.

Pedimos enviar mensagens e/ou cartas respeitosas aos seguintes organismos do poder público:

Exmo. Sr. Presidente do STJ
SAFS – Quadra 06 – Lote 01 – Trecho III
CEP 70095-900 | Brasília/DF
Telefone: (61) 3319-8000
Fax: (61) 3319-8700
presidencia@stj.jus.br

O objetivo desta mensagem deve ser:

Pedir ao Exmo. Sr. Presidente que o STJ dê continuidade ao processo, tendo em conta a situação do Sr. Lungaretti.

*******************

Exmo. Sr. Advogado Geral da União
Luís Inácio Lucena Adams
Advocacia Geral da União
Setor de Indústrias Gráficas (SIG),
Quadra 06, Lote 800. CEP 70610-460 - Brasília-DF
@Formulário eletrônico em:
www.agu.gov.br/sistemas/site/PaginasInternas/Institucional/faleConosco.aspx

O objetivo é solicitar gentilmente à AGU sua aceitação da decisão unânime do STJ, já que os recursos que se estão impetrando por rotina só produzem prejuízos ao anistiado e sua família.

*******************

Exma. Sra. Ministra de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão
Miriam Belchior
Explanada dos Ministérios
Brasília, DF
@ Formulário eletrônico em
http://www.planejamento.gov.br/fale_conosco.asp

O objetivo é solicitar à Sra. Ministra a execução mais rápida possível da sentença, tendo em conta a situação do anistiado, pois o pagamento depende de uma portaria do ministério.

*******************

Os seguintes são os dados para identificar o processo

PROCESSO MS 12614
UF: DF  Registro: 2007/0022638-1
Número Único:  0022638-94-2007.3.00.0000
Mandado de Segurança    VOLUMES: 1      APENSOS: 0
Autuação :    08/02/2007
impetrante :  CELSO LUNGARETTI
impetrado  :   MINISTRO DE ESTADO DO PLANEJAMENTO ORÇAMENTO E GESTÃO
RELATOR(A) :   Min. NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO – Primeira Seção
Assunto  :  DIREITO ADMINISTRATIVO E OUTRAS MATÉRIAS DE DIREITO PÚBLICO - Garantias Constitucionais - Anistia Política
LOCALIZAÇÃO:  Entrada em GABINETE DO MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO em 01/07/2011
TIPO:       Processo Físico
01/07/2011 - 15:41 -  CONCLUSÃO AO(À) MINISTRO(A) RELATOR(A) - PELA SJD
01/07/2011 - 11:00  -  PROCESSO ATRIBUÍDO EM 01/07/2011 - MINISTRO NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO - PRIMEIRA SEÇÃO

quarta-feira, 4 de julho de 2012

O QUE FAZER?

Aos companheiros que responderam ao meu apelo desta 3ª feira (ver aqui) oferecendo algumas formas de ajuda, o que muito me sensibilizou, esclareço:
  1. o que mais busco, neste instante, é a mobilização de apoios, no sentido de que entidades/pessoas influentes em Brasília façam ver ao STJ que mandado de segurança sem desfecho há 5,5 anos é um acinte e uma aberração, e à União que processos definitivamente perdidos devem ser pagos, pois as medidas protelatórias (como o embargo de declaração em questão) são inócuas para ela em médio e longo prazo, além de muito cruéis para mim e meus dependentes;
  2. notícias na grande imprensa provavelmente ajudariam a agilizar a solução;
  3. divulgação nas redes sociais, idem, pois contribui para atingirem-se os objetivos acima; 
  4. com um pouco de boa vontade isto poderá ser resolvido antes da conclusão da ação de despejo, permitindo-me negociar um prazo para desocupação, a fim de cuidar da mudança para o novo lar;
  5. não faria sentido aceitar neste instante ajuda financeira de companheiros que passam por dificuldades semelhantes às minhas, isto pode ficar para uma etapa posterior (que, espero, nunca chegue...).
Minha gratidão e meu abraço aos solidários!

terça-feira, 3 de julho de 2012

APELO À SOLIDARIEDADE DOS COMPANHEIROS E DOS JUSTOS

Infelizmente, depois de evitar enquanto pude esta medida extrema, vejo-me obrigado a pedir a ajuda dos solidários para lidar com uma situação que está acima de minhas forças.

De um lado, sou vítima da iniquidade da Lei do Inquilinato, cujo viés atual é totalmente favorável aos locadores, em perfeita consonância com a desumanidade capitalista. Uma ação de despejo em curso provavelmente privará do lar a minha pequena família para satisfazer a ganância de rentistas, já que venho pagando religiosamente o aluguel ao longo de seis anos e meio, incluindo a aplicação anual de aumentos baseados nos índices inflacionários. No entanto, tem maior peso jurídico a intenção da proprietária de lucrar com a valorização dos imóveis na minha região do que o direito de um idoso a viver em paz e o de uma criança de quatro anos a continuar no bairro onde nasceu e na escola em que se ambientou tão bem. Coisas do capitalismo.

Mas, não fosse nossa Justiça totalmente kafkiana, há muito eu possuiria a minha morada. Em 08/02/2007, como ainda não houvesse nenhuma previsão de pagamento da indenização retroativa que me foi concedida pela União, entrei com um mandado de segurança, pois necessitava muito daquele montante para pagar dívidas e reconstruir minha vida. O julgamento do mérito da questão ocorreu somente quatro anos depois, em 23/02/2011; 9x0 em meu favor. No entanto, acaba de se completar um ano que o processo se encontra parado, sem movimentação nenhuma, quando falta apenas o ministro rechaçar uma óbvia manobra protelatória e ordenar o "cumpra-se". [Para quem quiser conferir, ele tramita na 1ª seção do STJ, sob nº 0022638-94-2007.3.00.0000.]

Assim, estou sendo privado dos recursos que me fazem falta imensa, obrigando-me a contrair empréstimos e mais empréstimos na Caixa Econômica Federal, embora se refiram a direitos atingidos no primeiro semestre de 1970 (há 42 anos, portanto!!!), embora seja totalmente aberrante um mandado de segurança não ter solução depois de cinco anos e meio, embora seja mais aberrante ainda uma sentença unânime, verdadeira goleada jurídica, não haver sido cumprida após um ano e meio.

Por último, a perspectiva de sair de meus apuros financeiros por meio do trabalho remunerado praticamente inexiste, já que a grande imprensa decretou a minha morte profissional (como a de vários outros articulistas inconformados com as injustiças sociais). Nem como personagem histórico ela me dá voz, além de desconsiderar sistematicamente meus direitos de resposta e de apresentar o outro lado, mesmo nos assuntos em que tais direitos são incontestáveis à luz das boas práticas jornalísticas.

De tudo isso, o mais inaceitável, para mim, é não receber a quantia que há tanto tempo me pertence e permitiria que eu resolvesse sozinho todos os outros problemas, trazendo-me tranquilidade e permitindo-me desfrutar plenamente um momento familiar feliz, após uma vida das mais tumultuadas.

Não possuo elementos para relacionar a atual letargia judicial aos trâmites bizarros que meus assuntos tiveram no passado, junto a algumas burocracias do Estado. No entanto, sendo personagem polêmico e detestado pelos círculos direitistas, nunca pode ser desconsiderada tal hipótese.

O certo é que pressões de nenhum tipo me tirarão do rumo atual. É mais do que definitiva a decisão de dedicar os anos que me restam a tentar legar uma sociedade mais justa e igualitária às minhas filhas, netos e a todos os que virão depois de mim. Fiz minha opção quando comecei a percorrer os caminhos das lutas sociais, em 1967. Tudo por que passei desde então só veio reforçar minha convicção de que o capitalismo desgraça a humanidade e tem de ceder lugar a uma organização da sociedade que priorize a cooperação dos seres humanos para o bem comum.

Quem puder/quiser me ajudar a encontrar uma luz no fim do túnel, por favor, contate-me pelo e-mail lungaretti@gmail.com.
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